Maconha e incenso em santuário judaíta de Arad

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O altar onde a maconha foi encontrada, junto com um segundo altar no qual incenso era queimado, ficava na entrada de um recinto onde presumivelmente eram realizados rituais religiosos dentro de uma fortaleza do reino de Judá. Análises anteriores de cerâmica recuperada e eventos históricos documentados no local indicam que o santuário foi usado por volta de 760 a 715 a.C. Escavações em Tel Arad, Israel, na década de 1960, descobriram o santuário em meio às ruínas de duas cidades fortaleza, uma construída sobre a outra, que datam do século IX a.C. até o início do século VI a.C. Arad, cerca de 45 quilômetros a oeste do Mar Morto, guardava a fronteira sul de Judá.

 

Maconha era usada em rituais judaicos na antiguidade, diz estudo – BBC News Brasil – 29 maio 2020

Judeus na antiguidade usavam maconha em seus rituais religiosos, segundo um novo estudo.

Uma substância em bom estado de preservação foi encontrada em um templo de 2,7 mil anos de idade no sítio arqueológico de Tel Arad, na região central de Israel.

Uma seção do santuário de mais de 2.700 anos de idade em Arad, reconstruída a partir de achados arqueológicos originais para exibição no Museu de Israel, em Jerusalém, inclui dois altares, um com resíduo de incenso (à esquerda) e outro com resíduo de cannabis (à direita). Israel Antiquities Authority Collection, photo © The Israel Museum, Jerusalem, by Laura Lachman

Ela foi identificada pelos cientistas como maconha e continha inclusive o composto psicoativo da cannabis, o THC.

Os pesquisadores afirmam que a maconha pode ter sido queimada para induzir nos fiéis um estado alterado de consciência.

Esta é a primeira evidência de drogas psicotrópicas sendo usadas em um ritual religioso judaico na antiguidade, de acordo com a imprensa israelense.

O templo foi encontrado no deserto de Negev, a cerca de 95 km ao sul de Tel Aviv, na década de 1960.

Como foi feita a descoberta

No estudo, publicado no jornal arqueológico da Universidade de Tel Aviv, os arqueólogos dizem que dois altares de calcário foram achados enterrados no santuário.

Graças a isso e ao clima seco, os resíduos de cannabis foram preservados no topo desses altares.

Também foi encontrado incenso em um altar, o que não surpreende por sua importância em textos sagrados, disseram os autores do estudo ao jornal israelense Haaretz.

No entanto, o tetra-hidrocanabinol (THC), canabidiol (CBD) e canabinol (CBN), que são compostos encontrados na maconha, foram identificados no segundo altar.

O estudo acrescenta que as descobertas em Tel Arad indicam que a maconha também teria sido utilizada em cultos no Primeiro Templo de Jerusalém.

Isso porque, na época, o santuário em Arad fazia parte de uma fortaleza no topo de uma colina na fronteira sul do Reino de Judá que teria correspondência, em uma versão em menor escala, com descrições bíblicas do Primeiro Templo.

Os restos do templo em Jerusalém agora estão inacessíveis para os arqueólogos, então, eles estudam Arad e outros santuários semelhantes para entender como se dava a adoração no templo maior.

 

A biblical-era Israeli shrine shows signs of the earliest ritual use of marijuana – By Bruce Bower – Science News: May 28, 2020

Chemical analyses of residue from an altar reveal a cannabis–animal dung mixture

A limestone altar from an Iron Age shrine in Israel contains remnants of the world’s earliest known instance of burning cannabis plants in a ritual ceremony, a new study finds.

This altar, along with a second altar on which frankincense was burned, stood at the entrance to a room where religious rites were presumably held inside a fortress of the biblical kingdom of Judah. Previous analyses of recovered pottery and documented historical events at the site indicate that the shrine was used from roughly 760 B.C. to 715 B.C.

Excavations at Israel’s Tel Arad site in the 1960s uncovered the shrine amid the ruins of two fortress cities, one built atop the other, that date from the ninth century B.C. to the early sixth century B.C. Arad, about 45 kilometers west of the Dead Sea, guarded Judah’s southern border.

Chemical analyses of dark material on the two altars’ upper surfaces conducted in the late 1960s proved inconclusive. Using modern laboratory devices, a team led by archaeologist Eran Arie of the Israel Museum, Jerusalem and bioarchaeologist Dvory Namdar of Israel’s Agricultural Research Organization – Volcani Center in Bet-Dagan analyzed chemical components of residues on each altar.

Cannabis on the smaller of the two altars had been mixed with animal dung so it could be burned at a low temperature, likely allowing ritual specialists to inhale the plant’s mind-altering fumes, the researchers report online May 29 in Tel Aviv, a journal published by Tel Aviv University’s Institute of Archaeology. This cannabis sample contained enough of the plant’s psychoactive compound THC to have induced an altered state of consciousness by breathing in its fumes.

Frankincense, a form of dried tree resin, was placed on the larger altar and mixed with animal fats that enabled burning at temperatures high enough to release the resin’s fragrance, the researchers say.

Biblical and historical texts indicate that frankincense and another fragrant tree resin, myrrh, reached the Iron Age Middle East and surrounding regions via trade from southern Arabia.

“But cannabis is completely new for understanding incense burning in this region, and in Judah in particular,” Arie says. Earlier evidence had pointed to the use of other mind-bending substances, such as opium, during religious rituals in various parts of the ancient Middle East and southwest Asia.

Arie suspects cannabis plants were cultivated far from Israel, in what’s now China or southeastern Russia. Knowledge of cannabis, or marijuana, probably spread from eastern and central Asia to Europe along early Silk Road trade routes, says archaeobotanist Robert Spengler of the Max Planck Institute for the Science of Human History in Jena, Germany. Mourners at a cemetery in western China inhaled cannabis fumes around 2,500 years ago (SN: 6/12/19).

It’s unclear how Middle Easterners learned about and acquired potent forms of cannabis, Spengler says. Discoveries at the Arad shrine, he says, “further complicate the early story of cannabis.”

Many Iron Age altars at Middle Eastern sites resemble the two at Tel Arad, says archaeologist Shimon Gibson of the University of North Carolina at Charlotte. The new report provides the first direct evidence that incense, sometimes including cannabis, was burned on at least some of those altars, he suggests. “It’s interesting to think of the priests officiating at these altars getting ‘high,’” Gibson muses.

 

Citations

E. Arie, B. Rosen and D. Namdar. Cannabis and frankincense at the Judahite shrine of Arad. Tel Aviv. Published online May 29, 2020. doi: 10.1080/03344355.2020.1732046.

Arqueologia, pesquisa bíblica e antigo Israel

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Um artigo

Archaeology, Biblical Research and Ancient Israel – By Margreet Steiner: The Bible and Interpretation – December 2019

Introdução

Quase toda semana as manchetes falam de novas descobertas que supostamente confirmam as histórias contadas na Bíblia: o palácio do rei Davi foi encontrado, uma inscrição mencionando o gigante Golias, um selo que pertenceu à rainha Jezabel, um texto em que o profeta Balaão adverte e amaldiçoa. Mas quão confiáveis ​​são esses relatos? É possível conectar com segurança achados arqueológicos e textos bíblicos? As histórias sensacionalistas chegam à Internet e aos jornais, mas, por outro lado, os comentários críticos enviados por outras pessoas recebem muito menos atenção.

Parecia que era hora de escrever um livro para o público em geral preencher essa lacuna. Um livro que não apenas explora como os textos bíblicos retratam as pessoas que habitam a Terra Prometida e as cidades e templos que construíram, mas também mostra o que a pesquisa arqueológica revela sobre a terra, seu povo e os modos como eles viveram suas vidas. Um livro que leva o leitor até onde a arqueologia e os textos bíblicos se encontram, e que explica como interpretar as correspondências e as diferenças.

Esforcei-me por escrever esse livro com base em muitos anos de experiência dando palestras para pessoas interessadas no que costumava ser chamado de Margreet L. Steiner“arqueologia bíblica”. Este livro não pretende confirmar a Bíblia nem o contrário. O objetivo é explorar textos antigos, bem como os resultados de dezenas de anos de pesquisa arqueológica. As informações são coletadas de inscrições reais e cerâmicas, de histórias bíblicas heroicas e santuários escavados, de nomes mencionados em textos e ossos encontrados. Juntas, essas fontes nos permitem uma compreensão mais profunda das pessoas que habitam a terra antiga.

Agradeço a oportunidade oferecida pelos editores deste site para explicar como me posicionei sobre esse projeto. O artigo é uma versão ligeiramente adaptada e abreviada do capítulo 2 do livro Inhabiting the Promised Land: Em busca de Abraão e seus descendentes.

(…)

Epílogo

Tantas histórias bíblicas, tantas escavações e achados, tantas inscrições, tantas opiniões e interpretações diferentes. O leitor deste livro agora seria capaz de “ler” as histórias bíblicas à luz dos resultados das escavações? Ou relacionar os achados arqueológicos com as informações extraídas da Bíblia? Provavelmente não. Mas talvez isso tenha sido esclarecido: versículos bíblicos e achados arqueológicos não podem simplesmente ser sobrepostos. Os resultados das escavações não podem e não confirmam as histórias da Bíblia, até mesmo porque os objetivos da pesquisa em arqueologia são completamente diferentes do significado da Bíblia.

A pesquisa arqueológica busca encontrar traços das pessoas que habitaram a terra e daí deduzir os sistemas sociais, econômicos, religiosos e políticos em que viviam. E sim, às vezes é possível vislumbrar seu desenvolvimento histórico. O significado da Bíblia não é descrever a vida dos povos e a história de seus reinos, mas mostrar como Deus interveio nessas vidas e histórias. As histórias bíblicas foram escritas para comunicar essa ideia central, não para serem “verdadeiras”. Isso não significa que nenhum componente historicamente confiável esteja presente nos relatos. Significa que a arqueologia e a Bíblia abordam o antigo Israel e seu povo de ângulos completamente diferentes. Às vezes, convergem, mas muitas vezes não.

Na melhor das hipóteses, os resultados de uma escavação podem fornecer uma imagem da situação material, das condições de vida na região em que as histórias bíblicas são apresentadas. E, às vezes, as histórias bíblicas podem dar uma ideia dos pensamentos e sentimentos das pessoas que viveram na Idade do Ferro, mesmo que essas histórias tenham sido escritas muito depois do fato.

Espero que, depois de ler este livro, o leitor fique desconfiado ao ouvir, mais uma vez, que a arqueologia confirma a Bíblia, que finalmente uma inscrição escavada realmente prova que Davi matou Golias ou que os arqueólogos encontraram o palácio da rainha Jezabel. Espero que ele ou ela pense comigo: Não, não é isso que a arqueologia faz ou pode fazer. A relação entre arqueologia e a Bíblia é muito mais complicada do que estas manchetes sensacionalistas transmitem.

 

Almost weekly, headlines shout out new findings that supposedly confirm the stories told in the Bible. The palace of King David has been found, an inscription mentioning the giant Goliath, a seal that once belonged to Queen Jezebel, a text in which the prophet Balaam cautions and curses. But how reliable are these accounts? Is it even possible to connect archaeological finds and biblical texts that unambiguous? The exultant stories reach the Internet and the newspapers; the critical comments forwarded by others get much less attention.

It seemed high time to write a book for the general public to fill in this lacuna. A book that not only explores how the biblical texts depict the people inhabiting the Promised Land and the towns and temples they built but that also shows what archaeological research reveals of the land, its people, and the ways they lived their lives. A book that takes the reader to where archaeology and biblical texts meet, and that explains how to interpret the correspondences and differences.

I have endeavored to write that book, based on many years of experience giving lectures for people interested in what used to be called “biblical archaeology.” This book does not set out to confirm the Bible nor the opposite. It aims to explore ancient texts as well as the results of dozens of years of archaeological research. Information is gleaned from royal inscriptions and mundane cooking pots, from heroic biblical stories and excavated shrines, from names mentioned in texts and pig bones in the ground. Together, these sources allow us a deeper understanding of the people inhabiting the ancient land.

I appreciate the opportunity offered by the editors of this website to explain how I set about this project. The following is a slightly adapted and shortened version of chapter 2 of the book: In search of Abraham and his descendants.

(…)

Epilogue

So many Bible stories, so many excavations and finds, so many inscriptions, and so many different opinions and interpretations. Would the reader of this book now be capable to “read” the biblical stories in the light of the results of excavations? Or relate the archaeological finds to the information extracted from the Bible? Probably not. But maybe this has been made clear: biblical verses and archaeological finds cannot simply be superimposed. Results from excavations cannot and do not confirm stories from the Bible, if only because archaeology’s research aims are completely different from the Bible’s meaning.

Archaeological research sets out to find traces of the people inhabiting the land and from that deduce the social, economic, religious and political systems in which they lived. And yes, sometimes it is possible to glimpse their historical development. The Bible’s meaning is not to describe the lives of the peoples and the history of their kingdoms but to show how God intervened in those lives and histories. The stories were once written down to communicate this central idea, not to be “true.” That does not mean that no historically reliable components are present in the stories; it means that archaeology and the Bible approach the ancient land and its people from completely different angles. Sometimes they converge, but often they do not.

In the best of times, excavation results can provide a picture of the tangible situation “on the ground,” of the living conditions in the region in which the biblical stories are set. And – sometimes – the biblical stories can give insight into the thoughts and feelings of the people living in the Iron Age, even if these stories were written down long after the fact.

I hope that after reading this book, the reader will take a step back when hearing once again that archaeology confirms the Bible, that this time an excavated inscription really proves that David slew Goliath, or that archaeologists have found the palace of Queen Jezebel. I hope that s/he – with me – thinks: No, that is not what archaeology does or can do. The relationship between archaeology and the Bible is much more complicated than is presented here.

 

Um livro

 

STEINER, M. L. Inhabiting the Promised Land: Exploring the Complex Relationship between Archaeology and Ancient Israel as Depicted in the Bible. Oxford: Oxbow Books, 2019, 192 p. – ISBN 9781789253306

Para muitas pessoas parece evidente: as ações e crenças do antigo Israel são descritas na Bíblia. As histórias sobre seus povos e reis, lutas e guerras, divindades e santuários devem ter sido contadas e recontadas ao longo dos tempos e registradas em arquivos antigos. Em um determinado momento, essas histórias foram reunidas na Bíblia, que, assim, se torna história. No entanto, desde o século 19, pelo menos, os estudiosos duvidaram da confiabilidade histórica de muitas histórias bíblicas, e as pesquisas arqueológicas dificilmente conseguiram confirmar sua historicidade. O objetivo deste livro é descrever o relacionamento muitas vezes complicado entre arqueologia e Bíblia. Não é um livro sobre ‘arqueologia bíblica’, e a arqueologia não é usada para ilustrar as histórias bíblicas, muito menos para provar que a Bíblia está certa. Pelo contrário, concentra-se nas informações que a arqueologia pode fornecer sobre as vidas e crenças dos povos antigos que habitavam a terra em que a Bíblia foi escrita e na questão de como essas informações se relacionam com as histórias bíblicas. O objetivo é fornecer alguns exemplos de como essa interação entre arqueologia e histórias bíblicas funciona e como interpretar a discrepância que possa existir entre os resultados da pesquisa arqueológica e a narrativa bíblica. Assim, oferece uma introdução ao campo do ponto de vista de um arqueólogo. O livro é destinado ao público em geral e também será de interesse para estudiosos da Bíblia, historiadores e professores, bem como arqueólogos de outros campos. Difere do livro não acadêmico médio sobre esse assunto, pois é mais pessoal, mais eclético e mais arqueológico. As análises da edição holandesa [Op zoek naar …: de gecompliceerde relatie tussen archeologie en de Bijbel, 2015] elogiam o estilo apaixonado e a maneira como o livro se concentra no processo científico de pesquisar problemas, em vez de encontrar respostas e apresentar a solução.

Margreet L. Steiner (Doutora em Arqueologia do Antigo Oriente Médio pela Universidade de Leiden, Holanda) é uma pesquisadora independente. Fez publicações finais das escavações de Kathleen Kenyon em Jerusalém e é co-editora do livro The Oxford Handbook of Archaeology of the Levant (10.000 – 350 AEC), de 2014. Nos últimos trinta e cinco anos, ela participou ou dirigiu escavações na Jordânia, Síria, Líbano e Territórios Palestinos. Atualmente, ela é co-diretora das retomadas escavações de Tell Abu Sarbut, na Jordânia.

 

For many people it is clear: the actions and beliefs of Ancient Israel are described in the Bible. The stories about its peoples and kings, struggles and wars, deities and shrines, are supposed to have been told and retold throughout the ages and recorded in ancient archives. At a certain moment in time these stories have been assembled in the Bible which becomes history. However, from the 19th century at least, scholars have doubted the historical reliability of many biblical stories, and archaeological research has hardly been able to confirm their historicity. The aim of this book is to describe the often-complicated relationship between archaeology and the Bible. It is not a book on `biblical archaeology’, and archaeology is not used to illustrate the biblical stories, let alone to prove that the Bible is right. On the contrary, it focuses on the information that archaeology can provide of the lives and beliefs of the ancient peoples that inhabited the land in which the Bible was written, and on the question of how this information relates to the biblical stories. It aims at providing some examples of how this interplay of archaeology and biblical stories works, and how to interpret the discrepancy that may exist between the results of archaeological research and the biblical narrative. It thus offers an introduction into the field from the standpoint of an archaeologist. The book is intended for the general public, and will also be of interest to biblical scholars, historians and teachers, as well as archaeologists in other fields. It differs from the average non-scholarly book on this subject in that it is more personal, more eclectic, more archaeological. Reviews of the Dutch edition [Op zoek naar …: de gecompliceerde relatie tussen archeologie en de Bijbel, 2015] praise the passionate style and the way it focuses on the scientific process of researching problems, instead of on finding answers and presenting the solution.

Table of ContentsSTEINER, M. L. Inhabiting the Promised Land: Exploring the Complex Relationship between Archaeology and Ancient Israel as Depicted in the Bible. Oxford: Oxbow Books, 2019

List of figures
Prologue
1. In search of … archaeology and the Bible
2. In search of … Abraham and his descendants
3. In search of … Saul and the days of the Judges
4. In search of … Goliath, the Philistine
5. In search of … David and Solomon
6. In search of … Jezebel and the House of Omri
7. In search of … Mesha of Moab
8. In search of … Jehoiachin and the Exile
9. In search of … the prophet Balaam
10. In search of … the goddess Asherah
11. In search of … the temple of Jerusalem
Epilogue
Further reading

Margreet L. Steiner (University of Leiden, 1994) is an independent scholar in Leiden, The Netherlands. She has produced final publications of Kathleen Kenyon’s excavations in Jerusalem and is the co-editor of The Oxford Handbook of the Archaeology of the Levant (10.000 – 350 BCE). For the past thirty-five years she has participated in or directed excavations in Jordan, Syria, Lebanon and the Palestinian Territories. Currently she is co-director of the renewed excavations of Tell Abu Sarbut, Jordan. Margreet Steiner has published widely on the archaeology of the Levant.

Encontrados no Egito sarcófagos de sacerdotes

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Egito apresenta sarcófagos de 3.000 anos

As 30 peças de madeira pintada, que serviram de caixão para homens, mulheres e crianças, foram encontradas a um metro de profundidade.

Por France Presse

Trinta sarcófagos de madeira pintada foram apresentados neste sábado, em excelente estado de conservação, depois que foram encontrados em Asasif, no Vale dos Reis, perto de Luxor (sul do Egito).

“É a primeira descoberta em Asasif (feita por uma equipe egípcia) de arqueólogos, conservadores e trabalhadores”, declarou o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Mustafa Waziri, em uma entrevista coletiva em Luxor.

Asasif é uma necrópole antiga situada na margem oeste do Nilo.

Os sarcófagos foram descobertos na semana passada. Algumas fotos foram divulgadas antes do anúncio oficial, que aconteceu neste sábado (19) diante do templo de Hatshepsut.

As 30 peças de madeira pintada, que serviram de caixão para homens, mulheres e crianças, foram encontradas a um metro de profundidade, empilhadas em duas linhas. Pertenciam a uma importante família de sacerdotes.

Waziri destacou que as escavações feitas pelos ocidentais no século XIX se concentraram nas tumbas dos reis, enquanto os trabalhos recentes dos egípcios revelaram um “depósito de sacerdotes”.

Os 30 objetos encontrados poderiam datar de cerca de 3.000 anos, no século X a.C.

Sobre um fundo amarelo é possível distinguir marcas vermelhas e verdes e alguns traços pretos. Hieróglifos, várias divindades egípcias, pássaros, cobras e flores de lótus decoram a madeira.

“Realizamos apenas alguns retoques de primeira necessidade nos caixões, em muito bom estado”, declarou Salah Abdel-Galial, um restaurador local do ministério de Antiguidades, ao exibir uma das peças.

De acordo com o ministro das Antiguidades, Khaled Al Enany, este tipo de descoberta, muito importante, enfrentou problemas após a revolta popular de 2011 que expulsou Hosni Mubarak do poder.

Há vários anos, as autoridades egípcias anunciam com frequência descobertas arqueológicos, com o objetivo de estimular o turismo, prejudicado pela instabilidade política e os atentados que aconteceram no país desde a revolução de 2011.

Mas várias autoridades, incluindo o presidente Abdel Fatah Al Sisi, repetiram nas últimas semanas que a estabilidade retornou ao país, após os protestos registrados em meados de setembro que, apesar do número limitado de simpatizantes, foram duramente reprimidos.

“Algumas pessoas, não queremos citar nomes, não querem que consigamos fazer estas descobertas […] que impressionam o mundo”, declarou Al Enany, em referência aos críticos do governo do Egito.

“Estas descobertas são de um valor incalculável para a reputação do Egito”, disse.

O ministro informou que a importante coleção encontrada em Asasif será transferida em 2020 para o novo Grande Museu Egípcio.

Fonte: G1 – 19.10.2019

 

Archaeologists discover 30 ancient coffins in Luxor

Intricately carved coffins with mummies from 1000BC ‘biggest such find in over a century’

Egypt has revealed details of 30 ancient wooden coffins with mummies inside, which were discovered in the southern city of Luxor in the biggest find of its kind in more than a century.

A team of Egyptian archaeologists found a “distinctive group of 30 coloured wooden coffins for men, women and children” in a cache at Al-Asasif cemetery on Luxor’s west bank, the ministry of antiquities said in a statement on Saturday.

“It is the first large human coffin cache ever discovered since the end of the 19th century,” the Egyptian antiquities minister, Khaled El-Enany, was quoted as saying during a ceremony in Luxor.
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The intricately carved and painted 3,000-year-old coffins were closed with mummies inside and were in “a good condition of preservation, colours and complete inscriptions”, the statement added.

They were for male and female priests and children, said Mostafa Waziri, the excavation team leader, dating back to 1000BC under the rule of the 22nd pharaonic dynasty.

The coffins will undergo restoration before being moved to a showroom at the Grand Egyptian Museum, due to open next year next to the Giza pyramids, the ministry said.

The discovery is the latest in a series of major finds of ancient relics that Egypt hopes will revive its tourism sector, which has been badly hit by political instability since the 2011 uprising that toppled Hosni Mubarak.

Earlier this month, Egypt unveiled two archaeological discoveries in Luxor, including an industrial zone at the city’s West Valley, also known as the Valley of the Monkeys.

Fonte: The Guardian – Reuters: Sat 19 Oct 2019 15.27

A arqueologia usada como ferramenta política em Israel

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Arqueólogos sionistas americanos fazem escavações em território palestino ocupado para promover suas crenças messiânicas e legitimar a ocupação israelense. Aqui é relatado o caso de Tel Shiloh, a localidade bíblica de Silo (1Sm 1,3; 4,1-11).

O arqueólogo Scott Stripling, cristão evangélico, acredita que a Bíblia deve ser lida literalmente e usada como um roteiro para sua pesquisa. “A Bíblia é um documento histórico confiável? Alguns colegas israelenses discordam, mas eu acredito que sim”, diz ele. “Por um lado, temos o Antigo Testamento e, por outro lado, artefatos arqueológicos. Existe uma verossimilhança? Isso é o que esperamos. Mas eu não ando por aí com uma Bíblia em uma mão e uma pá na outra”.

Israel usa a arqueologia como uma ferramenta política em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia para tentar justificar sua presença. Isso explica por que eles estão trabalhando com os evangélicos, que apoiam a mesma narrativa. Os evangélicos não fazem pesquisa para o benefício da comunidade local, mas para seu próprio benefício e para apoiar a ocupação, diz Yonathan Mizrachi, diretor da ONG israelense Emek Shaveh.

 

Digging in the Holy Land: Evangelicals are excavating occupied soil to help their cause, and Israel’s

American, ultra-religious archaeologists are descending on the West Bank to promote their beliefs

A day of archaeological digging by the Associates for Biblical Research always begins with a reading of the Bible, the very text of which they are trying to demonstrate the historical reliability.

“I am the light of the world. Whoever follows me will not walk in darkness, but will have the light of life,” repeated the group of twenty ideologically-driven Evangelical Christians, mostly pro-Israel Americans on the white religious right of the faith at odds with many of its strands in the Middle East.

Escavações em Tel Shiloh, Cisjordânia. Foto: Amnon GutmanIt is barely 5am in Jerusalem, and team members are just boarding a bus heading to Tel Shiloh, an archaeological site on private Palestinian land in Area C of the occupied West Bank, which is subjected to full Israeli control.

There, they say, may lie the remains of the tabernacle – the shrine that is believed to have hosted the Ark of the Covenant, a wooden chest said to have held the ten commandments on two stone tablets.

The dig site is suffused with a mild morning light. In a camel-coloured cowboy hat and sunglasses, always flashing a bright smile, team leader Dr Scott Stripling, 54, fits the Hollywood picture of an archaeologist. His work, however, is far from conventional.

A proud Evangelical Christian, he and his team believe the Bible is to be read literally and it serves as a textbook for their research.

“Is the Bible a reliable historical document? Some Israeli colleagues disagree, but I believe so,” says Mr Stripling, also arguing that many archaeologists are biased against the “holy word”.

“On the one hand, we have the Old Testament and, on the other hand, archaeological artefacts. Is there a verisimilitude? That’s what we expect.

“But I don’t walk around with a Bible in one hand and a shovel in the other.”

It is the third year of the excavation in Tel Shiloh and Mr Stripling hopes to find new clues to confirm that the elusive tabernacle was once located here. Last year, they discovered a ceramic pomegranate, a fruit symbolically associated with the holy shrine.

The pieces unearthed in Tel Shiloh are brought back to Jerusalem each day, before being analysed in collaboration with the Israeli antiquities authorities in a process critics say is disturbingly opaque. In mid-May, the Supreme Court ruled that Israel is not obligated to release information about archaeological digs in the occupied West Bank, rejecting an appeal by two non-governmental organisations.

“Everything we find is stored in Israel and if a political solution to [the Israeli-Palestinian] conflict is found, the people in charge of the territory will then have access to the objects,” Mr Stripling says.

“But I’ll be dead before that happens,” he laughs.

The inter-religious relationship between some Israeli Jews and American Evangelicals is sometimes labelled opportunistic. A subset of the Evangelical community believes that the return of the Jewish people to the land of their ancestors is necessary for the return of the Messiah and the end of times, as laid out in the Bible. Israeli authorities, meanwhile, are searching for allies to support their half-century old military occupation.

Emeline and Perry Ginhart, a newly-wed American couple, hope to make more discoveries that will help support the authenticity of their Messianic vision of Christianity. They visited Tel Shiloh last May for their honeymoon, paying thousands of dollars to be allowed to take part in the dig. Both amateurs with no professional experience in archaeology, they spent long hours clearing the tiny area of dirt they were in charge of under the scorching sun.

“By helping Israel, we are helping our cause. Our creator gave us these lands to take care of,” says Mr Ginhart.

Leah Tramer, one of the few Israelis in the team, is a former research assistant at Tel Aviv University and a self-declared “former leftist”. She says her political views changed after a particularly violent attack by Palestinian militants.

Since then, she has been working for the University of Ariel, located in a large Israeli settlement in the occupied West Bank. She helps American Evangelicals who come to the area to dig – to them, Judea and Samaria, the biblical name they give to the West Bank, is a natural extension to the current Israeli state.

“There is nothing more exciting than doing research related to the Bible,” she says.

“It is wonderful that Christians are helping us to recover our past.”

Archaeological finds are used in a political and ideological context as theoretical evidence for the importance of Jewish heritage over Palestinian links to the land.

“Israel uses archaeology as a political tool in East Jerusalem and the West Bank to try to justify its presence. This explains why they are working with Evangelicals, who support the same narrative,” Yonathan Mizrachi, director of the left-wing Israeli NGO Emek Shaveh, told The National.

“Evangelicals don’t do research for the benefit of the local community but for their own benefit and to support the occupation.”

Many other sites beside Tel Shiloh have raised controversy, in a land where archaeology is inherently political. The City of David in occupied East Jerusalem’s Palestinian neighbourhood of Silwan (also known as Wadi Hilweh) is, according to biblical references, the original site of Jerusalem at the time of King David some 3,000 years ago. It is now a popular pilgrimage site for Evangelicals from all over the world.

Last month, US Ambassador to Israel David Friedman and White House Mideast peace envoy Jason Greenblatt participated in an inaugural ceremony there to unveil the “Pilgrimage Road,” a now-subterranean stairway that is said to have served as a sacred Roman-era road for Jews to the Temple Mount.

According to local residents, underground excavations at the site, which have lasted for years, have severely damaged 15 Palestinian houses.

Mazen Aweida, 48, points to thick cracks running along the walls of his home, where the kitchen sink has half-collapsed and the bedroom floor has buckled.

“We’re miserable,” he says.

“I have young children and I’m afraid debris will fall on them. It stresses me out a lot,” the father of seven whispers, glancing at his little boy sitting next to a gaping scar running from the floor to the ceiling.

Many residents are convinced that archaeological digs are part of a broader strategy to drive Palestinians out and take control of their land.

The City of David Foundation, a nationalist Israeli organisation behind the project and known by its Hebrew initials ELAD, declined a request to comment, but it has previously denied responsibility for damage to Palestinian homes.

A European specialist who has been working in the Middle East for decades decried Biblical archaeology, questioning those who believe that all of the Bible was intended to be understood literally.

“The Israeli army must stop the archaeological massacre in the occupied territories,” said the specialist, who asked not to be named.

At 1pm, the sound of a shofar, a traditional Jewish horn, echoes through the rocky hills of Tel Shiloh to mark the end of the day’s dig. But those taking part will be back tomorrow in search of the holy tabernacle, despite the fact that they are yet to find anything decisive.

“The absence of proof,” says Mr Stripling, “is not the proof of absence.”

Fonte: Wilson Fache and Salomé Parent – The National: July 29, 2019

DNA indica origem europeia dos filisteus

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Em minha História de Israel escrevi: Palestina é um nome derivado de “filisteus”, em hebraico pelishtim, um povo que habitava a faixa costeira situada entre o Egito e a Fenícia. Os filisteus são de origem egeia, talvez de Creta. Faziam parte dos “povos do mar”, que após 1177 a.C., mais ou menos, tentaram invadir o Egito, mas foram vencidos pelo faraó Ramsés III e passaram a viver naquela parte da Palestina.

Agora foi divulgado que uma equipe de pesquisadores usando avançadas tecnologias de DNA em amostras antigas de ossos encontrados durante escavações feitas em Ascalon, na costa palestina, de 1985 a 2016, e analisando os dados genômicos recuperados de pessoas que ali viveram durante as Idades do Bronze Recente e do Ferro (cerca de 1600 a 900 a.C.), descobriu que uma proporção substancial de seus ancestrais era derivada de uma população europeia. Essa ancestralidade derivada da Europa foi introduzida em Ascalon por volta da época da chegada estimada dos filisteus no século XII a.C. Os resultados do estudo foram publicados na revista Science Advances.

 

Ancient DNA sheds light on the origins of the Biblical Philistines

An international team, led by scientists from the Max Planck Institute for the Science of Human History and the Leon Levy Expedition, retrieved and analyzed, for the first time, genome-wide data from people who lived during the Bronze and Iron Age (~3,600-2,800 years ago) in the ancient port city of Ashkelon, one of the core Philistine cities during the Iron Age.

The team found that a European derived ancestry was introduced in Ashkelon around the time of the Philistines’ estimated arrival, suggesting that ancestors of the Escavações no cemitério filisteu de AscalonPhilistines migrated across the Mediterranean, reaching Ashkelon by the early Iron Age.

This European related genetic component was subsequently diluted by the local Levantine gene pool over the succeeding centuries, suggesting intensive admixture between local and foreign populations. These genetic results, published in Science Advances, are a critical step toward understanding the long-disputed origins of the Philistines.

The Philistines are famous for their appearance in the Hebrew Bible as the arch-enemies of the Israelites. However, the ancient texts tell little about the Philistine origins other than a later memory that the Philistines came from “Caphtor” (a Bronze Age name for Crete; Amos 9:7).

More than a century ago, Egyptologists proposed that a group called the Peleset in texts of the late twelfth century BCE were the same as the Biblical Philistines. The Egyptians claimed that the Peleset travelled from the “the islands,” attacking what is today Cyprus and the Turkish and Syrian coasts, finally attempting to invade Egypt.

These hieroglyphic inscriptions were the first indication that the search for the origins of the Philistines should be focused in the late second millennium BCE. From 1985-2016, the Leon Levy Expedition to Ashkelon, a project of the Harvard Semitic Museum, took up the search for the origin of the Philistines at Ashkelon, one of the five “Philistine” cities according to the Hebrew Bible.

Led by its founder, the late Lawrence E. Stager, and then by Daniel M. Master, an author of the study and director of the Leon Levy Expedition to Ashkelon, the team found substantial changes in ways of life during the 12th century BCE which they connected to the arrival of the Philistines. Many scholars, however, argued that these cultural changes were merely the result of trade or a local imitation of foreign styles and not the result of a substantial movement of people.

This new study represents the culmination of more than thirty years of archaeological work and of genetic research utilizing state of the art technologies, concluding that the advent of the Philistines in the southern Levant involved a movement of people from the west during the Bronze to Iron Age transition.

Genetic discontinuity between the Bronze and Iron Age people of Ashkelon

The researchers successfully recovered genomic data from the remains of 10 individuals who lived in Ashkelon during the Bronze and Iron Age. This data allowed the team to compare the DNA of the Bronze and Iron Age people of Ashkelon to determine how they were related.

The researchers found that individuals across all time periods derived most of their ancestry from the local Levantine gene pool, but that individuals who lived in early Iron Age Ashkelon had a European derived ancestral component that was not present in their Bronze Age predecessors.

“This genetic distinction is due to European-related gene flow introduced in Ashkelon during either the end of the Bronze Age or the beginning of the Iron Age. This timing is in accord with estimates of the Philistines arrival to the coast of the Levant, based on archaeological and textual records,” explains Michal Feldman of the Max Planck Institute for the Science of Human History, leading author of the study. “While our modelling suggests a southern European gene pool as a plausible source, future sampling could identify more precisely the populations introducing the European-related component to Ashkelon.”

Transient impact of the “European related” gene flow

In analyzing later Iron Age individuals from Ashkelon, the researchers found that the European related component could no longer be traced. “Within no more than two centuries, this genetic footprint introduced during the early Iron Age is no longer detectable and seems to be diluted by a local Levantine related gene pool,” states Choongwon Jeong of the Max Planck Institute of the Science of Human History, one of the corresponding authors of the study.

“While, according to ancient texts, the people of Ashkelon in the first millennium BCE remained ‘Philistines’ to their neighbors, the distinctiveness of their genetic makeup was no longer clear, perhaps due to intermarriage with Levantine groups around them,” notes Master.

“This data begins to fill a temporal gap in the genetic map of the southern Levant,” explains Johannes Krause of the Max Planck Institute for the Science of Human History, senior author of the study. “At the same time, by the zoomed-in comparative analysis of the Ashkelon genetic time transect, we find that the unique cultural features in the early Iron Age are mirrored by a distinct genetic composition of the early Iron Age people.”

Fonte: Archaeology News Network – 03/07/2019

 

Em 2016 a BBC já havia publicado o seguinte:

Arqueólogos fazem ‘descoberta inédita’ de cemitério filisteu em Israel – BBC News Brasil: 10 julho 2016

Pesquisadores em Israel afirmam ter descoberto um cemitério filisteu – seria, segundo eles, o primeiro a ser encontrado na história.

O achado, ocorrido em 2013 e tornado público neste domingo, pode trazer respostas sobre o antigo mistério em torno da origem do povo.

A descoberta marcou o fim da escavação realizada pela Expedição Leon Levy na região do Parque Nacional de Ashkelon, no sul de Israel. Os trabalhos duraram 30 anos.

Os líderes da pesquisa dizem ter encontrado 145 conjuntos de restos mortais em várias câmaras fúnebres, algumas cercadas por perfume, comida, joias e armas.

As ossadas são originárias do período compreendido entre os séculos 11 a.C. e 8 a.C.

 

Povo migrante

Os filisteus são mencionados na Bíblia como arqui-inimigos dos antigos israelitas.

Acredita-se que eles tenham migrado para as terras de Israel por volta do século 12 a.C, vindos de áreas do oeste.

O filisteu mais famoso nos dias atuais é Golias, guerreiro gigante que, segundo o livro sagrado, foi vencido pelo jovem Davi antes de ele se tornar rei.

“Após décadas estudando o que os filisteus deixaram para trás, nós finalmente ficamos cara a cara com essas pessoas”, afirmou Daniel M. Master, um dos líderes da escavação.

“Com essa descoberta, nós estamos próximos de desvendar o segredo em torno de suas origens.”

 

Segredo de três anos

O achado foi mantido em segredo por três anos até que os trabalhos fossem finalizados. O objetivo era evitar atrair a atenção de ativistas judeus ultraortodoxos, que já haviam feito atos contra escavações.

Os manifestantes acusavam os arqueólogos de perturbar locais de sepultamento.

“Nós tivemos que segurar as nossas línguas por um longo tempo”, disse Master.

Especialistas que estudaram o período divergem sobre a origem geográfica dos filisteus – Grécia, sua ilha Creta, Chipre e Anatólia, na Turquia, são apontados.

A equipe da expedição está agora fazendo exames de DNA, de datação por radiocarbono e outros testes nos restos mortais em uma tentativa de apontar com previsão sua ascendência.

A maioria dos corpos não foi enterrada com itens pessoais, afirmam os pesquisadores, mas perto de alguns havia utensílios onde eram guardados perfumes, jarras e pequenas tigelas.

Poucos indivíduos foram sepultados com pulseiras e brincos. Outros, com armas.

“É assim que filisteus tratavam seus mortos, e esse é o ‘livro de códigos’ para decifrar tudo”, disse o arqueólogo Adam Aja, um dos participantes da escavação.

 

DNA dos filisteus mostra suas origens europeias – AFP: 03/07/2019

Esqueletos antigos encontrados em Israel e analisados na Alemanha podem ser a chave para resolver o enigma do povo filisteu e estabelecer suas origens europeias pela primeira vez através da análise de seu DNA, de acordo com cientistas.

Esta descoberta sobre as origens deste povo estabelecido na antiguidade no sudoeste de Canaã, em uma faixa de terra que atualmente fica entre Tel Aviv e Gaza, foi publicado nesta quarta-feira (3) na revista Science Advances, e qualificada como “extraordinária” por um dos arqueólogos do projeto.

Até agora, os cientistas não tinham nenhuma informação que permitisse traçar a origem dos filisteus. Só sabiam que chegaram a esta região semita por volta do século XII a.C.

Os escritos bíblicos e egípcios os incluíam nos chamados “povos do mar”. Suas cerâmicas vermelhas e negras, assim como sua arquitetura, poderiam relacioná-los com as civilizações presentes no Mar Egeu.

“A ideia segundo a qual os filisteus eram migrantes nunca antes pôde ser demonstrada”, explica Daniel Master, que dirigiu a equipe arqueológica que fez escavações em Ascalon, uma das cinco cidades filisteias localizadas atualmente no sudoeste de Israel.

As ossadas encontradas em Ascalon, da Idade do Bronze e do Ferro, foram analisadas graças a avançadas tecnologias na Alemanha.

Ao comparar o genoma das ossadas dos dois períodos, “descobrimos que os filisteus, que estavam presentes na Idade do Ferro, tinham uma parte de seu genoma que não existia nos povos que viviam ali antes, na Idade do Bronze”, destaca Michal Felman, uma das pesquisadoras do Instituto Max Planck para as ciências da história humana em Jena, Alemanha.

“Esta parte do genoma parece derivar de um genoma europeu”, acrescentou.

“Há 150 anos arqueólogos de todo o mundo trabalham sobre este tema”, destaca por sua vez Daniel Master, que qualifica a descoberta como “extraordinária”.

“Agora, com os resultados do DNA à nossa disposição, que mostram um aporte de origem europeia em Ascalon no século XII a.C. podemos dizer (…) que estas pessoas eram migrantes vindos a esta região no século XII”, destacou.

– Primeira migração rastreada –

A equipe de Daniel Master descobriu em 2013 um cemitério filisteu em Ascalon do qual se pôde obter uma ampla diversidade de amostras de DNA para ser analisadas pelos arqueogeneticistas.

Os resultados, no entanto, não tinham sido publicados até agora, já que os métodos que permitiam este tipo de investigação não estavam disponíveis antes, assegura Michal Feldman.

Os cientistas podem averiguar a origem dos filisteus “na Europa e provavelmente no sul da Europa”, mas “ainda não têm suficientes dados para identificar a população exata”, destaca.

As razões que levaram os filisteus a se instalar no litoral ensolarado do leste do Mediterrâneo por volta do fim da Idade do Bronze continuam sendo, no entanto, um mistério.

Mas segundo Daniel Master, durante o século XIII a. C. ocorreram várias migrações rumo ao leste do Mediterrâneo. É a primeira vez que os cientistas conseguiram rastrear uma delas, afirma.

Os filisteus, experientes comerciantes e marinheiros, não praticavam a circuncisão e comiam carne de porco e de cachorro, como demonstram os ossos encontrados nas ruínas das outras quatro cidades filisteias vizinhas (Gat, Gaza, Ashdod e Ekron), que formavam seu Estado.

Esta população desapareceu por volta de 600 a.C., quando os babilônios conquistaram a região.

Sua história foi sobretudo transmitida por seus vizinhos e inimigos, os israelitas, na Bíblia, onde são mencionados em tons muito negativos.

Notícias interessantes de arqueologia e outros assuntos

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Três artigos sobre uma escavação arqueológica na Palestina

::  More on the Sharafat excavation – By Jim Davila: PaleoJudaica –  March 29, 2019

Archaeologists Find Tomb of the Richest of the Rich in Second Temple-era Jerusalem. The Jewish villagers seem to have done very well for themselves from exporting olive oil and wine 2,000 years ago, though what they did with their pigeons is anyone’s guess.

:: Large Hasmonean-era agricultural village found under Jerusalem Arab neighborhood – By Amanda Borschel-Dan: The Times of Israel – 27 March 2019

Impressive, multi-generation burial chamber and large dovecote point to well-heeled settlement in rural area, near today’s Biblical Zoo.

:: Impressive Jewish artifacts found in Arab neighborhood of Jerusalem – By Ben Bresky: The Jerusalem Post – March 28, 2019

2,000-year-old olive and wine presses, a burial cave and mikvah from the descendants of the Maccabees were found in south Jerusalem neighborhood.


Esta notícia é sobre microrganismos no Mar Morto



:: Ancient Microbes Ate Each Other’s Corpses to Survive Beneath the Dead Sea – By Brandon Specktor: Live Science – March 26, 2019

On its salty surface, the Dead Sea is famous for making giddy tourists float like beach balls. Hundreds of feet below the water, however, life is a little less fun. There, choked by some of the saltiest water on Earth, single-celled microorganisms called archaea struggle to carry out life’s basic functions without oxygen, light or fresh forms of sustenance. According to a new study published March 22 in the journal Geology, the survival of microbial life beneath the Dead Sea may have once even depended on eating the dead.

Enquanto esta é sobre manuscritos

:: Cambridge University and Vatican manuscripts made public online – BBC News – 28 March 2019

Hundreds of medieval Greek manuscripts held by Cambridge and Heidelberg universities and the Vatican are to be made available to the public online. The £1.6m project will digitise more than 800 volumes featuring the works of Plato and Aristotle, among others. The manuscripts date from the early Christian period to the early modern era (about 1500 – 1700 AD). Cambridge University said the two-year project would open up “some of the most important manuscripts” to the world. Works set to be digitised include “classical texts and some of the most important treatises on religion, mathematics, history, drama and philosophy”, a university spokesman said. The manuscripts are currently held at the university library, 12 of its colleges, the Fitzwilliam Museum in Cambridge, Heidelberg University Library in Germany and the Vatican Library in Rome.

Sobre a arqueologia da Palestina

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Biblical Archaeology: The Study of Biblical Sites & Artifacts

By Owen Jarus, Live Science Contributor | February 22, 2019

While the definition of biblical archaeology varies from scholar to scholar, it generally includes some combination of archaeology and biblical studies (…) “Specifically, it is archaeology that sheds light on the stories, descriptions, and discussions in the Hebrew Bible and the New Testament from the early second millennium [B.C.], the time of Abraham and the Patriarchs, through the Roman period in the early first millennium [A.D.],” Cline wrote in his book “Biblical Archaeology: A Very Short Introduction” (Oxford University Press, 2009). Some scholars extend the geographical area that biblical archaeology covers to include Egypt, Mesopotamia and Sudan (…)  Some archaeologists prefer not to use the phrase “biblical archaeology” out of concern that it sounds unscientific (continua).

Eu sou Assurbanípal: exposição no Museu Britânico

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I am Ashurbanipal is at the British Museum, London, from 8 November 2018 to 24 February 2019.

Assurbanípal, rei da Assíria (668-627 a.C.)

King Ashurbanipal of Assyria (r. 669–c. 631 BC) was the most powerful man on earth. He described himself in inscriptions as ‘king of the world’, and his reign from the city of Nineveh (now in northern Iraq) marked the high point of the Assyrian empire, which stretched from the shores of the eastern Mediterranean to the mountains of western Iran (…) This major exhibition tells the story of Ashurbanipal through the British Museum’s unparalleled collection of Assyrian treasures and rare loans. Step into Ashurbanipal’s world through displays that evoke the splendour of his palace, with its spectacular sculptures, sumptuous furnishings and exotic gardens. Marvel at the workings of Ashurbanipal’s great library, the first in the world to be created with the ambition of housing all knowledge under one roof. Come face to face with one of history’s greatest forgotten kings.

:: Leia sobre Assurbanípal aqui, aqui e aqui.

:: Leia sobre a exposição:

I Am Ashurbanipal at the British Museum – Cathleen Chopra-McGowan – Bible History Daily: 01/30/2019

‘Some of the most appalling images ever created’ – I Am Ashurbanipal review – Jonathan Jones – The Guardian: Tue 6 Nov 2018

Descobertas arqueológicas importantes para entender a Bíblia

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Vale pelas listas. Entretanto, o enfoque, arqueologia bíblica, precisa ser filtrado. Além do que, listas de “10 mais” raramente escapam da subjetividade.

Como observou Jim Davila, em 30 de janeiro de 2019, no post Top ten archaeological discoveries relating to Hebrew Bible? “Overall this is a pretty good list, although I do not endorse some of the interpretations put on the finds” [No geral, esta é uma boa lista, embora eu não apoie algumas das interpretações dadas aos achados arqueológicos].

Pois:

A ‘História de Israel’ está mudando. O consenso foi rompido. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita. A sequência patriarcas, José do Egito, escravidão, êxodo, conquista da terra, confederação tribal, império davídico-salomônico, divisão entre norte e sul, exílio e volta para a terra está despedaçada. O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’, ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’ (SILVA, A. J. A História de Israel no debate atual – Última atualização: 24.10.2018).

:: Top Ten Discoveries in Biblical Archaeology Relating to the Old Testament – By Windlebry: Bible Archaeology Report – January 12, 2019

Crônica Babilônica que menciona a tomada de Jerusalém em 597 a.C.

:: Top Ten Discoveries in Biblical Archaeology Relating to the New Testament – By Windlebry: Bible Archaeology Report – January 19, 2019

TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E - Inscrição de Cesareia - Museu de Israel, Jerusalém


Leia Mais:
Arqueologia no Observatório Bíblico

A frenética busca por textos sagrados

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Inside the cloak-and-dagger search for sacred texts – By Robert Draper: National Geographic – December 2018

In the shadowy world where religion meets archaeology, scientists, collectors, and schemers are racing to find the most precious relics.

Jim Davila, em PaleoJudaica.com, observa:

This is a very good article that deals with most of the recent stories about Bible-related (etc.) manuscripts, whether genuine or fake. These include Operation Scroll, which continues; Konstantin von Tischendorf and Codex Sinaiticus; the Sisters of Sinai and Codex Sinaiticus Syriacus; the Oxyrhynchus papyri; the Dead Sea Scrolls; P52, the Rylands fragment of the Gospel of John; the Museum of the Bible’s fake Dead Sea Scrolls fragments and Hobby Lobby’s improperly acquired cuneiform tablets; the no-longer-first-century fragment of the Gospel of Mark; and more.