Francisco: o grande líder global da atualidade

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Francisco: o grande líder global da atualidade

Robson Sávio Reis Souza – IHU: 27 de outubro de 2019

“O Papa, apesar de octogenário, é a maior liderança propositiva (com palavras e gestos concretos) da atualidade. Enfrenta uma onda massificadora e obscurantista que, utilizando de pseudodiscursos religiosos clamam por uma ‘recristianização’ do Ocidente a impor uma homogeneização violenta, excludente, geradora de morte”, escreve Robson Sávio Reis Souza, pós-doutor em Direitos Humanos, doutor em Ciências Sociais, coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas, onde também é professor do Departamento de Ciências da Religião, membro da Sociedade Teologia e Ciências da Religião (Soter) e vice-presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos de Minas Gerais.

Eis o artigo.

Você não precisa ser católico e/ou religioso para concordar com o título deste artigo. Mas, certamente, só ratificará essa afirmativa se (1) acompanhar o cenário das disputas reais e simbólicas no plano internacional e (2) se o fizer extrapolando a cobertura da mídia empresarial (totalmente comprometida com o capitalismo rentista, concentrador de riqueza e usurpador das democracias contemporâneas). Afinal, esse despotismo financeiro que governa as economias capitalistas contemporâneas é classificado por Francisco como “uma economia que mata”.

Não obstante a guerra patrocinada contra Francisco em vários fronts, por poderosas corporações internacionais (bancos; agronegócio; indústrias das armas, farmacêutica e do petróleo; think tanks norte-americanos propulsores do ultraliberalismo na América Latina – liderados por megaempresários católicos e protestantes; políticos de extrema-direita e grupos religiosos obscurantistas…), o Papa continua a mobilizar um imenso contingente de líderes e grupos sociais de todas as Nações que se somam no enfrentamento, de variadas formas, da chamada “onda ultraconservadora”.

Remando corajosamente contra a maré, Francisco tem se empenhado em ações estratégicas que já redundam em poderosos focos de enfrentamento ao ultraliberalismo. Abaixo, listamos algumas das iniciativas de Francisco que tem repercutido globalmente e extrapolado o “mundo” católico.

1. Protagonismo dos Movimentos Populares: para contrapor a corrosão da política tradicional e os limites da democracia deliberativa (que sucumbiram à “economia que mata”), o Papa promoveu três encontros internacionais, elegendo como interlocutores privilegiados as lideranças dos movimentos populares.

Francisco percebeu que os chefes dos poderes públicos, de modo geral, estão altamente deslegitimados pelo fato de terem capitulado à lógica do dinheiro e do mercado, afastando-se cada vez mais dos clamores dos pobres, servindo a um “sistema econômico que põe os benefícios acima do homem […], que considera o ser humano como um bem de consumo, que se pode usar e depois jogar fora. Servem a um sistema centrado no ‘deus dinheiro’ a saquear a natureza para manter o ritmo frenético de consumo que lhe é próprio. Um sistema global destrutivo “que impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza”. Assim, Francisco preferiu se aliar aos líderes dos movimentos populares que “expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias tantas vezes desviadas por inúmeros fatores.”[1]

Nos três encontros com os movimentos populares[2], Francisco tocou no ponto central desse sistema político-econômico que produz exclusão e múltiplas formas de violências. As últimas crises econômicas mundiais serviram para aumentar a concentração de riqueza e renda em todo o planeta. Atualmente, vinte e oito grandes grupos financeiros manejam quase dois trilhões de dólares por ano. O balanço desses mega conglomerados financeiros que têm, entre outros, o Goldman Sachs, o JP Morgan Chase, o Bank of America, o Citigroup, o Santander, entre outros, mostra um patrimônio (não produtivo) de cinquenta trilhões de dólares, sendo que o PIB mundial está na casa dos 75 trilhões. Esses conglomerados detêm cerca de 68% do fluxo mundial do capital.[3]

O sistema econômico atual se sobrepõe à política e aos interesses dos povos e das nações e funciona graças à corrupção generalizada: nada menos que 25% do Produto Interno Bruto mundial são remetidos a paraísos fiscais por grandes empresas e instituições financeiras. Estima-se que a cada ano dezoito trilhões de dólares seguem o caminho da sonegação de impostos. No Brasil a estimativa de evasão fiscal entre 2003 e 2012 foi de 220 bilhões de dólares.

A corrupção passou a ser a mola propulsora do capitalismo rentista, especulador e concentrador de renda e riqueza que viceja nos últimos tempos. A concentração de poder em pouquíssimos conglomerados e a fusão ou compra de grandes bancos desencadeados pela crise de 2008 determina o modo de funcionamento de um sistema que precisa corromper governos (agentes públicos) para subsistir.

O elemento profético e simbólico da opção de Francisco pelos movimentos populares é a explicitação da mais dura e contundente crítica ao capitalismo em sua fase atual, marcada pelo rentismo especulativo que promove a mais avassaladora política de acumulação de riqueza e renda da história, a privilegiar pouquíssimos.

Em contraposição a esse sistema global idólatra “que exclui, degrada e mata”, o Papa Francisco propõe uma nova governança global protagonizada pelos movimentos populares: “atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa capacidade de vos organizar e promover alternativas na busca diária dos ‘3 T’ (terra, teto e trabalho) e, também, na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de mudanças nacionais, regionais e mundiais. Não se acanhem”. [4]

2. A economia de Francisco: noutra grande articulação internacional, o Papa promoverá em Assis, na Itália, de 26 a 28 de março do próximo ano, um encontro mundial para repensar a economia global.

Serão convidados jovens economistas de até 35 anos, empresários e militantes de movimentos comprometidos com mudanças sociais. Segundo Francisco, há que se buscar “uma economia diferente, que faz viver e não matar; inclusiva; que humaniza e não desumaniza; que cuida da Criação e não a depreda. Um evento que nos ajude a estar juntos e nos conhecer, e que nos leve a fazer um ‘pacto’ para mudar a atual economia e dar uma alma à economia do amanhã.”

Para o encontro em Assis, já confirmaram presença: Muhammad Yunus, conhecido como “o banqueiro dos pobres” e Amartya Sen, professor de filosofia e economia em Harvard (EUA) e Cambridge (Reino Unido), ambos agraciados com prêmio nobel. Outros renomados especialistas em desenvolvimento sustentável e economia solidária, como Bruno Frey, suíço; Carlo Petrini, italiano fundador do Slow Food; Kate Raworth, inglesa; Jeffrey Sachs, estadunidense interessado nas causas da pobreza; a indiana Vandana Shiva, diretora do Fórum Internacional sobre Globalização e Stefano Zamagni, italiano estarão presentes no evento.

O objetivo do encontro é promover intercâmbios entre teoria e prática, de modo a elaborar uma proposta alternativa à economia hegemônica que, como afirmado anteriormente, gera exclusão social e enriquecimento nababesco de uns poucos. O Papa confia que esse encontro apontará as linhas gerais de uma nova economia: justa, sustentável e inclusiva.

Em vários países, inclusive aqui no Brasil, grupos de trabalho estão promovendo eventos, fóruns, seminários para discutir uma nova economia, propor novos currículos para Universidades que abordem modelos inclusivos (de economia), mapear e promover experiências de economia solidária, criativa, inclusiva, justa.

Essa iniciativa de Francisco aponta, objetivamente, para a proposição de uma nova engenharia de governança global que contraponha o modelo atual, no qual apenas 1% mais rico é dono de metade da riqueza do mundo e as 100 pessoas mais ricas possuem, juntas, mais do que quatro bilhões dos mais pobres.[5]

3. Um pacto educativo global: noutra frente sociopolítica, Francisco articula um pacto educativo entre as nações. Para tanto, promoverá um encontro no Vaticano, em 14 de maio de 2020.

Estão convidados profissionais que trabalham com a educação de várias partes do mundo. Como explica o Papa, numa mensagem divulgada para lançar esse evento, trata-se de um “encontro para reavivar o compromisso em prol e com as gerações jovens, renovando a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão. Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna”.

O Pacto Global pela Educação faz parte dos esforços de Francisco para promover uma ampla discussão sobre os efeitos da tecnologia, do consumismo e da cultura do imediatismo/individualismo na sociedade contemporânea: “O mundo contemporâneo está em transformação contínua, vendo-se agitado por variadas crises. Vivemos uma mudança epocal: uma metamorfose não só cultural, mas também antropológica, que gera novas linguagens e descarta, sem discernimento, os paradigmas recebidos da história. A educação é colocada à prova pela rápida aceleração que prende a existência no turbilhão da velocidade tecnológica e digital, mudando continuamente os pontos de referência. Neste contexto, perde consistência a própria identidade e desintegra-se a estrutura psicológica perante uma mudança incessante”, escreveu o Papa na mensagem.

Francisco propõe três desafios a serem enfrentados pela educação: primeiro, ter a coragem de colocar no centro a pessoa; segundo, a coragem de investir as melhores energias com criatividade e responsabilidade e, finalmente, a coragem de formar pessoas disponíveis para se colocarem ao serviço da comunidade, promovendo uma “cultura do encontro”.[6]

4. Um novo humanismo: as iniciativas acima fazem parte de um conjunto de ações que Francisco tem liderado, globalmente, para enfrentar a xenofobia, a exclusão social, os nacionalismos, populismos e totalitarismos que ressurgem em várias partes do mundo na atualidade.

O Papa sempre enfatiza o tema do trabalho humano como um daqueles direitos sagrados que deve ser preservado em cada pessoa. Frente às concreções práticas de teses neoliberais, que sufocam e oprimem as pessoas em suas experiências profissionais, Francisco clama por um “novo humanismo, que coloque fim ao analfabetismo da compaixão e ao progressivo eclipse da cultura e da noção de bem”.

Num prefácio de uma recente publicação, Francisco reconhece que os movimentos sociais têm a capacidade de uma articulação transnacional e transcultural: aquele “modelo poliédrico” ao qual fez referência em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium (nº 2), e que se constitui a partir de um paradigma social baseado na cultura do encontro. Para o Papa, esta pluralidade de movimentos, cujas experiências de luta pela justiça ficam plasmadas no livro, “representam uma grande alternativa social, um grito profundo, um marco, uma esperança de que tudo pode mudar”.

Reafirmando sua convicção de que a humanidade enfrenta atualmente uma transformação de época caracterizada pelo medo, pela xenofobia e pelo racismo, Francisco afirma que os “movimentos populares podem representar uma fonte de energia moral para revitalizar nossas democracias”, numa perspectiva humanista.

De fato, em meio a uma sociedade global ferida por uma economia cada vez mais distante da ética, os movimentos sociais podem exercer a função de um antídoto contra os populismos e a política do espetáculo, já que privilegiam a participação da cidadania, com uma consciência mais positiva sobre o outro. Essa é a consequência da promoção de uma “força do nós”, que se opõe à “cultura do eu”.

Numa carta intitulada “A comunidade humana” (Humana communitas) publicada em 15 de janeiro deste ano, Francisco pede para “restaurar a importância desta paixão de Deus pela criatura humana e o seu mundo”. No nosso tempo, escreve o Papa “a Igreja é chamada a relançar com força o humanismo da vida que irrompe desta paixão de Deus pela criatura humana. O compromisso de entender, promover e defender a vida de todo ser humano é impulsionado por este amor incondicional de Deus”.

5. Sínodo da Amazônia: não obstante a guerra midiática, regada com muito dinheiro dos opositores de Francisco — encabeçada por Steve Bannon[7] e grupos religiosos ultraconservadores –, e a batalha política patrocinada pelo governo do Brasil e por grupos de ultradireita dentro e fora do catolicismo contra o encontro que acontece nesses dias em Roma, as notícias diárias do Sínodo dão conta da configuração de um grande pacto internacional em defesa da Amazônia: dos povos locais (os indígenas e sua cultura) e da biodiversidade.

É simbólico o fato de o Sínodo ter extrapolado o campo eclesial e se tornado, internacionalmente, um foco de discussão sobre o modelo predatório do modelo econômico atual que destrói não somente a natureza, mas as culturas e os povos originários, beneficiando somente aquela ínfima parcela da população opulenta, sustentada pelo modelo da “economia que mata”.

Os resultados do Sínodo certamente transbordarão às ações da Igreja Católica na região pan-amazônica e já sinalizam outro pacto global em defesa da “Casa Comum”[8], como vem pregando Francisco desde sua assunção ao trono papal.

6. Reformas na Igreja: como se não bastassem essas iniciativas que posicionam Francisco como o grande líder mundial contemporâneo, o Papa “que veio do fim do mundo” promove uma árdua empreitada de reforma da Igreja Católica.

Enfrentando com sobriedade e destemor todo o tipo de vicissitudes patrocinadas por setores recalcitrantes do catolicismo (clero e laicato), Francisco denuncia o clericalismo, a opulência de setores herméticos da igreja, as perversões sexuais de parte do clero e os escândalos financeiros que, volta e meia, envolvem parte da Cúria Romana.

Obviamente, o Papa percebe que é preciso uma guinada no modelo de “igreja triunfante” para uma igreja em saída “para as periferias geográficas existenciais”: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (EG 49).

“Francisco pensa a Igreja “sal da terra”, “luz do mundo” e “fermento na massa”, muito distinta da Igreja societas perfecta, em conluio com os poderosos, contaminada pelo vírus antievangélico do egoísmo, do autoritarismo e do liturgismo, com o narcisismo que o acompanha, levando-a a se voltar para si mesma, num fechamento que a torna indigna do nome cristão. [9]

7. Relação com outras religiões: ao longo de seu pontificado, em vários eventos no Vaticano e em todas as suas viagens internacionais, Francisco tem se disposto a dialogar fraternalmente com todos os líderes religiosos.

“Desde sua eleição, Francisco já visitou (em 2014) a Turquia (maioria muçulmana), a Albânia (também de maioria muçulmana); a Coreia do Sul (maior religião é a budista, com ¼ da população); a Jordânia (maioria muçulmana); Israel (de maioria judaica) e a Palestina (de maioria muçulmana). Nessa viagem à Terra Santa, Francisco se encontrou com dois grã-rabinos judaicos e com o grã-mufti muçulmano na esplanada das mesquitas em Jerusalém. Em 2015 visitou a Bósnia e Herzegovina (maior parte muçulmana); o Sri Lanka (de maioria budista). No Sri Lanka se encontrou inclusive com representantes das quatro grandes tradições religiosas do país: Budismo, Hinduísmo, Islã e Cristianismo. No ano de 2016, além de ter participado do encontro em Assis, na jornada mundial pela paz, onde se encontrou com representantes de diversos grupos cristãos, mas também representantes do Judaísmo, Islã e Tendai, o Papa Francisco foi ao Azerbaijão, de maioria muçulmana, onde manteve um encontro com estes fiéis na mesquita da capital Baku. No ano de 2017, Francisco foi a Myanmar (maioria budista), Bangladesh (maioria muçulmana) e Egito (também de maioria muçulmana). Nessa viagem ao Egito, o Papa Francisco realizou um pronunciamento que pode ser considerado o seu programa para o diálogo inter-religioso. E, finalmente, no ano de 2019, Francisco já viajou aos Emirados Árabes Unidos, de maioria muçulmana e ao Marrocos, país de quase totalidade muçulmana.

No Marrocos foi emblemática a apresentação musical feita com a presença do Papa Francisco e representantes de diversas tradições religiosas, onde foi apresentada uma peça com uma cantora judia, uma cristã e um cantor muçulmano. Esta lista de viagens é apenas uma pequena amostra tanto da centralidade que o tema do diálogo inter-religioso tem em seu pontificado, como também a forma como tem feito Francisco: ir ao encontro, visitar e dialogar no espaço de tradições religiosas diversas da sua. Nestes encontros, o foco dos pronunciamentos e das preocupações do Papa não tem sido a diferença religiosa, mas a busca do engajamento e ação em conjunto em prol da humanidade e dos problemas que a assolam. Assim, disse o Papa no encontro com os muçulmanos no Egito”.[10]

Num dos encontros mais importantes do seu pontificado, em viagem apostólica aos Emirados Árabes Unidos, de 3 a 5 de fevereiro deste ano, o Papa assinou o “Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum”, juntamente com o Grão Imã da Mesquita de Al-Azhar, no Egito, Sheik Ahmad al-Tayyeb. O acordo foi uma forma de celebrar o gesto de São Francisco de Assis de visitar a região, de maioria islâmica (muçulmana), 800 anos atrás. E a visita de Francisco foi a primeira de um Papa à Península Arábica, berço do islamismo.

O documento diz que Al-Azhar e o Vaticano, muçulmanos e católicos, vão, juntos, lutar contra o extremismo religioso e que nenhuma religião deveria, nunca, incitar violência, ódio ou guerra. A assinatura foi feita diante líderes religiosos de todo o mundo.

Esses breves apontamentos confirmam a liderança inconteste de Francisco no cenário internacional. O Papa, apesar de octogenário, é a maior liderança propositiva (com palavras e gestos concretos) da atualidade. Enfrenta uma onda massificadora e obscurantista que, utilizando de pseudodiscursos religiosos clamam por uma “recristianização” do Ocidente a impor uma homogeneização violenta, excludente, geradora de morte.

Francisco constrói pontes: com gestos e palavras é um líder com ações propositivas; aponta, com coragem, os atores que patrocinam as guerras, o comércio de armas e que lucram com a cultura da morte e do descarte; confronta os líderes xenofóbicos e racistas que querem erguer muros e promover políticas de criminalização dos migrantes, dos refugiados, dos pobres, dos movimentos sociais; aponta os males de uma governança global que, desprezando a democracia de fato, sucumbiu ao capitalismo concentrador de riqueza e renda e gerador da miséria, exclusão e múltiplas formas de violências.

Viva Francisco!

Notas:

[1] SOUZA, R. S. R. A política de Francisco. IN: JÚNIOR, F.de A.; ABDALLA, M.; SOUZA, R. S.R. (orgs). Papa Francisco com os movimentos populares. São Paulo: Paulinas, 2018.

[2] Ocorridos em Roma (2014), na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra (2015) e novamente em Roma (2016).

[3] Utilizamos dados sobre a concentração de riqueza das seguintes fontes: relatório da Oxfam, de 2017; DOWBOR, Ladislau, El capitalismo cambió las reglas, la politica cambió de lugar, Nueva Sociedad, 2016; CACCIA-BAVA, Silvio, “A corrupção e o impasse político”, texto impresso distribuído no encontro do Movimento Nacional de Fé e Política, realizado em maio 2017, no Rio de Janeiro; Ministério das Relações Exteriores, “Temas orçamentários e administrativos da ONU”.

[4] PAPA FRANCISCO. Discurso do Papa Francisco no II Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Coleção Sendas. Volume 4. Edições CNBB, 2015.

[5] “Os 26 mais ricos do mundo concentram a mesma riqueza dos 3,8 bilhões mais pobres”. Disponível aqui. Acesso em 20/10/2019.

[6] Veja a mensagem do Papa sobre o Pacto pela Educação, clicando aqui.

[7] É um dos líderes mundiais dos movimentos de extrema-direita. Segundo o jornal The Guardian, Bannon declarou ao ex-ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, que o Papa Francisco “é o inimigo” e deve ser atacado. O ex-estrategista chefe de Donald Trump e mentor do bolsonarismo aconselhou o ministro do Interior italiano a atacar o Papa Francisco sobre a questão da migração, segundo fontes próximas à extrema direita italiana. “Bannon aconselhou o próprio Salvini que o papa atual é uma espécie de inimigo. Ele sugeriu, com certeza, atacar frontalmente”, disse o jornal inglês The Guardian, citando declaração de um representante da Liga anti-migração da Itália. Fonte aqui. Acesso em 20/10/2019.

[8] Citando o Papa Francisco em sua encíclica “Laudato Si: sobre o cuidado da Casa Comum” (2015): “Nunca maltratamos e ferimos a nossa Casa Comum como nos últimos dois séculos… Essas situações provocam os gemidos da irmã Terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo” (n.53).

[9] Vitório, Jaldemir. Igreja em saída: para onde? Disponível aqui. Acesso em 20/10/2019.

[10] Papa Francisco e o Diálogo inter-religioso. Artigo de Frei Volney J. Berkenbrock, disponível aqui. Acesso em 20/10/2019.

 

Fonte: IHU – 27 Outubro 2019

A ortopraxia supera a ortodoxia: Francisco, seis anos depois

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O foco de Francisco na mensagem simples do Evangelho é bastante ameaçador para aqueles católicos que confundem teologia com fé. A teologia é o modo como explicamos a fé para nós e para os outros… Francisco está preocupado sobretudo com o modo como vivemos a fé, mais do que como a explicamos. A ortopraxia supera a ortodoxia.

Francisco, seis anos depois: que há de bom, de mau e de misericordioso. Artigo de Thomas Reese – IHU On-Line – 14 Março 2019

Há seis anos, no dia 13 de março, o Colégio dos Cardeais surpreendeu o mundo com a eleição do jesuíta argentino Jorge Bergoglio como papa. Assumindo o nome de Francisco, ele conquistou a admiração e o respeito de católicos e não católicos com sua simplicidade e preocupação com os pobres e marginalizados. A cada ano que passa, porém, as críticas ao papa se tornam mais expressivas, especialmente por parte da direita católica, que pensa que ele está rompendo com o ensino tradicional da Igreja, e da direita política, que não gosta das suas opiniões sobre o aquecimento global, a imigração e a justiça social. Francisco também tem sido incapaz de satisfazer aqueles que dizem que a resposta da hierarquia católica aos abusos sexuais do clero foi inadequada. Eu sou um grande fã de Francisco, em parte porque eu acho que qualquer avaliação dos seus primeiros seis anos como papa mostra que suas conquistas superam as suas falhas.

O comentário é do jesuíta estadunidense Thomas J. Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, de 1998 a 2005.

The good, the bad and the merciful: Pope Francis after six years – By  Thomas J. Reese – Religion News Service – March 12, 2019

Six years ago, on March 13, the College of Cardinals surprised the world with the election of the Argentine Jesuit Jorge Bergoglio as pope. Taking the name Francis, he won the admiration and respect of Catholics and non-Catholics alike with his simplicity and concern for the poor and marginalized. With each passing year, however, criticism of the pope has become more vocal, especially from the Catholic right, who think he is breaking with traditional church teaching, and the political right, who don’t like his views on global warming, immigration and social justice. Francis has also been unable to satisfy those who say the Catholic hierarchy’s response to the clergy sex abuse crisis has been inadequate. I am a big fan of Pope Francis, in part because I think that any evaluation of his first six years as pope shows that his accomplishments outweigh his failings.

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Francisco no Observatório Bíblico

Fundamentalismo como parte das estratégias teopolíticas atuais

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A identidade fundamentalista é uma identidade ameaçada, amedrontada, cheia de incertezas e, por isso, uma identidade que reage agressivamente. É uma identidade que não tem consciência de si mesma, mas se define pela delimitação ou negação de inimigos reais ou supostos (J. Moltmann).

No artigo Fundamentalismo e modernidade, publicado na revista Concilium, v. 241, n. 3, Petrópolis, 1992, o conhecido teólogo J. Moltmann escreve nas p. 142-143:

Os fundamentalistas não reagem às crises do mundo moderno, mas às crises que o mundo moderno provoca em sua comunidade de fé e em suas convicções básicas. A convicção de fé se baseia na segurança da autoridade divina. Nas assim chamadas Religiões do Livro, é a autoridade divina do documento da revelação: a palavra de Deus é, como o próprio Deus, sem erro e infalível (…) As ciências históricas e empíricas do mundo moderno são reconhecidas enquanto concordarem com [o documento divino da revelação], mas são rejeitadas se questionarem esta autoridade intemporal (…) O documento divino da revelação não pode estar sujeito à interpretação humana mas, ao contrário, a interpretação humana deve estar sujeita ao documento divino da revelação. O fundamentalismo exclui todo juízo racional sobre a condicionalidade histórica de sua origem e sobre a diferença hermenêutica em relação às condições mudadas do presente. O conteúdo de verdade do documento da revelação é intemporal e não precisa ser constantemente explicado ou atualizado, mas apenas conservado intocável. O fundamentalismo baseado na revelação não argumenta, apenas afirma. Não pede compreensão, mas sujeição. Não se trata absolutamente de um problema hermenêutico mas de uma luta pelo poder: ou a palavra de Deus ou o ‘espírito da época’. O fundamentalismo também não é um fenômeno de retirada ou de defesa, mas de avanço sobre o mundo moderno para dominá-lo. Faz parte das várias estratégias teopolíticas atuais…

O Dia do Juízo

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Dá vontade de revelar o final. Mas, não se pode. Porque Il Giorno del Giudizio [O Dia do Juízo], o livro que Andrea Tornielli e Gianni Valente escreveram (para Piemme, na Itália), não é um romance, mas uma investigação jornalística com o ritmo e as surpresas de um romance policial, cujo final, que ainda não foi escrito, poderia sacudir os fundamentos milenares da solidez vaticana. Uma investigação com muitíssimos documentos exclusivos e depoimentos inéditos, que retrata com precisão de cirurgião o assalto ao Pontificado do Papa Bergoglio por parte de forças que podem ser identificadas em uma mesma sensibilidade conservadora e que, após seis anos tramando na sombra, decidiu revelar a própria opinião sobre um padre argentino revolucionário capaz de voltar a acender a fé nos corações de milhões de pessoas, dando seu justo lugar aos desejos das hierarquias eclesiásticas e concentrando sua atenção nos pobres, humildes e deserdados. A mensagem é mais importante que o medo. Um tremendo chamado às origens do cristianismo que atemoriza o poder consolidado (Andrea Malaguti, O Papa, Viganò e a guerra dos dossiês: todos os detalhes de um livro, IHU Online – 07.11.2018)

Viene voglia di svelare il finale. Ma non si può. Perché Il Giorno del Giudizio, il libro scritto da Andrea Tornielli e Gianni Valente (ed. Piemme), non è un romanzo, ma un’inchiesta giornalistica con il ritmo e i colpi di scena di un giallo, il cui finale, ancora da scrivere, potrebbe scuotere alle fondamenta la millenaria solidità vaticana. Un’inchiesta ricca di documenti esclusivi e testimonianze inedite, che fotografa con precisione chirurgica l’assalto al pontificato di Papa Bergoglio da parte di forze riconducibili a una stessa sensibilità pervicacemente conservatrice, che, dopo sei anni passati a tramare nell’ombra, hanno deciso di portare alla luce il clamoroso dissenso verso un rivoluzionario prete argentino capace di riaccendere la fede nel cuore di milioni di persone, ridimensionando le brame delle gerarchie ecclesiastiche e concentrando la propria attenzione su poveri, umili e diseredati. Il messaggio torna a essere più importante del medium. Un richiamo spiazzante alle origini del cristianesimo che spaventa il potere consolidato (Andrea Malaguti, Il Papa, Viganò e la guerra dei dossier: i retroscena in un libro, Vatican Insider – 06/11/2018)

TORNIELLI, A. ; VALENTE, G. Il giorno del giudizio: Conflitti, guerre di potere, abusi e scandali. Cosa sta davvero succedendo nella Chiesa. Segrate (Milano): Piemme, 2018, 288 p. – ISBN 9788856669725.

TORNIELLI, A. ; VALENTE, G. Il giorno del giudizio: Conflitti, guerre di potere, abusi e scandali. Cosa sta davvero succedendo nella Chiesa. Segrate (Milano): Piemme, 2018, 288 p.

A “bomba” foi só a deflagração mais forte e recente de uma longa guerra que é travada nos anos de pontificado do Papa Francisco: uma batalha agressiva, que envolve grupos de poder e atravessa a Cúria vaticana e as Conferências Episcopais do mundo. No refluxo magmático de clericalismos, lobbies gays e ânsias cismáticas, contudo, não se pode ler o que está acontecendo hoje na Igreja com o esquema amigos-inimigos de Francisco. É preciso ir mais fundo, é preciso entender o que há de verdadeiro e de falso, e quais omissões revelam a instrumentalidade de tantas operações midiáticas, da tentativa de rotular Francisco como herege e da rede político-econômica internacional que sustenta a batalha contra ele, aliada com setores da Igreja estadunidense e com apoios até nos palácios vaticanos. É preciso ler documentos, descobrir os bastidores e ouvir as inquietantes versões dos fatos dos muitos protagonistas postos em causa por essa investigação.

Il tentato “golpe” contro Francesco esplode come “bomba mediatica” a Dublino, la mattina del 26 agosto 2018, durante il viaggio-lampo in Irlanda per l’incontro delle famiglie, che nelle intenzioni del pontefice doveva servire anche a chiedere perdono per lo scandalo degli abusi su minori e seminaristi. È l’invettiva dell’arcivescovo Carlo Maria Viganò, che coinvolge gli entourage di ben tre papi e che accusa Bergoglio di aver coperto il cardinale Theodore McCarrick, arrivando a chiedere le dimissioni del papa. La “bomba” è solo la deflagrazione più forte e recente di una lunga guerra che si combatte negli anni del pontificato di papa Francesco: una battaglia senza esclusione di colpi che coinvolge gruppi di potere e attraversa la curia vaticana e le conferenze episcopali del mondo. Nel rigurgito magmatico di clericalismi, lobby gay e ansie scismatiche, non si può tuttavia leggere quel che accade oggi nella Chiesa con lo schema amici-nemici di Francesco. Occorre andare in profondità, occorre capire cosa c’è di vero e di falso, e quali omissis svelano la strumentalità di tante operazioni mediatiche, del tentativo di bollare come eretico Francesco e della rete politico-economica internazionale che sostiene la battaglia contro di lui, alleata con settori della chiesa statunitense e con appoggi anche nei palazzi vaticani. Occorre leggere documenti, scoprire retroscena e ascoltare le inquietanti versioni dei fatti dei tanti protagonisti chiamati in causa da questa inchiesta.

Andea Tornielli

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O que está acontecendo na Igreja do Papa Francisco?

Gianni Valente

:. Quem é Andrea Tornielli?
Andrea Tornielli, vaticanista, giornalista del quotidiano “La Stampa” e responsabile del sito web “Vatican Insider”, collabora con varie riviste italiane e internazionali. È autore del bestseller, scritto con papa Francesco, Il nome di Dio è Misericordia (pubblicato in 100 Paesi) e di numerose altre pubblicazioni, tra cui ricordiamo la prima biografia del pontefice, Francesco. Insieme (2013), tradotta in 16 lingue. Sempre per Piemme ha pubblicato nel 2017 il volume In viaggio, con una conversazione con papa Francesco.

:. Quem é Gianni Valente?
Giornalista. Collabora con la rivista italiana di geopolitica «Limes» e con «Vatican Insider», il portale plurilingue online del quotidiano «La Stampa» dedicato all’informazione globale sull’attività della Santa Sede e le vicende delle comunità cristiane in tutto il mondo. È autore dei volumi Il Tesoro che fiorisce. Storie di cristiani in Cina (Roma 2002); Ratzinger professore (Edizioni San Paolo, 2008), dove ha ricostruito l’itinerario di studio e d’insegnamento percorso di Joseph Ratzinger nelle facoltà teologiche tedesche; Ratzinger al Vaticano II (Edizioni San Paolo, 2013) e Francesco, un papa dalla fine del mondo (Emi, 2013).

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Para entender o caso Viganò

Para compreender Francisco

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:: A Igreja, Francisco e as resistências. Entrevista com Daniele Menozzi – IHU Online: 01/09/2018

De que modo Francisco entende a relação entre Igreja e sociedade? E como ele manifesta isso no seu pontificado?

Parece-me que o núcleo fundamental da posição de Francisco em relação à sociedade contemporânea consiste na percepção de que a relação entre a Igreja e as pessoas não pode ser deduzida a partir de uma doutrina estabelecida a priori e considerada válida em todos os tempos e em todos os lugares. Isso não significa que a Igreja caia no relativismo, como consideram os tradicionalistas que se opõem veementemente ao pontífice. A Igreja tem o Evangelho como ponto de referência inevitável e absoluto.

Mas Bergoglio entendeu que o Evangelho só pode ser compreendido e comunicado no devir da história. A pretensão de estar fora e acima da história, como a Igreja fez nos últimos dois séculos, significou a sua renúncia a se colocar em sintonia com o mundo contemporâneo. Em suma, são os sinais dos tempos que permitem entender quais são os traços da mensagem evangélica que interceptam, em uma determinada situação histórica, as perguntas profundas dos seres humanos.

O Papa Francisco captou que, na condição da sociedade atual, a misericórdia representa o núcleo profundo do Evangelho que encontra ressonância em uma vida coletiva marcada pela difusão, em nível planetário, de problemas dramáticos: a crescente pobreza material; as iminentes ameaças de guerra, até mesmo nucleares; as estreitas respostas nacionalistas às grandes ondas migratórias; uma organização econômica marcada pela idolatria do lucro; uma degradação ambiental aparentemente incontrolável.

A opinião é do historiador italiano Daniele Menozzi, professor da Scuola Normale Superiore di Pisa, estudioso do papado moderno e contemporâneo, em entrevista concedida a Lorenzo Prezzi e publicada em Settimana News, 30/08/2018.

Original italiano:

:: La Chiesa, Francesco, le resistenze – Settimana News: 30/08/2018

In che modo Francesco comprende il rapporto tra Chiesa e società? E come lo manifesta nel suo pontificato?

Mi pare che il nucleo fondamentale della posizione di Francesco verso la società contemporanea consista nella percezione che il rapporto tra la Chiesa e gli uomini non può essere dedotto da una dottrina stabilita a priori e ritenuta valida in ogni tempo e in ogni luogo. Questo non significa che la Chiesa cada nel relativismo, come ritengono i tradizionalisti che si oppongono strenuamente al pontefice. La Chiesa ha come punto di riferimento ineludibile e assoluto il Vangelo.

Ma Bergoglio ha capito che il Vangelo può essere compreso e comunicato solo nel divenire della storia. La pretesa di stare al di fuori e al di sopra della storia, come la Chiesa ha fatto negli ultimi due secoli, ha significato una sua rinuncia a porsi in sintonia con il mondo coevo. Sono insomma i segni dei tempi che permettono di capire quali siano i tratti del messaggio evangelico che intercettano, in una determinata situazione storica, le domande profonde degli uomini.

Papa Francesco ha colto che, nella condizione della società odierna, la misericordia rappresenta il nucleo profondo del Vangelo che trova risonanza in una vita collettiva segnata dalla diffusione, a livello planetario, di drammatici problemi: la crescente povertà materiale; le incombenti minacce di guerra, anche nucleare; le grette risposte nazionalistiche alle grandi ondate migratorie; un’organizzazione economica segnata dall’idolatria del profitto; un degrado ambientale apparentemente inarrestabile.

Leia a entrevista completa.

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:: Ex-núncio nos EUA, Viganò: ”O papa deve renunciar” – Andrea Tornielli: IHU Online – 27/08/2018

O diplomata vaticano publicou um documento sobre o caso do cardeal homossexual McCarrick com acusações contra a cúpula vaticana dos últimos 20 anos.

As autoridades da Santa Sé tinham conhecimento, desde o ano 2000, da existência de acusações contra o arcebispo Theodore McCarrik, promovido no fim daquele ano a arcebispo de Washington e criado cardeal por João Paulo II no ano seguinte: era sabido que o prelado convidava seus seminaristas para dormir com ele na casa de praia. É o que afirma um documento de 11 páginas assinado por Carlo Maria Viganò, ex-secretário do Governatorato e ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, que foi afastado do Vaticano e enviado para a sede diplomática de Washington em 2011. O texto do Viganò está repleto de datas e de circunstâncias, e é claramente dirigido contra o Papa Francisco, do qual o ex-núncio pede a renúncia, porque, na sua opinião, teria removido as sanções existentes contra McCarrick após o conclave de 2013. O documento repropõe, detalhando-os, boatos e informações que já circularam pelo menos nos últimos dois meses na galáxia midiática antipapal e tradicionalista norte-americana e europeia, tentando descarregar toda a responsabilidade sobre os ombros do atual pontífice.

:: L’ex nunzio negli Usa Viganò: “Il Papa si deve dimettere” – Andrea Tornielli: Vatican Insider – 26/08/2018

Il diplomatico vaticano ha reso pubblico un documento sul caso del cardinale omosessuale McCarrick con accuse contro i vertici vaticani degli ultimi vent’anni

Le autorità della Santa Sede erano a conoscenza fin dal 2000 dell’esistenza di accuse contro l’arcivescovo Theodore McCarrick, promosso alla fine di quell’anno arcivescovo di Washington e creato cardinale da Giovanni Paolo II l’anno successivo: era noto che il prelato invitava i suoi seminaristi a dormire con lui nella casa al mare. È quanto si legge in un documento di 11 pagine firmato da Carlo Maria Viganò, ex segretario del Governatorato ed ex nunzio apostolico negli Stati Uniti, che venne allontanato dal Vaticano e inviato nella sede diplomatica di Washington nel 2011. Il testo di Viganò è zeppo di date e di circostanze, ed è chiaramente indirizzato contro Papa Francesco, del quale l’ex nunzio chiede le dimissioni perché a suo dire avrebbe tolto delle sanzioni esistenti contro MacCarrick dopo il conclave del 2013. Il documento ripropone, circostanziando le voci e informazioni già circolate almeno negli ultimi due mesi nella galassia mediatica antipapale e tradizionalista americana ed europea, cercando di attribuire ogni responsabilità sulle spalle dell’attuale Pontefice.

 

:: O catolicismo nos Estados Unidos e a tentativa de golpe contra Francisco. Artigo de Massimo Faggioli – IHU Online – 28/08/2018

Na sua carta de 20 de agosto a todo o povo de Deus, Francisco identificou no clericalismo a verdadeira chaga da Igreja: prova disso é a tentativa de golpe de Estado do fim de semana, com o memorial publicado pelo ex-núncio nos Estados Unidos, Carlo Maria Viganò. A manobra foi estudada minuciosamente tanto nos tempos quanto nos modos – especialmente olhando para os jornalistas hostis a Francisco que se prestaram a isso – e fracassou, pelo menos quanto à tentativa de empurrar o papa a renunciar. Mas, para entender o que está acontecendo na Igreja, este momento deve ser analisado na rota entre os Estados Unidos e o Vaticano.

(…)

Além dessa convergência entre a agenda pessoal de Viganò e a agenda ideológica do mundo estadunidense e anglo-saxão hostil a Francisco, o outro elemento-chave para compreender a operação e o motivo pelo qual ela fracassou é a transição de um certo tipo de catolicismo conservador para outro nos Estados Unidos.

Observando as publicações e os artigos de jovens jornalistas e intelectuais da nova geração de católicos estadunidenses (nascidos nos anos 1980-1990), é perceptível como eles não representam mais o catolicismo neoconservador “das antigas” (um nome acima de todos: George Weigel), aquele que chegou ao poder com o Partido Republicano, especialmente com George W. Bush em 2000 e nos Estados Unidos pós-11 de setembro de 2001.

Mas hoje a nova geração de católicos estadunidenses de direita (tanto leigos quanto padres e seminaristas, mas também alguns bispos) interpreta um catolicismo teologicamente neo-ortodoxo, moralmente neointegralista, politicamente antiliberal e anti-internacionalista, esteticamente neomedieval.

É o catolicismo cada vez mais visível na revista-farol da reação conservadora à teologia liberal, First Things, na qual as duas tendências e as divergências entre si são visíveis. Nessa transição de um tipo de conservadorismo católico para outro, nota-se uma diferença de ênfases nas críticas ao Papa Francisco. Ambos são muito críticos à teologia do Papa Francisco. A nova ala extremista e neointegralista, que lembra em alguns aspectos a Action Française de Charles Maurras nos anos 1920 (condenada por Pio XI), não hesita em identificar no Papa Francisco um papa herege ou não católico. Mas a velha geração de católicos neoconservadores não está disposta a arruinar a Igreja a fim de se livrar do Papa Francisco: e foi aí que faltou o apoio à operação Viganò.

O ataque ao Papa Francisco do último fim de semana também deve ser lido dentro da luta pela supremacia dentro do catolicismo estadunidense conservador, entre a velha escola neoconservadora e o novo integralismo medievalista. O ataque contra o Papa Francisco fracassou, mas não está claro o que acontecerá com a cultura católica conservadora nos Estados Unidos: se ela recuará para um neoconservadorismo que ainda mantém algum sentido das instituições (eclesiásticas ou não), ou se tomará o caminho de um jacobinismo católico que não tem medo de flertar com a ideia de um novo cisma do Ocidente.

:: Il cattolicesimo negli Stati Uniti e il tentato golpe contro Francesco – Massimo Faggioli: HuffPost.it – 27/08/2018
Nella sua lettera del 20 agosto a tutto il popolo di Dio, Francesco ha identificato nel clericalismo la vera piaga della chiesa: ne dà conferma il tentato colpo di stato del fine settimana, con il memoriale pubblicato dall’ex nunzio negli Stati Uniti, Carlo Maria Viganò. La manovra è stata studiata a tavolino sia nei tempi sia nei modi – specialmente guardando ai giornalisti ostili a Francesco che si sono prestati – ed è fallita, almeno quanto al tentativo di spingere il papa alle dimissioni. Ma per capire quanto sta succedendo nella chiesa, questo momento va analizzato sulla rotta tra Stati Uniti e Vaticano.

(…)

C’è poi un secondo elemento dell’operazione. Oltre a questa convergenza tra l’agenda personale di Viganò e l’agenda ideologica del mondo americano e anglosassone ostile a Francesco, l’altro elemento chiave per comprendere l’operazione e il motivo per cui è fallita è la transizione da un certo tipo di cattolicesimo conservatore a un altro negli Stati Uniti. Osservando le pubblicazioni e gli articoli di giovani giornalisti e intellettuali della nuova generazione di cattolici americani (nati negli anni ottanta-novanta) è percepibile come essi non rappresentino più il cattolicesimo neo-conservatore vecchia scuola (un nome per tutti, George Weigel), quello arrivato al potere col Partito repubblicano, specialmente con George W. Bush nel 2000 e nell’America post-11 settembre 2001. Ma oggi la nuova generazione di cattolici americani di destra (sia laici, sia preti e seminaristi, ma anche qualche vescovo) interpreta un cattolicesimo teologicamente neo-ortodosso, moralmente neo-integralista, politicamente anti-liberale e anti-internazionalista, esteticamente neo-medievale.

È il cattolicesimo sempre più visibile nella rivista-faro della reazione conservatrice alla teologia liberal, First Things, nella quale le due tendenze e le divergenze tra loro sono visibili. In questa transizione da un tipo di conservatorismo cattolico a un altro si nota una differenza di accenti nelle critiche a papa Francesco. Entrambi sono molto critici della teologia di papa Francesco. La nuova frangia oltranzista e neo-integralista, che ricorda per certi aspetti l’Action Francaise di Charles Maurras negli anni venti del secolo scorso (condannata da Pio XI), non si fa remore di identificare in papa Francesco un papa eretico o non cattolico. Ma la vecchia generazione di cattolici neo-conservatori non è disposta a fare macerie della chiesa pur di liberarsi di papa Francesco: ed è qui che è mancato il supporto all’operazione Viganò.

L’attacco a papa Francesco dello scorso fine settimana va letto anche all’interno della lotta per la supremazia all’interno del cattolicesimo americano conservatore, tra vecchia scuola neo-conservatrice e nuovo integralismo medievalista. L’attacco a papa Francesco è fallito, ma non è chiaro cosa sarà della cultura cattolica conservatrice negli Stati Uniti: se tornerà sui passi di un neo-conservatorismo che conserva ancora un qualche senso delle istituzioni (ecclesiastiche e non), oppure se prenderà la via di un giacobinismo cattolico che non ha paura di flirtare con l’idea di un nuovo scisma d’Occidente.

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A virada profética de Francisco

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XVIII Simpósio Internacional IHU. A virada profética de Francisco. Possibilidades e limites para o futuro da Igreja no mundo contemporâneo

 
XVIII Simpósio Internacional IHU. A virada profética de Francisco. Possibilidades e limites para o futuro da Igreja no mundo contemporâneo

Data: 21 a 24 de maio de 2018

Local: Teatro Unisinos – Campus Porto Alegre

De onde vem o fascínio de intelectuais pela figura de Francisco, que não se coloca como um nobre líder internacional, ao contrário, parece até tentar se afastar dessa ideia, buscando sempre um contato mais direto com as pessoas? Em grande parte, esse fascínio é baseado em ações como, por exemplo, a busca de Francisco pelo diálogo inter-religioso, a defesa que faz da importância do acolhimento ao imigrante e o combate feroz ao estilo de vida que tem no consumo seu alicerce. Posicionamentos que provocam inquietações que ecoam dentro e fora dos muros vaticanos.

No turbilhão dos dias correntes, a liderança política de Bergoglio não aparece como salvacionista, mas como alguém atento aos dilemas contemporâneos. Ele coloca a Igreja e os dilemas do mundo de hoje no mesmo cenário, fustigando um debate acerca dos desafios contemporâneos, sem se fechar no mundo eclesial, mas olhando para fora e propondo uma visão social, econômica, (geo)política, ecológica, cultural e teológica que não encontra eco nas formas hegemônicas de financeirização da vida e da natureza.

Talvez, olhar com mais atenção à figura do papa Francisco possa nos ajudar a pensar nossos desafios de forma transdisciplinar. É com o intuito de promover esse movimento que o Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove, entre os dias 21 e 24 de maio, na Unisinos Porto Alegre, o XVIII Simpósio Internacional IHU – A Virada Profética de Francisco. Possibilidades e limites para o futuro da Igreja no mundo contemporâneo.

O XVIII Simpósio Internacional IHU é destinado tanto à comunidade acadêmica como ao público em geral. Ao todo, serão 32 convidados, divididos em palestras e minicursos. As inscrições podem ser feitas através do site (Trechos de O estilo Francisco: uma inspiração para o nosso tempo – Por João Vitor Santos – IHU: 28 Fevereiro 2018).

Conferencistas

Prof. Dr. Alex Villas Boas – PUCPR
Prof. Dr. Andrea Grillo – Pontifício Ateneu Sant’Anselmo – Itália
Dr. Austen Ivereigh – Catholic Voices – Londres
Profa. Dra. Bárbara Pataro Bucker – PUC-Rio
Dra. Carmem Lussi – CSEM – Brasília
Profa. Dra. Carmen Oliveira – Fiocruz
Prof. Dr. Cesar Kuzma – PUC-Rio
Profa. Dra. Emilce Cuda – UCA – Argentina
Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior – PUC-SP
Dom Francisco de Assis da Silva – IEAB
Prof. Dr. Geraldo Luiz De Mori – FAJE
Prof. Dr. Hilário Henrique Dick – Unisinos
Prof. Dr. Ivanir Rampon – Itepa Faculdades
Bel. Ivo Poletto – FMCJS – Brasília
Prof. Dr. Jesus Hortal – PUC-Rio
MS Jonas Jorge da Silva – CEPAT
Prof. Dr. José Roque Junges – Unisinos
Prof. Dr. Juan Carlos Scannone – Argentina
Prof. Dr. Leomar Antônio Brustolin – PUCRS
Prof. Dr. Luís Corrêa Lima – PUC-Rio
Prof. Dr. Luiz Gonzaga Belluzzo – FACAMP
Prof. Esp. Márcio Pimentel – FAJE
Profa. Dra. Mary Hunt – WATER – EUA
Prof. Dr. Massimo Borghesi – Università di Perugia – Itália
Prof. Dr. Massimo Faggioli – Villanova University – EUA
Prof. Dr. Maurício Perondi – PUCRS
Dr. Moisés Sbardelotto
MS Patrícia Machado Vieira – PUCRS
Prof. Dr. Paulo Suess – CIMI
Bel. Romi Márcia Bencke – IECLB/CONIC
MS Rubens Nunes da Mota – ORCap – Goiânia
Prof. Dr. Todd A. Salzman – Creighton University – EUA

Nos passos de Jesus ou o Israel imaginado

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Imagined Israel: The Problem of Pilgrimage in the Holy Land

By Michael A. Di Giovine
The Marginalia Review of Books
April 9, 2017

Christian pilgrimage to the Holy Land is a longstanding tradition; our earliest evidence comes from travelers in Late Antiquity such as Egeria and the Bordeaux pilgrim who journeyed to Jerusalem when Roman emperor Constantine legalized the religion. Since then, the sites associated with Jesus’ life have captivated the imaginaries of Crusaders, explorers, proto-archaeologists, and modern literary travelers such as Herman Melville and Mark Twain, and today is a multi-billion-dollar global industry.

The study of pilgrimage generally mirrors the sentiments of pilgrims themselves, in that it has been traditionally suffused with tensions stemming from a number of contradictory experiences travelers confront. How can they be modern if they are engaging in such an age-old, almost medieval tradition? Does it count as serious pilgrimage if they avail themselves of commercial experiences and ludic activities staged by the tourism industry? Why do they travel far distances to resolve issues in their home lives? Why do they publically perform such devotional practices if they feel that it is inherently a private, “interior journey” on which they are embarking? Do Protestants even recognize pilgrimage as a viable category, since most denominations (though not all) privilege direct and unmediated interaction with the Divine through prayer over the ritualized, materialistic, place-centered practices that mark Catholicism and Eastern Orthodoxy?

In this context, Hillary Kaell’s Walking Where Jesus Walked: American Christians and Holy Land Pilgrimage is a fascinating and sensitive look at Catholic and Evangelical Protestant travelers to the biblical origin of their faiths. While there are numerous studies on Holy Land pilgrimage in a variety of languages that focus on a diversity of time periods and demographics, Kaell’s is not only one of the first to center squarely on contemporary American travelers, but it also does so through the holistic approach of following pilgrims—whom she calls the “foot soldiers” of this profitable travel industry—before, during, and after the trip itself. Her work is based on ethnographic research—the qualitative bread-and-butter of anthropological inquiry—including participant observation (interacting with and observing her subjects while participating as a pilgrim), open-ended interviews, and some survey research. As a result, this well-organized and eminently readable monograph is punctuated by thick description and illuminating, often quite emotionally engaging interviews that bring its pilgrim voices to life.

The binary oppositions between ancient/modern, pilgrimage/tourism, religion/commercialism, public/private, interior/exterior, and Catholic/Protestant in Holy Land pilgrimage structure Kaell’s book. In particular, she argues that a common thread linking all of these dualities is the way that the actors negotiate a “problem of presence.” That is, how are Jesus and the biblical events of the past made present to these travelers? By voluntarily undertaking a “trip of a lifetime” (as many of her informants call it) to quite literally “walk where Jesus walked,” pilgrims are confronted with existential and ontological questions triggered by comparing their present experiences and future objectives with an idealized, imagined religious past. They therefore must work to resolve these issues. Traveling abroad and experiencing Otherness forces them to take stock of their lives at home; confronting other Christian denominations and religions (from Messianic Jews and Arab Christians to Jewish Israelis and Muslim Palestinians) obliges them to rethink taken-for-granted assumptions about religious pluralism. Moreover, encountering the directives of the tour’s spiritual leaders with their desire to take photographs and purchase souvenirs compels them to negotiate their notions of duty, kinship, age and gender. Indeed, these latter elements are central to Kaell’s analysis: a vast majority of these pilgrims are retired women (“middle-old,” they say), who frequently make sense of their actions by drawing on common gender stereotypes: that women are more spiritual than men, more inclined to shop, and bear a larger burden for transmitting religious faith to their family.

Leia o texto completo.

O livro

KAELL, H. Walking Where Jesus Walked: American Christians and Holy Land Pilgrimage. New York: New York University Press, 2014, 286 p. – ISBN 9781479831845.

 

KAELL, H. Walking Where Jesus Walked: American Christians and Holy Land Pilgrimage. New York: New York University Press, 2014, 286 p.

Quem é Michael A. Di Giovine?

Michael A. Di Giovine is Assistant Professor of Anthropology at West Chester University and Honorary Fellow at the University of Wisconsin-Madison. The author of The Heritage-scape: UNESCO, World Heritage and Tourism and co-editor of The Seductions of Pilgrimage: Sacred Journeys Afar and Astray in the Western Religious Tradition, his research focuses on the intersection of pilgrimage, tourism and cultural heritage, particularly as it relates to the global cult of St. Padre Pio of Pietrelcina and UNESCO’s World Heritage program. A former tour operator, Michael is Convenor of the Anthropology of Tourism Interest Group at the American Anthropological Association, and co-editor of Lexington Books’ series, The Anthropology of Tourism: Heritage, Mobility and Society. Home Page: http://www.michaeldigiovine.com/

Deste autor, leia:

DI GIOVINE, M. A.; PICARD, D. The Seductions of Pilgrimage: Sacred Journeys Afar and Astray in the Western Religious Tradition. Revised ed. Abingdon: Routledge, 2016, 288 p. -ISBN 9781472440075.

The Seductions of Pilgrimage explores the simultaneously attractive and repellent, beguiling and alluring forms of seduction in pilgrimage. It focuses on the varied discursive, imaginative, and practical mechanisms of seduction that draw individual pilgrims to a pilgrimage site; the objects, places, and paradigms that pilgrims leave behind as they embark on their hyper-meaningful travel experience; and the often unforeseen elements that lead pilgrims off their desired course. Presenting the first comprehensive study of the role of seduction on individual pilgrims in the study of pilgrimage and tourism, it will appeal to scholars of anthropology, cultural geography, tourism, heritage, and religious studies.

DI GIOVINE, M. A.; PICARD, D. Tourism and the Power of Otherness: Seductions of Difference. Bristol: Channel View Publications, 2014, 208 p. – ISBN 9781845414153.

This book explores the paradoxes of Self–Other relations in the field of tourism. It particularly focuses on the ‘power’ of different forms of ‘Otherness’ to seduce and to disrupt, and, eventually, also to renew the social and cosmological orders of ‘modern’ culture and everyday life. Drawing on a series of ethnographic case studies, the contributors investigate the production, socialization and symbolic encompassment of different ‘Others’ as a political and also an economic resource to govern social life in the present. The volume provides a comparative inductive study on the modernist philosophical concepts of time, ‘Otherness’, and the self in practice, and relates it to contemporary tourism and mobility.

Francisco: 4 anos

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Cinco grandes realizações dos primeiros 4 anos de Papa Francisco – IHU On-Line: 13/03/2017

É difícil acreditar, mas o Papa Francisco está chegando ao quarto aniversário de sua eleição ao papado em 13 de março. Em quatro anos, o pontífice já teve um impacto profundo na Igreja. Verdade seja dita, ele não mudou a postura da Igreja em relação ao controle de natalidade, ao celibato, a mulheres ordenadas ao sacerdócio e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas tem transformando fundamentalmente como vemos a Igreja de cinco maneiras. O comentário é de Thomas Reese, jornalista e jesuíta, publicado por National Catholic Reporter, em 09/03/2017.

Five great achievements of Pope Francis’ first four years – Thomas Reese: National Catholic Reporter – Mar. 9, 2017

It is hard to believe but Pope Francis is coming up on the fourth anniversary of his election as pope on March 13. In four years, the pope has had a profound impact on the church. True, he has not changed the church’s position on birth control, celibacy, women priests and gay marriage, but he has fundamentally changed how we see the church in five ways.

Francisco e Trump

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Com Trump, Papa Francisco tem um problema na América – IHU On-Line: 18.02.2017

Nos últimos meses, o ataque contra o papa retomou vigor. Liderado por parte do clero dos Estados Unidos. Assim, a eleição do novo presidente está redesenhando as relações de poder na Igreja.

Bem antes de se tornar o primeiro conselheiro e estrategista-chefe de Donald Trump, Steve Bannon havia exposto a sua visão de mundo – o “sangrento conflito” necessário para preservar o Ocidente judaico-cristão, uma islamofobia que se descolore na supremacia branca, a denúncia do “capitalismo clientelista” de Washington e das finanças globais, um misto de desconfiança e admiração pela “cleptocracia” putiniana, a emergência de um tea party global, a sintonia com Marine Le Pen, Nigel, Farage e os movimentos de direita europeus – em uma videoconferência com o Vaticano.

O ano era 2014, e o então diretor do Breitbart News interveio via Skype em um congresso do Dignitatis Humanae Institute, think tank conservador cujo comitê consultivo é presidido pelo cardeal estadunidense Raymond Leo Burke, chefe da oposição curial ao Papa Francisco.

A reportagem é de Jacopo Scaramuzzi, publicada na revista Pagina 99, 11-02-2017.

Ora con Trump papa Francesco ha un problema in America – Jacopo Scaramuzzi – Pagina 99 – 13 febbraio 2017

La fronda contro il Papa ha ripreso vigore. Capeggiata da parte del clero Usa. Così l’elezione di Trump ridisegnan i rapporti di potere nella Chiesa

Ben prima di diventare il primo consigliere e stratega in capo di Donald Trump, Steve Bannon aveva esposto la sua visione del mondo – il «sanguinoso conflitto» necessario per preservare l’Occidente giudaico-cristiano, un’islamofobia che trascolora nel suprematismo bianco, la denuncia del «capitalismo clientelare» di Washington e della finanza globale, un misto di diffidenza e ammirazione per la «cleptocrazia» putiniana, l’emergere di un tea party globale, la sintonia con Marine Le Pen, Nigel Farage e i movimenti di destra europei – in video-collegamento con il Vaticano. Correva l’anno 2014 e l’allora direttore di Breitbart News intervenne via skype a un convegno dell’istituto Dignitatis Humanae, think tank conservatore il cui comitato consultivo è presieduto dal cardinale statunitense Raymond Leo Burke, capofila dell’opposizione curiale a Papa Francesco.

Jorge Mario Bergoglio e Donald Trump sono agli antipodi. Sono due politici scaltri, sanno che si dovranno parlare, forse già quando il presidente Usa verrà in Italia a maggio per il G7 di Taormina, sono consapevoli che potranno trovare terreni di incontro, come la porta che entrambi tengono aperta alla Russia e la speranza di un appeasement in Medio Oriente. Dalla personalità che Trump sceglierà come ambasciatore presso la Santa Sede (girano i nomi del falco Newt Gingrich, del rivale alle primarie repubblicane Ben Carson, di Benjamin Harnwell, «il tizio più sveglio che c’è a Roma», copyright Steve Bannon) si capirà come Trump vuole impostare i rapporti col Palazzo apostolico. Le distanze, di certo, sono enormi, se non incolmabili. E se Giovanni XXIII e Paolo VI, negli anni Sessanta, avevano un problema con l’Unione Sovietica che affrontarono con la Ostpolitik, ora, come ha scritto lo storico Massimo Faggioli, il primo Papa latinoamericano della storia ha un problema di Westpolitik.

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