A codicologia é o estudo da estrutura física do livro. Frequentemente chamada de “arqueologia do livro”, concentra-se nos materiais (pergaminho, papel, pigmentos, tintas etc.) e nas técnicas utilizadas na confecção de livros, incluindo sua encadernação.
A biocodicologia é o estudo da informação biológica armazenada em manuscritos. Seu objetivo é expandir o campo da codicologia, incluindo técnicas b
iomoleculares, para melhor compreender como os manuscritos foram produzidos e utilizados ao longo da história e como isso pode contribuir para aprimorar nossa visão do passado.
Biocodicologia é uma disciplina científica emergente e não invasiva que analisa informações biomoleculares — especificamente DNA, proteínas e o microbioma — armazenadas em manuscritos históricos em pergaminho. Ao examinar o pergaminho como um artefato biológico, e não apenas como um suporte de texto, os pesquisadores podem identificar as espécies animais, as práticas de manejo do gado e as origens geográficas dos manuscritos. Este campo combina humanidades com ciências naturais, proporcionando uma compreensão mais profunda da história material dos manuscritos.
Como a ciência forense do DNA está transformando os estudos de manuscritos antigos – Por Marla Broadfoot & Nature magazine – Scientific American: 12.04.2026
Cientistas estão revelando informações biológicas ocultas em pergaminhos antigos sem deixar vestígios.
Em maio de 2006, Tim Stinson viajou para a Inglaterra para visitar as bibliotecas de Londres, Oxford e Cambridge. Na época, ele estava editando um poema do século XIV para seu doutorado na Universidade da Virgínia, em Charlottesville, e depois de meses debruçado sobre cópias granuladas em microfilme, estava ansioso para ter em mãos um original. Durante uma visita à Biblioteca Bodleiana de Oxford — um lugar tão mágico que cenas dos filmes de Harry Potter foram filmadas lá — ele finalmente recebeu um dos manuscritos que o levara a viajar tanto para ver. Mas ele ficou tão fascinado pelo livro físico que o texto contido nele se tornou secundário.
O volume tinha cerca de seis séculos, encadernado em couro marrom gasto e composto por 266 folhas amareladas de pergaminho cuidadosamente trabalhado. Apresentava marcas de uso intenso — manchas tênues marcavam as páginas e as bordas estavam desgastadas pelo manuseio repetido.
“Tinha sua própria biografia, sua própria história profunda. Parecia um sítio arqueológico entre capas”, recorda Stinson, que agora é medievalista na Universidade Estadual da Caro
lina do Norte, em Raleigh. “O pergaminho tinha até um leve cheiro de animal, embora agradável.”
Stinson questionou se o DNA poderia sobreviver nas peles de animais usadas para fazer as páginas do livro e se esse DNA poderia oferecer novas maneiras de datar e contextualizar manuscritos além dos marcadores convencionais de caligrafia e dialeto. Seu irmão, um biólogo, disse que isso era teoricamente possível, mas alertou que os obstáculos tecnológicos eram enormes. As tecnologias necessárias — métodos de sequenciamento de nova geração e ferramentas computacionais associadas para decifrar os dados — ainda estavam em seus primórdios. Mesmo que existissem técnicas viáveis, era improvável que os conservadores permitissem a coleta destrutiva de amostras de artefatos culturais insubstituíveis.
Quase duas décadas depois, essa curiosidade ajudou a dar origem a um novo campo. O desenvolvimento de métodos de amostragem não destrutivos, juntamente com os avanços em genômica e proteômica, tornou possível extrair informações biológicas de pergaminhos antigos sem danificá-los visivelmente. A disciplina emergente — conhecida como biocodicologia — combina biologia molecular com codicologia, o estudo dos livros como objetos materiais.
Os resultados estão transformando a forma como os estudiosos entendem a história da humanidade. Ao analisar pergaminhos, os pesquisadores estão descobrindo evidências de redes comerciais, criação de animais, práticas médicas e rituais, mudanças climáticas, epidemias e inundações.
Nesse processo, descobriram que os pergaminhos antigos preservam mais do que apenas palavras.
Um arquivo biológico
Durante a Idade Média, o pergaminho era o principal material de escrita na Europa, usado para tudo, desde registros legais a textos sagrados. Era feito mergulhando peles de animais em cal, esticando-as em molduras e raspando-as até ficarem finas enquanto secavam. Mesmo depois de centenas de anos, o pergaminho conserva vestígios sutis desse processo: padrões de folículos capilares no lado do pelo, texturas mais lisas no lado da carne e variações que estudiosos experientes conseguem ler quase intuitivamente. Sua durabilidade faz dos manuscritos medievais objetos históricos preciosos.
Em um artigo de 2009, Stinson argumentou que os manuscritos em pergaminho representam um registro anual da vida animal e das interações entre humanos e animais ao longo de um milênio. Por que, ele perguntou, os zooarqueólogos estavam focados em escavar ossos quando um vasto arquivo faunístico, precisamente datado, permaneceu nas prateleiras das bibliotecas por séculos?
A ideia chamou a atenção de Matthew Collins, um arqueólogo biomolecular com atuação conjunta na Universidade de Copenhague e na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Collins foi pioneiro em uma técnica conhecida como zooarqueologia por espectrometria de massa (ZooMS = Zooarchaeology by Mass Spectrometry) para identificar as espécies animais de ossos antigos. A ZooMS funciona analisando fragmentos de colágeno tipo I, a principal proteína estrutural da pele, dentes e ossos. Variações específicas de cada espécie no colágeno produzem “impressões digitais” moleculares distintas quando medidas em um espectrômetro de massa.
Collins recorda um projeto de escavação na Escócia, no qual sua equipe analisou mais de mil fragmentos ósseos. Após três anos, eles conseguiram identificar com segurança apenas 29 animais. “Foi um projeto realmente decepcionante”, diz ele. Quando percebeu que o pergaminho era feito de um material semelhante, rico em colágeno — e que os manuscritos geralmente indicam quando e onde foram produzidos — Collins ficou ansioso para explorar seu potencial científico.
Sem deixar vestígios
Sarah Fiddyment estava concluindo seu doutorado em proteômica cardiovascular na Universidade de Zaragoza, na Espanha, quando uma palestra fortuita sobre a aplicação de técnicas científicas ao patrimônio cultural a inspirou a fazer um pós-doutorado com Collins. Collins pediu que ela desenvolvesse um método para identificar as espécies animais em pergaminhos. Fiddyment planejava obter amostras raspando uma fina tira da borda do manuscrito. Mas, ao chegar ao Instituto Borthwick de Arquivos em York, no Reino Unido, os conservadores se recusaram a deixá-la aproximar uma faca dos documentos. “Na prática, me vi diante de um projeto de dois anos que não iria acontecer.”
O impasse refletia um
a antiga divisão entre as ciências e as humanidades — o que o romancista e físico britânico C. P. Snow chamou de problema das duas culturas. Os cientistas estão acostumados a perfurar núcleos de fósseis ou a cortar penas, enquanto os estudiosos de manuscritos normalmente consideram até mesmo o menor dano a uma página medieval um anátema. Qualquer método de amostragem do material biológico no pergaminho teria, portanto, que superar um obstáculo excepcionalmente grande: seus efeitos precisariam ser praticamente invisíveis, mesmo sob um microscópio.
Collins recorda aquele momento tenso nos arquivos de Borthwick como um ponto de virada. “’Não’ é uma palavra realmente poderosa para cientistas”, diz ele, “porque nos faz pensar além dos limites”. Fiddyment passou um mês nos arquivos observando os conservadores. Ela notou que eles rotineiramente limpavam o pergaminho usando borrachas brancas e grossas, daquelas que encontramos em muitas carteiras de escolas primárias. Então, ela perguntou se poderia ficar com as migalhas de borracha. “Esses pequenos fragmentos que você gera ao soprar, esses são os pedaços que eu coletei, e descobrimos que funcionou maravilhosamente bem.”
As migalhas, que mais tarde chamaram de “erdu” (abreviação de “eraser dust” = pó de borracha), revelaram-se ouro molecular. Quando uma borracha de cloreto de polivinila é pressionada sobre pergaminho, a eletricidade estática levanta partículas microscópicas da superfície, incluindo colágeno e vestígios de DNA. Fiddyment analisou as migalhas que coletou usando uma versão do protocolo ZooMS que ela chamou de eZooMS.
Fiddyment testou sua abordagem em “Bíblias de bolso” do século XIII, cujas páginas finíssimas eram tradicionalmente consideradas feitas com peles de animais como esquilos e coelhos. Sua análise mostrou o contrário. O pergaminho era feito dos materiais mais comuns: peles de bezerro, cabra ou ovelha. Essa descoberta destacou não o uso de materiais incomuns, mas sim a extraordinária habilidade artesanal envolvida.
Mas outros estudos levantaram mais perguntas do que respostas. Stinson relembra o primeiro livro em que trabalhou com Fiddyment e Collins: uma cópia brilhante do Evangelho de São Lucas, do século XII. Para seu olhar experiente, o manuscrito parecia ser feito inteiramente de pele de bezerro. “Quando os resultados chegaram, todos ficaram perplexos”, diz ele. Os testes revelaram uma alternância deliberada entre pele de bezerro e pele de carneiro. Pele de cabra também estava presente, mas apenas imediatamente após a parábola do filho pródigo, que inclui a única menção a um cabrito no texto [Lc 15,29]. “Agora, pode ser uma coincidência, não sabemos”, diz Stinson. “Mas este livro é profundamente estranho.”
Leitura de resíduos
Embora eficaz, o método é trabalhoso. Consiste em esfregar o mesmo pedaço de pergaminho até que migalhas suficientes se acumulem para preencher o fundo de um tubo de microcentrífuga. Na biblioteca de livros raros da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, Stinson passou dias analisando um único volume. “Honestamente”, diz ele, “depois de dois dias fazendo isso, fico com tendinite no cotovelo.”
Na busca por alternativas menos punitivas, Stinson fez parceria com sua colega Kelly Meiklejohn, uma cientista forense cuja experiência inclui um pós-doutorado no Laboratório do FBI em Quântico, Virgínia. Lá, ela desenvolveu métodos para identificar plantas e fungos tóxicos que haviam sido usados como potenciais armas biológicas. Estes frequentemente se encontravam em forma de pó e desprovidos de características identificadoras óbvias.
A equipe testou uma série de métodos não destrutivos em manuscritos antigos comprados online. Algumas ideias foram descartadas rapidamente: a borda sem corte de uma faca de manteiga, ferramentas forenses para coleta de fibras usadas em cenas de crime e até mesmo fita adesiva de lagartixa, que possui saliências microscópicas que permitem sua adesão a superfícies sem o uso de adesivos químicos. Embora tecnicamente não destrutiva, a fita aderiu repetidamente às pinças e tubos de laboratório e continha vestígios de DNA bovino, presumivelmente provenientes do processo de fabricação.
Por fim, os pesquisadores se concentraram em duas abordagens não destrutivas: borrachas e escovas citológicas macias, as ferramentas descartáveis usadas em testes de rastreio do câncer do colo do útero. As comparações mostraram que as escovas eram mais fáceis de usar e recuperavam o DNA com a mesma eficácia que as borrachas.
O DNA extraído do pergaminho geralmente se fragmenta em pedaços minúsculos e está presente em quantidades muito baixas para serem detectadas por meio de ensaios padrão. Mas “prosseguimos com todas as amostras”, afirma Meiklejohn, porque seu laboratório utiliza um fluxo de trabalho forense desenvolvido especificamente para esse tipo de material genético.
Sua equipe converte o DNA em bibliotecas de sequenciamento e utiliza uma técnica conhecida como captura por hibridização para extrair sequências animais de interesse. “Iscas” magnéticas de RNA, projetadas para corresponder aos genomas mitocondriais de espécies comumente usadas em pergaminho, se ligam ao DNA alvo, mesmo quando as sequências diferem em até 20% das referências genômicas modernas. O material enriquecido é então sequenciado e mapeado em um painel de 16 genomas de referência, incluindo os de humanos, cães, porcos e várias espécies de cervos.
Na tela do computador, os resultados aparecem como uma pilha densa e escalonada de barras horizontais coloridas — pequenos trechos de DNA antigo que se alinham, de forma imperfeita, mas convincente, com referências modernas. Em testes repetidos, os resultados obtidos com o método de escovação corresponderam às identificações de espécies conhecidas e, muitas vezes, superaram as expectativas.
No entanto, essa abordagem tem suas peculiaridades logísticas. Quando Meiklejohn teve dificuldades para encontrar as escovas de citologia adequadas antes de uma viagem de pesquisa planejada para o Reino Unido, ela aproveitou a coincidência de sua consulta ginecológica anual para perguntar onde elas eram compradas. A clínica se ofereceu para fornecer alguns pacotes, mas outro fornecedor acabou atendendo à sua solicitação.
Além das espécies
Em colaboração com a Universidade Duke, a equipe aplicou sua técnica de citologia por escovação a documentos de diferentes épocas e lugares, coletando amostras de pergaminhos do século VIII ao XX, originários da Europa, Norte da África e Oriente Médio. Os resultados, ainda não publicados, baseiam-se em 351 amostras retiradas de 91 manuscritos. Os pesquisadores identificaram a espécie de origem em 58% dos casos. A maioria das amostras era de ovelhas, seguida por bovinos e caprinos
, com uma única amostra curiosa indicando pele de porco. Eles descobriram que a escolha da espécie geralmente seguia padrões regionais; por exemplo, ovelhas eram a principal espécie utilizada na Inglaterra e caprinos nas regiões mediterrâneas.
Um Novo Testamento grego do século XIII apresentou uma correspondência tentadora com o veado-vermelho (Cervus elaphus hippelaphus), mas o sinal ficou um pouco aquém do limiar necessário para uma identificação definitiva.
Durante uma visita à Duke, acompanhei Stinson enquanto ele coletava amostras adicionais daquele misterioso manuscrito. Em uma sala de leitura silenciosa, Andrew Armacost, curador de coleções de livros raros, havia disposto vários volumes de manuscritos medievais sobre uma longa mesa sob uma luz clara e uniforme. As páginas dos livros estavam repletas de uma caligrafia elegante em tinta preta e vermelha — algumas encadernadas em couro escuro e rachado, outras reduzidas a folhas soltas. Enquanto observávamos, Stinson colocou luvas, programou um cronômetro e passou delicadamente um pincel em lentos círculos sobre uma área em branco do pergaminho por um minuto, antes de quebrar a ponta do pincel e guardá-la em um tubo.
Armacost teve que recusar pedidos de amostragem destrutiva de projetos promissores, por não querer ver sequer um centímetro cortado da coleção. Ele está entusiasmado com a adoção de métodos não destrutivos e curioso para saber o que eles podem revelar. “Sempre pensamos nos pergaminhos como recursos textuais”, diz ele, “mas talvez eles tenham muitas outras histórias para contar também.”
Um campo em expansão
Essas histórias estão começando a vir à tona. Hoje, os cientistas conseguem determinar o sexo dos animais de origem, classificar raças específicas e detectar patógenos. Por exemplo, pesquisadores detectaram varíola ovina em diversas amostras de pergaminho. Como o vírus evolui lentamente — cerca de uma mutação a cada dois anos — os cientistas podem usar análises filogenéticas para datar uma determinada cepa com uma margem de erro de aproximadamente 50 anos.
A biocodicologia também pode permitir que os cientistas reconstruam como os manuscritos antigos eram manuseados e os ambientes em que circulavam.
O sal, por exemplo, era essencial para a produção de pergaminho na Idade Média. Como diferentes regiões dependiam de tipos distintos de sal, as bactérias halófilas, ou amantes do sal, presentes nas peles podem servir como marcadores geográficos . Até mesmo os danos causados por insetos contam uma história. Os “bichos-de-livro” são, na verdade, as larvas de vários besouros que penetram nas encadernações de livros medievais. Os orifícios de saída e o DNA deixado pelas larvas revelam onde os insetos — e os livros — existiam. Notavelmente, a distribuição desses besouros acompanha de perto as fronteiras geográficas da Reforma Protestante. “Nós os chamamos de besouros protestantes e católicos”, diz Stinson.
Métodos não destrutivos também podem revelar práticas raramente documentadas em textos. Fiddyment usou o eZooMS para coletar amostras de resíduos de um cinto de parto medieval, um talismã religioso usado para proteger as mulheres durante a gravidez e o parto. De um cinto do final do século XV, ela recuperou vestígios de fluido cervicovaginal, bem como evidências de leite de cabra, ovos, mel e várias espécies de plantas — ingredientes extraídos de receitas medievais para o parto. “Foi a primeira evidência direta”, diz Fiddyment, “de que as pessoas realmente o usavam.”
Alguns cientistas estão até mesmo utilizando a biocodicologia na ciência climática. Para reconstruir padrões históricos de precipitação, o grupo de Collins desenvolveu uma técnica de sucção baseada em solventes para extrair lipídios de pergaminhos antigos. Os isótopos de oxigênio preservados nos lipídios registram os níveis de precipitação e temperatura do passado, permitindo que os pesquisadores detectem eventos climáticos globais, como o “ano sem verão” de 1816, que se seguiu à erupção vulcânica do Monte Tambora, na Indonésia, em 1815. Em grande escala, Collins sugere que o pergaminho poderia rivalizar com os anéis de crescimento das árvores como um arquivo climático.
O futuro
Mas a capacidade de investigar questões tão abrangentes varia bastante. Enquanto pesquisadores nos Estados Unidos enfrentaram perdas abruptas de financiamento, a Europa investiu mais de € 20 milhões (US$ 23 milhões) em biocodicologia por meio de iniciativas do Conselho Europeu de Pesquisa, como Beasts to Craft e CODICUM. Collins afirma que algumas agências de financiamento valorizam o desenvolvimento de tecnologias avançadas, em parte porque os métodos desenvolvidos para manuscritos
antigos podem ter aplicações mais amplas em problemas modernos, como segurança alimentar, medicina e ciência forense.
Stinson perdeu sua bolsa do National Endowment for the Arts dos EUA, mas conseguiu fazer outra viagem de pesquisa ao Reino Unido em junho passado, usando financiamento de sua universidade. Desta vez, ele visitou o Norfolk Record Office em Norwich, onde coletou 100 amostras de pincéis de registros históricos de tribunais senhoriais. O volume de material biológico disponível era impressionante: o arquivo contém 1,7 milhão de itens em pergaminho, muito mais do que ele poderia esperar amostrar em toda a sua vida. “Este é apenas um condado”, diz ele. Os Arquivos Nacionais do Reino Unido em Londres “têm quilômetros e quilômetros” de prateleiras de pergaminho. “Estamos falando de um arquivo faunístico gigantesco. Ninguém jamais o imaginou dessa forma.”
No escritório de Norfolk, Stinson recebeu um crachá que lhe permitia circular livremente pelas instalações, com a clara advertência de que, se um alarme fosse acionado, ele teria apenas alguns instantes para sair antes que o sistema de supressão de incêndio consumisse todo o oxigênio da sala.
Ele não precisa ser lembrado de ter cuidado. Esses artefatos antigos são preciosos, não apenas pelo texto inscrito em suas páginas, mas também pelas histórias biológicas que contêm, à espera de serem lidas.
Este artigo foi publicado originalmente em Nature em 7 de abril de 2026.
Marla Broadfoot é uma escritora científica independente que mora na Carolina do Norte. Ela possui doutorado em genética e biologia molecular e é professora adjunta na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.
Leia também: Fiddyment, S., Teasdale, M.D., Vnouček, J. et al. So you want to do biocodicology? A field guide to the biological analysis of parchment. Herit Sci 7, 35 (2019).













