Arqueologia, pesquisa bíblica e antigo Israel

Atualizado em

Um artigo

Archaeology, Biblical Research and Ancient Israel – By Margreet Steiner: The Bible and Interpretation – December 2019

Introdução

Quase toda semana as manchetes falam de novas descobertas que supostamente confirmam as histórias contadas na Bíblia: o palácio do rei Davi foi encontrado, uma inscrição mencionando o gigante Golias, um selo que pertenceu à rainha Jezabel, um texto em que o profeta Balaão adverte e amaldiçoa. Mas quão confiáveis ​​são esses relatos? É possível conectar com segurança achados arqueológicos e textos bíblicos? As histórias sensacionalistas chegam à Internet e aos jornais, mas, por outro lado, os comentários críticos enviados por outras pessoas recebem muito menos atenção.

Parecia que era hora de escrever um livro para o público em geral preencher essa lacuna. Um livro que não apenas explora como os textos bíblicos retratam as pessoas que habitam a Terra Prometida e as cidades e templos que construíram, mas também mostra o que a pesquisa arqueológica revela sobre a terra, seu povo e os modos como eles viveram suas vidas. Um livro que leva o leitor até onde a arqueologia e os textos bíblicos se encontram, e que explica como interpretar as correspondências e as diferenças.

Esforcei-me por escrever esse livro com base em muitos anos de experiência dando palestras para pessoas interessadas no que costumava ser chamado de Margreet L. Steiner“arqueologia bíblica”. Este livro não pretende confirmar a Bíblia nem o contrário. O objetivo é explorar textos antigos, bem como os resultados de dezenas de anos de pesquisa arqueológica. As informações são coletadas de inscrições reais e cerâmicas, de histórias bíblicas heroicas e santuários escavados, de nomes mencionados em textos e ossos encontrados. Juntas, essas fontes nos permitem uma compreensão mais profunda das pessoas que habitam a terra antiga.

Agradeço a oportunidade oferecida pelos editores deste site para explicar como me posicionei sobre esse projeto. O artigo é uma versão ligeiramente adaptada e abreviada do capítulo 2 do livro Inhabiting the Promised Land: Em busca de Abraão e seus descendentes.

(…)

Epílogo

Tantas histórias bíblicas, tantas escavações e achados, tantas inscrições, tantas opiniões e interpretações diferentes. O leitor deste livro agora seria capaz de “ler” as histórias bíblicas à luz dos resultados das escavações? Ou relacionar os achados arqueológicos com as informações extraídas da Bíblia? Provavelmente não. Mas talvez isso tenha sido esclarecido: versículos bíblicos e achados arqueológicos não podem simplesmente ser sobrepostos. Os resultados das escavações não podem e não confirmam as histórias da Bíblia, até mesmo porque os objetivos da pesquisa em arqueologia são completamente diferentes do significado da Bíblia.

A pesquisa arqueológica busca encontrar traços das pessoas que habitaram a terra e daí deduzir os sistemas sociais, econômicos, religiosos e políticos em que viviam. E sim, às vezes é possível vislumbrar seu desenvolvimento histórico. O significado da Bíblia não é descrever a vida dos povos e a história de seus reinos, mas mostrar como Deus interveio nessas vidas e histórias. As histórias bíblicas foram escritas para comunicar essa ideia central, não para serem “verdadeiras”. Isso não significa que nenhum componente historicamente confiável esteja presente nos relatos. Significa que a arqueologia e a Bíblia abordam o antigo Israel e seu povo de ângulos completamente diferentes. Às vezes, convergem, mas muitas vezes não.

Na melhor das hipóteses, os resultados de uma escavação podem fornecer uma imagem da situação material, das condições de vida na região em que as histórias bíblicas são apresentadas. E, às vezes, as histórias bíblicas podem dar uma ideia dos pensamentos e sentimentos das pessoas que viveram na Idade do Ferro, mesmo que essas histórias tenham sido escritas muito depois do fato.

Espero que, depois de ler este livro, o leitor fique desconfiado ao ouvir, mais uma vez, que a arqueologia confirma a Bíblia, que finalmente uma inscrição escavada realmente prova que Davi matou Golias ou que os arqueólogos encontraram o palácio da rainha Jezabel. Espero que ele ou ela pense comigo: Não, não é isso que a arqueologia faz ou pode fazer. A relação entre arqueologia e a Bíblia é muito mais complicada do que estas manchetes sensacionalistas transmitem.

 

Almost weekly, headlines shout out new findings that supposedly confirm the stories told in the Bible. The palace of King David has been found, an inscription mentioning the giant Goliath, a seal that once belonged to Queen Jezebel, a text in which the prophet Balaam cautions and curses. But how reliable are these accounts? Is it even possible to connect archaeological finds and biblical texts that unambiguous? The exultant stories reach the Internet and the newspapers; the critical comments forwarded by others get much less attention.

It seemed high time to write a book for the general public to fill in this lacuna. A book that not only explores how the biblical texts depict the people inhabiting the Promised Land and the towns and temples they built but that also shows what archaeological research reveals of the land, its people, and the ways they lived their lives. A book that takes the reader to where archaeology and biblical texts meet, and that explains how to interpret the correspondences and differences.

I have endeavored to write that book, based on many years of experience giving lectures for people interested in what used to be called “biblical archaeology.” This book does not set out to confirm the Bible nor the opposite. It aims to explore ancient texts as well as the results of dozens of years of archaeological research. Information is gleaned from royal inscriptions and mundane cooking pots, from heroic biblical stories and excavated shrines, from names mentioned in texts and pig bones in the ground. Together, these sources allow us a deeper understanding of the people inhabiting the ancient land.

I appreciate the opportunity offered by the editors of this website to explain how I set about this project. The following is a slightly adapted and shortened version of chapter 2 of the book: In search of Abraham and his descendants.

(…)

Epilogue

So many Bible stories, so many excavations and finds, so many inscriptions, and so many different opinions and interpretations. Would the reader of this book now be capable to “read” the biblical stories in the light of the results of excavations? Or relate the archaeological finds to the information extracted from the Bible? Probably not. But maybe this has been made clear: biblical verses and archaeological finds cannot simply be superimposed. Results from excavations cannot and do not confirm stories from the Bible, if only because archaeology’s research aims are completely different from the Bible’s meaning.

Archaeological research sets out to find traces of the people inhabiting the land and from that deduce the social, economic, religious and political systems in which they lived. And yes, sometimes it is possible to glimpse their historical development. The Bible’s meaning is not to describe the lives of the peoples and the history of their kingdoms but to show how God intervened in those lives and histories. The stories were once written down to communicate this central idea, not to be “true.” That does not mean that no historically reliable components are present in the stories; it means that archaeology and the Bible approach the ancient land and its people from completely different angles. Sometimes they converge, but often they do not.

In the best of times, excavation results can provide a picture of the tangible situation “on the ground,” of the living conditions in the region in which the biblical stories are set. And – sometimes – the biblical stories can give insight into the thoughts and feelings of the people living in the Iron Age, even if these stories were written down long after the fact.

I hope that after reading this book, the reader will take a step back when hearing once again that archaeology confirms the Bible, that this time an excavated inscription really proves that David slew Goliath, or that archaeologists have found the palace of Queen Jezebel. I hope that s/he – with me – thinks: No, that is not what archaeology does or can do. The relationship between archaeology and the Bible is much more complicated than is presented here.

 

Um livro

 

STEINER, M. L. Inhabiting the Promised Land: Exploring the Complex Relationship between Archaeology and Ancient Israel as Depicted in the Bible. Oxford: Oxbow Books, 2019, 192 p. – ISBN 9781789253306

Para muitas pessoas parece evidente: as ações e crenças do antigo Israel são descritas na Bíblia. As histórias sobre seus povos e reis, lutas e guerras, divindades e santuários devem ter sido contadas e recontadas ao longo dos tempos e registradas em arquivos antigos. Em um determinado momento, essas histórias foram reunidas na Bíblia, que, assim, se torna história. No entanto, desde o século 19, pelo menos, os estudiosos duvidaram da confiabilidade histórica de muitas histórias bíblicas, e as pesquisas arqueológicas dificilmente conseguiram confirmar sua historicidade. O objetivo deste livro é descrever o relacionamento muitas vezes complicado entre arqueologia e Bíblia. Não é um livro sobre ‘arqueologia bíblica’, e a arqueologia não é usada para ilustrar as histórias bíblicas, muito menos para provar que a Bíblia está certa. Pelo contrário, concentra-se nas informações que a arqueologia pode fornecer sobre as vidas e crenças dos povos antigos que habitavam a terra em que a Bíblia foi escrita e na questão de como essas informações se relacionam com as histórias bíblicas. O objetivo é fornecer alguns exemplos de como essa interação entre arqueologia e histórias bíblicas funciona e como interpretar a discrepância que possa existir entre os resultados da pesquisa arqueológica e a narrativa bíblica. Assim, oferece uma introdução ao campo do ponto de vista de um arqueólogo. O livro é destinado ao público em geral e também será de interesse para estudiosos da Bíblia, historiadores e professores, bem como arqueólogos de outros campos. Difere do livro não acadêmico médio sobre esse assunto, pois é mais pessoal, mais eclético e mais arqueológico. As análises da edição holandesa [Op zoek naar …: de gecompliceerde relatie tussen archeologie en de Bijbel, 2015] elogiam o estilo apaixonado e a maneira como o livro se concentra no processo científico de pesquisar problemas, em vez de encontrar respostas e apresentar a solução.

Margreet L. Steiner (Doutora em Arqueologia do Antigo Oriente Médio pela Universidade de Leiden, Holanda) é uma pesquisadora independente. Fez publicações finais das escavações de Kathleen Kenyon em Jerusalém e é co-editora do livro The Oxford Handbook of Archaeology of the Levant (10.000 – 350 AEC), de 2014. Nos últimos trinta e cinco anos, ela participou ou dirigiu escavações na Jordânia, Síria, Líbano e Territórios Palestinos. Atualmente, ela é co-diretora das retomadas escavações de Tell Abu Sarbut, na Jordânia.

 

For many people it is clear: the actions and beliefs of Ancient Israel are described in the Bible. The stories about its peoples and kings, struggles and wars, deities and shrines, are supposed to have been told and retold throughout the ages and recorded in ancient archives. At a certain moment in time these stories have been assembled in the Bible which becomes history. However, from the 19th century at least, scholars have doubted the historical reliability of many biblical stories, and archaeological research has hardly been able to confirm their historicity. The aim of this book is to describe the often-complicated relationship between archaeology and the Bible. It is not a book on `biblical archaeology’, and archaeology is not used to illustrate the biblical stories, let alone to prove that the Bible is right. On the contrary, it focuses on the information that archaeology can provide of the lives and beliefs of the ancient peoples that inhabited the land in which the Bible was written, and on the question of how this information relates to the biblical stories. It aims at providing some examples of how this interplay of archaeology and biblical stories works, and how to interpret the discrepancy that may exist between the results of archaeological research and the biblical narrative. It thus offers an introduction into the field from the standpoint of an archaeologist. The book is intended for the general public, and will also be of interest to biblical scholars, historians and teachers, as well as archaeologists in other fields. It differs from the average non-scholarly book on this subject in that it is more personal, more eclectic, more archaeological. Reviews of the Dutch edition [Op zoek naar …: de gecompliceerde relatie tussen archeologie en de Bijbel, 2015] praise the passionate style and the way it focuses on the scientific process of researching problems, instead of on finding answers and presenting the solution.

Table of ContentsSTEINER, M. L. Inhabiting the Promised Land: Exploring the Complex Relationship between Archaeology and Ancient Israel as Depicted in the Bible. Oxford: Oxbow Books, 2019

List of figures
Prologue
1. In search of … archaeology and the Bible
2. In search of … Abraham and his descendants
3. In search of … Saul and the days of the Judges
4. In search of … Goliath, the Philistine
5. In search of … David and Solomon
6. In search of … Jezebel and the House of Omri
7. In search of … Mesha of Moab
8. In search of … Jehoiachin and the Exile
9. In search of … the prophet Balaam
10. In search of … the goddess Asherah
11. In search of … the temple of Jerusalem
Epilogue
Further reading

Margreet L. Steiner (University of Leiden, 1994) is an independent scholar in Leiden, The Netherlands. She has produced final publications of Kathleen Kenyon’s excavations in Jerusalem and is the co-editor of The Oxford Handbook of the Archaeology of the Levant (10.000 – 350 BCE). For the past thirty-five years she has participated in or directed excavations in Jordan, Syria, Lebanon and the Palestinian Territories. Currently she is co-director of the renewed excavations of Tell Abu Sarbut, Jordan. Margreet Steiner has published widely on the archaeology of the Levant.

Morreu o teólogo Johann Baptist Metz (1928-2019)

Atualizado em

Para saber um pouco mais sobre Johann Baptist Metz, alguns textos do ano passado, quando o teólogo comemorou os 90 anos de vida.

Metz e Gutiérrez: duas teologias irmãs. 90 anos de Johann Baptist Metz, pai da “Teologia Política” – IHU: 06 Setembro 2018

“Os cristãos esperam uma revolução que inclua as vítimas”. O ensino de Johann Baptist Metz, teólogo alemão, 90 anos – 07 Agosto 2018

Metz: “O ecúmeno das compaixões” – IHU: 15 Agosto 2018Johann Baptist Metz (1928-2019) - Foto: Friso Gentsch - Metz em Münster em 2008

Os 90 anos de Johann Baptist Metz – IHU: 09 Agosto 2018

 

Transcrevo o primeiro texto.

Metz e Gutiérrez: duas teologias irmãs. 90 anos de Johann Baptist Metz, pai da “Teologia Política” – IHU: 06 Setembro 2018

Cento e quarenta teólogos e filósofos de todo o mundo celebraram, em agosto do corrente ano, os 90 anos de Metz com uma declaração coletiva. Entre eles está o espanhol Reyes Mate, aluno e amigo de Metz, que citaremos ao longo desta apresentação, especialmente ao relacionar a “Teologia Política” de J. B. Metz com a “Teologia da Libertação” de Gustavo Gutiérrez. E também os comentários do filósofo e teólogo dominicano mexicano Miguel Concha, também aluno e amigo.

A reportagem é de Saturnino Rodríguez, publicada por Religión Digital, 05-09-2018. A tradução é de André Langer.

A atualidade do teólogo Metz reside na sua reivindicação de “uma cultura anamnética”, ao mesmo tempo que denunciava “a amnésia cultural de uma sociedade moderna ou pós-moderna”; além disso, ele se arriscou a falar de uma “ética anamnética” (rememoração) e até mesmo de uma “razão anamnética”, que é levar a defesa de uma cultura da memória às suas últimas exigências.

 

Dois teólogos, duas teologias: Johann Baptist Metz “Teologia Política”, europeia, e Gustavo Gutiérrez “Teologia da Libertação”, latino-americana

No dia 5 de agosto, o grande teólogo alemão Johann Baptist Metz completou 90 anos, dois meses após ter chegado à mesma idade outro grande teólogo contemporâneo, o peruano Gustavo Gutiérrez Merino, a quem também dedicamos uma série de apresentações em Powert Point. Os dois pais – um da Teologia Política, europeia, e o outro da Teologia da Libertação, latino-americana – estão unidos por importantes laços, sem contar uma longa amizade. Entre as duas reflexões existem fortes elos. Começamos com J. B. Metz e sua Teologia Política, para concluir nas relações com G. Gutiérrez e a Teologia da Libertação, para continuar com a relação entre ambos.

Johann Baptist Metz nasceu em 5 de agosto de 1928 na cidade de Welluck-Alemanha. Fez seus estudos em Innsbruck e Munique, obtendo dois doutorados: um em Filosofia e outro em Teologia. Será testemunha da Segunda Guerra Mundial, da derrota alemã e da divisão da Alemanha com o Muro de Berlim (1961) e da unificação alemã com a queda do Muro de Berlim em 1989.

Johann Baptist Metz foi discípulo e amigo de seu compatriota e teólogo Karl Rahner. O Concílio Vaticano II, do qual ele foi perito, foi um acontecimento chave na vida de Rahner. Ele exerceu uma influência decisiva na orientação renovadora dos documentos conciliares, vários dos quais são de sua autoria. Para este teólogo alemão, a política é fundamental para a reflexão teológica, como se pode observar em sua vasta bibliografia (Rahner, Karl. Teologia Política. Madri: Arbor, 1970, tomo 1, n° 291, pp. 245-346).

 

Teologia e política

Rahner afirma que “a teologia política ainda não está definida de um modo inteiramente unívoco […] A verdade é que a teologia política não tem nada a ver com uma atividade política da Igreja ou do clero, mas sim, reconhece por razões teológicas o mundo secular como tal e legítimo […] Neste sentido pelo menos, uma teologia política é urgente hoje, já que na teologia tradicional percebe-se algo como uma privatização e um estreitamento do cristianismo orientados apenas para a salvação interna do indivíduo, pelo fato de que a teologia da esperança foi concebida apenas individualmente […], cabe conceber a teologia política como uma tarefa da teologia que consiste em uma abordagem crítica do sistema social vigente […]”.

Para a teóloga e professora universitária Dorothee Sölle, “a teologia política é uma teologia da libertação”, focada fundamentalmente em um conceito anti-imperialista e, portanto, solidária com os países subdesenvolvidos. O próprio Metz escreveu: “A teologia é um discurso sobre Deus em Aliança com o ser humano. Esse Deus sempre quis uma humanidade na ‘maioridade’, libertada e livre. É o Deus do Êxodo, o Deus do qual Jesus proclama seu Reinado. É o Deus da Promessa de um mundo novo, de um futuro para toda a humanidade”.

 

Seus antecedentes e influências

Metz, discípulo predileto de Karl Rahner, situado no campo ahistórico transcendental por intermédio do Immanuel Kant da razão pura, chegou à teologia política sob a proteção do Kant da razão prática, de Karl Marx, de Walter Benjamin e do alemão Ernst Bloch, entre outros. Para isso, ele tinha que se deparar com o sujeito social capaz dessa prática crítica que leva ao conceito de seguimento de Jesus. Metz queria ser um teólogo da nossa cultura. Em seus debates com Jürgen Habermas, por exemplo, onde ambos coincidem no diagnóstico da perda de identidade do homem ocidental, J. B. Metz postula uma nova cultura política.

O filósofo e teólogo Reyes Mate escreveu sobre Rahner em 1984: “Quem investiga as fontes de sua reflexão encontrará o tomismo aristotélico, evidentemente, mas também Kant. Não o Kant da razão prática, que leva a Marx, mas o Kant da teoria do conhecimento transcendental; encontrará também Hegel, expoente do idealismo transcendental, ambos preocupados em fixar a condição e o conteúdo da consciência na própria experiência. No entanto, a referência constante de seu pensamento, sobretudo o filosófico, é Heidegger, por parte de quem o jesuíta alemão Rahner não conseguiu a aprovação da tese de doutoramento. Heidegger não compartilhava a teoria do jovem Rahner de que a solução para os problemas da metafísica passaria por uma atualização da metafísica clássica, aristotélico-tomista, mas antes por tirar aqueles de todo o contexto cristão”.

Os historiadores da teologia situam J. B. Metz na corrente da “Nouvelle Theologie”, que surgiu na velha Europa, especialmente na França. Metz faz parte desta nova corrente, que surgiu no início da década de 40 do século passado. A “Nova Teologia” tinha como objetivo fazer uma teologia mais relacionada com a vida. Ou seja, uma teologia cristã em relação com o mundo, de diferentes perspectivas e de diversos campos. A Nouvelle Theologie abria as portas da teologia para todos os homens de fé.

No congresso internacional de teologia realizado em Toronto-Canadá em 1967, Metz, em suas colocações teológicas nesse congresso, usou repetidas vezes a palavra Teologia Política. Ele a sistematizará em sua obra intitulada Sobre a Teologia do Mundo, publicada em 1968. Neste livro, ele expõe sua assim chamada Teologia Política, tornando-se assim o pai moderno desta teologia.

Pois bem, Metz, nesta obra, não faz nenhuma conceituação dessa nova teologia. A única coisa que ele diz é que “o conceito de Teologia Política é ambíguo e, portanto, pode ser mal interpretado”. Mas deixa claro o que entende por Teologia Política, e o diz de duas maneiras:

— “Eu entendo a teologia política como um corretivo crítico para uma tendência extrema que a teologia atual tem para a privatização”.

— “Entendo, ao mesmo tempo, por teologia política a tentativa de formular a mensagem escatológica nas condições de nossa atual sociedade”.

 

Obras em destaque

Estas são algumas das obras relevantes deste notável teólogo-filósofo alemão Johann Baptist Metz: Sobre o conceito do futuro, 1965; Teologia do mundo, 1968; Teologia política, 1969; Ilustração e teoria teológica. A Igreja na encruzilhada da liberdade moderna. Aspectos de uma nova teologia política, 1973; Fé na história e na sociedade, 1979; Além da religião burguesa, 1980; As ordens religiosas, 1988; Deus e tempo: nova teologia política, 2002; Memoria Passionis, 2006, etc.

Em todas estas obras, J. B. Metz aborda o tema da teologia política. Em alguns textos, será mais eloquente e em outros menos.

Segundo o teólogo jesuíta alemão assessor do Concílio Vaticano II Karl Rahner e professor de Johann Baptista Metz a teologia política nada tem a ver com uma atividade política da Igreja ou do clero, mas, como Johann B. Metz bem reconhece por razões teológicas, com o mundo secular como tal e como legítimo.

A teologia política faz parte da filosofia política e da teologia que investiga as formas como os conceitos teológicos ou formas de pensar estão relacionados com a política, a sociedade e a economia. Embora a relação entre o cristianismo e a política tenha sido objeto de debate desde a época de Jesus, a teologia política como disciplina acadêmica começou durante a última parte do século XX, em parte como resposta ao trabalho do cientista político e filósofo jurídico alemão Carl Schmitt (1888-1985), assim como da Escola de Frankfurt. A publicação Political Theology atualmente examina essa interface de fé religiosa e política.

 

As duas teologias: Política e Libertação

A relação entre os dois personagens – Metz e Gutierrez – e suas teologias é muito estreita. O teólogo Gustavo Gutiérrez e outros latino-americanos se formaram em universidades europeias como “Le Saulchoir” dos dominicanos na Bélgica e “Lyon-Fourviere” dos jesuítas em Lyon (França) e foram alunos de eminentes teólogos alguns dos quais foram peritos do Concílio Vaticano II e inclusive redatores de alguns de seus textos. Um deles é justamente Johann Baptist Metz e sua “Teologia Política”, juntamente com outras figuras como Marie-Dominique Chenu e Yves Congar no Le Saulchoir e Jean Daniélou, Henry de Lubac e Rahner em “Lyon-Fourviere”. Eram os corolários da La Nouvelle Theologie que surgiu na França no início do século XX.

As relações entre os dois teólogos, o europeu Johann Baptist Metz e o latino-americano Gustavo Gutiérrez, e suas respectivas teologias: a Teologia Política e a Teologia da Libertação e a complementaridade entre ambos, são evidentes.

Isso justifica o recurso às obras de dois outros teólogos conhecedores e amigos de ambos: o espanhol Reyes Mate, filósofo e teólogo, professor e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), e Miguel Concha, teólogo dominicano mexicano professor de pós-graduação em Estudos Latino-Americanos da FCPyS-UNAM (Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional Autônoma do México) e fundador da Associação de Direitos Humanos Francisco de Vitória.

O filósofo e teólogo espanhol Reyes Mate, conhecedor e amigo dos dois teólogos, escreveu em novembro de 1986, no jornal El País, sobre o encontro que aconteceu no Instituto Alemão de Cultura em Madri entre o teólogo católico Johann Baptist Metz e o teólogo protestante Jürgen Moltmann, recordando que o filósofo Ernst Bloch, um dos autores de referência, advertira dizendo: “quando os teólogos se empenham em ser mais racionalistas do que o homem secular, acabam não tendo nada a dizer”. Por este motivo, Metz, bom conhecedor de Bloch que é, nunca deixa de repetir que existem mais elementos libertadores nos mitos descartados pelo homem secular do que naqueles que este construiu.

 

Duas próximas teologias

O filósofo-teólogo professor Reyes Mate, professor de Pesquisa do CSIC no Instituto de Filosofia intitulou e qualificou em 1988 no jornal El País Johann Baptist Metz como “um clássico incômodo da teologia católica”. E o explicava no começo: “De Karl Rahner foi dito, assim como de Shakespeare, que sua biografia era sua obra, uma obra na qual o rigor conceitual anda de mãos dadas com uma curiosidade inesgotável por todos os temas da vida”.

Gustavo Gutiérrez e sua Teologia da Libertação e Johann Baptist Metz e sua Teologia Política são muito próximos. Para a teóloga e professora universitária Dorothee Sölle, que ocupa a cátedra de Teologia Sistemática no Seminário Teológico de Nova York, “a Teologia Política é uma Teologia da Libertação”, centrada fundamentalmente em um conceito anti-imperialista e, portanto, em solidariedade com os países subdesenvolvidos.

Para compreender melhor, diríamos que as caravelas que da Europa levaram há mais de 500 anos os conquistadores e evangelizadores para o que chamavam de “Novo Mundo”, voltaram depois de centenas de anos – já não em navios, mas em meios técnicos mais avançados – para “reevangelizar” os seus evangelizadores de antes.

Com grande dose de humor, poderíamos dizer que a Teologia da Libertação, cujo “pai” foi há 50 anos G. Gutiérrez – que acabou de completar 90 anos também –, tem por “avô” Johann Baptist Metz, seu famoso professor alemão e amigo.

Neste sentido, a análise e a crítica da Teologia Política contemporânea da Europa apresentam pontos de convergência com a Teologia da Libertação da América Latina, que fornece como ingredientes fundamentais para uma nova sociedade e uma nova cultura a longa história de resistência e lutas das classes exploradas, das raças desprezadas e das culturas discriminadas, resultado da modernidade. O que não tem nada a ver com os atuais movimentos reacionários de centralização, subordinação, submissão e padronização, dentro e fora da Igreja.

No decorrer desta exposição – como disse o teólogo mexicano Miguel Concha em sua obra Crepúsculo do Humanismo: “Nós tentamos fazer um esforço de esclarecimento e síntese. Queremos enfatizar mais uma vez que a atual civilização tecnológica, fruto da cultura da modernidade, parece que na realidade produz monstros, e que a única saída do ponto de vista cultural e cristão no chamado Primeiro Mundo é recuperar a memória subversiva de Deus e, com ela, a busca da igualdade e da justiça para todos, bem como o reconhecimento dos outros em seu ser diferente”.

Desde outra perspectiva, a dos “de baixo”, a teologia de Johann Baptist Metz é uma interlocutora da Teologia da Libertação de Gustavo Gutiérrez, no diálogo científico fecundo com outras correntes teológicas. Portanto, escreve Gutiérrez no livro acima mencionado: “A teologia política apresenta-se como ‘uma tentativa de expressar a mensagem escatológica do cristianismo em relação à era moderna como uma figura da razão crítico-prática’”.

 

Influência de Rahner em J. B. Metz e G. Gutiérrez

A virada antropológica de Rahner influenciou na elaboração da teologia política de Metz e este influenciou seu mestre com suas teses sobre a memória, a função crítico-pública do cristianismo e da teologia e o duplo componente, místico e social, do cristianismo. Ele mostrou seu apoio à teologia latino-americana da libertação justamente quando as condenações do Vaticano contra ela recrudesceram. Uma das últimas cartas que ditou antes de morrer, estando hospitalizado no sanatório das Irmãs da Cruz de Rum, perto de Innsbruck, dirigiu à Conferência Episcopal do Peru em defesa da Teologia da Libertação e do teólogo Gustavo Gutiérrez, um de seus iniciadores.

É do conhecimento de todos que a Teologia Política nasce na Europa e a Teologia da Libertação na América Latina, dois continentes distintos, com realidades diferentes, mas com o mesmo objetivo: encontrar e fazer o máximo possível a vontade de Deus neste mundo. Metz é eloquente ao mencionar que “ambas as teologias se caracterizam por sua especial sensibilidade para com a teodiceia”.

 

Coincidências e diferenças entre as duas teologias

De acordo com o professor Carlos Iván Peñafiel em seu livro Relevância da Teologia Política na Igreja Latino-Americana, estas podem ser as divergências entre a Teologia Política e a Teologia da Libertação.

 

Convergências:

a) “Adeus à sua inocência social”: isto é, pelo interesse de uma justiça, essas duas teologias se tornam místicas e políticas.

b) “Adeus à sua inocência histórica”: “a teologia tem que dizer adeus a um universalismo histórico sem sujeito, alheio a qualquer situação e, até certo ponto, sem conteúdo humano”.

c) “Adeus à sua suposta inocência étnico-cultural”: estas duas teologias são universais, não pertencem a uma cultura ou povo específico.

Divergências, segundo o professor Alfonso Garcia Rubio (Teologia da Libertação: política ou profetismo. São Paulo: Loyola, 1983):

a) A teologia política não vem acompanhada por uma análise sociopolítica específica.

b) Separação ideológica entre teologia e ética política, porque se existisse tal separação, haveria uma separação entre a reflexão teológica e a necessidade de uma práxis.

c) As afirmações de Metz sobre a secularização e a privatização da salvação são consideradas desde a Teologia da Libertação como generalidades de um determinado contexto europeu, e a América Latina tem um ambiente diferente.

d) A teologia política deve estar presente ali onde os problemas humanos são mais urgentes, sem cair em discussões muitas vezes teóricas.

Uma vez observadas as semelhanças e as discrepâncias entre a Teologia da Libertação e a Teologia Política, induz-nos a afirmar e aceitar que cada teologia tem seu próprio jeito de fazer teologia, e é justamente isso que as diferencia. A relevância dessas duas teologias está em que são inspiradas no Evangelho, percebendo o que o filósofo e teólogo jesuíta uruguaio Juan Luis Segundo diz sobre o fazer teologia: “não existe teologia cristã, nem interpretação cristã do Evangelho sem uma opção política prévia”.

Ignacio Ellacuría concorda com Clodovis Boff, o irmão de Leonardo, em que a Teologia da Libertação não é uma teologia que se mantém alheia ou distante da problemática política. Por sua parte, I. Ellacuría assinala que “a Teologia da Libertação não se mantém neutra em face das diferentes opções políticas, mas toma partido e opta parcialmente pela libertação dos oprimidos. No entanto, o fato de a Teologia da Libertação pertencer à família das teologias políticas não significa que ela vá, mimeticamente, no vácuo da Teologia Política […]”.

A Teologia da Libertação, de acordo com Rosino Gibellini (A Teologia do Século XX. São Paulo: Loyola, 1998), tem três etapas ou fases: a fase de preparação, que vai de 1962 até 1968. A fase de formulação, que abarca os anos 1968-1975. E, finalmente, a fase de sistematização, de 1976 em diante, quando a Teologia da Libertação se empenha em refletir sobre o seu próprio método, e é quando surge uma série de obras que sistematizam o trabalho teológico da Teologia da Libertação.

 

Transcrevo um texto de hoje que noticia sua morte, ocorrida nesta segunda, dia 2, aos 91 anos de idade. Em alemão.

Theologe Johann Baptist Metz gestorben – katholisch.de: 03.12.2019

Er war Schüler von Karl Rahner, Begründer der “Neuen Politischen Theologie” und galt als einer der bedeutendsten und einflussreichsten Theologen seit dem Zweiten Vatikanischen Konzil: Jetzt ist Johann Baptist Metz im Alter von 91 Jahren gestorben.

Johann Baptist Metz, weltweit anerkannter Theologe und Begründer der “Neuen Politischen Theologie”, ist am Montag im Alter von 91 Jahren in Münster gestorben. Das bestätigte am Dienstag die Katholisch-Theologische Fakultät der Universität Münster auf Anfrage. Der emeritierte Münsteraner Hochschullehrer galt als einer der bedeutendsten Vordenker in der Zeit nach dem Zweiten Vatikanischen Konzil (1962-65). Der Schüler des Jesuiten Karl Rahner (1904-1984) hatte Einfluss auf Entstehung und Entfaltung der lateinamerikanischen Befreiungstheologie und wurde in seinen Entwürfen wiederum von dieser mitgeprägt. Ausgehend von eigenen Erfahrungen im Zweiten Weltkrieg und dem Tod von Millionen stellte Metz die Frage, wie nach der Katastrophe von Auschwitz von Gott gesprochen und Theologie betrieben werden könne.

Münsters Bischof Felix Genn schrieb in einem Kondolenzschreiben an die Fakultät, Metz habe als akademischer Lehrer in der Kirche in Deutschland und weltweit großen Einfluss gehabt. “Wir sind in Münster dankbar und stolz, dass er seine Kompetenz und großen Fähigkeiten den vielen Studierenden an der Universität Münster geschenkt hat.” Die Universität Münster und deren Katholische Fakultät erklärten, Metz habe mehrere Studenten-Generationen geprägt. Die von ihm begründete “Neue Politische Theologie” verstehe sich ausdrücklich als eine Gottesrede nach dem Holocaust im Zweiten Weltkrieg.

Bambergs Erzbischof Ludwig Schick reagierte mit Trauer auf den Tod des aus dem Erzbistum Bamberg stammenden Metz. Er erinnere sich gern an die persönlichen Begegnungen und die wertvollen Gespräche, sagte Schick. Er würdigte dabei vor allem sein engagiertes Eintreten für die Theologie der “Compassion”, die Mitleidenschaft Gottes für das Wohl und Heil der Menschen, den er zu einem Zentralbegriff der heutigen Theologie gemacht habe. Daraus habe er wichtige Impulse für eine neue “Theologie der Welt” und für das Wirken der Kirche heute gegeben. Aus der Mitleidenschaft Gottes mit den Menschen habe er ein Mitleiden der Christen und der ganzen Kirche mit jedem Menschen und der ganzen Schöpfung gezogen. Er gelte zurecht als einer der bedeutendsten Theologen seit dem Zweiten Vatikanischen Konzil.

Der Philosoph Jürgen Habermas (90) würdigte Metz als einen “sensiblen Gesprächspartner”. Metz sei aus seiner Generation “vielleicht der Theologe, der sich am leidenschaftlichsten an der für ihn existenziellen Frage abgearbeitet hat, in welcher Sprache nach dem Holocaust überhaupt noch von Gott geredet werden” könne. Mit dieser Frage habe er nicht nur politisch in die Kirche hineingewirkt, sondern als akademischer Lehrer auch eine große Zahl selbstständig weiterdenkender Schüler angezogen, sagte Habermas der Katholischen Nachrichten-Agentur (KNA). Habermas und Metz waren befreundet.

Küng “betrübt” über Tod

“Betrübt” über den Tod seines Münsteraner Kollegen zeigte sich der Tübinger Theologe Hans Küng (91). Der KNA sagte er am Dienstag in Tübingen, auch wenn sie auf die gemeinsame Sorge um Kirche und Welt theologisch unterschiedlich geantwortet hätten, so habe sie die Orientierung an Jesus Christus als Leitfigur für menschenfreundliches Leben und Handeln sowie das Bemühen um eine weltoffene Kirche geeint. Zugleich würdigte Küng “persönliche Leidenschaft und praktisches Engagement” bei Metz.

Der 1928 in Auerbach in der Oberpfalz geborene Metz promovierte nach Studien in Bamberg, Innsbruck und München in Philosophie und Theologie und wurde 1954 zum Priester geweiht. Nach Jahren in der Seelsorge lehrte er von 1963 bis 1993 in Münster Fundamentaltheologie. Nach dem Konzil war er auch Berater des römischen Sekretariats für die Nicht-Glaubenden. Zudem war er Mitbegründer der internationalen theologischen Zeitschrift “Concilium”. Großen Einfluss hatte Metz als Berater der Synode der Bistümer der Bundesrepublik Deutschland von 1971 bis 1975 in Würzburg. Der Synodenbeschluss “Unsere Hoffnung” über das Christsein im Alltag trägt seine Handschrift.

Metz warnte immer wieder vor einer Verbürgerlichung des Christentums und einer “Vergleichgültigung” der Gesellschaft. Inspiriert wurde er auch von der sogenannten Frankfurter Schule um die Philosophen Theodor W. Adorno, Max Horkheimer und Habermas. Die von Metz begründete “Neue Politische Theologie” stieß indes bei Joseph Ratzinger, dem inzwischen emeritierten Papst Benedikt XVI., auf große Skepsis. Als Erzbischof von München verwehrte Ratzinger 1979 Metz einen Ruf an die dortige Universität. Auch später wollte Metz nach eigenem Bekunden “nicht den Eindruck erwecken, als wäre nichts passiert”. Zur Annäherung kam es bei einer Tagung zum 70. Geburtstag von Metz 1998 in Ahaus.

Die Universität Wien, an der der vielfach ausgezeichnete Theologe von 1993 bis 1997 eine Gastprofessur innehatte, verlieh ihm 1994 den Ehrendoktor. 2002 ehrte ihn der Koordinierungsrat der Gesellschaften für christlich-jüdische Zusammenarbeit mit der Buber-Rosenzweig-Medaille. 2007 erhielt Metz den “Theologischen Preis der Salzburger Hochschulwochen”. (tmg/KNA)

 

Leia também, em alemão:

Der Theologe Johann Baptist Metz ist tot – Christoph Strack: DW – 03.12.2019

Die Fragen nach dem Leid und nach Gerechtigkeit trieben den katholischen Theologen Johann Baptist Metz Zeit seines Lebens um. Wie die Universität Münster jetzt bestätigte, verstarb Metz am Montag im Alter von 91 Jahren.

“Wenn Theologie alle Fragen wirklich perfekt beantworten kann, ist es schon falsch. Es geht auch um den Schrei des leidenden Menschen, den unbeantworteten Schrei.” Für den katholischen Theologen Johann Baptist Metz, der am Montag im Alter von 91 Jahren verstorben ist, war die Frage nach Gott stets die Frage nach dem Leid der unschuldigen Opfer und nach Gerechtigkeit. Wie soll man nach Auschwitz von Gott reden? Kann man das?

Es war für ihn auch eine zutiefst persönliche Frage und Klage. Metz, 1928 geboren in – wie er selbst sagte – einer “erzkatholischen bayerischen Kleinstadt”, kam als Sechzehnjähriger noch in den Krieg. Mit vielen anderen seines Jahrgangs war er an der Front. Einmal schickte ihn der Kommandeur durch die Nacht mit einer Meldung vom Schützengraben zum Gefechtsstand des Bataillons. Als er zurückkehrte, fand er “nur noch Tote, lauter Tote” – seine Kameraden überrollt von einem Jagdbomber- und Panzerangriff. “Ich konnte ihnen allen, mit denen ich noch tags zuvor Kinderängste und Jungenlachen geteilt hatte, nur noch ins erloschene tote Antlitz sehen. Ich erinnere nichts als einen lautlosen Schrei”.

(…)

In der Münsteraner Stube des Theologen hängt der Corpus eines Gekreuzigten. Klassisch, wie aus einer anderen Zeit. “Ein Tiroler Künstler hat ihn für mich geschnitzt, zur Priesterweihe 1954”, erzählte er mal. Es ist nur ein Torso, ein Rumpf ohne Arme. Was ihm diese Christusgestalt sage? “Ich habe keine anderen Hände als die euren”, antwortet Metz.

 

Um texto em italiano.

Addio a Johann Baptist Metz, “padre” della Teologia politica – Filippo Rizzi: Avvenire.it – 3 dicembre 2019

Il pensatore tedesco è morto a 91 anni a Münster. Fu il fautore del dialogo pubblico tra Habermas e Ratzinger a Monaco nel 2004. Il suo maestro di sempre: Karl Rahner

Indagò la “questione di Dio” dopo Auschwitz

Un gigante della teologia del Novecento dello stesso rango e levatura del suo “maestro di sempre” Karl Rahner. Un pensatore capace di leggere i “segni dei tempi”. Ma soprattutto un prete e un pastore d’anime. È lo stile che ha sempre accompagnato, cadenzato e contrassegnato la lunga vita di Johann Baptist Metz, morto questo lunedì 2 dicembre a 91 anni a Münster. Nato il 5 agosto 1928 a Velluck, nella Baviera settentrionale, compie i suoi studi di filosofia e teologia dapprima a Innsbruck e poi a Monaco di Baviera; si laurea in filosofia su Heidegger e poi in teologia, sotto la guida di Karl Rahner, su san Tommaso d’Aquino. Viene ordinato sacerdote nel 1954. La maggior parte della sua carriera universitaria lo vede docente di teologia fondamentale a Münster, carica che ha lasciato successivamente, per assumere la cattedra di Christliche Weltanschauung all’università di Vienna.

Metz è ancora ricordato oggi in ambito accademico per essere stato tra i fondatori, dei veri “padri nobili”, nel 1965, della rivista internazionale di teologia “Concilium” assieme a uomini del rango di Karl Rahner, Yves Congar, Edward Schillebeeckx, Hans Küng e Gustavo Gutiérrez. Numerose sono le sue opere tradotte in italiano (spesso edite da Queriniana) come Sulla teologia del mondo (1969), Antropocentrismo cristiano (1969), con J. Moltmann-W. Ölmüller, Una nuova teologia politica (1971), Tempo di religiosi? Mistica e politica della sequela(1978), La fede nella storia e nella società (1978). Come certamente significativo è il suo saggio, edito da Queriniana, che rappresenta in un certo senso la “summa” del suo pensiero: Sul concetto della nuova teologia politica 1967-1997 e anche La provocazione del discorso su Dio.

La sua maturazione teologica conosce varie tappe, segnate dalle tre grandi “crisi” del nostro secolo con cui egli si confronta: la sfida marxista alla teologia; Auschwitz e la negatività della storia (celebri le sue domande su Dio e sulla giustizia a fronte delle vittime innocenti); infine, la provocazione che viene dal Terzo Mondo. Come fu significativa la sua attenzione alla Teologia della liberazione: volle rendersi conto di persona del dolore e della sofferenza di quelle popolazioni e andò a visitare le comunità di base dell’America Latina. Rimase impressionato dal lavoro “dal basso” di amici e colleghi teologi e scrisse un diario visitando le Ande.

Cresciuto alla scuola di Karl Rahner, del quale rielaborò anche alcune opere, di fronte alla marginalità “politica” del cristianesimo Johann Baptist Metz avverte la necessità di superare la teologia trascendentale del maestro per far valere la dimensione pratica della teologia. Diventa così il fondatore di una “nuova teologia politica”, –come hanno spiegato in anni recenti studiosi italiani come Giacomo Coccolini e il “suo” discepolo Francesco Strazzari – nella quale si consideri il mondo come luogo del mostrarsi di Dio e, quindi, luogo nel quale la fede cristiana si presenta anche con la sua valenza politica. Non volendo e non potendo dimenticare le vittime della storia, degli indifesi, Metz sviluppa a partire da queste coordinate la sua “Nuova teologia politica”.

Come pochi altri teologi, Metz non solo ha cercato ma ha anche alimentato il dibattito culturale. Fa parte di ciò il dialogo e il confronto con il marxismo e i rappresentanti della scuola di Francoforte, i filosofi Theodor W. Adorno, Max Horkheimer e Jürgen Habermas con i quali intrattiene un’amicizia autentica. Senza Metz nel 2004, a Monaco, non si sarebbe giunti alla discussione tra Habermas e l’allora prefetto della Congregazione per la dottrina della fede, il cardinale Joseph Ratzinger, il futuro Benedetto XVI. A ricordarlo ieri con un ampio ritratto è stata la Conferenza episcopale tedesca che ha rievocato lo stile di «teologo ma anche di pastore d’anime» di Metz. Un pensatore dunque, sempre «pieno di sorprese» come lo definiva Jürgen Moltmann perché capace di traghettare la teologia all’interno della storia anche quando questa porta «un nome così orribile come quello di Auschwitz».

 

Um texto em inglês.

Remembering Johann Baptist Metz – Matthew Ashley: America Magazine – December 03, 2019

In the last desperate weeks of World War II in Germany, a 16-year-old soldier was sent by his commanding officer to the rear with a message for headquarters. When he returned, he found the other members of his unit, all as young as he, dead, wiped out in a sudden air and armored assault.

“Now,” he remembered, “I could only see dead and empty faces, where the day before I had shared childhood fears and laughter. I remember nothing but a wordless cry. This is how I see myself to this very day, and behind this memory all of my childhood dreams crumble away…. What would happen if one took this sort of thing not to the psychologist but into the church, and if one would not allow oneself to be talked out of such unreconciled memories even by theology, but rather wanted to have faith with them, and with them to speak about God?”

This young man was Johann Baptist Metz, and he went on to do just this, becoming in the process a trail-blazing theologian for an age in which memories like these have become far too common and, what is worse, met with ever greater indifference. He died on December 2 at the age of 91.

Metz (Baptist to his friends) was born in Auerbach, in northeast Bavaria, on August 5, 1928. It was a small, Catholic town, not yet touched by the processes of secularization at work in the rest of Europe. As he once wrote: “One comes from far away when one comes from there. It is as if one were born not 50 years ago, but somewhere along the receding edges of the Middle Ages.”

While the town was very Catholic, he did not remember his family being particularly pious—he once joked that of all the seminarians studying with him when he started in Bamberg, he was the only one who had not been an altar boy. His schooling was interrupted when he was forced into the Wehrmacht. And after the attack on his unit, he was captured and spent seven months in POW camps on the East Coast of the United States (and so he spoke English with a distinctly American accent).

Sent back to Germany, he finished his final two years of Gymnasium (high school) in one year and entered the diocesan seminary in Bamberg. His bishop had intended to send him to Rome for further training, but Metz persuaded him to send him to the recently refounded Jesuit seminary in Innsbruck instead, because he had been impressed by reading some writings by one of its faculty—Karl Rahner, S.J., one of the most important Catholic theologians of the twentieth century, who became a key theological advisor at Vatican II. In Innsbruck he earned a doctorate in philosophy and then in theology. He was ordained a priest in 1954.

During his years at Innsbruck he became Rahner’s student, friend and later, collaborator. Rahner left a deep and enduring impact on the young theologian-in-training, an impact that went far beyond the academic: Metz called him simply, “my father in faith.” Even though his theology took a different direction than his teacher’s after 1963, Metz always referred to him as his principal theological inspiration.

In 1963 Metz took up a position at the University of Münster. In 1979 he was offered a prestigious position at the University of Munich, where Romano Guardini and then Rahner had taught earlier. But his appointment was vetoed by the then-Archbishop of Munich, Joseph Ratzinger (which led Rahner to write a fiery open letter in a German periodical: “I Protest”).

So Metz remained at the University of Münster, where he taught for 30 years. After retireing in 1993, he was a visiting professor at the University of Vienna for four years, before returning to Münster, where he lived and continued to work until his death.

Like so many of his generation, he took as his theological labor interpreting and promoting the theological riches of Vatican II. Along with Rahner, Edward Schillebeeckx, O. P., and others, he was a cofounder of the journal, Concilium, which had this purpose.

For him, in particular, this work meant helping the Catholic Church make the transition from the seamlessly Catholic world of Auerbach to the techno-scientific, multicultural, religiously pluralistic and often secularized world of today. In the 1960’s he became one of the founders, along with Jürgen Moltmann and Dorothee Sölle, of a theological approach called “political theology,” which he himself named the new political theology, in order to distinguish it from the work of Nazi legal theorist, Carl Schmitt.

Political theology was a prophetic protest against the privatization of Christian faith: the reduction of its scope to one’s relationship to God and one-on-one ethical behavior towards others. For Metz, religion in general and Christianity in particular, is inherently political.

So too is Christian theology. Christianity’s privatization, Metz warned, is a principal way that it has been domesticated in the modern world, with the church too often going along, explicitly or tacitly. Yet Christian faith was not for him simply a source of meaning or a social glue in society; it was not a kind of sacred canopy, as sociologist Peter Berger once put it, a religious authorization or echo of what is going on in society anyway.

Religion is, rather, for Metz, provocative and interruptive. It breaks through our self-reliance and self-satisfaction, attitudes often purchased at the cost of ignoring the suffering of those put on the margins of society or who had been left beaten on the side of the road in its march of progress.

Remembering them is dangerous, but these dangerous memories are liberating. And they are ultimately sustained by the dangerous memory of Jesus Christ, who died and was raised by the God of the living and of the dead. It is a memory that can give rise to great hope, but only if it is put into practice, a “combative hope,” as Pope Francis puts it.

Metz followed these insights with thoroughness and integrity, realizing that for a German the dangerous memory above all others had to be the memory of the Jews and the fate they suffered under the Third Reich. He will be remembered for insisting that Christian identity, “after Auschwitz,” can only be reconstructed and saved together with the Jews and by retrieving the lost or suppressed roots of Christian faith in Judaism.

He will also be remembered for insisting on the importance of spirituality, not only for Christian faith, but for theology itself. One of his early writings, Poverty of Spirit¸ a spiritual classic, is still in print over 50 years after its publication in 1963. He wrote compellingly about the contribution of religious orders in the church, and recently he wrote of the importance of a “mysticism of open eyes,” open to the suffering of others. He mourned the ways that the church has itself created victims but confessed as well that he knew of no way that a genuinely Christian hope could be sustained in today’s culture without an institutional bearer that would stand up for it and represent it. His was not an “easy” or “comforting” theology; but one that provoked, inspired, gave hope.

It is fitting that Metz died on Dec. 2, the 39th anniversary of the murder of four U.S. women missionaries by a terrorist government in El Salvador. For Metz, both faith and theology only achieve their full stature in solidarity with victims and as witnesses to hope against hope. Likewise, it is fitting that he died at the beginning of Advent, the season of hope.

He took his definition of theology not from Anselm’s “faith seeking understanding,” but from the first letter of Peter: “Always be ready to make your defense to anyone who demands from you an accounting of the hope that is in you” (I Pt 3:15).

If Dietrich Bonhoeffer warned against the dangers of cheap grace, perhaps Metz will be remembered for his prophetic warnings against cheap hope: the thin hopes of a consumer culture that, Metz complained, has even abandoned its secular heritage from the Enlightenment of hoping for freedom, equality and fraternity for all humankind.

But he also warned against the narrow Christian hope of one’s individual survival after death. Neither will ultimately console.

The great hopes and the great biblical images of hope, Metz insisted, can only be hoped for others. Only when we hope them for others and act out of that hope, he maintained, can we hope them for ourselves.

Morreu o biblista Larry Hurtado (1943-2019)

Atualizado em

Larry Hurtado, notável estudioso do Novo Testamento, professor emérito da Universidade de Edimburgo, Reino Unido, morreu de câncer no dia 25 de novembro de 2019.

Em seu blog, ele diz de si mesmo:

I’m a scholar of the New Testament and Christian origins, with posts in higher education since 1975. In August 2011, I retired from my post as Professor of New Larry Hurtado (1943-2019)Testament Language, Literature & Theology (University of Edinburgh) in which I served from 1996. Prior to that, I was in the Department of Religion, University of Manitoba (Winnipeg). My own research over the decades has focused mainly on the origins and development of “devotion to Jesus” in earliest Christianity, and also on textual criticism and the study of earliest Christian manuscripts as informative artefacts of ancient Christianity. In retirement, I reside in Edinburgh, and continue to pursue my research interests in the area of New Testament & Christian Origins.

No dia 25 de agosto de 2019 reproduzi neste blog um texto dele sobre As origens da devoção a Jesus.

Começo assim: Larry W. Hurtado escreve, em 23 de agosto de 2019, em seu blog, sobre as origens da devoção a Jesus nos primórdios do cristianismo. Um tema no qual ele é especialista.

A seguir algumas homenagens de pessoas que conviveram com ele.

 

A Tribute to Larry Hurtado: Scholar, Doktorvater, and Friend – Michael J. Kruger: Canon Fodder – November 26, 2019

I woke up today to the very sad news that my Doktorvater and friend, Larry Hurtado, had passed away after a long bout with cancer. So, I wanted to take a moment to reflect on the impact he had on my life.

In the fall of 1999, I moved to Edinburgh, Scotland, to begin my Ph.D. work in New Testament and Early Christianity. My move was motivated in part by the great history of the divinity faculty at New College, but primarily by the desire to study with one particular scholar, Larry Hurtado.

Although I was already aware of Larry’s excellent scholarship (that’s why I came, after all), I came to learn how deep and wide his learning really went. Moving effortlessly from textual criticism, to early Christian worship, to Christology, Larry was more than an able guide as my doctoral advisor for the next several years (continua)

 

Remembering Larry Hurtado, Leading Researcher of Early Christian Worship – Holly J. Carey: Christianity Today – November 27, 2019

(…) Larry died of cancer on Monday at the age of 75. He was a remarkable New Testament scholar, and he was my mentor, PhD supervisor, and friend.

Larry’s impact on biblical scholarship was far-reaching. He started his academic career at Regent College, in Vancouver, British Columbia, before moving to the University of Manitoba, in Winnipeg. He was appointed Professor of New Testament Language, Literature, and Theology at the University of Edinburgh in 1996 and established the Centre for the Study of Christian Origins there, focusing on the first three centuries of Christianity.

Larry wrote landmark studies of the Gospel of Mark, and on how ancient Christians manuscripts matter for understanding the New Testament and the early church.

His most groundbreaking work was done on early Christian worship of Jesus. His focus was not only on what Christians believed about Jesus, but on what their actions indicated about their views of Jesus’ divine status. He looked at prayers to Jesus and the use of Jesus’ name to understand how the early church’s worship of Jesus was compatible with Jewish worship of one God (continua)

 

Professor Larry Hurtado (1943-2019) – Helen Bond: The University of Edinburgh – 28 Nov, 2019

Founder of the Centre for the Study of Christian Origins

Larry arrived in Edinburgh in the summer of 1996 to take up the post of Professor of New Testament Language, Literature and Theology. From the first, he impressed staff and students alike with his enthusiasm for the subject and his natural gift for communication. He had an insatiable curiosity and a flair for historical reconstruction that captured the imaginations of those who took his courses. Students would repeat some of his anecdotes and hypothetical discussions of what Paul and Timothy might have said to one another over breakfast – fascinated by the new worlds he was opening up, but slightly worried by his irreverence.

One of the most striking things about Larry was his humility. Despite his glittering academic career, he never forgot his humble roots in Kansas City, Missouri. He earned a BA in Biblical Studies (with highest honours) in 1965 from Central Bible College in Springfield, Missouri. From there he enrolled in Trinity Evangelical Divinity School and earned a M.A. in New Testament (cum laude) in 1967. He continued his studies at Case Western Reserve University (Cleveland, Ohio), receiving his Ph.D. in Religion with an emphasis in New Testament and Christian Origins in 1973. He taught at Regent College, Vancouver, and the Department of Religion at the University of Manitoba, before crossing the Atlantic to take up his position at Edinburgh. Here he served as Head of Department, Postgraduate Director and Dean, besides founding the Centre for the Study of Christian Origins in 1997. At a more national level, his services to the discipline were honoured by a term as President of the British New Testament Society.

Larry belonged to a bygone era of scholars who could turn their hands to almost anything. His first love was text criticism, which he studied under the supervision of Eldon J Epp. He went on to publish a short yet highly insightful commentary on Mark’s Gospel, a book on monotheism, and another on early Christian worship. His ‘magnum opus,’ however, was Lord Jesus Christ: Devotion to Jesus in Earliest Christianity (2003), a distillation of decades of research and discussion with friends and critics of an early, high Christology (ie. the idea that Jesus was worshipped as a God from very early on). Despite its length, the book was listed number two in the Academy of Parish Clergy Top Ten Books of 2004 and among the ‘Books every preacher should read in 2004’ in Preaching. A more popular and condensed version was published under the classically ‘Larry-esque’ title How on Earth Did Jesus Become a God? (2005). In 2006 he was invited by the Smithsonian to assist in coordinating an effort to commemorate the 100th anniversary of the Freer collection, biblical manuscripts of the New Testament and Greek Old Testament dating from the third to fifth centuries CE. His interest in early manuscripts as the earliest Christian artefacts resulted in a further book, and most recently he set himself to explain Christianity’s growth in the ancient world, with yet another eye-catching title, Destroyer of the gods (2016).

(…)

Larry was a man of strong personal faith, and this sustained him through his final illness. Those of us who knew him are privileged to have shared in something of his zest for life and learning. We’ll raise a glass of malt whisky in memory of his friendship, knowing that he’ll be sorely missed.

Professor Larry W. Hurtado, 29 December 1943 – 25 November 2019.

 

Early High Christology and the Legacy of Larry Hurtado (1943–2019) – Greg Lanier: TGC – December 2, 2019

His first blog post—before academic blogging was a thing—featured 18 humble words: “As time permits, I hope to offer some worthwhile comments on early Christianity and perhaps other subjects too” (July 5, 2010). As of today, his blog has more than 2 million pageviews. His name is Larry Hurtado, and on November 26 he went to be with the Lord.

He’s one of the most influential New Testament scholars you’ve probably never heard of.

Hurtado wrote mainly for an academic audience, expressing his views on early Christianity through monographs, articles, and scholarly conferences. (Only in 2018 did he write his first truly popular-level book, Honoring the Son.) I remember the frustration I felt when, long after masters-level studies, I was just discovering his writings. I wondered, Why hadn’t anyone mentioned this guy before? While it’s unfortunate that Hurtado wasn’t more widely accessible to lay audiences, his ideas have still made their way from the academy to the pew through hundreds—if not thousands—of students, scholars, professors, and pastors deeply influenced by his work.

Profound Influence

Despite being born and educated in the Midwest, Hurtado’s academic career began in Canada (1975–1996, Regent College and University of Manitoba) and ended in Scotland (1996–2011, University of Edinburgh). He helped make New College at Edinburgh a powerhouse of biblical studies. He published around a dozen books (as author or editor) and was particularly prolific in shorter, technical writings. Upon his retirement he was named emeritus professor of New Testament language, literature, and theology.

In October 2018, Hurtado announced he’d been diagnosed with AML, a form of leukemia. Initially the treatments seemed effective, but this past summer it returned aggressively. I was one of likely several people whom Hurtado informed that he wouldn’t be able to fulfill some writing-project commitment—for he only had weeks, at most months, to live. Though he remained engaged in writing incisive pieces on his blog as late as a week ago, the University of Edinburgh announced that he died in his sleep on November 26, at the age of 75.

Others who knew Hurtado personally, such as Mike Kruger and Tommy Wasserman, have reflected on their warm relationship with him. I only knew him professionally, and in a limited way. But like many others who knew him from afar, he profoundly influenced me. I wish to reflect on his legacy from that perspective as a way to summarize his effect on scholarship as well as on scholars—both of which will linger for decades to come.

Effect on Scholarship

It’s nearly impossible to summarize more than 45 years of scholarly work for someone as prolific as Hurtado. But there seem to have been three main themes in his work, each of which substantially advanced New Testament (NT) scholarship.

1. Textual criticism and manuscripts

Many familiar with Hurtado are surprised to learn he made contributions to biblical textual criticism ever since completing his PhD in 1973. His main work can be summarized along two lines. In terms of understanding the NT’s wording, Hurtado pushed to re-evaluate long-held positions (e.g., the “Caesarean” text type) and to engage more deeply the textual data. Hurtado was also a pioneer in studying manuscripts as artifacts through which, as a kind of window, we can peer into the early church. He developed important theories about nomina sacra (an abbreviation system for certain words such as “Jesus,” “God,” or “Lord”) and how the early Christian preference for the codex (versus the scroll) may have been shaped by the early church’s worship practices and beliefs. Due to Hurtado’s labors, the case for the integrity of the process by which the NT was copied and passed on has been strengthened.

2. The Gospels and Paul

While not typically considered an exegete or biblical commentator, Hurtado did write one well-received commentary on Mark and has, ever since, been a major voice in Markan studies. His work on the “Son of Man” has been particularly important. But he’s probably made an even larger difference on the study of Paul’s epistles. Though he never, so far as I am aware, picked a side in the New Perspective vs. Old Perspective debates—he was not one to think in terms of “sides” anyhow—Hurtado was nevertheless pivotal in one area. Coming out of an era in which many Pauline scholars saw the apostle as an innovator who, more or less, cloaked pagan concepts in Christian garb, Hurtado pushed strongly in the other direction. Paul, he argued, was less of an innovator and more of a proclaimer of the Hebrew Scriptures, now reoriented around Christ. Hurtado, then, was often viewed as a founding member of a new kind of “history-of-religions” (religionsgeschichte) school of thought, which argues we can only really make sense of Paul (and the Gospels) if we understand his Jewish background and formative influences. This reorientation—which of course isn’t fully attributable to Hurtado, though he was a key voice—has had a comprehensive effect on NT scholarship in recent decades.

3. Early Christology

Hurtado is most famous for his work on “early high Christology.” In an age when many NT scholars believe the idea of Jesus’s divinity evolved rather late in the game, Hurtado was trenchant—for decades!—in his view that it emerged quite early. But he took a different tack on the question: rather than going around in circles about the concepts of early Christians, he focused on their behaviors. Did the early church, and even the apostles, worship Jesus as fully God? Hurtado’s mountain of scholarship on this subject yields one main conclusion: yes, they did. For him, this Christ-shaped pattern of religious devotion not only pushed Christianity beyond Judaism—in his words, it was a kind of “binitarian” mutation of monotheism—but it also shook up a pagan world growing bored with the Caesar cult and pantheon of antiquity. For Hurtado, worship of Jesus is the key sign that what Nicene language later expresses has roots stretching back to the beginning. In the NT guild, this was—and still is—groundbreaking.

Influence on Scholars

A common refrain one hears about Hurtado is that he was respected by NT scholars across the board, even those who disagreed with him. But I want to reflect on his legacy from a slightly different angle. Nearly every NT scholar I know in their 30s or early 40s would, if asked, list Hurtado as one of their top five influences, even if they didn’t know him personally. Why? I can think of four reasons.

1. He’s a godfather of this generation’s work on Christology and textual criticism.

If you follow academic publishers, you’ve likely noticed the seemingly unending stream of dissertations defending—or critiquing—the early roots of divine Christology. And each will invariably interact with the same two scholars: Richard Bauckham and Larry Hurtado (continua)

Centenário da École biblique et archéologique française de Jérusalem

Atualizado em

CENTENAIRE DE LA CRÉATION DE L’ÉCOLE ARCHÉOLOGIQUE FRANÇAISE DE JÉRUSALEM

29 novembre 2019 – École biblique et archéologique française

L’École biblique célèbre cette année le centenaire de sa reconnaissance en 1920 comme École archéologique française par l’Académie des Inscriptions et Belles-Lettres (AIBL). Un colloque rassemblant les anciens boursiers de l’AIBL à l’École biblique aura lieu le 6 mars prochain à Paris, mais la célébration de ce centenaire a déjà commencé à Jérusalem par une séance académique qui a eu lieu ce 15 novembre dans la salle de conférences de l’EBAF.

De nombreuses personnalités, chercheurs et amis avaient répondu à notre invitation. Monsieur Michel Zink, Secrétaire perpétuel de l’AIBL, est venu de Paris pour École biblique et archéologique française de Jérusaleml’occasion, de même que Dominique Trimbur, chercheur associé au CRFJ et auteur d’un ouvrage qui analyse le contexte de la création de cette École archéologique française, au moment où la Palestine passait sous mandat britannique.

Cette reconnaissance fut un grand encouragement pour le Père Lagrange qui avait beaucoup souffert pour faire reconnaitre sa vision novatrice des études bibliques. C’était aussi une forme de consécration pour l’exceptionnelle première génération de professeurs de l’École, les Vincent, Abel, Savignac, Jaussen, Dhorme, etc.

Au cours de ce siècle, 150 boursiers ont été envoyés par l’AIBL à Jérusalem. Beaucoup ont fait de brillantes carrières académiques. Réunir ceux qui sont encore en activité sera l’occasion de mesurer l’enrichissement mutuel que constitue le dialogue entre études bibliques et l’orientalisme au sens large (archéologie, épigraphie, langues sémitiques, etc.).

Pour l’École, ce regard sur le passé doit donc être aussi une manière de réfléchir à l’avenir. La séance académique du 15 novembre à déjà été un bel encouragement.

Pour visionner l’ouverture par le Frère Jean Jacques Pérennès o.p., «Pourquoi célébrer le centenaire de l’École archéologique française de Jérusalem?», cliquez ici.

 

CENTENARY OF THE CREATION OF THE ÉCOLE ARCHÉOLOGIQUE FRANÇAISE DE JÉRUSALEM

29 November 2019 – École biblique et archéologique française

This year, the École Biblique is celebrating the centenary of its recognition in 1920 as a École archéologique française by the Académie des Inscriptions et Belles-Lettres (AIBL). A symposium bringing together former AIBL scholars at the École Biblique will take place on March 6 in Paris, but the celebration of this centenary has already begun in Jerusalem with an academic session which took place on November 15th in the EBAF conference room.

Many personalities, researchers and friends had accepted our invitation. Michel Zink, Permanent Secretary of the AIBL, came from Paris for the occasion, as did Dominique Trimbur, associate researcher at the CRFJ and author of a book that analyses the context of the creation of this École archéologique française, at a time when Palestine was under British mandate.

This recognition was a great encouragement for Father Lagrange who had suffered a lot to have his innovative vision of biblical studies recognized. It was also a form of validation for the École’s exceptional first generation of teachers, the Vincent, Abel, Savignac, Jaussen, Dhorme, etc.

During this century, 150 scholars have been sent by the AIBL to Jerusalem. Many have had successful academic careers. This March, bringing together those who are still engaged in biblical studies will be an opportunity to measure the mutual enrichment that is the dialogue between biblical studies and orientalism in the broad sense (archaeology, epigraphy, Semitic languages, etc.).

For the École, studying the past must therefore also be a way of thinking about the future. The academic session on November 15th was already a great encouragement.

To view the report from the Christian Media Center, click here.

To view the opening by Jean Jacques Pérennès OP, «Pourquoi célébrer le centenaire de l’École archéologique française de Jérusalem?», click here.

O Gilgámesh hitita

Atualizado em

BECKMAN, G. The Hittite Gilgamesh. Atlanta, GA: Lockwood Press, 2019, 112 p. – ISBN 9781948488068

A tradição de Gilgámesh foi importada para Hattusa, no império hitita, para uso na instrução dos escribas, e tem sido de particular importância para os estudiosos modernos na reconstrução da epopeia e na análise de seu desenvolvimento. Além dos textos na língua hitita que narram as aventuras de Gilgámesh, duas versões em acádico e fragmentos em hurrita foram encontrados na capital hitita Hattusa. Este livro oferece uma edição completa dos manuscritos de Hattusa em hitita, acádico e hurrita.

 

O autor explica na introdução do livro:

From the late third millennium BCE on, the adventures of Gilgamesh were well known throughout Babylonia and Assyria, and the discovery of fragmentary Akkadian-language fragments of versions of his tale at Boğazköy (edited here), Ugarit (Arnaud 2007: 130–38; George 2007), Emar (Arnaud 1985: 328; 1987: 383–84 n. 781), and Megiddo in Palestine (Goetze and Levy 1959) demonstrates that tales of the hero’s exploits had reached the periphery of the cuneiform world already in the Late Bronze Age.

In addition to the manuscripts in the Hittite language recounting Gilgamesh’s adventures, two Akkadian versions and fragmentary Hurrian renderings have turned up at the Hittite capital Hattusa. But there is absolutely no evidence that the hero of Uruk was familiar to the Hittite in the street. No representations of Gilgamesh are to be found in the corpus of Hittite art, nor are there allusions to him or his exploits in texts outside of the literary products just listed.

It seems, therefore, that the Gilgamesh tradition was imported to Hattusa solely for use in scribal instruction, although it cannot absolutely be excluded that the Hittite-language text was read aloud at court for the entertainment of the king and his associates. Nonetheless, as has long been recognized, the material from Boğazköy has been of particular importance to modern scholars in reconstructing the epic and analyzing its development, since it documents a period in the history of the narrative’s progressive restructuring and elaboration for which very few textual witnesses have yet been recovered from Mesopotamia itself. And it is this very Middle Babylonian or Kassite period to which scholarly consensus assigns the composition of the final, “canonical,” version of the epic.

Gary Beckman is George C. Cameron Professor of Ancient Near Eastern Languages and Cultures in the Department of Middle East Studies at the University of Michigan.

Gilgámesh: a vida de um poema

Atualizado em

SCHMIDT, M. Gilgamesh: The Life of a Poem. Princeton, NJ: Princeton University Press, 2019, 192 p. – ISBN 9780691195247.

Neste livro Michael Schmidt discute o fascínio especial que a epopeia de Gilgámesh exerce sobre os poetas contemporâneos, argumentando que parte de seu apelo é sua cativante alteridade. Ele reflete sobre o trabalho de importantes poetas, como Charles Olson, Louis Zukofsky e Yusef Komunyakaa, cujos encontros com o poema são reveladores.

 

Gilgamesh is the most ancient long poem known to exist. It is also the newest classic in the canon of world literature. Lost for centuries to the sands of the Middle EastSCHMIDT, M. Gilgamesh: The Life of a Poem. Princeton, NJ: Princeton University Press, 2019 but found again in the 1850s, it tells the story of a great king, his heroism, and his eventual defeat. It is a story of monsters, gods, and cataclysms, and of intimate friendship and love. Acclaimed literary historian Michael Schmidt provides a unique meditation on the rediscovery of Gilgamesh and its profound influence on poets today.

Schmidt describes how the poem is a work in progress even now, an undertaking that has drawn on the talents and obsessions of an unlikely cast of characters, from archaeologists and museum curators to tomb raiders and jihadis. Incised on clay tablets, its fragments were scattered across a huge expanse of desert when it was recovered in the nineteenth century. The poem had to be reassembled, its languages deciphered. The discovery of a pre-Noah flood story was front-page news on both sides of the Atlantic, and the poem’s allure only continues to grow as additional cuneiform tablets come to light. Its translation, interpretation, and integration are ongoing.

In this illuminating book, Schmidt discusses the special fascination Gilgamesh holds for contemporary poets, arguing that part of its appeal is its captivating otherness. He reflects on the work of leading poets such as Charles Olson, Louis Zukofsky, and Yusef Komunyakaa, whose own encounters with the poem are revelatory, and he reads its many translations and editions to bring it vividly to life for readers.

 

Ele diz, no Prefácio do livro, que fez, por escrito, 5 perguntas para 50 poetas do mundo de língua inglesa sobre sua relação com a epopeia de Gilgámesh.

1. Quando foi que você encontrou o poema e em qual tradução, ou qual adaptação e meio?

2. Qual é atualmente sua tradução ou versão preferida?

3. Você se lembra da sua impressão inicial do poema? Que relação você tem com ele quando escreve ou planeja escrever?

4. Você o coloca, em sua biblioteca física ou mental, em uma prateleira com épicos e escrituras, em outra prateleira ou em nenhuma prateleira?

5. Gilgámesh é um elemento de informação em seu processo criativo e crítico?

 

I wrote to fifty poets across the Anglophone world and asked them five questions about Gilgamesh. It is hard to frame questions that do not prompt specific answers and reveal more about the questioner than the poem. I wanted the poem to pose its questions.

1. When do you first remember encountering the poem and in which translation (or which adaptation and medium)? [What mattered was the first remembered encounter, the real engagement. It might have come not by textual means but via the collages of Anselm Kiefer, or a surprising episode of Star Trek: the Next Generation, or via oratorios, operas or animations.]

2. Which is now your preferred translation or version?

3. Do you recall your initial impression of the poem? What residual relationship do you have with it in your own writing and thinking about writing? [Men and women responded very differently, almost as though the material of the poem is fundamentally gendered; and unless the reader is able to engage with the textures of the language or to historicise response, the narrative can alienate anyone impatient with heroes and dragons.]

4. Do you place it, in your literal or mental library, on a shelf with epics, with scripture, on another shelf (which?), or on no shelf at all?

5. Is Gilgamesh an informing element in your imaginative and critical being, or ‘being’, and if so, in what ways?

Most respondents first read the poem in N. K. Sandars’s prose translation, the original Penguin Classics version. Dick Davis, the poet and major Persian translator, describes it: ‘the prose of [her] version is quasi King James Bible English, loosened but recognizably on that model, and I have always been a sucker for prose like this, and this was/is an added reason it has remained my preferred version, even though I am aware that this is a rather dubiously appropriate model.’ Some of those reared on Sandars have gone on to other preferences. But there is something to be said for a prose version first time round: it gives the narrative clearly, without the distraction of gaps and fissures. It does, however, pose other problems.

This book recounts some of the stories surrounding Gilgamesh. It looks at the work itself and tries to read it without the back-projections that mar so much reading, the belief that ‘they’ were like an earlier version of ‘us’, and their concerns were in some way prototypes of ours. The otherness of Gilgamesh is what this book tries to be about, though the habits of the age infect the author, who is in the first degree guilty, being—like most of the poem’s would-be translators—unable to read the work in any of its original languages.

 

Michael Schmidt is a literary historian, poet, novelist, translator, and anthologist as well as an editor and publisher. His books include The Novel: A Biography and The First Poets. A fellow of the Royal Society of Literature, he received an OBE in 2006 for services to poetry and higher education. He lives in Manchester, England. Twitter @4Michael7

A epopeia de Gilgámesh e a Bíblia

Atualizado em

Um artigo:

The Influence of Gilgamesh on the Bible – By Louise M. Pryke – The Bible and Interpretation: November 2019

Existem apenas algumas referências não cuneiformes a Gilgámesh. A narrativa do dilúvio da epopeia de Gilgamesh continua sendo a conexão mais evidente entre a Bíblia Hebraica e a narrativa épica da Mesopotâmia, um século e meio depois de George Smith tê-la notado pela primeira vez. A narrativa do dilúvio no texto bíblico não é, no entanto, o único ponto de contato entre as duas obras da literatura antiga. O nome do herói da epopeia de Gilgámesh pode ser encontrado em um texto dos Manuscritos do Mar Morto conhecido como O Livro dos Gigantes.

There are only a handful of non-cuneiform references to Gilgamesh. The Flood narrative from the Gilgamesh Epic remains the most overt connection between the Hebrew Bible and the Mesopotamian epic narrative, some hundred years after it was first noted by George Smith. The Flood narrative within the biblical text is not, however, the only point of contact between the two works of ancient literature. The name of the heroic protagonist of the Gilgamesh Epic may be found in a text from the Dead Sea Scrolls known as The Book of Giants.

 

Um livro:

PRYKE, L. M. Gilgamesh. London: Routledge, 2019, 256 p. – ISBN 9781138860698

Gilgamesh focuses on the eponymous hero of the world’s oldest epic and his legendary adventures. However, it also goes further and examines the significance of the story’s Ancient Near Eastern context, and what it tells us about notions of kingship, animality, and the natures of mortality and immortality.PRYKE, L. M. Gilgamesh. London: Routledge, 2019

In this volume, Louise M. Pryke provides a unique perspective to consider many foundational aspects of Mesopotamian life, such as the significance of love and family, the conceptualisation of life and death, and the role of religious observance. The final chapter assesses the powerful influence of Gilgamesh on later works of ancient literature, from the Hebrew Bible, to the Odyssey, to The Tales of the Arabian Nights, and his reception through to the modern era.

Gilgamesh is an invaluable tool for anyone seeking to understand this fascinating figure, and more broadly, the relevance of Near Eastern myth in the classical world and beyond.

 

Louise M. Pryke is a Lecturer for the Languages and Literature of Ancient Israel at Macquarie University, Australia, and a Research Associate at the University of Sydney. Gilgamesh is her second volume in the Gods and Heroes of the Ancient World series. Her first book for the series, Ishtar, explored the world’s first goddess of love.