Bíblias Online na Sociedade Bíblica Alemã

No site da Sociedade Bíblica Alemã (Deutsche Bibelgesellschaft) estão disponíveis online, para consulta e cópia de trechos, textos das seguintes edições da Bíblia em línguas originais e traduções antigas:

  • Biblia Hebraica Stuttgartensia
  • Novum Testamentum Graece (ed. Nestle-Aland), 28. EdiçãoBiblia Hebraica Stuttgartensia
  • UBS Greek New Testament
  • Septuaginta (ed. Rahlfs/Hanhart)
  • Vulgata (ed. Weber/Gryson)

The following editions are currently available:

  • Hebrew Old Testament following the text of the Biblia Hebraica Stuttgartensia
  • Greek New Testament following the text of the Novum Testamentum Graece (ed. Nestle-Aland), 28. Edition and the UBS Greek New Testament
  • Greek Old Testament following the text of the Septuagint (ed. Rahlfs/Hanhart)
  • Latin Bible following the text of the Vulgate (ed. Weber/Gryson)

Folgende Ausgaben stehen Ihnen zur Verfügung:

  • Hebräisches Altes Testament nach dem Text der Biblia Hebraica Stuttgartensia
  • Griechisches Neues Testament nach dem Text des Novum Testamentum Graece (ed. Nestle-Aland), 28. Auflage
  • Griechisches Neues Testament nach dem Text des UBS Greek New Testament
  • Griechisches Altes Testament nach dem Text der Septuaginta (ed. Rahlfs/Hanhart)
  • Lateinische Bibel nach dem Text der Vulgata (ed. Weber/Gryson)
Além dos textos originais, há algumas traduções modernas disponíveis:
:: In addition, you can access the following translations:
  • the German translation following Luther, Revised 1984
  • the English King James translation
  • the English Standard Version (ESV)
  • the NETBible®
:: Hinzu kommen folgende Bibelübersetzungen:Nestle-Aland Novum Testamentum Graece
  • die klassische Übersetzung der Lutherbibel 1984, die jeder im Ohr hat,
  • die moderne Gute Nachricht Bibel, die als kommunikative Übersetzung besonders leicht verständlich ist,
  • und die philologisch genaue Menge-Bibel, die besonders nah an den hebräischen und griechischen Grundtexten übersetzt ist.
  • die englische King James Version
  • die NETBible
  • die English Standard Version

:. Estas edições online correspondem às edições impressas oficiais. O download completo dos textos não está disponível.


:. Our online Bibles are the official Internet editions of individual academic biblical texts. They are always the most up to date versions.


:. Unsere Online-Bibeln sind die offiziellen Internet-Ausgaben der jeweiligen Ausgaben. Sie sind immer auf dem aktuellen Stand. Bei allen Bibeln auf diese Website ist die Online-Nutzung kostenlos. Über die Zwischenablage dürfen Sie einzelne Textstellen kopieren und können sie von da in andere Anwendungen einfügen. Der komplette Download des Textes ist hingegen technisch nicht vorgesehen und auch lizenzrechtlich nicht gestattet. Ohne schriftliche Genehmigung der Rechteinhaber ist auch jede anderweitige Veröffentlichung und jede Einbindung in andere Anwendungen untersagt.

Vídeo sobre os falsos códices de chumbo

Tom Verenna, em seu biblioblog The Musings of Thomas Verenna traz um vídeo, de uns 10 minutos, no qual mostra os falsos códices de chumbo que diziam ser do começo do cristianismo e que causaram tanta polêmica a partir de abril deste ano.

Jordan Lead Codices: Exposing the Fakes [Updated] – September 3, 2011 by Tom Verenna

A reação da biblioblogosfera também pode ser vista neste post.

Leia Mais:
Códices de chumbo do começo do cristianismo?
Links para textos sobre os códices de chumbo
Os códices de chumbo na blogosfera

Mês da Bíblia 2011: Êxodo, segundo Mesters e Orofino

MESTERS, C.; OROFINO, F. A Caminhada do Povo de Deus. Os desafios da travessia: Ex 15-18. São Leopoldo: CEBI, 2011, 48 p. – ISBN 9788577331253

Por Luciano Giopato Roncoleta

Carlos Mesters nasceu na Holanda em 20 de outubro de 1931, mas veio para o Brasil em 1949. Cursou Teologia no Angelicum, em Roma, e Ciências Bíblicas no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na École Biblique de Jerusalém. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa do Instituto Teológico São Paulo (ITESP). Idealizador do CEBI, Mesters é um dos principais exegetas brasileiros. Francisco Orofino é biblista e educador popular. É também assessor nacional do CEBI e do ISER. Fez doutorado em Teologia Bíblica na PUC-Rio (2000).

Ao apresentar este subsídio, os autores explicam o assunto, o tema, o lema e o objetivo a ser alcançado neste Mês da Bíblia de 2011. Explicam também que a palavra “caminhada”, entendida como travessia de uma situação de opressão para a situação de vida plena, presente no título deste livro, era a mais usada pelos primeiros cristãos para designar o movimento de Jesus e que até hoje esta é a palavra mais usada para designar o movimento de renovação da Igreja através das CEBs. O livro, dizem, tem duas partes: uma curta e uma longa. A curta dá uma visão global da Caminhada do Povo de Deus descrita no Livro do Êxodo; a longa traz oito Círculos Bíblicos que fazem uma Leitura Orante de Ex 15-18 e Ex 20.

:: Na primeira parte do livro, a curta, se mostra como Ex 15-24, em dez capítulos e duas partes, descreve a caminhada o povo após a travessia do mar e, em seguida, a celebração da Aliança entre Deus e o povo no Sinai.

Ora, os casos contados em Ex 15-18 são muito simples, bem populares, às vezes exagerados – quem conta um conto, aumenta um ponto! -, mas não para enganar e sim para mostrar melhor a mensagem que os fatos tinham para a caminhada do povo. E em Ex 19-24 os seis capítulos trazem um roteiro litúrgico no qual o povo celebra tudo aquilo que tinha aprendido na caminhada pelo deserto. No Mês da Bíblia deste ano aprofundaremos a primeira parte – Ex 15-18 (e Ex 20) – desta que os autores chamam de Cartilha da Caminhada do Povo de Deus.

Cartilha que é, como dizem, uma parede nova feita com tijolos velhos. Os tijolos podem ser lá do começo de Israel – séculos XII e XI a.C. – mas a parede foi feita devagar, começando talvez na época do rei Ezequias, no século VIII a.C., continuando na época do rei Josias, século VII a.C., e só terminando lá pelo século V a.C., no pós-exílio, na época de Esdras. Esta Cartilha foi, em Israel, uma das ferramentas mais importantes para animar o povo nas dificuldades, para lembrá-lo de suas origens e da necessidade de manter o compromisso da Aliança. É uma Cartilha que traz o passado para o presente do povo, para mostrar que o êxodo continua acontecendo na sua vida, assim, como nós, ao retomarmos o tema, queremos lembrar que o êxodo acontece sempre, acontece aqui no Brasil hoje.

:: Na segunda parte do livro, a longa, estão os oito Círculos Bíblicos. Olhando para estes textos se vê que, durante a caminhada contada em Ex 15-18, o povo reclama, a toda hora, de Moisés e até de Deus. Quem escreveu o Livro do Êxodo chamou isso de murmuração, que é uma fala em voz baixa, um resmungo. Dizemos: “que sujeito mais resmungão”; ou: “pare de resmungar, menino”! Por isso, nos Círculos é bom a gente ver como eles conseguiram vencer as causas da murmuração, do resmungo, e continuar sua caminhada.

Assim, na lista dos oito Círculos Bíblicos a palavra “murmuração” sempre aparece:

  • Primeiro Círculo: Ex 15,1-21 – a força do canto da vitória vence a murmuração provocada pelo medo
  • Segundo Círculo: Ex 15,22-27 – a luz da Lei de Deus vence a murmuração provocada pela sede
  • Terceiro Círculo: Ex 16,1-36 – a segurança da partilha vence a murmuração provocada pela fome
  • Quarto Círculo: Ex 17,1-7 – a certeza do Deus conosco vence a murmuração causada pela descrença.
  • Quinto Círculo: Ex 17,8-16 – a esperança da oração vence a murmuração causada pelo desânimo
  • Sexto Círculo: Ex 18,1-12 – a união das famílias vence a murmuração causada pela divisão
  • Sétimo Círculo: Ex 18,13-27 – a participação nas decisões vence a murmuração causada pela dominação
  • Oitavo Círculo: Ex 20,1-21 – a liberdade dos mandamentos vence a murmuração causada pelo legalismo.

Para cada Círculo Bíblico os autores propõem a seguinte dinâmica:
Acolhida – preparando o ambiente
1. Vivências da caminhada do povo de hoje – pensar numa situação real e fazer perguntas para despertar a partilha
2. Vivências da caminhada do povo da Bíblia – chave de leitura; leitura lenta e atenta do texto; refletir para enxergar melhor; fazer perguntas que ajudam a descobrir a mensagem para nós hoje
3. Chegar a um compromisso diante de Deus – ligar o ontem com o hoje e orar
4. Uma reflexão para enxergar melhor – subsídio para ajudar a diminuir a distância que nos separa do êxodo no tempo e no espaço: do século XII a.C. para hoje são mais de 3 mil anos, do norte da África para o Brasil são cerca de 12 mil km…

Como todo mundo já sabe, os livros de Carlos Mesters – aqui com Francisco Orofino – são escritos em uma linguagem clara, fácil, prática, que cativa o leitor já no primeiro parágrafo. Não são invenções teológicas amargas enfiadas à força na goela do povo, pois a preocupação é sempre ler a vida com a ajuda da Bíblia e não a Bíblia com a ajuda da vida.

Ou, dizendo de outro modo: estimulado pelos problemas da realidade (pré-texto), o povo busca uma luz na Bíblia (texto), que é lida e aprofundada dentro da comunidade (con-texto). O pré-texto e o con-texto determinam o “lugar” de onde se lê e interpreta o texto. Sobre este método, as pessoas interessadas podem ler mais aqui.

NT Blog de Mark Goodacre comemora hoje 8 anos

O NT Blog de Mark Goodacre está comemorando hoje seu oitavo aniversário.

Mark Goodacre com seu blog foi uma inspiração para muitos de nós, biblioblogueiros.

Eu chamei a atenção para isso, no meu caso, em entrevista a Jim West feita em setembro de 2006:

Quando comecei a ler sistematicamente os biblioblogs de Mark Goodacre, James Davila e o seu [Jim West], foi que surgiu a ideia de começar o meu próprio blog

Parabéns Mark Goodacre. Ou, como costumam dizer em inglês: Happy blogiversary!

What we do in life echoes in eternity… O que fazemos em vida ecoa na eternidade (Gladiator – O Gladiador).

Leia Mais:
Recuperação das entrevistas dos biblioblogueiros
O que é um biblioblog?
Jim Davila fala sobre os biblioblogs no século XXI
Um blog é uma ferramenta democrática

Mensagem de Dom Jacinto Bergmann para o Mês da Bíblia 2011

Dom Jacinto Bergmann, Arcebispo de Pelotas e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética divulgou a seguinte mensagem para o Mês da Bíblia 2011:

Mês de Setembro para a nossa Igreja no Brasil já é, por uma bonita tradição, sinônimo de MÊS DA BÍBLIA. O grande São Jerônimo, presbítero e doutor, cuja memória celebramos no final do mês de setembro, dia 30, nos motivou desde o início e motiva ainda hoje para a dedicação do mês de setembro inteiro para ser o da Bíblia. Sabemos da importância do trabalho bíblico de São Jerônimo realizando a tradução da Vulgata; e sua frase é emblemática: “Desconhecer as Escrituras é desconhecer o Cristo”.

Também já é uma bonita tradição, a CNBB, através da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, oferecer um tema para o Mês da Bíblia para o estudo, a reflexão, a oração e a vivência da Palavra de Deus. O tema pode girar ou em torno de trechos bíblicos, ou de um Livro bíblico, ou até de um conjunto de Livros bíblicos. A escolha do tema para o Mês da Bíblia deste ano de 2011, concentrou-se no trecho do Livro do Êxodo, capítulos 15,22 a 18,27, que é conhecido como o “Livro da Travessia”. É necessário olharmos as etapas da travessia desértica do Povo de Deus, saindo do Egito e buscando a Terra Prometida: as dificuldades enfrentadas pelo Povo de Deus, tanto os problemas da natureza, quanto os desafios oriundos pela convivência humana, criaram a necesidade de enraizar e vivenciar a fé, a esperança e o amor em Deus. Queremos aprender com o Povo de Deus a realizarmos a nossa travessia de discipulado e missão. Eis, pois, o tema tão propício para o Mês da Bíblia de 2011: “Travessia, passo a passo, o caminho se faz”. Mas, o fundamental em tudo isso, é estar próximo ao Senhor Deus. Assim, do capítulo 16, versículo 9, é tirado também o lema: “Aproximai-vos do Senhor”.

Vamos viver intensamente o Mês da Bíblia em todas as nossas comunidades cristãs espalhadas pelo território nacional. Que bom que temos um Subsídio elaborado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, que, usado em nossos Grupos Bíblicos, nos ajudará a conhecer e interpretar, a comungar e orar, a evangelizar e proclamar a Palavra de Deus e assim caminharmos sempre mais para uma verdadeira ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL, formando entusiastas discípulos missionários de Jesus Cristo.

Fonte: CNBB – 01 de setembro de 2011 09:41

Leia Mais:
Mês da Bíblia 2011: Ex 15,22-18,27 – Um
Mês da Bíblia 2011: Ex 15,22-18,27 – Dois
Mês da Bíblia 2011: subsídios apresentados pelos alunos
Alguns comentários do Livro do Êxodo

Mês da Bíblia 2011: Êxodo, segundo Pixley

PIXLEY, G. V., Êxodo. São Paulo: Paulus, 1987, 252 p. – ISBN 8505006224 – Original disponível online: Éxodo, una lectura evangélica y popular. México, 1983

Por Mateus Morais e Silva

O presente texto tem como objetivo apresentar interpretações relevantes a partir da proposta da CNBB para o Mês da Bíblia de 2011. A obra Éxodo, una lectura evangélica y popular, de George V. Pixley, traduzida do espanhol para o português por J. Rezende Costa é o embasamento deste trabalho.

É necessário salientar que não se trata de esgotar as interpretações ou comentários exegéticos sobre os textos bíblicos abordados. Mas de auxiliar na compreensão de tais textos, que no decorrer da história contribuíram de alguma forma para o reconhecimento e/ou descobrimento de um Deus que não oprime, mas que liberta das mãos dos opressores.

De acordo com Pixley, a exegese liberal – predominante nos séculos XIX e metade do XX – muito cooperou para valorizar o Antigo Testamento. Tal contribuição foi sendo aprimorada nos grandes centros de estudos, sobretudo dos países desenvolvidos, vindo ao encontro de uma maneira já “popularizada” de ler a Bíblia nos países menos desenvolvidos. Alguns avanços foram possíveis graças à aproximação dos trabalhadores e camponeses com a Sagrada Escritura.

É indispensável para o povo cristão saber como se lê o livro do Êxodo, pois ele apresenta a libertação do povo do Deus, sendo este o ponto de partida para a compreensão do que mais tarde será um evento determinante e salvífico, o anuncio do Reino, a Boa Nova.

São de suma importância algumas informações sobre o Livro do Êxodo: é o segundo dos cinco livros atribuídos a Moisés e possui quarenta capítulos. A palavra Êxodo significa “saída” e vem da Septuaginta (LXX), a mais antiga tradução grega do Antigo Testamento hebraico.

Êxodo conta a história da saída de toda uma nação – Israel – do Egito para começar uma vida nova. Não há em toda a história humana uma coisa mais espetacular do que a saída de Israel do Egito, uma revelação de Deus mais solene do que a do Monte de Sinai, uma construção (estrutura) mais significante do que o Tabernáculo e nem uma figura humana maior do que Moisés no Antigo Testamento.

O personagem principal deste livro é Moisés. Ele foi chamado para a importante missão de libertar o povo do Egito e conduzi-lo para a Terra Prometida. Mas também Deus é personagem principal, pois é Ele mesmo quem caminha com o povo e com ele faz história. Em Ex 3,13-14 Deus revela seu verdadeiro Nome, e diz que é o mesmo Deus da Promessa feita aos Patriarcas.

Pixley procura explicar os textos do Êxodo como um todo literário. Assim sendo, vale ressaltar que é fundamental o reconhecimento de que o Pentateuco não é obra de apenas um autor. Três grandes tradições, em três épocas diferentes, estão misturadas nos livros do Pentateuco. Em primeiro lugar a Javista (J), aquela que sempre chamava Deus de Javé, em seguida a Eloísta (E), que se refere a Deus usando o termo Elohim, e, por fim, a tradição Sacerdotal (P, do alemão “Priester” = Sacerdote).

A tradição Sacerdotal (P) é muito particular e por isso se distingue das outras. Quando se fala do Sinai, por exemplo, existe uma complexidade literária tão grande que é difícil perceber onde estão as tradições Javista ou Eloísta, enquanto que a tradição Sacerdotal pode ser facilmente reconhecida. Tomadas em conjunto, porém, estas três dimensões ajudam a esclarecer o texto.

No decorrer da história os relatos foram sendo modificados para responder aos interesses do povo em seus diferentes momentos. Nos textos sobre o Êxodo, quatro momentos podem ser vistos, cada um em seu próprio contexto. Vamos falar, assim, de quatro níveis do relato.

O primeiro nível corresponde ao grupo que viveu a experiência da libertação do Egito. Explica Pixley: “Este nível do texto está tão encoberto por níveis posteriores, que já não se pode identificá-lo no texto atual, mas é de certa importância não perdê-lo totalmente de vista, justamente por ser o primeiro relato do êxodo. Neste comentário proponho a hipótese de que o grupo que experimentou o êxodo foi um grupo heterogêneo de camponeses no Egito, acompanhado por um grupo de imigrantes das regiões orientais” (p. 10).

o segundo nível possui marcas de reprodução das tribos de Israel na terra de Canaã. Havia nas cidades os senhores, os quais cobravam pesados impostos, assim sendo, os camponeses contrários a estes senhores provocaram uma série de levantes contra a exorbitante cobrança dos tributos. As tribos que diretamente viviam sob esta condição se refugiavam pelas montanhas e começavam, então, a formar alianças para garantir a própria segurança. Uma aliança dessas tribos rebeldes ficou conhecida como Israel.

Mas quando chegamos ao terceiro nível, o êxodo é apresentado como uma luta entre dois povos, Israel, liderado por Moisés, e o Egito, liderado pelo Faraó. Isto é resultado da instituição da monarquia israelita, que necessita de uma produção ideológica que sustente o novo consenso nacional e que não deve ser nem revolucionária e nem antimonárquica. “Como parte deste esforço se reproduziu o relato indispensável do êxodo, para fazer dele uma luta de libertação nacional e não mais mera luta de classes” (p. 11). Neste nível, Pixley situa as tradição Javista (J), mas também situa a tradição mais crítica e de linha profética conhecida como Eloísta (E).

O quarto nível, enfim, exibe com destaque a libertação como um ato de Iahweh, “para demonstrar sua indiscutível divindade, e do Sinai o momento em que Iahweh revela a seu povo o culto que lhe devia prestar. Este é o período da vida judaica sob o império persa no século V a.C.” (p. 12). Podemos identificar este nível com o relato Sacerdotal (P), quando a história do êxodo torna-se a história da fundação da comunidade religiosa daqueles que obedecem, com exclusividade, a Iahweh e seus preceitos.

Ora, fazendo uma inversão e olhados na ordem em que aparecem no texto atual, de cima para baixo, os quatro níveis da reprodução do relato do Êxodo são:
4) Iahweh x ídolos: história da fundação da comunidade religiosa (P)
3) Israel x Egito : libertação nacional – luta pela identidade nacional (J e E)
2) Israel x Canaã: luta contra a monarquia que sustenta as cidades cananeias – fase oral dos relatos
1) Moisés x Faraó: camponeses e imigrantes se levantam contra o Faraó – o nível da experiência do êxodo encoberto pelos textos atuais

Apresento, enfim, algumas características que permeiam o itinerário de todo o texto do Livro do Êxodo.

A falta de água (Ex 15, 22-27), era o grande desafio e perigo maior enfrentado no deserto. O povo, frente a tal dificuldade, murmura contra Moisés. Iahweh indica a Moisés como tornar a água de Mara (amarga) em água potável.

Também a falta de alimentos era uma forma de ameaça para o povo (Ex 16, 1-36). No Egito o alimento estava garantido, mas no deserto Israel se encontrava em situação difícil e daqui resulta o perigo da fome. Moisés apresentava Iahweh àquele povo como o libertador, porém não o viam assim, devido ao modo de vida que tinham no deserto. Iahweh vem ao encontro do povo para resolver a sua grande aflição.

Ao faltar água novamente, parece haver um confronto com Moisés, mas, na verdade, o povo duvida que a ação de Iahweh aconteça na história. Contudo, quando o profeta se depara com a lamentação do povo, recorre a Iahweh e reconhece a intervenção divina que o fizera sair de uma situação de morte para poder viver.

E as atribulações e provações se multiplicam, como, por exemplo, um ataque dos amalecitas, inimigos que atacavam Israel vindos de fora do país…

Mês da Bíblia 2011: Êxodo, segundo a Vida Pastoral

VV.AA. Animação Bíblica da Pastoral: passo a passo a travessia se faz. Vida Pastoral, São Paulo, n. 280, setembro-outubro de 2011, 64 p.

Por Edson Carlos Braz

A revista Vida Pastoral de setembro-outubro de 2011 – ano 52 – n. 280, traz 4 textos sobre Ex 15,22-18,27. Pelo menos durante os meses de setembro/outubro, pode-se fazer o download deste número da Vida Pastoral, que está disponível na Internet, no site da Paulus/Paulinos, em formato pdf.

Os textos foram escritos pela Equipe do Centro Bíblico Verbo, destacando-se os nomes de Maria Antônia Marques e Shigeyuki Nakanose.

Observo aqui que os artigos são versões um pouco mais resumidas de 4 dos 6 textos que foram publicados pelo mesmo Centro Bíblico Verbo no livro A caminhada no deserto: entendendo o livro do Êxodo 15,22-18,27. São Paulo: Paulus, 2011, 112 p., aqui apresentado pelo estudante do Primeiro Ano de Teologia do CEARP, Wesley Gonçalves de Oliveira.

Os quatro artigos são:

  • A caminhada no deserto: Introdução à leitura de Êxodo 15,22-18,27 – Equipe do Centro Bíblico Verbo
  • Não acumular… memória que deve permanecer viva! Uma leitura de Êxodo 16,1-3.12-21 [os episódios do maná e das codornizes] – Maria Antônia Marques
  • Deus está em guerras? Uma leitura de Êxodo 17,8-16 [combate contra Amalec] – Shigeyuki Nakanose
  • Mulher, homem e família. Uma leitura de Êxodo 18,1-12 [chegada do sogro Jetro, da mulher Séfora e dos filhos de Moisés] – Maria Antônia Marques e Shigeyuki Nakanose

O estudo começa fazendo uma introdução de como foi a caminhada do povo, que acabara de ser liberto do Egito e estava procurando a terra prometida. Também trata do significado do nome do livro e do período em que foi escrito, especificando o seu contexto econômico, político e religioso, enfatizando a maneira em que o mesmo fora escrito, tendo havido muito tempo de transmissão oral até a época bem mais recente da escrita. O artigo está dividido em três etapas: 1. o contexto das narrativas da travessia no deserto; 2. como entender o livro do êxodo e 3. chaves de leitura para os textos de Ex 15-18.

Como parte do Pentateuco ou Torá (Lei), o Livro do Êxodo conta o começo da história de Israel, falando sobre o povo escolhido que anseia em chegar à terra prometida. Os acontecimentos do Êxodo são fundamentais para a reflexão teológica de Israel, pois fala de um povo que está a caminho e essa caminhada deve ser sempre recordada.

Entretanto, essa história da saída do Egito foi transmitida de forma oral e só muitos séculos depois veio a ser escrita. Por isso, as narrativas expressam, muitas vezes, conflitos posteriores do povo israelita. Se as narrativas remontam a uma memória do século XIII a.C., a forma final, escrita, como a temos hoje, pode ser situada no pós-exílio, no final do século V a.C., por volta do ano 400, em pleno regime teocrático sob o controle dos sacerdotes do Templo de Jerusalém, que, por sua vez, obedeciam aos interesses geopolíticos do Império Persa. Marcas deste período nos textos são, por exemplo, as instituições oficiais e a teologia monoteísta do Deus único.

Maria Antônia Marques faz, no segundo artigo, uma leitura de Êxodo 16,1-3.12-21, onde está o relato do maná, que em hebraico é “man hû”, que, é, afinal, uma pergunta: “O que é isso?” Trata-se da secreção produzida por insetos que se alimentam de tamargueiras e é composta de uma substância açucarada que se solidificada no ar seco e frio da noite, mas que derrete sob o calor do sol. É possível encontrá-la na região central do Sinai, nos meses de maio e junho.

No mês de setembro as codornizes retornam de sua migração na Europa, impelidas pelo vento oeste, e são facilmente abatidas, e em grande quantidade, na costa do deserto. A autora nos alerta que “é possível que esse capítulo reúna memórias de diferentes grupos que deixaram o Egito separadamente (cf. Ex 7,8;11,1), seguindo por diferentes caminhos(Ex 13,17). Em sua fuga, o povo foi se ajeitando como era possível, alimentando-se com o que encontrava no deserto. Depois de muitos anos, o povo revê a sua trajetória e relê esses fatos como providência especial de Deus” (p. 26).

Na última parte deste artigo, Maria Antônia Marques explica o significado do milagre na Bíblia, que não é visto como algo que viola as leis da natureza (desconhecidas na época), mas como um prodígio, uma maravilha, fato extraordinário que revela a ação de Deus.

Há ainda dois outros artigos. Mas, para terminar, quero lembrar que quando fazemos um estudo de textos bíblicos é preciso nos situarmos no tempo, na história e saber entender o ambiente em que foi escrito e a maneira pela qual foi transmitida a mensagem antes da mesma ser escrita.

O Êxodo, livro da saída, quer mostrar a busca do povo por uma terra justa onde as pessoas não fossem oprimidas e vivessem dignamente, na solidariedade e respeito mútuo. E essa busca também está presente na sociedade hodierna, onde há pessoas exploradas e vítimas de preconceito, mas vivendo em busca de um norte para sua realização. Ao fazer memória é sempre preciso ter em mente as perdas e conquistas, para prosseguir continuamente.