Literatura Deuteronomista 2020

Lecionar Literatura Deuteronomista é um desafio e tanto. Enquanto as questões da formação do Pentateuco são discutidas há séculos, a noção da existência de uma Obra Histórica Deuteronomista (= OHDtr) só foi formulada muito recentemente, como se pode ver aqui.

Além disso, há dois problemas com a disciplina: carga horária exígua para estudar textos de livros tão complexos como, por exemplo, Josué ou Juízes – a disciplina tem apenas 2 horas semanais durante o primeiro semestre do segundo ano de Teologia – e uma bibliografia ainda insuficiente em português. Há excelente debate acadêmico hoje, contudo está em inglês e alemão, principalmente.

Para completar, prefiro estudar o livro do Deuteronômio aqui e não no Pentateuco, também por duas razões: a disciplina Pentateuco já é por demais sobrecarregada e o Deuteronômio é a chave que abre o significado da OHDtr. Por isso, ele faz muito sentido aqui.

Por outro lado, há uma integração muito grande da Literatura Deuteronomista com três outras disciplinas bíblicas: com a História de Israel, naturalmente; com a Literatura Profética, irmã gêmea; com o Pentateuco, através do elo deuteronômico.

I. Ementa
A Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr) tentará responder aos desafios do presente repensando o passado no final da monarquia e na situação de exílio e pós-exílio. Faz isso percorrendo toda a história da ocupação da terra, desde as vésperas da entrada em Canaã até a derrocada final da monarquia em Israel e Judá.

II. Objetivos
Pesquisar a arquitetura, as ideias basilares e a teologia da Literatura Deuteronomista como uma obra globalizante, e de cada um de seus livros, a fim de dar fundamentos para sua interpretação e atualização.

III. Conteúdo Programático
1. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista
2. O Deuteronômio
3. O livro de Josué
4. O livro dos Juízes
5. Os livros de Samuel
6. Os livros dos Reis

IV. Bibliografia
Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

RÖMER, T.  A chamada história deuteronomista: Introdução sociológica, histórica e literária. Petrópolis: Vozes, 2008.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014.

Complementar
DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 14.01.2019.

FARIA, J. de Freitas (org.) História de Israel e as pesquisas mais recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

GONZAGA DO PRADO, J. L. A invasão/ocupação da terra em Josué: duas leituras diferentes. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 28-36, 2005.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

STORNIOLO, I. Como ler o livro do Deuteronômio: escolher a vida ou a morte. 5. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

Literatura Profética II 2020

A Literatura Profética II é continuação da Literatura Profética I. A carga horária semanal é de 2 horas, no segundo semestre do segundo ano de Teologia.

Ementa
A disciplina aborda os profetas mais significativos de Israel desde o final do reino de Judá até a reconstrução pós-exílica na época persa. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. Jeremias
2. Ezequiel
3. Dêutero-Isaías (Is 40-55)
4. Ageu
5. Zacarias 1-8
6. Trito-Isaías (Is 56-66)

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. O profeta Jeremias: um homem apaixonado. São Paulo: Paulus/CEBI, 2016.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, vol. I: 2004 [3. reimpressão: 2018]; vol. II: 2002 [4. reimpressão: 2015].

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016.

Complementar
DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 14.08.2018.

DA SILVA, A. J. Superando obstáculos nas leituras de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 107, p. 50-62, 2010.

NAKANOSE, S. et alii Como ler o Terceiro Isaías (56-66): novo céu e nova terra. São Paulo: Paulus, 2004 [4. reimpressão: 2019].

WIÉNER, C. O profeta do novo êxodo: o Dêutero-Isaías. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

WILSON, R. R. Profecia e sociedade no antigo Israel. 2. ed. revista. São Paulo: Targumim/Paulus, 2006.

 

Literatura Profética I 2020

Abordarei agora a Literatura Profética I, que é estudada no primeiro semestre do segundo ano de Teologia, com carga horária semanal de 2 horas. A Literatura Profética I trabalha, além de questões globais do profetismo, uma seleção de textos dos profetas do século VIII a.C. O texto que orienta a maior parte do estudo é o meu livro A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. Os profetas dos séculos seguintes são estudados na Literatura Profética II, que vem logo no semestre seguinte.

I. Ementa
A disciplina apresenta, como ponto de partida, uma discussão sobre as origens, o teor e os limites do discurso profético israelita. Busca compreender a necessidade da profecia como resultado da ruptura provocada pelo surgimento do Estado monárquico que pressiona as tradicionais estruturas tribais de solidariedade. Aborda, em seguida, os profetas do século VIII a.C.: Amós, Oseias, Isaías 1-39 e Miqueias. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos. Procura-se identificar em cada um deles a sua função de crítica e de oposição ao absolutismo do Estado classista, em nome da fé em Iahweh, que exige um posicionamento solidário em favor dos mais fracos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas do século VIII a.C. com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. A origem do movimento profético em Israel
2. O teor do discurso profético
3. Os profetas do século VIII a.C.
3.1. Amós
3.2. Oseias
3.3. Isaías 1-39
3.4. Miqueias

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. São Paulo: Paulus, 1998. Atualizado em 2011 e disponível para download na Ayrton’s Biblical Page.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, vol. I: 2004 [3. reimpressão: 2018]; vol. II: 2002 [4. reimpressão: 2015].

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016.

Complementar
DA SILVA, A. J. O livro de Oseias na pesquisa do século XX. Observatório Bíblico – 26 de maio de 2019.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Amós. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 23.01.2017.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías. Disponível a Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 19.11.2019.

SCHWANTES, M. A terra não pode suportar suas palavras“ (Am 7,10): reflexão e estudo sobre Amós. São Paulo: Paulinas, 2012.

SICRE, J. L. Com os pobres da terra: a justiça social nos profetas de Israel. São Paulo: Academia Cristã/Paulus, 2011.

Pentateuco 2020

A disciplina Pentateuco é estudada no segundo semestre do primeiro ano, com carga horária de 4 horas semanais. Há uma profunda crise nesta área de estudos, muito semelhante à crise da História de Israel. A teoria clássica das fontes JEDP do Pentateuco, elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, Wellhausen, vem sofrendo, desde meados da década de 70 do século XX, sérios abalos, de forma que hoje muitos pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. O consenso wellhauseniano foi rompido, contudo, ainda não se conseguiu um novo consenso e muitas são as propostas hoje existentes para explicar a origem e a formação do Pentateuco.

I. Ementa
Oferece ao aluno um panorama da pesquisa exegética na área da formação e composição dos cinco primeiros livros da Bíblia e estuda os seus principais textos.

II. Objetivos
Familiariza o aluno com as tradições históricas de Israel e com as mais recentes pesquisas na área do Pentateuco para que o uso do texto na prática pastoral possa ser feito de forma consciente.

III. Conteúdo Programático
1. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco

2. O Decálogo: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21

3. A criação: Gn 1,1-2,4a e Gn 2,4b-25

4. O pecado em quatro quadros: Gn 3,1-24

5. O dilúvio: Gn 6,5-9,19

6. A cidade e a torre de Babel: Gn 11,1-9

7. As tradições patriarcais: Gn 11,27-37,1

8. O êxodo do Egito: Ex 1-15

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? 20. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2014.

VOGELS, W. Abraão e sua lenda: Gn 12,1-25,11. São Paulo: Loyola, 2000.

Complementar
DA SILVA, A. J. Histórias de criação e dilúvio na antiga Mesopotâmia. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 10.01.2018.

GARCÍA LÓPEZ, F. O Pentateuco. São Paulo: Ave-Maria, 2015.

GRUEN, W. et al. Os dez mandamentos: várias leituras. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 9, 1987.

SCHWANTES, M. et al. A memória popular do êxodo. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 16, 1996.

SKA, J.-L. O canteiro do Pentateuco: problemas de composição e de interpretação/aspectos literários e teológicos. São Paulo: Paulinas, 2016.

História de Israel II 2020

Este curso de História de Israel II compreende 2 horas semanais, com duração de um semestre, o segundo dos oito semestres do curso de Teologia. Os alunos recebem os roteiros de todas as minhas disciplinas do ano em curso nos formatos pdf e html. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel do exílio babilônico ao domínio romano.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica veterotestamentária produzida no período.

III. Conteúdo Programático
1. O exílio babilônico

2. O judaísmo pós-exílico

2.1. O domínio persa

2.2. O domínio grego

2.3. O domínio romano

IV. Bibliografia

Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: a nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

MAZZINGHI, L. História de Israel das origens ao período romano. Petrópolis: Vozes, 2017.

Complementar
DA SILVA, A. J. História de Israel. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 14.12.2019.

GERSTENBERGER, E. S. Israel no tempo dos persas: séculos V e IV antes de Cristo. São Paulo: Loyola, 2014.

HORSLEY, R. A. Arqueologia, história e sociedade na Galileia: o contexto social de Jesus e dos Rabis. São Paulo: Paulus, 2000 [2a. reimpressão: 2017].

KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, 1997. Resumo disponível no Observatório Bíblico.

STEGEMANN, W. Jesus e seu tempo. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2013.

História de Israel I 2020

Este curso de História de Israel I compreende 2 horas semanais, com duração de um semestre, o primeiro dos oito semestres do curso de Teologia. Os alunos recebem os roteiros de todas as minhas disciplinas do ano em curso nos formatos pdf e html. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel desde suas origens até o exílio babilônico.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica veterotestamentária produzida no período.

III. Conteúdo Programático
1. Noções de geografia do Antigo Oriente Médio

2. As origens de Israel

3. A monarquia tributária israelita

3.1. Os governos de Saul, Davi e Salomão

3.2. O reino de Israel

3.3. O reino de Judá

IV. Bibliografia
Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: a nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

MAZZINGHI, L. História de Israel das origens ao período romano. Petrópolis: Vozes, 2017.

Complementar
DA SILVA, A. J. História de Israel. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 14.12.2019.

DONNER, H. História de Israel e dos povos vizinhos. 2v. 7. ed. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2017.

FINKELSTEIN, I. O reino esquecido: arqueologia e história de Israel Norte. São Paulo: Paulus, 2015.

GOTTWALD, N. K. As tribos de Iahweh: uma sociologia da religião de Israel liberto, 1250-1050 a.C. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004.

KAEFER, J. A. A Bíblia, a arqueologia e a história de Israel e Judá. São Paulo: Paulus, 2015 [1. reimpressão: 2018].

Hebraico Bíblico 2020

O curso de Hebraico Bíblico compreende apenas 30 horas no primeiro semestre do primeiro ano de Teologia. É um tempo insuficiente mesmo para a aprendizagem elementar do hebraico bíblico. Por isso o curso se propõe apenas familiarizar o estudante de Teologia com o universo da língua hebraica e o modo semítico de pensar. No transcorrer das aulas os três itens principais – ouvir, ler e escrever – são trabalhados simultaneamente e não sequencialmente. Este curso está disponível para download ou acesso online na Ayrton’s Biblical Page > Noções de Hebraico Bíblico.

I. Ementa
Introdução elementar à língua hebraica bíblica, que parte de um texto específico, Gn 1,1-8, e trabalha com os elementos de ortoépia (pronúncia normal e correta dos sons), ortografia (escrita correta das palavras) e etimologia (formação das palavras e suas flexões) encontrados neste pequeno trecho. O método escolhido foi o de ouvir, ler e escrever a língua hebraica.

II. Objetivos
Trabalha conceitos semíticos importantes para a compreensão do texto bíblico veterotestamentário.

III. Conteúdo Programático
1. Ouvir
Ouvir repetidamente o hebraico, para se acostumar com os sons estranhos. Não há aqui a preocupação em entender. O objetivo é fixar a atenção nos sons e acompanhar o texto de cada versículo, palavra por palavra. Até começar a distinguir onde está o leitor, no caso o cantor.

2. Ler
Nesta seção o objetivo é tentar ler o hebraico. Estão disponíveis, para cada versículo de Gn 1,1-8, a pronúncia, a transliteração e a análise do texto. A pronúncia está bem simplificada, somente chamando a atenção para as tônicas, sem dizer se a vogal é breve ou longa e se o seu som é aberto ou fechado. Já a transliteração, representação dos caracteres hebraicos em caracteres latinos, é mais complexa e tem que ser detalhada.

3. Escrever
Nesta seção é possível aprender algumas regras básicas da gramática hebraica. Regras que permitirão uma escrita mínima de palavras e expressões. Mas a gramática é muito mais do que isto. Há sugestões de gramáticas e dicionários na bibliografia. E há revisões. Uma para cada versículo. As revisões ajudarão o estudante de hebraico verificar o seu nível de absorção do ouvir, do ler e do escrever. Poderão servir igualmente para as avaliações da disciplina.

IV. Bibliografia
Básica
FARFÁN NAVARRO, E. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Loyola, 2010.

LAMBDIN, T. O. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Paulus, 2003 [5. reimpressão: 2016].

MENDES, P. Noções de hebraico bíblico: texto programado. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 2011.

Complementar
DA SILVA, A. J. Noções de hebraico bíblico. Brodowski, 2001. Disponível para leitura online e download na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 13.12.2019.

DA SILVA, A. J. Recursos para aprender hebraico – Na Play Store (Android) e no YouTube. Observatório Bíblico – 29 de julho de 2018.

ELLIGER, K.; RUDOLPH, W. Biblia Hebraica Stuttgartensia. 5. ed. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, [1967/1977], 1997. A BHS está disponível também online ou para download gratuito.

KIRST, N. et alii Dicionário hebraico-português e aramaico-português. 33. ed. São Leopoldo/Petrópolis: Sinodal/Vozes, 2018.

ORTIZ, P. Dicionário do hebraico e aramaico bíblicos. São Paulo: Loyola, 2010.

Preparando meus programas de aula para 2020

Estou, nestes dias, preparando meus programas de aula de Bíblia para 2020. Começo a publicá-los no Observatório Bíblico. A intenção é de que possam servir, para além de meus alunos, a outras pessoas que, eventualmente, queiram ter uma noção de como se estuda a Bíblia em determinadas Faculdades de Teologia. Ou, pelo menos, parte da Bíblia, porque posso expor apenas os programas das disciplinas que leciono. Tomo aqui como referência o currículo do CEARP, onde trabalho. Já fiz isso em outros anos.

Quatro elementos serão levados em conta, em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional:

:: contextos da época bíblica
:: produção dos textos bíblicos
:: contextos atuais
:: leitores atuais dos textos

O sentido da Escritura, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos específicos.

Ou seja: “Da Escritura não se esperam fórmulas a ‘copiar’, ou técnicas a ‘aplicar’. O que ela pode nos oferecer é antes algo como orientações, modelos, tipos, diretivas, princípios, inspirações, enfim, elementos que nos permitam adquirir, por nós mesmos, uma ‘competência hermenêutica’, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos, ‘segundo o senso do Cristo’, ou ‘de acordo com o Espírito’, das situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados. As Escrituras cristãs não nos oferecem um was [que], mas um wie [como]: uma maneira, um estilo, um espírito. Tal comportamento hermenêutico se situa a igual distância tanto da metafísica do sentido (positivismo) quanto da pletora das significações (biscateação). Ele nos dá a chance de jogar a sério o círculo hermenêutico, pois que é somente neste e por este jogo que o sentido pode despertar” explica BOFF, C. Teologia e Prática: Teologia do Político e suas mediações. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 266-267.

As disciplinas de Bíblia no curso de graduação em Teologia podem, segundo este modelo, ser classificadas em três áreas:

1. Disciplinas Contextuais:
:: História de Israel I e II

2. Disciplinas Instrumentais:
:: Introdução à Sagrada Escritura
:: Hebraico Bíblico
:: Grego Bíblico

3. Disciplinas Exegéticas:
:: Pentateuco
:: Literatura Profética I e II
:: Literatura Deuteronomista
:: Literatura Sapiencial
:: Sinóticos e Atos dos Apóstolos
:: Literatura Paulina
:: Literatura Joanina
:: Apocalipse

—————————————-
Destas disciplinas, leciono:

No primeiro semestre:
:: História de Israel I: 2 hs/sem.
:: Hebraico Bíblico: 2 hs/sem.
:: Literatura Profética I: 2 hs/sem.
:: Literatura Deuteronomista: 2 hs/sem.

No segundo semestre:
:: História de Israel II: 2 hs/sem.
:: Pentateuco: 4 hs/sem.
:: Literatura Profética II: 2 hs/sem.

Leia Mais:
Hebraico Bíblico 2020
História de Israel I 2020
História de Israel II 2020
Pentateuco 2020
Literatura Profética I 2020
Literatura Profética II 2020
Literatura Deuteronomista 2020

Arqueologia, pesquisa bíblica e antigo Israel

Um artigo

Archaeology, Biblical Research and Ancient Israel – By Margreet Steiner: The Bible and Interpretation – December 2019

Introdução

Quase toda semana as manchetes falam de novas descobertas que supostamente confirmam as histórias contadas na Bíblia: o palácio do rei Davi foi encontrado, uma inscrição mencionando o gigante Golias, um selo que pertenceu à rainha Jezabel, um texto em que o profeta Balaão adverte e amaldiçoa. Mas quão confiáveis ​​são esses relatos? É possível conectar com segurança achados arqueológicos e textos bíblicos? As histórias sensacionalistas chegam à Internet e aos jornais, mas, por outro lado, os comentários críticos enviados por outras pessoas recebem muito menos atenção.

Parecia que era hora de escrever um livro para o público em geral preencher essa lacuna. Um livro que não apenas explora como os textos bíblicos retratam as pessoas que habitam a Terra Prometida e as cidades e templos que construíram, mas também mostra o que a pesquisa arqueológica revela sobre a terra, seu povo e os modos como eles viveram suas vidas. Um livro que leva o leitor até onde a arqueologia e os textos bíblicos se encontram, e que explica como interpretar as correspondências e as diferenças.

Esforcei-me por escrever esse livro com base em muitos anos de experiência dando palestras para pessoas interessadas no que costumava ser chamado de Margreet L. Steiner“arqueologia bíblica”. Este livro não pretende confirmar a Bíblia nem o contrário. O objetivo é explorar textos antigos, bem como os resultados de dezenas de anos de pesquisa arqueológica. As informações são coletadas de inscrições reais e cerâmicas, de histórias bíblicas heroicas e santuários escavados, de nomes mencionados em textos e ossos encontrados. Juntas, essas fontes nos permitem uma compreensão mais profunda das pessoas que habitam a terra antiga.

Agradeço a oportunidade oferecida pelos editores deste site para explicar como me posicionei sobre esse projeto. O artigo é uma versão ligeiramente adaptada e abreviada do capítulo 2 do livro Inhabiting the Promised Land: Em busca de Abraão e seus descendentes.

(…)

Epílogo

Tantas histórias bíblicas, tantas escavações e achados, tantas inscrições, tantas opiniões e interpretações diferentes. O leitor deste livro agora seria capaz de “ler” as histórias bíblicas à luz dos resultados das escavações? Ou relacionar os achados arqueológicos com as informações extraídas da Bíblia? Provavelmente não. Mas talvez isso tenha sido esclarecido: versículos bíblicos e achados arqueológicos não podem simplesmente ser sobrepostos. Os resultados das escavações não podem e não confirmam as histórias da Bíblia, até mesmo porque os objetivos da pesquisa em arqueologia são completamente diferentes do significado da Bíblia.

A pesquisa arqueológica busca encontrar traços das pessoas que habitaram a terra e daí deduzir os sistemas sociais, econômicos, religiosos e políticos em que viviam. E sim, às vezes é possível vislumbrar seu desenvolvimento histórico. O significado da Bíblia não é descrever a vida dos povos e a história de seus reinos, mas mostrar como Deus interveio nessas vidas e histórias. As histórias bíblicas foram escritas para comunicar essa ideia central, não para serem “verdadeiras”. Isso não significa que nenhum componente historicamente confiável esteja presente nos relatos. Significa que a arqueologia e a Bíblia abordam o antigo Israel e seu povo de ângulos completamente diferentes. Às vezes, convergem, mas muitas vezes não.

Na melhor das hipóteses, os resultados de uma escavação podem fornecer uma imagem da situação material, das condições de vida na região em que as histórias bíblicas são apresentadas. E, às vezes, as histórias bíblicas podem dar uma ideia dos pensamentos e sentimentos das pessoas que viveram na Idade do Ferro, mesmo que essas histórias tenham sido escritas muito depois do fato.

Espero que, depois de ler este livro, o leitor fique desconfiado ao ouvir, mais uma vez, que a arqueologia confirma a Bíblia, que finalmente uma inscrição escavada realmente prova que Davi matou Golias ou que os arqueólogos encontraram o palácio da rainha Jezabel. Espero que ele ou ela pense comigo: Não, não é isso que a arqueologia faz ou pode fazer. A relação entre arqueologia e a Bíblia é muito mais complicada do que estas manchetes sensacionalistas transmitem.

 

Almost weekly, headlines shout out new findings that supposedly confirm the stories told in the Bible. The palace of King David has been found, an inscription mentioning the giant Goliath, a seal that once belonged to Queen Jezebel, a text in which the prophet Balaam cautions and curses. But how reliable are these accounts? Is it even possible to connect archaeological finds and biblical texts that unambiguous? The exultant stories reach the Internet and the newspapers; the critical comments forwarded by others get much less attention.

It seemed high time to write a book for the general public to fill in this lacuna. A book that not only explores how the biblical texts depict the people inhabiting the Promised Land and the towns and temples they built but that also shows what archaeological research reveals of the land, its people, and the ways they lived their lives. A book that takes the reader to where archaeology and biblical texts meet, and that explains how to interpret the correspondences and differences.

I have endeavored to write that book, based on many years of experience giving lectures for people interested in what used to be called “biblical archaeology.” This book does not set out to confirm the Bible nor the opposite. It aims to explore ancient texts as well as the results of dozens of years of archaeological research. Information is gleaned from royal inscriptions and mundane cooking pots, from heroic biblical stories and excavated shrines, from names mentioned in texts and pig bones in the ground. Together, these sources allow us a deeper understanding of the people inhabiting the ancient land.

I appreciate the opportunity offered by the editors of this website to explain how I set about this project. The following is a slightly adapted and shortened version of chapter 2 of the book: In search of Abraham and his descendants.

(…)

Epilogue

So many Bible stories, so many excavations and finds, so many inscriptions, and so many different opinions and interpretations. Would the reader of this book now be capable to “read” the biblical stories in the light of the results of excavations? Or relate the archaeological finds to the information extracted from the Bible? Probably not. But maybe this has been made clear: biblical verses and archaeological finds cannot simply be superimposed. Results from excavations cannot and do not confirm stories from the Bible, if only because archaeology’s research aims are completely different from the Bible’s meaning.

Archaeological research sets out to find traces of the people inhabiting the land and from that deduce the social, economic, religious and political systems in which they lived. And yes, sometimes it is possible to glimpse their historical development. The Bible’s meaning is not to describe the lives of the peoples and the history of their kingdoms but to show how God intervened in those lives and histories. The stories were once written down to communicate this central idea, not to be “true.” That does not mean that no historically reliable components are present in the stories; it means that archaeology and the Bible approach the ancient land and its people from completely different angles. Sometimes they converge, but often they do not.

In the best of times, excavation results can provide a picture of the tangible situation “on the ground,” of the living conditions in the region in which the biblical stories are set. And – sometimes – the biblical stories can give insight into the thoughts and feelings of the people living in the Iron Age, even if these stories were written down long after the fact.

I hope that after reading this book, the reader will take a step back when hearing once again that archaeology confirms the Bible, that this time an excavated inscription really proves that David slew Goliath, or that archaeologists have found the palace of Queen Jezebel. I hope that s/he – with me – thinks: No, that is not what archaeology does or can do. The relationship between archaeology and the Bible is much more complicated than is presented here.

 

Um livro

 

STEINER, M. L. Inhabiting the Promised Land: Exploring the Complex Relationship between Archaeology and Ancient Israel as Depicted in the Bible. Oxford: Oxbow Books, 2019, 192 p. – ISBN 9781789253306

Para muitas pessoas parece evidente: as ações e crenças do antigo Israel são descritas na Bíblia. As histórias sobre seus povos e reis, lutas e guerras, divindades e santuários devem ter sido contadas e recontadas ao longo dos tempos e registradas em arquivos antigos. Em um determinado momento, essas histórias foram reunidas na Bíblia, que, assim, se torna história. No entanto, desde o século 19, pelo menos, os estudiosos duvidaram da confiabilidade histórica de muitas histórias bíblicas, e as pesquisas arqueológicas dificilmente conseguiram confirmar sua historicidade. O objetivo deste livro é descrever o relacionamento muitas vezes complicado entre arqueologia e Bíblia. Não é um livro sobre ‘arqueologia bíblica’, e a arqueologia não é usada para ilustrar as histórias bíblicas, muito menos para provar que a Bíblia está certa. Pelo contrário, concentra-se nas informações que a arqueologia pode fornecer sobre as vidas e crenças dos povos antigos que habitavam a terra em que a Bíblia foi escrita e na questão de como essas informações se relacionam com as histórias bíblicas. O objetivo é fornecer alguns exemplos de como essa interação entre arqueologia e histórias bíblicas funciona e como interpretar a discrepância que possa existir entre os resultados da pesquisa arqueológica e a narrativa bíblica. Assim, oferece uma introdução ao campo do ponto de vista de um arqueólogo. O livro é destinado ao público em geral e também será de interesse para estudiosos da Bíblia, historiadores e professores, bem como arqueólogos de outros campos. Difere do livro não acadêmico médio sobre esse assunto, pois é mais pessoal, mais eclético e mais arqueológico. As análises da edição holandesa [Op zoek naar …: de gecompliceerde relatie tussen archeologie en de Bijbel, 2015] elogiam o estilo apaixonado e a maneira como o livro se concentra no processo científico de pesquisar problemas, em vez de encontrar respostas e apresentar a solução.

Margreet L. Steiner (Doutora em Arqueologia do Antigo Oriente Médio pela Universidade de Leiden, Holanda) é uma pesquisadora independente. Fez publicações finais das escavações de Kathleen Kenyon em Jerusalém e é co-editora do livro The Oxford Handbook of Archaeology of the Levant (10.000 – 350 AEC), de 2014. Nos últimos trinta e cinco anos, ela participou ou dirigiu escavações na Jordânia, Síria, Líbano e Territórios Palestinos. Atualmente, ela é co-diretora das retomadas escavações de Tell Abu Sarbut, na Jordânia.

 

For many people it is clear: the actions and beliefs of Ancient Israel are described in the Bible. The stories about its peoples and kings, struggles and wars, deities and shrines, are supposed to have been told and retold throughout the ages and recorded in ancient archives. At a certain moment in time these stories have been assembled in the Bible which becomes history. However, from the 19th century at least, scholars have doubted the historical reliability of many biblical stories, and archaeological research has hardly been able to confirm their historicity. The aim of this book is to describe the often-complicated relationship between archaeology and the Bible. It is not a book on `biblical archaeology’, and archaeology is not used to illustrate the biblical stories, let alone to prove that the Bible is right. On the contrary, it focuses on the information that archaeology can provide of the lives and beliefs of the ancient peoples that inhabited the land in which the Bible was written, and on the question of how this information relates to the biblical stories. It aims at providing some examples of how this interplay of archaeology and biblical stories works, and how to interpret the discrepancy that may exist between the results of archaeological research and the biblical narrative. It thus offers an introduction into the field from the standpoint of an archaeologist. The book is intended for the general public, and will also be of interest to biblical scholars, historians and teachers, as well as archaeologists in other fields. It differs from the average non-scholarly book on this subject in that it is more personal, more eclectic, more archaeological. Reviews of the Dutch edition [Op zoek naar …: de gecompliceerde relatie tussen archeologie en de Bijbel, 2015] praise the passionate style and the way it focuses on the scientific process of researching problems, instead of on finding answers and presenting the solution.

Table of ContentsSTEINER, M. L. Inhabiting the Promised Land: Exploring the Complex Relationship between Archaeology and Ancient Israel as Depicted in the Bible. Oxford: Oxbow Books, 2019

List of figures
Prologue
1. In search of … archaeology and the Bible
2. In search of … Abraham and his descendants
3. In search of … Saul and the days of the Judges
4. In search of … Goliath, the Philistine
5. In search of … David and Solomon
6. In search of … Jezebel and the House of Omri
7. In search of … Mesha of Moab
8. In search of … Jehoiachin and the Exile
9. In search of … the prophet Balaam
10. In search of … the goddess Asherah
11. In search of … the temple of Jerusalem
Epilogue
Further reading

Margreet L. Steiner (University of Leiden, 1994) is an independent scholar in Leiden, The Netherlands. She has produced final publications of Kathleen Kenyon’s excavations in Jerusalem and is the co-editor of The Oxford Handbook of the Archaeology of the Levant (10.000 – 350 BCE). For the past thirty-five years she has participated in or directed excavations in Jordan, Syria, Lebanon and the Palestinian Territories. Currently she is co-director of the renewed excavations of Tell Abu Sarbut, Jordan. Margreet Steiner has published widely on the archaeology of the Levant.