Novo livro do Cassio: lançamento em 3 de setembro

Hoje Cássio Murilo Dias da Silva enviou-me dois pequenos textos com autorização para publicá-los no Observatório Bíblico. Quero lembrar aos leitores que Cássio estará lançando seu novo livro Leia a Bíblia como literatura. São Paulo: Loyola, 2007, 104 p. ISBN 9788515033072, no dia 3 de setembro próximo, como noticiei no link acima.

Os textos abaixo são um Curriculum Vitae do autor e um press-release do livro.

“Meu nome, Cássio Murilo Dias da Silva. Sou nascido em Jundiaí e criado em Campo Limpo Paulista.

Fiz o ensino médio e fundamental em Campo Limpo, nas escolas ‘Francisco Monlevade’ e ‘XV de Outubro’. Cursei a Filosofia no Seminário de Jundiaí e a Teologia na PUC de Campinas. Entre 1988 e 1992, cursei o Mestrado no Instituto Bíblico de Roma, e para lá voltei em 2001, para obter o Doutorado nas chamadas ‘Ciências Bíblicas’. Trata-se de um estudo aprofundado da Bíblia e de tudo o que a ela se relaciona: as línguas antigas, a história antiga, a sociedade e a cultura do povo de Jesus.

Nesta semana lanço meu terceiro livro: Leia a Bíblia como literatura.

O primeiro – Metodologia de exegese bíblica – apresenta as técnicas necessárias para se ler a Bíblia de modo científico. O segundo – Aquele que manda a chuva sobre a face da terra – é a minha tese doutoral, um estudo profundo de alguns trechos do Antigo Testamento, nos quais Deus aparece como o criador e o dominador das chuvas. Este terceiro livro reelabora de modo mais simples várias coisas que já haviam aparecido no Metodologia, mas agora com uma linguagem mais acessível e, por outro lado, com algumas complementações.

Este livro constitui uma ‘caixa de ferramentas’ para quem já tem algum contato com a Bíblia na oração e na catequese, mas não está satisfeito somente com isso e quer mais. Não é uma introdução à Bíblia, e sim uma introdução à leitura da Bíblia como uma obra literária, que não perde nada para os grandes romances ou livros de aventura ou as poesias clássicas.

Isso não diminui em nada o valor da Bíblia. Bem ao contrário, recoloca a Bíblia em seu devido lugar, pois ela não é uma palavra de Deus que ‘caiu do céu em dia de limpeza’, e sim a Palavra de Deus em palavras humanas. Neste novo livro, mostro como os autores bíblicos usaram o que tinham de melhor para transmitir com respeito, veneração e amor a mensagem de Deus. Por isso, o título do livro é um desafio, mas também um conselho: ‘leia a Bíblia como literatura’”.

Até aqui o Curriculum. Agora o press-release:

Leia a Bíblia como literatura: este título quer ser uma provocação, quase um desafio, e nos convida a ler a Bíblia, não como um depósito de verdades ou um repertório de conselhos a serem utilizados na pregação e da doutrinação, e sim lê-la pelo simples prazer de ler uma obra bem escrita.

Sacrilégio? De forma alguma. Se assim o fosse, os primeiros sacrílegos seriam os autores humanos que emprestaram a Deus palavras, conceitos, figuras literárias e os muitos outros elementos que compõem o texto bíblico. De fato, os livros bíblicos não perdem em nada para as grandes obras da literatura universal, nem os autores sagrados são inferiores a tantos mestres da literatura mundial. Todavia, nossa preocupação em ler os textos bíblicos para dele extrair mensagens espirituais quase sempre faz com que não percebamos como os textos bíblicos são bem formulados, com uma profundidade poética impressionante e com um vigor narrativo invejável.

Leia a Bíblia como literatura quer abrir horizontes e oferecer um instrumental acessível aos que já amam a Palavra de Deus e querem aprender a amá-la ainda mais”.

Resenhas na RBL – 28.08.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Elizabeth Boase
The Fulfilment of Doom? The Dialogic Interaction between the Book of Lamentations and the Pre-exilic/Early Exilic Prophetic Literature
Reviewed by Bradley C. Gregory

Michael Carasik
Theologies of the Mind in Biblical Israel
Reviewed by David Lambert

John A. Dennis
Jesus’ Death and the Gathering of True Israel: The Johannine Appropriation of Restoration Theology in the Light of John 11.47-52
Reviewed by Mary L. Coloe

Thomas B. Dozeman and Konrad Schmid, eds.
A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation
Reviewed by J. Harold Ellens

Jörg Frey, Jan G. van der Watt, and Ruben Zimmerman, eds.
Imagery in the Gospel of John: Terms, Forms, Themes, and Theology of Johannine Figurative Language
Reviewed by Dorothy Lee

Zev Garber, ed.
Mel Gibson’s Passion: The Film, the Controversy, and Its Implications
Reviewed by Timothy D. Finlay

Annalisa Guida and Marco Vitelli, eds.
Gesù e i messia di Israele: Il messianismo giudaico e gli inizi della cristologia
Reviewed by Ilaria Ramelli

Michael W. Holmes
The Apostolic Fathers in English
Reviewed by Hennie Stander

Jon D. Levenson
Resurrection and the Restoration of Israel: The Ultimate Victory of the God of Life
Reviewed by Stephen L. Cook

Antti Mustakallio, ed., in collaboration with Heikki Leppä and Heikki Räisänen
Lux Humana, Lux Aeterna: Essays on Biblical and Related Themes in Honour of Lars Aejmelaeus
Reviewed by Korinna Zamfir

Anson F. Rainey and R. Steven Notley
The Sacred Bridge: Carta’s Atlas of the Biblical World
Reviewed by Oded Borowski

Ben-Zion Rosenfeld and Joseph Menirav
Markets and Marketing in Roman Palestine
Reviewed by Michael Trainor

C. Kavin Rowe
Early Narrative Christology: The Lord in the Gospel of Luke
Reviewed by Joel B. Green

Gregory Tatum
New Chapters in the Life of Paul: The Relative Chronology of His Career
Reviewed by Eve-Marie Becker

Gerd Theissen
The Bible and Contemporary Culture
Reviewed by Christian Danz

Sobre o Colóquio “A Bíblia e suas Traduções”

Como noticiado neste blog, em 23 de julho passado, no post UFMG: The Bible and its Translations, foi realizado nos dias 22 a 24 de agosto na Faculdade de Letras da UFMG, Belo Horizonte, MG, o I Colóquio Internacional “A Bíblia e suas Traduções”.

Dois colegas do grupo “Biblistas Mineiros” estiveram presentes: Johan Konings, que apresentou um trabalho, e Telmo Figueiredo, que enviou-me por e-mail alguns detalhes do evento e os resumos dos trabalhos. Diz Telmo que um livro com todas as Conferências e Comunicações será publicado pela Editora da UFMG possivelmente até o final deste ano [Obs.: saiu em 2009, veja no final do post]. E complementa com uma boa notícia: Algo importante a ser observado é que os estudos literários sobre a Bíblia entraram, para valer, no gosto de várias Faculdades de Letras do país e que núcleos de estudos judaicos e bíblicos têm sido formados em várias Universidades, o que é um grande avanço em nosso país.

Dos 27 resumos dos trabalhos apresentados, escolhi sete, meio ao acaso, a modo de exemplo do que lá foi debatido.

:: A tradução bíblica na perspectiva dos estudos da religião
> Tradução, tradição e o presente eterno do texto sagrado – Prof. Dr. Steven Engler, Mount Royal College, Canadá – PUC/SP, Brasil
No caso de textos sagrados, a idéia do texto único e original ganha uma grande força normativa. Neste contexto, a tradução interlingual se torna parte da transmissão de uma tradição religiosa. Esta apresentação coloca insights retirados dos debates sobre “a invenção da tradição” e das teorias antropológicas e sociológicas da dádiva, salientando as funções sociais de duas idéias: a transmissão pura do original dentro de uma comunidade e a transmissão fora destes limites sociais. Uma das funções da “ideologia da dádiva pura” (Jonathan Parry) é de legitimar o presente contingente (no sentido temporal) através do presente puro (no sentido econômico) do texto sagrado.

:: A Bíblia e os seus tradutores
> Tradução e Ideologia – Prof. Lysias Oliveira Santos, Seminário Teológico de São Paulo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil
Nesta comunicação, espera-se, apresentar uma versão resumida de uma pesquisa sobre as motivações externas que podem interferir no ato tradutivo da Bíblia. Essa pesquisa abrange um levantamento no campo da teoria da tradução e, especificamente, da tradução da Bíblia. Sendo assim, propõe-se um método e uma tentativa de sua aplicação em algumas situações em que as motivações externas parecem ser fatores de influência direta no resultado da tradução.

:: A Bíblia e a criação do mundo
> As múltiplas faces de Eva na poesia hebraica – Profª. Drª. Nancy Rozenchan, USP
Utilizando quatro poemas da literatura hebraica contemporânea, a presente comunicação se propõe contrapor a eles três correntes que resumem as muitas transformações que a figura prototípica de Eva experimentou em sua rota tanto na literatura judaica como fora dela: de ser intimamente associada ao mal, de ser identificada com desejos carnais, e, por ter sido ela que teve tratos com a serpente, de ser dona de um poder demoníaco fatal. Serão abordados poemas (em tradução) de Iaacov Fihman, que indica a essência ambivalente da personagem Eva; de T. Carmi, que se centra sobre o poder e a força positiva do conhecimento feminino, de Ionatan Ratosh, além de ressaltar relações básicas homem/mulher, expressando um movimento constante entre domínio e ser dominado; além do uso metafórico do relato bíblico, de Dan Paguis, um dos mais impressionantes de que se tem conhecimento na poesia hebraica.

:: A Bíblia, o cinema, as artes
> Escândalos e blasfêmias: o sagrado e o profano na obra de Pasolini – Prof. Dr. Luiz Nazario, UFMG
Embora Pasolini não acreditasse na divindade de Cristo, acreditava na força poderosa que chamava de Sagrado e dizia que seria um louco se deixasse essa dimensão exclusivamente aos padres, como se o Sagrado fosse um monopólio da Igreja. Evidentemente, a tradição cristã nas igrejas e catedrais, na arte sacra e na hagiografia contava muito para Pasolini, e sua obra é testemunha disso. Mas, para ele, o Sagrado não era, necessariamente, o que a Igreja definia como tal. Para Pasolini, o Sagrado era uma força poderosa que existia dentro de todo ser humano; a mesma força que Freud chamou de Eros, em eterna luta contra Tânatos; a própria energia vital que cada um, ao longo da existência, dirige singularmente a objetos diversos: os religiosos a Deus, os burgueses ao dinheiro, os militantes ao poder. Pasolini dirigia essa energia ao sexo dos jovens e rapazes do povo.

:: A Bíblia e suas metáforas
> Destraduzindo a Bíblia: a realização utópica de Haroldo de Campos do signo Bíblico – Prof. Dr. Enrique Mandelbaum, USP
Haroldo de Campos, em suas traduções da Bíblia, realiza um intenso diálogo hermenêutico-ecumênico e suscita uma fantástica cenografia espiritual para enuclear o signo bíblico. Desse modo, ele traz, à cena, uma leitura que implica e reúne a história das leituras bíblicas.

> O Apocalipse como obra aberta – Prof. Bruno Loureiro Fernandes, UNI-BH
O Apocalipse foi utilizado em narrativas ficcionais (O Nome da Rosa, O Pêndulo de Foucault, A Misteriosa Chama da Rainha Loana); e em trabalhos teóricos (Apocalípticos e integrados), pelo escritor e pesquisador italiano Umberto Eco. Sua visão do texto do Evangelho Segundo São João parece enfatizar seu caráter poético, bem como inserir a narrativa bíblica no conceito de “obra aberta”, por ele desenvolvido em obra homônima. O objetivo desta comunicação é, sobretudo, refletir sobre os textos literários do autor à luz de sua teoria.

:: Desafios da Tradução: Bíblia Hebraica e Cristã
> O problema da tradução da Bíblia no Brasil hoje – Prof. Dr. Johan Konings, FAJE, Belo Horizonte
O panorama atual das traduções no Brasil; o texto: questões documentais, sócio-histórico-culturais, lingüísticas; tradução e exegese; a comunidade interpretadora e a alteridade do texto; tradução para a leitura fiel em nosso meio; traduções formais, traduções dinâmicas e paráfrases; traduções eruditas e traduções pastorais.

GOHN, C.; NASCIMENTO, L. (orgs.) A Bíblia e suas traduções. São Paulo: Humanitas, 2009, 300 p. – ISBN 9788577321087

A atual guerra do Peloponeso contra o fogo

Não a antiga guerra, entre Atenas e Esparta, de 431 a 404 a.C., mas a atual, contra os devastadores incêndios que se espalharam pela Grécia, em especial na região do Peloponeso. As ruínas da antiga Olímpia foram salvas com muito esforço.

Se não tomarmos juízo, a pequena nave, vulgo Planeta Terra, pode ficar muito danificada para sustentar a vida.

Por aqui, região de Ribeirão Preto, região de canaviais, o clima está muito ruim, com uma névoa seca que tomou conta do ar, de ontem para cá, com atmosfera totalmente cinza, enfumaçada.

Haze, em inglês, aponta o Weather Watcher para a região: névoa seca, em associação com a poeira, fumaça e outros poluentes.

Estudo do clima ajuda a explicar a História

Veja, em artigo do jornal israelense Haaretz, de 23/08/2007, assinado por Ofri Ilany, como o estudo das mudanças climáticas ocorridas no passado ajuda a explicar situações históricas, como o (des)povoamento de uma região e deslocamentos de grupos humanos em um território.

Aqui, na região costeira de Canaã, na Idade do Bronze.

 

Researchers say communities abandoned the coastal plain in the Bronze Age due to climate change and flooding

The history of the Land of Israel over the last few thousand years has been fraught with upheavals and wars, and the arrival and disappearance of many peoples. A recently published study raises the possibility of a different kind of cause for shifting settlement patterns in the land some 5,500 years ago: Climate change led to the flooding of the coastal plain (which had been a populated commercial and settlement center) and the creation of many swamps.

The concentration of population, commerce and trade in Israel’s coastal plain is not a phenomenon unique to our era. Even before the events the Bible describes in the Land of Israel, during the early first Bronze Age, 5,500 years ago, numerous communities dotted the coastal strip, from the vicinity of Gaza to the Galilee. The first royal dynasties appeared around that time in Egypt, and clay vessels uncovered in southern coastal communities indicate that the area (apparently under Egyptian control) served as an important trade route for the Egyptians.

And then, 5,500 years ago, say the archaeologists, there was a dramatic change. The coastal region was almost completely abandoned while concurrently in other areas an urban revolution was underway, with large fortified cities being built. After the era of urban, commercial prosperity, for almost a thousand years, the coastal plain mostly contained but a few small and scattered communities.

“The phenomenon is amazing,” says archaeologist Dr. Avraham Faust, director of Bar-Ilan University’s Institute of Archaeology. “There was a fairly large population in the coastal plain, and at the end of a relatively short process it emptied almost completely. In the alluvial areas, nearly all of the communities disappeared. The Egyptians also abandoned the coastal plain and trade no longer passed that way.”

Faust adds: “The key question that engaged us is why? What caused the community to disappear?” His research with Dr. Yosef Ashkenazy, a climate researcher at Ben-Gurion University of the Negev, suggests a comprehensive explanation of the phenomenon: The Canaanite coastal settlements were abandoned in the face of environmental change. Increased precipitation led to the flooding of parts of the coastal plain and to a rise in the level of groundwater, which eventually resulted in the spread of swamps, and that apparently caused the residents to leave the area.

The two researchers’ article appeared recently in the journal Quarternary Research. As part of the study, Faust and Ashkenazy compared the archaeological findings on the thinning of communities in the coastal region with data indicating a rise in precipitation in the relevant period. Among other things, the researchers rely on measurements of precipitation during earlier eras, taken from the Nahal Sorek stalagmites, and evidence of changes in the level of the Dead Sea.

According to Faust, the limestone ridges of the coastal plain blocked the flow of surging rivers, creating a drainage problem, and the swelling waters caused swamps to appear specifically in this area. There are findings that indicate a peak level of swamps in this era, says Faust. Excavations in Tel Aviv, at the Exhibition Grounds, uncovered a settlement that was abandoned a little after 3000 BCE. It was covered by a layer of dark soil that proved to contain “a very high percentage of swamp flora,” says Faust.

One of the most interesting findings, indicating the likeliness of swamps in the coastal region, is the relative abundance of hippopotamus bones uncovered in excavations. Hippopotamuses thrived in the Land of Israel during prehistoric times and are identified as the “behemoths” mentioned in the Bible. The substantial evidence of an increased hippopotamus population indicates these animals came to enjoy more hospitable living conditions, i.e., more swamps, attesting to higher humidity levels.

Faust and Ashkenazy’s study considers the unexpected and considerable impact that climate change can have on a population. “It is usually believed that only a drop in precipitation leads to the abandonment of settlements,” say the researchers. “We are trying to show that an increase in precipitation can also have an impact.”

Grecia em chamas, patrimonio cultural em risco


Informe-se:
Fight to save Olympic birthplace – BBC News: 26 August 2007, 18:52 GMT (com mapa dos incêndios)
Grécia já conta 56 mortos em incêndios; Olímpia é salva – Folha Online: 26/08/2007 – 15h25 (com imagem de satélite da Nasa)
Incêndios ameaçam ruínas antigas de Olímpia na Grécia – BBC Brasil: 26 de agosto, 2007 – 10h10 GMT (com galeria de fotos)

Direito à Memória e à Verdade

Brasil merece “comissão da verdade” sobre 64

A regra de que a História sempre é escrita pelos vitoriosos foi quebrada pelo livro Direito à Memória e à Verdade, obra que relata os 11 anos de trabalho da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos. Pela primeira vez, um documento oficial do governo federal conta a história dos derrotados pela ditadura militar de 1964 (…) O Estado brasileiro assume a versão de que a repressão política decapitou, esquartejou, estuprou, torturou e ocultou cadáveres, entre outros atos cruéis, de opositores da ditadura que já estavam presos e que não tinham como reagir. “A maioria das mortes se deu na prisão, sob intensas torturas”, afirma o livro, que é produzido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. A obra será divulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto (…) Em 1995, o então presidente Fernando Henrique Cardoso teve a coragem de editar uma lei que fez o Estado brasileiro assumir a responsabilidade pela morte de “causas não naturais” dos opositores da ditadura. Foi um grande avanço. Lula, que tinha feito muito menos nessa área do que o antecessor, dá agora um passo importante ao bancar um livro que diz com todas as letras como aconteceram essas mortes de “causas não naturais” (…) O livro traz um resumo sobre 475 casos. Desses, 339 foram apreciados pela comissão de mortos e desaparecidos (…) Editado com tiragem de 5.000 exemplares e 500 páginas, o documento…

Leia o texto completo escrito por Kennedy Alencar na Folha Online de 26/08/2007.

Leia Mais:
Livro relata abusos sexuais contra presos da ditadura – Folha Online: 26/08/2007 – 08h43

Congresso da SBL 2007

É só dar uma passada pelos biblioblogs. Na maioria deles, há, nestes dias, dados sobre o próximo Congresso Anual da SBL, que acontecerá em San Diego, CA, de 17 a 20 de novembro de 2007.

O Congresso Anual da Society of Biblical Literature (SBL) é a maior reunião de biblistas do mundo. Contam-se aos milhares.

Passe pala página e veja o programa, disponível online. Tem tudo o que você possa imaginar, e mais um pouco, sobre estudos bíblicos.

Ainda sobre o projeto de ética mundial de Hans Küng

Na edição 232 da IHU Online, revista do Instituto Humanitas Unisinos, com data de 20 de agosto de 2007, há uma entrevista com os Professores Dr. Vicente de Paulo Barretto, pesquisador da Pós-Graduação em Direito – Unisinos, e Dr. Alfredo Culleton, pesquisador da Pós-Graduação em Filosofia – Unisinos, com o título Ética mundial e Direito: uma contribuição de Hans Küng.

Hoje, 23/08/2007, no evento IHU Ideias, das 17h30 às 19h00 (agora!) eles estão discutindo a importância do projeto de ética mundial de Hans Küng e a sua contribuição para a área do Direito.

Lembro, mais uma vez, que Hans Küng estará no Brasil a partir de 22 de outubro. Além da Unisinos, o teólogo de Tübingen também proferirá palestras na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, no Goethe-Institut de Porto Alegre, na Universidade Católica de Brasília, na Universidade Candido Mendes do Rio de Janeiro e na Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais.

 

Ética mundial e Direito: uma contribuição de Hans Küng

Discutir a importância do projeto de ética mundial de Hans Küng e a sua contribuição para a área do Direito será o objetivo dos professores da Unisinos Alfredo Culleton e Vicente Barretto, no próximo dia 23-08-2007, no evento IHU Ideias, das 17h30min às 19h, na Sala 1G119. E é sobre esse tema que eles concederam a entrevista que segue, por e-mail, à IHU On-Line.

Culleton é graduado em Filosofia pela Universidade Regional no Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Atualmente leciona nos cursos de Graduação e Mestrado em Filosofia na Unisinos. Confira uma entrevista concedida pelo filósofo à IHU On-Line na edição número 160, de 17-10-2005, junto com o historiador Nilton Mullet Pereira, intitulada Em nome de Deus: um retrato de época, comentando aspectos do filme apresentado no Ciclo de Estudos Idade Média e Cinema, promovido pelo IHU; e outra entrevista na 198ª edição, de 02-10-2006, sobre a Idade Média.

Por sua vez, Vicente de Paulo Barretto é professor no PPG em Direito da Unisinos. Livre docente pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), possui graduação em Direito pela Universidade do Estado da Guanabara. Sua atividade acadêmica desenvolve-se na área do Direito, com ênfase em Filosofia do Direito. Barretto foi o idealizador e coordenador científico do primeiro Dicionário de Filosofia do Direito, em língua portuguesa, lançado pela Editora Unisinos, e sobre o qual concedeu uma entrevista para as Notícias do Dia do site do IHU de 09-05-2006.

Culetton e Barretto assinam o número 83 dos Cadernos IHU Ideias, intitulado Dimensões normativas da Bioética.

A palestra da próxima quinta-feira prepara a vinda do teólogo Hans Küng ao Brasil, de 22 a 26 de outubro de 2007. O Ciclo de Conferências com Hans Küng – Ciência e fé – Por uma ética mundial será realizado no campus da Unisinos. Em preparação a este evento, foi criado um Fórum On-line sobre o Projeto de Ética Global de Hans Küng. Para mais informações sobre o ciclo e sobre o fórum, acesse www.unisinos.br/ihu. Hans Küng também proferirá a palestra no campi da UFPR, no Goethe-Institut Porto Alegre, na Universidade Católica de Brasília, na Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro e na Universidade Federal de Juiz de Fora – UFMG.

IHU On-Line – Em que sentido o projeto de ética mundial de Hans Küng pode contribuir para a área do Direito?
Alfredo Culleton e Vicente Barretto – Há tempo, o Direito vem passando por uma crise decorrente da sua filiação a um modelo positivista de ver não só o direito, mas a sociedade e o mundo em geral. Trata-se de uma visão dogmática e fechada sobre si mesma que o foi empobrecendo e isolando da sociedade para a qual está a serviço. Daí que alguns grupos dentro deste universo venham buscando referências para dialogar e revisar as suas bases conceituais, filosóficas, hermenêuticas e políticas, em vistas da sua própria identidade de juristas.

IHU On-Line – É possível pensarmos num único ethos global hoje para toda a humanidade, com todas as suas disparidades? Como isso funciona no caso do Direito? É viável pensarmos num conjunto mínimo de valores morais, normas e atitudes básicas humanas comuns para todos os homens e mulheres do planeta?
Alfredo Culleton e Vicente Barretto – Entendemos que seríamos capazes de formular algumas poucas e mínimas formas básicas de bem humanos; não necessariamente valores morais ou normas comuns a todos os homens, mas sim o reconhecimento de formas básicas de bem para todas as sociedades, de todos os tempos; isto denotaria uma valorização da vida humana; ou a proibição do incesto, ou que toda sociedade humana formulou algum tipo de restrição ao uso da sua sexualidade, ou que o nascimento de uma criança, salvo em casos excepcionais de catástrofes, sempre é considerado um acontecimento bom, digno de celebração. O reconhecimento deste mínimo nos daria condições de discutir políticas, propor universalizações históricas etc.

IHU On-Line – Quais são os valores que devem entrar em jogo ao pensarmos neste ethos mundial que propõe Hans Küng? Onde entram aí as religiões? Qual o papel das religiões quando falamos de valores relacionados à proposta de ética mundial?
Alfredo Culleton e Vicente Barretto – Podemos destacar dois valores ou bens básicos que devem ser conjugados nesta proposta, que sejam a razoabilidade prática que toda ação humana exige de si mesma, isto é, um mínimo de ordem e justificação para as ações, e a religião, no sentido de que toda sociedade humana reconhece uma ordem que o precedeu no tempo e que tem um valor transcendental, ao qual se deve certa gratidão individual e coletiva. O valor da religião está também no fato de que, por mais dogmática que seja, ela exige justificação, busca as suas razões e nessa busca se justifica para o outro, se revisa e se abre para o outro, para a história.

IHU On-Line – Qual é a contribuição do projeto de ética mundial para a política e a democracia?
Alfredo Culleton e Vicente Barretto – Uma grande contribuição é o de trazer a proposta para o debate de maneira séria e sistemática. Nisto se diferencia de outras propostas, como a do Dalai Lama , por exemplo, carregada de boas intenções, mas solta. Também há o fato de trazer para o diálogo temas antigos que, no geral, estão sendo abandonados mesmo pela sociedade civil e os partidos políticos. Nem as universidades, nem as igrejas, nem os jornais, parecem interessados em discutir de maneira séria, e não simplesmente reivindicacionista e queixosa, a questão do futuro da humanidade em sentido político. Há uma grande preocupação com o futuro ambiental e de autopreservação do planeta e uma desvalorização do político.

IHU On-Line – Como o pensamento de Hans Küng contribui para a tensão entre a política e a ética?
Alfredo Culleton e Vicente Barretto – O problema acontece quando essa tensão desaparece e pode acontecer de duas maneiras terríveis: quando ética e política se confundem e aí vêm os fundamentalismos, ou quando se privatiza a política como puro gerenciamento administrativo e a ética como guardiã do agir privado. Hans Küng estimula essa tensão no melhor sentido do termo. Ele defende essa sadia tensão entre a arte de governar a favor dos homens, sabendo que se está lidando com disputas de poder e isso é um valor, e a ética como esse referencial de valores com pretensão de universalidade que busca nortear o agir humano.

Resenhas na RBL – 22.08.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Jouette M. Bassler
Navigating Paul: An Introduction to Key Theological Concepts
Reviewed by William S. Campbell
Reviewed by Robert A. Bryant
Reviewed by David J. Downs

Charles B. Cousar
An Introduction to the New Testament: Witnesses to God’s New Work
Reviewed by Greg Carey

James R. Davila
The Provenance of the Pseudepigrapha: Jewish, Christian, or Other?
Reviewed by Johann Cook

Carol Dempsey
Jeremiah: Preacher of Grace, Poet of Truth
Reviewed by Mitchel Modine

Sigurd Grindheim
The Crux of Election: Paul’s Critique of the Jewish Confidence in the Election of Israel
Reviewed by Justin K. Hardin

David Instone-Brewer
Traditions of the Rabbis from the Era of the New Testament: Volume 1: Prayer and Agriculture
Reviewed by Carol Bakhos

Yonatan Kolatch
Masters of the Word: Traditional Jewish Bible Commentary from the First through the Tenth Centuries
Reviewed by Alex P. Jassen

Paul Lawrence
The IVP Atlas of Bible History
Reviewed by Christoph Stenschke

Edmondo Lupieri
A Commentary on the Apocalypse of John
Reviewed by Craig R. Koester

Lee Martin MacDonald
The Biblical Canon: Its Origin, Transmission, and Authority
Reviewed by David Chapman

Maurizio Marcheselli
«Avete qualcosa da mangiare?»: Un pasto, il risorto, la comunità
Reviewed by Ilaria Ramelli

Melvin K. H. Peters, ed.
XII Congress of the International Organization for Septuagint and Cognate Studies, Leiden, 2004
Reviewed by Michael Tilly

Henning Graf Reventlow
Die Eigenart des Jahweglaubens: Beiträge zur Theologie und Religionsgeschichte des Alten Testaments
Reviewed by Mark W. Hamilton

Chantal Reynier
Paul de Tarse en Méditerranée: Recherches autour de la navigation dans l’Antiquité (Ac 27-28, 16)
Reviewed by Odette Mainville

Dieter Sänger and Ulrich Mell, eds.
Paulus und Johannes: Exegetische Studien zur paulinischen und johanneischen Theologie und Literatur
Reviewed by John Paul Heil

Peter Schäfer
Jesus in the Talmud
Reviewed by Catherine Hezser

Juliane Schlegel
Psalm 88 als Prüfstein der Exegese: Zu Sinn und Bedeutung eines beispiellosen Psalms
Reviewed by Christiane de Vos

Mark D. Thompson
A Clear and Present Word: The Clarity of Scripture
Reviewed by Francois Viljoen