A história de Isaías

STROMBERG, J.; HIBBARD, J. T. (eds.) The History of Isaiah: The Formation of the Book and its Presentation of the Past. Tübingen: Mohr Siebeck, 2021, 599 p. – ISBN 9783161560972.

Diz o Prefácio:STROMBERG, J.; HIBBARD, J. T. (eds.) The History of Isaiah: The Formation of the Book and its Presentation of the Past. Tübingen: Mohr Siebeck, 2021, 599 p.

O livro de Isaías é um produto da história. A natureza dessa história e o que significa que Isaías é um produto dela, dificilmente são questões de consenso no campo dos estudos bíblicos. Isso deveria ser esperado. A história é complexa. E provavelmente confunde, mais frequentemente do que confirma, as tentativas de entendê-la completamente. Mesmo assim, a pesquisa isaiânica colocou o dedo no cerne do problema metodológico. No cerne de uma compreensão histórica deste livro profético está uma consideração da palavra “história” em duas aplicações distintas, mas relacionadas.

Primeiro, quais processos históricos levaram à forma final do livro? E segundo, que tipo de representação histórica o livro oferece ao leitor?

A primeira questão examina como Isaías se tornou um livro. A última inspeciona sua apresentação da história, uma apresentação complexa envolvendo diversos modos de exposição (perspectiva profética, reflexão poética sobre o presente e relatos em prosa do passado). Esta história envolve as tradições bíblicas e envolve as relações de Israel com os grandes impérios do Antigo Oriente Médio, um passado já distante do ponto de vista da forma final do livro. Para a maioria dos estudiosos, responder a uma pergunta envolve perguntar a outra, a diacronia do livro sendo relacionada à apresentação da história encontrada nele e vice-versa. Para entender melhor a história de Isaías, este volume de ensaios se dedica a essas duas linhas de investigação e seu relacionamento.

O volume foi dividido em três partes.

A primeira fornece um conjunto de ensaios dedicados às questões metodológicas envolvidas no exame da diacronia do livro de Isaías e sua apresentação da história. Nesta seção o objetivo é permitir a reflexão sobre os procedimentos analíticos pressupostos nos estudos diacrônicos e sincrônicos apresentados pela segunda e terceira partes do volume.

A segunda parte oferece uma consideração da história de Isaías à luz das tradições bíblicas. De uma perspectiva histórica, essas tradições permanecem indispensáveis, até mesmo fundamentais para a compreensão da história de Isaías. Isso é verdade em relação à diacronia textual de Isaías, bem como à sua representação histórica. Aqui, essa relação é examinada em relação aos diferentes estágios na formação textual de Isaías e da Bíblia Hebraica.

A terceira parte deste volume investiga a história de Isaías por meio de um foco nos impérios explicitamente mencionados no livro. A justificativa que norteia a seleção dos impérios aqui investigados (Assíria, Babilônia e Pérsia) deriva do papel fundamental desempenhado pela interação de Israel com essas nações na formação do livro em cada um de seus principais estágios.

Ao estruturar o volume dessa forma, esperamos que o leitor perceba o todo e não apenas as partes. Teoria e prática estão ligadas tanto quanto as histórias da Bíblia e do Antigo Oriente Médio. Assim, nosso objetivo ao compor este volume é fornecer ao leitor um tratamento metodologicamente informado deste tópico central – a história de Isaías – pois abrange todo o livro, se relaciona com as tradições da Bíblia e emerge das complexidades da vida no Antigo Oriente Médio.

Além disso, nosso objetivo ao selecionar colaboradores era fornecer um tratamento representativo deste tópico complicado, um que refletisse as diferentes perspectivas em jogo no campo dos estudos bíblicos hoje. Em um empreendimento deste tipo é, talvez, inevitável que lacunas na cobertura, no entanto, permaneçam.

Veja o sumário do livro em pdf, clicando aqui.

Jacob Stromberg é Professor de Antigo Testamento na Universidade Duke, Durham, NC, USA.

J. Todd Hibbard é Professor de Estudos Religiosos na Universidade de Detroit Mercy, Detroit, USA.

 

Preface

The book of Isaiah is a product of history. The nature of that history and what it means that Isaiah is a product of it are hardly matters of consensus in the field. This should be expected. History is complex. And it probably confounds, more often than it confirms attempts to understand it completely. Even so, Isaianic scholarship has put its collective finger on the crux of the methodological problem. At the heart of an historical understanding of this prophetic book lies a consideration of the word “history” in two distinct but related applications. First, what historical processes led to the book’s final form? And second, what kind of historical representation does the book offer to the reader? The former question examines how Isaiah became a book. The latter inspects its presentation of history, a complex presentation involving diverse modes of exposition (prophetic forecasting, poetic reflection on the present, and prose accounts of the past). This history engages the Biblical traditions and it involves Israel’s dealings with the great empires of the Ancient Near East, much of which lay in the past from the point of view of the book’s final form. For most scholars, answering either question involves asking the other, the diachrony of the book being related to the presentation of history found therein and vice versa. To understand better the history of Isaiah, this volume of essays devotes itself to these two lines of inquiry and their relationship.

To this end, the volume is divided into three parts. The first provides a set of essays devoted to the methodological issues involved in examining the diachrony of the book of Isaiah and its presentation of history. In this section, the aim is to enable reflection upon the analytical procedures presupposed in the diachronic and synchronic studies presented by the second and third parts of the volume. The second part offers a consideration of the history of Isaiah in the light of the Biblical traditions. From an historical perspective, these traditions remain indispensable, even foundational for understanding the history of Isaiah. This is true regarding Isaiah’s textual diachrony as well as its historical representation. Here this relationship is examined in relation to differing stages in the textual formation of Isaiah and the Hebrew Bible. The third part of this volume investigates the history of Isaiah by means of a focus on those empires explicitly mentioned in the book. The rationale guiding the selection of those foreign empires here investigated (Assyria, Babylon, and Persia) derives from the pivotal role played by Israel’s interaction with these nations in the formation of the book in each of its major stages.

In structuring the volume this way, we hope the reader will perceive the whole and not just the parts. Theory and practice are bound together every bit as much as are the histories of the Bible and the Ancient Near East. Thus, our aim in putting this volume together is to provide the reader with a methodologically informed treatment of this central topic – the history of Isaiah – as it spans the whole book, relates to the traditions of the Bible, and emerges out of the complexities of life in the Ancient Near East. Moreover, our goal in selecting contributors was to provide a representative handling of this complicated topic, one reflecting the differing perspectives at play in the field today. In an undertaking of this scope, it is perhaps inevitable that gaps in coverage will, nonetheless, ­remain.

Jacob Stromberg, born 1974; D. Phil. Oxford; since 2011 Lecturer in Old Testament at Duke University.

J. Todd Hibbard, born 1968; PhD University of Notre Dame; since 2011 Associate Professor of Religious Studies, University of Detroit Mercy.

Relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo na Bíblia

KAZEN, T. Dirt, Shame, Status: Perspectives on Same-Sex Sexuality in the Bible and the Ancient World. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2024, 224 p. -ISBN 9780802884343.

Um exame acadêmico da sexualidade entre pessoas do mesmo sexo na Bíblia no contexto do mundo antigo.KAZEN, T. Dirt, Shame, Status: Perspectives on Same-Sex Sexuality in the Bible and the Ancient World. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2024, 224 p.

Proibições bíblicas de atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo são frequentemente usadas como provas para apoiar a opressão das comunidades LGBT no ocidente hoje. No entanto, tal interpretação dessas escassas referências ignora o contexto sociohistórico crítico do mundo antigo.

Analisando uma riqueza de fontes primárias, Thomas Kazen traz estudos bíblicos para uma conversa com as normas e práticas sexuais do mundo antigo. Textos do antigo Oriente Médio, gregos e romanos, incluindo o Antigo e o Novo Testamento, exibem preocupações antigas sobre hierarquia em relacionamentos sexuais. Examinando referências à sexualidade através das lentes de poder e subordinação, honra e vergonha, e pureza, Kazen lança luz sobre passagens homofóbicas na Bíblia. Atenção especial é dada às leis levíticas e às epístolas paulinas. Por fim, Kazen nos chama a renegociar o equilíbrio entre nossa herança antiga e nossos valores contemporâneos.

Cuidadosamente pesquisado e apresentado de forma acessível, Dirt, Shame, Status oferece aos leitores uma visão sobre as diversas influências culturais na Bíblia. O trabalho de Kazen oferece uma perspectiva informada e importante sobre um tópico controverso de interesse perene. Acadêmicos, estudantes e todos os leitores curiosos das Escrituras acharão este volume um recurso indispensável para entender textos e contextos antigos complexos.

Thomas Kazen é professor e pesquisador na área de estudos bíblicos na Escola de Teologia de Estocolmo, University College Stockholm, Suécia. Ele é autor de vários livros e artigos em inglês e sueco.

 

A scholarly examination of same-sex sexuality in the Bible in the context of the ancient world.

Scriptural prohibitions of same-sex sexual acts (so-called “clobber passages”) are often used as prooftexts to support the oppression of LGBT communities in the West today. However, such interpretation of these scant references ignores critical sociohistorical context from the ancient world.

Thomas Kazen (1960-)Analyzing a wealth of primary sources, Thomas Kazen brings biblical studies into conversation with the sexual norms and practices of the ancient world. Near Eastern, Greek, and Roman texts, including the Old and New Testaments, exhibit ancient concerns about hierarchy in sexual relationships. Examining references to sexuality through the lenses of power and subordination, honor and shame, and purity, Kazen sheds light on homophobic passages in the Bible. Special attention is given to the Levitical laws and the Pauline epistles. Ultimately, Kazen calls us to renegotiate the balance between our ancient heritage and our contemporary values.

Carefully researched and accessibly presented, Dirt, Shame, Status lends readers insight into the diverse cultural influences on the Bible. Kazen’s work offers an informed and important perspective on a controversial topic of perennial interest. Scholars, students, and all curious readers of Scripture will find this volume to be an indispensable resource for understanding complex ancient texts and contexts.

Thomas Kazen is professor and research chair of biblical studies at Stockholm School of Theology, University College Stockholm. He has authored numerous books and articles in English and Swedish, including Moral Infringement and Repair in Antiquity and Impurity and Purification in Early Judaism and the Jesus Tradition.

Ações simbólicas no livro de Ezequiel

MAYFIELD, T. D.; BARTER, P. (eds.) Ezekiel’s Sign-Acts: Methods and Interpretation. Berlin: Walter de Gruyter, 2024, 240 p. – ISBN 9783111519739.

As passagens de Ezequiel que descrevem as instruções e a dramatização de mensagens divinas (Ezequiel 3-5; 12; 24; 37) estão entre as mais bizarras da BíbliaMAYFIELD, T. D.; BARTER, P. (eds.) Ezekiel’s Sign-Acts: Methods and Interpretation. Berlin: Walter de Gruyter, 2024, 240 p. Hebraica. O profeta é ordenado a incorporar sua mensagem de julgamento a Jerusalém, e essas ações esclarecem os oráculos que elas cercam. No entanto, esses atos de sinais são frequentemente negligenciados nos estudos de Ezequiel, que tendem a se concentrar nas visões estranhas e nos oráculos controversos do livro. Este volume aborda a crescente diversidade de abordagens nos estudos de Ezequiel, convidando acadêmicos seniores e juniores internacionais a se concentrarem nos textos relativos às ações simbólicas de Ezequiel. Ele visa redirecionar a atenção acadêmica para esses textos frequentemente ignorados, que são tão centrais para a compreensão da natureza da profecia, bem como do livro de Ezequiel.

 

The Ezekiel passages describing the instructions for, and dramatization of, divine messages (Ezekiel 3-5; 12; 24; 37) are among the most bizarre in the Hebrew Bible. The prophet is commanded to embody his message of judgment to Jerusalem, and these actions clarify the oracles they surround. Yet, these sign-acts are frequently overlooked within Ezekiel studies, which tend to focus on the book’s strange visions and controversial oracles. This volume addresses the growing diversity in approaches in Ezekiel studies by inviting international senior and junior scholars to focus on the texts concerning Ezekiel’s sign-acts. It aims to redirect scholarly attention to these often-ignored texts, which stand so central to understanding the nature of prophecy as well as the overall book of Ezekiel.

Tyler D. Mayfield, Lousville, KY, USA, and Penelope Barter, Amsterdam, The Netherlands.

Os escribas da Torá

SCHMID, K. The Scribes of the Torah: The Formation of the Pentateuch in Its Literary and Historical Contexts. Atlanta: SBL Press, 2023, 954 p. – ISBN 9781628374315.

Disponível para download gratuito no Projeto ICI da SBL.SCHMID, K. The Scribes of the Torah: The Formation of the Pentateuch in Its Literary and Historical Contexts. Atlanta: SBL Press, 2023, 954 p.

Esta coleção de trinta e um estudos sobre o Pentateuco representa mais de vinte anos de pesquisa e publicações de Konrad Schmid defendendo uma nova visão da formação do Pentateuco. Os ensaios são divididos em oito seções utilmente estruturadas em torno dos temas do Pentateuco, a história da pesquisa, a formação da Torá, Gênesis, a história de Moisés, o documento sacerdotal, textos legais e o Pentateuco na história da religião do antigo Israel.

Quem eram os escribas da Torá? Quando eles escreveram partes específicas da Torá? Quando, como e por que a Torá foi composta? Possíveis respostas a essas perguntas pareciam mais claras e mais prontamente disponíveis várias décadas atrás. Isso, no entanto, não significa que hoje sabemos menos sobre a escrita e composição da Torá do que no final do século XX. Em uma escala global, agora estamos mais cientes das deficiências e falácias do consenso que existia na pesquisa de Wellhausen a Rendtorff e de Hupfeld a Van Seters. A modificação e possivelmente até mesmo o abandono de pressupostos tradicionais nos estudos do Pentateuco não podem ser seriamente considerados como uma crise na pesquisa. Em vez disso, novas perspectivas abrem caminho para considerações mais precisas e mais bem fundamentadas sobre os escribas da Torá e seu trabalho. Isso permite, portanto, uma melhor reconstrução da estrutura histórica da gênese do Pentateuco.

Konrad Schmid é Professor de Bíblia Hebraica e Judaísmo Antigo na Universidade de Zurique, Suíça. A história literária do Pentateuco e a reconstrução dos processos redacionais que levaram à sua forma final constituem o foco principal de sua pesquisa. Ele é filho de Hans Heinrich Schmid, um dos três “revisionistas” do Pentateuco.

 

This collection of thirty-one studies on the Pentateuch represents more than twenty years of Konrad Schmid’s research and publications advocating for a new view of the Pentateuch’s formation. The essays are divided into eight sections usefully structured around the themes of the Pentateuch in the Enneateuch, the history of scholarship, the formation of the Torah, Genesis, the Moses story, the Priestly document, legal texts, and the Pentateuch in the history of ancient Israel’s religion.

Konrad Schmid (nasceu em 1965)Who were the scribes of the Torah? When did they write specific parts of the Torah? When, how, and why was the Torah composed? Possible answers to these questions seemed clearer and more readily available several decades ago. This, however, does not mean that we know less regarding the writing and composition of the Torah than at the end of the twentieth century. On a global scale, now we are more aware of the shortcomings and fallacies of the assumed consensus that reigned in pentateuchal scholarship from Wellhausen to Rendtorff and from Hupfeld to Van Seters. The modification and possibly even the abandonment of traditional assumptions in scholarship cannot be seriously considered as a dominant backdrop of pentateuchal research. Rather, it paves the way to more accurate and better-founded assumptions regarding the scribes of the Torah and their work. It thereby enables a better reconstruction of the historical framework of the Pentateuch’s genesis.

Konrad Schmid is Professor of the Hebrew Bible and Ancient Judaism at the University of Zurich. The literary history of the Pentateuch and the reconstruction of the redactional processes that led to its final shape constitute the main focus of his research. Konrad Schmid is the son of the Old Testament professor Hans Heinrich Schmid (1937–2014), who also taught at the Universität Zürich.

Gn 1,3-5: ênfase na ordem funcional do primeiro dia

Recomendo ler antes o post Cosmogonias, publicado no Observatório Bíblico em 29.11.2024.

Agora, um trecho do capítulo 8, Cosmologia e cosmogonia, do livro de WALTON, J. H. O pensamento do Antigo Oriente Próximo e o Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2021.

Ênfase na ordem funcional do primeiro diaWALTON, J. H. O pensamento do Antigo Oriente Próximo e o Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2021.

Em Gênesis 1,3-5, na análise sobre a luz do primeiro dia, fica claro que, para os israelitas, o foco da Criação estava na ordem, não nos objetos.

Em Gênesis 1,5a, a NIV traduz: “Deus chamou à luz (ʾor) ‘dia’ (yom) e às trevas chamou ‘noite’”. Se Deus chamou à luz yom, por que em todo o Antigo Testamento os autores continuam chamando à luz ʾor?

É uma pergunta que qualquer um poderia responder depois de refletir um pouco: não foi o elemento da luz em si (como os físicos o analisariam) que Deus chamou yom, mas o período de luz.

Há um termo para o fenômeno semântico observado aqui, a saber, metonímia. Na metonímia o significado de uma palavra é estendido para abranger coisas intimamente relacionadas a ela. Quando se diz que a Casa Branca faz uma declaração, ninguém entende que é o prédio que está falando.

Por consequência, não é a luz estudada pelos físicos que está sendo chamada de yom, mas, sim, o período da luz — algo bastante óbvio, pois é com esse sentido que a palavra yom é usada com frequência no restante das Escrituras.

Mas, caso a palavra ʾor se refira a um período de luz no versículo 5, o que dizer do versículo 4? Ali Deus separa a luz das trevas. De novo descobrimos que “período de luz” é muito mais plausível aqui. A luz estudada pelos físicos não pode ser separada das trevas, mas é possível estabelecer períodos alternados de luz e trevas.

Ainda não podemos parar nisso. Se o texto quer que entendamos “período de luz” tanto no versículo 4 quanto no 5, o que dizer do versículo 3?

Creio que a coerência hermenêutica nos levaria a crer que, quando Deus disse “Haja ʾor”, temos então de entender a ordem como “Haja um período de luz”.

Só poderíamos concluir, então, que o primeiro dia não diz respeito à criação da luz como entendida pelos físicos, isto é, à “luz” como um elemento físico com propriedades físicas.

O dia um diz respeito a algo muito mais significativo, algo muito mais elementar ao ordenamento do cosmo e à nossa experiência do cosmo. No primeiro dia, Deus criou o dia e a noite; seus períodos alternados formam o tempo.

 

Functional Order Emphasis in Day One

In Genesis 1:3–5, in the discussion of the first day’s light, it becomes clear that for the Israelites order, not objects, was the focus of creation.

In Genesis 1:5a the NIV translates, “God called the light (ʾor) ‘day’ (yom) and the darkness he called ‘night.’” If God called the light yom, why do the authors continue throughout the Old Testament to call light ʾor?

It is a question anyone could answer with a little thought: it was not the element of light itself (as physicists would discuss it) that God called yom, but the period of light.

There is a term for the semantic phenomenon that is observed here—namely, metonymy. In metonymy the meaning of a word is extended to include things closely related to it. When the White House makes a statement, it is understood that the building is not talking.

Consequently, it is not the physicist’s light that is being named yom, it is the period of light—obvious enough because that is what yom is often used to refer to in the rest of Scripture.

But if the word ʾor refers to a period of light in verse 5, what about in verse 4? There God separates the light from the darkness. Again we find “period of light” much more plausible here. The physicist’s light cannot be separated from darkness, but alternating periods of light and darkness can be set up.

Still we cannot stop there. If the text means for us to understand “period of light” in both verses 4 and 5, what about verse 3?

Hermeneutical consistency, I think, would lead us to believe that when God said “Let there be ʾor,” we must then understand it as “Let there be a period of light.”

We could only conclude, then, that day one does not concern itself with the creation of the physicist’s light—that is, “light” as a physical element with physical properties.

Day one concerns something much more significant, something much more elemental to the ordering of the cosmos and to our experience of the cosmos. On day one, God created day and night; their alternating periods constitute time.

Gn 1,3-5

3 וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים יְהִי אוֹר וַיְהִי־אוֹר׃

4 וַיַּרְא אֱלֹהִים אֶת־הָאוֹר כִּי־טוֹב וַיַּבְדֵּל אֱלֹהִים בֵּין הָאוֹר וּבֵין הַחֹשֶׁךְ׃

5 וַיִּקְרָא אֱלֹהִים לָאוֹר יוֹם וְלַחֹשֶׁךְ קָרָא לָיְלָה וַיְהִי־עֶרֶב וַיְהִי־בֹקֶר יוֹם אֶחָד׃ ף

Literatura Profética II 2025

Literatura Profética II é continuação da Literatura Profética I. A carga horária semanal é de 2 horas, no segundo semestre do segundo ano de Teologia.

Ementa
Introdução e análise dos principais textos do profeta Jeremias. Introdução e análise dos livros de profetas exílicos e pós-exílicos: Ezequiel, Dêutero-Isaías (Is 40-55), Ageu, Zacarias 1-8, e Trito-Isaías (Is 56-66).

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. Jeremias
2. Ezequiel
3. Dêutero-Isaías (Is 40-55)
4. Ageu
5. Zacarias 1-8
6. Trito-Isaías (Is 56-66)

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. O profeta Jeremias: um homem apaixonado. São Paulo: Paulus/CEBI, 2016.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, vol. I: 2004 [3. reimpressão: 2018]; vol. II: 2002 [4. reimpressão: 2015].

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016.

Complementar
DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 04.02.2022.

DA SILVA, A. J. Superando obstáculos nas leituras de JeremiasEstudos Bíblicos, Petrópolis, n. 107, p. 50-62, 2010. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 09.07.2022.

NAKANOSE, S. et alii Como ler o Terceiro Isaías (56-66): novo céu e nova terra. São Paulo: Paulus, 2004 [4. reimpressão: 2019].

WIÉNER, C. O profeta do novo êxodo: o Dêutero-Isaías. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

WILSON, R. R. Profecia e sociedade no antigo Israel. 2. ed. revista. São Paulo: Targumim/Paulus, 2006.

Pentateuco 2025

A disciplina Pentateuco é estudada no segundo semestre do primeiro ano, com carga horária de 4 horas semanais. Há uma profunda crise nesta área de estudos, muito semelhante à crise da História de Israel. A teoria clássica das fontes JEDP do Pentateuco, elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, Wellhausen, vem sofrendo, desde meados da década de 70 do século XX, sérios abalos, de forma que hoje muitos pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. O consenso wellhauseniano foi rompido, contudo, ainda não se conseguiu um novo consenso e muitas são as propostas hoje existentes para explicar a origem e a formação do Pentateuco.

I. Ementa
Novos paradigmas no estudo do Pentateuco. O Decálogo: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21. A criação: Gn 1,1-2,4a e Gn 2,4b-25. O pecado em quatro quadros: Gn 3,1-24. O dilúvio: Gn 6,5-9,19. A cidade e a torre de Babel: Gn 11,1-9. As tradições patriarcais: Gn 11,27-37,1. O êxodo do Egito: Ex 1-15.

II. Objetivos
Familiariza o aluno com as tradições históricas de Israel e com as mais recentes pesquisas na área do Pentateuco para que o uso do texto na prática pastoral possa ser feito de forma consciente.

III. Conteúdo Programático
1. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco

2. O Decálogo: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21

3. A criação: Gn 1,1-2,4a e Gn 2,4b-25

4. O pecado em quatro quadros: Gn 3,1-24

5. O dilúvio: Gn 6,5-9,19

6. A cidade e a torre de Babel: Gn 11,1-9

7. As tradições patriarcais: Gn 11,27-37,1

8. O êxodo do Egito: Ex 1-15

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

RÖMER, T. A origem de Javé: o Deus de Israel e seu nome. São Paulo: Paulus, 2016.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014.

Complementar
DA SILVA, A. J. Histórias de criação e dilúvio na antiga MesopotâmiaEstudos Bíblicos, Petrópolis, n. 140, p. 397-424, 2018. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 31.10.2024.

DA SILVA, A. J. Leis de vida e leis de morte: os dez mandamentos e seu contexto socialEstudos Bíblicos, Petrópolis, n. 9, p. 38-51, 1986. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 03.09.2024.

DA SILVA, A. J. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 21.08.2024.

FINKELSTEIN, I.; RÖMER, T. Às origens da Torá: novas descobertas arqueológicas, novas perspectivas. Petrópolis: Vozes, 2022.

SKA, J.-L. O canteiro do Pentateuco: problemas de composição e de interpretação/aspectos literários e teológicos. São Paulo: Paulinas, 2016.

Literatura Deuteronomista 2025

Lecionar Literatura Deuteronomista é um desafio e tanto. Enquanto as questões da formação do Pentateuco são discutidas há séculos, a noção da existência de uma Obra Histórica Deuteronomista (= OHDtr) só foi formulada muito recentemente, como se pode ver aqui.

Além disso, há dois problemas com a disciplina: carga horária exígua para estudar textos de livros tão complexos como, por exemplo, Josué ou Juízes – a disciplina tem apenas 2 horas semanais durante o primeiro semestre do segundo ano de Teologia – e uma bibliografia ainda insuficiente em português. Há excelente debate acadêmico hoje, contudo está em inglês e alemão, principalmente.

Para completar, prefiro estudar o livro do Deuteronômio aqui e não no Pentateuco, também por duas razões: a disciplina Pentateuco já é por demais sobrecarregada e o Deuteronômio é a chave que abre o significado da OHDtr. Por isso, ele faz muito sentido aqui.

Por outro lado, há uma integração muito grande da Literatura Deuteronomista com três outras disciplinas bíblicas: com a História de Israel, naturalmente; com a Literatura Profética, irmã gêmea; com o Pentateuco, através do elo deuteronômico.

I. Ementa
O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. O Deuteronômio: análise de textos teológicos e leitura comentada do Código Deuteronômico. O livro de Josué e o problema das origens de Israel. O livro dos Juízes. Os livros de Samuel. Os livros dos Reis.

II. Objetivos
Pesquisar a arquitetura, as ideias basilares e a teologia da Literatura Deuteronomista como uma obra globalizante, e de cada um de seus livros, a fim de dar fundamentos para sua interpretação e atualização.

III. Conteúdo Programático
1. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista
2. O Deuteronômio
3. O livro de Josué
4. O livro dos Juízes
5. Os livros de Samuel
6. Os livros dos Reis

IV. Bibliografia
Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

RÖMER, T. A chamada história deuteronomista: Introdução sociológica, histórica e literária. Petrópolis: Vozes, 2008.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014.

Complementar
DA SILVA, A. J. O Código Deuteronômico: levantamento de dados. Post publicado no Observatório Bíblico em 25.06.2020.

DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica DeuteronomistaEstudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 19.09.2024.

DA SILVA, A. J. O problema das origens de Israel e o livro de Josué. In: LOPES, J. R.; SILVANO, Z. A; VITÓRIO, J. (orgs.) Josué: “Nós serviremos ao Senhor” (Js 24,15). São Paulo: Paulinas, 2022. Capítulo disponível para download no Observatório Bíblico, 19.06.2022.

KONINGS, J. et alii Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, n. 88, 2005. Disponível online no site da ABIB.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

Literatura Profética I 2025

Abordarei agora a Literatura Profética I, que é estudada no primeiro semestre do segundo ano de Teologia, com carga horária semanal de 2 horas. A Literatura Profética I trabalha, além de questões globais do profetismo, uma seleção de textos dos profetas do século VIII a.C. O texto que orienta a maior parte do estudo é o meu livro A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. Os profetas dos séculos seguintes são estudados na Literatura Profética II, que vem logo no semestre seguinte.

I. Ementa
A origem do movimento profético em Israel. O teor do discurso profético: a denúncia da idolatria e a função do discurso profético. Introdução e análise dos livros dos profetas do século VIII a.C.: Amós, Oseias, Isaías 1-39 e Miqueias.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas do século VIII a.C. com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. A origem do movimento profético em Israel
2. O teor do discurso profético
3. Os profetas do século VIII a.C.
3.1. Amós
3.2. Oseias
3.3. Isaías 1-39
3.4. Miqueias

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. São Paulo: Paulus, 1998. Atualizado em 2011 e disponível para download na Ayrton’s Biblical Page.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, vol. I: 2004 [3. reimpressão: 2018]; vol. II: 2002 [4. reimpressão: 2015].

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016.

Complementar
DA SILVA, A. J. Notas sobre a pesquisa do livro de Oseias no século XX. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 03.12.2020.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Amós. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 17.05.2024.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 22.02.2023.

SCHWANTES, M. A terra não pode suportar suas palavras“ (Am 7,10): reflexão e estudo sobre Amós. São Paulo: Paulinas, 2012.

SICRE, J. L. Com os pobres da terra: a justiça social nos profetas de Israel. São Paulo: Academia Cristã/Paulus, 2015.

Um guia para a leitura do livro de Isaías

HAYS, C. B. (ed.) The Cambridge Companion to the Book of Isaiah. Cambridge: Cambridge University Press, 2024, 400 p. – ISBN 9781108456784.

Poucos escritos moldaram o mundo tanto quanto o livro de Isaías. Seu lirismo, imagens, teologia e ética estão profundamente arraigados em nós e na cultura judaica eHAYS, C. B. (ed.) The Cambridge Companion to the Book of Isaiah. Cambridge: Cambridge University Press, 2024, 400 p. cristã em geral. Tem sido um fenômeno cultural desde o momento em que foi formado e influenciou também autores bíblicos posteriores.

O livro de Isaías também é uma obra literária complexa, densa em poesia, retórica e teologia, e ricamente entrelaçada com a história antiga. Por todas essas razões, é um desafio lê-lo bem.

The Cambridge Companion to Isaiah serve como um guia atualizado e confiável para este livro bíblico. Incluindo diversas perspectivas de estudiosos renomados de todo o mundo, ele aborda Isaías a partir de uma ampla gama de abordagens metodológicas. Ele também apresenta os mundos em que o livro foi produzido, a maneira como foi formado e os impactos que teve no público contemporâneo e posterior de uma forma acessível.

Christopher B. Hays é professor de Antigo Testamento e Estudos do Antigo Oriente Médio no Seminário Teológico Fuller, Pasadena, Califórnia, USA, e pesquisador associado da Universidade de Pretória, África do Sul.

 

Few writings have shaped the world as much as the book of Isaiah. Its lyricism, imagery, theology, and ethics are all deeply ingrained into us, and into Jewish and Christopher B. HaysChristian culture more generally. It has been a ­cultural touchstone from the time when it was formed, and it ­influenced later biblical authors as well. The book of Isaiah is also a complex work of literature, dense with poetry, rhetoric, and ­theology, and richly intertwined with ancient history. For all these reasons, it is a challenge to read well. The Cambridge Companion to Isaiah serves as an up-to-date and reliable guide to this biblical book. Including diverse perspectives from leading scholars all over the world, it approaches Isaiah from a wide range of methodological approaches. It also ­introduces the worlds in which the book was produced, the way it was formed, and the impacts it has had on contemporary and later audiences in an accessible way.

Christopher B. Hays is the D. Wilson Moore Professor of Old Testament and Ancient Near Eastern Studies at Fuller Theological Seminary and a research associate of the University of Pretoria (South Africa). He is the author of The Origins of Isaiah 24–27 (Cambridge University Press, 2019) and Death in the Iron Age II and in First Isaiah (2011), and ­coauthor of Isaiah: A Paradigmatic Prophet and His Interpreters (2022). He co-translated Isaiah for the Common English Bible.