Morreu Hans M. Barstad (1947-2020)

Morreu o biblista norueguês Hans M. Barstad aos 73 anos de idade. Professor em Oslo de 1986 a 2005 e em Edimburgo desde 2006, era estudioso dos profetas. Autor, entre outros, de um interessante livro sobre o mito da terra (de Judá) vazia durante o exílio babilônico: The Myth of the Empty Land: A Study in the History and Archaeology of Judah During the ‘Exilic’ Period. Oslo: Scandinavian University Press, 1996.

Hans M. Barstad: 1947-2020Participou do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica (1996-2012). Tinha uma posição moderada sobre a História de Israel, defendendo o uso do texto bíblico na construção da história de Israel, mas insistindo, com muita fundamentação, que é necessário abandonar o conceito positivista de história, herança do século XIX , e partir para uma história narrativa.

Para Barstad, pesquisadores como Lemche e Thompson ainda se debatem dentro de um conceito convencional de história que é altamente problemático.

Em suas palavras: “Estudiosos como Lemche e Thompson têm avidamente usado o conceito de ‘mudança de paradigma’ em suas contribuições para a historiografia bíblica. Isto, entretanto, está longe de ser uma descrição adequada do que está realmente acontecendo. Lemche e Thompson, aparentemente não atentos para o fato de que o que nós podemos chamar de um conceito convencional de história é hoje altamente problemático, ainda trabalham dentro dos parâmetros da pesquisa histórico-crítica, assumindo que história é uma ciência e que devemos trabalhar com fatos ‘brutos’” (BARSTAD, H. M. History and the Hebrew Bible, em GRABBE, L. L. (ed.) Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997, p. 50-51).

Barstad diz que os pós-modernos os classificariam como “os primeiros dos últimos modernistas” (p. 51).

E defende em seguida: “No futuro nós teremos, irreversivelmente, de nos ajustar a uma visão de história diferente daquela dos métodos histórico-críticos do século XIX: uma história com diferentes ‘verdades’ que quase nunca será o resultado de análises científicas de dados empíricos. Uma história cujo estatuto epistemológico deveria não mais ser visto como parte da ciência, mas como uma parte da cultura. Uma história caracterizada por uma multiplicidade de métodos” (p. 51-52).

 

Da página da Universidade de Edimburgo em 2016:

Educated in Oslo and Oxford, I held the chair of Old Testament Studies in the University of Oslo from 1986-2005.

Since my move to Edinburgh (2006-), I have authored 1 book (History and the Hebrew Bible, Mohr Siebeck 2008), and around 20 contributions in peer reviewed publications.

I have also co-edited 3 volumes: The Past in the Past, with P. Briant (The Institute for Comparative Research 2009); Prophecy in the Book of Jeremiah, with R.G. Kratz (de Gruyter 2009), and Thus Speaks Ishtar of Arbela, with R. Gordon (Eisenbrauns, forthcoming summer 2013).

I was chief editor for Supplements to Vetus Testamentum 2007-2010 (Brill). Around 30 volumes appeared during my editorship.

Among popularizing work, I can mention one book, A Brief Guide to the Hebrew Bible, Westminster John Knox, 2010 and 2 contributions to lexicons: “Biblical Theology,” in The Cambridge Dictionary of Christian Theology, Cambridge University Press (2011), pp. 62-64 and “Bible, Hebrew,” in The Encyclopedia of Ancient History, Wiley-Blackwell (2013), pp. 1107-1109.

In The Religious Polemics of Amos (1984), I use texts in Amos as sources for the reconstruction of 8th century BCE Israelite religion. The work threw new light upon the prophetic movement in general. Further research led to a series of articles and monographs on biblical prophets.

In A Way in the Wilderness (1989), I maintain that many of the references to wilderness, water, and way have misguidedly been taken as allusions to a second Exodus. Rather, the majority of these texts refer to the new Judah after the exile. Another important outcome of my 1989 book concerns the nature of prophetic language. Whereas numerous scholars have dealt with linguistic, grammatical, and literary features of Hebrew poetry, not many have taken into consideration that metaphoric/poetic texts also have a different cognitive status from prose language.

In The Babylonian Captivity of the Book of Isaiah (1997), I attempted to demonstrate that the arguments in favour of a Babylonian setting of Isa 40-55 are untenable.

In The Myth of the Empty Land (1996), I use archaeology, economical models, and Neo-Babylonian sources to argue for continuity rather than a gap in the culture of Judah after the fall of Jerusalem in 586 BCE.

Three articles reflect my recent research. In one, I use Neo-Assyrian sources, and show how Amos 1-2 is genuinely set within the framework of the Neo-Assyrian Empire. In another, I discuss Old Babylonian texts from Mari, and show how deeply planted the Hebrew Bible is in a common Semitic culture. Finally, I discuss historiography in general (above all narrative truth) and its relationship to the Hebrew Bible.

Sobre Dom Pedro Casaldáliga

Para saber mais sobre Dom Pedro Casaldáliga, visite esta página onde há uma boa coleção de links para sites, notícias e vídeos sobre ele.

Dom Pedro Casaldáliga, Bispo Emérito da Prelazia de SãoFélix do Araguaia e Missionário Claretiano, morre aos 92 anos de idade

Depois de um longo período de internação, parte dela na cidade de Batatais, estado de São Paulo (Brasil), faleceu hoje, 08 de agosto de 2020, às 09h40 (horário de Brasília), DomDom Pedro Casaldáliga (1928-2020) Pedro Casaldáliga Pla, CMF, Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, Mato Grosso (Brasil), Missionário Claretiano e cuidado pela Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos) após ter sido jubilado. Com problemas de saúde ocasionados pelo Mal de Parkinson, por Pneumonia e Derrame Pulmonar, no dia 04 de agosto, Dom Pedro Casaldáliga, CMF, teve seu estado agravado e foi transferido por UTI aérea do Hospital de São Félix do Araguaia a Ribeirão Preto onde seguiu para Batatais em uma UTI Móvel direto para a Santa Casa permanecendo internado até sua morte devido a uma embolia pulmonar decorrente dos problemas de saúde já apresentados.

O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado em três locais. No dia 08, sábado, a partir das 15h, será na capela do Claretiano – Centro Universitário de Batatais, unidade educativa dirigida pelos Missionários Claretianos, localizada a rua Dom Bosco, 466, Castelo, em Batatais, São Paulo. No dia 09, domingo, às 15h, neste local, acontecerá a missa de corpo presente, presidida por Dom Moacir, Arcebispo de Ribeirão Preto, que será aberta ao público em geral e transmitida ao vivo pelo Claretiano – TV, no Youtube, pelo link https://youtu.be/spto8rbKye0 .

No dia 10, segunda-feira, o corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, seguirá para Ribeirão Cascalheira, Mato Grosso, onde será velado no Santuário dos Mártires. Em seguida o corpo será levado para São Félix do Araguaia, MT, onde será velado no Centro Comunitário Tia Irene. O sepultamento será em São Félix do Araguaia, conforme desejo manifestado em sua vida.

Trajetória

Dom Pedro Casaldáliga nasceu no dia 16 de fevereiro de 1928, em Balsareny, na província de Barcelona, na Catalunha. É o segundo filho de Montserrat Pla Rosell e Luis Casaldaliga Ribera, que tiveram quatro filhos. Em 1943 ingressou na Congregação Claretiana, Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria e em 1952 foi ordenado sacerdote em Montjuïc, Barcelona. Até a sua vinda para o Brasil, que se deu em 1968, trabalhou na formação de futuros missionários claretianos, com a Pastoral da Juventude e com a Pastoral do Cursilho de Cristandade.

Ao chegar no Brasil, junto com Pe. Manoel Luzón, CMF, ajudou a fundar a Missão Claretiana no Estado do Mato Grosso, que na época era uma região com um alto grau de analfabetismo, marginalização social, violência e concentração fundiária. No estado fixou residência e foi defensor ativo dos Direitos Humanos e das grandes causas ainda não totalmente resolvidas, como as causas indígenas, racismo a defesa da Amazônia. Logo após sua chegada, em 1969, o Vaticano criou a Prelazia de São Félix do Araguaia, MT, e em 1970 foi nomeado administrador apostólico da Prelazia.

Já em 1971 foi nomeado Bispo Prelado de São Félix do Araguaia pelo Papa Paulo VI. Neste mesmo ano publicou a Carta Pastoral Uma Igreja na Amazônia em Conflito com o Latifúndio e a Marginalização Social denunciando a situação de miséria e violência na região Amazônica. Com uma vida totalmente dedicada ao próximo e ajudando os mais necessitados fundou o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) com Dom Tomás Balduino e juntos criaram a Comissão de Pastoral da Terra (CPT).

Dom Pedro teve seu nome ligado à Reforma Agrária, à denúncia da escravidão moderna e a defesa dos povos indígenas.

Além do exercício como sacerdote, Dom Pedro reservava parte do seu tempo à escrita. Deixou uma obra riquíssima composta por livros, poemas, cartas, cantigas e orações. Inclusive seu livro ‘Descalço sobre a Terra Vermelha’, virou filme com a direção de Oriol Ferrer, em 2012. Além disso, ele participou do filme ‘Anel de Tucun’, em 1994; da Missa dos Quilombos, produzida pelo cantor Milton Nascimento, no ano de 1982.

Dom Pedro Casaldáliga passou sua vida na simplicidade, em São Félix do Araguaia, e no dia 04 de agosto de 2020 chegou a Batatais, SP, para tratamento médico, onde passou seus últimos dias, falecendo em 08 de agosto de 2020.

 

Cronologia de Dom Pedro Casaldáliga

16/02/1928 – nasceu Pedro Casaldáliga Pla, em Balsareny, na província de Barcelona, na Catalunha. É o segundo filho de Montserrat Pla Rosell e Luis Casaldaliga Ribera, que tiveram quatro filhos.

1943 – Ingressou na Congregação Claretiana (Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria).

1952 – Foi ordenado sacerdote em Montjuïc, Barcelona. Até a sua vinda para o Brasil trabalhou na formação de futuros missionários claretianos, com a Pastoral da Juventude e com a Pastoral do Cursilho de Cristandade.

1967 – Participou do Capítulo Geral da Congregação Claretiana, em Roma, onde organizou a sua vinda para o Brasil.

1968 – Junto com o Pe. Manoel Luzón, CMF, foi enviado para o Brasil para fundar a Missão Claretiana no Estado do Mato Grosso, uma região com um alto grau de analfabetismo, marginalização social, violência e concentração fundiária.

1969 – O Vaticano criou a Prelazia de São Félix do Araguaia, MT.

1970 – Foi nomeado administrador apostólico da Prelazia de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Neste mesmo ano fundou o Jornal Alvorada.

1971 – Foi nomeado Bispo Prelado de São Félix do Araguaia pelo Papa Paulo VI. Neste mesmo ano publicou a Carta Pastoral Uma Igreja na Amazônia em Conflito com o Latifúndio e a Marginalização Social, denunciando a situação de miséria e violência na região Amazônica.

1972 – Ajudou a fundar o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) com Dom Tomás Balduino.Dom Pedro Casaldáliga (1928-2020)

1975 – Junto com Dom Tomás Balduino ajudou a criar Comissão de Pastoral da Terra (CPT).

1976 – Foi ameaçado de morte várias vezes, sendo que em Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso, estava junto com o Pe. João Bosco Penido Burnier, que foi assassinado por um pistoleiro, escapou da morte.

1986 – Promoveu a primeira edição da Romaria dos Mártires da caminhada. Movimento que seguiu a cada quatro anos.

1988 – Fez a visita Ad Límina em Roma, visita que os Bispos fazem ao Papa para apresentar o relatório Pastoral da sua Diocese.

1992 – Juntamente com o Pe. José Maria Vigil criou a primeira agenda latino americana em comemoração aos 500 anos da Evangelização na América, publicação existente até os dias atuais.

1994 – Apoiou a revolta de Chiapas, no México.

1999 – Foi solidário aos governos (nacionais e internacionais) com propostas para uma política popular.

2000 – Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Campinas e em 2012 recebeu o mesmo título da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

2005 – Já sofrendo Mal de Parkinson apresentou sua renúncia à Prelazia, conforme o Can. 401 §1 do Código de Direito Canônico, em 2005, que foi aceita pelo Papa João Paulo II.

2020 – Ficou em São Félix do Araguaia até este ano e no dia 04 de agosto de 2020 chegou a Batatais, SP, para tratamento médico, onde passou seus últimos dias, falecendo em 08 de agosto, às 09h40

Morreu Dom Pedro Casaldáliga (1928-2020)

Morre Dom Pedro Casaldáliga, o bispo dos direitos humanos e dos mais pobres – Por Julinho Bittencourt: Revista Fórum – 8 de agosto de 2020

Após uma longa internação, morreu na manhã deste sábado (8), Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT). Ele estava internado em um hospital de Batatais (SP) com insuficiência respiratória.

A notícia da morte foi comunicada pela Prelazia de São Félix do Araguaia (Mato Grosso, Brasil). Veja abaixo:Dom Pedro Casaldáliga (1928-2020)

A Prelazia de São Félix do Araguaia (Mato Grosso, Brasil), a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) e a Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos) comunicam o falecimento de Dom Pedro Casaldáliga Pla, CMF, Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (Mato Grosso) e Missionário Claretiano, ocorrido neste dia 08 de agosto de 2020 às 9:40 horas (horário de Brasília), na cidade de Batatais, estado de São Paulo, Brasil.

O velório acontecerá em três locais:

1 – Em Batatais – SP

O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado, no dia 08 de agosto de 2020, a partir das 15 horas na capela do Claretiano – Centro Universitário de Batatais, unidade educativa dirigida pelos Missionários Claretianos, situada à rua Dom Bosco, 466, Castelo, Batatais, São Paulo, Brasil.

A missa de exéquias será celebrada, em Batatais, no dia 09 de agosto de 2020 às 15h, no endereço acima e será aberta ao público em geral, além de ser transmitida ao vivo pelo link https://youtu.be/spto8rbKye0. O link estará aberto para que outros veículos de comunicação possam retransmitir.

2 – Em Ribeirão Cascalheira – MT

O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado no Santuário dos Mártires, a partir do dia 10 de agosto, sem previsão de horário de chegada do corpo.

3 – Em São Félix do Araguaia – MT

O corpo de Dom Pedro Casaldáliga, CMF, será velado no Centro Comunitário Tia Irene. O sepultamento será em São Félix do Araguaia.

Foi criada uma página especial em sua homenagem. Visite. Para saber mais sobre Dom Pedro Casaldáliga, clique aqui.

Leia também na Fórum: Entrevista histórica com Dom Pedro Casaldáliga: O nosso DNA mais profundo é a esperança – 21 de outubro de 2011

 

Morre o bispo Dom Pedro Casaldáliga, aos 92 anos – CartaCapital – 8 de agosto de 2020

Faleceu neste sábado 8, aos 92 anos, Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia. Ele foi internado com um quadro de insuficiência respiratória na segunda-feira 3.

Casaldáliga foi um dos maiores defensores e propulsores da Teologia da Libertação no Brasil, mas não se limitou a ser bispo. É poeta, tem veias jornalísticas e atuou ativamente contra a ditadura. Ajudou a defender uma população pobre, esquecida, ameaçada pelo latifúndio e reprimida pelo Estado militar em uma cidadezinha do interior brasileiro.

A sua vida foi relatada na biografia “Um bispo contra todas as cercas”, da autora Ana Helena Tavares, lançada em 2019. A obra resgata a vida do clérigo desde seus dias como Pere Casaldáliga (seu nome de batismo), até transformar-se em Pedro, bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia – um lugar escondido no estado do Mato Grosso que teria destaque nacional pela chegada do espanhol.

Ao tornar-se bispo, Dom Pedro não perdeu tempo para relatar o que via na região – uma predominância do latifúndio sobre a vida e a exclusão dos cidadãos das tomadas de decisão das próprias terras e vidas.

Escreveu uma carta pastoral aberta intitulada “Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social”, que alçou voos, alcançou Leonardo Boff, José Oscar Beozzo e outros teólogos, e firmou naquele ponto do mapa uma movimentação importante de ideais para a Igreja Católica brasileira.

Se os nomes de Julio Lancellotti, Frei Betto e Dom Paulo Evaristo Arns são projetados até hoje como referências para a discussão de direitos humanos na Igreja Católica, Pedro Casaldáliga não fica atrás. Por muitas vezes, esteve na vanguarda da linha de fogo. “Na década de 70, a percepção da dimensão da figura do Pedro era outra. Ele teve uma projeção nacional e internacional muito grande”, diz Ana Helena Tavares, que se encontrou com o bispo em São Félix do Araguaia algumas vezes no processo de escrita da biografia. “Ele é uma pessoa que se preocupou em dar divulgação ao que fazia”.

A relevância dada à informação em tempos de censura fez com que Casaldáliga estivesse na lista de mais censurados do jornal O Estado de S. Paulo entre 1972 e 1975, mas não o impediu de denunciar as vezes em que foi amordaçado em cartas para os bispos. “Como é bom ser perseguido pela causa do Evangelho, da Justiça e da total Libertação!”, escreveu, na ocasião em que foi submetido a um cárcere privado em uma das quatro vezes que a prelazia teve intervenção de militares.

Para a autora, a escrita do livro vai contra “um Brasil que não cultua a memória”. Tavares acredita que resgatar a imagem de Pedro, mesmo depois de quase 15 anos de sua aposentadoria, é relevante para reverter o processo vigente de ódio no país. Os diversos depoimentos de pessoas que conviveram, admiraram e seguiram dom Pedro também evidenciam essa necessidade.

Casaldáliga, que também sofria de mal de Parkinson, vivia acamado em São Félix do Araguaia. ““Ser o que se é / Falar o que se crê / Crer no que se prega / Viver o que se proclama / Até as últimas consequências”.

 

Morre Pedro Casaldáliga, a pedra no sapato do autoritarismo brasileiro – Leonardo Sakamoto: UOL – 08.08.2020

Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, e um dos maiores defensores dos direitos humanos do país, morreu aos 92 anos, às 9h40 deste sábado (8), em Batatais (SP), onde havia sido removido para tratamento médico devido a problemas respiratórios.

A informação foi comunicada pela Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) e a Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos). Ele não estava com covid-19.

Num ano em que o Brasil já ficou menor 100 mil vezes menor por conta de uma doença estúpida, a morte de Pedro deixa um vazio. Ele não era apenas um defensor da vida, mas a representação viva da resistência ao autoritarismo (continua)

José Nicolau: seis meses

Hoje está fazendo seis meses que José Nicolau, meu pai, nos deixou. A família está partilhando fotos para homenageá-lo.

Publico aqui os links para todos os posts com as fotos dos aniversários de “seo” Zé Nicolau a partir de seus 90 anos de idade em 2014.

 

2020

:. Morreu José Nicolau, meu pai (1924-2020) – 21.01.2020

2019

:. José Nicolau, meu pai: 95 anos – 22.01.2019José Nicolau em 18 de janeiro de 2019 - 95 anos

:. Com José Nicolau, meu pai, na festa dos 95 anos – 22.01.2019

:. Comemorando os 95 anos de meu pai – 22.01.2019

:. Na festa dos 95 anos de José Nicolau – 22.01.2019

:. Um passeio a cavalo na fazenda do papai – 23.01.2019

:. Uma tarde na Lagoa Grande em Patos de Minas – 23.01.2019

2018

:. José Nicolau, meu pai: 94 anos – 22.01.2018

:. Mais fotos dos 94 anos de José Nicolau – 22.01.2018

:. Outras fotos dos 94 anos de papai – 22.01.2018

:. Nos 94 anos de papai, coisas da roça – 22.01.2018

2017

:. José Nicolau, meu pai: 93 anos – 16.01.2017José Nicolau em 13 de janeiro de 2017 - 93 anos

:. Mais fotos dos 93 anos de José Nicolau – 16.01.2017

:. Ainda algumas fotos dos 93 anos de papai – 16.01.2017

:. E mais umas fotos de José Nicolau – 17.01.2017

:. Outras fotos dos 93 anos de papai – 17.01.2017

2016

:. José Nicolau, meu pai: 92 anos – 21.01.2016

:. Mais fotos dos 92 anos de José Nicolau – 21.01.2016

:. Ainda algumas fotos dos 92 anos de papai – 21.01.2016

2015

:. José Nicolau, meu pai: 91 anos – 20.01.2015José Nicolau em 17 de janeiro de 2015 - 91 anos

:. Mais fotos dos 91 anos de José Nicolau – 20.01.2015

:. Ainda algumas fotos: Alagoas e Patos – 20.01.2015

2014

:. José Nicolau, meu pai: 90 anos – 21.01.2014

:. Mais fotos dos 90 anos de José Nicolau – 21.01.2014

:. Outras fotos por ocasião dos 90 anos de José Nicolau – 21.01.2014

Morreu o professor James D. G. Dunn

Morreu no dia 26.06.2020 James D. G. Dunn, pesquisador britânico do Novo Testamento. Professor Emérito da Universidade de Durham, ele se tornou muito conhecido pela Nova Perspectiva sobre Paulo. Tinha 80 anos.James Douglas Grant Dunn  (21.10.1939 - 26.06.2020)

Alguns textos para quem quiser saber mais sobre James D. G. Dunn:

:. James Dunn: A nova perspectiva sobre Paulo – Observatório Bíblico: 14.07.2006

:. What is the New Perspective on Paul? – Observatório Bíblico: 09.08.2007

:. RIP Jimmy Dunn (James D. G. Dunn) – Religion Prof: The Blog of James F. McGrath: June 27, 2020

:. Rest in Peace, Jimmy: A short tribute to my professor James D.G. Dunn – Jesus Creed: A blog by Scot McKnight: June 26, 2020

:. James D.G. Dunn – Beyond Evangelical: The blog of Frank Viola

:. Profiles: Emeritus Professor James D.G. Dunn – Durham University

:. A Brief Literary Biography of James D. G. Dunn – Jesus and Paul and the New Testament – Michael Metts and Robert Wiesner: February 9, 2016

:. The Paul Page – An expanding website dedicated to exploring recent trends in Pauline studies like “the new perspective on Paul” and “Paul and Empire.”

Confira as publicações de James D. g. Dunn em WorldCat e Amazon.com.br

Morreu o linguista Thomas O. Lambdin

Thomas O. Lambdin: 31.10.1927 – 08.05.2020.

Eu o conheço por causa da famosa gramática de hebraico bíblico, que indico para meus alunos.LAMBDIN, T. O. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Paulus, 2003

Linguista norte-americano. Foi professor em Harvard de 1964 a 1983. Além do hebraico, escreveu gramáticas de copta, etíope clássico e gótico.

LAMBDIN, T. O. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Paulus, 2003 [5. reimpressão: 2016], 400 p. – ISBN 9788534920933.

Morreu o poeta Ernesto Cardenal (1925-2020)

Morreu hoje em Manágua, aos 95 anos, o poeta nicaraguense Ernesto Cardenal.

Fallece el poeta nicaragüense Ernesto Cardenal, figura clave de la Teología de la Liberación – Carlos Salinas Maldonado: El País – 1 Mar 2020

Voz moral de la revolución sandinista y crítico del Gobierno de Daniel Ortega, ha muerto a los 95 años en Managua.

El poeta y sacerdote nicaragüense Ernesto Cardenal ha fallecido este domingo en Managua a la edad de 95 años a causa de daños renales y cardiacos, informaron fuentes Ernesto Cardenal (1925-2020) - Foto de 2010cercanas al literato, uno de los principales exponentes de la poesía latinoamericana. Cardenal era uno de los más destacados representantes de la llamada teología de la liberación. Su compromiso político lo hizo apoyar la lucha armada contra la dictadura de Somoza, una dinastía que gobernó Nicaragua por más de 40 años, y más recientemente plantar cara al Gobierno del presidente Daniel Ortega, cuyos desmanes y arbitrariedades denunciaba allá donde viajaba a presentar su poesía. Su compromiso con los más pobres y contra las injusticias lo convirtieron en la voz moral de la revolución sandinista, un proyecto con el que se comprometió a fondo y le valió la reprimenda del Papa Juan Pablo II, para quien un sacerdote no podía inmiscuirse en los asuntos políticos. “¡Nicaragua sin Guardia Nacional, veo el nuevo día! Una tierra sin terror. Sin tiranía dinástica”, había escrito en uno de sus poemas más celebrados, Canto Nacional.

Nació en Granada (Nicaragua), el 20 de enero de 1925. Heredero de una sólida tradición poética –con poetas prominentes como Rubén Darío–, Cardenal estudió literatura en Managua y México y cursó otros estudios en Estados Unidos y Europa. En 1965 fue ordenado sacerdote y más tarde se asentaría en el Archipiélago de Solentiname, localizado en el Gran Lago de Nicaragua, donde fundó una comunidad de pescadores y artistas primitivistas que se hizo mundialmente famosa. Fue ahí donde escribió su célebre El Evangelio de Solentiname. El archipiélago es un sitio de peregrinación de los fieles lectores y seguidores del poeta. Cardenal pasaba sus vacaciones en esas islas, donde leía las obras completas de Darío, escribía o dirigía la misa de Semana Santa en la pequeña iglesia de la localidad. Allí será despedido.

El escritor Sergio Ramírez, Premio Cervantes y amigo cercano del poeta, ha dicho de él que es uno de los grandes innovadores de la lengua española, al crear una nueva forma lírica, la de la narración en la poesía, que convirtió a Cardenal en un cronista de su tiempo. “Mido a Ernesto primero por su don de innovación. Hay muy buenos poetas que no logran hacer escuela, y eso no le quita peso a su voz, pero Cardenal, desde el principio hizo escuela, tuvo seguidores, abrió una brecha en la poesía de la lengua,” dijo Ramírez.

El mismo Cardenal se definía como el fundador de un nuevo estilo, lo que él llamó en entrevista con EL PAÍS “poesía científica”. “Creo que soy el único poeta, o al menos el único que yo conozco, que está haciendo poesía sobre la ciencia, poesía científica. Para mí es casi como una oración leer libros científicos. Veo en ellos lo que algunos han dicho que son huellas de la creación de Dios”.

La poesía de Cardenal está fuertemente ligada a la Revolución Sandinista, que en 1979 derrocó a la dictadura de Somoza. En poemas como Hora Cero o El Canto Nacional el poeta destacó las proezas de Augusto Sandino y los guerrilleros sandinistas. Esa íntima vinculación a la política hizo que la nomenclatura de la Iglesia católica lo rechazara, a tal punto que el Papa Juan Pablo II lo amonestó públicamente cuando visitó Nicaragua en 1983, en plena era sandinista.

Cardenal, sin embargo, mantenía un profundo amor cristiano, expresado a través de obas como Los Salmos, versos que demuestran su compromiso con la fe, pero también su crítica contra las injusticias, la opresión y el sufrimiento de los más desprotegidos. El poeta era un creador incansable, un hombre comprometido políticamente hasta el final de sus días, y una voz profética, combativa e incómoda para el poder.

El poeta ha vivido su propio martirio desde 2007, cuando Daniel Ortega regresó al poder en Nicaragua. Desde entonces ha sido perseguido por la justicia, controlada por el líder sandinista. “Ellos [Ortega y su esposa Rosario Murillo] son dueños de todos los poderes de Nicaragua. Tienen un poder absoluto, infinito, que no tiene límites, y ese poder está ahora en mi contra”, dijo Cardenal a EL PAÍS en una entrevista concedida en su casa de Managua en 2017. A pesar de esa persecución, Cardenal ha mantenido una actividad incansable. Ha viajado a recitales a Europa y América Latina, denunciando, además, los desmanes de Ortega. Él, que en su Cántico cósmico escribió que la poesía es “el canto y el encanto por todo cuanto existe”, seguía trabajando a sus 95 años. El pasado 4 de febrero fue ingresado en un hospital de Managua debido a una infección renal y aunque se pensaba que no saldría de esa, el poeta se recuperó y semanas más tardes recibió a EL PAÍS en su casa de Managua comiendo un nacatamal, un plato tradicional nicaragüense preparado a base de maíz.

Tras décadas de purgación por parte del Vaticano, el poeta fue rehabilitado por el papa Francisco. Jorge Mario Bergoglio le informó en febrero del levantamiento de la suspensión ad divinis (prohibición de administrar los sacramentos) que Karol Wojtyla le impuso en 1984. En una entrevista el mismo Cardenal había reconocido: “Me siento identificado con este nuevo Papa. Es mejor de como podríamos haberlo soñado”.

Nicaragua pierde a uno de sus escritores más queridos, el hombre que logró ser un profeta en su tierra y que deja una larga producción literaria que en este país de catástrofes y desmanes de sus políticos es repetida como plegaria, como el canto de una nación presa de sus propios errores, pero ansiosa de romper con su historia de opresión.

Morreu José Nicolau, meu pai (1924-2020)

Esse homem de estatura tão pequena, mas de um coração tão grande, tão maravilhoso, deve ser observado, seu exemplo deve ser seguido, porque a sua caminhada é digna, é merecedora de toda atenção e carinho (Dindinho sobre o papai, por ocasião de seus 90 anos em 2014).

José Nicolau, meu pai, morreu hoje, 21.01.2020, aos 96 anos de idade.

José Nicolau em 18 de janeiro de 2019 - 95 anosJosé Nicolau em 18 de janeiro de 2018 - 94 anosJosé Nicolau em 13 de janeiro de 2017 - 93 anosJosé Nicolau em 16 de janeiro de 2016 - 92 anosJosé Nicolau em 17 de janeiro de 2015 - 91 anosJosé Nicolau em 18 de janeiro de 2014 - 90 anos

Morreu o teólogo Johann Baptist Metz (1928-2019)

Para saber um pouco mais sobre Johann Baptist Metz, alguns textos do ano passado, quando o teólogo comemorou os 90 anos de vida.

Metz e Gutiérrez: duas teologias irmãs. 90 anos de Johann Baptist Metz, pai da “Teologia Política” – IHU: 06 Setembro 2018

“Os cristãos esperam uma revolução que inclua as vítimas”. O ensino de Johann Baptist Metz, teólogo alemão, 90 anos – 07 Agosto 2018

Metz: “O ecúmeno das compaixões” – IHU: 15 Agosto 2018Johann Baptist Metz (1928-2019) - Foto: Friso Gentsch - Metz em Münster em 2008

Os 90 anos de Johann Baptist Metz – IHU: 09 Agosto 2018

 

Transcrevo o primeiro texto.

Metz e Gutiérrez: duas teologias irmãs. 90 anos de Johann Baptist Metz, pai da “Teologia Política” – IHU: 06 Setembro 2018

Cento e quarenta teólogos e filósofos de todo o mundo celebraram, em agosto do corrente ano, os 90 anos de Metz com uma declaração coletiva. Entre eles está o espanhol Reyes Mate, aluno e amigo de Metz, que citaremos ao longo desta apresentação, especialmente ao relacionar a “Teologia Política” de J. B. Metz com a “Teologia da Libertação” de Gustavo Gutiérrez. E também os comentários do filósofo e teólogo dominicano mexicano Miguel Concha, também aluno e amigo.

A reportagem é de Saturnino Rodríguez, publicada por Religión Digital, 05-09-2018. A tradução é de André Langer.

A atualidade do teólogo Metz reside na sua reivindicação de “uma cultura anamnética”, ao mesmo tempo que denunciava “a amnésia cultural de uma sociedade moderna ou pós-moderna”; além disso, ele se arriscou a falar de uma “ética anamnética” (rememoração) e até mesmo de uma “razão anamnética”, que é levar a defesa de uma cultura da memória às suas últimas exigências.

 

Dois teólogos, duas teologias: Johann Baptist Metz “Teologia Política”, europeia, e Gustavo Gutiérrez “Teologia da Libertação”, latino-americana

No dia 5 de agosto, o grande teólogo alemão Johann Baptist Metz completou 90 anos, dois meses após ter chegado à mesma idade outro grande teólogo contemporâneo, o peruano Gustavo Gutiérrez Merino, a quem também dedicamos uma série de apresentações em Powert Point. Os dois pais – um da Teologia Política, europeia, e o outro da Teologia da Libertação, latino-americana – estão unidos por importantes laços, sem contar uma longa amizade. Entre as duas reflexões existem fortes elos. Começamos com J. B. Metz e sua Teologia Política, para concluir nas relações com G. Gutiérrez e a Teologia da Libertação, para continuar com a relação entre ambos.

Johann Baptist Metz nasceu em 5 de agosto de 1928 na cidade de Welluck-Alemanha. Fez seus estudos em Innsbruck e Munique, obtendo dois doutorados: um em Filosofia e outro em Teologia. Será testemunha da Segunda Guerra Mundial, da derrota alemã e da divisão da Alemanha com o Muro de Berlim (1961) e da unificação alemã com a queda do Muro de Berlim em 1989.

Johann Baptist Metz foi discípulo e amigo de seu compatriota e teólogo Karl Rahner. O Concílio Vaticano II, do qual ele foi perito, foi um acontecimento chave na vida de Rahner. Ele exerceu uma influência decisiva na orientação renovadora dos documentos conciliares, vários dos quais são de sua autoria. Para este teólogo alemão, a política é fundamental para a reflexão teológica, como se pode observar em sua vasta bibliografia (Rahner, Karl. Teologia Política. Madri: Arbor, 1970, tomo 1, n° 291, pp. 245-346).

 

Teologia e política

Rahner afirma que “a teologia política ainda não está definida de um modo inteiramente unívoco […] A verdade é que a teologia política não tem nada a ver com uma atividade política da Igreja ou do clero, mas sim, reconhece por razões teológicas o mundo secular como tal e legítimo […] Neste sentido pelo menos, uma teologia política é urgente hoje, já que na teologia tradicional percebe-se algo como uma privatização e um estreitamento do cristianismo orientados apenas para a salvação interna do indivíduo, pelo fato de que a teologia da esperança foi concebida apenas individualmente […], cabe conceber a teologia política como uma tarefa da teologia que consiste em uma abordagem crítica do sistema social vigente […]”.

Para a teóloga e professora universitária Dorothee Sölle, “a teologia política é uma teologia da libertação”, focada fundamentalmente em um conceito anti-imperialista e, portanto, solidária com os países subdesenvolvidos. O próprio Metz escreveu: “A teologia é um discurso sobre Deus em Aliança com o ser humano. Esse Deus sempre quis uma humanidade na ‘maioridade’, libertada e livre. É o Deus do Êxodo, o Deus do qual Jesus proclama seu Reinado. É o Deus da Promessa de um mundo novo, de um futuro para toda a humanidade”.

 

Seus antecedentes e influências

Metz, discípulo predileto de Karl Rahner, situado no campo ahistórico transcendental por intermédio do Immanuel Kant da razão pura, chegou à teologia política sob a proteção do Kant da razão prática, de Karl Marx, de Walter Benjamin e do alemão Ernst Bloch, entre outros. Para isso, ele tinha que se deparar com o sujeito social capaz dessa prática crítica que leva ao conceito de seguimento de Jesus. Metz queria ser um teólogo da nossa cultura. Em seus debates com Jürgen Habermas, por exemplo, onde ambos coincidem no diagnóstico da perda de identidade do homem ocidental, J. B. Metz postula uma nova cultura política.

O filósofo e teólogo Reyes Mate escreveu sobre Rahner em 1984: “Quem investiga as fontes de sua reflexão encontrará o tomismo aristotélico, evidentemente, mas também Kant. Não o Kant da razão prática, que leva a Marx, mas o Kant da teoria do conhecimento transcendental; encontrará também Hegel, expoente do idealismo transcendental, ambos preocupados em fixar a condição e o conteúdo da consciência na própria experiência. No entanto, a referência constante de seu pensamento, sobretudo o filosófico, é Heidegger, por parte de quem o jesuíta alemão Rahner não conseguiu a aprovação da tese de doutoramento. Heidegger não compartilhava a teoria do jovem Rahner de que a solução para os problemas da metafísica passaria por uma atualização da metafísica clássica, aristotélico-tomista, mas antes por tirar aqueles de todo o contexto cristão”.

Os historiadores da teologia situam J. B. Metz na corrente da “Nouvelle Theologie”, que surgiu na velha Europa, especialmente na França. Metz faz parte desta nova corrente, que surgiu no início da década de 40 do século passado. A “Nova Teologia” tinha como objetivo fazer uma teologia mais relacionada com a vida. Ou seja, uma teologia cristã em relação com o mundo, de diferentes perspectivas e de diversos campos. A Nouvelle Theologie abria as portas da teologia para todos os homens de fé.

No congresso internacional de teologia realizado em Toronto-Canadá em 1967, Metz, em suas colocações teológicas nesse congresso, usou repetidas vezes a palavra Teologia Política. Ele a sistematizará em sua obra intitulada Sobre a Teologia do Mundo, publicada em 1968. Neste livro, ele expõe sua assim chamada Teologia Política, tornando-se assim o pai moderno desta teologia.

Pois bem, Metz, nesta obra, não faz nenhuma conceituação dessa nova teologia. A única coisa que ele diz é que “o conceito de Teologia Política é ambíguo e, portanto, pode ser mal interpretado”. Mas deixa claro o que entende por Teologia Política, e o diz de duas maneiras:

— “Eu entendo a teologia política como um corretivo crítico para uma tendência extrema que a teologia atual tem para a privatização”.

— “Entendo, ao mesmo tempo, por teologia política a tentativa de formular a mensagem escatológica nas condições de nossa atual sociedade”.

 

Obras em destaque

Estas são algumas das obras relevantes deste notável teólogo-filósofo alemão Johann Baptist Metz: Sobre o conceito do futuro, 1965; Teologia do mundo, 1968; Teologia política, 1969; Ilustração e teoria teológica. A Igreja na encruzilhada da liberdade moderna. Aspectos de uma nova teologia política, 1973; Fé na história e na sociedade, 1979; Além da religião burguesa, 1980; As ordens religiosas, 1988; Deus e tempo: nova teologia política, 2002; Memoria Passionis, 2006, etc.

Em todas estas obras, J. B. Metz aborda o tema da teologia política. Em alguns textos, será mais eloquente e em outros menos.

Segundo o teólogo jesuíta alemão assessor do Concílio Vaticano II Karl Rahner e professor de Johann Baptista Metz a teologia política nada tem a ver com uma atividade política da Igreja ou do clero, mas, como Johann B. Metz bem reconhece por razões teológicas, com o mundo secular como tal e como legítimo.

A teologia política faz parte da filosofia política e da teologia que investiga as formas como os conceitos teológicos ou formas de pensar estão relacionados com a política, a sociedade e a economia. Embora a relação entre o cristianismo e a política tenha sido objeto de debate desde a época de Jesus, a teologia política como disciplina acadêmica começou durante a última parte do século XX, em parte como resposta ao trabalho do cientista político e filósofo jurídico alemão Carl Schmitt (1888-1985), assim como da Escola de Frankfurt. A publicação Political Theology atualmente examina essa interface de fé religiosa e política.

 

As duas teologias: Política e Libertação

A relação entre os dois personagens – Metz e Gutierrez – e suas teologias é muito estreita. O teólogo Gustavo Gutiérrez e outros latino-americanos se formaram em universidades europeias como “Le Saulchoir” dos dominicanos na Bélgica e “Lyon-Fourviere” dos jesuítas em Lyon (França) e foram alunos de eminentes teólogos alguns dos quais foram peritos do Concílio Vaticano II e inclusive redatores de alguns de seus textos. Um deles é justamente Johann Baptist Metz e sua “Teologia Política”, juntamente com outras figuras como Marie-Dominique Chenu e Yves Congar no Le Saulchoir e Jean Daniélou, Henry de Lubac e Rahner em “Lyon-Fourviere”. Eram os corolários da La Nouvelle Theologie que surgiu na França no início do século XX.

As relações entre os dois teólogos, o europeu Johann Baptist Metz e o latino-americano Gustavo Gutiérrez, e suas respectivas teologias: a Teologia Política e a Teologia da Libertação e a complementaridade entre ambos, são evidentes.

Isso justifica o recurso às obras de dois outros teólogos conhecedores e amigos de ambos: o espanhol Reyes Mate, filósofo e teólogo, professor e pesquisador do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), e Miguel Concha, teólogo dominicano mexicano professor de pós-graduação em Estudos Latino-Americanos da FCPyS-UNAM (Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional Autônoma do México) e fundador da Associação de Direitos Humanos Francisco de Vitória.

O filósofo e teólogo espanhol Reyes Mate, conhecedor e amigo dos dois teólogos, escreveu em novembro de 1986, no jornal El País, sobre o encontro que aconteceu no Instituto Alemão de Cultura em Madri entre o teólogo católico Johann Baptist Metz e o teólogo protestante Jürgen Moltmann, recordando que o filósofo Ernst Bloch, um dos autores de referência, advertira dizendo: “quando os teólogos se empenham em ser mais racionalistas do que o homem secular, acabam não tendo nada a dizer”. Por este motivo, Metz, bom conhecedor de Bloch que é, nunca deixa de repetir que existem mais elementos libertadores nos mitos descartados pelo homem secular do que naqueles que este construiu.

 

Duas próximas teologias

O filósofo-teólogo professor Reyes Mate, professor de Pesquisa do CSIC no Instituto de Filosofia intitulou e qualificou em 1988 no jornal El País Johann Baptist Metz como “um clássico incômodo da teologia católica”. E o explicava no começo: “De Karl Rahner foi dito, assim como de Shakespeare, que sua biografia era sua obra, uma obra na qual o rigor conceitual anda de mãos dadas com uma curiosidade inesgotável por todos os temas da vida”.

Gustavo Gutiérrez e sua Teologia da Libertação e Johann Baptist Metz e sua Teologia Política são muito próximos. Para a teóloga e professora universitária Dorothee Sölle, que ocupa a cátedra de Teologia Sistemática no Seminário Teológico de Nova York, “a Teologia Política é uma Teologia da Libertação”, centrada fundamentalmente em um conceito anti-imperialista e, portanto, em solidariedade com os países subdesenvolvidos.

Para compreender melhor, diríamos que as caravelas que da Europa levaram há mais de 500 anos os conquistadores e evangelizadores para o que chamavam de “Novo Mundo”, voltaram depois de centenas de anos – já não em navios, mas em meios técnicos mais avançados – para “reevangelizar” os seus evangelizadores de antes.

Com grande dose de humor, poderíamos dizer que a Teologia da Libertação, cujo “pai” foi há 50 anos G. Gutiérrez – que acabou de completar 90 anos também –, tem por “avô” Johann Baptist Metz, seu famoso professor alemão e amigo.

Neste sentido, a análise e a crítica da Teologia Política contemporânea da Europa apresentam pontos de convergência com a Teologia da Libertação da América Latina, que fornece como ingredientes fundamentais para uma nova sociedade e uma nova cultura a longa história de resistência e lutas das classes exploradas, das raças desprezadas e das culturas discriminadas, resultado da modernidade. O que não tem nada a ver com os atuais movimentos reacionários de centralização, subordinação, submissão e padronização, dentro e fora da Igreja.

No decorrer desta exposição – como disse o teólogo mexicano Miguel Concha em sua obra Crepúsculo do Humanismo: “Nós tentamos fazer um esforço de esclarecimento e síntese. Queremos enfatizar mais uma vez que a atual civilização tecnológica, fruto da cultura da modernidade, parece que na realidade produz monstros, e que a única saída do ponto de vista cultural e cristão no chamado Primeiro Mundo é recuperar a memória subversiva de Deus e, com ela, a busca da igualdade e da justiça para todos, bem como o reconhecimento dos outros em seu ser diferente”.

Desde outra perspectiva, a dos “de baixo”, a teologia de Johann Baptist Metz é uma interlocutora da Teologia da Libertação de Gustavo Gutiérrez, no diálogo científico fecundo com outras correntes teológicas. Portanto, escreve Gutiérrez no livro acima mencionado: “A teologia política apresenta-se como ‘uma tentativa de expressar a mensagem escatológica do cristianismo em relação à era moderna como uma figura da razão crítico-prática’”.

 

Influência de Rahner em J. B. Metz e G. Gutiérrez

A virada antropológica de Rahner influenciou na elaboração da teologia política de Metz e este influenciou seu mestre com suas teses sobre a memória, a função crítico-pública do cristianismo e da teologia e o duplo componente, místico e social, do cristianismo. Ele mostrou seu apoio à teologia latino-americana da libertação justamente quando as condenações do Vaticano contra ela recrudesceram. Uma das últimas cartas que ditou antes de morrer, estando hospitalizado no sanatório das Irmãs da Cruz de Rum, perto de Innsbruck, dirigiu à Conferência Episcopal do Peru em defesa da Teologia da Libertação e do teólogo Gustavo Gutiérrez, um de seus iniciadores.

É do conhecimento de todos que a Teologia Política nasce na Europa e a Teologia da Libertação na América Latina, dois continentes distintos, com realidades diferentes, mas com o mesmo objetivo: encontrar e fazer o máximo possível a vontade de Deus neste mundo. Metz é eloquente ao mencionar que “ambas as teologias se caracterizam por sua especial sensibilidade para com a teodiceia”.

 

Coincidências e diferenças entre as duas teologias

De acordo com o professor Carlos Iván Peñafiel em seu livro Relevância da Teologia Política na Igreja Latino-Americana, estas podem ser as divergências entre a Teologia Política e a Teologia da Libertação.

 

Convergências:

a) “Adeus à sua inocência social”: isto é, pelo interesse de uma justiça, essas duas teologias se tornam místicas e políticas.

b) “Adeus à sua inocência histórica”: “a teologia tem que dizer adeus a um universalismo histórico sem sujeito, alheio a qualquer situação e, até certo ponto, sem conteúdo humano”.

c) “Adeus à sua suposta inocência étnico-cultural”: estas duas teologias são universais, não pertencem a uma cultura ou povo específico.

Divergências, segundo o professor Alfonso Garcia Rubio (Teologia da Libertação: política ou profetismo. São Paulo: Loyola, 1983):

a) A teologia política não vem acompanhada por uma análise sociopolítica específica.

b) Separação ideológica entre teologia e ética política, porque se existisse tal separação, haveria uma separação entre a reflexão teológica e a necessidade de uma práxis.

c) As afirmações de Metz sobre a secularização e a privatização da salvação são consideradas desde a Teologia da Libertação como generalidades de um determinado contexto europeu, e a América Latina tem um ambiente diferente.

d) A teologia política deve estar presente ali onde os problemas humanos são mais urgentes, sem cair em discussões muitas vezes teóricas.

Uma vez observadas as semelhanças e as discrepâncias entre a Teologia da Libertação e a Teologia Política, induz-nos a afirmar e aceitar que cada teologia tem seu próprio jeito de fazer teologia, e é justamente isso que as diferencia. A relevância dessas duas teologias está em que são inspiradas no Evangelho, percebendo o que o filósofo e teólogo jesuíta uruguaio Juan Luis Segundo diz sobre o fazer teologia: “não existe teologia cristã, nem interpretação cristã do Evangelho sem uma opção política prévia”.

Ignacio Ellacuría concorda com Clodovis Boff, o irmão de Leonardo, em que a Teologia da Libertação não é uma teologia que se mantém alheia ou distante da problemática política. Por sua parte, I. Ellacuría assinala que “a Teologia da Libertação não se mantém neutra em face das diferentes opções políticas, mas toma partido e opta parcialmente pela libertação dos oprimidos. No entanto, o fato de a Teologia da Libertação pertencer à família das teologias políticas não significa que ela vá, mimeticamente, no vácuo da Teologia Política […]”.

A Teologia da Libertação, de acordo com Rosino Gibellini (A Teologia do Século XX. São Paulo: Loyola, 1998), tem três etapas ou fases: a fase de preparação, que vai de 1962 até 1968. A fase de formulação, que abarca os anos 1968-1975. E, finalmente, a fase de sistematização, de 1976 em diante, quando a Teologia da Libertação se empenha em refletir sobre o seu próprio método, e é quando surge uma série de obras que sistematizam o trabalho teológico da Teologia da Libertação.

 

Transcrevo um texto de hoje que noticia sua morte, ocorrida nesta segunda, dia 2, aos 91 anos de idade. Em alemão.

Theologe Johann Baptist Metz gestorben – katholisch.de: 03.12.2019

Er war Schüler von Karl Rahner, Begründer der “Neuen Politischen Theologie” und galt als einer der bedeutendsten und einflussreichsten Theologen seit dem Zweiten Vatikanischen Konzil: Jetzt ist Johann Baptist Metz im Alter von 91 Jahren gestorben.

Johann Baptist Metz, weltweit anerkannter Theologe und Begründer der “Neuen Politischen Theologie”, ist am Montag im Alter von 91 Jahren in Münster gestorben. Das bestätigte am Dienstag die Katholisch-Theologische Fakultät der Universität Münster auf Anfrage. Der emeritierte Münsteraner Hochschullehrer galt als einer der bedeutendsten Vordenker in der Zeit nach dem Zweiten Vatikanischen Konzil (1962-65). Der Schüler des Jesuiten Karl Rahner (1904-1984) hatte Einfluss auf Entstehung und Entfaltung der lateinamerikanischen Befreiungstheologie und wurde in seinen Entwürfen wiederum von dieser mitgeprägt. Ausgehend von eigenen Erfahrungen im Zweiten Weltkrieg und dem Tod von Millionen stellte Metz die Frage, wie nach der Katastrophe von Auschwitz von Gott gesprochen und Theologie betrieben werden könne.

Münsters Bischof Felix Genn schrieb in einem Kondolenzschreiben an die Fakultät, Metz habe als akademischer Lehrer in der Kirche in Deutschland und weltweit großen Einfluss gehabt. “Wir sind in Münster dankbar und stolz, dass er seine Kompetenz und großen Fähigkeiten den vielen Studierenden an der Universität Münster geschenkt hat.” Die Universität Münster und deren Katholische Fakultät erklärten, Metz habe mehrere Studenten-Generationen geprägt. Die von ihm begründete “Neue Politische Theologie” verstehe sich ausdrücklich als eine Gottesrede nach dem Holocaust im Zweiten Weltkrieg.

Bambergs Erzbischof Ludwig Schick reagierte mit Trauer auf den Tod des aus dem Erzbistum Bamberg stammenden Metz. Er erinnere sich gern an die persönlichen Begegnungen und die wertvollen Gespräche, sagte Schick. Er würdigte dabei vor allem sein engagiertes Eintreten für die Theologie der “Compassion”, die Mitleidenschaft Gottes für das Wohl und Heil der Menschen, den er zu einem Zentralbegriff der heutigen Theologie gemacht habe. Daraus habe er wichtige Impulse für eine neue “Theologie der Welt” und für das Wirken der Kirche heute gegeben. Aus der Mitleidenschaft Gottes mit den Menschen habe er ein Mitleiden der Christen und der ganzen Kirche mit jedem Menschen und der ganzen Schöpfung gezogen. Er gelte zurecht als einer der bedeutendsten Theologen seit dem Zweiten Vatikanischen Konzil.

Der Philosoph Jürgen Habermas (90) würdigte Metz als einen “sensiblen Gesprächspartner”. Metz sei aus seiner Generation “vielleicht der Theologe, der sich am leidenschaftlichsten an der für ihn existenziellen Frage abgearbeitet hat, in welcher Sprache nach dem Holocaust überhaupt noch von Gott geredet werden” könne. Mit dieser Frage habe er nicht nur politisch in die Kirche hineingewirkt, sondern als akademischer Lehrer auch eine große Zahl selbstständig weiterdenkender Schüler angezogen, sagte Habermas der Katholischen Nachrichten-Agentur (KNA). Habermas und Metz waren befreundet.

Küng “betrübt” über Tod

“Betrübt” über den Tod seines Münsteraner Kollegen zeigte sich der Tübinger Theologe Hans Küng (91). Der KNA sagte er am Dienstag in Tübingen, auch wenn sie auf die gemeinsame Sorge um Kirche und Welt theologisch unterschiedlich geantwortet hätten, so habe sie die Orientierung an Jesus Christus als Leitfigur für menschenfreundliches Leben und Handeln sowie das Bemühen um eine weltoffene Kirche geeint. Zugleich würdigte Küng “persönliche Leidenschaft und praktisches Engagement” bei Metz.

Der 1928 in Auerbach in der Oberpfalz geborene Metz promovierte nach Studien in Bamberg, Innsbruck und München in Philosophie und Theologie und wurde 1954 zum Priester geweiht. Nach Jahren in der Seelsorge lehrte er von 1963 bis 1993 in Münster Fundamentaltheologie. Nach dem Konzil war er auch Berater des römischen Sekretariats für die Nicht-Glaubenden. Zudem war er Mitbegründer der internationalen theologischen Zeitschrift “Concilium”. Großen Einfluss hatte Metz als Berater der Synode der Bistümer der Bundesrepublik Deutschland von 1971 bis 1975 in Würzburg. Der Synodenbeschluss “Unsere Hoffnung” über das Christsein im Alltag trägt seine Handschrift.

Metz warnte immer wieder vor einer Verbürgerlichung des Christentums und einer “Vergleichgültigung” der Gesellschaft. Inspiriert wurde er auch von der sogenannten Frankfurter Schule um die Philosophen Theodor W. Adorno, Max Horkheimer und Habermas. Die von Metz begründete “Neue Politische Theologie” stieß indes bei Joseph Ratzinger, dem inzwischen emeritierten Papst Benedikt XVI., auf große Skepsis. Als Erzbischof von München verwehrte Ratzinger 1979 Metz einen Ruf an die dortige Universität. Auch später wollte Metz nach eigenem Bekunden “nicht den Eindruck erwecken, als wäre nichts passiert”. Zur Annäherung kam es bei einer Tagung zum 70. Geburtstag von Metz 1998 in Ahaus.

Die Universität Wien, an der der vielfach ausgezeichnete Theologe von 1993 bis 1997 eine Gastprofessur innehatte, verlieh ihm 1994 den Ehrendoktor. 2002 ehrte ihn der Koordinierungsrat der Gesellschaften für christlich-jüdische Zusammenarbeit mit der Buber-Rosenzweig-Medaille. 2007 erhielt Metz den “Theologischen Preis der Salzburger Hochschulwochen”. (tmg/KNA)

 

Leia também, em alemão:

Der Theologe Johann Baptist Metz ist tot – Christoph Strack: DW – 03.12.2019

Die Fragen nach dem Leid und nach Gerechtigkeit trieben den katholischen Theologen Johann Baptist Metz Zeit seines Lebens um. Wie die Universität Münster jetzt bestätigte, verstarb Metz am Montag im Alter von 91 Jahren.

“Wenn Theologie alle Fragen wirklich perfekt beantworten kann, ist es schon falsch. Es geht auch um den Schrei des leidenden Menschen, den unbeantworteten Schrei.” Für den katholischen Theologen Johann Baptist Metz, der am Montag im Alter von 91 Jahren verstorben ist, war die Frage nach Gott stets die Frage nach dem Leid der unschuldigen Opfer und nach Gerechtigkeit. Wie soll man nach Auschwitz von Gott reden? Kann man das?

Es war für ihn auch eine zutiefst persönliche Frage und Klage. Metz, 1928 geboren in – wie er selbst sagte – einer “erzkatholischen bayerischen Kleinstadt”, kam als Sechzehnjähriger noch in den Krieg. Mit vielen anderen seines Jahrgangs war er an der Front. Einmal schickte ihn der Kommandeur durch die Nacht mit einer Meldung vom Schützengraben zum Gefechtsstand des Bataillons. Als er zurückkehrte, fand er “nur noch Tote, lauter Tote” – seine Kameraden überrollt von einem Jagdbomber- und Panzerangriff. “Ich konnte ihnen allen, mit denen ich noch tags zuvor Kinderängste und Jungenlachen geteilt hatte, nur noch ins erloschene tote Antlitz sehen. Ich erinnere nichts als einen lautlosen Schrei”.

(…)

In der Münsteraner Stube des Theologen hängt der Corpus eines Gekreuzigten. Klassisch, wie aus einer anderen Zeit. “Ein Tiroler Künstler hat ihn für mich geschnitzt, zur Priesterweihe 1954”, erzählte er mal. Es ist nur ein Torso, ein Rumpf ohne Arme. Was ihm diese Christusgestalt sage? “Ich habe keine anderen Hände als die euren”, antwortet Metz.

 

Um texto em italiano.

Addio a Johann Baptist Metz, “padre” della Teologia politica – Filippo Rizzi: Avvenire.it – 3 dicembre 2019

Il pensatore tedesco è morto a 91 anni a Münster. Fu il fautore del dialogo pubblico tra Habermas e Ratzinger a Monaco nel 2004. Il suo maestro di sempre: Karl Rahner

Indagò la “questione di Dio” dopo Auschwitz

Un gigante della teologia del Novecento dello stesso rango e levatura del suo “maestro di sempre” Karl Rahner. Un pensatore capace di leggere i “segni dei tempi”. Ma soprattutto un prete e un pastore d’anime. È lo stile che ha sempre accompagnato, cadenzato e contrassegnato la lunga vita di Johann Baptist Metz, morto questo lunedì 2 dicembre a 91 anni a Münster. Nato il 5 agosto 1928 a Velluck, nella Baviera settentrionale, compie i suoi studi di filosofia e teologia dapprima a Innsbruck e poi a Monaco di Baviera; si laurea in filosofia su Heidegger e poi in teologia, sotto la guida di Karl Rahner, su san Tommaso d’Aquino. Viene ordinato sacerdote nel 1954. La maggior parte della sua carriera universitaria lo vede docente di teologia fondamentale a Münster, carica che ha lasciato successivamente, per assumere la cattedra di Christliche Weltanschauung all’università di Vienna.

Metz è ancora ricordato oggi in ambito accademico per essere stato tra i fondatori, dei veri “padri nobili”, nel 1965, della rivista internazionale di teologia “Concilium” assieme a uomini del rango di Karl Rahner, Yves Congar, Edward Schillebeeckx, Hans Küng e Gustavo Gutiérrez. Numerose sono le sue opere tradotte in italiano (spesso edite da Queriniana) come Sulla teologia del mondo (1969), Antropocentrismo cristiano (1969), con J. Moltmann-W. Ölmüller, Una nuova teologia politica (1971), Tempo di religiosi? Mistica e politica della sequela(1978), La fede nella storia e nella società (1978). Come certamente significativo è il suo saggio, edito da Queriniana, che rappresenta in un certo senso la “summa” del suo pensiero: Sul concetto della nuova teologia politica 1967-1997 e anche La provocazione del discorso su Dio.

La sua maturazione teologica conosce varie tappe, segnate dalle tre grandi “crisi” del nostro secolo con cui egli si confronta: la sfida marxista alla teologia; Auschwitz e la negatività della storia (celebri le sue domande su Dio e sulla giustizia a fronte delle vittime innocenti); infine, la provocazione che viene dal Terzo Mondo. Come fu significativa la sua attenzione alla Teologia della liberazione: volle rendersi conto di persona del dolore e della sofferenza di quelle popolazioni e andò a visitare le comunità di base dell’America Latina. Rimase impressionato dal lavoro “dal basso” di amici e colleghi teologi e scrisse un diario visitando le Ande.

Cresciuto alla scuola di Karl Rahner, del quale rielaborò anche alcune opere, di fronte alla marginalità “politica” del cristianesimo Johann Baptist Metz avverte la necessità di superare la teologia trascendentale del maestro per far valere la dimensione pratica della teologia. Diventa così il fondatore di una “nuova teologia politica”, –come hanno spiegato in anni recenti studiosi italiani come Giacomo Coccolini e il “suo” discepolo Francesco Strazzari – nella quale si consideri il mondo come luogo del mostrarsi di Dio e, quindi, luogo nel quale la fede cristiana si presenta anche con la sua valenza politica. Non volendo e non potendo dimenticare le vittime della storia, degli indifesi, Metz sviluppa a partire da queste coordinate la sua “Nuova teologia politica”.

Come pochi altri teologi, Metz non solo ha cercato ma ha anche alimentato il dibattito culturale. Fa parte di ciò il dialogo e il confronto con il marxismo e i rappresentanti della scuola di Francoforte, i filosofi Theodor W. Adorno, Max Horkheimer e Jürgen Habermas con i quali intrattiene un’amicizia autentica. Senza Metz nel 2004, a Monaco, non si sarebbe giunti alla discussione tra Habermas e l’allora prefetto della Congregazione per la dottrina della fede, il cardinale Joseph Ratzinger, il futuro Benedetto XVI. A ricordarlo ieri con un ampio ritratto è stata la Conferenza episcopale tedesca che ha rievocato lo stile di «teologo ma anche di pastore d’anime» di Metz. Un pensatore dunque, sempre «pieno di sorprese» come lo definiva Jürgen Moltmann perché capace di traghettare la teologia all’interno della storia anche quando questa porta «un nome così orribile come quello di Auschwitz».

 

Um texto em inglês.

Remembering Johann Baptist Metz – Matthew Ashley: America Magazine – December 03, 2019

In the last desperate weeks of World War II in Germany, a 16-year-old soldier was sent by his commanding officer to the rear with a message for headquarters. When he returned, he found the other members of his unit, all as young as he, dead, wiped out in a sudden air and armored assault.

“Now,” he remembered, “I could only see dead and empty faces, where the day before I had shared childhood fears and laughter. I remember nothing but a wordless cry. This is how I see myself to this very day, and behind this memory all of my childhood dreams crumble away…. What would happen if one took this sort of thing not to the psychologist but into the church, and if one would not allow oneself to be talked out of such unreconciled memories even by theology, but rather wanted to have faith with them, and with them to speak about God?”

This young man was Johann Baptist Metz, and he went on to do just this, becoming in the process a trail-blazing theologian for an age in which memories like these have become far too common and, what is worse, met with ever greater indifference. He died on December 2 at the age of 91.

Metz (Baptist to his friends) was born in Auerbach, in northeast Bavaria, on August 5, 1928. It was a small, Catholic town, not yet touched by the processes of secularization at work in the rest of Europe. As he once wrote: “One comes from far away when one comes from there. It is as if one were born not 50 years ago, but somewhere along the receding edges of the Middle Ages.”

While the town was very Catholic, he did not remember his family being particularly pious—he once joked that of all the seminarians studying with him when he started in Bamberg, he was the only one who had not been an altar boy. His schooling was interrupted when he was forced into the Wehrmacht. And after the attack on his unit, he was captured and spent seven months in POW camps on the East Coast of the United States (and so he spoke English with a distinctly American accent).

Sent back to Germany, he finished his final two years of Gymnasium (high school) in one year and entered the diocesan seminary in Bamberg. His bishop had intended to send him to Rome for further training, but Metz persuaded him to send him to the recently refounded Jesuit seminary in Innsbruck instead, because he had been impressed by reading some writings by one of its faculty—Karl Rahner, S.J., one of the most important Catholic theologians of the twentieth century, who became a key theological advisor at Vatican II. In Innsbruck he earned a doctorate in philosophy and then in theology. He was ordained a priest in 1954.

During his years at Innsbruck he became Rahner’s student, friend and later, collaborator. Rahner left a deep and enduring impact on the young theologian-in-training, an impact that went far beyond the academic: Metz called him simply, “my father in faith.” Even though his theology took a different direction than his teacher’s after 1963, Metz always referred to him as his principal theological inspiration.

In 1963 Metz took up a position at the University of Münster. In 1979 he was offered a prestigious position at the University of Munich, where Romano Guardini and then Rahner had taught earlier. But his appointment was vetoed by the then-Archbishop of Munich, Joseph Ratzinger (which led Rahner to write a fiery open letter in a German periodical: “I Protest”).

So Metz remained at the University of Münster, where he taught for 30 years. After retireing in 1993, he was a visiting professor at the University of Vienna for four years, before returning to Münster, where he lived and continued to work until his death.

Like so many of his generation, he took as his theological labor interpreting and promoting the theological riches of Vatican II. Along with Rahner, Edward Schillebeeckx, O. P., and others, he was a cofounder of the journal, Concilium, which had this purpose.

For him, in particular, this work meant helping the Catholic Church make the transition from the seamlessly Catholic world of Auerbach to the techno-scientific, multicultural, religiously pluralistic and often secularized world of today. In the 1960’s he became one of the founders, along with Jürgen Moltmann and Dorothee Sölle, of a theological approach called “political theology,” which he himself named the new political theology, in order to distinguish it from the work of Nazi legal theorist, Carl Schmitt.

Political theology was a prophetic protest against the privatization of Christian faith: the reduction of its scope to one’s relationship to God and one-on-one ethical behavior towards others. For Metz, religion in general and Christianity in particular, is inherently political.

So too is Christian theology. Christianity’s privatization, Metz warned, is a principal way that it has been domesticated in the modern world, with the church too often going along, explicitly or tacitly. Yet Christian faith was not for him simply a source of meaning or a social glue in society; it was not a kind of sacred canopy, as sociologist Peter Berger once put it, a religious authorization or echo of what is going on in society anyway.

Religion is, rather, for Metz, provocative and interruptive. It breaks through our self-reliance and self-satisfaction, attitudes often purchased at the cost of ignoring the suffering of those put on the margins of society or who had been left beaten on the side of the road in its march of progress.

Remembering them is dangerous, but these dangerous memories are liberating. And they are ultimately sustained by the dangerous memory of Jesus Christ, who died and was raised by the God of the living and of the dead. It is a memory that can give rise to great hope, but only if it is put into practice, a “combative hope,” as Pope Francis puts it.

Metz followed these insights with thoroughness and integrity, realizing that for a German the dangerous memory above all others had to be the memory of the Jews and the fate they suffered under the Third Reich. He will be remembered for insisting that Christian identity, “after Auschwitz,” can only be reconstructed and saved together with the Jews and by retrieving the lost or suppressed roots of Christian faith in Judaism.

He will also be remembered for insisting on the importance of spirituality, not only for Christian faith, but for theology itself. One of his early writings, Poverty of Spirit¸ a spiritual classic, is still in print over 50 years after its publication in 1963. He wrote compellingly about the contribution of religious orders in the church, and recently he wrote of the importance of a “mysticism of open eyes,” open to the suffering of others. He mourned the ways that the church has itself created victims but confessed as well that he knew of no way that a genuinely Christian hope could be sustained in today’s culture without an institutional bearer that would stand up for it and represent it. His was not an “easy” or “comforting” theology; but one that provoked, inspired, gave hope.

It is fitting that Metz died on Dec. 2, the 39th anniversary of the murder of four U.S. women missionaries by a terrorist government in El Salvador. For Metz, both faith and theology only achieve their full stature in solidarity with victims and as witnesses to hope against hope. Likewise, it is fitting that he died at the beginning of Advent, the season of hope.

He took his definition of theology not from Anselm’s “faith seeking understanding,” but from the first letter of Peter: “Always be ready to make your defense to anyone who demands from you an accounting of the hope that is in you” (I Pt 3:15).

If Dietrich Bonhoeffer warned against the dangers of cheap grace, perhaps Metz will be remembered for his prophetic warnings against cheap hope: the thin hopes of a consumer culture that, Metz complained, has even abandoned its secular heritage from the Enlightenment of hoping for freedom, equality and fraternity for all humankind.

But he also warned against the narrow Christian hope of one’s individual survival after death. Neither will ultimately console.

The great hopes and the great biblical images of hope, Metz insisted, can only be hoped for others. Only when we hope them for others and act out of that hope, he maintained, can we hope them for ourselves.

Morreu o biblista Larry Hurtado (1943-2019)

Larry Hurtado, notável estudioso do Novo Testamento, professor emérito da Universidade de Edimburgo, Reino Unido, morreu de câncer no dia 25 de novembro de 2019.

Em seu blog, ele diz de si mesmo:

I’m a scholar of the New Testament and Christian origins, with posts in higher education since 1975. In August 2011, I retired from my post as Professor of New Larry Hurtado (1943-2019)Testament Language, Literature & Theology (University of Edinburgh) in which I served from 1996. Prior to that, I was in the Department of Religion, University of Manitoba (Winnipeg). My own research over the decades has focused mainly on the origins and development of “devotion to Jesus” in earliest Christianity, and also on textual criticism and the study of earliest Christian manuscripts as informative artefacts of ancient Christianity. In retirement, I reside in Edinburgh, and continue to pursue my research interests in the area of New Testament & Christian Origins.

No dia 25 de agosto de 2019 reproduzi neste blog um texto dele sobre As origens da devoção a Jesus.

Começo assim: Larry W. Hurtado escreve, em 23 de agosto de 2019, em seu blog, sobre as origens da devoção a Jesus nos primórdios do cristianismo. Um tema no qual ele é especialista.

A seguir algumas homenagens de pessoas que conviveram com ele.

 

A Tribute to Larry Hurtado: Scholar, Doktorvater, and Friend – Michael J. Kruger: Canon Fodder – November 26, 2019

I woke up today to the very sad news that my Doktorvater and friend, Larry Hurtado, had passed away after a long bout with cancer. So, I wanted to take a moment to reflect on the impact he had on my life.

In the fall of 1999, I moved to Edinburgh, Scotland, to begin my Ph.D. work in New Testament and Early Christianity. My move was motivated in part by the great history of the divinity faculty at New College, but primarily by the desire to study with one particular scholar, Larry Hurtado.

Although I was already aware of Larry’s excellent scholarship (that’s why I came, after all), I came to learn how deep and wide his learning really went. Moving effortlessly from textual criticism, to early Christian worship, to Christology, Larry was more than an able guide as my doctoral advisor for the next several years (continua)

 

Remembering Larry Hurtado, Leading Researcher of Early Christian Worship – Holly J. Carey: Christianity Today – November 27, 2019

(…) Larry died of cancer on Monday at the age of 75. He was a remarkable New Testament scholar, and he was my mentor, PhD supervisor, and friend.

Larry’s impact on biblical scholarship was far-reaching. He started his academic career at Regent College, in Vancouver, British Columbia, before moving to the University of Manitoba, in Winnipeg. He was appointed Professor of New Testament Language, Literature, and Theology at the University of Edinburgh in 1996 and established the Centre for the Study of Christian Origins there, focusing on the first three centuries of Christianity.

Larry wrote landmark studies of the Gospel of Mark, and on how ancient Christians manuscripts matter for understanding the New Testament and the early church.

His most groundbreaking work was done on early Christian worship of Jesus. His focus was not only on what Christians believed about Jesus, but on what their actions indicated about their views of Jesus’ divine status. He looked at prayers to Jesus and the use of Jesus’ name to understand how the early church’s worship of Jesus was compatible with Jewish worship of one God (continua)

 

Professor Larry Hurtado (1943-2019) – Helen Bond: The University of Edinburgh – 28 Nov, 2019

Founder of the Centre for the Study of Christian Origins

Larry arrived in Edinburgh in the summer of 1996 to take up the post of Professor of New Testament Language, Literature and Theology. From the first, he impressed staff and students alike with his enthusiasm for the subject and his natural gift for communication. He had an insatiable curiosity and a flair for historical reconstruction that captured the imaginations of those who took his courses. Students would repeat some of his anecdotes and hypothetical discussions of what Paul and Timothy might have said to one another over breakfast – fascinated by the new worlds he was opening up, but slightly worried by his irreverence.

One of the most striking things about Larry was his humility. Despite his glittering academic career, he never forgot his humble roots in Kansas City, Missouri. He earned a BA in Biblical Studies (with highest honours) in 1965 from Central Bible College in Springfield, Missouri. From there he enrolled in Trinity Evangelical Divinity School and earned a M.A. in New Testament (cum laude) in 1967. He continued his studies at Case Western Reserve University (Cleveland, Ohio), receiving his Ph.D. in Religion with an emphasis in New Testament and Christian Origins in 1973. He taught at Regent College, Vancouver, and the Department of Religion at the University of Manitoba, before crossing the Atlantic to take up his position at Edinburgh. Here he served as Head of Department, Postgraduate Director and Dean, besides founding the Centre for the Study of Christian Origins in 1997. At a more national level, his services to the discipline were honoured by a term as President of the British New Testament Society.

Larry belonged to a bygone era of scholars who could turn their hands to almost anything. His first love was text criticism, which he studied under the supervision of Eldon J Epp. He went on to publish a short yet highly insightful commentary on Mark’s Gospel, a book on monotheism, and another on early Christian worship. His ‘magnum opus,’ however, was Lord Jesus Christ: Devotion to Jesus in Earliest Christianity (2003), a distillation of decades of research and discussion with friends and critics of an early, high Christology (ie. the idea that Jesus was worshipped as a God from very early on). Despite its length, the book was listed number two in the Academy of Parish Clergy Top Ten Books of 2004 and among the ‘Books every preacher should read in 2004’ in Preaching. A more popular and condensed version was published under the classically ‘Larry-esque’ title How on Earth Did Jesus Become a God? (2005). In 2006 he was invited by the Smithsonian to assist in coordinating an effort to commemorate the 100th anniversary of the Freer collection, biblical manuscripts of the New Testament and Greek Old Testament dating from the third to fifth centuries CE. His interest in early manuscripts as the earliest Christian artefacts resulted in a further book, and most recently he set himself to explain Christianity’s growth in the ancient world, with yet another eye-catching title, Destroyer of the gods (2016).

(…)

Larry was a man of strong personal faith, and this sustained him through his final illness. Those of us who knew him are privileged to have shared in something of his zest for life and learning. We’ll raise a glass of malt whisky in memory of his friendship, knowing that he’ll be sorely missed.

Professor Larry W. Hurtado, 29 December 1943 – 25 November 2019.

 

Early High Christology and the Legacy of Larry Hurtado (1943–2019) – Greg Lanier: TGC – December 2, 2019

His first blog post—before academic blogging was a thing—featured 18 humble words: “As time permits, I hope to offer some worthwhile comments on early Christianity and perhaps other subjects too” (July 5, 2010). As of today, his blog has more than 2 million pageviews. His name is Larry Hurtado, and on November 26 he went to be with the Lord.

He’s one of the most influential New Testament scholars you’ve probably never heard of.

Hurtado wrote mainly for an academic audience, expressing his views on early Christianity through monographs, articles, and scholarly conferences. (Only in 2018 did he write his first truly popular-level book, Honoring the Son.) I remember the frustration I felt when, long after masters-level studies, I was just discovering his writings. I wondered, Why hadn’t anyone mentioned this guy before? While it’s unfortunate that Hurtado wasn’t more widely accessible to lay audiences, his ideas have still made their way from the academy to the pew through hundreds—if not thousands—of students, scholars, professors, and pastors deeply influenced by his work.

Profound Influence

Despite being born and educated in the Midwest, Hurtado’s academic career began in Canada (1975–1996, Regent College and University of Manitoba) and ended in Scotland (1996–2011, University of Edinburgh). He helped make New College at Edinburgh a powerhouse of biblical studies. He published around a dozen books (as author or editor) and was particularly prolific in shorter, technical writings. Upon his retirement he was named emeritus professor of New Testament language, literature, and theology.

In October 2018, Hurtado announced he’d been diagnosed with AML, a form of leukemia. Initially the treatments seemed effective, but this past summer it returned aggressively. I was one of likely several people whom Hurtado informed that he wouldn’t be able to fulfill some writing-project commitment—for he only had weeks, at most months, to live. Though he remained engaged in writing incisive pieces on his blog as late as a week ago, the University of Edinburgh announced that he died in his sleep on November 26, at the age of 75.

Others who knew Hurtado personally, such as Mike Kruger and Tommy Wasserman, have reflected on their warm relationship with him. I only knew him professionally, and in a limited way. But like many others who knew him from afar, he profoundly influenced me. I wish to reflect on his legacy from that perspective as a way to summarize his effect on scholarship as well as on scholars—both of which will linger for decades to come.

Effect on Scholarship

It’s nearly impossible to summarize more than 45 years of scholarly work for someone as prolific as Hurtado. But there seem to have been three main themes in his work, each of which substantially advanced New Testament (NT) scholarship.

1. Textual criticism and manuscripts

Many familiar with Hurtado are surprised to learn he made contributions to biblical textual criticism ever since completing his PhD in 1973. His main work can be summarized along two lines. In terms of understanding the NT’s wording, Hurtado pushed to re-evaluate long-held positions (e.g., the “Caesarean” text type) and to engage more deeply the textual data. Hurtado was also a pioneer in studying manuscripts as artifacts through which, as a kind of window, we can peer into the early church. He developed important theories about nomina sacra (an abbreviation system for certain words such as “Jesus,” “God,” or “Lord”) and how the early Christian preference for the codex (versus the scroll) may have been shaped by the early church’s worship practices and beliefs. Due to Hurtado’s labors, the case for the integrity of the process by which the NT was copied and passed on has been strengthened.

2. The Gospels and Paul

While not typically considered an exegete or biblical commentator, Hurtado did write one well-received commentary on Mark and has, ever since, been a major voice in Markan studies. His work on the “Son of Man” has been particularly important. But he’s probably made an even larger difference on the study of Paul’s epistles. Though he never, so far as I am aware, picked a side in the New Perspective vs. Old Perspective debates—he was not one to think in terms of “sides” anyhow—Hurtado was nevertheless pivotal in one area. Coming out of an era in which many Pauline scholars saw the apostle as an innovator who, more or less, cloaked pagan concepts in Christian garb, Hurtado pushed strongly in the other direction. Paul, he argued, was less of an innovator and more of a proclaimer of the Hebrew Scriptures, now reoriented around Christ. Hurtado, then, was often viewed as a founding member of a new kind of “history-of-religions” (religionsgeschichte) school of thought, which argues we can only really make sense of Paul (and the Gospels) if we understand his Jewish background and formative influences. This reorientation—which of course isn’t fully attributable to Hurtado, though he was a key voice—has had a comprehensive effect on NT scholarship in recent decades.

3. Early Christology

Hurtado is most famous for his work on “early high Christology.” In an age when many NT scholars believe the idea of Jesus’s divinity evolved rather late in the game, Hurtado was trenchant—for decades!—in his view that it emerged quite early. But he took a different tack on the question: rather than going around in circles about the concepts of early Christians, he focused on their behaviors. Did the early church, and even the apostles, worship Jesus as fully God? Hurtado’s mountain of scholarship on this subject yields one main conclusion: yes, they did. For him, this Christ-shaped pattern of religious devotion not only pushed Christianity beyond Judaism—in his words, it was a kind of “binitarian” mutation of monotheism—but it also shook up a pagan world growing bored with the Caesar cult and pantheon of antiquity. For Hurtado, worship of Jesus is the key sign that what Nicene language later expresses has roots stretching back to the beginning. In the NT guild, this was—and still is—groundbreaking.

Influence on Scholars

A common refrain one hears about Hurtado is that he was respected by NT scholars across the board, even those who disagreed with him. But I want to reflect on his legacy from a slightly different angle. Nearly every NT scholar I know in their 30s or early 40s would, if asked, list Hurtado as one of their top five influences, even if they didn’t know him personally. Why? I can think of four reasons.

1. He’s a godfather of this generation’s work on Christology and textual criticism.

If you follow academic publishers, you’ve likely noticed the seemingly unending stream of dissertations defending—or critiquing—the early roots of divine Christology. And each will invariably interact with the same two scholars: Richard Bauckham and Larry Hurtado (continua)