O casamento de Oseias na pesquisa do século XX

Estou, nestes dias, lendo o livro do profeta Oseias com os estudantes do Segundo Ano de Teologia do CEARP. Uso como roteiro o meu livro A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C., disponível aqui para download gratuito.

A interpretação dos capítulos 1-3 de Oseias, a narrativa do casamento do profeta com Gomer, é especialmente complexa.

Um artigo interessante nesta área que li, ainda no ano passado, foi sobre Os 1-3 na pesquisa do século XX. Reproduzo o resumo e a conclusão do artigo.

 

KELLE, B. E. Hosea 1–3 in Twentieth-Century Scholarship. Currents in Biblical Research, 7.2, p. 179-216, 2009.

 

Abstract

Throughout the twentieth century, critical scholarship on the book of Hosea has focused overwhelmingly on the marriage metaphor in Hosea 1—3. Scholars often saw these chapters as establishing the primary interpretive issues for the message of the prophet and the book as a whole, although a lack of consensus concerning even the most basic exegetical issues remains. Newer studies have rightly pushed beyond this isolation of Hosea 1—3. This article surveys the major trends of the modern interpretation of these chapters, with particular attention to the second half of the twentieth century. From the early 1900s to the 1980s, critical works focused primarily on the biographical reconstruction of the prophet and his family life, as well as related historical and form-critical concerns. From the 1930s forward, such study was particularly concerned to read Hosea 1—3 against the background of a purported sexualized Baal cult in eighth-century Israel. Beginning in the 1980s, feminist-critical readings of Hosea 1—3 came to occupy a prominent position. In subsequent years, these concerns have been complemented by an emerging emphasis on metaphor theory, as well as newer kinds of literary, book-oriented, and socio-historical analyses. A follow-up article will treat recent scholarship on Hosea 4—14.

 

Resumo

Ao longo do século XX os estudos acadêmicos sobre o livro de Oseias concentraram-se predominantemente na metáfora do casamento em Os 1-3. Os estudiosos, com frequência, viam esses capítulos como estabelecendo as principais questões interpretativas para a mensagem do profeta e do livro como um todo, embora ainda Currents in Biblical Researchpersista a falta de consenso a respeito das questões exegéticas mais básicas. Novos estudos têm, com razão, tentado ir além desse isolamento de Os 1-3. Este artigo analisa as principais tendências da interpretação moderna desses capítulos, com especial atenção para a segunda metade do século XX. Do início do século XX até os anos 80, as pesquisas acadêmicas concentraram-se principalmente na reconstrução biográfica do profeta e em sua vida familiar, bem como em preocupações históricas e as questões relacionadas à crítica das formas. A partir da década de 30 a pesquisa preocupou-se particularmente em ler Os 1-3 contra o pano de fundo de um pretenso culto da fertilidade baalista no Israel do século VIII a.C. A partir dos anos 80 as leituras crítico feministas de Os 1-3 passaram a ocupar uma posição de destaque. Nos anos subsequentes essas preocupações foram complementadas por uma ênfase crescente na teoria da metáfora, bem como em novos tipos de análises literárias orientadas para análises sócio-históricas. Um artigo posterior tratará dos estudos recentes sobre Os 4-14.

 

Conclusion

It is clear that twentieth-century scholarship on Hosea 1–3 has addressed an exceptionally wide range of questions and employed various methodological approaches that often reflected the changing trends within biblical studies in general. While recent scholarship continues to pay much attention to more traditional issues like form-critical analysis, biographical reconstruction, and religio-cultic interpretation, several new modes of investigation have opened innovative avenues into the meaning and significance of these complex chapters. Among these approaches, the use of metaphor theory to engage the nature and function of the text’s metaphors seems likely to continue to occupy the prominent position. Such analyses will surely employ metaphor study for a variety of ends, however, including offering new perspectives on gender for the text and its readers (e.g., Baumann 2003), and providing new reconstructions of the religious situation in Hosea’s day that move beyond the older Baalism versus Yahwism framework into a more complex picture of the social and religious realities that stand behind the text’s imagery (see Chalmers 2007).

Among the newest trends that show promise of development in the coming years is an emphasis on synchronic and final form readings not only of Hosea 1–3, but also of these chapters’ place within the larger context of the book of Hosea as a whole. Building on some previous works that move in this direction (Landy 1995; Abma 1999), one is beginning to hear the call for more sustained and coherent literary readings and even book-oriented interpretations of the discourse in Hosea 1–3. Witness the newest commentary on Hosea by Ben Zvi (2005) and its emphasis upon viewing Hosea 1–3 as one of many didactic sets of readings that function within an intentionally crafted prophetic ‘book’ designed to socialize the elite literati of Yehud in the postmonarchic period. At a similar but broader level, some newer studies show increasing interest in interpreting Hosea 1–3, and indeed the whole book of Hosea, within the context of the Book of the Twelve (e.g., Sweeney 2000; Bowman 2006).

Above all, the approach taken in several recent studies, which innovatively uses and combines various methodological perspectives, holds much promise for the future study of Hosea 1–3. These kinds of integrative analyses combine metaphorical study with feminist, materialist, anthropological, and rhetorical perspectives to yield exciting new insights into the dynamics of the text (see Keefe 2001; Yee 2003; Kelle 2005). Such integrative approaches, especially, in my view, the use of rhetorical criticism to engage Hosea 1–3 and its metaphors in interlocking literary, historical, and comparative contexts and as functioning persuasively in particular rhetorical contexts, allow us to approach the text anew in light of developing notions of prophetic discourse in general and social, political, anthropological, and religious realities in particular. Rather than simplifying the meaning(s) of Hosea 1–3, however, future study along these lines promises to produce a diversity of interpretations that accurately reflects the complexity of the chapters themselves.

 

Conclusão

Está claro que a pesquisa do século XX sobre Os 1-3 abordou uma gama excepcionalmente ampla de questões e empregou várias abordagens metodológicas que frequentemente refletiam as tendências mutáveis ​​nos estudos bíblicos em geral. Enquanto os estudos recentes continuam a prestar muita atenção a questões mais tradicionais, como a crítica das formas, a reconstrução biográfica e a interpretação religioso-cultual, vários novos modos de investigação abriram caminhos inovadores para o significado desses complexos capítulos. Entre essas abordagens o uso da teoria da metáfora para debater a natureza e a função das metáforas do texto parece continuar a ocupar posição de destaque. Tais análises certamente empregarão o estudo de metáforas para uma variedade de fins, incluindo oferecer novas perspectivas de gênero para o texto e seus leitores e fornecer novas reconstruções da situação religiosa nos dias de Oseias que se movem para além do antigo enquadramento baalismo versus javismo em um retrato mais complexo das realidades sociais e religiosas que estão por trás do imaginário do texto.

Entre as tendências mais recentes que apresentam uma promessa de desenvolvimento nos próximos anos está uma ênfase nas leituras formais e sincrônicas não apenas de Os 1-3, mas também do lugar desses capítulos dentro do contexto mais amplo do livro de Oseias como um todo. Com base em alguns trabalhos anteriores que se movem nessa direção, começa-se a ouvir o apelo por leituras literárias mais sustentadas e coerentes e até mesmo interpretações do discurso orientadas por livros, em Os 1-3. Seja testemunha um comentário sobre Oseias de Ben Zvi, de 2005, e sua insistência em ver Os 1-3 como um dos muitos conjuntos didáticos de leituras que funcionam dentro de um “livro” profético projetado intencionalmente para socializar os letrados da elite de Yehud na época pós-monárquica. Em um nível semelhante, mas mais amplo, alguns estudos mais recentes mostram interesse crescente em interpretar Os 1-3 e, de fato, todo o livro de Oseias, no contexto do Livro dos Doze.

Acima de tudo, a abordagem adotada em vários estudos recentes, que utiliza de maneira inovadora e combina várias perspectivas metodológicas, é muito promissora para o futuro estudo de Os 1-3. Esses tipos de análises integrativas combinam o estudo metafórico com perspectivas feministas, materialistas, antropológicas e retóricas para produzir novos insights interessantes sobre a dinâmica do texto. Tais abordagens integrativas, especialmente, em minha opinião, o uso da crítica retórica para debater Os 1-3 e suas metáforas em contextos literários, históricos e comparativos interligados e seu funcionamento em contextos retóricos particulares, nos permitem abordar o texto de novo à luz do desenvolvimento de noções de discurso profético em geral e realidades sociais, políticas, antropológicas e religiosas em particular. Porém, em vez de simplificar o (s) significado (s) de Os 1-3, estudos futuros ao longo dessas linhas prometem produzir uma diversidade de interpretações que possam refletir com precisão a complexidade dos próprios capítulos.

Brad E. Kelle – Point Loma Nazarene University, San Diego, California.

Leia Mais:
Por que os livros de Amós e Oseias foram escritos?

Características literárias e linguísticas da Bíblia Hebraica

RENDSBURG, G. A. How the Bible Is Written. Peabody, MA: Hendrickson, 2019, 675 p. – ISBN 9781683071976

RENDSBURG, G. A. How the Bible Is Written. Peabody, MA: Hendrickson, 2019, 675 p. - ISBN 9781683071976

O objetivo deste livro é aproximar os leitores interessados do texto original da Bíblia Hebraica / Antigo Testamento e proporcionar-lhes uma apreciação maior de sua arte literária e linguística. Em suma, este livro trata muito mais do modo como a Bíblia diz o que diz do que daquilo que diz.

The goal of How the Bible Is Written is to bring interested readers–scholars and laypeople alike–closer to the original text of the Hebrew Bible/Old Testament and to provide them with a greater appreciation of its literary artistry and linguistic virtuosity. In short, this book focuses not so much on what the Bible says as how the Bible says it. A book focusing on the nexus between language and literature in the Hebrew Bible/Old Testament, with specific attention to how the former is used to create the latter; topics include wordplay, wordplay with proper names, alliteration, repetition with variation, dialect representation, intentionally confused language, marking closure, and more.

The first paragraph of my new book reads as follows: “Learned colleagues have written books entitled Who Wrote the Bible?, How to Read the Bible, How the Bible Became a Book, and How the Bible Became Holy. The present volume poses a different question, How the Bible Is Written. My goal in this book is to reveal the manner in which language is used to produce exquisite literature, no less for the ancient Israelite literati who crafted the compositions that eventually were canonized as the Bible than for William Shakespeare or Jane Austen or J. R. R. Tolkien or any other writer whose literature we admire and continue to enjoy. Which is to say, in the most simple of terms: there are many books on what the Bible says; this is a book on how the Bible says it”.

Uma avaliação do livro feita por Jim West pode ser lida em seu blog Zwinglius Redivivus.

Gary A. Rendsburg é Professor de História Judaica na Universidade de Rutgers, Nova Jérsei, Estados Unidos.

Os filhos de Deus em Gênesis 6,1-4

 Artigo e livro sobre um texto difícil do Antigo Testamento: Gn 6, 1-4.

Um artigo:

Those Elusive Sons of God: Genesis 6:1–4 Revisited – By Jaap Doedens – The Bible and Interpretation – April 2019

Since the beginning of the 20th century, and especially after the numerous discoveries of similar expressions in extrabiblical texts, mainstream exegesis returned to a ‘superhuman’ interpretation of the ‘sons of God’ in Gen 6:1–4. Yet now they were not viewed as (fallen) angels, but as ‘divine beings’, or deities (…) This newer exegetical solution is most probably the correct one.

Is it possible to discover an historical kernel of this narrative about marriages of divine beings and human women resulting in the birth of giant heroes? The origin of this narrative could perhaps be connected with the presence of megalithic tombs, mainly in the Transjordan region, the so called dolmens, dating from the end of the third and the beginning of the second millennium BCE. It is reasonable  that, because of their mere size, these monumental structures gave rise to tales about giant fallen warriors. Somehow, one of these tales made its way into the biblical narrative, and became part of a theological framework elucidating humanity’s fate with all its trial and error.

Um livro:

DOEDENS, J.  The Sons of God in Genesis 6:1–4: Analysis and History of Exegesis. Leiden: Brill, 2019, 372 p. – ISBN 9789004284265.

DOEDENS, J.  The Sons of God in Genesis 6:1–4: Analysis and History of Exegesis. Leiden: Brill, 2019, 372 p. - ISBN 9789004284265

In The Sons of God in Genesis 6:1–4, Jaap Doedens offers an overview of the history of exegesis of the enigmatic text about the ‘sons of God’, the ‘daughters of men’, and the ‘giants’. First, he analyzes the text of Gen 6:1–4. Subsequently, he tracks the different exegetical proposals from the earliest exegesis until those of modern times. He further provides the reader with an evaluation of the meaning of the expression ‘sons of God’ in the Old Testament and the Ancient Near East. In the last chapter, he concentrates on the message and function of Gen 6:1–4. This volume comprehensively gathers ancient and modern exegetical attempts, providing the means for an ongoing dialogue about this essentially complex and elusive passage.

Sumário

Acknowledgments
Abbreviations

1 Setting the Course: Introduction
 1 From Boulder to Keystone to Stumbling Block
 2 The Mainstream Solutions
 3 Approach

2 A Quest for Meaning: Analyzing Genesis 6:1–4
 1 Introduction
 2 Lexical and Grammatical Analysis of Genesis 6:1
 3 Lexical and Grammatical Analysis of Genesis 6:2
 4 Lexical and Grammatical Analysis of Genesis 6:3
 5 Lexical and Grammatical Analysis of Genesis 6:4
 6 Content and Context: General Observations Relating to Genesis 6:1–4
 7 Dramatis Personae: Provisional Conclusions Related to Genesis 6:1–4

3 Trodden Paths: History of Exegesis of the Expression ‘Sons of God’
 1 Introduction
 2 The Ancient Versions
 3 Philo of Alexandria
 4 Flavius Josephus
 5 Apocrypha and Pseudepigrapha
 6 Dead Sea Scrolls
 7 Rabbinic Tradition
 8 New Testament
 9 The Church Fathers
 10 Late Middle Ages and Reformation
 11 Newer Exegesis
 12 Conclusions to the History of Exegesis

4 At the Crossroads: Weighing Exegetical Solutions
 1 Introduction
 2 The Heavenly Category: ‘Sons of God’ Interpreted as Angels
 3 The Social Category: ‘Sons of God’ Interpreted as Mighty-Ones
 4 The Religious Category: ‘Sons of God’ Interpreted as Sethites
 5 The Mythological Category: ‘Sons of God’ Interpreted as Divine Beings
 6 Minor Variants and Combinations
 7 Conclusions

5 Perspectives: The Functions of Genesis 6:1–4
 1 Introduction
 2 ‘Sons of God’ and Biblical Monotheism
 3 Genesis 6:1–4 and Myth in the Old Testament
 4 Truth Claim and Functions of Genesis 6:1–4
 5 Final Observations
Bibliography
Index of Ancient Sources

Jaap Doedens, Ph.D. Kampen Theological University (2013), Pápa Reformed Theological Seminary, Pápa, Hungary, is college associate professor at the latter seminary. He has published articles on the Old Testament, the intertestamental period, and the New Testament in English, Dutch, and Hungarian

Leia mais sobre Gn 6,1-4 em Remnant of Giants.

Quem é Davi? Artigo de Thomas L. Thompson

Who Is David?

By Thomas L. Thompson, Professor Emeritus University of Copenhagen

The Bible and Interpretation – April 4, 2019

Although King David is one of the richest and most varied literary figures of the Bible, we have no direct historical evidence that he ever existed. Neither archaeology nor any contemporary written inscriptions proves the existence of such a king, ruling in Hebron or Jerusalem during the 10th century BCE. Archaeological evidence for ancient settlements of the Judean highlands hardly support the existence of even a small kingdom in this region, let alone a multi-regional state and monarchy. Archaeology has not yet found any settlement in Jerusalem, significant enough to be the capital of a small patronage kingdom, let alone an empire. Nor has archaeology found any widespread agricultural settlement in the southern highlands, which could have supported a functioning kingdom during the period that the Bible gives to David. There is also no known historical kingdom of Judah before the late-9th century, BCE. The David we know from the Bible as a literary figure, on the other hand, embraces, as we will see, a considerable range of themes, and is, perhaps, the richest figure in biblical literature.

All the historical evidence we have that might be linked to the biblical figure of David comes from three fragments of a late 9th century, Aramaic inscription, found during the excavations of Tall al-Qadi in the Jordan rift, which both mentions a king of Israel and, the name bytdwd (continua).

Sobre a origem dos antigos Estados Israelitas, confira aqui e aqui.

Quem é Thomas L. Thompson? Confira aqui, aqui e aqui.

Tendências atuais no estudo de Gênesis 12–25

SONEK, K. The Abraham Narratives in Genesis 12–25. Currents in Biblical Research, Volume 17, Issue 2, February 2019, p. 158-183.

Este artigo tenta traçar o desenvolvimento da exegese de Gênesis 12–25 em trabalhos acadêmicos publicados desde o ano 2000. Gênesis 12-25 traz as narrativas sobre Abraão e sua família.

Cinco tipos de estudos são apresentados e brevemente avaliados:
1. Comentários sobre as perícopes bíblicas em questão
2. Obras que discutem a formação histórica das narrativas de Abraão
3. Estudos sincrônicos e teológicos
4. Estudos de recepção do texto
5. Outros estudos detalhados de Gênesis 12–25.

O artigo apresenta uma ampla gama de abordagens metodológicas e visa delinear as tendências atuais no estudo de Gênesis 12–25

Currents in Biblical Research, Volume 17, Issue 2, February 2019

Genesis 12–25, which relates the call, journeys, and life of Abraham and his family, continues to inspire and puzzle readers. Some of its stories have long been a source of controversy. Some have given rise to a variety of academic questions. Modern readers wrangle over the meaning of these ancient narratives. They investigate their historical formation, literal sense, and subsequent interpretation (…) Abraham is a figure of national, historical, and theological importance. His story has given rise to a vast array of scholarly works. This article looks at some of those works with a view to outlining the current state and future development of research related to the Abraham narratives.

The academic literature on Genesis 12–25 exceeds the possible limits for a concise survey, and a presentation of recent works in this field can no longer be comprehensive. In a sense, the real question is about the scholarly works that have to be excluded from the survey. Many important studies on the Abraham narratives, both short and lengthy, could not be taken into consideration in this review. However, an interested reader will find them in the bibliographies of the books and articles presented below. For this reason, the present survey does not attempt to be comprehensive, but only representative.

This article attempts to trace the development of exegesis of Genesis 12–25 in scholarly works published since 2000. Five types of studies are introduced and briefly evaluated: (1) commentaries on the biblical pericopes in question; (2) works discussing the historical formation of the Abraham narratives; (3) synchronic and theological studies; (4) reception studies; and (5) other detailed studies of Genesis 12–25. The article presents a wide range of methodological approaches, and aims to delineate current trends in the study of Genesis 12–25.

Kris Sonek: Department of Biblical Studies, Catholic Theological College, University of Divinity, East Melbourne, Victoria, Australia.

Literatura Profética II 2019

A Literatura Profética II é continuação da Literatura Profética I. A carga horária semanal é de 2 horas, no segundo semestre do segundo ano de Teologia.

Ementa
A disciplina aborda os profetas mais significativos de Israel desde o final do reino de Judá até a reconstrução pós-exílica na época persa. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. Jeremias
2. Ezequiel
3. Dêutero-Isaías (Is 40-55)
4. Ageu
5. Zacarias 1-8
6. Trito-Isaías (Is 56-66)

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. O profeta Jeremias: um homem apaixonado. São Paulo: Paulus/CEBI, 2016.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, vol. I: 2004 [3. reimpressão: 2018]; vol. II: 2002 [4. reimpressão: 2015].

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016.

Complementar
CROATO, J. S. et al. Os livros Proféticos: a voz dos profetas e suas releituras. RIBLA, Petrópolis, n. 35/36, 2000/1/2. RIBLA está online, em espanhol.

DA SILVA, A. J. Arrancar e destruir, construir e plantar. A vocação de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 15, p. 11-22, 1987.

DA SILVA, A. J. Nascido Profeta: a vocação de Jeremias. São Paulo: Paulus, 1992.

DA SILVA, A. J. O discurso de Jeremias contra o Templo. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 129, p. 85-96, 2016. Artigo na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização:  28.07.2016.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias. Texto na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 23.01.2017.

DA SILVA, A. J. Superando obstáculos nas leituras de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 107, p. 50-62, 2010.

DA SILVA, A. J. Vale a pena ler os profetas hoje? Artigo na Airton’s Biblical Page. Última atualização: 22.08.2015.

GAMELEIRA SOARES, S. A. et al. Profetas ontem e hoje. 3. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 4, 1987.

HAUSER, A. J. (ed.) Recent Research on the Major Prophets. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008. Disponível online.

REIMER, H. et al. Segundo Isaías: Is 40-55. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 89, 2006.

SCHWANTES, M. et al. Profetas e profecias: novas leituras. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 73, 2002.

WILSON, R. R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. 2. ed. revista. São Paulo: Targumim/Paulus, 2006.

Leia Mais:
Preparando meus programas de aula de 2019
História de Israel I 2019 
História de Israel II 2019
Hebraico Bíblico 2019
Pentateuco 2019
Literatura Deuteronomista 2019
Literatura Profética I 2019 

Literatura Profética I 2019

Abordarei agora a Literatura Profética I, que é estudada no primeiro semestre do segundo ano de Teologia, com carga horária semanal de 2 horas. A Literatura Profética I trabalha, além de questões globais do profetismo, uma seleção de textos dos profetas do século VIII a.C. O texto que orienta a maior parte do estudo é o meu livro A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. Os profetas dos séculos seguintes são estudados na Literatura Profética II, que vem logo no semestre seguinte.

I. Ementa
A disciplina apresenta, como ponto de partida, uma discussão sobre as origens, o teor e os limites do discurso profético israelita. Busca compreender a necessidade da profecia como resultado da ruptura provocada pelo surgimento do Estado monárquico que pressiona as tradicionais estruturas tribais de solidariedade. Aborda, em seguida, os profetas do século VIII a.C.: Amós, Oseias, Isaías 1-39 e Miqueias. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos. Procura-se identificar em cada um deles a sua função de crítica e de oposição ao absolutismo do Estado classista, em nome da fé em Iahweh, que exige um posicionamento solidário em favor dos mais fracos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas do século VIII a.C. com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. A origem do movimento profético em Israel
2. O teor do discurso profético
3. Os profetas do século VIII a.C.
3.1. Amós
3.2. Oseias
3.3. Isaías 1-39
3.4. Miqueias

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. São Paulo: Paulus, 1998. Disponível online, em formato pdf, e atualizado em 2011.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, vol. I: 2004 [3. reimpressão: 2018]; vol. II: 2002 [4. reimpressão: 2015].

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016.

Complementar
CROATO, J. S. et al. Os livros Proféticos: a voz dos profetas e suas releituras. RIBLA, Petrópolis, n. 35/36, 2000/1/2. RIBLA está online, em espanhol.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Amós. Texto na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 23.01.2017.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías. Texto na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 23.01.2017.

DA SILVA, A. J. Vale a pena ler os profetas hoje? Artigo na Airton’s Biblical Page. Última atualização: 22.08.2015.

GAMELEIRA SOARES, S. A. et al. Profetas ontem e hoje. 3. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 4, 1987.

HAUSER, A. J. (ed.) Recent Research on the Major Prophets. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008. Disponível online.

SCHWANTES, M. A terra não pode suportar suas palavras“ (Am 7,10): reflexão e estudo sobre Amós. São Paulo: Paulinas, 2012.

SCHWANTES, M. et al. Profetas e profecias: novas leituras. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 73, 2002.

SICRE, J. L. Com os pobres da terra: a justiça social nos profetas de Israel. São Paulo: Academia Cristã/Paulus, 2011.

WILSON, R. R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. 2. ed. revista. São Paulo: Targumim/Paulus, 2006.

Leia Mais:
Preparando meus programas de aula de 2019
História de Israel I 2019 
História de Israel II 2019
Hebraico Bíblico 2019
Pentateuco 2019
Literatura Deuteronomista 2019
Literatura Profética II 2019 

Literatura Deuteronomista 2019

Lecionar Literatura Deuteronomista é um desafio e tanto. Enquanto as questões da formação do Pentateuco são discutidas há séculos, a noção da existência de uma Obra Histórica Deuteronomista (= OHDtr) só foi formulada muito recentemente, como se pode ver aqui.

Além disso, há dois problemas com a disciplina: carga horária exígua para estudar textos de livros tão complexos como, por exemplo, Josué ou Juízes – a disciplina tem apenas 2 horas semanais durante o primeiro semestre do segundo ano de Teologia – e uma bibliografia ainda insuficiente em português. Há excelente debate acadêmico hoje, contudo está em inglês e alemão, principalmente.

Para completar, prefiro estudar o livro do Deuteronômio aqui e não no Pentateuco, também por duas razões: a disciplina Pentateuco já é por demais sobrecarregada e o Deuteronômio é a chave que abre o significado da OHDtr. Por isso, ele faz muito sentido aqui.

Por outro lado, há uma integração muito grande da Literatura Deuteronomista com três outras disciplinas bíblicas: com a História de Israel, naturalmente; com a Literatura Profética, irmã gêmea; com o Pentateuco, através do elo deuteronômico.

I. Ementa
A Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr) tentará responder aos desafios do presente repensando o passado no final da monarquia e na situação de exílio e pós-exílio. Faz isso percorrendo toda a história da ocupação da terra, desde as vésperas da entrada em Canaã até a derrocada final da monarquia em Israel e Judá.

II. Objetivos
Pesquisar a arquitetura, as ideias basilares e a teologia da Literatura Deuteronomista como uma obra globalizante, e de cada um de seus livros, a fim de dar fundamentos para sua interpretação e atualização.

III. Conteúdo Programático

1. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista
2. O Deuteronômio
3. O livro de Josué
4. O livro dos Juízes
5. Os livros de Samuel
6. Os livros dos Reis

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Artigo na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 14.01.2019.

RÖMER, T.  A chamada história deuteronomista: Introdução sociológica, histórica e literária. Petrópolis: Vozes, 2008.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014.

Complementar
DA SILVA, A. J. et al. Obra História Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, 2005.

DA SILVA, A. J. Bibliografia comentada sobre a OHDtr. Observatório Bíblico: 24 de fevereiro de 2007.

DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005.

FARIA, J. de Freitas (org.) História de Israel e as pesquisas mais recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

GONZAGA DO PRADO, J. L. A invasão/ocupação da terra em Josué: Duas leituras diferentes. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 28-36, 2005.

JACOBS, M. R.; PERSON, R. F. Jr. (eds.) Israelite Prophecy and the Deuteronomistic History: Portrait, Reality, and the Formation of a History. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2013. Disponível online.

PERSON, R. F. Jr. The Deuteronomic School: History, Social Setting and Literature. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2002. Disponível online.

STORNIOLO, I. Como ler o livro do Deuteronômio: escolher a vida ou a morte. 5. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

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Pentateuco 2019

A disciplina Pentateuco é estudada no segundo semestre do primeiro ano, com carga horária de 2 horas semanais. Tempo obviamente curto, pois há uma profunda crise nesta área de estudos, muito semelhante à crise da História de Israel. A teoria clássica das fontes JEDP do Pentateuco, elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, Wellhausen, vem sofrendo, desde meados da década de 70 do século XX, sérios abalos, de forma que hoje muitos pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. O consenso wellhauseniano foi rompido, contudo, ainda não se conseguiu um novo consenso e muitas são as propostas hoje existentes para explicar a origem e a formação do Pentateuco.

I. Ementa
Oferece ao aluno um panorama da pesquisa exegética na área da formação e composição dos cinco primeiros livros da Bíblia e estuda os seus principais textos.

II. Objetivos
Familiariza o aluno com as tradições históricas de Israel e com as mais recentes pesquisas na área do Pentateuco para que o uso do texto na prática pastoral possa ser feito de forma consciente.

III. Conteúdo Programático
1. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco                   

2. O Decálogo: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21                           

3. A criação: Gn 1,1-2,4a e Gn 2,4b-25                       

4. O pecado em quatro quadros: Gn 3,1-24                   
               
5. O dilúvio: Gn 6,5-9,19                               

6. A cidade e a torre de Babel: Gn 11,1-9                   

7. As tradições patriarcais: Gn 11,27-37,1                   

8. O êxodo do Egito: Ex 1-15

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

SCHWANTES, M. Projetos de esperança: meditações sobre Gênesis 1-11. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 2009.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014.

Complementar
BOUZON, E. O Código de Hammurabi. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

BRANDÃO, J. L. Ele que o abismo viu: Epopeia de Gilgámesh. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.

DA SILVA, A. J. Histórias de criação e dilúvio na antiga Mesopotâmia. Artigo na Ayrton’s Biblical Page, 2018.

DA SILVA, A. J. O pentateuco e a história de Israel. In: Teologia na pós-modernidade: abordagens epistemológica, sistemática e teórico-prática. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 173-215.

DA SILVA, A. J. Pequena bibliografia sobre o Livro do Êxodo, o Pentateuco e o Êxodo do Egito. Observatório Bíblico: 19 de julho de 2011.

DOZEMAN, T. B.; SCHMID, K. (eds.) A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2006. Disponível online.

DOZEMAN, T. B.; RÖMER, T.; SCHMID, K. (eds.) Pentateuch, Hexateuch, or Enneateuch? Identifying Literary Works in Genesis through Kings. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2011. Disponível online.

GARCÍA LÓPEZ, F. O Pentateuco.  2. ed. São Paulo: Ave-Maria, 2004.

GRUEN, W. et al. Os dez mandamentos: várias leituras. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 9, 1987.

SCHWANTES, M. et al. A memória popular do êxodo. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 16, 1996.

SCHWANTES, M. et al. Pentateuco. RIBLA, Petrópolis/São Leopoldo, n. 23, 1996/1. RIBLA está online, em espanhol.

SKA, J.-L. O canteiro do Pentateuco: problemas de composição e de interpretação/aspectos literários e teológicos. São Paulo: Paulinas, 2016.

STORNIOLO, I. Mandamentos, ontem e hoje (Entrevista com Pe. Ivo Storniolo). Vida Pastoral, São Paulo, n. 149 , p. 27-29, nov./dez. 1989. Disponível online.

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Sobre a pesquisa do Pentateuco

Preste atenção nestas datas: 1878 > 1883 > 1974 > 1975 > 1976 > 1977

A teoria clássica das fontes JEDP do Pentateuco, elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, Julius Wellhausen (1844-1918), vem sofrendo sérios abalos, de forma que hoje os pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. O consenso wellhauseniano sobre o Pentateuco foi rompido. Lembro que o primeiro livro de Julius Wellhausen sobre o tema foi publicado em 1878 (Geschichte Israels) e o mais importante em 1883 (Prolegomena zur Geschichte Israels).

Julius Wellhausen: 1844-1918 - Alemanha

Thomas L. Thompson (1939) chegou à conclusão de que as narrativas patriarcais estavam refletindo muito mais o primeiro do que o segundo milênio, e a datação tradicional dos patriarcas e sua historicidade caíram por terra. Seu livro foi publicado em 1974.

Thomas L. Thompson: 1939 - Estados Unidos da América

John Van Seters (1935) concluiu que o J deveria ser visto como um autor pós-D, e que a ‘Hipótese Documentária’ deveria ser totalmente revista. Van Seters publicou sua pesquisa em 1975.

John Van Seters: 1935 - Canadá

Em 1976 e em 1977 apareceram os livros de Hans Heinrich Schmid (1937-2014) e de Rolf Rendtorff (1925-2014) sobre o mesmo assunto. H. H. Schmid chegou à conclusão de que o Pentateuco era o produto do movimento profético, assim como o era o livro do Deuteronômio, e de que o J deveria ser visto em estreita associação com a escola deuteronômica nos últimos anos da monarquia ou na época do exílio. Rolf Rendtorff não vê nenhuma conexão original entre Gênesis e Êxodo-Números, mas sim uma posterior costura deuteronomista ligando estas tradições. Donde se conclui que a ideia de fontes, tal como a J, deve ser abandonada, e que a formação do Pentateuco a partir de temas independentes é que deve ser pesquisada.

Hans Heinrich Schmid: 1937-2014 - Suíça

A crise do Pentateuco explodiu, então, em plena luz do dia e ninguém mais podia escapar da constatação de que a teoria clássica das fontes do Pentateuco, pelo menos em sua forma mais rígida, era insustentável.

Rolf Rendtorff: 1925-2014 - Alemanha

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