Teoria da metáfora conceptual

Atualizado em

O livro do profeta Oseias é recheado de metáforas. Virtualmente toda tendência interpretativa nos estudos sobre Oseias preocupou-se de alguma forma com as metáforas do texto. Mas, desde a década de 80 do século XX a abordagem de Oseias através das lentes da metáfora, especialmente o uso da teoria da metáfora conceptual alcançou uma posição de destaque nos estudos acadêmicos do livro do profeta. Há autores, por exemplo, que interpretam as imagens da prostituição usadas no livro de Oseias como um símbolo do corpo social desintegrado de Israel no século VIII a.C.

Por isso pode ser interessante esclarecer, ainda que brevemente, o que vem a ser a teoria da metáfora conceptual, também conhecida como teoria cognitiva da metáfora.

 

Para a maioria de nós, a metáfora é uma figura de linguagem na qual uma coisa é comparada com outra, dizendo que uma é a outra, como em “Ele é um leão”. Ou, como diz a Enciclopédia Britânica: A metáfora é uma figura de linguagem que implica comparação entre duas entidades diferentes (…) uma comparação explícita sinalizada pelas palavras “semelhante” ou “como”.

Por exemplo, consideraríamos a palavra leão uma metáfora na frase Aquiles era um leão no combate. Nós provavelmente diríamos também que a palavra é usada KOVECSES, Z. Metaphor: A Practical Introduction. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2010.metaforicamente para alcançar algum efeito artístico e retórico, já que falamos e escrevemos metaforicamente para nos comunicarmos eloquentemente, para impressionar os outros com palavras “bonitas”, esteticamente agradáveis ​​ou para expressar alguma emoção profunda. Talvez também acrescentássemos que o que possibilita a identificação metafórica de Aquiles com um leão é que Aquiles e leões têm algo em comum: a bravura e a força.

De fato, essa é uma visão amplamente compartilhada – a concepção mais comum de metáfora, tanto nos círculos acadêmicos quanto na mentalidade popular. O que não significa que essa seja a única visão da metáfora. Esse conceito tradicional pode ser brevemente caracterizado por apontar cinco de seus recursos mais comumente aceitos:

1. A metáfora é uma propriedade das palavras, é um fenômeno linguístico. O uso metafórico do leão é uma característica de uma expressão linguística, a da palavra leão
2. A metáfora é usada para algum objetivo artístico e retórico, como quando Shakespeare escreve: o mundo é um palco
3. A metáfora é baseada em uma semelhança entre as duas entidades que são comparadas e identificadas. Aquiles deve compartilhar alguns recursos com os leões para que possamos usar a palavra leão como uma metáfora para Aquiles
4. A metáfora é um uso consciente e deliberado das palavras, e você deve ter um talento especial para poder fazê-lo e fazê-lo bem. Somente grandes poetas ou palestrantes eloquentes podem ser seus mestres
5. A metáfora é uma figura de linguagem da qual podemos prescindir. Nós a usamos para efeitos especiais e não é uma parte inevitável da comunicação humana cotidiana, muito menos do pensamento e do raciocínio humano cotidiano.

 

Uma nova visão da metáfora que desafiou, de maneira coerente e sistemática, todos esses aspectos da teoria tradicional, foi desenvolvida por George Lakoff e Mark Johnson em 1980 em seu estudo seminal Metaphors We Live By, traduzido como Metáforas da vida cotidiana. Sua concepção tornou-se conhecida como teoria cognitiva da metáfora ou teoria da metáfora conceptual.

Lakoff e Johnson desafiaram a visão profundamente arraigada da metáfora, afirmando que:
1. A metáfora é uma propriedade dos conceitos, e não das palavras
2. A função da metáfora é entender melhor certas conceitos, e não apenas servir a algum propósito artístico ou estético
3. A metáfora frequentemente não se baseia na semelhança
4. A metáfora é usada sem esforço na vida cotidiana por pessoas comuns, não apenas por pessoas talentosas
5. A metáfora, longe de ser um enfeite linguístico supérfluo e agradável, é um processo inevitável do pensamento e do raciocínio humano.

Para Lakoff e Johnson a metáfora não é simplesmente uma questão de palavras ou expressões linguísticas, mas de conceitos, de pensar em uma coisa em termos de outra. Segundo a teoria cognitiva da metáfora desenvolvida por Lakoff e Johnson, a metáfora é de natureza conceptual. Nessa perspectiva, a metáfora deixa de ser apenas um dispositivo da imaginação literária criativa e se converte em valiosa ferramenta cognitiva tanto para os poetas quanto para as pessoas comuns em seu cotidiano.

Com isto não se quer dizer que as ideias mencionadas acima no que chamamos de teoria cognitiva da metáfora não existiam antes de 1980. Obviamente, muitas delas existiam. Os principais componentes da teoria cognitiva da metáfora foram propostos por diversos estudiosos nos últimos dois mil anos. Por exemplo, a ideia da natureza conceptual da metáfora foi discutida por vários filósofos, incluindo Locke e Kant, vários séculos atrás.

O que há de novo, então, na teoria cognitiva da metáfora? No geral, a novidade está em que é uma teoria abrangente, generalizada e empiricamente testada.

:. Abrangência que deriva do fato de discutir um grande número de questões relacionadas à metáfora. Isso inclui, por exemplo:
. a relação da metáfora com outras figuras de linguagem
. a universalidade e especificidade cultural da metáfora
. a aplicação da teoria da metáfora conceptual a uma variedade de tipos diferentes de discurso, como a literatura
. a aquisição de metáfora
. o uso de metáforas no ensino de línguas estrangeiras
. a utilização não linguística da metáfora em uma variedade de áreas, como os múltiplos recursos visuais da atualidade

:. Generalização que deriva do fato de que ela tenta conectar o que sabemos sobre a metáfora conceptual com o que sabemos sobre o funcionamento da linguagem, o funcionamento do sistema conceptual humano e o funcionamento da cultura. A teoria cognitiva da metáfora fornece novas ideias sobre como certos fenômenos linguísticos funcionam, como a polissemia e o desenvolvimento do significado. Também lança uma nova luz sobre como o significado metafórico emerge. Ela desafia a visão tradicional de que a linguagem e o pensamento metafóricos são arbitrários e desmotivados e oferece a nova visão de que tanto a linguagem metafórica quanto o pensamento surgem da experiência corporal (sensório-motora) básica dos seres humanos.

:. Empiricamente testada, pois os pesquisadores usaram uma variedade de experimentos para testar a validade das principais reivindicações da teoria. Esses experimentos mostraram que a visão cognitiva da metáfora é psicologicamente viável: ou seja, tem fundamento psicológico. Experiências posteriores mostraram que ela pode ser vista como um instrumento fundamental não apenas na produção de novas palavras e expressões, mas também na organização do pensamento humano, e que pode ter aplicações práticas úteis, como, por exemplo, no ensino de línguas estrangeiras.

LAKOFF, G. ; JOHNSON, M. Metaphors We Live By. Chicago: University of Chicago Press, 2015.Vamos fazer uma distinção entre metáforas conceptuais e expressões linguísticas metafóricas. Nas metáforas conceptuais, um domínio da experiência é usado para entender outro domínio da experiência. As expressões linguísticas metafóricas, por outro lado, manifestam as metáforas conceptuais. O domínio conceptual que tentamos entender é chamado domínio de destino, e o domínio conceptual que usamos para esse fim é o domínio de origem.

Na frase Aquiles era um leão no combate, “Aquiles” é o domínio de destino, o alvo a ser explicado, enquanto “leão” é o domínio de origem, o recurso usado para entender o comportamento de Aquiles. Explicando “Aquiles” através de “leão”, estou dizendo: o domínio conceptual A (Aquiles) pode ser compreendido através do domínio conceptual B (leão). Ou seja: temos uma metáfora conceptual quando explicamos uma realidade ou conceito mais abstrato ou complexo através de uma realidade ou categoria mais concreta ou mais simples que faz parte de nossa experiência.

Típicos domínios conceptuais de origem são, por exemplo, o corpo humano, doença e saúde, animais, plantas, construções, máquinas e ferramentas, jogos e esporte, dinheiro e transações financeiras, culinária, calor e frio, luz e trevas, movimento e direção etc.

Típicos domínios conceptuais de destino são, por exemplo, emoções, desejos, moral, pensamentos, sociedade, política, economia, comunicação, relações humanas, tempo, vida e morte, religião, eventos ou ações etc.

A compreensão de um domínio em termos de outro envolve um conjunto de correspondências, tecnicamente chamadas de mapeamentos, entre uma origem e um domínio de destino. Esse conjunto de mapeamentos é obtido entre os elementos constituintes básicos do domínio de origem e os elementos constituintes básicos do destino. Conhecer uma metáfora conceptual é conhecer o conjunto de mapeamentos que se aplica a um determinado pareamento origem-destino. São esses mapeamentos que fornecem o significado das expressões linguísticas metafóricas (ou metáforas linguísticas) que tornam uma metáfora conceptual específica manifesta.

 

For most of us, metaphor is a figure of speech in which one thing is compared with another by saying that one is the other, as in “He is a lion”. Or, as the Encyclopaedia Britannica puts it: “metaphor [is a] figure of speech that implies comparison between two unlike entities, as distinguished from simile, an explicit comparison signalled by the words ‘like’ or ‘as’ ”. For example, we would consider the word lion to be a metaphor in the sentence “Achilles was a lion in the fight.” We would probably also say that the word is used metaphorically in order to achieve some artistic and rhetorical effect, since we speak and write metaphorically to communicate eloquently, to impress others with “beautiful,” esthetically pleasing words, or to express some deep emotion. Perhaps we would also add that what makes the metaphorical identification of Achilles with a lion possible is that Achilles and lions have something in common: namely, their bravery and strength.

Indeed, this is a widely shared view—the most common conception of metaphor, both in scholarly circles and in the popular mind (which is not to say that this is the only view of metaphor). This traditional concept can be briefly characterized by pointing out five of its most commonly accepted features. First, metaphor is a property of words; it is a linguistic phenomenon. The metaphorical use of lion is a characteristic of a linguistic expression (that of the word lion). Second, metaphor is used for some artistic and rhetorical purpose, such as when Shakespeare writes “all the world’s a stage.” Third, metaphor is based on a resemblance between the two entities that are compared and identified. Achilles must share some features with lions in order for us to be able to use the word lion as a metaphor for Achilles. Fourth, metaphor is a conscious and deliberate use of words, and you must have a special talent to be able to do it and do it well. Only great poets or eloquent speakers, such as, say, Shakespeare and Churchill, can be its masters. For instance, Aristotle makes the following statement to this effect: “The greatest thing by far is to have command of metaphor. This alone cannot be imparted by another; it is the mark of genius.” Fifth, it is also commonly held that metaphor is a figure of speech that we can do without; we use it for special effects, and it is not an inevitable part of everyday human communication, let alone everyday human thought and reasoning.

A new view of metaphor that challenged all these aspects of the powerful traditional theory in a coherent and systematic way was first developed by George Lakoff and Mark Johnson in 1980 in their seminal study: Metaphors We Live By. Their conception has become known as the “cognitive linguistic view of metaphor.” Lakoff and Johnson challenged the deeply entrenched view of metaphor by claiming that (1) metaphor is a property of concepts, and not of words; (2) the function of metaphor is to better understand certain concepts, and not just some artistic or esthetic purpose; (3) metaphor is often not based on similarity; (4) metaphor is used effortlessly in everyday life by ordinary people, not just by special talented people; and (5) metaphor, far from being a superfluous though pleasing linguistic ornament, is an inevitable process of human thought and reasoning.

In their view, metaphor is not simply a matter of words or linguistic expressions but of concepts, of thinking of one thing in terms of another. In the examples, two very different linguistic expressions capture aspects of the same concept, the mind, through another concept, machines. In the cognitive linguistic view as developed by Lakoff and Johnson, metaphor is conceptual in nature. In this view, metaphor ceases to be the sole device of creative literary imagination; it becomes a valuable cognitive tool without which neither poets nor you and I as ordinary people could live.

This discussion is not intended to suggest that the ideas mentioned above in what we call the “cognitive linguistic view of metaphor” did not exist before 1980. Obviously, many of them did. Key components of the cognitive theory were proposed by a diverse range of scholars in the past two thousand years. For example, the idea of the conceptual nature of metaphor was discussed by a number of philosophers, including Locke and Kant, several centuries ago. What is new, then, in the cognitive linguistic view of metaphor? Overall, what is new is that it is a comprehensive, generalized, and empirically tested theory.

First, its comprehensiveness derives from the fact that it discusses a large number of issues connected with metaphor. These include the systematicity of metaphor; the relationship between metaphor and other tropes, or figures of speech; the universality and culture-specificness of metaphor; the application of metaphor theory to a range of different kinds of discourse such as literature; the acquisition of metaphor; the teaching of metaphor in foreign language teaching; the nonlinguistic realization of metaphor in a variety of areas such as advertisements; and many others. It is not claimed that these issues have not been dealt with at all in other approaches; instead, the claim is that not all of them have been dealt with within the same theory.

Second, the generalized nature of the theory derives from the fact that it attempts to connect what we know about conceptual metaphor with what we know about the working of language, the working of the human conceptual system, and the working of culture. The cognitive linguistic view of metaphor can provide new insights into how certain linguistic phenomena work, such as polysemy and the development of meaning. It can also shed new light on how metaphorical meaning emerges. It challenges the traditional view that metaphorical language and thought is arbitrary and unmotivated. And it offers the new view that both metaphorical language and thought arise from the basic bodily (sensorimotor) experience of human beings. As it turns out, this notion of “embodiment” very clearly sets off the cognitive linguistic view from the traditional ones.

Third, it is an empirically tested theory in that researchers have used a variety of experiments to test the validity of the major claims of the theory. These experiments have shown that the cognitive view of metaphor is a psychologically viable one: that is, it has psychological reality. Further experiments have shown that, because of its psychological reality, it can be seen as a key instrument not only in producing new words and expressions but also in organizing human thought, and that it may have useful practical applications, for example, in foreign language teaching.

We have made a distinction between conceptual metaphors and metaphorical linguistic expressions. In conceptual metaphors, one domain of experience is used to understand another domain of experience. The metaphorical linguistic expressions make manifest particular conceptual metaphors. The conceptual domain that we try to understand is called the target domain, and the conceptual domain that we use for this purpose is the source domain.

Understanding one domain in terms of another involves a set of fixed correspondences (technically called mappings) between a source and a target domain. This set of mappings obtains between basic constituent elements of the source domain and basic constituent elements of the target. To know a conceptual metaphor is to know the set of mappings that applies to a given source-target pairing. It is these mappings that provide much of the meaning of the metaphorical linguistic expressions (or linguistic metaphors) that make a particular conceptual metaphor manifest (KOVECSES, Z. Metaphor: A Practical Introduction. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2010. Trechos do “Preface to the First Edition: The Study of Metaphor”).

Referências:

KOVECSES, Z. Metaphor: A Practical Introduction. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2010, 375 p. – ISBN 9780195374940.

KOVECSES, Z. Extended Conceptual Metaphor Theory. Cambridge: Cambridge University Press, 2020, 320 p. – ISBN 9781108490870.

LAKOFF, G. ; JOHNSON, M. Metaphors We Live By. Chicago: University of Chicago Press, 2015, 256 p. – ISBN 9780226468372.

 

Zoltan Kovecses: Eötvös Loránd University, School of English and American Studies, Faculty Member, Hungary.

George Lakoff is a professor in the Department of Linguistics at the University of California, Berkeley.

Mark Johnson is the Knight Professor of Liberal Arts and Sciences at the University of Oregon.

Preparando meus programas de aula para 2020

Atualizado em

Estou, nestes dias, preparando meus programas de aula de Bíblia para 2020. Começo a publicá-los no Observatório Bíblico. A intenção é de que possam servir, para além de meus alunos, a outras pessoas que, eventualmente, queiram ter uma noção de como se estuda a Bíblia em determinadas Faculdades de Teologia. Ou, pelo menos, parte da Bíblia, porque posso expor apenas os programas das disciplinas que leciono. Tomo aqui como referência o currículo do CEARP, onde trabalho. Já fiz isso em outros anos.

Quatro elementos serão levados em conta, em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional:

:: contextos da época bíblica
:: produção dos textos bíblicos
:: contextos atuais
:: leitores atuais dos textos

O sentido da Escritura, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos específicos.

Ou seja: “Da Escritura não se esperam fórmulas a ‘copiar’, ou técnicas a ‘aplicar’. O que ela pode nos oferecer é antes algo como orientações, modelos, tipos, diretivas, princípios, inspirações, enfim, elementos que nos permitam adquirir, por nós mesmos, uma ‘competência hermenêutica’, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos, ‘segundo o senso do Cristo’, ou ‘de acordo com o Espírito’, das situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados. As Escrituras cristãs não nos oferecem um was [que], mas um wie [como]: uma maneira, um estilo, um espírito. Tal comportamento hermenêutico se situa a igual distância tanto da metafísica do sentido (positivismo) quanto da pletora das significações (biscateação). Ele nos dá a chance de jogar a sério a círculo hermenêutico, pois que é somente neste e por este jogo que o sentido pode despertar” explica BOFF, C. Teologia e Prática: Teologia do Político e suas mediações. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 266-267.

As disciplinas de Bíblia no curso de graduação em Teologia podem, segundo este modelo, ser classificadas em três áreas:

1. Disciplinas Contextuais:
:: História de Israel I e II

2. Disciplinas Instrumentais:
:: Introdução à Sagrada Escritura
:: Hebraico Bíblico
:: Grego Bíblico

3. Disciplinas Exegéticas:
:: Pentateuco
:: Literatura Profética I e II
:: Literatura Deuteronomista
:: Literatura Sapiencial
:: Sinóticos e Atos dos Apóstolos
:: Literatura Paulina
:: Literatura Joanina
:: Apocalipse

—————————————-
Destas disciplinas, leciono:

No primeiro semestre:
:: História de Israel I: 2 hs/sem.
:: Hebraico Bíblico: 2 hs/sem.
:: Literatura Profética I: 2 hs/sem.
:: Literatura Deuteronomista: 2 hs/sem.

No segundo semestre:
:: História de Israel II: 2 hs/sem.
:: Pentateuco: 4 hs/sem.
:: Literatura Profética II: 2 hs/sem.

Leia Mais:
Hebraico Bíblico 2020
História de Israel I 2020
História de Israel II 2020
Pentateuco 2020
Literatura Profética I 2020
Literatura Profética II 2020
Literatura Deuteronomista 2020

Preparando meus programas de aula para 2019

Atualizado em

Estou, nestes dias, preparando meus programas de aula de Bíblia para 2019. Começo a publicá-los no Observatório Bíblico. A intenção é de que possam servir, para além de meus alunos, a outras pessoas que, eventualmente, queiram ter uma noção de como se estuda a Bíblia em determinadas Faculdades de Teologia. Ou, pelo menos, parte da Bíblia, porque posso expor apenas os programas das disciplinas que leciono. Tomo aqui como referência o currículo do CEARP, onde trabalho. Já fiz isso em outros anos.

Quatro elementos serão levados em conta, em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional:

:: contextos da época bíblica
:: produção dos textos bíblicos
:: contextos atuais
:: leitores atuais dos textos

O sentido da Escritura, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos específicos.

Ou seja: “Da Escritura não se esperam fórmulas a ‘copiar’, ou técnicas a ‘aplicar’. O que ela pode nos oferecer é antes algo como orientações, modelos, tipos, diretivas, princípios, inspirações, enfim, elementos que nos permitam adquirir, por nós mesmos, uma ‘competência hermenêutica’, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos, ‘segundo o senso do Cristo’, ou ‘de acordo com o Espírito’, das situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados. As Escrituras cristãs não nos oferecem um was [que], mas um wie [como]: uma maneira, um estilo, um espírito. Tal comportamento hermenêutico se situa a igual distância tanto da metafísica do sentido (positivismo) quanto da pletora das significações (biscateação). Ele nos dá a chance de jogar a sério a círculo hermenêutico, pois que é somente neste e por este jogo que o sentido pode despertar” explica BOFF, C. Teologia e Prática: Teologia do Político e suas mediações. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 266-267.

As disciplinas de Bíblia no curso de graduação em Teologia podem, segundo este modelo, ser classificadas em três áreas:

1. Disciplinas Contextuais:
:: História de Israel I e II

2. Disciplinas Instrumentais:
:: Introdução à Sagrada Escritura
:: Hebraico Bíblico
:: Grego Bíblico

3. Disciplinas Exegéticas:
:: Pentateuco
:: Literatura Profética I e II
:: Literatura Deuteronomista
:: Literatura Sapiencial
:: Sinóticos e Atos dos Apóstolos
:: Literatura Paulina
:: Literatura Joanina
:: Apocalipse

—————————————-
Destas disciplinas, leciono:

No primeiro semestre:
:: História de Israel I: 2 hs/sem.
:: Hebraico Bíblico: 2 hs/sem.
:: Literatura Profética I: 2 hs/sem.
:: Literatura Deuteronomista: 2 hs/sem.

No segundo semestre:
:: História de Israel II: 2 hs/sem.
:: Pentateuco: 4 hs/sem.
:: Literatura Profética II: 2 hs/sem.

Leia Mais:
História de Israel I 2019 
História de Israel II 2019
Hebraico Bíblico 2019
Pentateuco 2019
Literatura Deuteronomista 2019
Literatura Profética I 2019
Literatura Profética II 2019

PIB amplia áreas de especialização no curso de Bíblia

Atualizado em

Vejo com otimismo a ampliação de áreas de especialização que está sendo implementada pelo Pontifício Instituto Bíblico (PIB) no Currículo de Mestrado em Bíblia a partir do ano acadêmico 2018-19.

Passei o ano de 2017 “morando” na antiga Mesopotâmia para escrever um artigo para a revista Estudos Bíblicos [veja aqui e aqui]. E pude sentir, mais uma vez, como nós, que trabalhamos com a Bíblia Hebraica, somos mal preparados em arqueologia e história do Antigo Oriente Médio.

Curriculum per la Licenza in S. Escrittura
A partire dall’anno accademico 2018-19, il curriculum per la Licenza in S. Scrittura avrà una sezione specialistica che, oltre al tradizionale indirizzo esegetico che si focalizza sul testo biblico, offre allo studente la possibilità di una specializzazione alternativa tra due altri indizzi: un percorso che si concentra sul contesto biblico ed un altro che si concentra sullo studio approfondito dell’ermeneutica e della storia delle interpretazioni. [cf. schema qui di seguito]

Curriculum for the Licentiate in S. Scripture
Beginning from the 2018-19 academic year, the curriculum for the Licentiate in S. Scripture will be comprised of not only  the traditional exegetical focus on the biblical text, but will also offer the student the possibility of an alternative emphasis: 1) either a specialization that focuses on the biblical context, or 2) another that focuses on the in-depth study of hermeneutics and the history of Bible interpretations. [cf. scheme below]

Percorso I – È quello in vigore dal 1973, che rimane il percorso principale e conserva la sua validità. Si focalizza sul testo biblico:

  • 2 corsi/seminari di esegesi AT [ECTS 10]
  • 2 corsi/seminari di esegesi NT [ECTS 10]
  • Un seminario senza elaborato scritto [ECTS 5]
  • Un seminario con elaborato scritto [ECTS 5 + 10 per elaborato scritto]
  • Tesi di Licenza [ECTS 30]

Percorso II – Si concentra sullo studio del contesto biblico, dando allo studente una conoscenza più approfondita delle lingue bibliche, dell’archeologia, della storia e delle religioni del Vicino Oriente Antico e del mondo greco-romano:

  • 4 corsi/seminari speciali nel campo delle lingue, della storia, dell’archeologia e delle religioni del VOA e del mondo greco romano [ECTS 20]
  • Un seminario senza elaborato scritto [ECTS 5]
  • Un seminario con elaborato scritto [ECTS 5 + 10 per elaborato scritto]
  • Tesi di Licenza [ECTS 30]

Percorso III – Si concentra sullo studio approfondito dell’ermeneutica e della storia delle interpretazioni della Bibbia in diversi contesti religiosi e in periodi storici e aree geografiche differenti (Wirkungsgeschichte), in modo da creare potenzialmente un ponte tra esegesi, teologia ed esperienza umana di Dio:

  • 4 corsi/seminari speciali nel campo della storia dell’esegesi, dell’ermeneutica e della teologia biblica [ECTS 20]
  • Un seminario senza elaborato scritto [ECTS 5]
  • Un seminario con elaborato scritto [ECTS 5 + 10 per elaborato scritto]
  • Tesi di Licenza [ECTS 30]

Preparando meus programas de aula para 2018

Atualizado em

Estou, nestes dias, preparando meus programas de aula de Bíblia para 2018. Começo a publicá-los no Observatório Bíblico. A intenção é de que possam servir, para além de meus alunos, a outras pessoas que, eventualmente, queiram ter uma noção de como se estuda a Bíblia em determinadas Faculdades de Teologia. Ou, pelo menos, parte da Bíblia, porque posso expor apenas os programas das disciplinas que leciono. Tomo aqui como referência o currículo do CEARP, onde trabalho. Já fiz isso em 2006, 2009, 2011, 2013, 2015 e 2017, mas a bibliografia vai mudando: livros novos, livros esgotados, links quebrados…

Quatro elementos serão levados em conta, em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional:

:: contextos da época bíblica
:: produção dos textos bíblicos
:: contextos atuais
:: leitores atuais dos textos

O sentido da Escritura, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos específicos.

Ou seja: “Da Escritura não se esperam fórmulas a ‘copiar’, ou técnicas a ‘aplicar’. O que ela pode nos oferecer é antes algo como orientações, modelos, tipos, diretivas, princípios, inspirações, enfim, elementos que nos permitam adquirir, por nós mesmos, uma ‘competência hermenêutica’, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos, ‘segundo o senso do Cristo’, ou ‘de acordo com o Espírito’, das situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados. As Escrituras cristãs não nos oferecem um was [que], mas um wie [como]: uma maneira, um estilo, um espírito. Tal comportamento hermenêutico se situa a igual distância tanto da metafísica do sentido (positivismo) quanto da pletora das significações (biscateação). Ele nos dá a chance de jogar a sério a círculo hermenêutico, pois que é somente neste e por este jogo que o sentido pode despertar” explica BOFF, C. Teologia e Prática: Teologia do Político e suas mediações. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 266-267.

As disciplinas de Bíblia no curso de graduação em Teologia podem, segundo este modelo, ser classificadas em três áreas:

1. Disciplinas Contextuais:
:: História de Israel (alternativa: História da época do Antigo Testamento e História da época do Novo Testamento)

2. Disciplinas Instrumentais:
:: Introdução à S. Escritura (alternativa: Métodos de leitura dos textos bíblicos)
:: Língua Hebraica Bíblica
:: Língua Grega Bíblica

3. Disciplinas Exegéticas:
:: Pentateuco
:: Literatura Profética
:: Literatura Deuteronomista
:: Literatura Sapiencial
:: Literatura Pós-Exílica
:: Literatura Sinótica e Atos
:: Literatura Paulina
:: Literatura Joanina
:: Apocalipse

—————————————-
Destas disciplinas, leciono:

No primeiro semestre:
:: História de Israel: 4 hs/sem.
:: Literatura Profética: 4 hs/sem.
:: Literatura Deuteronomista: 2 hs/sem.

No segundo semestre:
:: Língua Hebraica Bíblica: 3 hs/sem.
:: Pentateuco: 4 hs/sem.
:: Literatura Pós-Exílica: 4 hs/sem.

Leia Mais:
História de Israel 2018
Língua Hebraica Bíblica 2018
Pentateuco 2018
Literatura Deuteronomista 2018
Literatura Profética 2018
Literatura Pós-Exílica 2018

Introdução ao Método Genealógico Baseado na Coerência

Atualizado em

Para entender o que é Método Genealógico Baseado na Coerência, leia primeiro este post de 18 de dezembro de 2013, escrito por Cássio Murilo Dias da Silva: Crítica textual do NT: Método genealógico baseado na coerência.

Agora leia o post de Tommy Wasserman, publicado em 25 de outubro de 2017: A New Approach to Textual Criticism – A Book that Will Keep You Awake 

E veja o livro:

WASSERMAN, T. ; GURRY, P. J. A New Approach to Textual Criticism: An Introduction to the Coherence-Based Genealogical Method. Atlanta: SBL Press, 2017, 164 p. – ISBN 9781628371994.

WASSERMAN, T. ; GURRY, P. J. A New Approach to Textual Criticism: An Introduction to the Coherence-Based Genealogical Method. Atlanta: SBL Press, 2017, 164 p.

With the publication of the widely used 28th edition of Nestle-Aland’s Novum Testamentum Graece and the 5th edition of the United Bible Society Greek New Testament, a computer-assisted method known as the Coherence-Based Genealogical Method (CBGM) was used for the first time to determine the most valuable witnesses and establish the initial text. This book offers the first full-length, student-friendly introduction to this important new method. After setting out the method’s history, separate chapters clarify its key concepts, including genealogical coherence, textual flow diagrams, and the global stemma. Examples from across the New Testament are used to show how the method works in practice. The result is an essential introduction that will be of interest to students, translators, commentators, and anyone else who studies the Greek New Testament.

Confira também:
 
GURRY, P. J. A Critical Examination of the Coherence-Based Genealogical Method in New Testament Textual Criticism. Leiden: Brill, 2017, 254 p. – ISBN 9789004354319.

GURRY, P. J. A Critical Examination of the Coherence-Based Genealogical Method in New Testament Textual Criticism. Leiden: Brill, 2017, 254 p.

Tommy Wasserman is Professor of Biblical Studies at Ansgar Teologiske Høgskole, Kristiansand, Norway. He is secretary of the International Greek New Testament Project, serves on the board of the Centre for the Study of New Testament Manuscripts, and has started projects on manuscript transcription and manuscript forgeries for the Museum of the Bible. He is Associate Editor of TC: A Journal of Biblical Textual Criticism.

Peter J. Gurry is Assistant Professor of New Testament at Phoenix Seminary. He has worked with the Center for the Study of New Testament Manuscripts and the Museum of the Bible to both preserve and publish New Testament manuscripts.

Crítica textual da Bíblia Hebraica

Atualizado em

TOV, E. Crítica textual da Bíblia Hebraica. São Paulo: BV Books, 2017, 544 p. – ISBN 9788581581132.

TOV, E. Crítica textual da Bíblia Hebraica. São Paulo: BV Books, 2017, 544 p.

Desde a sua publicação inicial em 1992, a obra Crítica Textual da Bíblia HebraicaTextual Criticism of the Hebrew Bible no original inglês – se estabeleceu como um indispensável texto acadêmico, tornando-se referência sobre o assunto. Nesta edição, Emanuel Tov incorporou totalmente os insights dos últimos vinte anos de estudos acadêmicos, incluindo novas perspectivas sobre os textos bíblicos a partir dos estudos dos manuscritos bíblicos do Deserto da Judeia agora publicados [cf. aqui].

Aqui o estudante encontrará uma introdução bem organizada para os recursos e prática da crítica textual, enquanto o estudioso encontrará uma penetrante discussão programática criteriosa dos seus métodos.

Obra indispensável para todos que lidam com textos da Bíblia Hebraica, a tradução brasileira foi realizada a partir da 3ª edição inglesa revista e expandida, publicada em  2011.

Emanuel Tov (nascido em 1941)

Emanuel Tov (nascido em 1941) é Professor Emérito no Departamento de Bíblia da Universidade Hebraica de Jerusalém.

O autor e a obra estão entre os mais célebres. Vale a pena.

Recursos para a crítica textual do Novo Testamento

Atualizado em

Top Ten Essential Works in New Testament Textual Criticism – By Tommy Wasserman – Evangelical Textual Criticism: September 12, 2012

Estava observando a lista de estudos recomendados e achei que devia mencioná-la por ser valiosa. Apesar de ser de 2012. Mas leia também as recomendações dos comentaristas.

Veja ainda: Dave Black’s New Testament Greek Portal. Especialmente a seção de Crítica Textual.

Thomas Thompson: sobre mitos e seus contextos

Atualizado em

On Myths and Their Contexts: An Issue of Contemporary Theology? A Response to Jeffrey Morrow

By Thomas L. Thompson – Professor emeritus, University of Copenhagen

The Bible and Interpretation: January 2017

This essay is written in direct response to Jeffrey Morrow’s article and should be read with Morrow’s paper in hand (…) In his recent contribution to this forum, entitled “On Biblical Scholarship and Bias,” Morrow begins his discussion with reference to a lecture of Joseph Ratzinger from 1988, dealing with the contemporary crisis he understood modern biblical scholarship to be facing at the time. Specifically, Ratzinger’s interest was in “unconscious philosophical presuppositions”, which, in a papal address of 2010, he described more simply as a “bias” of current biblical scholarship.