Artigos antigos e novos estão agora online

Estou colocando online antigos e novos artigos que antes só existiam até agora em publicações impressas, tais como as revistas Estudos Bíblicos, Vida Pastoral, REB, Cadernos do Cearp, Cadernos de Teologia e outras.

Os artigos antigos são revisados. Quando necessário, texto, notas de rodapé e bibliografia são atualizados.

A página de artigos tem agora 43 artigos. Ainda falta transcrever uma meia dúzia de artigos da década de 90. Virão em breve.

Do mais antigo para o mais novo, confira 18 artigos transcritos recentemente:

Marcos: um relato da prática de Jesus
Este texto foi escrito em 1981 para ser usado pelo Serviço de Pastoral Litúrgica da Arquidiocese de Ribeirão Preto, SP, em 1982, e fez parte do Projeto Marcos, um conjunto de atividades pastorais tendo o evangelho de Marcos como centro. Uma pergunta: chegar em Marcos de que lado? Geralmente a gente começa pelo autor, data e lugar em que o livro foi escrito, e as pessoas para quem o autor escreveu. Só depois é que se vai ao texto. Vamos percorrer outro caminho. Vamos começar pelo texto. Depois que compreendermos o texto e a maneira como foi criado, vamos compreender o resto. Publicado em 1982 – Última atualização: 2020.

Todos comeram e ficaram saciados: o milagre da multiplicação dos pães
Para compreendermos o milagre da multiplicação dos pães, de Mc 6,30-44, devemos fazer seis coisas: 1. Uma leitura de Mc 6,30-44; 2. Leitura de mais cinco textos onde aparecem outros relatos da multiplicação dos pães; 3. Perguntamos a Marcos por que ele contou este episódio neste lugar do evangelho; 4. Por falar em milagre, é bem possível que houvesse naquele tempo uma maneira costumeira de contar um fato desse tipo; 5. Perguntamos: qual é o recado que Marcos quer dar ao seu leitor? 6. Agora talvez possamos descobrir o sentido do texto para nós, leitores a quase dois mil anos de distância. Publicado em 1985 – Última atualização: 2020.

Leis de vida e leis de morte: os dez mandamentos e seu contexto social
O artigo trata do decálogo ou dez mandamentos em três momentos: na sociedade tribal, na sociedade tributária e na sociedade capitalista. Relaciona as “dez palavras” e seu contexto de elaboração e aplicação. A abordagem é sociológica. Há vários textos, na Bíblia, com dez e até doze mandamentos. Entre eles, dois são mais conhecidos: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21. Vamos olhar Ex 20,1-17. Publicado em 1986 – Última atualização: 2020.

Arrancar e destruir, construir e plantar: a vocação de Jeremias
No livro de Jeremias encontra-se uma página de extraordinária beleza e rico significado. É a que conta como Jeremias tornou-se profeta: Jr 1,4-19. É a história de sua vocação. Não é um relato imediato dos acontecimentos, mas densa revisão e reflexão madura sobre seus muitos anos de luta profética. A chave que abre o sentido da vida e da ação de Jeremias. Gostaria que o leitor me acompanhasse na leitura deste texto. Pois acredito que o espírito combativo de Jeremias pode nos estimular, hoje, diante das contantes crises que enfrentamos. Publicado em 1987 – Última atualização: 2020

Salmo 12: a denúncia profética da corrupção
Este é um salmo de exortação profética contra os ímpios. O profeta, no meio da multidão reunida para uma festa, denuncia aqueles que são infiéis à aliança por seus atos, sobretudo a injustiça e a apostasia. Vamos acompanhar a leitura do salmo 12 com dois olhares: um voltado para o passado, outro para o presente. No passado, vamos investigar o contexto, o sentido e as propostas do salmo 12. No presente, abordaremos o tema da corrupção, tratado pelo salmo, e tão em evidência nos dias que correm. Publicado em 1988 – Última atualização: 2020.

O relato de uma prática: roteiro para uma leitura de Marcos
Convido o leitor para uma visita ao evangelho de Marcos. E recomendo um roteiro para uma leitura contínua do texto. Proponho seguirmos os passos de Jesus e dos personagens que se movimentam ao seu redor, segundo o relato de Marcos. Descobriremos que a Boa-Nova foi anunciada em um contexto de intenso conflito e expectativa, e que o evangelho foi escrito para preservar uma memória proibida que alimentava a luta dos oprimidos. Publicado em 1989 – Última atualização: 2020.

Os mitos judaicos e a nossa realidade
A serpente que tenta Eva no paraíso, a árvore que produz um fruto proibido, Caim que assassina seu irmão Abel, Noé e sua arca cheia de animais sobrevivendo ao dilúvio, a torre de Babel que confunde as línguas: temas tão antigos, contados na linguagem do mito, mas que continuam extremamente atuais. Devem ser lidos para fazer a gente pensar e tomar uma atitude. Não para pensarmos no que aconteceu antigamente, mas para enxergarmos melhor o está acontecendo hoje e ver o que é possível fazer para melhorar o mundo. Publicado em 1995 – Última atualização: 2020.

Os essênios e os manuscritos do Mar Morto
Em fins de 1946 três jovens beduínos da tribo dos ta’amireh, que pastoreavam seus rebanhos em um oásis próximo ao Mar Morto, na Palestina, descobriram acidentalmente alguns manuscritos antigos dentro de uma gruta. Foi apenas o começo da mais importante descoberta de manuscritos do século XX. No total, cerca de mil documentos foram recuperados em 20 grutas no deserto de Judá, entre os anos de 1946 e 1966. Destes, em 11 grutas próximas às ruínas de Qumran, foram encontrados 11 manuscritos mais ou menos completos e milhares de fragmentos de outros cerca de 600 a 800 manuscritos em pergaminho e papiro. Publicado em 1996 – Última atualização: 2020.

Observações sobre algumas leituras de Marcos
A proposta deste artigo é a de servir ao leitor como orientação para a leitura de Marcos. Por isto comento dez das mais conhecidas obras sobre o evangelho de Marcos escritas entre 1966 e 1996, acessíveis em português e espanhol. A ordem seguida foi a da data da publicação original. Publicado em 1997 – Última atualização: 2020.

Os impérios não têm coração. A cidade grega e a etnia judaica
A noção grega de Estado é concretizada no Oriente ou na pólis, uma associação de cidadãos livres e autônomos baseada na vizinhança, ou no éthnos, uma relação de parentesco baseada na solidariedade dos laços de sangue. Judá é e permanece um éthnos também na administração selêucida. Mas a lei, baseada na vontade do rei selêucida – que reivindica tal direito como “direito de lança” por ser o conquistador – e não nas tradições dos antepassados codificadas na Torá, cria condições para que a aristocracia judaica substitua as leis étnicas por leis políticas. Publicado em 1997 – Última atualização: 2020.

Sobre a Teologia e novos paradigmas
A questão dos “novos paradigmas” é abordada por meio de uma aproximação da teologia com crises profundas vividas por Israel, mostrando a necessidade de se reinventar a sociedade face aos desafios históricos que constantemente se apresentam. Hoje, a teologia expulsa do paraíso de suas alianças e seguranças, vê-se diante da necessidade de recuperar sua força profética e seu compromisso com a vida, para ser instrumento útil na construção do shâlôm. Publicado em 1997 – Última atualização: 2020.

A origem dos antigos Estados israelitas
O que teria sido o primeiro ‘Estado Israelita’? Um reino unido, composto pelas tribos de Israel e Judá, dominando todo o território da Palestina e, posteriormente, sendo dividido em reinos do ‘norte’ e do ‘sul’? Ou seria tudo isto mera ficção, não tendo Israel e Judá jamais sido unidos? Existiu um Império davídico/salomônico ou só um pequeno reino sem maior importância? Se por acaso não existiu um grande reino davídico/salomônico, por que a Bíblia Hebraica o descreve? Além da Bíblia Hebraica, onde mais podemos buscar respostas? Publicado em 2003 – Última atualização: 2020.

Novos paradigmas no estudo do Pentateuco
Hoje muitos acreditam que esteja surgindo um novo paradigma nos estudos bíblicos. Em várias áreas dos estudos bíblicos. O tema é amplo. Este artigo desenha um panorama das mudanças pelas quais vem passando os estudos do Pentateuco desde a década de 70 do século XX, aponta as dificuldades que a crise vem criando e propõe algumas pistas de leitura para os interessados no assunto. Publicado em 2007 – Última atualização: 2020.

Superando obstáculos nas leituras de Jeremias
Nos anos 90 publiquei Nascido Profeta: a vocação de Jeremias. São Paulo: Paulus, 1992. Neste livro trato da vida Jeremias a partir de sua vocação, narrada em Jr 1,4-19. E, em determinado ponto, a questão do “ser profeta” precisou ser colocada. E não só em 600 a.C., mas também hoje. Podemos falar de profetas e profecia hoje? Vale a pena ser profeta? Como ler os profetas hoje? Como ler Jeremias hoje? Hoje, retomo estas questões. Publicado em 2010 – Última atualização: 2020.

Paideia grega e apocalíptica judaica
O artigo mostra a reação de Israel ao processo de helenização, especialmente a partir do segundo século antes de Cristo, quando surge a apocalíptica judaica. Esse movimento, de cunho mais literário, é uma radicalização da escatologia já existente em Israel, com a finalidade de resistir à destruição da identidade e dos valores ético-religiosos do povo judeu. Como exemplo dessa reação, é analisado um texto apocalíptico do livro de Daniel: 2,1-49. Face ao imperialismo, a sobrevivência passa pela convicção de que nem a sabedoria nem o poder humano podem confrontar o Deus verdadeiro de Israel. Publicado em 2012 – Última atualização: 2020.

Religião e formação de classes na antiga Judeia
Este artigo é um resumo do livro Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social, do alemão Hans G. Kippenberg. O livro procura relacionar o conteúdo das tradições religiosas judaicas com a vida social dos judeus. Duas tendências antagônicas, isto é, a de formação de classes sociais e aquela da solidariedade, formam dois complexos divergentes de tradição que fundamentam os conteúdos religiosos dos movimentos judaicos de resistência. Publicado em 2013 – Última atualização: 2020.

A história de Israel e Judá na pesquisa atual
Andrew Tobolowsky, do College of William and Mary in Williamsburg, Virginia, publicou, em 2018, na revista Currents in Biblical Research, um interessante artigo sobre a pesquisa da história de Israel e Judá na segunda década do século XXI: História israelita e judaíta em abordagens acadêmicas contemporâneas. O artigo está disponível online. Este texto é um resumo e uma tradução livre minha. Foi publicado no blog Observatório Bíblico, em 5 postagens, a partir de 15.10.2018, onde reproduzo, também, trechos do texto original em inglês. Sempre que o assunto tiver sido tratado nesta página ou no Observatório Bíblico, colocarei um link. As principais obras citadas terão links para a Amazon Brasil. Publicado em 2018 – Última atualização: 2020.

Notas sobre a pesquisa do livro de Oseias no século XX
Brad E. Kelle, da Point Loma Nazarene University, San Diego, California, publicou, em 2009 e 2010, na revista Currents in Biblical Research, dois importantes artigos sobre a pesquisa de Oseias no século XX e primeira década do século XXI: O casamento de Oseias na pesquisa do século XX e Oseias 4-14 na pesquisa do século XX. Os artigos estão disponíveis online. Vou resumir aqui os pontos principais destes dois artigos, na maior parte das vezes apenas traduzindo livremente alguns trechos ou organizando em outra ordem as palavras do autor. Publicado em 2020.

Neemias na RIBLA

Que seja uma boa contribuição ao estudo bíblico, especialmente para o povo na América Latina, Caribe e aos latino-americanos e caribenhos na diáspora. Que sua leitura ajude a manter o coração aquecido, renove as convicções e conserve a cabeça erguida, com o olhar fixo no horizonte

RIBLA, v. 81, n. 1, 2020: Neemias

RIBLA, v. 81, n. 1, 2020: NeemiasO estudo do livro de Neemias é assunto complexo. Por um lado, porque as informações históricas que o livro traz são confusas e contrariam as informações que o livro de Esdras, seu contemporâneo, traz. E estes dois livros da Bíblia são os únicos que apresentam dados históricos a respeito do período persa, que, como visto, são ambíguos. Por outro, porque, praticamente, não existem informações extrabíblicas acerca da província Yehud do período persa. A cidade de Jerusalém do período persa nunca foi encontrada, assim também as denominadas muralhas de Neemias, bem como o templo desse período. Além de que, os artefatos encontrados em Jerusalém, cerâmica do período persa, são poucos e de má qualidade. Ou seja, existe um grande vazio arqueológico do período persa. E, para aumentar, pesquisas recentes indicam que a Yehud persa era muito pequena. Seu perímetro geográfico era bem menor do que se supunha. E, para completar, foi descoberto que o centro da coleta de tributo persa não era o templo de Jerusalém, mas Ramat Rahel, um pequeno, mas importante núcleo recentemente escavado, e que dista cerca de quatro quilômetros de Jerusalém. Enfim, o que parece evidente é de que a Jerusalém do período persa, com o seu templo, era muito pobre. Corrobora com isso o fato de que é praticamente impossível situar com relativa precisão cronológica um texto bíblico atribuído ao período persa. Tudo isso é no mínimo sintomático. São duzentos anos de pouco conhecimento histórico a respeito da comunidade judaíta desse período.

Estas informações todas colocam uma grande interrogação sobre a tendência da pesquisa moderna de situar muita literatura bíblica como tendo sido produzida no período persa. De forma que, o livro de Neemias necessita de uma nova abordagem. Em parte, o presente número da RIBLA lida com estas questões (da apresentação).

Todos os artigos estão disponíveis para download gratuito em pdf.

Sumário

Apresentação – José Ademar Kaefer

Artigos

A pax Persica: o contexto imperial persa – Luiz Alexandre Solano Rossi

Reconstrução dos muros de Jerusalém: uma aproximação arqueológica e hermenêutica de Neemias 2,1-10 – 3,1-32 – Omar João da Silva

Uma nova abordagem bíblico-arqueológica do contexto histórico do livro de Neemias – José Ademar Kaefer, Suely Xavier

Etnicidad e identidad nacional en las políticas del sacerdocio posexílico: Una relectura socio-antropológica de Nehemías 3 y 4 – Abiud Fonseca

Os inimigos de Neemias em Ne 4,1-9 – Cecilia Toseli

¿Reforma social liberadora? Una lectura crítica a Nehemías 5,1-19 – Esteban Arias Ardila

Políticas que construyen murallas y dividen pueblos: Un análisis de Nehemías 4 y 6 – Jhon Fredy Mayor Tamayo

Nacimiento del judaísmo: Nehemías 8-10 – Bernardo Favaretto

Eles proíbem o casamento, mas não podem impedir o amor. Uma leitura da proibição dos casamentos mistos em Nm 13,23-29 – Antonio Carlos Frizzo

Lembra-te, meu Deus! Uma releitura dos sistemas de poder em Neemias – Francisco Orofino

Traduções da Bíblia na revista Pistis & Praxis

Formal sempre que possível, dinâmica sempre que necessária

Pistis & Praxis, Curitiba, v. 8, n. 1, 2016: Traduções da Bíblia

Revista Pistis & Praxis, CuritibaA tradução é uma intermediação. É uma importante ponte que possibilita a comunicação entre pessoas, culturas, mundos e épocas diferentes. A tradução de qualquer expressão, seja falada ou escrita, é sempre um processo bastante exigente. Porém, em se tratando da tradução de textos sagrados, considerados “Palavra de Deus”, essa intermediação torna-se ainda mais tensa e a complexidade alcança contornos extremamente acentuados. Com efeito, traduzir a Bíblia para as línguas modernas é tarefa árdua e apaixonante, atravessada por questões não só filológicas e históricas, mas também ideológicas e hermenêuticas. Como reconhecem os tradutores mesmos, trata-se de um labor cuidadoso, muitas vezes situado na estreita fronteira entre traducere (traduzir) e tradire (trair), tendo presente os textos originais, de um lado, e os interlocutores contemporâneos, de outro. Ademais, uma boa tradução é fundamental não só para uma boa exegese, mas também para uma boa leitura da Bíblia.

A importância da tradução da Bíblia, porém, contrasta com a escassez de reflexões e produção acadêmica nessa área no Brasil, apesar de termos já uma considerável caminhada em tradução e exegese da Bíblia realizada entre nós. Elegendo a Tradução da Bíblia como tema do dossiê do presente número da revista Pistis & Praxis, o Programa de Pós-Graduação “stricto sensu” em Teologia da PUCPR tem em vista quatro objetivos: 1. Estimular o intercâmbio e a discussão acadêmica sobre a tradução da Bíblia; 2. Refletir sobre os desafios apresentados aos tradutores e tradutoras da Bíblia pelas novas configurações da história de Israel e da história da redação da Bíblia, especialmente a partir das novas proposições advindas da arqueologia nas últimas décadas; 3. Evidenciar a complexidade intercultural e inter-religiosa da exegese e da tradução da Bíblia e discutir concepções teológico-doutrinárias colonialistas, preconceituosas, intolerantes e violentas, e outros problemas encontrados em algumas das traduções existentes; 4. Analisar as ferramentas impressas e eletrônicas utilizadas nesses trabalhos, como dicionários e léxicos de línguas bíblicas, entre outras.

Deste modo, esperamos contribuir para uma melhor qualificação dos trabalhos de tradução e de exegese bíblica realizados no Brasil, bem como alavancar uma maior inserção e participação da tradução e da exegese brasileiras na produção internacional de conhecimentos nesta área (do editorial).

Todos os artigos estão disponíveis para download gratuito em pdf.

 

Sumário

Editorial – Luiz José Dietrich, Marcial Maçaneiro

Dossiê

As dimensões temporais do verbo hebraico: desafio ao traduzir o Antigo Testamento – Matthias Grenzer

Hacia una ética de liberación para la traducción bíblica – Esteban Voth

Comprar gato por lebre O “assalto” teológico à abordagem histórico-filológica da raiz br’ entre os sáculos XVIII e XX – Osvaldo Luiz Ribeiro

As traduções da Bíblia publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil: breve histórico e características – Vilson Scholz

Traduções bíblicas católicas no Brasil (2000-2015) – Konings Konings

“Prostituta” ou “mulher sagrada”? A tradutologia de Antoine Berman e a tradução da Bíblia – Luiz José Dietrich Dietrich

Artigos

Religiões, cristianismo e a busca de uma terra habitável – Afonso Maria Ligorio Soares

A educação para o esporte na família – Denilson Geraldo

Alteridade e embrião humano: o rosto como exigência ética de acolhimento do outro – Marcos Alexandre Alves, Edson Sallin

Feminismo, subjetividades e pluralismo: crítica teológica feminista e os desafios da realidade social latino-americana – Claudio de Oliveira Ribeiro

Bíblia e arqueologia na revista Pistis & Praxis

Revista Pistis & Praxis, Curitiba, v. 12, n. 2, 2020: Bíblia e Arqueologia

Nos últimos trinta ou quarenta anos, uma grande mudança de perspectiva frente aos textos e à história de Israel, tem sido propiciada pela moderna arqueologia realizada na Palestina. Esta deixou de ser uma “Arqueologia Bíblica”, que inclinava-se a tomar a Bíblia como referencial para interpretar seus achados, para ser uma arqueologia independente, que com apoio de uma gama de ciências envolvidas no processo de interpretação dos achados arqueológicos, tem produzido mudanças radicais na compreensão da história de Israel e do processo que originou a Bíblia.
(…)
As pesquisas arqueológicas atualmente buscam esclarecer a situação de Judá-Israel no período do exílio e do pós-exílio. Especialmente sua capacidade de produzirRevista Pistis & Praxis, Curitiba sínteses escritas e textos que integrariam a Bíblia. Se no início desta nova forma de fazer arqueologia muitos pesquisadores afirmavam que quase toda a Bíblia teria sido produzida no período pós-exílico, para muitos, hoje, grande parte da redação dos textos bíblicos são frutos do período asmoneu.

Isso tudo impacta grandemente todo o campo dos estudos bíblicos. De forma especial impacta a concepção da História de Israel, da escrita e do caráter da Bíblia e de sua interpretação.

Hoje é patente o desafio e a necessidade de recriar uma nova narrativa histórica coerente com os estudos críticos da Bíblia, com as contribuições da exegese feminista e especialmente com a nova arqueologia. Urgente também é a revisão da compreensão dos processos que deram origem aos livros da Bíblia e de suas histórias da redação, para que consigamos interpretá-los de modo adequado aos contextos que os originaram, iluminando de modo mais profundo as práticas e as espiritualidades nos contextos atuais.

Atualmente se impõe cada vez mais a perspectiva de uma leitura descolonizada e descolonizadora da Bíblia. Isso se dá pela percepção de que a Bíblia e grande parte da história de Israel e também do cristianismo, desenvolveram-se como parte de interesses e projetos de dominação imperialista. As marcas desse processo estão presentes em muitos textos intolerantes e violentos da Bíblia e em perspectivas exclusivistas e desrespeitadoras dos direitos humanos de diversas correntes do judaísmo e do cristianismo da atualidade.

Felizmente a pesquisa bíblica brasileira vem acordando para estes aspectos e desafios e, embora com todas as dificuldades e falta de recursos que marcam muitos campos de pesquisa e ensino em nosso país, tem de modo crescente procurado colocar-se a par dos trabalhos realizados no exterior. Este Dossiê da Revista Pistis & Praxis – v.12, n.2, (2020): Bíblia e Arqueologia, composto de 10 artigos de pesquisadores(as) brasileiros(as) e estrangeiros, quer ser mais uma contribuição nestas buscas (do editorial).

Todos os artigos estão disponíveis para download gratuito em pdf.

Sumário

Editorial – Luiz Alexandre Solano Rossi, Luiz José Dietrich, Waldir Souza

Dossiê

“Um Edito” imperial e três versões de reconstruir a Yehud Persa – Antonio Carlos Frizzo

Learning to be a Biblical Scribe: Examples from the Letter Writing Genre – William M. Schniedewind

Observaciones metodológicas acerca de la arqueología bíblica y la interpretación bíblica – Aquiles Ernesto Martínez

Davi: um homem conforme o coração de Javé? – Luiz José Dietrich

Amós: narrativa, memória, cotidiano e profecia! (Anotações exegéticas e arqueológicas em Amós 1-2) – Suely Xavier dos Santos

O Exílio de Samaria – Cecilia Toseli

Análise do manuscrito pré-samaritano 4QPaleoExodm e sua relação com o manuscrito do Pentateuco Samaritano MS Add-1846 – Elcio Valmiro Sales de Mendonça

The Goddesses and Gods of Saul – Silas Klein Cardoso

YEHUD no período Persa – Luiz Alexandre Solano Rossi

Quando Judá se torna Israel – When Judah becomes Israel – José Ademar Ademar Kaefer

Artigos

Os diversos grupos matrizes formadores do povo de Israel – Andréa Bernardes de Tassis Ribeiro, Valmor da Silva

Texto e configuração poética da bênção em Nm 6,24-26 e nos rolinhos de prata de Ketef Hinnom – Matthias Grenzer, Hugo Chagas Feitosa

A preferência de Yahweh foi pelos detentores do poder (Esd 9-10) ou pelos humilhados (Rute)?: uma glosa que quis mudar tudo (Rt 4,17d-22) – Joel Antônio Ferreira

Hipótese sobre a introdução em Judá do sacrifício expiatório Gn 2,4b-3,24; 4,1-16 e 6,5- 9,17* como “eixo estrutural” de Gênesis 1-11 – Osvaldo Luiz Ribeiro

Revisitando o Prólogo Joanino – Gilvan Leite de Araújo

Reunião dos Biblistas Mineiros em 2020

No dia 15 deste mês de julho de 2020 os Biblistas Mineiros estiveram reunidos por videoconferência, via Skype, das 14h00 às 16h00.

Retomo aqui alguns pontos do relato de nosso Coordenador/Secretário Telmo José Amaral de Figueiredo.

Participantes:
Airton José da Silva
Cássio Murilo Dias da Silva
Fábio Cristiano Rabelo
Francisco Cornélio Freire Rodrigues
Gilvander Luis Moreira
Jacir de Freitas Faria
Jaldemir Vitório
Maria de Lourdes Augusta
Rita Maria Gomes
Solange Maria do Carmo
Telmo José Amaral de Figueiredo
Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa
Zuleica Aparecida Silvano

Ausências justificadas:
Felipe Cúrcio Ferreira Silva
José Luiz Gonzaga do Prado
José Raimundo Rodrigues
Marcus Mareano

Pauta:
1. Nosso grupo continua a existir? Em caso afirmativo, como?
2. O que fazer com os artigos preparados para o número 138 da revista Estudos Bíblicos?
3. Vamos participar, enquanto grupo, da nova revista Estudos Bíblicos?
4. Encaminhamentos práticos

1. Quanto ao futuro de nosso grupo

Foi praticamente unânime a decisão de que o grupo de Biblistas Mineiros, ou simplesmente, Biblistas Mineiros, deve continuar a existir. Eis as principais motivações expostas:

• Apesar de nosso grupo ter iniciado a sua caminhada, na década de 80 do século XX, tendo em vista realizar estudos e produzir artigos para a revista Estudos Bíblicos publicada pela Editora Vozes, de Petrópolis, ele não precisa, necessariamente, prosseguir com esse escopo

• Aquilo que sempre constituiu a riqueza de nosso grupo foram a amizade, a troca de experiências, o livre debate de ideias, o apoio à pesquisa, auxílio mútuo, a grande pluralidade de seus membros, o contato pessoal e caloroso e tantas outras características positivas

• A identidade principal de nosso grupo é a preocupação pastoral. Nosso anseio jamais foi, propriamente, realizar pesquisa e produzir textos acadêmicos. Pelo contrário, aquilo que mais nos impulsionava era auxiliar as lideranças de nossas igrejas, movimentos sociais e estudantes de teologia terem acesso ao melhor e mais atual da pesquisa bíblica, em uma linguagem acessível, atual e prática para os tempos de hoje. Enfim, o objetivo era produzir textos que pudessem ter um impacto efetivo e positivo no pensamento e na prática de nossos agentes populares

• Como, caminho percorrendo, a revista Estudos Bíblicos foi encontrando dificuldades em ser esse instrumento que desejávamos, não há mais razão de prosseguirmos sendo um grupo voltado, especificamente, para essa publicação

• O passo, agora, é resgatarmos a nossa motivação e identidade originais. E partirmos para realizar pesquisas e produzir subsídios que venham ao encontro de nossas finalidades

• No mundo atual, especialmente após a pandemia da Covid-19, a comunicação se dará, sempre mais, via internet, empregando sites, blogs, redes sociais, aplicativos etc. Não podemos mais desconsiderar esse meio, do contrário, nos tornaremos obsoletos e insignificantes. Por isso, precisamos criar o nosso próprio blog ou site para divulgar nossos trabalhos, sejam os antigos como os novos

• Nossas reuniões, levando em conta a nova situação gerada pela pandemia da Covid-19, poderão ser mais via aplicativos online (Skype, Google Meet, Zoom, TeamLink). Quando houver uma vacina e a situação sanitária estiver mais segura, poderemos retomar os encontros presenciais, os quais são muito ricos.

2. Os artigos para o número 138 da revista Estudos Bíblicos

O número 138 (2018) da revista Estudos Bíblicos sob a nossa responsabilidade, cujo tema é: «De Gênesis ao Apocalipse, sem fundamentalismos», ainda deveria ser publicado pela Editora Vozes, segundo garantiu-nos o Frei Ludovico Garmus. Seria para o segundo semestre deste ano. No entanto, após reflexão de nosso grupo, concluiu-se que o melhor meio será publicar os onze artigos que integram esse número em formato livro. Isso porque terá muito mais divulgação e penetração nos círculos de interesse bíblico. A revista Estudos Bíblicos, atualmente, é muito pouco lida e consultada, infelizmente. Alguns artigos ainda estão passando por revisão e conclusão.

3. Quanto a participar, enquanto grupo, da nova revista Estudos Bíblicos

A partir de 2020 a revista Estudos Bíblicos, até então sob a responsabilidade da Editora Vozes, de Petrópolis, aos cuidados de Frei Ludovico Garmus, assume um formato digital sob a responsabilidade da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, aos cuidados de Luiz Alexandre Solano Rossi, do Programa de Pós-Graduação em Teologia. A revista será publicada em dois números anuais, com cerca de 12 artigos, estando disponível na plataforma da PUCPR.

Partimos de uma constatação triste, mas realista: a revista Estudos Bíblicos já estava, praticamente, morta. Não havia interesse em ler essa revista. Alguns artigos não acrescentavam quase nada. Como revista impressa ela já era um cadáver. Ela deveria ter passado, há tempos, para o formato digital, mas a revista acabou perdendo o foco. Isso faz parte de uma crise da linguagem teológica em geral. Verifica-se, com preocupação, que o nosso discurso não é relevante, não atrai, não encontra um público. Por isso, a nova Estudos Bíblicos correrá o risco de continuar a não falar para ninguém. A principal questão é: quem acessará e lerá a nova Estudos Bíblicos da PUCPR? Os nossos agentes de pastoral terão muita dificuldade em acessar esse tipo de publicação.

Levando em consideração essas reflexões acima, bem como,aquilo que foi dito sobre a identidade e objetivo de nosso grupo, decidimos não tomar parte, enquanto grupo, da nova Estudos Bíblicos, que está a partir deste ano, sob a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Teologia da PUCPR. Individualmente, os membros de nosso grupo estão livres, obviamente, para redigir artigos e oferecer outras contribuições para essa nova revista, que terá o formato digital. Mas não será mais nossa missão, como grupo, nos responsabilizarmos por algum número dessa publicação.

4. Encaminhamentos práticos

Livro “De Gênesis ao Apocalipse, sem fundamentalismos”

Jacir de Freitas Faria ofereceu-se para intermediar, junto ao Departamento Editorial da Editora Vozes, a proposta de publicação de nossos artigos, que formariam o número 138 de Estudos Bíblicos, em formato livro. Telmo José Amaral de Figueiredo ficou de fornecer ao Jacir todas as informações a respeito, bem como o material necessário. Recordando que a maioria dos artigos já passou por revisão e devem estar prontos para publicação na editora. Esse trabalho já realizado pode ser, sem dúvida, aproveitado.

Assim que obtivermos alguma resposta da Editora Vozes, será marcada uma reunião online de todos os colegas que são autores de artigo deste número de Estudos Bíblicos para encaminharmos alguns detalhes da publicação.

Criação de um blog ou site de nosso grupo

Airton José da Silva e Fábio Cristiano Rabelo ficaram responsáveis de se reunir virtualmente e elaborar um projeto para a criação de um blog ou site que possa reunir, doravante, a produção dos membros de nosso grupo. Assim que esse projeto estiver concluído, será enviado a todos para apreciação e sugestões. O prazo sugerido para isso é até o final de agosto próximo.

Carta ao Frei Ludovico Garmus

O grupo decidiu, por unanimidade, enviar uma carta de agradecimento ao Frei Ludovico Garmus, responsável pela revista Estudos Bíblicos junto à Editora Vozes, pelo seu valioso, persistente e enorme trabalho à frente dessa publicação até o ano passado. Essa missiva ficou sob a responsabilidade de nosso Coordenador/Secretário. Ela será submetida previamente à apreciação de todos, antes de ser enviada.

Próxima reunião online

Ainda neste segundo semestre de 2020 será convocada uma outra reunião online para prosseguirmos na reorganização de nosso grupo.

Currents in Biblical Research – June 2020

Currents in Biblical Research Volume 18 Issue 3, June 2020

Currents in Biblical Research Volume 18 Issue 3, June 2020

 

The Peshiṭta of Isaiah in Past and Present Scholarship – Preston L. Atwood

In this study I outline the scholarship pertaining to the Peshiṭta of Isaiah (S-Isa) and expound on specific topics in need of further research. I begin by recounting the process of S-Isa’s manuscript collation and its culmination in Leiden’s editio minor. Relatedly, I explain the role of citations in the patristic literature for reconstructing the original text of S-Isa. Then, I address how scholars approach the question of S-Isa’s relation to the Old Greek (G-Isa) and Targum (T-Isa) of Isaiah. I move on to summarize the studies on the translation technique of S-Isa and explain how they have aided in determining the degree to which S-Isa may have been influenced by G- and T-Isa. I continue by adumbrating the debate on the authorship and theology of S-Isa and problematizing certain assumptions brought to the discussion. I conclude by offering a few reflections on the future of S-Isa scholarship.

 

Case Studies in Recent Research on the Book of Numbers (with Attention to Non-Western Scholarship) – Mitchel Modine

Scholarship on the book of Numbers continues apace, even if there is not a famous commentary that everyone must always cite. Numbers figures especially prominently in recent work on Pentateuchal source criticism. This survey will examine several recent offerings that contribute in various ways to the ongoing discussion. In addition, particular texts within Numbers continue to excite attention, both from historical-critical and postmodern perspectives. Therefore, this article will devote attention to three texts that have drawn particular attention in the past 15 years: the sotah ritual in Numbers 5, Phinehas’s killing of an Israelite man and a Moabite woman in Numbers 25, and the inheritance request of the daughters of Zelophehad in Numbers 27 and 36. In all of these areas, recent offerings from non-Western scholars will receive particular attention.

 

The ‘Temporal Turn’ in New Testament Studies – Lynne Moss Bahr

Reflecting a recent trend across academic disciplines, New Testament scholars are beginning to explore the concept of time and temporality, a concept not well-developed in the field. This article surveys this scholarship from the basis of three inter-related categories: social memory and historical narrative; queer and feminist theory; and apocalypticism and messianism. It addresses the question: How does the concept of time (generally, the idea of continual change) and temporality (concepts and orientations related to the experience of time) serve historical, literary, and theological aims in the New Testament? Further, the article proposes new areas of research that would expand on earlier work and also draw upon the burgeoning field of time and temporality in other disciplines.

 

Ethics and the Gospel of John: Toward an Emerging New Consensus? – Christopher W. Skinner

For decades the scholarly consensus held that the Fourth Gospel was either devoid of ethics or that its ethical material was narrow, exclusive, and sectarian. In recent years, that consensus has begun to show signs of wear. This article examines the more recent turn to ‘implied’ ethics by looking at four English-language books on the subject published in the past four years. This examination is undertaken with a view to tracing a newly emerging consensus, which holds that (1) the Gospel of John has ethical material, and (2) that material must be taken seriously by those reflecting on ancient ethical systems in general and New Testament ethics in particular. Further, the emerging consensus holds that the implied ethics of the Fourth Gospel, far from being strictly sectarian, are useful for reflecting on and/or constructing models of normative Christian behavior.

REB está online

A Revista Eclesiástica Brasileira – REB – está disponível online. Clique aqui.

Faça um cadastro e terá acesso aos artigos completos da revista, em pdf, a partir do v. 63, n. 249, 2003.

O que é a REB?

A Revista Eclesiástica Brasileira (REB), editada pelo Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis, RJ/Brasil, em parceria com a Editora Vozes e a Universidade São REB v. 79, n. 314, 2019 - Evolução/TradiçãoFrancisco, de Bragança Paulista, é uma revista de reflexão teológico-pastoral, de característica eclesial e inter-religiosa.

Seu propósito é o de contribuir para o discernimento, o incentivo e a atualização da missão evangelizadora da Igreja católica.

Previamente à publicação, os textos são submetidos a uma avaliação às cegas pelos pares, componentes do conselho editorial ou consultores ad hoc, mas seus conteúdos não refletem necessariamente a opinião da revista.

O periódico é composto por números que realçam o tema da respectiva chamada de publicação e/ou artigos de demanda espontânea, encaminhados e aprovados para publicação.

Aceita artigos em português, espanhol e inglês, e recebe resenhas de livros e artigos de demanda espontânea, em qualquer data.

Revista Brasileira de Interpretação Bíblica – julho-dezembro 2018

Interpretação de textos bíblicos: Tendências e debates

Na esteira dos primeiros artigos da Revista Brasileira de Interpretação Bíblica – ReBiblica, este segundo fascículo continua a enfocar questões candentes e tendências na pesquisa bíblica nestes últimos anos da segunda década do século XXI. Cinco artigos formam um conjunto bastante diverso quanto às abordagens, mas muito equilibrado quanto ao material analisado: dois estudos sobre a Bíblia Hebraica, um sobre a Bíblia Grega (Septuaginta) e dois sobre o Novo Testamento.

Revista Brasileira de Interpretação Bíblica – ReBiblicaIniciamos com um artigo sobre um dos salmos mais musicados da história do judeu-cristianismo. Em O Salmo 150 à luz da Análise Retórica Semítica, Waldecir Gonzaga apresenta-nos novas perspectivas da riqueza e da profundidade do texto de encerramento do Saltério, a fim de que possamos estudá-lo, rezá-lo e vivenciá-lo de modo renovado.

Em “Casa de oração para todos os povos”: O estrangeiro na sociedade pós-exílica à luz de Is 56,1-8, Heitor Carlos Santos Utrini analisa a teologia do texto isaiano, com especial destaque para a figura do estrangeiro, e situa tal oráculo em seu contexto histórico.

Neste fascículo, o artigo internacional é-nos oferecido por Leonardo Pessoa da Silva Pinto, que neste semestre leciona no Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Em Redescobrindo a Septuaginta: Itinerário para o estudo da Bíblia Grega, Leonardo resume e avalia a discussão atual e oferece, como indicado no subtítulo, um itinerário seguro para iniciantes e iniciados no estudo da Bíblia dos judeus de Alexandria.

Passando ao Novo Testamento, a controvérsia sobre cura em Mateus 12,22-32 é analisada por Marcelo da Silva Carneiro no artigo intitulado Em nome de quem? O autor utiliza variadas ferramentas da exegese e da análise sócio-política para analisar e discutir possessões demoníacas e a autoridade de Jesus, da comunidade de Mateus e da Igreja de hoje no que se refere a curas e exorcismos.

Por fim, novo artigo sobre leitura decolonial. Em Abordagem pós-colonial e decolonial em Paulo: A Carta aos Romanos, Flávio Martinez de Oliveira nos convida a ler em nova perspectiva aquela célebre epístola paulina e ver nela “a proposta de uma sociedade alternativa com base na justiça escatológica de Deus, que não implica revolta, mas resistência em solidariedade e amor mútuo”.

Com este fascículo fechamos o primeiro volume anual de ReBiblica (2018), com a certeza de que os artigos publicados demonstram não apenas o amadurecimento da pesquisa bíblica no Brasil, mas também o amadurecimento dos leitores interessados na leitura científica do texto bíblico.

Cássio Murilo Dias da Silva – Editor

Sobre o Congresso Internacional de Estudos Bíblicos em Buenos Aires

Recebi de meu amigo e colega Cássio Murilo Dias da Silva um relato sobre o Congresso Internacional de Estudos Bíblicos realizado em Buenos Aires entre os dias 16 e 19 deste mês. Abaixo, o texto do Cássio.

 

Em comemoração aos oitenta anos da Revista Bíblica publicada na Argentina, realizou-se em Buenos Aires, na semana passada, entre os dias 16 e 19 de julho, o Congresso Internacional de Estudos Bíblicos. O evento foi uma realização conjunta de três associações de biblistas: ABA (Associação Bíblica Argentina), ABIB (Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica) e ABM (Associação de Biblistas do México). O comitê organizador teve a participação de dois brasileiros: Cássio Murilo Dias da Silva e Telmo José Amaral de Figueiredo.

O Congresso teve lugar no teatro da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica Argentina (UCA) e contou com a participação de mais de 400 biblistas de 23 países. Além dos países de todas as Américas (Norte, Central, Sul e Caribe), também europeus (Espanha, Itália e Áustria) e do Oriente Médio (Líbano). Os brasileiros eram 58, do norte ao sul do Brasil, e formaram o segundo grupo mais numeroso, perdendo apenas para os argentinos.

Como a motivação para o Congresso era o 80º aniversário da Revista Bíblica, o tema geral foi “A exegese na América Latina 80 anos depois”. As conferências e os trabalhos foram divididos em três grandes blocos: pessoas, temas e métodos.

O primeiro dia foi dedicado às pessoas, com três painéis sobre os pioneiros na divulgação e no estudo da Bíblia em nosso continente:Congresso Internacional de Estudos Bíblicos em Buenos Aires em 2019

1) Johannes Straubinger y la Revista Bíblica (Luis H. Rivas – Pablo Pastrone)
2) Los pioneros de la exégesis en América Latina: Brasil y Argentina (Valmor da Silva – Luis Oscar Liberti)
3) Los pioneros de la exégesis en los Países Andinos y Centro- y Norteamérica (Leif Vaage – Fernando F. Segovia – Ahida Pilarski)

O segundo dia, dedicado a temas e textos preferidos, teve três grandes conferências, cada uma delas com uma avaliação crítica:
1) El Éxodo (José E. Ramírez Kidd; avaliação crítica: Dominik Markl)
2)¿Donde están los recursos? Compartir para eliminar la desigualdad – El caso de la viuda de Sidônia – 1Reyes 17,7-16 (Paulo Ueti; avaliação crítica: Michael Floyd)
3) Hermenéutica Latinoamericana de los Evangelios (Néstor Míguez; avaliação crítica: Massimo Grilli)
Na segunda parte da tarde do segundo dia, ocorreram dez seminários e minicursos, vários deles coordenados ou com a participação de brasileiros.

O terceiro dia foi dedicado aos métodos de leitura. No período da manhã, uma grande conferência – Lectura popular de la Biblia (Ralf Huning) – seguida por dez seminários e minicursos, também com destacada atuação de brasileiros. A tarde do terceiro dia teve novo painel para todos os participantes – Hermenéutica latinoamericana (Paula Andrea García Arenas e Juan Alberto Casas Ramírez) e mais nove seminários e minicursos, com presença de brasileiros na condução dos trabalhos.

O quarto e último dia, dedicado a projetos e perspectivas para a exegese latino-americana, iniciou-se com um grande painel: Desafíos para el futuro de la exégesis en América Latina (Raúl Lugo Rodríguez, Jaldemir Vitório, Santiago Guijarro Oporto; reator externo: Rafael Francisco Luciani Rivero). Após o painel, um momento particularmente importante e denso foi o vídeo de 15 minutos com uma entrevista com o Frei Carlos Mesters, sobre sua caminhada como biblista: da academia à formação bíblica dos leigos nas comunidades. A versão apresentada no congresso é um resumo de um diálogo bem mais longo, a ser veiculada pela Rede Vida de Televisão (ainda sem data definida).

A segunda parte da manhã teve vários pequenos painéis, nos quais representantes de vários países apresentaram realizações já em andamento, tanto em nível acadêmico (cursos de especialização e pós-graduação, publicações acadêmicas), como em nível pastoral (animação bíblica da pastoral, cursos paroquiais, publicações de divulgação). O Brasil apresentou, como projeto em desenvolvimento, o periódico científico Revista Brasileira de Interpretação Bíblica – ReBiblica.

Há de se dizer que a comemoração dos 80 anos da Revista Bíblica foi, por assim dizer, apenas o pretexto para este congresso. Tanto esforço para sua realização (mais de dois anos de encontros e discussões) não tinha como objetivo único (nem principal) a reunião de biblistas em quatro dias intensos. Há outras pretensões. Em primeiro lugar, obviamente, o encontro e o intercâmbio de estudiosos da Bíblia em nosso continente, o que foi largamente efetivado nos intervalos (propositadamente longos) entre as conferências. Outro objetivo, foi incentivar o surgimento de associações de pesquisadores da Bíblia em países que ainda não as tem. Também este segundo objetivo já produziu seu primeiro fruto: ao final do congresso, os 12 biblistas peruanos anunciaram a fundação, ali mesmo, durante o congresso, da Associação Bíblica do Peru.

Mas a maior e principal pretensão do congresso é a formação da Rede de Biblistas Latino-americanos – ReBiLa. Esta rede pretende integrar todos os latino-americanos estudiosos da Bíblia. Mesmo quem não esteve no congresso pode inscrever-se e participar. Para isso, o primeiro passo é preencher o formulário online disponível aqui.

A página oficial do congresso – https://www.congresobiblico2019.org– estará disponível ainda alguns meses para quem quiser informações mais completas, bem como para baixar o material disponível (conferências, textos de seminários e minicursos).

Reunião dos Biblistas Mineiros em 2019

No dia 8 deste mês de julho os Biblistas Mineiros estiveram reunidos na FAJE – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia -, em Belo Horizonte, MG, debatendo sobre o próximo número da revista Estudos Bíblicos.

Como não pude estar presente, retomo aqui alguns pontos do relato de nosso Coordenador/Secretário Telmo José Amaral de Figueiredo.

Estavam presentes:
Fábio Cristiano Rabelo
Gilmar Ferreira da Silva
Jacir de Freitas Faria
Jaldemir Vitório
Johan Konings
José Luiz Gonzaga do Prado
Marcus Aurélio Alves Mareano
Maria de Lourdes Augusta
Rita Maria Gomes
Telmo José Amaral de Figueiredo
Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa
Zuleica Aparecida Silvano

Ausências justificadas:
Carlos Mesters
Airton José da Silva
Cyril Suresh Periyasamy
Solange Maria do Carmo
Neuza Silveira de Souza

Temática estudada para um número de Estudos Bíblicos em 2020: Eclesiologia Bíblica

Título proposto para o próximo número da revista e de nosso estudo: Igreja: o que é?

Prazo de entrega da primeira versão: até 20 de dezembro de 2019

Propostas de artigos para os Biblistas Mineiros

  • A ekklesia pagã: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa
  • Igreja: da elite à ralé – evolução de um conceito: José Luiz Gonzaga do Prado
  • Discurso eclesiológico de Mateus 18: Jaldemir Vitório
  • A Igreja segundo Paulo (Rm, 1Cor): Zuleica Aparecida Silvano
  • A Igreja que Paulo não pensou – Cartas Pastorais: Neuza Silveira de Souza
  • A Igreja em Atos: Maria de Lourdes Augusta
  • Espírito Santo e Igreja: Gilmar Ferreira da Silva
  • Projetos de Comunidade no pós-exílio: Jacir de Freitas Faria
  • A crítica de Oseias aos sacerdotes e ao culto: Airton José da Silva
  • A Comunidade Joanina: Johan Konings
  • Igreja: Povo Sacerdotal (1Pd 2,4-10): Telmo José Amaral de Figueiredo
  • Fora da Igreja, (não) há salvação? Fábio Cristiano Rabelo
  • A Mulher no Segundo Testamento: Solange Maria do Carmo
  • As Sete Igrejas do Apocalipse: Marcus Aurélio Alves Mareano
  • A Sinagoga e a Comunidade Cristã da Casa: Jacil Rodrigues de Brito

:: Notícias sobre a revista Estudos Bíblicos
O nosso número sobre fundamentalismo será publicado no segundo semestre deste ano, 2019.

Como já comentamos em reuniões anteriores, há a intenção de se realizar as seguintes modificações na revista Estudos Bíblicos:
. A revista passará a contar com apenas dois números anuais
. Por isso, ela será mais encorpada, isto é, com maior número de artigos
. Observará as regras para obter o selo de avaliação «QUALIS». Por isso, os artigos deverão ser submetidos, antecipadamente, a dois leitores cegos para aprovação e publicação
. Os abstracts devem ser em português e, também em inglês ou espanhol
. A revista estará disponível online

Após uma longa conversa, o nosso grupo de biblistas achou por bem sugerir a Ludovico Garmus, editor-chefe da revista, o seguinte:

a) promover uma reunião, possivelmente no mês de dezembro deste ano, após a conclusão do ano acadêmico. Para essa reunião, poderiam ser convidados os atuais membros dos comitês de Redação e Científico, bem como, os demais colaboradores da revista que integram os grupos regionais. Essa reunião teria como escopo definir melhor o que se quer, de fato, com a revista Estudos Bíblicos, as orientações sobre a publicação de artigos, bem como a definição de temáticas para os próximos números, pois isso favorece o envio de artigos por parte de interessados

b) Inclusive, os artigos que já foram publicados, no passado, poderiam ser reeditados contando com uma atualização bibliográfica e alguma outra renovação

c) Com as inovações em vista da qualificação QUALIS, ter-se-ia que montar: Comitê Editorial, Editor-Chefe, 2 ou 3 para organizar o número específico, revisor de línguas, tanto nacional como estrangeiras, e um corpo de especialistas avaliadores

d) A Tereza Virgínia destacou a importância de haver pareceristas sérios e bem preparados, pois estamos lidando com a Bíblia, algo sagrado para muitas pessoas

e) Frei Jacir relatou a experiência que teve na organização do primeiro número de uma revista do ISTA. A burocracia e o trabalho são grandes

f) Além do estilo “dossiê”, poderá haver uma sessão de “Temas Livres”, o que facilitaria a colaboração de uma maior números de estudiosos

g) No entanto, em nosso grupo surgiu uma proposta que vai em outra direção. A mesma consiste em que a revista torne-se um livro, ou um tipo de publicação como os “Cadernos Bíblicos” (em francês: Cahiers Évangiles) traduzidos do francês pela antiga Edições Paulinas. Isso nos daria mais liberdade para a produção dos artigos. Poderíamos, então, criar uma “coleção” de livros bíblicos com uma intenção mais pastoral. Alguma editora poderia assumir essa tarefa

h) Salientando, também, que há uma boa qualificação para acadêmicos que publicam capítulos em obras coletivas, como seria o caso dessa nossa proposta. Sendo que, as exigências para esse tipo de publicação são bem menores do que para revistas que aspiram a obter uma qualificação QUALIS um pouco mais elevada

i) Esse livro, mencionado acima, poderia ser publicado tanto em papel como em ebook. Ou, apenas em formato ebook ou, ainda, em formato PDF, disponível para ser baixado e impresso

:: Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB)
IX Congresso Internacional de Pesquisa Bíblica:
. Data: 24 a 27 de agosto de 2020
. Local: Instituto Teológico São Paulo – ITESP – São Paulo
. Tema: História de Israel: Arqueologia e Bíblia

:: Seminário do PIB para professores de Bíblia em 2020
Confira aqui.

:: Congresso Internacional de Estudos Bíblicos em Buenos Aires
Confira aqui.

:: Publicações recentes de integrantes do grupo dos Biblistas Mineiros

  • Johan Konings: João: O evangelho do Amor de Deus. São Paulo: Edições Loyola, 2019. 96 p. (Coleção: “A Bíblia Passo a Passo”).
  • Johan Konings; Rita Maria Gomes: Marcos: O evangelho do Reinado de Deus. São Paulo: Edições Loyola, 2018. 88 p. (Coleção: “A Bíblia Passo a Passo”).
  • Jaldemir Vitório. As Parábolas em Mateus. In: Luiz Alexandre Solano Rossi; Valmor da Silva (Orgs.). Parábolas na Bíblia. São Paulo: Paulus, 2019.
  • Jaldemir Vitório. O Evangelho Segundo Mateus. São Paulo: Paulus, 2019. (Coleção “Ler a Bíblia”) – a ser publicado em setembro do corrente ano.
  • Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa: Feita no Brasil. A Sabedoria Vulgar da Tragédia Ática Para o Povo Tupiniquim-Catrumano. Belo Horizonte (MG): Relicário, 2018. 324 p.
  • Heloísa Penna; André Araújo; Julia Avelar (Orgs.). Deus(es) na Literatura. Belo Horizonte (MG): Relicário, 2018. Nesta obra coletiva consta um artigo de Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa sobre “A devoção das Cinco Chagas de Cristo em ‘Grande Sertão: Veredas’”.
  • Zuleica Aparecida Silvano: Primeira Carta de João: Crer em Jesus Cristo e Amar Uns aos Outros. São Paulo: Paulinas, 2019. 168 p. (Coleção: “Pão da Palavra”).
  • Jacir de Freitas Farias: O Medo do Inferno e a Arte de Bem Morrer. Petrópolis (RJ): Vozes, 2019 (a ser publicado por volta de outubro) – tese de doutorado defendida junto à FAJE (18/12/2018).

:: Entrevista concedida por Carlos Mesters à Rede Vida de Televisão
O Comitê Organizador do Congresso Internacional de Estudos Bíblicos (Buenos Aires: 16-19 de julho de 2019) solicitou ao Telmo que obtivesse de Carlos Mesters duas coisas: um artigo a ser divulgado e publicado nos Anais desse evento e uma entrevista a ser exibida no último dia do mesmo.

Telmo conseguiu que Carlos Mesters redigisse um artigo, cujo tema é: «Desafios e luzes na leitura e na interpretação da Bíblia que acontece nas Comunidades Eclesiais de Base».

Telmo verá a possibilidade desse artigo vir a ser publicado pela revista brasileira Estudos Bíblicos, da Vozes.

A entrevista com Carlos Mesters foi gravada nos estúdios de Rede Vida, em Brasília (DF), no último dia 1 de julho. Telmo foi o entrevistador. Ela teve a duração de 54 minutos. E será levada ao ar, em breve, dentro da grade de programação dessa rede de televisão.

Um compacto dessa entrevista foi montado com a duração de 21 minutos, contendo legendas em português, a fim de favorecer a compreensão dos participantes de língua espanhola no Congresso de Buenos Aires.

Após a exibição deste vídeo-entrevista em Buenos Aires e a definição de sua apresentação pela Rede Vida de Televisão, o mesmo será enviado a todos os membros de nosso grupo.

:: Data da próxima reunião dos Biblistas Mineiros: 6 de julho de 2020, das 9 às 16h00 na FAJE, em Belo Horizonte, MG.