A invasão de Judá por Senaquerib: as fontes

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ELAYI, J. Sennacherib, King of Assyria. Atlanta: SBL, 2018, p. 69-70 diz:

Há uma notável variedade de fontes: as inscrições de Senaquerib registrando o episódio várias vezes com várias variantes, relatos bíblicos (2Rs 18,13-19,37; Is 36-37; 2Cr 32), representações em relevos assírios, descobertas arqueológicas, fontes egípcias e gregas e fontes problemáticas.

A principal dificuldade para o historiador é o fato de existirem várias contradições entre essas fontes e nenhuma delas ser totalmente confiável. No entanto, alguns autores parecem acreditar que as fontes relacionadas ao seu campo de pesquisa são as melhores; outros, estudando a história de Israel e Judá, consideram as inscrições reais assírias como fontes confiáveis ​​de informações históricas sobre os eventos dessa região. Como é sabido, as inscrições reais assírias são caracterizadas por intenções ideológicas e propagandísticas, que devem ser detectadas usando uma abordagem crítica. Os relatos bíblicos são ainda mais problemáticos porque o texto passou por uma elaborada história de redação e edição. As fontes assírias engrandecem a honra de Senaquerib, enquanto os relatos bíblicos sublinham a honra de Javé.

O melhor método seria considerar cada uma das fontes com uma abordagem crítica rigorosa e combiná-las todas para alcançar o melhor entendimento possível da fase judaica da terceira campanha de Senaquerib, mesmo que alguns autores tenham escrito que reconciliar todas as fontes é inaceitável ou impossível.

O número de monografias e artigos dedicados a esse assunto desde o século XIX até o presente é tão grande que nem todos podem ser considerados e analisados. As principais pesquisas úteis desta bibliografia são as de Brevard S. Childs, Lester L. Grabbe, William R. Gallagher e Nazek Khalid Matty.

 

Bibliografia em língua inglesa

:: Inscrições de Senaquerib
GRAYSON, A. K. ; NOVOTNY, J. The Royal Inscriptions of Sennacherib, King of Assyria (704–681 BC). 2 vols. RINAP 3.1–2. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2012–2014.
LAATO, A. Assyrian Propaganda and the Falsification of History in the Royal Inscriptions of Sennacherib. VT 45, p. 198–226, 1995.

:: Relevos assírios
RUSSELL, J. M. Sennacherib’s Palace without Rival at Nineveh. Chicago: University of Chicago Press, 1991.
MATTY, N. K. Sennacherib’s Campaign against Judah and Jerusalem in 701 B.C.: A Historical Reconstruction. Berlin: de Gruyter, 2016.

:: Descobertas arqueológicas
GRABBE, L. L. (ed.) ‘Like a Bird in a Cage’: The Invasion of Sennacherib in 701 BCE. Sheffield: Sheffield Academic Press, 2003.

:: Fontes problemáticas
GALLAGHER, W. R. Sennacherib’s Campaign to Judah: New Studies. Leiden: Brill, 1999, p. 9-21.

:: Fontes bíblicas
BOSTOCK, D. A Portrayal of Trust: The Theme of Faith in the Hezekiah Narratives. Milton Keynes, UK: Paternoster, 2006.

Para saber onde consultar fontes assírias, clique aqui. Algumas dessas obras podem ser encontradas aqui.

 

Bibliografia consultada pela autora
CHILDS, B. S. Isaiah and the Assyrian Crisis. London: SCM, 1967.
GALLAGHER, W. R. Sennacherib’s Campaign to Judah: New Studies. Leiden: Brill, 1999.
GRABBE, L. L. (ed.) ‘Like a Bird in a Cage’: The Invasion of Sennacherib in 701 BCE. Sheffield: Sheffield Academic Press, 2003.
MATTY, N. K. Sennacherib’s Campaign against Judah and Jerusalem in 701 B.C.: A Historical Reconstruction. Berlin: de Gruyter, 2016.

ELAYI, J. Sennacherib, King of Assyria. Atlanta: SBL, 2018

There are a remarkable variety of sources: Sennacherib’s inscriptions recording the episode several times with a number of variants, biblical accounts (2 Kgs 18:13–19:37; Isa 36–37; 2 Chr 32), representations on Assyrian reliefs, archaeological discoveries, Egyptian and Greek sources, and problematic sources. The main difficulty for the historian is the fact that several contradictions exist between these sources and that none of them is entirely reliable. However, some authors seem to believe that the sources related to their field of research are the best; others, studying the history of Israel and Judah, consider the Assyrian royal inscriptions as reliable sources of historical information concerning the events of this region. As is well known, the Assyrian royal inscriptions are characterized by ideological and propagandistic intentions, which have to be detected using a critical approach. The biblical accounts are still more problematic because the text has gone through an elaborate history of writing and editing. The Assyrian sources were intended to enhance the honor of Sennacherib, while the biblical accounts seek to enhance the honor of Yahweh. The best method would be to consider each of the sources with an adapted critical approach and to combine them all in order to reach the best possible understanding of the Judean phase of Sennacherib’s third campaign, even if some authors have written that reconciling all the sources is unacceptable or impossible. The number of monographs and articles dedicated to this subject from the nineteenth century up to the present is so large that they cannot all be considered and analyzed. The main useful surveys of this bibliography are those of Brevard S. Childs, Lester L. Grabbe, William R. Gallagher, and Nazek Khalid Matty.

Os relatos mesopotâmicos do dilúvio

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WASSERMAN, N. The Flood: The Akkadian Sources. A New Edition, Commentary, and a Literary Discussion. Leuven: Peeters, 2020, 187 p. – ISBN 9789042941731.

A história do dilúvio que exterminou toda a vida na terra, exceto uma família, é encontrada em diferentes textos da antiga Mesopotâmia, de onde chegou às tradições literárias bíblicas e clássicas. Este livro recolhe sistematicamente os primeiros testemunhos do mito do dilúvio, a saber, todas as fontes acádicas em escrita cuneiforme desde a antiga Babilônia até os períodos neoassírio e neobabilônico, incluindo a tabuinha XI da Epopeia de Gilgámesh. O livro os apresenta em nova edição sinótica com tradução em inglês, acompanhados de um comentário filológico detalhado e uma extensa discussão literária. O livro inclui também um glossário completo das fontes WASSERMAN, N. The Flood: The Akkadian Sources. A New Edition, Commentary, and a Literary Discussion. Leuven: Peeters, 2020acádicas.

The story of the primeval cataclysmic flood which wiped out all life on earth, save for one family, is found in different ancient Mesopotamian texts whence it reached the Biblical and Classical literary traditions. The present book systematically collects the earliest attestations of the myth of the Flood, namely all the cuneiform-written Akkadian sources – from the Old Babylonian to the Neo-Assyrian and Neo-Babylonian periods, including Tablet XI of the Epic of Gilgamesh –, presenting them in a new synoptic edition and English translation which are accompanied by a detailed philological commentary and an extensive literary discussion. The book also includes a complete glossary of the Akkadian sources.

Nathan Wasserman (Jerusalem, b. 1962) is a professor of Assyriology at the Institute of Archaeology of The Hebrew University of Jerusalem (PhD, 1993). His main fields of research are Early Akkadian literary and magical texts, as well as the history of the Old Babylonian period.

Faça o download gratuito do livro em ZORA – Zurich Open Repository and Archive.

Senaquerib, rei da Assíria

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Estou estudando nestes dias, na Literatura Deuteronomista, com o Segundo Ano de Teologia do CEARP, O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Um dos assuntos tratados é a invasão de Judá por Senaquerib, da Assíria, em 701 a.C. quando em Jerusalém reinava Ezequias e lá estavam os profetas Isaías e Miqueias.

Andei lendo algumas coisas recentes sobre o tema. Este livro, gratuito no projeto ICI da SBL, é interessante:ELAYI, J. Sennacherib, King of Assyria. Atlanta: SBL, 2018

ELAYI, J. Sennacherib, King of Assyria. Atlanta: SBL, 2018, 256 p. – ISBN 9780884143178.

A autora trata da invasão de Judá por Senaquerib a partir da p. 52. Ela começa assim:

A terceira campanha de Senaquerib, logo após a campanha de Zagros em 701, foi a campanha para o oeste. A data de 701 é confirmada pela comparação do Cilindro Bellino, datado do epônimo de Nabû-lêʾi (702), que não menciona esta campanha, e o Cilindro Rassam, datado do epônimo de Metunu (700), que o menciona. De fato, esta campanha compreendeu três fases: contra a Fenícia, contra a Filisteia e contra Judá. No entanto, as operações militares contra Judá, também registradas na Bíblia, são as mais conhecidas e as mais discutidas. Embora as publicações relacionadas a Judá sejam exageradas e as relacionadas à Fenícia e à Filisteia sejam bastante escassas, uma abordagem histórica séria deve ser adotada, levando em consideração igualmente as três fases da terceira campanha, especialmente porque elas são parcialmente inter-relacionadas. Para Senaquerib, a terceira campanha provavelmente não foi muito diferente das duas campanhas anteriores de seu reinado, e ele não fez distinção entre as três regiões levantes, todas elas no Hatti: “Na minha terceira campanha, avancei contra o Hatti”. A campanha de 701 é geralmente interpretada como uma reação assíria à retenção do tributo imposto às cidades rebeldes fenícias, filisteias e palestinas. Vindo do norte, Senaquerib seguiu uma rota geográfica lógica e seguiu sucessivamente para a Fenícia, para a Filisteia, rumo sul, e para Judá, no leste.

 

Sennacherib’s third campaign, following on immediately from the Zagros campaign in 701, was the campaign to the west. The date of 701 is confirmed by comparing theJosette Elayi Bellino Cylinder, dated from the eponymate of Nabû-lêʾi (702), which does not mention this campaign, and the Rassam Cylinder, dated from the eponymate of Metunu (700), which does mention it. As a matter of fact, this campaign comprised three phases: against Phoenicia, against Philistia, and against Judah. However, the military operations against Judah, also recorded in the Bible, are the best known and the most discussed. Even though the publications related to Judah are overabundant and those related to Phoenicia and Philistia rather scarce, a serious historical approach must be adopted, hence giving equal consideration to the three phases of the third campaign, especially as they are partly interrelated. For Sennacherib, the third campaign was probably not very different from the two previous campaigns of his reign, and he did not distinguish between the three Levantine regions, all of them being in the Hatti: “In my third campaign, I went against the Hatti.” 47 The campaign of 701 is generally interpreted as an Assyrian reaction to the withholding of the tribute imposed on the rebellious Phoenician, Philistian, and Palestinian cities. Coming from the north, Sennacherib followed a logical geographical route, and successively proceeded to Phoenicia, to Philistia southward, and to Judah eastward (p. 52-53).

ELAYI, J. Sargon II, King of Assyria. Atlanta: SBL Press, 2017
Veja também, da mesma autora, no projeto ICI da SBL:

ELAYI, J. Sargon II, King of Assyria. Atlanta: SBL Press, 2017, 298 p. – ISBN 9781628371772.

 

Josette Elayi est une historienne française de l’Antiquité, chercheur honoraire au CNRS, née le 29 mars 1943. Elle est l’auteur de nombreux livres d’archéologie et d’histoire.

Profetas de Israel e livros proféticos da Bíblia

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Ler os textos proféticos não é a mesma coisa que ouvir os profetas de carne e osso.

Entre as tendências recentes mais importantes no estudo da profecia israelita antiga está o reconhecimento de que o fenômeno social do profetismo deve ser entendido como algo bastante distinto dos textos literários dos quais coletamos nossos dados sobre as atividades proféticas. Ou, para afirmar o problema em seus termos mais básicos: os textos não são profetas. Estudar um texto é uma tarefa literária e não é o equivalente de um trabalho de campo antropológico no qual o sujeito humano pode ser observado em primeira mão.

Além disso, parece altamente provável que textos que contenham referências às atividades de figuras proféticas não tenham sido eles próprios escritos pelos profetasNEUJAHR, M. Predicting the Past in the Ancient Near East: Mantic Historiography in Ancient Mesopotamia, Judah, and the Mediterranean World. Atlanta: SBL, 2012 cujas palavras pretendem conter. Portanto, ao tratar textos que pretendem relacionar casos de atividade profética ou práticas mânticas de maneira mais ampla, é imperativo manter pelo menos um olho nos processos pelos quais a atividade mântica foi registrada em forma literária, bem como as motivações para fazê-lo. Ou seja, os processos de escrita devem ser considerados ao se estudar esses textos. Oráculos proféticos podem ter sido compostos e proferidos por figuras proféticas, mas os textos proféticos são obra dos escribas.

 

Among the more important recent trends in the study of ancient prophecy is the recognition that the social phenomenon of prophetism must be understood as something quite distinct from the literary remains from which we cull our data concerning prophetic activities. Or, to state the problem in its most basic terms: texts are not prophets. To study a text is a literary endeavor and is not the equivalent of anthropological fieldwork in which the human subject can be observed first hand. Furthermore, it seems highly likely that texts which contain references to the activities of prophetic figures were not themselves written by the prophets whose words they purport to contain. Therefore, in treating texts that purport to relate instances of prophetic activity, or mantic practices more broadly, it is imperative to keep at least one eye on the processes by which mantic activity was recorded in literary form, as well as the motivations for doing so. That is to say, the processes of scribalization must be considered when studying such texts. Prophetic oracles may have been composed and delivered by prophetic figures, but prophetic texts are the work of scribes.

 

Referência

NEUJAHR, M. Predicting the Past in the Ancient Near East: Mantic Historiography in Ancient Mesopotamia, Judah, and the Mediterranean World. Atlanta: SBL, 2012, p. 3-4.

Matthew Neujahr is a Resident Scholar at Marquette University, Milwaukee, WI, USA.

História de Israel II 2020

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Este curso de História de Israel II compreende 2 horas semanais, com duração de um semestre, o segundo dos oito semestres do curso de Teologia. Os alunos recebem os roteiros de todas as minhas disciplinas do ano em curso nos formatos pdf e html. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel do exílio babilônico ao domínio romano.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica veterotestamentária produzida no período.

III. Conteúdo Programático
1. O exílio babilônico

2. O judaísmo pós-exílico

2.1. O domínio persa

2.2. O domínio grego

2.3. O domínio romano

IV. Bibliografia

Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: a nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

MAZZINGHI, L. História de Israel das origens ao período romano. Petrópolis: Vozes, 2017.

Complementar
DA SILVA, A. J. História de Israel. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 14.12.2019.

GERSTENBERGER, E. S. Israel no tempo dos persas: séculos V e IV antes de Cristo. São Paulo: Loyola, 2014.

HORSLEY, R. A. Arqueologia, história e sociedade na Galileia: o contexto social de Jesus e dos Rabis. São Paulo: Paulus, 2000 [2a. reimpressão: 2017].

KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, 1997. Resumo disponível no Observatório Bíblico.

STEGEMANN, W. Jesus e seu tempo. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2013.

História de Israel I 2020

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Este curso de História de Israel I compreende 2 horas semanais, com duração de um semestre, o primeiro dos oito semestres do curso de Teologia. Os alunos recebem os roteiros de todas as minhas disciplinas do ano em curso nos formatos pdf e html. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel desde suas origens até o exílio babilônico.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica veterotestamentária produzida no período.

III. Conteúdo Programático
1. Noções de geografia do Antigo Oriente Médio

2. As origens de Israel

3. A monarquia tributária israelita

3.1. Os governos de Saul, Davi e Salomão

3.2. O reino de Israel

3.3. O reino de Judá

IV. Bibliografia
Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: a nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

MAZZINGHI, L. História de Israel das origens ao período romano. Petrópolis: Vozes, 2017.

Complementar
DA SILVA, A. J. História de Israel. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 14.12.2019.

DONNER, H. História de Israel e dos povos vizinhos. 2v. 7. ed. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2017.

FINKELSTEIN, I. O reino esquecido: arqueologia e história de Israel Norte. São Paulo: Paulus, 2015.

GOTTWALD, N. K. As tribos de Iahweh: uma sociologia da religião de Israel liberto, 1250-1050 a.C. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004.

KAEFER, J. A. A Bíblia, a arqueologia e a história de Israel e Judá. São Paulo: Paulus, 2015 [1. reimpressão: 2018].

O Gilgámesh hitita

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BECKMAN, G. The Hittite Gilgamesh. Atlanta, GA: Lockwood Press, 2019, 112 p. – ISBN 9781948488068

A tradição de Gilgámesh foi importada para Hattusa, no império hitita, para uso na instrução dos escribas, e tem sido de particular importância para os estudiosos modernos na reconstrução da epopeia e na análise de seu desenvolvimento. Além dos textos na língua hitita que narram as aventuras de Gilgámesh, duas versões em acádico e fragmentos em hurrita foram encontrados na capital hitita Hattusa. Este livro oferece uma edição completa dos manuscritos de Hattusa em hitita, acádico e hurrita.

 

O autor explica na introdução do livro:

From the late third millennium BCE on, the adventures of Gilgamesh were well known throughout Babylonia and Assyria, and the discovery of fragmentary Akkadian-language fragments of versions of his tale at Boğazköy (edited here), Ugarit (Arnaud 2007: 130–38; George 2007), Emar (Arnaud 1985: 328; 1987: 383–84 n. 781), and Megiddo in Palestine (Goetze and Levy 1959) demonstrates that tales of the hero’s exploits had reached the periphery of the cuneiform world already in the Late Bronze Age.

In addition to the manuscripts in the Hittite language recounting Gilgamesh’s adventures, two Akkadian versions and fragmentary Hurrian renderings have turned up at the Hittite capital Hattusa. But there is absolutely no evidence that the hero of Uruk was familiar to the Hittite in the street. No representations of Gilgamesh are to be found in the corpus of Hittite art, nor are there allusions to him or his exploits in texts outside of the literary products just listed.

It seems, therefore, that the Gilgamesh tradition was imported to Hattusa solely for use in scribal instruction, although it cannot absolutely be excluded that the Hittite-language text was read aloud at court for the entertainment of the king and his associates. Nonetheless, as has long been recognized, the material from Boğazköy has been of particular importance to modern scholars in reconstructing the epic and analyzing its development, since it documents a period in the history of the narrative’s progressive restructuring and elaboration for which very few textual witnesses have yet been recovered from Mesopotamia itself. And it is this very Middle Babylonian or Kassite period to which scholarly consensus assigns the composition of the final, “canonical,” version of the epic.

Gary Beckman is George C. Cameron Professor of Ancient Near Eastern Languages and Cultures in the Department of Middle East Studies at the University of Michigan.

Gilgámesh: a vida de um poema

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SCHMIDT, M. Gilgamesh: The Life of a Poem. Princeton, NJ: Princeton University Press, 2019, 192 p. – ISBN 9780691195247.

Neste livro Michael Schmidt discute o fascínio especial que a epopeia de Gilgámesh exerce sobre os poetas contemporâneos, argumentando que parte de seu apelo é sua cativante alteridade. Ele reflete sobre o trabalho de importantes poetas, como Charles Olson, Louis Zukofsky e Yusef Komunyakaa, cujos encontros com o poema são reveladores.

 

Gilgamesh is the most ancient long poem known to exist. It is also the newest classic in the canon of world literature. Lost for centuries to the sands of the Middle EastSCHMIDT, M. Gilgamesh: The Life of a Poem. Princeton, NJ: Princeton University Press, 2019 but found again in the 1850s, it tells the story of a great king, his heroism, and his eventual defeat. It is a story of monsters, gods, and cataclysms, and of intimate friendship and love. Acclaimed literary historian Michael Schmidt provides a unique meditation on the rediscovery of Gilgamesh and its profound influence on poets today.

Schmidt describes how the poem is a work in progress even now, an undertaking that has drawn on the talents and obsessions of an unlikely cast of characters, from archaeologists and museum curators to tomb raiders and jihadis. Incised on clay tablets, its fragments were scattered across a huge expanse of desert when it was recovered in the nineteenth century. The poem had to be reassembled, its languages deciphered. The discovery of a pre-Noah flood story was front-page news on both sides of the Atlantic, and the poem’s allure only continues to grow as additional cuneiform tablets come to light. Its translation, interpretation, and integration are ongoing.

In this illuminating book, Schmidt discusses the special fascination Gilgamesh holds for contemporary poets, arguing that part of its appeal is its captivating otherness. He reflects on the work of leading poets such as Charles Olson, Louis Zukofsky, and Yusef Komunyakaa, whose own encounters with the poem are revelatory, and he reads its many translations and editions to bring it vividly to life for readers.

 

Ele diz, no Prefácio do livro, que fez, por escrito, 5 perguntas para 50 poetas do mundo de língua inglesa sobre sua relação com a epopeia de Gilgámesh.

1. Quando foi que você encontrou o poema e em qual tradução, ou qual adaptação e meio?

2. Qual é atualmente sua tradução ou versão preferida?

3. Você se lembra da sua impressão inicial do poema? Que relação você tem com ele quando escreve ou planeja escrever?

4. Você o coloca, em sua biblioteca física ou mental, em uma prateleira com épicos e escrituras, em outra prateleira ou em nenhuma prateleira?

5. Gilgámesh é um elemento de informação em seu processo criativo e crítico?

 

I wrote to fifty poets across the Anglophone world and asked them five questions about Gilgamesh. It is hard to frame questions that do not prompt specific answers and reveal more about the questioner than the poem. I wanted the poem to pose its questions.

1. When do you first remember encountering the poem and in which translation (or which adaptation and medium)? [What mattered was the first remembered encounter, the real engagement. It might have come not by textual means but via the collages of Anselm Kiefer, or a surprising episode of Star Trek: the Next Generation, or via oratorios, operas or animations.]

2. Which is now your preferred translation or version?

3. Do you recall your initial impression of the poem? What residual relationship do you have with it in your own writing and thinking about writing? [Men and women responded very differently, almost as though the material of the poem is fundamentally gendered; and unless the reader is able to engage with the textures of the language or to historicise response, the narrative can alienate anyone impatient with heroes and dragons.]

4. Do you place it, in your literal or mental library, on a shelf with epics, with scripture, on another shelf (which?), or on no shelf at all?

5. Is Gilgamesh an informing element in your imaginative and critical being, or ‘being’, and if so, in what ways?

Most respondents first read the poem in N. K. Sandars’s prose translation, the original Penguin Classics version. Dick Davis, the poet and major Persian translator, describes it: ‘the prose of [her] version is quasi King James Bible English, loosened but recognizably on that model, and I have always been a sucker for prose like this, and this was/is an added reason it has remained my preferred version, even though I am aware that this is a rather dubiously appropriate model.’ Some of those reared on Sandars have gone on to other preferences. But there is something to be said for a prose version first time round: it gives the narrative clearly, without the distraction of gaps and fissures. It does, however, pose other problems.

This book recounts some of the stories surrounding Gilgamesh. It looks at the work itself and tries to read it without the back-projections that mar so much reading, the belief that ‘they’ were like an earlier version of ‘us’, and their concerns were in some way prototypes of ours. The otherness of Gilgamesh is what this book tries to be about, though the habits of the age infect the author, who is in the first degree guilty, being—like most of the poem’s would-be translators—unable to read the work in any of its original languages.

 

Michael Schmidt is a literary historian, poet, novelist, translator, and anthologist as well as an editor and publisher. His books include The Novel: A Biography and The First Poets. A fellow of the Royal Society of Literature, he received an OBE in 2006 for services to poetry and higher education. He lives in Manchester, England. Twitter @4Michael7

A epopeia de Gilgámesh e a Bíblia

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Um artigo:

The Influence of Gilgamesh on the Bible – By Louise M. Pryke – The Bible and Interpretation: November 2019

Existem apenas algumas referências não cuneiformes a Gilgámesh. A narrativa do dilúvio da epopeia de Gilgamesh continua sendo a conexão mais evidente entre a Bíblia Hebraica e a narrativa épica da Mesopotâmia, um século e meio depois de George Smith tê-la notado pela primeira vez. A narrativa do dilúvio no texto bíblico não é, no entanto, o único ponto de contato entre as duas obras da literatura antiga. O nome do herói da epopeia de Gilgámesh pode ser encontrado em um texto dos Manuscritos do Mar Morto conhecido como O Livro dos Gigantes.

There are only a handful of non-cuneiform references to Gilgamesh. The Flood narrative from the Gilgamesh Epic remains the most overt connection between the Hebrew Bible and the Mesopotamian epic narrative, some hundred years after it was first noted by George Smith. The Flood narrative within the biblical text is not, however, the only point of contact between the two works of ancient literature. The name of the heroic protagonist of the Gilgamesh Epic may be found in a text from the Dead Sea Scrolls known as The Book of Giants.

 

Um livro:

PRYKE, L. M. Gilgamesh. London: Routledge, 2019, 256 p. – ISBN 9781138860698

Gilgamesh focuses on the eponymous hero of the world’s oldest epic and his legendary adventures. However, it also goes further and examines the significance of the story’s Ancient Near Eastern context, and what it tells us about notions of kingship, animality, and the natures of mortality and immortality.PRYKE, L. M. Gilgamesh. London: Routledge, 2019

In this volume, Louise M. Pryke provides a unique perspective to consider many foundational aspects of Mesopotamian life, such as the significance of love and family, the conceptualisation of life and death, and the role of religious observance. The final chapter assesses the powerful influence of Gilgamesh on later works of ancient literature, from the Hebrew Bible, to the Odyssey, to The Tales of the Arabian Nights, and his reception through to the modern era.

Gilgamesh is an invaluable tool for anyone seeking to understand this fascinating figure, and more broadly, the relevance of Near Eastern myth in the classical world and beyond.

 

Louise M. Pryke is a Lecturer for the Languages and Literature of Ancient Israel at Macquarie University, Australia, and a Research Associate at the University of Sydney. Gilgamesh is her second volume in the Gods and Heroes of the Ancient World series. Her first book for the series, Ishtar, explored the world’s first goddess of love.

Congresso da ABIB em 2020: História de Israel

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História de Israel: Arqueologia e Bíblia é o tema do IX Congresso da ABIB, que terá lugar na Instituto Teológico São Paulo (ITESP), em São Paulo, de 24 a 27 de agosto de 2020.

Com destaque para a participação de Norma Franklin, Professora de Arqueologia na Universidade de Haifa, Israel, e de Peter Dubovsky, Professor de Antigo Testamento no Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália.