ELAYI, J. Tiglath-pileser III, Founder of the Assyrian Empire. Atlanta: SBL, 2022, 228 p. – ISBN 9781628374292 [gratuito no projeto ICI da SBL].
A maioria dos historiadores modernos considera Tiglat-Pileser III, rei da Assíria de 745 a 727 a.C., o verdadeiro fundador do império assírio. Nesta biografia e história de seu reinado, Josette Elayi explora questões sobre como Tiglat-Pileser conseguiu expandir o império assírio após um período de fragilidade, quais os efeitos da dominação assíria sobre Israel e Judá e como foram diferentes os destinos dos dois reinos. Utilizando fontes arqueológicas e escritas da época, Elayi completa sua trilogia de biografias, que inclui Sargão II e Senaquerib. Elayi oferece mais um recurso essencial para estudiosos e estudantes da história assíria e da Bíblia Hebraica.
Most modern historians consider Tiglath-pileser III, king of Assyria from 745 to 727 BCE, to be the true founder of the Assyrian Empire. In this biography and history of his reign, Josette Elayi explores questions surrounding how Tiglath-pileser managed to expand the Assyrian Empire after a period of weakness, what effects Assyrian domination had on Israel and Judah, and how the two kingdoms’ fates differed. Using archaeological and written sources for the period, Elayi completes her trilogy of biographies, which includes Sargon II and Sennacherib. Elayi provides yet another essential resource for scholars and students of Assyrian history and the Hebrew Bible.
Josette Elayi (1943-) est une historienne de l’Antiquité, auteur de nombreux ouvrages dont une remarquable Histoire de la Phénicie (Perrin, 2013). Chercheuse et enseignante, elle a vécu de nombreuses années au Proche Orient.
Diz a autora na Introdução de seu livro:
Diversas obras acadêmicas modernas, grandes e pequenas, mencionam Tiglat-Pileser III. Toda história geral da Assíria ou da Mesopotâmia inclui breves estudos, sendo o último o útil livro escrito por Eckart Frahm*. O primeiro foi Tiglath Pileser III, de Abraham S. Anspacher, publicado em Nova York em 1912; este relato sucinto, baseado na primeira publicação das inscrições de Tiglat-Pileser por Rost, oferece uma visão geral de algumas de suas campanhas militares. A maioria das obras, por exemplo, as de Michael Astour, Stephanie Dalley, Stefan Zawadski, Jacob Kaplan e Sajjad Alibaigi**, estavam relacionadas a um aspecto histórico específico do reinado de Tiglat-Pileser, como sua ascensão ao trono, o exército assírio e as expedições militares. Diversas outras obras, como as de Albrecht Alt, Ernst Vogt, Mordechai Cogan, Nadav Na’aman, Gershon Galil e Luis Robert Siddall***, focaram-se em expedições a Israel e Judá. Obras de Richard D. Barnett e Julian E. Reade focaram-se no palácio de Tiglat-Pileser em Nimrud****.
Meu objetivo específico neste livro é estudar, pela primeira vez, a história do reinado de Tiglat-Pileser, que foi fértil em eventos, em todas as suas facetas — política, militar, econômica, social, ideológica, religiosa, técnica e artística —, sabendo que alguns aspectos são consideravelmente mais documentados do que outros. No entanto, assim como a história do reinado de Sargão II, a de Tiglat-Pileser é pouco documentada no que diz respeito à sua origem familiar, sua juventude e o período anterior à sua ascensão ao trono. Portanto, é difícil propor uma avaliação abrangente dos fatores psicológicos que moldaram seu caráter e como, por sua vez, esses fatores influenciaram sua abordagem à política.
A história do reinado de Tiglat-Pileser pertence a uma trilogia, juntamente com a de Sargão II e a de Senaquerib, ou seja, avô, pai e filho*****. O presente livro proporciona uma compreensão do curso do reinado de Tiglat-Pileser em relação às suas escolhas pessoais e ao contexto de sua época. Diversas questões são levantadas e respondidas sempre que possível: Tiglat-Pileser foi um usurpador? Em que circunstâncias ascendeu ao trono? Quais eram suas qualidades e habilidades? Quais eram suas deficiências? O que ele tentou alcançar e como buscou atingir seus objetivos? Ele tinha um plano ou programa claro no início de seu reinado? Pode ser considerado o verdadeiro fundador do império assírio? Como conseguiu construir o império? Ele achava mais importante expandir ou embelezar o império? Era mais um conquistador ou um administrador? Era mais um reformador ou um conservador? Suas realizações foram mais inovadoras ou representaram uma continuidade? O que se pode dizer sobre sua evolução pessoal durante seu reinado? Em que áreas ele obteve sucesso ou, inversamente, fracassou?
(…)
Para determinar se Tiglat-Pileser foi o verdadeiro fundador do império assírio, o capítulo 1, “O reino da Assíria em 745 a.C.”, deve primeiro definir o que constituía o Estado assírio e em que condições se encontrava quando ele ascendeu ao trono. Para responder a essa pergunta, precisamos comparar a Assíria de 745 a.C. com a de 727 a.C.
O capítulo 2, “Tiglat-Pileser III foi um usurpador?”, investiga a questão da legitimidade de Tiglat-Pileser, visto que sua ascensão ao trono está longe de ser clara. Isso, por si só, apresenta diversos problemas. Este capítulo abrange o estudo do nome de Tiglat-Pileser, sua família, sua juventude, sua função anterior, sua aparência física e sua personalidade, com base em inscrições, mesmo que distorcidas pela propaganda real.
O capítulo 3, “A ascensão de Tiglat-Pileser III ao trono”, examina o difícil contexto histórico dos primeiros anos de reinado de Tiglat-Pileser e as primeiras medidas que ele adotou para consolidar sua posição.
O capítulo 4, “A neutralização de altos dignitários”, explica como altos dignitários, como Shamshi-ilu, ascenderam ao poder e como Tiglat-Pileser procedeu à restauração do poder real.
O capítulo 5, “A estratégia de conquista”, investiga os objetivos do rei, seu cuidadoso planejamento estratégico militar e o papel do Ocidente nessa estratégia.
Nos capítulos 6 a 10, o livro segue uma ordem cronológica, baseada principalmente nos diversos textos dos anais. O capítulo 6, “A primeira fase das campanhas (745-744)”, analisa as campanhas prioritárias de Tiglat-Pileser, a criação de novas províncias e a nova medida de deportação de populações. O capítulo 7, “A segunda fase das campanhas (743–738)”, analisa as campanhas subsequentes conduzidas contra a coalizão da Síria e Urartu, com a criação de novas províncias ocidentais. O capítulo 8, “A terceira fase das campanhas (737–735)”, analisa as campanhas contra Média e Urartu e a criação do novo conceito de estado-tampão. O capítulo 9, “A quarta fase das campanhas (734–732)”, abrange as diferentes campanhas em direção aos estados ocidentais de Damasco, às cidades fenícias e filisteias, a Israel e a Judá. O capítulo 10, “A quinta fase das campanhas (731–727)”, trata das campanhas contra as tribos caldeias e arameias, concluindo com a conquista da Babilônia.
O capítulo 11, “O rei está morto! Viva o rei!”, concentra-se na morte misteriosa de Tiglat-Pileser e na nomeação de um príncipe herdeiro, Salmanasar V.
O capítulo 12, “Atividades de construção”, examina os projetos de construção iniciados pelo rei.
Finalmente, “Conclusão: avaliação do reinado de Tiglat-Pileser III” oferece uma avaliação do reinado de Tiglat-Pileser, sua contribuição para a transformação do reino da Assíria no império assírio e as consequências positivas e negativas de suas decisões e ações.
Ao final do livro, os leitores encontrarão ferramentas de pesquisa: uma bibliografia selecionada para cada capítulo; um índice dos textos antigos utilizados; um índice dos nomes pessoais citados, seguido de breves comentários e datas de reinado para situá-los em uma perspectiva diacrônica e sincrônica; e um índice dos autores modernos citados. Três mapas, que localizam as referências geográficas do livro, são fornecidos no corpo do texto, juntamente com uma cronologia do reinado de Tiglat-Pileser.
* Eckart Frahm, A Companion to Assyria (Malden, MA: Wiley Blackwell, 2017).
** Michael Astour, “The Arena of Tiglath-pileser III’s Campaign against Sarduri II (743 B.C.),” Assur 2 (1979): 69–88; Stephanie Dalley, “Foreign Chariotry and Cavalry in the Armies of Tiglath-pileser III and Sargon II,” Iraq 47 (1985): 31–48; Stefan Zawadski, “The Revolt of 746 BC and the Coming of Tiglath-pileser III to the Throne,” SAAB 6 (1992): 21–33; Jacob Kaplan, “Recruitment of Foreign Soldiers into the Neo-Assyrian Army during the Reign of Tiglath-pileser III,” in Treasures on Camel’s Humps, Historical and Literary Studies from the Ancient Near East Presented to Israel Eph‘al, ed. Mordechai Cogan and Dan’el Kahn (Jerusalem: Magnes Press, 2008), 135–52; Sajjad Alibaigi, “The Location of the Second Stele Commemorating Tiglath-pileser III’s Campaign to the East in 737 BC,” SAAB 23 (2017): 47–53.
*** Albrecht Alt, “Tiglatpileser III, erster Feldzug nach Palästina,” in Kleine Schriften zur Geschichte des Volkes Israel, vol. 2 (Munich, 1953), 150–62; Ernst Vogt, “Die Texte Tiglat-pilesers III. über die Eroberung Palästinas,” Bib 45 (1964): 348–54; Hayim Tadmor and Mordechai Cogan, “Ahaz and Tiglathpileser in the Book of Kings: Historiographic Considerations,” Bib 60 (1979): 491–508; Nadav Na’aman, “Tiglath-pileser III’s Campaigns against Tyre and Israel (734–732 B.C.E.),” Tel Aviv 22 (1995): 268–78; Na’aman, “Tiglath-pileser III’s Annexations According to the Iran Stele (IIB),” NABU (1998): 16, no. 14; Gershon Galil, “A New Look at the Inscriptions of Tiglath-pileser III,” Bib 81 (2000): 511–20; Luis Robert Siddall, “Tiglath-pileser III’s Aid to Ahaz,” ANES 46 (2009): 93–106.
**** Richard D. Barnett and Margarete Falkner, The Sculptures of Aššur-naṣir-apli II (883–859 B.C.), Tiglath-pileser III (745–727 B.C.), Esarhaddon (681–669 B.C.) from the Central and South-West Palaces at Nimrud (London: British Museum, 1962), 34–46; Julian E. Reade, “The Palace of Tiglath-pileser III,” Iraq 30 (1968): 69–73.
***** Josette Elayi, Sargon II, King of Assyria, ABS 22 (Atlanta: SBL Press, 2017); Elayi, Sennacherib, King of Assyria, ABS 24 (Atlanta: SBL Press, 2018).