Lições de Esopo e Fedro: o lobo e o cordeiro

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Fábulas, com frequência, satirizam pessoas e grupos políticos que usam seu poder para oprimir os mais fracos.

Esopo

Λύκος καὶ ἀρήν

Λύκος θεασάμενος ἄρνα ἀπό τινος ποταμοῦ πίνοντα, τοῦτον ἐβουλήθη μετά τινος εὐλόγου αἰτίας καταθοινήσασθαι. Διόπερ στὰς ἀνωτέρω ᾐτιᾶτο αὐτὸν ὡς θολοῦντα τὸ ὕδωρ καὶ πιεῖν αὐτὸν μὴ ἐῶντα. Τοῦ δὲ λέγοντος ὡς ἄκροις τοῖς χείλεσι πίνει καὶ ἄλλως οὐ δυνατὸν κατωτέρω ἑστῶτα ἐπάνω ταράσσειν τὸ ὕδωρ, ὁ λύκος ἀποτυχὼν ταύτης τῆς αἰτίας ἔφη· “Ἀλλὰ πέρυσι τὸν πατέρα μου ἐλοιδόρησας.” Εἰπόντος δὲ ἐκείνου μηδὲ τότε γεγενῆσθαι, ὁ λύκος ἔφη πρὸς αὐτόν· “Ἐὰν σὺ ἀπολογιῶν εὐπορῇς, ἐγώ σε οὐχ ἧττον κατέδομαι.”

Ὁ λόγος δηλοῖ ὅτι οἷα ἡ πρόθεσίς ἐστιν ἀδικεῖν, παρ’ αὐτοῖς οὐδὲ δικαία ἀπολογία ἰσχύει.

  

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Le Loup et L’agneau

Un loup, voyant un agneau qui buvait à une rivière, voulut alléguer un prétexte spécieux pour le dévorer. C’est pourquoi, bien qu’il fût lui-même en amont, il l’accusa de troubler l’eau et de l’empêcher de boire. L’agneau répondit qu’il ne buvait que du bout des lèvres, et que d’ailleurs, étant à l’aval, il ne pouvait troubler l’eau à l’amont. Le loup, ayant manqué son effet, reprit : « Mais l’an passé tu as insulté mon père. — Je n’étais pas même né à cette époque, » répondit l’agneau. Alors le loup reprit : « Quelle que soit ta facilité à te justifier, je ne t’en mangerai pas moins.»

Cette fable montre qu’auprès des gens décidés à faire le mal la plus juste défense reste sans effet.

Fonte: Fables d’Ésope. Texte établi et traduit par Émile Chambry. Paris, 1927.

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O Lobo e o Cordeiro

Um lobo, ao ver um cordeiro bebendo de um rio, resolveu utilizar-se de um pretexto para devorá-lo. Por isso, tendo-se colocado na parte de cima do rio, começou a acusá-lo de sujar a água e impedi-lo de beber. Como o cordeiro dissesse que bebia com as pontas dos beiços e não podia, estando embaixo, sujar a água que vinha de cima, o lobo, ao perceber que aquele pretexto tinha falhado, disse: “Mas, no ano passado, tu insultaste meu pai”. E como o outro dissesse que então nem estava vivo, o lobo lhe disse: “Qualquer que seja a defesa que apresentes, eu não deixarei de comer-te”.

A fábula mostra que, ante a decisão dos que são maus, nem uma justa defesa tem força.


Fonte: Esopo, Fábulas Completas. Tradução do grego de Neide Smolka. São Paulo: Moderna, 2005.


:. Esopo viveu na Grécia no século VI a.C.



 
Fedro

Lupus et Agnus

Ad rivum eundem lupus et agnus venerant, siti compulsi. Superior stabat lupus, longeque inferior agnus. Tunc fauce improba latro incitatus iurgii causam intulit; ‘Cur’ inquit ‘turbulentam fecisti mihi aquam bibenti?’ Laniger contra timens ‘Qui possum, quaeso, facere quod quereris, lupe? A te decurrit ad meos haustus liquor’. Repulsus ille veritatis viribus ‘Ante hos sex menses male’ ait ‘dixisti mihi’. Respondit agnus ‘Equidem natus non eram’. ‘Pater hercle tuus’ ille inquit ‘male dixit mihi’; atque ita correptum lacerat iniusta nece.

Haec propter illos scripta est homines fabula qui fictis causis innocentes opprimunt. 

Fonte: The Latin Library

:. Fedro viveu em Roma no século I d.C.

Leia Mais:
‘O Lobo e o Cordeiro’ e ‘A Raposa e as Uvas’: uma leitura comparada  – Fedro, Esopo, La Fontaine, Monteiro Lobato e Millôr Fernandes (Márcio Luiz Moitinha Ribeiro e Marcos André Menezes dos Santos)
A lição de Esopo: os bens e os males

Livros, leitura, literatura: listas e mais listas

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Você gosta de livros, leitura, literatura?

Então os seguintes endereços podem lhe interessar. Ou não, pois isto é muito subjetivo. Mas dê uma olhada.

Listas e mais listasOs interessados podem encontrar muitos dos livros citados em formato eletrônico e melhor, de graça, na internet. Nas línguas originais ou em tradução. Consulte, com paciência e persistência, Mais ebooks gratuitos para Kindle e outros leitores.

:: Os 100 melhores livros de todos os tempos, a lista das listas – Por Carlos Willian Leite – Revista Bula  — Mais listas de livros… [Diriam os alemães: Listen… und noch mehr Listen!]

:: BOXALL, P. (ed.) 1001 Books You Must Read Before You Die. London: Cassell Illustrated, 2012, 960 p.  – ISBN 9781844037407

– Confira: 1001 Books To Read Before You Die – Reviewing the 1001 books
– Confira: The Greatest Books
– Confira: 100 Books to Read before You Die: Creating the Ultimate List

:: Five Books – The best books on everything

:: As 15 Livrarias Mais Maravilhosas do Mundo – Chiado Magazine

:: 37 modern libraries (= bibliotecas) from around the world – Piotr Kowalczyk: Ebook Friendly

:: As 20 bibliotecas mais bonitas do mundo –  Por Ian Castelli: Viajali

:: Estantes criativas 


O livro organizado por Peter Boxall é muito interessante. Estou usando uma versão para Kindle e apreciando muito. O autor, que conta neste livro com mais de 100 colaboradores, é Professor de literatura inglesa na Universidade de Sussex, Brighton, Reino Unido. A primeira lista é de 2006, mas procure a de 2010, que está mais internacionalizada.

A lição de Esopo: os bens e os males

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Ἀγαθὰ καὶ κακά



Ὑπὸ τῶν κακῶν τὰ
ἀγαθὰ ἐδιώχθη ὡς ἀσθενῆ ὅντα· εἰς οὐρανὸν δὲ ἀνῆλθεν. Τὰ δὲ ἀγαθὰ
ἠρώτησαν τὸν Δία πῶς εἶναι μετ’ἀνθρώπων. Ὁ δὲ εἶπεν <μὴ> μετ’
ἀλλήλων πάντα, ἓν δὲ καθ’ ἓν τοῖς ἀνθρώποις ἐπέρχεσθαι. Διὰ τοῦτο τὰ μὲν
κακὰ συνεχῆ τοῖς ἀνθρώποις, ὡς πλησίον ὄντα, ἐπέρχεται, τὰ δὲ ἀγαθὰ
βράδιον, ἐξ οὐρανοῦ κατιόντα.

Ὅτι ἀγαθῶν μὲν οὐδεὶς ταχέως ἐπιτυγχάνει, ὑπὸ δὲ τῶν κακῶν ἕκαστος καθ’ ἑκάστην πλήττεται.

Les Biens et les Maux

Les Maux, profitant de la faiblesse des Biens, les chassèrent.
Ceux-ci montèrent au ciel. Là, ils demandèrent à Zeus comment ils
devaient se comporter avec les hommes. Le dieu leur dit de se présenter
aux hommes, non pas tous ensemble, mais l’un après l’autre. Voilà
pourquoi les Maux, habitant près des hommes, les assaillent sans
interruption, tandis que les Biens, descendant du ciel, ne viennent à
eux qu’à de longs intervalles.

L’apologue fait voir que le bien se fait attendre, mais que chaque jour chacun de nous est atteint par les maux.

Fonte: Fables d’Ésope . Texte établi et traduit par Émile Chambry. Paris, 1927.




Os Bens e os Males

Por serem fracos, os bens, perseguidos pelos males, subiram ao céu. E perguntaram a Zeus como deveriam comportar-se com os homens. O deus lhes disse que deveriam aproximar-se dos homens não todos em conjunto, mas um de cada vez. Por isso, os males, como estão perto dos homens, aproximam-se constantemente deles, enquanto os bens, descendo do céu, o fazem lentamente.

É por essa razão que ninguém encontra os bens rapidamente mas, cada dia, cada um de nós é atingido pelos males.


Fonte: Esopo, Fábulas Completas. Tradução do grego de Neide Smolka. São Paulo: Moderna, 2005.

See also: Zeus and the Good Things.

:. Esopo viveu na Grécia no século VI a.C.

Edição histórica de Grande Sertão: Veredas

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Os caminhos do sertão de João Guimarães Rosa

Nova Fronteira e Saraiva lançam edição histórica de Grande Sertão: Veredas

Daniel Louzada

“Seria preciso ser um inventor de palavras, como foi João Guimarães Rosa, para cobrir minimamente as qualificações que merece Grande Sertão: Veredas. Obra-prima da literatura, fundamental para a compreensão de nossa identidade, empreendimento artístico monumental, influência para tantos escritores, tratado universal sobre o homem. São muitas as sentenças que poderiam ser elencadas para ressaltar esse romance atemporal, um dos mais importantes do século XX.

Foi essa relevância que no início de 2011 motivou a Editora Nova Fronteira e a Livraria Saraiva a realizarem um grande projeto em conjunto: uma edição especial que trouxesse outra dimensão da obra por meio da divulgação de um material nunca publicado. Assim, surgiu a caixa Os Caminhos do Sertão de João Guimarães Rosa.

O ponto de partida foi o entusiasmo em colocar em livro pela primeira vez o importante texto A Boiada, até então restrito aos arquivos do IEB-USP. A Boiada é um documento fundamental para entender não só a construção das obras de Guimarães, mas também, de maneira geral, o esforço que precede uma grande obra literária, o seu fazer, o trabalho árduo do escritor.

Em maio de 1952, João Guimarães Rosa juntou-se à comitiva de Manoel Nardy, que inspirou o famoso personagem Manuelzão, e fez uma travessia pelo sertão mineiro. Mais do que o reencontro com sua terra natal, havia um nítido interesse do autor em cartografar esse espaço e aprender mais sobre a cultura de boiadeiros e sertanejos.

A leitura das duas cadernetas escritas nessa viagem, as quais chamou de A Boiada 1 e A Boiada 2, dão a medida desse interesse. Tanto que mais tarde as anotações foram aproveitadas especialmente na elaboração das novelas de Corpo de Baile.

O conteúdo das cadernetas é fragmentário e muito detalhado, um composto de frases, palavras, cenas, paisagens, desafios, lundus, quadras, cantigas, além de histórias e comentários a respeito do cotidiano dos homens com quem o escritor conviveu nesse período.

A partir desses fragmentos, é possível recompor o percurso de Guimarães pelo sertão e por sua literatura, pois o itinerário revelado nas anotações, apenas aparentemente sem sistematização, revela a olhos mais atentos interseções com os caminhos trilhados pelos jagunços de Grande Sertão: Veredas.

A caixa Os Caminhos do Sertão de João Guimarães Rosa, com tiragem numerada e limitada de 10 mil exemplares, é produto de extenso trabalho editorial da equipe da Nova Fronteira. Valoriza-a um novo projeto gráfico e a série de belas ilustrações que o arquiteto Paulo Mendes da Rocha produziu exclusivamente para a edição.

A caixa é composta dos seguintes livros:

Grande Sertão: Veredas – Edição exclusiva, tendo por capa a primeira página do fac-símile da obra, em que Guimarães define o título, riscando de próprio punho a sua primeira proposição datilografada: Veredas Mortas. A edição é acompanhada, ainda, por um texto explicitando o trabalho fonético da escrita rosiana e como se estabelece o Acordo ortográfico em João Guimarães Rosa. O livro também apresenta algumas capas nacionais e internacionais do romance que ganhou o mundo.

A Boiada – O fac-símile, todo impresso em cores, o original datilografado de Guimarães registrando a viagem pelo sertão. Nas margens das páginas, em canetas de cores diferentes, ele indica: Corpo de Baile, Miguilim, Grande Sertão, Batalha… Um verdadeiro registro genealógico e raro da construção da obra do autor. O volume ainda conta com a contribuição de Sandra Vasconcelos, professora de literatura brasileira do IEB-USP e de Mônica Meyer, professora e bióloga da UFMG.

Livro de Depoimentos – Com texto de apresentação da Nova Fronteira e da Saraiva, traz depoimentos inéditos em livro de nomes como Antonio Candido e Haroldo de Campos sobre o Grande Sertão: Veredas” (Matéria exclusiva do Almanaque Saraiva)

Leia o texto completo.

Veja ainda no site da Saraiva: Conheça mais sob a edição – Todas as edições de Grande Sertão: Veredas – Veja detalhes do livro A Boiada – Saiba mais sobre Guimarães Rosa

Leia Mais:
Grande Sertão: Veredas – Sequências Narrativas
Grande Sertão: Veredas no Observatório Bíblico e na Ayrton’s Biblical Page
Saem do baú inéditos de Guimarães Rosa – Josélia Aguiar: Folha.com – 03/12/2011 – 08h38

Biblioteca Digital de Fernando Pessoa

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A Biblioteca que pertenceu ao escritor português Fernando Pessoa (Lisboa, 1888-1935) foi colocada online. São 1142 volumes, de todos os gêneros e em vários idiomas, densamente anotados e manuscritos.

Diz Inês Pedrosa na Apresentação:
Procurámos tornar acessível e simples a compreensão da biblioteca no seu todo – que está classificada por categorias temáticas – e a consulta de cada livro. Destacámos páginas que incluem manuscritos do próprio Pessoa – ensaios e poemas escritos nas páginas de guarda dos livros. Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.

O acesso se faz através do site Casa Fernando Pessoa.

Caim, de Saramago, por Eduardo Hoornaert

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Acabei de ler uma instigante resenha do romance Caim de Saramago.

Escrita por Eduardo Hoornaert, foi publicada pela REB 70, n. 278, abril de 2010 (na edição impressa, p. 515-516). Está disponível online.

Um trecho:
O que se pode dizer é que Saramago não tem a intenção de escandalizar seus (suas) leitores(as) com disparates levianos e incongruentes contra os textos bíblicos, mas pretende lutar contra uma apresentação banalizada da Bíblia, que tira o sentido do texto, mas que infelizmente constitui a leitura comum nos dias em que vivemos. A estranheza que esse romance provoca em nós mostra que a maioria de nós não costuma ler a Bíblia, mas apenas conhece uma apresentação da literatura bíblica feita durante séculos pelas igrejas, por meio de sermões e do catecismo e de literatura de divulgação bíblica. O(a) leitor(a) atento(a) descobrirá logo que Saramago não comenta textos bíblicos. O romance todo só tem uma citação (da Carta aos hebreus, 11,4) no pórtico de entrada. Pelo resto, Saramago não comenta a Bíblia; ele se refere o tempo todo ao que se pode chamar de apresentação catequética da Bíblia, ou seja, à “história sagrada”. Seu romance é uma crítica ácida e corrosiva da ”história sagrada” tal qual é intensamente difundida e universalmente conhecida, pois ela retira o conteúdo vivo das narrativas bíblicas e joga a carcaça morta ao povo, ou seja, um amontoado de histórias incompreensíveis e estranhas…

Termina assim:
O romance de Saramago pode criar desconforto em leitores(as) acostumados(as) à apresentação de um deus senhor todo-poderoso. Pois a apresentação da história bíblica feita pelo autor é de caráter militante. Por trás do tom de leveza e humor que perpassa o texto existe a ânsia de alguém que percebe que a humanidade se deixa enganar. O alvo do romance é a fé do rebanho que se recusa a pensar com liberdade. Saramago gostaria que o ser humano fosse mais consciente de suas potencialidades e se libertasse do domínio de representações que secularmente explicam as Sagradas Escrituras como lhes convém. Ele desconstroi a maneira em que as narrativas bíblicas são apresentadas ao povo e, para tanto, transforma Caim em herói da liberdade humana. Vale a pena ler Caim. É um livro que, além de proporcionar o prazer causado pelo domínio perfeito da língua portuguesa, ajuda a pensar.

Leia Mais:
Saramago e seu novo romance Caim
Morreu o escritor José Saramago (1922-2010)

O Caderno de Saramago segundo o Times

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“O Caderno” de Saramago nas páginas do The Times


Com o título “A infinita Internet de José Saramago”, “O Caderno” foi recenseado no suplemento literário do jornal “The Times”. Aqui deixamos o texto publicado a 14 de Abril de 2010: A infinita Internet de José Saramago. O infindável blogue do Prémio Nobel está cheio de entusiasmo, indignação e energia.

Destaco aqui dois trechos, nos quais leio uma avaliação das posições políticas, literárias e religiosas de Saramago expressas no blog:

Saramago (…) em anos recentes foi por duas vezes candidato ao Parlamento Europeu. Aqui, no entanto, o seu julgamento é muitas vezes atraído pela retórica dos gemidos lunáticos. Uma coisa é escrever sobre Nicolas Sarkozy que “Nunca esperei muito deste senhor”; outra completamente diferente é acusar George W. Bush de ter “expulsado a verdade do mundo”. Saramago não pode acreditar que Silvio Berlusconi venha do mesmo país que Verdi. É fácil escarnecer de Saramago na sua ira, mas duas coisas devem ser ditas em sua defesa. Primeira, há algo estimulante na sua “recusa em aceitar” o mundo como se apresenta na desigualdade. Segunda, isto é um blogue, e não um manifesto, e como tal é pessoal, fragmentado e reactivo.

Muito mais gratificantes são as suas meditações sobre literatura, linguagem, teologia. “Deus”, escreve, num eco dos Cadernos de Lanzarote (ainda inéditos em inglês), “é o silêncio do universo e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio”. O acto de blogar inspirou certamente o lado aforístico de Saramago, e é particularmente memorável quando reflecte sobre os seus heróis literários. Aqui está uma sobre Fernando Pessoa: “Este Fernando Pessoa nunca chegou a ter verdadeiramente a certeza de quem era, mas por causa dessa dúvida é que nós vamos conseguindo saber um pouco mais quem somos.” Escreve um elegante tributo a Carlos Fuentes, que “tornou compatível a maior exigência crítica, o maior rigor ético, que são os seus, com uma gravata bem escolhida.” e introduz-nos ao brilhantismo de Javier Ortiz, que escreve o seu próprio obituário. O entusiasmo de Saramago é irresistível e os seus elogios agudos. Louva Kafka “por ter demonstrado que o homem é uma barata”, Montaigne “porque não precisou de Freud para saber quem era” e Gogol “porque contemplou a humanidade e descobriu-a triste”.

Fonte: Fundação José Saramago – 19/04/2010

Quer mais polêmica bíblica? R. Crumb e o Gênesis

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No começo do mês eu já lia na CartaCapital:

Na terça-feira 29 [de setembro de 2009], em entrevista por telefone à CartaCapital a partir da França, país onde vive há 16 anos por insistência da mulher, Aline Kominsky, e ainda trazendo na fala a forte musicalidade americana, Crumb disse esperar pelo pior. Dos judeus ortodoxos, ele aguarda a repulsa por ter reproduzido a imagem de Deus. Dos cristãos fundamentalistas, ele crê que possam vir as trevas, nascidas de sua obediência ao verbo às vezes modificado das escrituras. Problema deles, diz Crumb (A Bíblia desperta, em CartaCapital – 02/10/2009 – 11:48:27).

Robert Crumb e sua novela gráfica na biblioblogosfera e na blogosfera.

Saramago e seu novo romance Caim

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O novo romance de Saramago, Caim – temperado com a forte pimenta de suas provocadoras declarações à imprensa – já começou a causar polêmica.

Mexeu com a Bíblia…

Visite o blog do autor, O Caderno de Saramago, e veja o que está acontecendo.

Saramago e seu blog? Leia o post Saramago: o blog ilumina o caminho de seu autor.

Atualização: 18/06/2010
Morreu o escritor José Saramago (1922-2010)