Morreu James A. Sanders (1927-2020)

James A. Sanders (1927-2020)James A. Sanders foi professor de estudos intertestamentais e bíblicos na Claremont School of Theology (CST), Califórnia, de 1977 a 1997, enquanto simultaneamente era professor de religião na Claremont Graduate School. Antes de ir para Claremont, Sanders foi professor de Antigo Testamento, primeiro na Colgate Rochester Divinity School em Rochester NY (1954-65) e depois no Union Theological Seminary e na Columbia University em Nova York (1965-77). Após a aposentadoria formal em Claremont em 1997, ele foi professor visitante de Antigo Testamento no Union Theological Seminary / Columbia University na cidade de Nova York no ano de 1997-98 e professor adjunto de Antigo Testamento na Yale University Divinity School no semestre da primavera de 1998. Ele serviu também como professor visitante no Seminário Teológico Judaico na cidade de Nova York na primavera de 2001.

Sanders fundou o Ancient Biblical Manuscript Center em Claremont em 1977, ano em que se mudou de Nova York para Claremont. Sob sua direção, o Ancient Biblical Manuscript Center abriga a coleção mais completa e mais bem preservada de filmes de arquivo dos Manuscritos do Mar Morto do mundo. (…) Em 1961, em Jerusalém, ele abriu o grande Rolo dos Salmos da Gruta 11 de Qumran, publicando-o em dois volumes em 1965 e 1967 (trecho do texto da página do autor na Amazon.com).

Olhando a bibliografia de James A. Sanders, notamos quatro temas recorrentes: crítica canônica, apropriação das Escrituras pelo Segundo Templo, crítica textual e a edição e disponibilização dos Manuscritos do Mar Morto e outros manuscritos, diz David M. Carr, na Introdução de WEIS, R. D. ; CARR, D. M. (eds.) A Gift of God in Due Season: Essays on Scripture and Community in Honor of James A. Sanders. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996.

 

James A. Sanders was professor of intertestamental and biblical studies at the Claremont School of Theology (CST) from 1977 to 1997, while concurrently professor of religion at the Claremont Graduate School. Prior to going to Claremont Sanders was professor of Old Testament first at Colgate Rochester Divinity School in Rochester NY (1954-65) and then at Union Theological Seminary and Columbia University in New York City (1965-77). After formal retirement in Claremont in 1997 he was visiting professor of Old Testament at Union Theological Seminary/Columbia University in New York City for the year 1997-98 and adjunct professor of Old Testament at Yale University Divinity School the spring semester of 1998. He served also as visiting professor at Jewish Theological Seminary in New York City in the spring of 2001.

Sanders founded the Ancient Biblical Manuscript Center in Claremont in 1977, the year he moved from New York to Claremont. Under his direction the Ancient Biblical Manuscript Center houses the most complete and best preserved collection of archival quality films of the Dead Sea Scrolls in the world; museums in Jerusalem and elsewhere in the world have ordered films of the Scrolls from the Center. He has overseen the publication of The Dead Sea Scrolls Catalogue and Index used by scholars around the world, and with West Semitic Research at the University of Southern California has published a diplomatic edition of films of Leningradensis (Eerdmans, 1998), the oldest complete Hebrew Bible in the world taken by the Center’s photographers in Leningrad/St Petersburg in 1990. He became president emeritus of the Center in 2003.

Sanders has been presented with three volumes of essays (Festschriften) published in his honor: A Gift of God in Due Season, ed. by Richard Weis and David Carr (Sheffield, 1996); In Quest of Meaning in Context and Intertextuality, ed. by Craig Evans and Shemaryahu Talmon (Brill, 1997); and a Special Tribute Edition of The Folio: The Bulletin of the Ancient Biblical Manuscript Center for Preservation and Research 15/1 (fall 1998), continued in 16/1 (summer 1999).

Sanders’ scholarly interests bridge the testaments of Christian Scripture with focus on the Prophets, the literature of Early or pre-Rabbinic Judaism, including the Dead Sea Scrolls, and the New Testament. He has authored or edited twenty-nine books, and over 300 scholarly articles. He co-authored and co-edited The Canon Debate (Hendrickson Press, 2002). With Dominique Barthélemy of the Université de Fribourg he is co-editor of the (so-far) four volumes of Critique textuelle de l’Ancien Testament (Vandenhoeck & Ruprecht, 1982–).

Sanders is past president of the Society of Biblical Literature, a member of Studiorum Novi Testamenti Societas, the International Organization for Septuagint and Cognate Studies, the International Organization for Targumic and Cognate Studies, as well as other scholarly societies. He is the only American member of the United Bible Society’s Hebrew Old Testament Text Critical Project, which has so far published nine volumes of work done since 1969. That work has led to the current international preparation of Biblia Hebraica Quinta, the fifth edition of the scholarly Hebrew Bible that will be used for study and translations throughout the world in the 21st century. In 1961 in Jerusalem he unrolled the large Scroll of Psalms from Qumran Cave 11 (eleven) and published it in two volumes in 1965 and 1967. Sanders has served on the editorial boards of the Journal of Biblical Literature, Interpretation, Journal for the Study of Judaism, and Biblical Theology Bulletin, among others. His book Torah and Canon (still in print) launched in 1972 a new subdiscipline of biblical study called Canonical Criticism.

Sanders has lectured, taught, and preached at colleges, seminaries, churches, and pastors’ schools (Protestant, Catholic and Jewish) around the country and Canada. He was Alexander Robertson professor of biblical studies at Glasgow University in 1990-91, and has lectured several times at the Université de Fribourg en Suisse. He recently has lectured by invitation at the Universität Heidelberg in Germany and the University of Michigan, and read a paper in 1999 at the first-ever symposium inside the Vatican sponsored by The Holy Office, on the function of Scripture in the Church–the only non-Roman Catholic so invited. In 2002 he lectured to seminary presidents and deans from around the country at the Getty Center in Los Angels.

He has over the years received fellowships and grants from the Fulbright Scholarship Program, the Rockefeller Foundation (twice), the Guggenheim Foundation (twice), and the National Endowment for the Humanities. He has served as annual professor at the American School of Oriental Research in Jerusalem (now The Albright Institute) and twice was senior fellow at the Ecumenical Institute for Advanced Theological Study at Tantur south of Jerusalem (1972-73 and 1985).

Sanders holds the B.A. degree, magna cum laude and Phi Beta Kappa, and the B.D. degree, with distinction, from Vanderbilt University; a Ph.D. from Hebrew Union College, a Litt.D. from Acadia University, an S.T.D. from Glasgow University, D.H.L.s from Coe College, California Lutheran University and Hebrew Union College, and was nominated for an honorary doctorate by the Université de Fribourg en Suisse (Amazon.com).

Jerônimo

São Jerônimo, padroeiro dos biblistas, é celebrado hoje, 30 de setembro.

Passados mil e seiscentos anos, a sua figura continua a ser de grande atualidade para nós, cristãos do século XXI.

Quem o afirma é Francisco na Carta Apostólica Scripturae Sacrae affectus, publicada hoje, por ocasião do 16º centenário da morte de São Jerônimo, intérprete e tradutor da Bíblia.

Morreu Hans M. Barstad (1947-2020)

Morreu o biblista norueguês Hans M. Barstad aos 73 anos de idade. Professor em Oslo de 1986 a 2005 e em Edimburgo desde 2006, era estudioso dos profetas. Autor, entre outros, de um interessante livro sobre o mito da terra (de Judá) vazia durante o exílio babilônico: The Myth of the Empty Land: A Study in the History and Archaeology of Judah During the ‘Exilic’ Period. Oslo: Scandinavian University Press, 1996.

Hans M. Barstad: 1947-2020Participou do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica (1996-2012). Tinha uma posição moderada sobre a História de Israel, defendendo o uso do texto bíblico na construção da história de Israel, mas insistindo, com muita fundamentação, que é necessário abandonar o conceito positivista de história, herança do século XIX , e partir para uma história narrativa.

Para Barstad, pesquisadores como Lemche e Thompson ainda se debatem dentro de um conceito convencional de história que é altamente problemático.

Em suas palavras: “Estudiosos como Lemche e Thompson têm avidamente usado o conceito de ‘mudança de paradigma’ em suas contribuições para a historiografia bíblica. Isto, entretanto, está longe de ser uma descrição adequada do que está realmente acontecendo. Lemche e Thompson, aparentemente não atentos para o fato de que o que nós podemos chamar de um conceito convencional de história é hoje altamente problemático, ainda trabalham dentro dos parâmetros da pesquisa histórico-crítica, assumindo que história é uma ciência e que devemos trabalhar com fatos ‘brutos’” (BARSTAD, H. M. History and the Hebrew Bible, em GRABBE, L. L. (ed.) Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997, p. 50-51).

Barstad diz que os pós-modernos os classificariam como “os primeiros dos últimos modernistas” (p. 51).

E defende em seguida: “No futuro nós teremos, irreversivelmente, de nos ajustar a uma visão de história diferente daquela dos métodos histórico-críticos do século XIX: uma história com diferentes ‘verdades’ que quase nunca será o resultado de análises científicas de dados empíricos. Uma história cujo estatuto epistemológico deveria não mais ser visto como parte da ciência, mas como uma parte da cultura. Uma história caracterizada por uma multiplicidade de métodos” (p. 51-52).

 

Da página da Universidade de Edimburgo em 2016:

Educated in Oslo and Oxford, I held the chair of Old Testament Studies in the University of Oslo from 1986-2005.

Since my move to Edinburgh (2006-), I have authored 1 book (History and the Hebrew Bible, Mohr Siebeck 2008), and around 20 contributions in peer reviewed publications.

I have also co-edited 3 volumes: The Past in the Past, with P. Briant (The Institute for Comparative Research 2009); Prophecy in the Book of Jeremiah, with R.G. Kratz (de Gruyter 2009), and Thus Speaks Ishtar of Arbela, with R. Gordon (Eisenbrauns, forthcoming summer 2013).

I was chief editor for Supplements to Vetus Testamentum 2007-2010 (Brill). Around 30 volumes appeared during my editorship.

Among popularizing work, I can mention one book, A Brief Guide to the Hebrew Bible, Westminster John Knox, 2010 and 2 contributions to lexicons: “Biblical Theology,” in The Cambridge Dictionary of Christian Theology, Cambridge University Press (2011), pp. 62-64 and “Bible, Hebrew,” in The Encyclopedia of Ancient History, Wiley-Blackwell (2013), pp. 1107-1109.

In The Religious Polemics of Amos (1984), I use texts in Amos as sources for the reconstruction of 8th century BCE Israelite religion. The work threw new light upon the prophetic movement in general. Further research led to a series of articles and monographs on biblical prophets.

In A Way in the Wilderness (1989), I maintain that many of the references to wilderness, water, and way have misguidedly been taken as allusions to a second Exodus. Rather, the majority of these texts refer to the new Judah after the exile. Another important outcome of my 1989 book concerns the nature of prophetic language. Whereas numerous scholars have dealt with linguistic, grammatical, and literary features of Hebrew poetry, not many have taken into consideration that metaphoric/poetic texts also have a different cognitive status from prose language.

In The Babylonian Captivity of the Book of Isaiah (1997), I attempted to demonstrate that the arguments in favour of a Babylonian setting of Isa 40-55 are untenable.

In The Myth of the Empty Land (1996), I use archaeology, economical models, and Neo-Babylonian sources to argue for continuity rather than a gap in the culture of Judah after the fall of Jerusalem in 586 BCE.

Three articles reflect my recent research. In one, I use Neo-Assyrian sources, and show how Amos 1-2 is genuinely set within the framework of the Neo-Assyrian Empire. In another, I discuss Old Babylonian texts from Mari, and show how deeply planted the Hebrew Bible is in a common Semitic culture. Finally, I discuss historiography in general (above all narrative truth) and its relationship to the Hebrew Bible.

Sobre Dom Pedro Casaldáliga

Dom Pedro Casaldáliga, Bispo Emérito da Prelazia de SãoFélix do Araguaia e Missionário Claretiano, morre aos 92 anos de idade

Depois de um longo período de internação, parte dela na cidade de Batatais, estado de São Paulo (Brasil), faleceu hoje, 08 de agosto de 2020, às 09h40 (horário de Brasília), DomDom Pedro Casaldáliga (1928-2020) Pedro Casaldáliga Pla, CMF, Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, Mato Grosso (Brasil), Missionário Claretiano e cuidado pela Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos) após ter sido jubilado. Com problemas de saúde ocasionados pelo Mal de Parkinson, por Pneumonia e Derrame Pulmonar, no dia 04 de agosto, Dom Pedro Casaldáliga, CMF, teve seu estado agravado e foi transferido por UTI aérea do Hospital de São Félix do Araguaia a Ribeirão Preto onde seguiu para Batatais em uma UTI Móvel direto para a Santa Casa permanecendo internado até sua morte devido a uma embolia pulmonar decorrente dos problemas de saúde já apresentados.

O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado em três locais. No dia 08, sábado, a partir das 15h, será na capela do Claretiano – Centro Universitário de Batatais, unidade educativa dirigida pelos Missionários Claretianos, localizada a rua Dom Bosco, 466, Castelo, em Batatais, São Paulo. No dia 09, domingo, às 15h, neste local, acontecerá a missa de corpo presente, presidida por Dom Moacir, Arcebispo de Ribeirão Preto, que será aberta ao público em geral e transmitida ao vivo pelo Claretiano – TV, no Youtube, pelo link https://youtu.be/spto8rbKye0 .

No dia 10, segunda-feira, o corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, seguirá para Ribeirão Cascalheira, Mato Grosso, onde será velado no Santuário dos Mártires. Em seguida o corpo será levado para São Félix do Araguaia, MT, onde será velado no Centro Comunitário Tia Irene. O sepultamento será em São Félix do Araguaia, conforme desejo manifestado em sua vida.

Trajetória

Dom Pedro Casaldáliga nasceu no dia 16 de fevereiro de 1928, em Balsareny, na província de Barcelona, na Catalunha. É o segundo filho de Montserrat Pla Rosell e Luis Casaldaliga Ribera, que tiveram quatro filhos. Em 1943 ingressou na Congregação Claretiana, Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria e em 1952 foi ordenado sacerdote em Montjuïc, Barcelona. Até a sua vinda para o Brasil, que se deu em 1968, trabalhou na formação de futuros missionários claretianos, com a Pastoral da Juventude e com a Pastoral do Cursilho de Cristandade.

Ao chegar no Brasil, junto com Pe. Manoel Luzón, CMF, ajudou a fundar a Missão Claretiana no Estado do Mato Grosso, que na época era uma região com um alto grau de analfabetismo, marginalização social, violência e concentração fundiária. No estado fixou residência e foi defensor ativo dos Direitos Humanos e das grandes causas ainda não totalmente resolvidas, como as causas indígenas, racismo a defesa da Amazônia. Logo após sua chegada, em 1969, o Vaticano criou a Prelazia de São Félix do Araguaia, MT, e em 1970 foi nomeado administrador apostólico da Prelazia.

Já em 1971 foi nomeado Bispo Prelado de São Félix do Araguaia pelo Papa Paulo VI. Neste mesmo ano publicou a Carta Pastoral Uma Igreja na Amazônia em Conflito com o Latifúndio e a Marginalização Social denunciando a situação de miséria e violência na região Amazônica. Com uma vida totalmente dedicada ao próximo e ajudando os mais necessitados fundou o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) com Dom Tomás Balduino e juntos criaram a Comissão de Pastoral da Terra (CPT).

Dom Pedro teve seu nome ligado à Reforma Agrária, à denúncia da escravidão moderna e a defesa dos povos indígenas.

Além do exercício como sacerdote, Dom Pedro reservava parte do seu tempo à escrita. Deixou uma obra riquíssima composta por livros, poemas, cartas, cantigas e orações. Inclusive seu livro ‘Descalço sobre a Terra Vermelha’, virou filme com a direção de Oriol Ferrer, em 2012. Além disso, ele participou do filme ‘Anel de Tucun’, em 1994; da Missa dos Quilombos, produzida pelo cantor Milton Nascimento, no ano de 1982.

Dom Pedro Casaldáliga passou sua vida na simplicidade, em São Félix do Araguaia, e no dia 04 de agosto de 2020 chegou a Batatais, SP, para tratamento médico, onde passou seus últimos dias, falecendo em 08 de agosto de 2020.

 

Cronologia de Dom Pedro Casaldáliga

16/02/1928 – nasceu Pedro Casaldáliga Pla, em Balsareny, na província de Barcelona, na Catalunha. É o segundo filho de Montserrat Pla Rosell e Luis Casaldaliga Ribera, que tiveram quatro filhos.

1943 – Ingressou na Congregação Claretiana (Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria).

1952 – Foi ordenado sacerdote em Montjuïc, Barcelona. Até a sua vinda para o Brasil trabalhou na formação de futuros missionários claretianos, com a Pastoral da Juventude e com a Pastoral do Cursilho de Cristandade.

1967 – Participou do Capítulo Geral da Congregação Claretiana, em Roma, onde organizou a sua vinda para o Brasil.

1968 – Junto com o Pe. Manoel Luzón, CMF, foi enviado para o Brasil para fundar a Missão Claretiana no Estado do Mato Grosso, uma região com um alto grau de analfabetismo, marginalização social, violência e concentração fundiária.

1969 – O Vaticano criou a Prelazia de São Félix do Araguaia, MT.

1970 – Foi nomeado administrador apostólico da Prelazia de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Neste mesmo ano fundou o Jornal Alvorada.

1971 – Foi nomeado Bispo Prelado de São Félix do Araguaia pelo Papa Paulo VI. Neste mesmo ano publicou a Carta Pastoral Uma Igreja na Amazônia em Conflito com o Latifúndio e a Marginalização Social, denunciando a situação de miséria e violência na região Amazônica.

1972 – Ajudou a fundar o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) com Dom Tomás Balduino.Dom Pedro Casaldáliga (1928-2020)

1975 – Junto com Dom Tomás Balduino ajudou a criar Comissão de Pastoral da Terra (CPT).

1976 – Foi ameaçado de morte várias vezes, sendo que em Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso, estava junto com o Pe. João Bosco Penido Burnier, que foi assassinado por um pistoleiro, escapou da morte.

1986 – Promoveu a primeira edição da Romaria dos Mártires da caminhada. Movimento que seguiu a cada quatro anos.

1988 – Fez a visita Ad Límina em Roma, visita que os Bispos fazem ao Papa para apresentar o relatório Pastoral da sua Diocese.

1992 – Juntamente com o Pe. José Maria Vigil criou a primeira agenda latino americana em comemoração aos 500 anos da Evangelização na América, publicação existente até os dias atuais.

1994 – Apoiou a revolta de Chiapas, no México.

1999 – Foi solidário aos governos (nacionais e internacionais) com propostas para uma política popular.

2000 – Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Campinas e em 2012 recebeu o mesmo título da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

2005 – Já sofrendo Mal de Parkinson apresentou sua renúncia à Prelazia, conforme o Can. 401 §1 do Código de Direito Canônico, em 2005, que foi aceita pelo Papa João Paulo II.

2020 – Ficou em São Félix do Araguaia até este ano e no dia 04 de agosto de 2020 chegou a Batatais, SP, para tratamento médico, onde passou seus últimos dias, falecendo em 08 de agosto, às 09h40

Morreu Dom Pedro Casaldáliga (1928-2020)

Morre Dom Pedro Casaldáliga, o bispo dos direitos humanos e dos mais pobres – Por Julinho Bittencourt: Revista Fórum – 8 de agosto de 2020

Após uma longa internação, morreu na manhã deste sábado (8), Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT). Ele estava internado em um hospital de Batatais (SP) com insuficiência respiratória.

A notícia da morte foi comunicada pela Prelazia de São Félix do Araguaia (Mato Grosso, Brasil). Veja abaixo:Dom Pedro Casaldáliga (1928-2020)

A Prelazia de São Félix do Araguaia (Mato Grosso, Brasil), a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) e a Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos) comunicam o falecimento de Dom Pedro Casaldáliga Pla, CMF, Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (Mato Grosso) e Missionário Claretiano, ocorrido neste dia 08 de agosto de 2020 às 9:40 horas (horário de Brasília), na cidade de Batatais, estado de São Paulo, Brasil.

O velório acontecerá em três locais:

1 – Em Batatais – SP

O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado, no dia 08 de agosto de 2020, a partir das 15 horas na capela do Claretiano – Centro Universitário de Batatais, unidade educativa dirigida pelos Missionários Claretianos, situada à rua Dom Bosco, 466, Castelo, Batatais, São Paulo, Brasil.

A missa de exéquias será celebrada, em Batatais, no dia 09 de agosto de 2020 às 15h, no endereço acima e será aberta ao público em geral, além de ser transmitida ao vivo pelo link https://youtu.be/spto8rbKye0. O link estará aberto para que outros veículos de comunicação possam retransmitir.

2 – Em Ribeirão Cascalheira – MT

O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado no Santuário dos Mártires, a partir do dia 10 de agosto, sem previsão de horário de chegada do corpo.

3 – Em São Félix do Araguaia – MT

O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado no Centro Comunitário Tia Irene. O sepultamento será em São Félix do Araguaia.

Foi criada uma página especial em sua homenagem. Visite.

Leia também na Fórum: Entrevista histórica com Dom Pedro Casaldáliga: O nosso DNA mais profundo é a esperança – 21 de outubro de 2011

 

Morre o bispo Dom Pedro Casaldáliga, aos 92 anos – CartaCapital – 8 de agosto de 2020

Faleceu neste sábado 8, aos 92 anos, Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia. Ele foi internado com um quadro de insuficiência respiratória na segunda-feira 3.

Casaldáliga foi um dos maiores defensores e propulsores da Teologia da Libertação no Brasil, mas não se limitou a ser bispo. É poeta, tem veias jornalísticas e atuou ativamente contra a ditadura. Ajudou a defender uma população pobre, esquecida, ameaçada pelo latifúndio e reprimida pelo Estado militar em uma cidadezinha do interior brasileiro.

A sua vida foi relatada na biografia “Um bispo contra todas as cercas”, da autora Ana Helena Tavares, lançada em 2019. A obra resgata a vida do clérigo desde seus dias como Pere Casaldáliga (seu nome de batismo), até transformar-se em Pedro, bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia – um lugar escondido no estado do Mato Grosso que teria destaque nacional pela chegada do espanhol.

Ao tornar-se bispo, Dom Pedro não perdeu tempo para relatar o que via na região – uma predominância do latifúndio sobre a vida e a exclusão dos cidadãos das tomadas de decisão das próprias terras e vidas.

Escreveu uma carta pastoral aberta intitulada “Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social”, que alçou voos, alcançou Leonardo Boff, José Oscar Beozzo e outros teólogos, e firmou naquele ponto do mapa uma movimentação importante de ideais para a Igreja Católica brasileira.

Se os nomes de Julio Lancellotti, Frei Betto e Dom Paulo Evaristo Arns são projetados até hoje como referências para a discussão de direitos humanos na Igreja Católica, Pedro Casaldáliga não fica atrás. Por muitas vezes, esteve na vanguarda da linha de fogo. “Na década de 70, a percepção da dimensão da figura do Pedro era outra. Ele teve uma projeção nacional e internacional muito grande”, diz Ana Helena Tavares, que se encontrou com o bispo em São Félix do Araguaia algumas vezes no processo de escrita da biografia. “Ele é uma pessoa que se preocupou em dar divulgação ao que fazia”.

A relevância dada à informação em tempos de censura fez com que Casaldáliga estivesse na lista de mais censurados do jornal O Estado de S. Paulo entre 1972 e 1975, mas não o impediu de denunciar as vezes em que foi amordaçado em cartas para os bispos. “Como é bom ser perseguido pela causa do Evangelho, da Justiça e da total Libertação!”, escreveu, na ocasião em que foi submetido a um cárcere privado em uma das quatro vezes que a prelazia teve intervenção de militares.

Para a autora, a escrita do livro vai contra “um Brasil que não cultua a memória”. Tavares acredita que resgatar a imagem de Pedro, mesmo depois de quase 15 anos de sua aposentadoria, é relevante para reverter o processo vigente de ódio no país. Os diversos depoimentos de pessoas que conviveram, admiraram e seguiram dom Pedro também evidenciam essa necessidade.

Casaldáliga, que também sofria de mal de Parkinson, vivia acamado em São Félix do Araguaia. ““Ser o que se é / Falar o que se crê / Crer no que se prega / Viver o que se proclama / Até as últimas consequências”.

 

Morre Pedro Casaldáliga, a pedra no sapato do autoritarismo brasileiro – Leonardo Sakamoto: UOL – 08.08.2020

Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, e um dos maiores defensores dos direitos humanos do país, morreu aos 92 anos, às 9h40 deste sábado (8), em Batatais (SP), onde havia sido removido para tratamento médico devido a problemas respiratórios.

A informação foi comunicada pela Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) e a Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos). Ele não estava com covid-19.

Num ano em que o Brasil já ficou menor 100 mil vezes menor por conta de uma doença estúpida, a morte de Pedro deixa um vazio. Ele não era apenas um defensor da vida, mas a representação viva da resistência ao autoritarismo (continua)

José Nicolau: seis meses

Hoje está fazendo seis meses que José Nicolau, meu pai, nos deixou. A família está partilhando fotos para homenageá-lo.

Publico aqui os links para todos os posts com as fotos dos aniversários de “seo” Zé Nicolau a partir de seus 90 anos de idade em 2014.

 

2020

:. Morreu José Nicolau, meu pai (1924-2020) – 21.01.2020

2019

:. José Nicolau, meu pai: 95 anos – 22.01.2019José Nicolau em 18 de janeiro de 2019 - 95 anos

:. Com José Nicolau, meu pai, na festa dos 95 anos – 22.01.2019

:. Comemorando os 95 anos de meu pai – 22.01.2019

:. Na festa dos 95 anos de José Nicolau – 22.01.2019

:. Um passeio a cavalo na fazenda do papai – 23.01.2019

:. Uma tarde na Lagoa Grande em Patos de Minas – 23.01.2019

2018

:. José Nicolau, meu pai: 94 anos – 22.01.2018

:. Mais fotos dos 94 anos de José Nicolau – 22.01.2018

:. Outras fotos dos 94 anos de papai – 22.01.2018

:. Nos 94 anos de papai, coisas da roça – 22.01.2018

2017

:. José Nicolau, meu pai: 93 anos – 16.01.2017José Nicolau em 13 de janeiro de 2017 - 93 anos

:. Mais fotos dos 93 anos de José Nicolau – 16.01.2017

:. Ainda algumas fotos dos 93 anos de papai – 16.01.2017

:. E mais umas fotos de José Nicolau – 17.01.2017

:. Outras fotos dos 93 anos de papai – 17.01.2017

2016

:. José Nicolau, meu pai: 92 anos – 21.01.2016

:. Mais fotos dos 92 anos de José Nicolau – 21.01.2016

:. Ainda algumas fotos dos 92 anos de papai – 21.01.2016

2015

:. José Nicolau, meu pai: 91 anos – 20.01.2015José Nicolau em 17 de janeiro de 2015 - 91 anos

:. Mais fotos dos 91 anos de José Nicolau – 20.01.2015

:. Ainda algumas fotos: Alagoas e Patos – 20.01.2015

2014

:. José Nicolau, meu pai: 90 anos – 21.01.2014

:. Mais fotos dos 90 anos de José Nicolau – 21.01.2014

:. Outras fotos por ocasião dos 90 anos de José Nicolau – 21.01.2014

Morreu o professor James D. G. Dunn

Morreu no dia 26.06.2020 James D. G. Dunn, pesquisador britânico do Novo Testamento. Professor Emérito da Universidade de Durham, ele se tornou muito conhecido pela Nova Perspectiva sobre Paulo. Tinha 80 anos.James Douglas Grant Dunn  (21.10.1939 - 26.06.2020)

Alguns textos para quem quiser saber mais sobre James D. G. Dunn:

:. James Dunn: A nova perspectiva sobre Paulo – Observatório Bíblico: 14.07.2006

:. What is the New Perspective on Paul? – Observatório Bíblico: 09.08.2007

:. RIP Jimmy Dunn (James D. G. Dunn) – Religion Prof: The Blog of James F. McGrath: June 27, 2020

:. Rest in Peace, Jimmy: A short tribute to my professor James D.G. Dunn – Jesus Creed: A blog by Scot McKnight: June 26, 2020

:. James D.G. Dunn – Beyond Evangelical: The blog of Frank Viola

:. Profiles: Emeritus Professor James D.G. Dunn – Durham University

:. A Brief Literary Biography of James D. G. Dunn – Jesus and Paul and the New Testament – Michael Metts and Robert Wiesner: February 9, 2016

:. The Paul Page – An expanding website dedicated to exploring recent trends in Pauline studies like “the new perspective on Paul” and “Paul and Empire.”

Confira as publicações de James D. g. Dunn em WorldCat e Amazon.com.br

Morreu o linguista Thomas O. Lambdin

Thomas O. Lambdin: 31.10.1927 – 08.05.2020.

Eu o conheço por causa da famosa gramática de hebraico bíblico, que indico para meus alunos.LAMBDIN, T. O. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Paulus, 2003

Linguista norte-americano. Foi professor em Harvard de 1964 a 1983. Além do hebraico, escreveu gramáticas de copta, etíope clássico e gótico.

LAMBDIN, T. O. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Paulus, 2003 [5. reimpressão: 2016], 400 p. – ISBN 9788534920933.

Morreu o poeta Ernesto Cardenal (1925-2020)

Morreu hoje em Manágua, aos 95 anos, o poeta nicaraguense Ernesto Cardenal.

Fallece el poeta nicaragüense Ernesto Cardenal, figura clave de la Teología de la Liberación – Carlos Salinas Maldonado: El País – 1 Mar 2020

Voz moral de la revolución sandinista y crítico del Gobierno de Daniel Ortega, ha muerto a los 95 años en Managua.

El poeta y sacerdote nicaragüense Ernesto Cardenal ha fallecido este domingo en Managua a la edad de 95 años a causa de daños renales y cardiacos, informaron fuentes Ernesto Cardenal (1925-2020) - Foto de 2010cercanas al literato, uno de los principales exponentes de la poesía latinoamericana. Cardenal era uno de los más destacados representantes de la llamada teología de la liberación. Su compromiso político lo hizo apoyar la lucha armada contra la dictadura de Somoza, una dinastía que gobernó Nicaragua por más de 40 años, y más recientemente plantar cara al Gobierno del presidente Daniel Ortega, cuyos desmanes y arbitrariedades denunciaba allá donde viajaba a presentar su poesía. Su compromiso con los más pobres y contra las injusticias lo convirtieron en la voz moral de la revolución sandinista, un proyecto con el que se comprometió a fondo y le valió la reprimenda del Papa Juan Pablo II, para quien un sacerdote no podía inmiscuirse en los asuntos políticos. “¡Nicaragua sin Guardia Nacional, veo el nuevo día! Una tierra sin terror. Sin tiranía dinástica”, había escrito en uno de sus poemas más celebrados, Canto Nacional.

Nació en Granada (Nicaragua), el 20 de enero de 1925. Heredero de una sólida tradición poética –con poetas prominentes como Rubén Darío–, Cardenal estudió literatura en Managua y México y cursó otros estudios en Estados Unidos y Europa. En 1965 fue ordenado sacerdote y más tarde se asentaría en el Archipiélago de Solentiname, localizado en el Gran Lago de Nicaragua, donde fundó una comunidad de pescadores y artistas primitivistas que se hizo mundialmente famosa. Fue ahí donde escribió su célebre El Evangelio de Solentiname. El archipiélago es un sitio de peregrinación de los fieles lectores y seguidores del poeta. Cardenal pasaba sus vacaciones en esas islas, donde leía las obras completas de Darío, escribía o dirigía la misa de Semana Santa en la pequeña iglesia de la localidad. Allí será despedido.

El escritor Sergio Ramírez, Premio Cervantes y amigo cercano del poeta, ha dicho de él que es uno de los grandes innovadores de la lengua española, al crear una nueva forma lírica, la de la narración en la poesía, que convirtió a Cardenal en un cronista de su tiempo. “Mido a Ernesto primero por su don de innovación. Hay muy buenos poetas que no logran hacer escuela, y eso no le quita peso a su voz, pero Cardenal, desde el principio hizo escuela, tuvo seguidores, abrió una brecha en la poesía de la lengua,” dijo Ramírez.

El mismo Cardenal se definía como el fundador de un nuevo estilo, lo que él llamó en entrevista con EL PAÍS “poesía científica”. “Creo que soy el único poeta, o al menos el único que yo conozco, que está haciendo poesía sobre la ciencia, poesía científica. Para mí es casi como una oración leer libros científicos. Veo en ellos lo que algunos han dicho que son huellas de la creación de Dios”.

La poesía de Cardenal está fuertemente ligada a la Revolución Sandinista, que en 1979 derrocó a la dictadura de Somoza. En poemas como Hora Cero o El Canto Nacional el poeta destacó las proezas de Augusto Sandino y los guerrilleros sandinistas. Esa íntima vinculación a la política hizo que la nomenclatura de la Iglesia católica lo rechazara, a tal punto que el Papa Juan Pablo II lo amonestó públicamente cuando visitó Nicaragua en 1983, en plena era sandinista.

Cardenal, sin embargo, mantenía un profundo amor cristiano, expresado a través de obas como Los Salmos, versos que demuestran su compromiso con la fe, pero también su crítica contra las injusticias, la opresión y el sufrimiento de los más desprotegidos. El poeta era un creador incansable, un hombre comprometido políticamente hasta el final de sus días, y una voz profética, combativa e incómoda para el poder.

El poeta ha vivido su propio martirio desde 2007, cuando Daniel Ortega regresó al poder en Nicaragua. Desde entonces ha sido perseguido por la justicia, controlada por el líder sandinista. “Ellos [Ortega y su esposa Rosario Murillo] son dueños de todos los poderes de Nicaragua. Tienen un poder absoluto, infinito, que no tiene límites, y ese poder está ahora en mi contra”, dijo Cardenal a EL PAÍS en una entrevista concedida en su casa de Managua en 2017. A pesar de esa persecución, Cardenal ha mantenido una actividad incansable. Ha viajado a recitales a Europa y América Latina, denunciando, además, los desmanes de Ortega. Él, que en su Cántico cósmico escribió que la poesía es “el canto y el encanto por todo cuanto existe”, seguía trabajando a sus 95 años. El pasado 4 de febrero fue ingresado en un hospital de Managua debido a una infección renal y aunque se pensaba que no saldría de esa, el poeta se recuperó y semanas más tardes recibió a EL PAÍS en su casa de Managua comiendo un nacatamal, un plato tradicional nicaragüense preparado a base de maíz.

Tras décadas de purgación por parte del Vaticano, el poeta fue rehabilitado por el papa Francisco. Jorge Mario Bergoglio le informó en febrero del levantamiento de la suspensión ad divinis (prohibición de administrar los sacramentos) que Karol Wojtyla le impuso en 1984. En una entrevista el mismo Cardenal había reconocido: “Me siento identificado con este nuevo Papa. Es mejor de como podríamos haberlo soñado”.

Nicaragua pierde a uno de sus escritores más queridos, el hombre que logró ser un profeta en su tierra y que deja una larga producción literaria que en este país de catástrofes y desmanes de sus políticos es repetida como plegaria, como el canto de una nación presa de sus propios errores, pero ansiosa de romper con su historia de opresión.