O livro de Josué na pesquisa recente

Thomas B. Dozeman, professor de Bíblia Hebraica no United Theological Seminary, Dayton, Ohio, USA, publicou, em 2017, na revista Currents in Biblical Research, um artigo sobre o livro de Josué na pesquisa recente.

DOZEMAN, T. B. The Book of Joshua in Recent Research. Currents in Biblical Research, Vol. 15(3), p. 270­–288, 2017.

O artigo analisa estudos sobre Josué nos últimos dez anos.

Este texto é um resumo e uma tradução livre minha. Os autores citados no texto e suas obras podem ser consultados na bibliografia do artigo, que está disponível para download gratuito aqui.

 

Resumo

A pesquisa sobre o livro de Josué está se desenvolvendo significativamente em uma variedade de áreas diferentes.DOZEMAN, T. B. The Book of Joshua in Recent Research. Currents in Biblical Research, Vol. 15(3), p. 270­–288, 2017.

O artigo resume os estudos atuais em seis diferentes abordagens metodológicas:
1. Crítica textual
2. Composição e contexto literário
3. História, arqueologia e geografia
4. Violência, genocídio e conquista
5. Estudos literários e ideológicos
6. História da recepção

O artigo será concluído com um breve resumo de obras coletivas e comentários recentes sobre Josué.

O foco da interpretação serão os últimos dez anos, sendo assim um complemento para o artigo de GREENSPOON, L. J. The Book of Joshua – Part 1: Texts and Versions. Currents in Biblical Research, Vol. 3 (2), p. 229-261, 2005.

Abstract

Research on the book of Joshua is developing significantly in a variety of different areas. The review summarizes current scholarship in six distinct methodological approaches: (1) textual criticism; (2) composition and literary context; (3) history, archaeology and geography; (4) violence, genocide and conquest; (5) literary and ideological studies; and (6) reception history. The article will conclude with a brief summary of recent collected studies and commentaries on Joshua. The focus of interpretation will be the last ten years supplementing Greenspoon (2005).

 

1. Crítica textual

O estudo das versões antigas de Josué continua, especialmente os trabalhos que abordam o texto grego antigo [LXX], como De Troyer 2006; van der Meer 2006; Tov 2007; den Hertog 2009; Krause 2012c; Sipilå 2013; o texto dos Manuscritos do Mar Morto, como García Martinez 2008, 2011; Feldman 2013; mas também o latim antigo (Ulrich 2012), a Vulgata ((Sipilå 2011) e o Targum de Josué (Van Staaldune-Sulman 2010).

Há diferenças entre as versões: o texto grego (LXX) é cerca de 4 a 5 por cento mais curto do que o texto massorético (TM), mas também há passagens em que o texto grego é mais detalhado do que o texto massorético. Além do que há cerca de 600 diferenças entre eles, que T. C. Butler (Joshua. Waco, TX: Word Books,1983) classificou nas categorias de erros mecânicos de cópia; incompreensão de significado, forma ou sintaxe; melhorias literárias; uso de frases familiares; interpretação homilética e exegese; corte de linguagem inaceitável [trecho lido em L. J. Greenspon, 2005, p. 234].

A visão tradicional sobre estas diferenças textuais sustenta que o tradutor do hebraico para o grego trabalhou com uma versão antiga semelhante ao texto massorético, de maneira literal, sem se preocupar com a audiência grega. Isto, somado às omissões e aos erros de tradução, explicaria as diferenças entre o texto grego e o texto massorético.

O problema desta visão é que tanto o texto massorético quanto o texto grego são textos expandidos, com acréscimos, harmonização e desenvolvimentos feitos por escribas, mas independente um do outro. Donde se percebe que as diferenças entre o grego e o hebraico não são devidas apenas às características da versão antiga e do texto massorético do livro de Josué, mas também ao desenvolvimento textual de cada um deles.

Assim, hoje se pensa que:
1. O tradutor grego do livro de Josué não fez uma versão literal, mas foi criativo, oferecendo novas interpretações do texto hebraico, que usou como fonte, para sua audiência grega (van der Meer 2009, 2012)
2. O texto hebraico que o tradutor usou é diferente e mais antigo do que o TM (Auld 2012)
3. As diferenças entre a LXX, o TM e os Manuscritos do Mar Morto de Josué representam tradições textuais distintas e não relacionadas, ou seja, não provêm de um único texto original (Sanders 2005).

O resultado desta teoria é uma visão pluralista do desenvolvimento literário de Josué, com diferentes versões independentes surgidas em comunidades distintas.

 

2. Composição e contexto literário

A identificação do(s) autor(es) do livro de Josué desempenhou um papel significativo na interpretação do livro desde o século XIX. Os intérpretes há muito observam conflitos em temas e motivos, o que sugere uma obra composta por mais de um autor. O tema central da conquista, por exemplo, permanece sem solução no livro, com alguns textos indicando o extermínio completo de reis, cidades e pessoas (11,21-23), enquanto outros textos afirmam que nações originais permanecem na terra (Js 23).

O problema da composição é agravado pelo contexto literário de Josué, que é um livro que faz a ligação entre o Pentateuco e os Profetas Anteriores. Por isso, há quem o veja como parte de um Hexateuco (Gênesis – Josué) e há quem o veja como parte de uma Obra Histórica Deuteronomista (Josué – Reis). E há também, no debate atual, quem defenda uma autoria independente para o livro ou, por outro lado, uma inclusão em um possível Eneateuco (Gênesis- Reis).

Pesquisas recentes tendem a se afastar da identificação de fontes [J, E, P] no texto, e tentam explicar a composição de Josué como um processo de suplementação textual ou sucessivas redações.

Os contextos literários distintos do Hexateuco, da Obra Histórica Deuteronomista e, mais recentemente, do Eneateuco, influenciam as pesquisas atuais, embora a data de composição tenha tendido, em todos elas, a se mover para o período pós-exílico.

Blum (2006, 2012), Ausloos (2012), Achenbach (2014) e Rösel (2009) exploram o papel de uma redação do Hexateuco no estágio final da composição de Josué.

Becker (2006), Römer (2005, 2010), Bieberstein (2011), Koorevaar (2012) e Krause (2014) pesquisam a composição de Josué no contexto literário da Obra Histórica Deuteronomista, ao mesmo tempo em que defendem modificações para a proposta de Martin Noth de um só autor e falem de vários autores.

Albertz (2007) e Boorer (2011) examinam a função da literatura sacerdotal, não como uma fonte, mas como uma redação mais recente na formação de Josué.

Rösel (2008) avalia criticamente a hipótese da Obra Histórica Deuteronomista como o contexto literário para interpretar Josué, enquanto Dozeman (2012) argumenta que Josué foi composto inicialmente como um livro independente.

Knauf (2012) muda o foco para explorar a composição de Josué com base em seu público-alvo, observando três estágios de desenvolvimento: (1) o Josué pré-canônico vinculado ao Pentateuco e voltado para as elites intelectuais; (2) o Josué deuterocanônico separado do Pentateuco, mas ainda voltado apenas para as elites intelectuais; e (3) a versão canônica disponível para todos os judeus por meio de cópias destinadas ao culto na sinagoga.

Muitos estudos exploram a composição de passagens particulares como uma oportunidade para explicar a formação do livro de Josué (Bartfeld 2008a, 2008b; Krause 2012a). Assim, a repetição da notícia da morte de Josué em Js 24,29-34 e em Jz 2, 6-9, que já era um problema central para Martin Noth (1981) ao defender a hipótese da Obra Histórica Deuteronomista, continua a ser um tópico de pesquisa (Römer 2006; Frolov 2008).

Pesquisas recentes também exploram a relação de Josué com outros livros dos Profetas Anteriores como um recurso para avaliar a sua composição. Assim, Auld (2011) vê Samuel como uma fonte para a composição de Josué; Hamiel e Rösel (2012) focam mais especificamente nas narrativas de conquista em Josué 6-11 como sendo moldadas por tradições presentes em Juízes, Samuel e Reis; Edenburg compara Josué 9 com o Deuteronômio (2012a) e Josué 7–8 com a o Código Deuteronômico (2015); Nihan (2007) compara os relatos da leitura da Lei em Siquém em Josué 8 com relatos semelhantes no Deuteronômio, enquanto Seebass (2012) examina a relação de Josué e Números.

 

3. História, arqueologia e geografia

A reconstrução histórica do Israel tribal e o exame histórico-crítico das tradições de conquista desempenharam um papel significativo na interpretação de Josué ao longo do século XX (por exemplo, Albright 1961 e Alt 1953). Pesquisadores atuais continuam a refinar as reconstruções anteriores da geografia histórica.

Farber (2012), por exemplo, explora o papel etiológico de Timnat Heres na formação das tradições de Josué. Hess (2008a) examina os relatos de Jericó e Ai em relação ao início da história tribal, assim como Briggs (2005). Knauf (2010) avalia criticamente a recuperação da história por trás do livro de Josué.

A geografia do livro de Josué continua sendo um importante tópico de pesquisa.

Tappy (2008) examina as planícies mencionadas em Js 15,33-47. Saur (2012) explora o significado de Sídon e Tiro (Js 19,24-31). de Vos (2003) fornece um estudo abrangente das fronteiras geográficas de Judá em Js 15.

O estudo da geografia também foi ampliado da geografia histórica para a avaliação do papel dos territórios, cidades e fronteiras na historiografia antiga (Curtis 2007) e na descrição das terras conquistadas e não conquistadas (Levin 2012).

A ideologia da representação geográfica está se tornando uma área de estudo especialmente importante.

Younger (2008) explora a construção retórica das narrativas de conquista. Wazana (2013) examina o papel da geografia nas descrições de limites do antigo Oriente Médio como uma ampla estrutura para interpretar Josué, e Damien (2012) investiga o conflito entre a geografia histórica e as narrativas de conquista. Ballhorn (2011, 2012) avalia a topografia do livro de Josué e a travessia do Jordão como exemplos de heterotopia – a teoria da geografia humana desenvolvida por Michel Foucault segundo a qual os espaços podem ter camadas múltiplas e simultâneas de significado que vão desde o lugar físico até as construções mentais. Havrelock (2007a, 2007b, 2011) estende essa mesma linha de pesquisa para os mapas panorâmicos da terra prometida (por exemplo, Js 1,3-4) e para a função do rio Jordão como um lugar de divisão.

 

4. Violência, genocídio e conquista

A guerra e a legitimação divina para o extermínio de todos os cananeus sempre foram um desafio na interpretação de Josué. A pesquisa atual pode ser resumida em três tópicos sobrepostos: a. o problema teológico da violência associada ao monoteísmo; b. o problema ético do genocídio; c. o desafio da guerra santa e suas implicações contemporâneas.

a. O problema da violência no livro de Josué é teológico (Douglas 2005), pois é o Deus de Josué que exige genocídio (Collins 2014). Albertz (2009) explora como a concepção religiosa do monoteísmo pode reforçar a intolerância religiosa em Josué; Jacobs (2009) amplia a análise para debater o problema do monoteísmo nas três principais tradições religiosas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Hawk defende uma leitura que postula a presença de vários autores debatendo a violência divina no livro de Josué (2008a), no qual a representação da divindade pode ter sido modificada em redações posteriores do livro (2008b). Wolterstorff (2011) sugere que o relato é hagiográfico, enquanto Brueggemann (2009) contextualiza a violência como a luta divina contra monarcas opressores para apoiar o projeto de uma sociedade igualitária.

b. O papel central do anátema em Josué levanta a questão ética do genocídio. Cowles, Merrill, Gard e Longman (2010) apresentam quatro visões concorrentes sobre a violência como genocídio, todas elas em perspectiva cristã. As reflexões variam amplamente de genocídio em Josué originado de um mal-entendido entre Josué e Deus (Cowles), à necessidade de genocídio por causa da relação exclusiva entre Deus e Israel (Merrill), chegando até à reinterpretação do genocídio como guerra espiritual para os cristãos (Gard e Longman). Davies analisa uma série de abordagens literárias e éticas anteriores para interpretar o problema da violência e do genocídio (2010). Earl (2011) amplia a leitura cristã do problema do genocídio, com foco em Orígenes, enquanto Scheinhorst-Schönberger (2012) oferece uma reflexão aprofundada sobre a natureza do poder associado a histórias como Josué 6.

c. A violência em Josué também alimentou uma ampla gama de pesquisas sobre a guerra e a guerra santa no mundo antigo e sua influência nos leitores contemporâneos. Hess (2008b) e Schmitt (2011) analisam o significado e a função da guerra santa no mundo antigo. Kim (2004) e Kuan (2009) focam mais especificamente na retórica da violência em textos sobre a guerra santa. Levin (2011) examina a retórica da guerra dentro da tradição judaica. Jenkins (2011) avalia a ética da guerra santa e da violência nas origens da tradição cristã, e argumenta que deve ser rejeitada na vida contemporânea. Handy (2009) e Warrior (2006) exploram os efeitos da violência da guerra santa na tradição ocidental contemporânea.

 

5. Estudos literários e ideológicos

O estudo literário de Josué floresceu na última década, com autores fornecendo leituras perspicazes de muitas narrativas do livro. Os estudos vão desde a análise de técnica literária e crítica narrativa até estudos mais orientados ideologicamente, incluindo formas de análise feministas, queer e pós-coloniais.

Thomas B. DozemanEstudos literários detalhados de Josué incluem Assis (2012), que fornece uma análise do complexo relato da travessia do Jordão (Josué 3-4); Marcus (2007) retorna à narrativa de Raab e os espiões enfocando a função da história dentro do plano maior do livro; Strba (2008) fornece um estudo exaustivo do confronto entre Josué e o comandante do exército de Iahweh (Js 5,13-15); Ska (2010) interpreta a cerimônia em Siquém (Js 8,30-35) como indicando a posse da terra por Israel; Popović (2009) explora a função de Josué 24 dentro do livro, e Wénin (2012) fornece uma análise literária de toda a primeira metade do livro (Js 1-12). Outros estudos exploram a relação literária de Josué com Abraão (Gosse 2012), com Ester (Leder 2012) e com Reis (Van Wieringen 2012).

Os personagens centrais, Josué e Raab, continuam atraindo a atenção dos intérpretes.

Hall (2010) fornece uma ampla interpretação do personagem Josué, enfocando seu papel em Josué 1-11. Outras interpretações mais focadas de Josué incluem Chapman (2009), que destaca o papel profético de Josué, assim como Oeste (2013). Dozeman (2010) avalia criticamente a interpretação de Josué como representante do rei ideal modelado a partir do papel de Josias na Obra Histórica Deuteronomista, argumentando que Josué representa um líder antimonárquico.

Leith (2007) fornece um resumo do papel de Raab em Josué 2; Sherwood (2006) reexamina o papel de Raab como prostituta, enquanto Scholz (2013) explora a complexa história da interpretação de Raab como uma convertida, uma prostituta e uma traidora – todos papéis do anti-herói. Benjamin (2013) e Davidson (2013) comparam e contrastam Raab e Jael como personagens que funcionam dentro do contexto do império.

Interpretações ideológicas adicionais de Josué exploram a ambivalência da narrativa em Josué (Brueggeman 2013), a apresentação do ‘outro’ (Hawk 2013), bem como leituras críticas feministas (Kirk-Duggan 2013; Creanga 2007), queer (Carden 2006) e pós-coloniais (Butler 2013).

 

6. História da recepção

A recepção do livro de Josué é hoje uma área de destaque na pesquisa.

A metodologia da história da recepção traça a influência do livro de Josué na formação da religião, política e cultura ocidentais. Hans Georg Gadamer (1975: 263) fornece o objetivo da história da recepção, quando afirma que o objetivo da interpretação não é reproduzir o significado objetivo de um texto, mas esclarecer as condições em que a compreensão ocorre. Essa definição amplia as lentes de interpretação do estudo de Josué como um objeto isolado no passado para a interação entre Josué e o leitor ao longo do tempo. Gadamer caracteriza a relação dinâmica entre o texto e o leitor como Wirkungsgeschichte, “a história dos efeitos” de um texto oficial sobre os leitores. A interpretação da “história dos efeitos” requer o estudo do texto bíblico, mas também a localização social e os preconceitos dos leitores subsequentes, uma vez que ambos são necessários para descrever “as condições em que o entendimento ocorre” (p. 263).

A relação inerente entre o livro de Josué e as circunstâncias sociais dos leitores garante que a interpretação sempre mudará com o tempo, uma vez que o horizonte ou ponto de encontro entre o texto e diferentes leitores nunca é o mesmo. Interpretações recentes exploram o impacto do livro ao longo da história ocidental, desde o período antigo, passando pelo medieval, até chegar no cenário contemporâneo.

Begg fornece uma interpretação abrangente da recepção de Josué no período antigo, focando particularmente na interpretação de Raab (2005a), a queda de Jericó (2005b) e as campanhas de Josué (2007) em Josefo, bem como a reescrita de Josué no Pseudo-Fílon (2012). Corley dedica dois estudos à interpretação de Josué no Eclesiástico, o primeiro explorando a função de Josué como guerreiro (2010) e o segundo comparando a interpretação de Josué e Samuel (2011). Earl (2010) fornece um extenso exame da interpretação de Josué feita por Orígenes. Nissan (2011) interpreta Josué no Pseudo Ben-Sira. Schnocks (2012) visa a função de Josué no livro dos Macabeus e Avemarie (2007) fornece um estudo mais amplo de Josué em todo o judaísmo antigo. Koch (2012) e de Vos (2012) focalizam a interpretação de Josué em o Novo Testamento. Noort (2006) também traça a história da recepção de Josué por meio de Josefo e do Pseudo-Fílon, mas depois amplia para incluir as Crônicas Samaritanas, onde o oponente de Josué o descreve como um “lobo voraz”.

A influência de Josué na tradição ocidental posterior também é objeto de estudo. Elssner (2008) resume a influência da guerra em Josué em autores do período antigo (por exemplo, Eclesiástico e Macabeus), mas também estende o estudo para incluir os primeiros cristãos (por exemplo, Clemente, Justino Mártir, Orígenes, Agostinho), os medievais (por exemplo, Tomás de Aquino) e autores renascentistas (por exemplo, Hugo Grotius). Houtman (2009) traça o uso de Josué em pensadores livres ateus, como Jean Meslier (1664-1729), que cita a violência no livro para repudiar o cristianismo. Noort (2007a, 2007b) concentra-se na história de Josué parando o sol (Josué 10) para descrever o conflito entre as cosmovisões heliocêntricas e geocêntricas que entram em foco com a publicação do De Revolutionibus de Copérnico (1508) e a reescrita de Josué no oratório de Händel sobre Josué (1747).

O impacto de Josué na guerra e nas reivindicações de terras é forte em escritores contemporâneos. O padre palestino Ateek (2006) critica o uso de Josué nas reivindicações israelenses de terra. Rohde (2012) avalia a teologia do pastor palestino Mitri Raheb no que diz respeito às reivindicações contemporâneas da “terra sagrada”. Havrelock (2007b) avalia o papel do rio Jordão como uma fronteira nas mitologias de pátria israelense e palestina contemporâneas. Wacker (2012) avalia o papel de Josué na liderança de Davi Ben-Gurion, enquanto Warrior (2006) avalia criticamente a aplicação do mito da conquista em Josué à experiência americana de posse da terra do ponto de vista de um nativo americano.

 

Obras coletivas e comentários recentes

Este resumo da pesquisa sobre Josué está limitado à última década (2006– 2016). Noort fornece um resumo exaustivo da pesquisa sobre Josué em Das Buch Josua: Forschungsgeschichte und Problemfelder (1998). Este estudo é complementado com uma revisão da pesquisa até o presente no artigo, “Josua im Wandel der Zeiten: Zu Stand und Perspektiven der Forschung am Buch Josua” (2012). O artigo fornece a introdução para uma obra coletiva sobre Josué no volume The Book of Joshua (2012).

A última década também incluiu um número significativo de comentários sobre Josué que variam tanto na metodologia quanto no público-alvo. Os comentários são listados em ordem cronológica de publicação.

Abadie (2005) fornece um estudo histórico-crítico de Josué, avaliando a historicidade e os desafios teológicos do livro, especialmente no que diz respeito à violência.

Knauf (2008) escreveu uma análise completa da história da composição do livro, do período monárquico tardio ao helenístico, juntamente com uma interpretação das mudanças no cenário social e do público-alvo de cada revisão.

Robert L. Hubbard Jr. (2009) escreve para um público evangélico em geral, com o objetivo de traduzir a mensagem chocante de violência no livro de uma forma que possa falar sobre a vida de fé hoje.

Pitkänen (2010) investiga os antecedentes históricos de Josué com foco nas evidências arqueológicas que auxiliam na interpretação da conquista israelita.

Hawk (2010) lê Josué como um espelho da experiência humana em geral, um mito das origens, e como uma história que influencia o mito norte-americano do destino manifesto.

Earl (2010) faz um comentário genérico sobre Josué, com o objetivo mais de recuperar a leitura de Orígenes do que fornecer uma nova leitura.

McConville e Williams (2010) fornecem uma interpretação cristã de Josué, colocando sua história violenta no contexto mais amplo do cânone cristão e da teologia cristã.

Rösel (2011) resume uma vida inteira de pesquisas sobre Josué em um comentário histórico-crítico.

Matties (2012) aborda a mensagem violenta de Josué propondo uma conversa teológica.

Butler (2014) apresenta uma revisão exaustiva da pesquisa sobre Josué nesta reedição em dois volumes de seus primeiros trabalhos (1983). Embora o público-alvo sejam leitores evangélicos, o exame cuidadoso do texto irá beneficiar a todos.

Dozeman (2015) explora a relação entre a crítica textual e literária na evolução do livro de Josué, prestando especial atenção à mudança de apresentação da violência na história textual do livro.

Laughlin (2015) revê a história da interpretação e da arqueologia para condenar a ideologia violenta do livro de Josué.

João Batista: tema de mais uma conferência Nangeroni

Aconteceu de 11 a 14 de janeiro de 2021 uma conferência Nangeroni online sobre João Batista, organizada pelo Seminário Henóquico em colaboração com o Journal for São João Batista - Candido Portinari: 1957the Study of the Historical Jesus. Todos os maiores especialistas internacionais em João Batista participaram.

Um bom relato pode ser lido em Religion Prof: The Blog of James F. McGrath.

Ele começa dizendo:

Gabriele Boccaccini começou com uma visão geral da história da recepção de João Batista, incluindo literatura e cinema, bem como a pesquisa acadêmica. No processo, ele destacou a incrível riqueza de informações sobre este assunto disponíveis na enciclopédia online 4Enoch…

O que é o Enoch Seminar?

O Enoch Seminar, fundado em 2001, é um grupo acadêmico de especialistas internacionais dedicados ao estudo do Judaísmo do Segundo Templo e às origens cristãs, que compartilham os resultados de suas pesquisas no campo e se reúnem para discutir temas de interesse comum. O site Enoch Seminar Online é um arquivo de todos os estudos apresentados nas reuniões do Enoch Seminar, e uma revista online de notícias, comentários e outras contribuições originais.

Uma gramática de copta

ALLEN, J. P. Coptic: A Grammar of Its Six Major Dialects. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2020, 144 p. – ISBN 9781646020645

O copta é o estágio final da antiga língua egípcia, escrito em um alfabeto derivado principalmente do grego, em vez de hieróglifos. Ele incorpora um pouco do vocabulário ALLEN, J. P. Coptic: A Grammar of Its Six Major Dialects. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2020do grego antigo e era usado principalmente para escrever escrituras e tratados cristãos. Não existe uma linguagem copta uniforme, mas sim seis dialetos principais.

Ao contrário das gramáticas anteriores, que se concentram em apenas dois dos dialetos coptas, este volume, escrito pelo egiptólogo James P. Allen, descreve a gramática da língua de cada um dos seis dialetos principais. Também inclui exercícios com gabarito, crestomatia e um dicionário, podendo ser utilizada sem o acompanhamento de um professor.

James P. Allen, especialista em língua e religião egípcias, é Professor de Egiptologia na Universidade Brown, Providence, Rhode Island, USA.

Coptic is the final stage of the ancient Egyptian language, written in an alphabet derived primarily from Greek instead of hieroglyphs. It borrows some vocabulary from ancient Greek, and it was used primarily for writing Christian scriptures and treatises. There is no uniform Coptic language, but rather six major dialects.

Unlike previous grammars that focus on just two of the Coptic dialects, this volume, written by senior Egyptologist James P. Allen, describes the grammar of the language in each of the six major dialects. It also includes exercises with an answer key, a chrestomathy, and an accompanying dictionary, making it suitable for teaching or self-guided learning as well as general reference.

 

James P. Allen is Charles Edwin Wilbour Professor of Egyptology at Brown University. His research focuses on ancient Egyptian religion and on the grammar and literature of the ancient Egyptian language.

Literatura Deuteronomista 2021

Lecionar Literatura Deuteronomista é um desafio e tanto. Enquanto as questões da formação do Pentateuco são discutidas há séculos, a noção da existência de uma Obra Histórica Deuteronomista (= OHDtr) só foi formulada muito recentemente, como se pode ver aqui.

Além disso, há dois problemas com a disciplina: carga horária exígua para estudar textos de livros tão complexos como, por exemplo, Josué ou Juízes – a disciplina tem apenas 2 horas semanais durante o primeiro semestre do segundo ano de Teologia – e uma bibliografia ainda insuficiente em português. Há excelente debate acadêmico hoje, contudo está em inglês e alemão, principalmente.

Para completar, prefiro estudar o livro do Deuteronômio aqui e não no Pentateuco, também por duas razões: a disciplina Pentateuco já é por demais sobrecarregada e o Deuteronômio é a chave que abre o significado da OHDtr. Por isso, ele faz muito sentido aqui.

Por outro lado, há uma integração muito grande da Literatura Deuteronomista com três outras disciplinas bíblicas: com a História de Israel, naturalmente; com a Literatura Profética, irmã gêmea; com o Pentateuco, através do elo deuteronômico.

I. Ementa
A Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr) tentará responder aos desafios do presente repensando o passado no final da monarquia e na situação de exílio e pós-exílio. Faz isso percorrendo toda a história da ocupação da terra, desde as vésperas da entrada em Canaã até a derrocada final da monarquia em Israel e Judá.

II. Objetivos
Pesquisar a arquitetura, as ideias basilares e a teologia da Literatura Deuteronomista como uma obra globalizante, e de cada um de seus livros, a fim de dar fundamentos para sua interpretação e atualização.

III. Conteúdo Programático
1. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista
2. O Deuteronômio
3. O livro de Josué
4. O livro dos Juízes
5. Os livros de Samuel
6. Os livros dos Reis

IV. Bibliografia
Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

RÖMER, T. A chamada história deuteronomista: Introdução sociológica, histórica e literária. Petrópolis: Vozes, 2008.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014.

Complementar
DA SILVA, A. J. O Código Deuteronômico: levantamento de dados. Post publicado no Observatório Bíblico em 25.06.2020.

DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 28.01.2020.

GONZAGA DO PRADO, J. L. A invasão/ocupação da terra em Josué: duas leituras diferentes. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 28-36, 2005.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

STORNIOLO, I. Como ler o livro do Deuteronômio: escolher a vida ou a morte. 5. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

Literatura Profética II 2021

A Literatura Profética II é continuação da Literatura Profética I. A carga horária semanal é de 2 horas, no segundo semestre do segundo ano de Teologia.

Ementa
A disciplina aborda os profetas mais significativos de Israel desde o final do reino de Judá até a reconstrução pós-exílica na época persa. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. Jeremias
2. Ezequiel
3. Dêutero-Isaías (Is 40-55)
4. Ageu
5. Zacarias 1-8
6. Trito-Isaías (Is 56-66)

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. O profeta Jeremias: um homem apaixonado. São Paulo: Paulus/CEBI, 2016.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, vol. I: 2004 [3. reimpressão: 2018]; vol. II: 2002 [4. reimpressão: 2015].

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016.

Complementar
DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 31.07.2019.

DA SILVA, A. J. Superando obstáculos nas leituras de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 107, p. 50-62, 2010. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 03.12.2020.

NAKANOSE, S. et alii Como ler o Terceiro Isaías (56-66): novo céu e nova terra. São Paulo: Paulus, 2004 [4. reimpressão: 2019].

WIÉNER, C. O profeta do novo êxodo: o Dêutero-Isaías. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

WILSON, R. R. Profecia e sociedade no antigo Israel. 2. ed. revista. São Paulo: Targumim/Paulus, 2006.

Literatura Profética I 2021

Abordarei agora a Literatura Profética I, que é estudada no primeiro semestre do segundo ano de Teologia, com carga horária semanal de 2 horas. A Literatura Profética I trabalha, além de questões globais do profetismo, uma seleção de textos dos profetas do século VIII a.C. O texto que orienta a maior parte do estudo é o meu livro A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. Os profetas dos séculos seguintes são estudados na Literatura Profética II, que vem logo no semestre seguinte.

I. Ementa
A disciplina apresenta, como ponto de partida, uma discussão sobre as origens, o teor e os limites do discurso profético israelita. Busca compreender a necessidade da profecia como resultado da ruptura provocada pelo surgimento do Estado monárquico que pressiona as tradicionais estruturas tribais de solidariedade. Aborda, em seguida, os profetas do século VIII a.C.: Amós, Oseias, Isaías 1-39 e Miqueias. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos. Procura-se identificar em cada um deles a sua função de crítica e de oposição ao absolutismo do Estado classista, em nome da fé em Iahweh, que exige um posicionamento solidário em favor dos mais fracos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas do século VIII a.C. com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. A origem do movimento profético em Israel
2. O teor do discurso profético
3. Os profetas do século VIII a.C.
3.1. Amós
3.2. Oseias
3.3. Isaías 1-39
3.4. Miqueias

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. São Paulo: Paulus, 1998. Atualizado em 2011 e disponível para download na Ayrton’s Biblical Page.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, vol. I: 2004 [3. reimpressão: 2018]; vol. II: 2002 [4. reimpressão: 2015].

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016.

Complementar
DA SILVA, A. J. Notas sobre a pesquisa do livro de Oseias no século XX. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 03.12.2020.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Amós. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 31.07.2019.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías. Disponível a Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 24.12.2019.

SCHWANTES, M. A terra não pode suportar suas palavras“ (Am 7,10): reflexão e estudo sobre Amós. São Paulo: Paulinas, 2012.

SICRE, J. L. Com os pobres da terra: a justiça social nos profetas de Israel. São Paulo: Academia Cristã/Paulus, 2015.

Pentateuco 2021

A disciplina Pentateuco é estudada no segundo semestre do primeiro ano, com carga horária de 4 horas semanais. Há uma profunda crise nesta área de estudos, muito semelhante à crise da História de Israel. A teoria clássica das fontes JEDP do Pentateuco, elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, Wellhausen, vem sofrendo, desde meados da década de 70 do século XX, sérios abalos, de forma que hoje muitos pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. O consenso wellhauseniano foi rompido, contudo, ainda não se conseguiu um novo consenso e muitas são as propostas hoje existentes para explicar a origem e a formação do Pentateuco.

I. Ementa
Oferece ao aluno um panorama da pesquisa exegética na área da formação e composição dos cinco primeiros livros da Bíblia e estuda os seus principais textos.

II. Objetivos
Familiariza o aluno com as tradições históricas de Israel e com as mais recentes pesquisas na área do Pentateuco para que o uso do texto na prática pastoral possa ser feito de forma consciente.

III. Conteúdo Programático
1. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco

2. O Decálogo: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21

3. A criação: Gn 1,1-2,4a e Gn 2,4b-25

4. O pecado em quatro quadros: Gn 3,1-24

5. O dilúvio: Gn 6,5-9,19

6. A cidade e a torre de Babel: Gn 11,1-9

7. As tradições patriarcais: Gn 11,27-37,1

8. O êxodo do Egito: Ex 1-15

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014.

VOGELS, W. Abraão e sua lenda: Gn 12,1-25,11. São Paulo: Loyola, 2000.

Complementar
DA SILVA, A. J. Histórias de criação e dilúvio na antiga Mesopotâmia. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 10.01.2018.

DA SILVA, A. J. Leis de vida e leis de morte: os dez mandamentos e seu contexto social. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 9, p. 38-51, 1986. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 27.08.2020.

DA SILVA, A. J. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 03.12.2020.

GRUEN, W. et al. Os dez mandamentos: várias leituras. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 9, 1987.

SKA, J.-L. O canteiro do Pentateuco: problemas de composição e de interpretação/aspectos literários e teológicos. São Paulo: Paulinas, 2016.

História de Israel II 2021

Este curso de História de Israel II compreende 2 horas semanais, com duração de um semestre, o segundo dos oito semestres do curso de Teologia. Os alunos recebem os roteiros de todas as minhas disciplinas do ano em curso nos formatos pdf e html. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel do exílio babilônico ao domínio romano.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica veterotestamentária produzida no período.

III. Conteúdo Programático
1. O exílio babilônico

2. O judaísmo pós-exílico

2.1. O domínio persa

2.2. O domínio grego

2.3. O domínio romano

IV. Bibliografia

Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: a nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

MAZZINGHI, L. História de Israel das origens ao período romano. Petrópolis: Vozes, 2017.

Complementar
DA SILVA, A. J. História de Israel. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 05.10.2020.

GERSTENBERGER, E. S. Israel no tempo dos persas: séculos V e IV antes de Cristo. São Paulo: Loyola, 2014.

HORSLEY, R. A. Arqueologia, história e sociedade na Galileia: o contexto social de Jesus e dos Rabis. São Paulo: Paulus, 2000 [2a. reimpressão: 2017].

KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, 1997. Resumo publicado em Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 120, p. 413-434, 2013 e disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 03.12.2020.

STEGEMANN, W. Jesus e seu tempo. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2013.

História de Israel I 2021

Este curso de História de Israel I compreende 2 horas semanais, com duração de um semestre, o primeiro dos oito semestres do curso de Teologia. Os alunos recebem os roteiros de todas as minhas disciplinas do ano em curso nos formatos pdf e html. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel desde suas origens até o exílio babilônico.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica veterotestamentária produzida no período.

III. Conteúdo Programático
1. Noções de geografia do Antigo Oriente Médio

2. As origens de Israel

3. A monarquia tributária israelita

3.1. Os governos de Saul, Davi e Salomão

3.2. O reino de Israel

3.3. O reino de Judá

IV. Bibliografia
Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: a nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

MAZZINGHI, L. História de Israel das origens ao período romano. Petrópolis: Vozes, 2017.

Complementar
DA SILVA, A. J. História de Israel. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 05.10.2020.

DONNER, H. História de Israel e dos povos vizinhos. 2v. 7. ed. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2017.

FINKELSTEIN, I. O reino esquecido: arqueologia e história de Israel Norte. São Paulo: Paulus, 2015.

GOTTWALD, N. K. As tribos de Iahweh: uma sociologia da religião de Israel liberto, 1250-1050 a.C. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004.

KAEFER, J. A. A Bíblia, a arqueologia e a história de Israel e Judá. São Paulo: Paulus, 2015 [1. reimpressão: 2018].

Hebraico Bíblico 2021

O curso de Hebraico Bíblico compreende apenas 30 horas no primeiro semestre do primeiro ano de Teologia. É um tempo insuficiente mesmo para a aprendizagem elementar do hebraico bíblico. Por isso o curso se propõe apenas familiarizar o estudante de Teologia com o universo da língua hebraica e o modo semítico de pensar. No transcorrer das aulas os três itens principais – ouvir, ler e escrever – são trabalhados simultaneamente e não sequencialmente. Este curso está disponível para download ou acesso online na Ayrton’s Biblical Page > Noções de Hebraico Bíblico.

I. Ementa
Introdução elementar à língua hebraica bíblica, que parte de um texto específico, Gn 1,1-8, e trabalha com os elementos de ortoépia (pronúncia normal e correta dos sons), ortografia (escrita correta das palavras) e etimologia (formação das palavras e suas flexões) encontrados neste pequeno trecho. O método escolhido foi o de ouvir, ler e escrever a língua hebraica.

II. Objetivos
Trabalha conceitos semíticos importantes para a compreensão do texto bíblico veterotestamentário.

III. Conteúdo Programático
1. Ouvir
Ouvir repetidamente o hebraico, para se acostumar com os sons estranhos. Não há aqui a preocupação em entender. O objetivo é fixar a atenção nos sons e acompanhar o texto de cada versículo, palavra por palavra. Até começar a distinguir onde está o leitor, no caso, o cantor.

2. Ler
Nesta seção o objetivo é tentar ler o hebraico. Estão disponíveis, para cada versículo de Gn 1,1-8, a pronúncia, a transliteração e a análise do texto. A pronúncia está bem simplificada, somente chamando a atenção para as tônicas, sem dizer se a vogal é breve ou longa e se o seu som é aberto ou fechado. Já a transliteração, representação dos caracteres hebraicos em caracteres latinos, é mais complexa e tem que ser detalhada.

3. Escrever
Nesta seção é possível aprender algumas regras básicas da gramática hebraica. Regras que permitirão uma escrita mínima de palavras e expressões. Mas a gramática é muito mais do que isto. Há sugestões de gramáticas e dicionários na bibliografia. E há revisões. Uma para cada versículo. As revisões ajudarão o estudante de hebraico verificar o seu nível de absorção do ouvir, do ler e do escrever. Poderão servir igualmente para as avaliações da disciplina.

IV. Bibliografia
Básica
FARFÁN NAVARRO, E. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Loyola, 2010.

LAMBDIN, T. O. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Paulus, 2003 [5. reimpressão: 2020].

MENDES, P. Noções de hebraico bíblico: texto programado. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 2011.

Complementar
DA SILVA, A. J. Noções de hebraico bíblico. Brodowski, 2001. Disponível para leitura online e download na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização:18.10.2020.

DA SILVA, A. J. Recursos para aprender hebraico – Na Play Store (Android) e no YouTube. Observatório Bíblico – 29 de julho de 2018.

ELLIGER, K.; RUDOLPH, W. Biblia Hebraica Stuttgartensia. 5. ed. [1997]. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2011. A BHS está disponível também online ou para download gratuito.

KIRST, N. et alii Dicionário hebraico-português e aramaico-português. 33. ed. São Leopoldo/Petrópolis: Sinodal/Vozes, 2018.

ORTIZ, P. Dicionário do hebraico e aramaico bíblicos. São Paulo: Loyola, 2010.