Descobertas arqueológicas importantes para entender a Bíblia

Vale pelas listas. Entretanto, o enfoque, arqueologia bíblica, precisa ser filtrado. Além do que, listas de “10 mais” raramente escapam da subjetividade.

Como observou Jim Davila, em 30 de janeiro de 2019, no post Top ten archaeological discoveries relating to Hebrew Bible? “Overall this is a pretty good list, although I do not endorse some of the interpretations put on the finds” [No geral, esta é uma boa lista, embora eu não apoie algumas das interpretações dadas aos achados arqueológicos].

Pois:

A ‘História de Israel’ está mudando. O consenso foi rompido. A paráfrase racionalista do texto bíblico que constituía a base dos manuais de ‘História de Israel’ não é mais aceita. A sequência patriarcas, José do Egito, escravidão, êxodo, conquista da terra, confederação tribal, império davídico-salomônico, divisão entre norte e sul, exílio e volta para a terra está despedaçada. O uso dos textos bíblicos como fonte para a ‘História de Israel’ é questionado por muitos. A arqueologia ampliou suas perspectivas e falar de ‘arqueologia bíblica’ hoje é proibido: existe uma ‘arqueologia da Palestina’, ou uma ‘arqueologia da Síria/Palestina’ ou mesmo uma ‘arqueologia do Levante’ (SILVA, A. J. A História de Israel no debate atual – Última atualização: 24.10.2018).

:: Top Ten Discoveries in Biblical Archaeology Relating to the Old Testament – By Windlebry: Bible Archaeology Report – January 12, 2019

Crônica Babilônica que menciona a tomada de Jerusalém em 597 a.C.

:: Top Ten Discoveries in Biblical Archaeology Relating to the New Testament – By Windlebry: Bible Archaeology Report – January 19, 2019

TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E - Inscrição de Cesareia - Museu de Israel, Jerusalém


Leia Mais:
Arqueologia no Observatório Bíblico

A frenética busca por textos sagrados

Inside the cloak-and-dagger search for sacred texts – By Robert Draper: National Geographic – December 2018

In the shadowy world where religion meets archaeology, scientists, collectors, and schemers are racing to find the most precious relics.

Jim Davila, em PaleoJudaica.com, observa:

This is a very good article that deals with most of the recent stories about Bible-related (etc.) manuscripts, whether genuine or fake. These include Operation Scroll, which continues; Konstantin von Tischendorf and Codex Sinaiticus; the Sisters of Sinai and Codex Sinaiticus Syriacus; the Oxyrhynchus papyri; the Dead Sea Scrolls; P52, the Rylands fragment of the Gospel of John; the Museum of the Bible’s fake Dead Sea Scrolls fragments and Hobby Lobby’s improperly acquired cuneiform tablets; the no-longer-first-century fragment of the Gospel of Mark; and more.

Khirbet el-Qom

RIP: Reading Obituaries in Ancient Judah – By Alice Mandell and Jeremy Smoak: The Ancient Near East Today – November 2018

Recent archaeological studies are beginning to shed greater light on the role that the senses play in human experience and religion. They argue that we need to move away from the tendency to treat sight and sound as the “higher senses” and touch, smell, and taste as the “lower senses.” This is why it is helpful to step back and imagine encountering inscriptions in their original settings. James Watts reminds us that ancient Israelite audiences were drawn to texts for their iconic, performative, and visual characteristics. Some inscriptions were installed as decorations or media within ritual spaces both inside and outside lived communities.

The story of the two stone tablets that YHWH gives Moses demonstrates how texts could become monuments around which communities constructed lives and politics. These tablets are hidden away in the ark and yet they play a pivotal role in Israel’s social and religious evolution. Ancient Hebrew texts “spoke” much more than their mere words—they signaled boundaries, access points, power dynamics, and social relations. And, they often communicated nuanced shades of meaning based upon different seasons, different times of day, and different audiences.

One set of inscriptions that illustrates the multi-sensory value of texts is from the tombs at Khirbet el-Qom, located several miles west of Hebron in the southern part of the territory of Judah. During the excavations of the tombs almost forty years ago, William G. Dever discovered several inscriptions written in Old Hebrew script on the walls of each tomb.

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Iahweh e Asherá em Kuntillet ‘Ajrud

Senet: jogo de tabuleiro do Egito antigo

O Senet é um dos mais antigos jogos de tabuleiro conhecidos. Senet, cujo nome significa “Jogo de Passagem” era um jogo de tabuleiro egípcio, dos períodos pré-dinástico e antigo, extremamente popular em todas as camadas da sociedade. Muitos historiadores creem que este seja um antepassado do gamão. O mais antigo hieróglifo representando um jogo de Senet é datado entre 3500 e 3100 a.C., o que faz dele o jogo de tabuleiro mais antigo registado pelo homem. Tabuleiros de aproximadamente 2650 a.C. estão registrados em tumbas egípcias. Nunca foram encontradas regras para o Senet, seja em papiros ou em paredes de tumbas. Acredita-se que, pelo fato de ter sido tão popular, ele tenha sido ensinado exclusivamente de um jogador para outro, sem necessidade de regras escritas. Ainda assim, com base em pinturas do jogo em tumbas, nas referências feitas a ele na escrita egípcia e olhando para os seus descendentes modernos, como o gamão, historiadores criaram o que se acredita ser a mais próxima reconstrução das regras de Senet.

Tabuleiro de Senet em faiança, gravado para Amenhotep III (ca. 1390-1353 a.C.) - Museu do Brooklyn, New York

:: Senet: Play Store (Android)
Há mais de uma opção. Testei este jogo aqui.  Após entrar no jogo, clique no ponto de exclamação  !  para ver um tutorial de como jogar.

:: Senet: LuduScience
Site em português de Portugal. Além de breve apresentação, as regras podem ser baixadas em formato pdf. Confira, no menu, outros jogos antigos em “Jogos tradicionais”.

:: Como jogar Senet: Mitra Criações
Vídeo que ensina regras possíveis para o Senet. Publicado em 26 de março de 2016. Em português.

:: Senet: Board and Pieces
Site sobre jogos abstratos. História da descoberta do jogo e explicação detalhada, com desenhos, de como jogar. Há, neste site, uma bibliografia. Em inglês.

:: Senet – Game of 30 Squares: Ancient Games
Site de Eli Gurevich. História do jogo e explicação de como jogar. Há também um blog sobre jogos antigos. Em inglês.

:: The Rules of Senet: Masters Traditional Games
Traz as regras do jogo e suas variações, discutindo duas ou três possibilidades. Há regras para vários jogos tradicionais de tabuleiro aqui. Confira também a página Ancient & Historical Board Games. Em inglês.

:: 98 imagens de Senet: Blog de Dmitriy Skiryuk (Дмитрий Скирюк)
Estas imagens estão no blog de Dmitriy Skiryuk, um reconstrutor russo de jogos. As legendas podem ser traduzidas do russo para o português com o auxílio do Google Tradutor.

:: How Senet Works: HowStuffWorks
Como o Senet funciona? Texto de Laurie L. Dove. Publicado em 4 de abril de 2012. Em inglês.

Senet de Tutankhamon (ca. 1332–1323 a.C.) - Museu Egípcio do Cairo

Trecho de PICCIONE, P. A. In Search of the Meaning of Senet. Archaeology, vol. 33, n. 4 – July/August 1980 – p. 55-58 [em pdf aqui]:

Senet began as a, strictly secular game and its evolution can be analyzed in a practical as well as mystical sense. Historically, senet made it first known appearance in the Third Dynasty mastaba or tomb of Hesy-re, the overseer of the royal scribes of King Djoser at Saqqara, dating to approximately 2686 BC. Unidentified senet-like boards have also been found in Predynastic and First Dynasty burials at Abydos and Saqqara and date to about 3500-3100 BC. These and a number of First Dynasty (3100 BC) senet board hieroglyphics indicate that the game may be even older. Annotated depictions of people playing the game also appear on the walls of later Old Kingdom (2686-2160 BC) mastabas among other daily life scenes

Trecho de CRIST, W. ; DUNN-VATURI, A-E ; DE VOOGT, A. Ancient Egyptians at Play: Board Games Across Borders. London: Bloomsbury, 2016, 232 p. – ISBN 9781474221177:

Perhaps the best-known board game from ancient Egypt, senet, also appears in the offering list in Prince Rahotep’s tomb. As it was for mehen, this is the oldest known inscription offering the name of this game that is well attested in New Kingdom contexts. Much like mehen, this game also appears to have held strong connotations with the afterlife. The word zn.t means “passing” in Egyptian, and though any specific religious meaning the game may have held is unclear before the New Kingdom, its name does suggest at least a similar connection with the passing of the ba through the duat that is made explicit in the Book of the Dead. Piccione believes the full name of the game, zn.t n.t hb, “the passing game,” comes from the nature of gameplay where the pieces pass each other on the board. A canonical senet board is between 12 and 55 cm long, laid out in three rows of ten playing spaces, often with certain spaces marked, likely indicating a special outcome during the play of the game, as is shown below. Piccione points out that the name senet is only directly attributed to this pattern of spaces in the New Kingdom, and that Egyptologists have assumed that, when it appears in earlier texts, it refers to the same game. Without any evidence to suggest the name was once used for a different game, it is Piccione’s judgment the name senet referred to the same game in the Old and Middle Kingdoms as it did in the New Kingdom. The origins of senet in Egypt are confusing as there are no intact game boards that date before the Fifth Dynasty, though fragmentary boards, playing pieces and textual and representational art have been found to suggest its earlier existence (…) Toward the end of the Second Intermediate Period [nota: 1640-1550 a.C. – dinastias XV-XVII], senet game boxes appear in the archaeological record, though they probably existed earlier. While senet only appears in the material record as slabs or graffiti prior to the Second Intermediate Period, beginning in the Seventeenth Dynasty game boxes start to appear in Egypt.

Leia Mais:
Jogo Real de Ur

Jogo Real de Ur

O Jogo Real de Ur foi encontrado nas escavações feitas na cidade mesopotâmica de Ur pelo arqueólogo britânico Sir Leonard Woolley na década de vinte do século passado. Um dos tabuleiros encontra-se no Museu Britânico, em Londres, desde 1928. Foi datado como sendo de aproximadamente 2500 a.C. e pertence à cultura suméria.

Jogo Real de Ur - The Royal Game of Ur (The British Museum)

:: Jogo Real de Ur – The Royal Game of Ur: Play Store (Android)
Há mais de uma opção. Testei este jogo aqui.  Após entrar no jogo, clique no ponto de exclamação  para ver um tutorial de como jogar.

:: Jogo Real de Ur: LuduScience
Site em português de Portugal. Além de breve apresentação, as regras podem ser baixadas em formato pdf. Confira, no menu, outros jogos antigos em “Jogos tradicionais”.

:: The Royal Game of Ur: The British Museum
Site do Museu Britânico. Apresentação do jogo, descrição da descoberta, imagens do jogo, bibliografia. Em inglês.

:: The Royal Game of Ur: Board and Pieces
Site sobre jogos abstratos. História da descoberta do jogo e explicação detalhada, com desenhos, de como jogar. Há, neste site, uma bibliografia. Em inglês.

:: Royal Game of Ur – Game of 20 Squares: Ancient Games
Site de Eli Gurevich. História do jogo e explicação de como jogar. Há também um blog sobre jogos antigos. Em inglês.

:: The Rules of the Royal Game of Ur: Masters Traditional Games
Traz as regras do jogo e suas variações, discutindo duas ou três possibilidades. Há regras para vários jogos tradicionais de tabuleiro aqui. Confira também a página Ancient & Historical Board Games. Em inglês.

:: Deciphering the world’s oldest rule book – Irving Finkel: The British Museum
Vídeo em inglês, com legendas em português, no qual o curador do Museu Britânico Irving Finkel conta como encontrou e traduziu as regras do Jogo Real de Ur. Publicado em 23 de novembro de 2015.

:: Tom Scott vs Irving Finkel: The Royal Game of Ur: The British Museum
Vídeo em inglês, com legendas em português, onde podemos ver Irving Finkel e Tom Scott jogando o Jogo Real de Ur no Museu Britânico. Publicado em 28 de abril de 2017.

:: Irving Finkel, On the Rules for the Royal Game of Ur: Academia.edu
Sobre as regras do Jogo Real de Ur: texto do livro de FINKEL , I. Ancient Board Games in Perspective: Papers from the 1990 British Museum Colloquium. London: British Museum Press, 2007, 352 p.  ISBN 9780714111537. Confira o livro na Amazon aqui. O texto está disponível para download em Academia.edu. É bastante técnico, porém. Em inglês.

:: 126 imagens do Jogo Real de Ur: Blog de Dmitriy Skiryuk (Дмитрий Скирюк)
Estas imagens estão no blog de Dmitriy Skiryuk, um reconstrutor russo de jogos. As legendas podem ser traduzidas do russo para o português com o auxílio do Google Tradutor.

:: BELL, R. C. Board and Table Games from Many Civilizations. Mineola, NY: Dover Publications, 2012, 464 p. – ISBN 9780486238555
Um livro muito elogiado sobre jogos de tabuleiro. Em inglês.

Leia Mais:
Histórias de criação e dilúvio na antiga Mesopotâmia
Histórias do Antigo Oriente Médio: uma bibliografia

Bíblia e arqueologia: uma introdução

RICHELLE, M. A Bíblia e a Arqueologia. São Paulo: Vida Nova, 2017, 176 p. – ISBN 9788527506892.

RICHELLE, M. A Bíblia e a Arqueologia. São Paulo: Vida Nova, 2017, 176 p.

 
As descobertas arqueológicas apresentadas na mídia tanto confirmam a Bíblia quanto a contradizem. O que essas descobertas significam de fato? O que essas escavações arqueológicas e as inscrições antigas nos ensinam? O que pensar das controvérsias recentes sobre a época de Davi e Salomão? O autor mostra como a arqueologia pode contribuir para uma melhor compreensão da bíblia no contexto do mundo antigo. A proposta deste livro é avaliar o tema com cuidado, mas de maneira simples e bem informada.

Dans les médias, les découvertes archéologiques sont tantôt présentées comme confirmant la Bible, tantôt comme la contredisant. Qu’en est-il exactement ? Que nous apprennent les fouilles archéologiques et les inscriptions anciennes ? Que penser des controverses récentes sur l’époque de David et Salomon ? Ce livre propose de faire le point sur le sujet, de manière simple mais informée.

O original, em francês, é de 2012. Uma avaliação da versão, expandida, em língua inglesa, de 2018, feita por Jim West, pode ser lida em The Bible & Archaeology.

Matthieu Richelle é Doutor em Ciências Históricas e Filológicas pela EPHE-Sorbonne e ex-aluno da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. Professor de Antigo Testamento na Faculdade Livre de Teologia Evangélica de Vaux-sur-Seine, França.

As descobertas mais importantes da arqueologia israelense

ToI asks the experts: What are the most important finds of Israeli archaeology? – By Amanda Borschel-Dan – Times of Israel: April 19, 2018

From Dead Sea Scrolls to space-age tech, the dramatic history of the ever-developing field is indelibly entwined with that of the nation itself

Grutas de Qumran

Observa hoje Jim Davila em seu blog PaleoJudaica:

This article is not another top-ten list. It is much more nuanced and sophisticated. You should read it all.

Este artigo não é apenas outra lista das dez mais importantes descobertas feitas por arqueólogos israelenses. É muito mais elaborado. Vale a pena a leitura.

Iahweh e Asherá em Kuntillet ‘Ajrud

A descoberta é da década de 70 do século XX, mas o debate sobre o seu significado continua.

A Strange Drawing Found in Sinai Could Undermine Our Entire Idea of Judaism

Is that a 3,000-year-old picture of god, his penis and his wife depicted by early Jews at Kuntillet Ajrud?

By Nir Hasson – Haaretz: Apr 04, 2018

Em Kuntillet 'Ajrud: Iahweh e Asherá?

More than four decades after its excavation wound down, a small hill in the Sinai Desert continues to bedevil archaeologists. The extraordinary discoveries made at Kuntillet Ajrud, an otherwise nondescript slope in the northern Sinai, seem to undermine one of the foundations of Judaism as we know it.

Then, it seems, “the Lord our God” wasn’t “one God.” He may have even had a wife, going by the completely unique “portrait” of the Jewish deity that archaeologists found at the site, which may well be the only existing depiction of YHWH.

Kuntillet Ajrud got its name, meaning “the isolated hill of the water sources,” from wells at the foot of the hill. It is a remote spot in the heart of the desert, far from any town or or trade route. But for a short time around 3,000 years ago, it served as a small way station.

Dozens of drawings and inscriptions, resembling nothing whatever found anywhere else in our region, survived from that period, which seems to have lasted no longer than two or three decades. Egypt gained the artifacts with the peace treaty with Israel 25 years ago, but the release of the report on the excavation six years ago and a book about the site two years ago have kept the argument over the exceptional findings from the hill in Sinai alive.

Leia Mais:
Paolo Merlo analisa Kuntillet ‘Ajrud
Arqueologia das terras da Bíblia

Selo, sinete, bula: usos e significados

O que dizem os dicionários? Consultando o Aurélio e o Houaiss

Selo
Vem do latim sigillum, i “marca pequena”

1. Peça, geralmente metálica, na qual se gravaram armas, divisa ou assinaturas, e que se usa para imprimir sobre certos papéis, com o fim de validá-los ou autenticá-los.

2. Carimbo, sinete, chancela

3. Marca estampada por carimbo, sinete, chancela ou máquina de franquear; estampilha

Sinete
Vem do francês signet “sinete, selo”

1. Utensílio gravado em alto ou baixo-relevo, utilizado para imprimir no papel, no lacre etc, assinatura, monograma, brasão etc, de uma instituição ou pessoa

2. A própria gravação de tal marca; chancela

3. Carimbo

4. Marca, sinal

5. Timbre

Bula
Vem do latim bulla,ae “bolha, sinete, selo”

Selo ou sinete que se prendia a um documento atestando-lhe a autenticidade

Algumas imagens

Imagens de selos e bulas do Antigo Oriente Médio

Imagens de selos cilíndricos do Antigo Oriente Médio

Selos no Antigo Oriente Médio

Diferentes tipos de selo eram usados no Antigo Oriente Médio. Feitos de materiais duráveis, como pedras semipreciosas, eram pequenos, medindo poucos centímetros. Entalhados com gravuras e/ou escrita eles produziam uma imagem reversa quando prensados sobre placas de argila ou outro material macio. O resultado era a bula, ou marca estampada pelo selo. Eram usados como uma assinatura, serviam para fechar, marcar, autenticar objetos ou documentos. Muitos selos eram presos ao corpo do proprietário por um cordão ou gravados em um anel.

Os selos cilíndricos com figuras eram típicos da Mesopotâmia. Imprimiam a figura quando rolados sobre um material macio. Os selos de estampa em forma de escaravelho são característicos do Egito. Israel usava selos de estampa com figuras ou escrita ou com figura e escrita.

A escrita, com frequência, traz o nome do proprietário do selo seguido pelo nome do pai (Pertencente a fulano, [filho de] sicrano). Mencionar o nome do pai ajudava a identificar o proprietário. Ou traz o ofício do proprietário, especialmente no caso de altos funcionários da corte (Pertencente a fulano, servo de sicrano).

Centenas de selos foram encontrados em Israel. São, em sua maioria, dos séculos VIII a VI a.C. Poucos são de época exílica e pós-exílica. Muitos dos nomes próprios são conhecidos através da Bíblia, mas há uma quantidade significativa de novos nomes. Isto faz dos selos a mais importante fonte extrabíblica para o conhecimento de nomes de pessoas da época monárquica em Israel.

A Bíblia menciona os selos vez ou outra, como em Ex 28,11 (Como faz quem trabalha a pedra para a incisão de um selo), Eclo 45,11 (Pedras preciosas gravadas em forma de selo), Jó 38,14 (Transforma-se como argila debaixo do sinete), Gn 38,18 (Ele perguntou: “Que penhor te darei?” E ela respondeu: “O teu selo, com teu cordão e o cajado que seguras.” Ele lhos deu e foi com ela, que dele concebeu), Ct 8,6 (Coloca-me, como sinete sobre teu coração, como sinete em teu braço. Pois o amor é forte, é como a morte…), Jr 32,9-15 (v. 10: Redigi, então, o contrato e o selei…; v. 14: Toma esses documentos, esse contrato de compra, o exemplar selado e a cópia aberta, e coloca-os em um vaso de argila para que se conservem por muito tempo), Ag 2,23 (e farei de ti como um sinete) etc.

Bibliografia recomendada

AVIGAD, N. Corpus of West Semitic Stamp Seals. Revised and completed by Benjamin Sass. Jerusalem: Israel Academy of Sciences and Humanities, 1997, 640 p. + 1217 figuras – ISBN 9789652081384.

ROLLSTON, C. Seals and Scarabs. The New Interpreters Dictionary of the Bible. Volume 5. Nashville: Abingdon Press, 2009, p. 141-146. Disponível online.

SEEVERS, B. ; KORHONEN, R. Seals in Ancient Israel and the Near East: Their Manufacture, Use, and Apparent Paradox of Pagan Symbolism. NEASB 61, 2016, p. 1-17. Disponível online.

CDLI:wiki [recurso online]:
Seals and sealings in the ancient Near East
Major collections of seals
Resources for seals and sealings

Mais sobre o selo de Isaías

Scholars should remind the media that the best constructs of the data are usually the result of a slow, methodical, scholarly process… (Christopher A. Rollston)

Isaiah bulla from Ophel, Jerusalem, with hypothetical identification of other letters by Eilat Mazar (Illustration: Reut Livyatan Ben-Arie/© Eilat Mazar; Photo by Ouria Tadmor/© Eilat Mazar)

Recomendo os textos de Christopher A. Rollston, da Universidade George Washington, Washington, D.C., USA:

:. The Putative Bulla of Isaiah the Prophet: Not so Fast – 22 February 2018

The Old Hebrew bulla excavated by Dr. Eilat Mazar, and published in Biblical Archaeology Review (March-May 2018) in an article entitled _Is this the Prophet Isaiah’s Signature(pages 65-73, notes on page 92) is of much interest.

Numerous stamp seals and bullae have been discovered in the Iron Age Levant. For a synopsis of the use and significance, see the article entitled “Seals and Scarabs” (Volume 5, pages 141-146 in _The New Interpreters Dictionary of the Bible_, Nashville, Abingdon Press, 2009, available via my www.academia.edu page).

This new bulla consists of three registers. Much of the top portion of this bulla is missing (including much of the top register), so the bulla is not fully preserved. The first register has no legible letters (although some iconography is preserved). The second register of the bulla reads “L-yš‘yh[w].” The third register has three preserved letters: “nby.”

Although cautious, it is stated in the press release and in the article itself that this bulla (a lump of clay that has been impressed by a seal) may say “Belonging to Isaiah the Prophet” (note that the lamed [L] at the beginning of the bulla is best translated “belonging to,” and the personal name after this lamed is the personal name “Isaiah” (with the Yahwistic theophoric mostly preserved). The third register, as noted, has the letters nby. Note also that the first the two Hebrew consonants for the word “prophet” are nun and bet, that is, nb).

It would be nice if this bulla did refer to the prophet Isaiah of the Bible, but it would not be wise to assume that this bulla definitely reads that way or that it definitely refers to Isaiah the prophet. In this regard, I very much applaud Dr. Mazar for not assuming that this bulla is definitively that of Isaiah the prophet. That is, the operative word is “may.”

In any case, here are briefly some of the reasons for my methodological caution regarding the assumption that this is a bulla associated with Isaiah the Judean prophet of the eighth century:

:. The Isaiah Bulla from Jerusalem: 2.0 – 23 February 2018

The Old Hebrew bulla excavated by Dr. Eilat Mazar, and published in Biblical Archaeology Review (March-May 2018) in an article entitled _Is this the Prophet Isaiah’s Signature(pages 65-73, notes on page 92) is of much interest, as noted in my previous post on this subject.

Date: this inscription putatively dates to the 8th century or the early 7th century. That is, I would emphasize that the script is the script of the late 8th or early 7th century BCE, and there is no way to be more precise than that. And, of course, the archaeological context is not such that the date can be stated to be only the 8th century. Ultimately, a date in the late 8th century is permissible, but so is a date in the early- to mid- 7th century. We must be candid about that.

In any case, within this post, I wish to emphasize certain things that I mentioned in the previous post and also especially to flesh out some of the possibilities for the second word, that is, word, or word fragment, that is present on the third register: nun, bet, yod. As with my previous post, this will be done in brief. I will publish a full journal article on this bulla at a later date in the near future. In any case, my view is that this second word could be a patronymic (in which case this bulla is certainly not Isaiah the Prophet’s as his father was Amoz), a title, or a gentilic.

:. The ‘Isaiah Bulla’ and the Putative Connection with Biblical Isaiah: 3.0 – 26 February 2018

I here posting some additional details about this bulla, especially regarding the three letters on the third register, heavily incorporating data from my previous two blog posts. Note that this third blog post is the basis for a forthcoming article in a traditional publication venue (i.e., a print publication, rather than just a blog).

(…)

Discussion of Bulla
__
Material: Impressed Clay.

Condition of Bulla: Partially Broken.

Reading of Bulla: First Register: Partially broken, fragmentary iconograhic element; Second Register: L-yš‘yh[w]; Third Register: nby. Note the absence of bn “son of” (but note that this morpheme is sometimes absent from patronymics in the epigraphic record).

Thus, the bulla reads “Yešayahu, nby”

NB: The word that follows the first personal name on a seal (and, thus, a bulla) is normally: a patronymic, a gentilic (descriptor), or a title.
__
Date: this inscription putatively dates to the 8th century or the early 7th century. That is, I would emphasize that the script is the script of the late 8th or early 7th century BCE, and there is no way to be more precise than that. And, of course, the archaeological context is not such that the date can be stated to be only the 8th century. Ultimately, a date in the late 8th century is permissible, but so is a date in the early 7th century.
__
Potential Problems with understanding nby on the third register as prophet, that is, potential problems with assuming that the third register is to be understood as reading: nby[’]:

Leia Mais:
Isaías o profeta? Provavelmente não
Entrevista com Eilat Mazar