Biomas brasileiros e defesa da vida

:. “Admirar os biomas é contemplar a obra do criador”, afirma cardeal Sergio da Rocha

Como bem sabemos, a importância da Campanha da Fraternidade tem crescido a cada ano, repercutindo não apenas no interior das comunidades católicas, mas também nos diversos ambientes da sociedade, especialmente pela sua natureza e pela iminência dos assuntos abordados”. Foi com estas palavras que o arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Sergio da Rocha, abriu oficialmente a Campanha da Fraternidade 2017.

A cerimônia ocorreu na sede da entidade, nesta quarta-feira, 1º de março, em Brasília (DF). Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida”, este ano, a Campanha busca alertar para o cuidado e o cultivo dos biomas brasileiros: Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa, Pantanal e Amazônia. Além disso, enfatiza o respeito à vida e a cultura dos povos que neles habitam. O lema escolhido para iluminar as reflexões é “Cultivar e guardar a criação (Gn 2, 15)”.

Para dom Sergio, a temática é de extrema urgência. “Cada Campanha da Fraternidade quer nos ajudar a vivenciar a fraternidade em um campo específico da vida ou da realidade social brasileira que tem necessitado de maior atenção e empenho, e este ano o tema escolhido é de grande notoriedade”, enfatizou. Ainda de acordo com ele, é preciso que as pessoas conheçam os biomas a fundo para poderem “contemplar a beleza e a diversidade que estão estampados no próprio cartaz da Campanha da Fraternidade”.

Na mesa de abertura, dom Sergio disse ainda que não bastava apenas conhecer os biomas e que era preciso também refletir sobre a presença e sobre a ação humana nesses ambientes. Ele também ressaltou a valorização dos povos originários, que de acordo com ele são “verdadeiros guardiões dos biomas”. “Nós precisamos valorizar, defender a vida e a cultura desses povos, mas também somos motivados a refletir sobre as causas dos problemas que afetam os biomas como, por exemplo, o desmatamento, a poluição da natureza e das nascentes. Necessitamos também refletir sobre a ação de cada um de nós e nossas posturas nos biomas onde estamos inseridos”, disse.

Por último, o bispo destacou que pode haver um certo estranhamento por parte das pessoas em relação à Igreja ter escolhido este assunto para a Campanha, mas segundo ele, ninguém pode assistir passivamente à destruição de um bioma ou de sua própria casa, da Casa Comum. “O assunto de fato não pode ser descuidado, não pode ser deixado para depois, ele necessita da atenção e dos esforços de todos. O tema tem sim muito a ver com a fé em Cristo, com a fé no criador, com a palavra de Deus, e admirar os biomas é contemplar a obra do criador”, finalizou.

O presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado federal Alessandro Molon, compôs a mesa da cerimônia e, em sua fala, agradeceu pela escolha do tema por parte da Igreja no Brasil, considerando a iniciativa um serviço de extrema importância para o país e para a proteção do meio ambiente… (continua)

Fonte: CNBB

Campanha da Fraternidade 2017: biomas brasileiros e a defesa da vida

:. Degradação da natureza e agravamento da pobreza são frutos do sistema de produção, de consumo e de especulação que impera. Entrevista especial com Ivo Poletto – IHU On-Line: 03.03.2017
Biomas brasileiros e a defesa da vida é o tema da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano. Não é a primeira vez que a dimensão socioambiental da vida é abordada, lembra o filósofo e cientista social Ivo Poletto. Em 2007, a temática foi Fraternidade e Amazônia; em 2011, a temática enfrentou as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Poletto lembra que na primeira Campanha não foi fácil mobilizar as pessoas em favor da Amazônia, pois era vista como uma realidade distante. “Foi neste ano, com certeza, que nasceu a reivindicação em favor de uma CF que encarasse a realidade de todos os biomas do país”, avalia.

Poletto considera que a escolha do tema de 2017 se relaciona “com o avanço da consciência de muitos cristãos/ãs e, de modo especial, os animados pelas pastorais sociais, pela Cáritas e pelo Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social”. Isso decorre do fato de que “todos os biomas estão sendo afetados por ações humanas e precisam, por isso, de uma atenção cuidadosa e de práticas que ajudem a Terra a recuperar as suas características originais”. Há outro motivo, que é “o insistente convite do papa Francisco a todas as pessoas – de modo especial na sua encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum – para que se deem conta de como a vida está ameaçada no planeta Terra e de como é urgente a mudança estrutural do sistema econômico dominante e do estilo de vida dos que estão envolvidos no produtivismo e no consumismo”.

O tema não é fácil de tratar, reconhece Poletto. “Na maior parte das vezes, a visão eclesial esteve centrada no ser humano, no seu direito a um ambiente saudável. Tem sido difícil superar o antropocentrismo, justificado até mesmo por leituras do Gênesis, em que a narrativa da Criação afirmaria o ser humano como centro, como destinatário de tudo que Deus fez”, afirma. “Não é correto dizer que a humanidade enfrenta duas crises, a social e a ambiental. Só há uma crise, de caráter socioambiental. Tanto a degradação da natureza quanto o agravamento da pobreza são frutos do sistema de produção, de consumo e de especulação que domina a terra e as pessoas.”

Ivo Poletto é filósofo e cientista social. Trabalha atualmente como assessor educacional no Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, que articula movimentos, entidades e pastorais sociais em torno da defesa dos direitos sociais da população afetada pelas mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global. Entre 1975 e 1992, foi o 1º secretário executivo da Comissão Pastoral da Terra; de 1993 a 2002, foi assessor da Cáritas Brasileira; em 2003 e 2004, foi membro da Equipe de Mobilização Social do Programa Fome Zero, do governo federal – sobre esse período, escreveu o livro Brasil: oportunidades perdidas – Meus dois anos no Governo Lula (Editora Garamond, 2005). Confira a entrevista.

:. Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida – IHU On-Line: 24.02.2017
“A Campanha da Fraternidade 2017 nos ajuda a entender mais profundamente o sentido da Quaresma, que é um tempo forte de mudança de vida e de preparação para a Páscoa: passagem para a Vida Nova em Cristo, vida de amor verdadeiro, baseado na gratuidade e na busca de radicalidade. Sem esse amor verdadeiro não há Fraternidade (ou Irmandade)”, escreve Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção – SP) e professor aposentado de Filosofia (UFG)

:. Campanha pelos biomas brasileiros – IHU On-Line: 10.02.2017
“O Brasil em sua vasta dimensão territorial possui seis biomas: a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pantanal e o Pampa. Cada determinação se caracteriza, pois, pela dinâmica de semelhança que forma o ecossistema, isto é, pela similaridade de vegetação, de clima e formação histórica”, escreve Felipe Augusto Ferreira Feijão, estudante de Filosofia Faculdade Católica de Fortaleza (FCF).

:. Cerrado. O pai das águas do Brasil e a cumeeira da América do Sul – Revista IHU On-Line n. 382 – 28.11.2011
Considerado o celeiro do mundo e o berço das águas do Brasil, o Cerrado brasileiro desfruta de uma biodiversidade ainda pouco conhecida por muitos brasileiros e brasileiras. A IHU On-Line desta semana dá continuidade à série referente aos diferentes biomas brasileiros. A revista já abordou os biomas Floresta Amazônica, o Pampa, o Pantanal e a Floresta de Araucária. Buscando conhecer um pouco mais a cumeeira da América do Sul e o pai das águas do Brasil, vários pesquisadores e pesquisadoras contribuem nesta edição.

:. SOS Cerrado – Site do fotógrafo Carlos Terrana

> Os biomas brasileiros e a teia da vida – Evento IHU: 15 de março a 14 de junho de 2017. Clique aqui

Francisco sobre o clima: caminharemos para o suicídio?

Desde 30 de novembro está sendo realizada, em Paris, a XXI Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, também conhecida como Conferência das Partes (COP21), onde se busca chegar a um acordo que evite uma temperatura global acima dos 2ºC, pois, caso contrário, levar-nos-ia a ultrapassar o ponto de não retorno de uma espiral ascendente de consequências apocalípticas.

Francisco falou sobre o tema com os jornalistas na viagem de volta da África. Cf. aqui [atualização feita em 02.12.2015 – 17h00]

:: Sem acordo climático, “estamos no limite do suicídio”, diz papa – Brasil 24/7 – 30/11/2015
O papa foi perguntado se a conferência do clima da Organização das Nações Unidas em Paris marcaria uma virada na luta contra o aquecimento global. “Eu não tenho certeza, mas eu posso dizer para você que é agora ou nunca”, declarou ele. “A cada ano os problemas ficam piores. Estamos no limite. Se eu puder usar uma palavra forte, eu diria que nós estamos no limite do suicídio.”

:: El Papa sobre el clima: “o se cambia ahora o nunca más. Estamos al borde de un suicidio” – Andrea Tornielli – Vatican Insider – 30/11/2015
El mundo está al borde del suicidio, si no cambia decididamente la dirección para afrontar los problemas relacionados con el cambio climático relacionados con el actual modelo de desarrollo. Lo dijo Papa Francisco dialogando con los periodistas durante el vuelo que lo llevó de Bangui a Roma.

:: Il Papa: “Clima: si cambi ora o mai più. Siamo al limite del suicidio” – Andrea Tornielli – Vatican Insider – 30/11/2015
Francesco dialoga con i giornalisti sul volo di ritorno dall’Africa: “Siamo al limite di un suicidio per dire una parola forte e io sono sicuro che quasi la totalità di quelli che sono a Parigi hanno questa coscienza e vogliono fare qualcosa”.

:: Francis: “Regarding the climate, it’s either now or never. We are on the verge of suicide” – Andrea Tornielli – Vatican Insider – 11/30/2015
The world is on the verge of suicide if we do not radically change the way in which we deal with problems linked to climate change and the current development model. Francis said this in his conversation with journalists on board the flight from Bangui to Rome. The Pope also responded to a couple of questions about the Vatileaks scandal.

Leia Mais:
Sobre a encíclica ecológica de Francisco

Francisco e os prefeitos

Na tarde de terça-feira, 21 de julho de 2015, às 17h00, o Papa Francisco falou na Aula do Sínodo no Vaticano ao Workshop Modern Slavery and Climate Change: the Commitment of the Cities, organizado pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais, do qual participaram mais de 60 prefeitos de grandes cidades do planeta, para enfrentar duas emergências interligadas: a crise climática e as novas formas de escravidão. Do Brasil participaram os prefeitos de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Goiânia.

O discurso de Francisco, em espanhol, começa assim:

Les agradezco sinceramente, de corazón el trabajo que han hecho. Es verdad que todo giraba alrededor del tema del cuidado del ambiente, de esa cultura del cuidado del ambiente. Pero esa cultura del cuidado del ambiente no es una actitud solamente – lo digo en buen sentido- “verde”, no es una actitud “verde”, es mucho más. Es decir, cuidar el ambiente significa una actitud de ecología humana. O sea, no podemos decir: la persona está aquí y el Creato, el ambiente, está allí. La ecología es total, es humana. Eso es lo que quise expresar en la Encíclica “Laudato Si”: que no se puede separar al hombre del resto, hay una relación de incidencia mutua, sea del ambiente sobre la persona, sea de la persona en el modo como trata el ambiente; y también, el efecto de rebote contra el hombre cuando el ambiente es maltratado. Por eso, frente a una pregunta que me hicieron yo dije: “no, no es una encíclica ‘verde’, es una encíclica social”. Porque dentro del entorno social, de la vida social de los hombres, no podemos separar el cuidado del ambiente. Más aun, el cuidado del ambiente es una actitud social, que nos socializa en un sentido o en otro -cada cual le puede poner el valor que quiere- y por otro lado, nos hace recibir – me gusta la expresión italiana cuando hablan del ambiente- del “Creato”, de aquello que nos fue dado como don, o sea, el ambiente (Encuentro sobre “Esclavitud moderna y cambio climático: el compromiso de las grandes ciudades” – Intervención del Santo Padre Francisco: 21 de julio de 2015).

:: O discurso do papa aos prefeitos do mundo  – Notícias: IHU On-Line 22/07/2015

Agradeço-lhes sinceramente, de coração, pelo trabalho que fizeram. É verdade que tudo girava em torno do tema do cuidado do ambiente, dessa cultura do cuidado do ambiente. Mas essa cultura do cuidado do ambiente não é uma atitude somente – digo no bom sentido – “verde”, não é uma atitude “verde”, é muito mais.

Isto é, cuidar do ambiente significa uma atitude de ecologia humana. Ou seja, não podemos dizer: a pessoa está aqui, e a Criação, o ambiente está ali. A ecologia é total, é humana. Isso é o que eu quis expressar na encíclica Laudato si’: que não se pode separar o homem do resto, existe uma relação de incidência mútua, seja do ambiente sobre a pessoa, seja da pessoa no modo como trata o ambiente; e também o efeito de rebote contra o homem, quando o ambiente é maltratado.

Por isso, diante de uma pergunta que me fizeram, eu disse: “Não, não é uma encíclica ‘verde’, é uma encíclica social” (continua).

Leia Mais:
Prefeitos do mundo inteiro reunidos no Vaticano para discutir sobre o clima e as escravidões modernas
Il Papa incontra i sindaci e spera in un accordo sul clima a Parigi
No Vaticano, prefeitos lançam uma coalizão para as cidades sustentáveis
A carta dos Movimentos Populares aos prefeitos
E sopra um vento de ar puro… Os dois anos de Papa Francisco em debate

Sobre a encíclica ecológica de Francisco

«LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras». Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou.

O Vaticano divulgou na manhã de ontem, 18 de junho de 2015, a nova Encíclica do papa Francisco, “Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum”. O texto trata da ecologia humana e o clima está no centro das preocupações apresentadas pelo pontífice. Além disso, são apontadas as problemáticas e desafios de preservação e prevenção, como também aspectos da proteção à criação e questões como a fome no mundo, pobreza, globalização e escassez.

:: Leia a encíclica em português – ou em outras línguas

Nascente do Rio Paranaíba secou

Se não mudarmos a forma como estamos usando os recursos naturais, é possível que isso continue ocorrendo e culmine em problemas maiores, o que pode afetar várias cidades da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba

Estiagem em MG faz secar uma das principais nascentes do Rio Paranaíba

O longo período de estiagem [em 2014] tem afetado a região do Triângulo Mineiro e causado prejuízos. Uma das preocupações dos moradores e ambientalistas da região é com a nascente do Rio Paranaíba, que está secando com o longo período sem chuvas.

Nas nascentes dos afluentes a situação não é diferente. Segundo o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) dos Afluentes do Alto Paranaíba, Antônio Geraldo de Oliveira, as que não secaram, perderam pelo menos um terço da vazão. “Já começa, perto das nascentes, o impacto. Depois, tem a poluição com esgoto. Isso prejudica as hidrelétricas e o transporte hidroviário”, explicou.

O Paranaíba é um dos rios que formam o Rio Paraná. Da nascente segue cerca de 250 quilômetros até a divisa entre Minas, Goiás e Mato Grosso do Sul. A bacia hidrográfica do Paraná ocupa 2,6% do território nacional, tem quatro grandes usinas hidrelétricas e é essencial para 197 municípios brasileiros [o Rio Paranaíba passa por Patos de Minas].

A nascente seca não prejudica o volume do rio porque ele tem vários afluentes. Mas segundo o biólogo da Universidade Federal de Viçosa, Vinícius Albano Araújo, a situação é um alerta da natureza. “Se não mudarmos a forma como estamos usando os recursos naturais, é possível que isso continue ocorrendo e culmine em problemas maiores, capazes de afetar várias cidades”, afirmou.

Segundo o dono da propriedade onde a nascente está, Márcio José da Silva, o problema começou a se agravar em 2013. “Não choveu em dezembro, nem em janeiro, nem em fevereiro. Tem que diminuir mesmo”, explicou.

Fonte: G1 Triângulo Mineiro – 15/10/2014 20h16

O rio Paranaíba, juntamente com o rio Grande, é um dos formadores do rio Paraná. Sua nascente está situada na Serra da Mata da Corda, no município de Rio Paranaíba/MG, e possui altitude de cerca de 1.100 m. Percorre aproximadamente 100 km até alcançar o perímetro urbano de Patos de Minas/MG e segue mais cerca de 150 km até tornar-se limítrofe entre os Estados de Goiás e Minas Gerais. Neste ponto, encontram-se os limites municipais entre Coromandel e Guarda-Mor em Minas Gerais, e Catalão em Goiás. A partir deste trecho, o rio Paranaíba continua sendo o divisor entre Goiás e Minas Gerais até o município de Paranaíba/MS, onde passa a formar a divisa entre os Estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. O Paranaíba segue até a confluência com o rio Grande, exutório da bacia, para formar o rio Paraná.

Após tornar-se limite estadual, o rio Paranaíba recebe o rio São Marcos, um de seus principais afluentes pela margem direita, onde alcança o reservatório da usina hidrelétrica – UHE Emborcação. A jusante recebe o rio Araguari pela margem esquerda e o rio Corumbá pela margem direita. Estes dois cursos d’água desembocam em áreas de remanso do reservatório da UHE Itumbiara, que também está situada no rio Paranaíba.

Ao passar entre os municípios de Itumbiara/GO e Araporã/MG, o rio Paranaíba encontra a UHE Cachoeira Dourada. A partir desse ponto, o rio recebe outros três grandes afluentes da bacia, que são os rios Meia Ponte e Turvo e dos Bois pela margem direita, e o rio Tijuco pela margem esquerda. Em seguida, encontra um outro barramento, a UHE São Simão, que é a última usina do rio Paranaíba, a partir da qual se inicia a hidrovia Tietê-Paraná, com vários terminais para o transporte de grandes cargas.

Em seu trecho final, recebe os rios Claro, Verde e Corrente, afluentes na sua margem direita. Em seguida o rio Paranaíba recebe o rio Aporé ou do Peixe, rio limítrofe entre Goiás e Mato Grosso do Sul, e assim inicia-se a fronteira entre o Estado do Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Depois de aproximadamente 100 km, o rio Paranaíba encontra o rio Grande para formar o rio Paraná (Do site do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba).

Leia Mais:
Nível do rio que abastece Patos de Minas diminui e medidas são tomadas
Degradação de veredas causa perda de fontes de água de famílias de MG
Principal nascente do Rio São Francisco secou
Calor bate recorde histórico em cidades da região de Ribeirão Preto
Falta d’água no Estado de São Paulo afeta milhões de pessoas

Principal nascente do Rio São Francisco secou

Isso não é comum, é preocupante. Não há dúvida de que algo em grande escala está mudando em nosso ecossistema. Dura constatação no primeiro dia da primavera!

Diretor de parque diz que principal nascente do Rio São Francisco secou

Essa nascente é a principal de toda a extensão do rio, que tem cerca de 2.700 km. O São Francisco é o maior rio totalmente brasileiro, e sua bacia hidrográfica abrange 504 municípios de sete unidades da federação. Ele nasce na Serra da Canastra, em Minas, e desemboca no Oceano Atlântico na divisa entre Alagoas e Sergipe (…)  A água dos principais afluentes está chegando ao nível zero, e a biodiversidade do rio está comprometida, além de a qualidade do rio estar se deteriorando (…) As represas de Três Marias e de Sobradinho estão com níveis baixíssimos e os impactos são catastróficos. No Baixo São Francisco o oceano está invadindo o rio e salinizando a água doce…

Leia o texto, veja as fotos e confira mais notícias aqui.

Fonte: Caroline Aleixo e Carolina Portilho: G1 – 23/09/2014 19h51

Atualização: 29/11/2014 – 19h15

Água brota da nascente histórica do Rio São Francisco após chuvas – Anna Lúcia Silva: G1 29/11/2014
Após dois meses seca, a nascente histórica do Rio São Francisco brotou novamente. Segundo o diretor do Parque Nacional da Serra da Canastra, Luiz Arthur Castanheira, o fato foi oficializado no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) nesta sexta-feira (28), mas ainda não se sabe o dia exato em que ocorreu o fenômeno. Até o momento foram registrados mais de  370 milímetros de chuvas na região. “O volume foi o suficiente para alimentar o lençol freático e brotar de novo a água da nascente”, afirmou o diretor do parque.

Leia Mais:
Pesquisadores anunciam a ‘extinção inexorável’ do Rio São Francisco

O calor de janeiro de 2014

O janeiro de 2014 será lembrado por muitos brasileiros como um dos meses mais quentes de suas vidas. E, neste começo de fevereiro, as altas temperaturas predominam em grande parte do país

Janeiro é marcado por extremos de calor no Brasil – Fabiano Ávila: Instituto CarbonoBrasil 03/02/2014 [este texto pode ser lido também aqui]

O janeiro de 2014 será lembrado por muitos brasileiros como um dos meses mais quentes de suas vidas. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre estão entre as cidades que estabeleceram novos recordes para o calor. A capital paulista apresentou no mês passado a média de 31,9°C, a mais alta desde que as medições começaram, em 1943. Já o Rio de Janeiro teve média de 36,2°C, a maior dos últimos 30 anos. Por sua vez, os porto-alegrenses tiveram que enfrentar a média de 33,1°C, a mais quente desde 1916. Para o Inmet, as causas para as temperaturas elevadas são: um sistema de alta pressão no oceano, que acaba trazendo o vento quente do Norte do país para o Sul, e o bloqueio atmosférico que atua no Uruguai e não deixa as frentes frias chegarem ao Brasil para baixar os termômetros. De acordo com a agência de meteorologia Somar, o calor deve prosseguir durante a primeira metade de fevereiro em boa parte do país, justamente por causa do bloqueio atmosférico. “Esse sistema é composto por ventos no alto da atmosfera, chamados de Corrente de Jato, que ganharam força e impedem que as frentes frias cheguem ao Brasil”, afirmou Celso Oliveira, meteorologista do Somar (…) Não se pode atribuir as causas do calor atual – o sistema de alta pressão e o bloqueio atmosférico – ao aquecimento global. Porém, esse cenário de recorde de temperaturas e suas consequências é justamente o que cientistas vêm tentando evitar, alertando para a necessidade de ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. De acordo com o primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1) do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), divulgado no final do ano passado, o Brasil poderá ficar até 6°C mais quente até 2100 (…) O Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC) também nos alerta há décadas para os problemas que enfrentaremos se nada for feito para frear o aquecimento global, como a maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos. A entidade também salienta que é cada vez mais evidente de que o homem está por trás da elevação das temperaturas. Na última semana, o IPCC divulgou a versão final de seu mais recente relatório sobre as bases científicas das mudanças climáticas. O documento destaca que é extremamente provável que mais da metade do aumento das temperaturas médias na superfície global entre 1951 a 2010 tenha sido causada pela maior concentração de gases do efeito estufa na atmosfera resultante das atividades humanas. “A influência humana foi detectada no aquecimento da atmosfera e do oceano, em mudanças no ciclo da água, na redução de neve e gelo, no aumento do nível dos oceanos e em transformações nos extremos climáticos”, conclui o relatório.

Leia o texto completo.

Leia Mais:
Janeiro termina com chuvas irregulares em boa parte do Brasil
O delta do Nilo prestes a desaparecer sob o mar

Gás de xisto no Brasil

Além da possibilidade de contaminação do Aquífero Guarani, críticos do fracking afirmam que essa opção é um “tiro no pé” da economia brasileira

Após leilão, cresce oposição à produção de gás de xisto no Brasil – Maurício Thuswohl: Carta Maior 03/12/2013

(…) a produção de gás de xisto [ou, no termo em inglês, shale gas] (…) ainda precisará vencer resistências na sociedade civil antes de se tornar uma opção energética viável no país. A produção, considerada altamente arriscada para o meio ambiente e com conseqüências sociais e econômicas nefastas que só agora começam a ser mensuradas em países como Estados Unidos, Argentina e França, sofre no Brasil a oposição de entidades representativas dos setores sindical, socioambiental e sanitário (…) A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes) questiona, sobretudo, o arriscado método de produção do gás de xisto, conhecido como fraturamento do solo ou, no termo em inglês, fracking: “O problema são as técnicas utilizadas para a extração do gás, é a metodologia que requer a fratura da rocha. Após explodir a rocha, é utilizada uma enorme quantidade de água com milhares de produtos químicos para liberar o gás. Não se conhece ainda ao certo o risco trazido pela injeção dessa água misturada no subsolo, o risco de se contaminar aquíferos freáticos. É isso o que a gente quer discutir, e que entende que deveria ter sido discutido antes do processo do leilão. Senão, acontece como na França: você começa, depois vê que tem impacto e proíbe. Para que isso?”, questiona Pauli.

Os métodos de extração do gás de xisto também são condenados pelos petroleiros: “A produção do gás e do petróleo de xisto é bastante perigosa, e o processo de fraturamento das rochas não é seguro. Injeta-se produtos químicos que podem contaminar os nossos rios e lagos, ameaçar a fauna e a flora. Nós temos o exemplo, na Argentina e no Texas (EUA), de mortandade de animais, de água da torneira pegando fogo”, enumera Emanuel Cancela (…) O  ex-secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Liszt Vieira (…), alerta que a exploração do gás de xisto pode jogar por terra parte do prestígio acumulado pelo Brasil nos últimos anos na seara ambiental. Uma das ameaças que teria impacto internacional, ressalta Liszt, seria a contaminação do Aquífero Guarani, já que 16 áreas arrematadas para exploração de gás de xisto estão situadas na Bacia do Paraná, exatamente em cima do aquífero.

“A contaminação do Aquífero Guarani, considerado o maior do mundo, é um risco concreto, e seria sem dúvida uma catástrofe ecológica de impacto internacional. A ANP autorizou o fraturamento do Folhelho Irati, no Paraná, mas essa rocha está situada a apenas centenas de metros abaixo do aquífero. Nós sabemos que pelo menos metade da água injetada no subsolo à grande pressão acaba retornando à superfície, carregada de metais pesados e centenas de aditivos químicos. Trata-se de um desastre anunciado”.

Leia o texto completo.

Observo que a minha região, Patos de Minas, pode estar ameaçada, pois estão pesquisando o gás de xisto por lá… Bem próximo do Rio Paranaíba, que pertence à Bacia do Paraná… Confira aqui.

A população desconhece os riscos, enquanto, por outro lado, os donos do poder e do dinheiro estão eufóricos…

Leia Mais:
Os riscos da exploração do gás de xisto

A luta pela terra no Brasil no século XXI

A questão da terra no Brasil está sempre em pauta nas agendas: do governo, da sociedade civil organizada, dos especuladores imobiliários, latifundiários, lobistas, grandes empresários, pecuaristas, madeireiros, tornando difícil a resolução de problemas, como o da reforma agrária, a demarcação de territórios indígenas, dos quilombolas e ribeirinhos, do meio-ambiente…

Algumas leituras recentes:

:: ”Documento sobre a questão agrária só deverá ser aprovado em 2014”, diz bispo
Durante a entrevista coletiva desta 51ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP), o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, Dom Guilherme Werlang, recordou o tema da questão Agrária no início do século XXI, que está em discussão no evento. “Em 2010 o assunto foi apresentado à Igreja num documento de estudos”, disse o bispo, que recordou a atuação da Igreja neste segmento (…) O bispo enfatizou que “o texto é urgente e necessário, e os bispos precisam dar uma palavra contundente sobre a questão agrária. Nós percebemos, porém, que não teríamos condições de finalizar o trabalho nesta Assembleia”. Por isso, foi decidido que o texto seja melhorado ao longo do ano de 2013, e aprovado finalmente na Assembleia de 2014. Dom Guilherme recordou outros temas que também serão abordados pelo documento. “Nós vamos trabalhar a questão da água também, que não está desvinculada da questão da terra e da mineração. Nós sentimos que há uma necessidade da sociedade como um todo repensar também esta questão e não mercantilizar a água”. A informação foi publicada pelo Boletim da CNBB – 15/04/2013.

:: ”Reforma agrária não foi prioridade de nenhum dos governos democráticos”
Em sua participação na coletiva de imprensa da sexta-feira, 12 de abril, o bispo de Balsas (MA) e presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Enemesio Angelo Lazzaris falou sobre a apresentação do Documento “A Igreja e a questão agrária no Século XXI”. Dom Enemesio explicou que o Documento é uma continuidade das reflexões que a CNBB tem feito ao longo dos anos. E citou o ano de 1954, quando se realizou a 2ª Assembleia Geral dos Bispos e cujo tema central foi a “Reforma Agrária”, o bispo também lembrou o ano de 1980 quando na 18ª AG o tema foi “Igreja e problemas da terra” e mais recentemente, em 2006, quando foi lançado o Documento “Os pobres possuirão a terra”. Dom Enemesio ressaltou que o Documento apresentado na 51ª AG composto por um breve histórico, quatro capítulos e conclusão “quer fazer entender de maneira crítica as velhas e novas razões do sofrimento e da violência que marcam e ensanguentam a nossa terra hoje talvez mais que ontem”. E reforçou dizendo que “de maneira clara o documento faz entender que a sempre prometida Reforma Agrária não foi prioridade de nenhum dos governos democráticos, menos ainda do governo atual”. O bispo fez uma alerta para a situação opressora que se encontram os povos indígenas, quilombolas, sem terras e escravizados do campo, que estão em condições degradantes. “Precisamos atuar, precisamos anunciar as coisas boas, mas precisamos denunciar as tantas formas de opressão, os gritos, as injustas que este povo sofre”.  A reportagem está no site da CPT e foi publicada em 15/04/2013.

:: A concentração de terra estimula a violência e a impunidade. Entrevista especial com Frei Henri B. des Roziers
“O julgamento que condenou os autores do assassinato de José Cláudio e Maria do Espírito Santo, mas absolveu o o suposto mandante é escandaloso e absurdo do ponto de vista jurídico”, diz o advogado e frei dominicano. “A violência no campo continua por causa da histórica e escandalosa concentração de terra, do modelo de desenvolvimento que privilegia o agronegócio, e da impunidade”. A entrevista foi publicada por IHU On-Line em 16/04/2013.

:: Ruralistas intensificam ofensiva contra povos indígenas em ações por todo o país através da PEC 215
A ofensiva do setor ruralista contra os povos indígenas está a todo vapor em um ano que antecede outro, o eleitoral, período dos mais emblemáticos para o país. Depois de o governo federal estancar a reforma agrária e dos parlamentares alterarem o Código Florestal, uma série de campanhas, protestos, audiências públicas, ações institucionais e busca por cadeiras e mesas em comissões no Congresso Nacional nutrem um único objetivo: desconstruir os direitos indígenas pela terra e paralisar a já quase inexistente demarcação de territórios de ocupação tradicional. A reportagem é de Renato Santana e foi publicada pelo portal do Cimi em 15/04/2013.

:: Líderes se reúnem em Brasília para discutir projetos contrários aos povos indígenas
Preocupados com as propostas legislativas e do Poder Executivo que, a seu ver, constituem uma ameaça aos direitos indígenas, representantes de povos de diversas etnias estão reunidos em Brasília, onde, entre hoje (15) e sexta-feira (19), ocorre o Abril Indígena. A expectativa é reunir 700 líderes indígenas ao longo da semana. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi)… o encontro é um dos mais importantes eventos anuais do segmento. Este ano, a preocupação é chamar a atenção da sociedade para propostas em andamento no Congresso e que podem ameaçar direitos indígenas fundamentais, como a proposta de emenda à Constituição (PEC) que pretende transferir para o Congresso Nacional a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas, quilombolas e de áreas de conservação ambiental. A reportagem é de Alex Rodrigues e foi publicada pela Agência Brasil em 15/04/2013.

Leia Mais:
A luta pela terra e sua representação na mídia