Seleção das melhores postagens de dezembro de 2008, que, por alguma razão – pois estava a cargo de Tyler F. Williams – saiu depois do “carnival” de janeiro, o de número XXXVIII.
Excelente panorama oferecido por N. T. Wrong, em seu blog.
Blog sobre estudos acadêmicos da Bíblia
Seleção das melhores postagens de dezembro de 2008, que, por alguma razão – pois estava a cargo de Tyler F. Williams – saiu depois do “carnival” de janeiro, o de número XXXVIII.
Excelente panorama oferecido por N. T. Wrong, em seu blog.
A disciplina Pentateuco é estudada no segundo semestre do primeiro ano, com carga horária de 4 horas semanais. Tempo que atualmente se tornou curto, pois há uma profunda crise nesta área de estudos, muito semelhante à crise da História de Israel. A teoria clássica das fontes JEDP do Pentateuco, elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, Wellhausen, vem sofrendo, desde meados da década de 70 do século XX, sérios abalos, de forma que hoje muitos pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. O consenso wellhauseniano foi rompido, contudo, ainda não se conseguiu um novo consenso e muitas são as propostas hoje existentes para explicar a origem e a formação do Pentateuco.
I. Ementa
Oferece ao aluno um panorama da pesquisa exegética na área da formação e composição dos cinco primeiros livros da Bíblia e estuda os seus principais textos.
II. Objetivos
Familiariza o aluno com as tradições históricas de Israel e com as mais recentes pesquisas na área do Pentateuco para que o uso do texto na prática pastoral possa ser feito de forma consciente.
III. Conteúdo Programático
1. A redação do Pentateuco em três tempos
2. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco
3. O Decálogo: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21
4. Códigos do Antigo Oriente Médio
5. O Código da Aliança: Ex 20,22-23,19
6. A criação: Gn 1,1-2,4a e Gn 2,4b-25
7. O pecado em quatro quadros: Gn 3,1-24
8. Caim e Abel: Gn 4,1-26
9. Patriarcas pré-diluvianos – de Adão a Noé: Gn 5,1-28.30-32
10. O dilúvio: Gn 6,5-9,19
11. A cidade e a torre de Babel: Gn 11,1-9
12. As tradições patriarcais: Gn 11,27-37,1
13. A história de José: Gn 37,5-50,26
14. O êxodo do Egito: Ex 1-15
IV. Bibliografia
Básica
DE PURY, A. (org.) O Pentateuco em Questão. As Origens e a Composição dos Cinco Primeiros Livros da Bíblia à luz das Pesquisas Recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2002, 324 p. – ISBN 8532615899.
SCHWANTES, M. Projetos de esperança: meditações sobre Gênesis 1-11. São Paulo: Paulinas, 2009, 144 p. – ISBN 857311844X.
SKA, J.-L. Introdução à Leitura do Pentateuco. Chaves para a Interpretação dos Cinco Primeiros Livros da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2003, 304 p. – ISBN 8515024527.
Complementar
BRIEND, J. (org.) A criação e o dilúvio segundo os textos do Oriente Médio Antigo. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1990, 128 p. – ISBN 850501118X.
BOUZON, E. Uma coleção de direito babilônico pré-hammurabiano: leis do reino de Eshnunna. Petrópolis: Vozes, 2001, 2008 p. – ISBN 8532624839.
BOUZON, E. O Código de Hammurabi. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2003, 240 p. – ISBN 8532607780.
CLIFFORD, R. J. Creation Accounts in the Ancient Near East and in the Bible. Washington: The Catholic Biblical Association of America, 1994, xiii + 217 p. – ISBN 9780915170258.
CRÜSEMANN, F. A Torá. Teologia e História Social da Lei do Antigo Testamento. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2008, 599 p. – ISBN 8532623603.
CRÜSEMANN, F. Preservação da Liberdade: O Decálogo numa Perspectiva Histórico-Social. 2. ed. São Leopoldo: Sinodal/EST/CEBI, 2008, 88 p. – ISBN 8523304002.
DA SILVA, A. J. O Pentateuco e a História de Israel. In: Teologia na pós-modernidade. Abordagens epistemológica, sistemática e teórico-prática. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 173-215. – ISBN 853561110X
DOZEMAN, T. B.; SCHMID, K. (eds.) A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2006, viii + 198 p. – ISBN 9781589831636.
GARCÍA LÓPEZ, F. O Pentateuco. São Paulo: Ave-Maria, 2004, 328 p. – ISBN 8527610574.
GRUEN, W. et al. Os dez mandamentos: várias leituras. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 9, 1987.
GERSTENBERGER, E. et al. A Lei. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 51, 1996.
KNOPPERS, G. N.; LEVINSON, B. M. (ed.) The Pentateuch as Torah: New Models for Understanding Its Promulgation and Acceptance. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2007, xvi + 352 p. – ISBN 9781575061405.
MESTERS, C. Bíblia, livro da aliança. 6. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 40 p. – ISBN 853490667X.
MESTERS, C. Paraíso Terrestre: Saudade ou Esperança? 19. ed. Petrópolis: Vozes, 2009, 152 p. – ISBN 8532603319.
PIXLEY, G. V. Êxodo. São Paulo: Paulus, 1987. Disponível online, no original espanhol, em http://servicioskoinonia.org/biblioteca/biblica/PixleyExodo.pdf
SCHWANTES, M. et al. A memória popular do êxodo. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 16, 1996.
SCHWANTES, M. et al. Pentateuco. RIBLA, Petrópolis/São Leopoldo, n. 23, 1996/1.
SPARKS, K. L. The Pentateuch: An Annotated Bibliography. Grand Rapids: Baker, 2002, 160 p. – ISBN 9780801023989.
STORNIOLO, I. Mandamentos, ontem e hoje (Entrevista com Pe. Ivo Storniolo). Vida Pastoral, São Paulo, n. 149 , p. 27-29, nov./dez. 1989.
STORNIOLO, I. Como ler o livro do Levítico: a formação de um povo santo. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 72 p. – ISBN 8534906378.
STORNIOLO, I. A cidade e sua torre: bênção ou castigo? Vida Pastoral, São Paulo, n. 152 , p. 2-7, maio/junho 1990.
VAN SETERS, J. The Pentateuch: A Social-Science Commentary. London: T & T Clark, 2004, 240 p. – ISBN 9780567080882.
Leia Mais:
Em busca da competência hermenêutica
O hábito da vigilância hermenêutica: métodos
História de Israel 2009: o pouco que sabemos
No dia 7 de fevereiro de 2008 foram iniciadas as atividades do Centenário de Dom Helder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife, nascido no dia 7 de fevereiro de 1909 e falecido em 1999.
Hoje é o Dia do “Dom”.
Já muito debilitado, um dia ele sussurrou a um amigo: “Não deixe cair a profecia”!
Dom Helder, pastor da libertação em terras de muita pobreza
Ao se completarem os 100 anos de nascimento de Dom Helder Câmara, neste sábado, 07 de fevereiro [de 2009]d, a Igreja do Brasil tem muito a agradecer e a se inspirar na vida e na obra do querido “Dom”, como ficou conhecido. Nesta entrevista especial, concedida por e-mail à IHU On-Line, padre José Oscar Beozzo, um dos maiores historiadores da Igreja na América Latina, comenta alguns traços da vida do grande arcebispo de Olinda e Recife, um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Para Beozzo, os leigos e as leigas foram os “mestres de vida” de Dom Helder “para a atuação no mundo e para uma espiritualidade longe dos ranços clericais”. O Recife e o Nordeste, segundo o coordenador-geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Cesep), tornaram-se “sua trincheira de onde fala ao Brasil, mas também à América Latina e ao mundo”. E analisa ainda a atuação internacional de Dom Helder, especialmente durante o Concílio Vaticano II, no qual, mesmo nunca tendo falado na Aula Conciliar, “tornou-se um dos mais ouvidos e respeitados padres conciliares”. José Oscar Beozzo é padre e teólogo, com mestrado em Sociologia da Religião, pela Université Catholique de Louvain (Bélgica) e doutorado em História Social, pela Universidade de São Paulo (USP)…
Leia a entrevista.
Este curso de História de Israel compreende 4 horas semanais, com duração de um semestre, o primeiro dos oito semestres do curso de Teologia. Aos alunos são distribuídos um roteiro impresso do curso e um CD com os roteiros de todos as minhas disciplinas do ano em curso. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.
I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel desde suas origens até o século I d.C.
II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica vétero-testamentária produzida no período.
III. Conteúdo Programático
1. Noções de geografia do Antigo Oriente Médio
2. As origens de Israel
3. Os governos de Saul, Davi e Salomão
4. O reino de Israel
5. O reino de Judá
6. A época persa e as conquistas de Alexandre
7. Os Ptolomeus governam a Palestina
8. Os Selêucidas: a helenização da Palestina
9. Os Macabeus I: a resistência
10. Os Macabeus II: a independência
11. O domínio romano
IV. Bibliografia
Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003, 515 p. – ISBN 8589876187.
LIVERANI, M. Para além da Bíblia: História antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008, 544 p. – ISBN 9788515035557.
PIXLEY, J. A História de Israel a Partir dos Pobres. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2008, 136 p. – ISBN 8532602827.
Complementar
BRIEND, J. (org.) Israel e Judá: textos do Antigo Oriente Médio. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 104 p. – ISBN 8534905908.
CURTIS, A. Oxford Bible Atlas. 4. ed. New York: Oxford University Press, 2007, 224 p. – ISBN 9780191001581.
DA SILVA, A. J. A história de Israel na pesquisa atual. In: História de Israel e as pesquisas mais recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003, p. 43-87 – ISBN 8532628281.
DA SILVA, A. J. A história de Israel na pesquisa atual. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 71, p. 62-74, 2001. Acesso em: 03 fevereiro 2009.
DA SILVA, A. J. A história de Israel no debate atual. Acesso em: 03 fevereiro 2009.
DA SILVA, A. J. A origem dos antigos Estados israelitas. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 78, p. 18-31, 2003.
DA SILVA, A. J. Manuscritos do Mar Morto: recursos para estudo. Acesso em: 03 fevereiro 2009.
DA SILVA, A. J. O Pentateuco e a História de Israel. In: Teologia na pós-modernidade. Abordagens epistemológica, sistemática e teórico-prática. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 173-215. – ISBN 853561110X
DA SILVA. A. J. Os essênios: a racionalização da solidariedade. Acesso em: 03 fevereiro 2009.
DA SILVA, A. J. Pode uma ‘história de Israel’ ser escrita? Observando o debate atual sobre a história de Israel. Acesso em: 03 fevereiro 2009.
DAVIES, P. R. In Search of ‘Ancient Israel’. London: T. & T. Clark, [1992] 2005, 166 p. – ISBN 9781850757375.
DONNER, H. História de Israel e dos povos vizinhos. 2v. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal/Vozes, 2006, 535 p. – ISBN vol. I: 8523304649; ISBN vol. II: 8523304657.
FINKELSTEIN, I.; MAZAR, A. The Quest for the Historical Israel: Debating Archaeology and the History of Early Israel. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007, 220 p. – ISBN 9781589832770.
FINKELSTEIN, I.; SILBERMAN, N. A. David and Solomon: In Search of the Bible’s Sacred Kings and the Roots of the Western Tradition. New York: The Free Press, 2006, 352 p. – ISBN 9780743243629 (Hardcover) – ISBN 9780743243636 (Paperback, 2007).
GARCÍA MARTÍNEZ, F. Textos de Qumran: Edição Fiel e Completa dos Documentos do Mar Morto. Petrópolis: Vozes, 1995, 582 p. – ISBN 8532612830.
GOTTWALD, N. K. As Tribos de Iahweh: Uma Sociologia da Religião de Israel Liberto, 1250-1050 a.C. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004, 939 p. – ISBN 8534922330.
GRABBE, L. L. A History of the Jews and Judaism in the Second Temple Period: Vol 1, A History of the Persian Province of Judah. London: T & T Clark, 2006, 496 p. – ISBN 0567043525.
GRABBE, L. L. A History of the Jews and Judaism in the Second Temple Period: Vol. 2, The Coming of the Greeks, the Early Hellenistic Period 335-175 BCE. London: T & T Clark, 2008, 432 p. – ISBN 9780567033963.
GRABBE, L. L. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It? London: T & T Clark, 2007, 328 p. – ISBN 9780567032546.
HORSLEY, R. A. Arqueologia, história e sociedade na Galiléia: o contexto social de Jesus e dos Rabis. São Paulo: Paulus, 2000, 196 p. – ISBN 8534915679.
KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judéia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, 1997, 184 p. – ISBN 8505006798. Acesso em: 03 fevereiro 2009.
LEMCHE, N. P. The Israelites in History and Tradition. Louisville: Kentucky, Westminster John Knox, 1998, ix + 246 p. – ISBN 9780664220754.
LIVERANI, M. Antico Oriente. Storia, società, economia. 11. ed. Roma-Bari: Laterza, 2007, x +1031 p. – ISBN 9788842038429.
LONG, V. P. (ed.) Israel’s Past in Present Research: Essays on Ancient Israelite Historiography. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1999, xx + 612 p. – ISBN 9781575060286.
LOWERY, R. H. Os reis reformadores: culto e sociedade no Judá do Primeiro Templo. São Paulo: Paulinas, 2009, 351 p. – ISBN 8535612912.
MAZAR, A. Arqueologia na terra da Bíblia: 10.000 – 586 a.C. São Paulo: Paulinas, 2009, 558 p. – ISBN 8535610316.
MOORE, M. Philosophy and Practice in Writing a History of Ancient Israel. London: T &T Clark, 2006, x + 205 p. – ISBN 9780567029812.
MOREGENZTERN, I.; RAGOBERT, T. A Bíblia e seu tempo – um olhar arqueológico sobre o Antigo Testamento. 2 DVDs. Documentário baseado no livro The Bible Unearthed [A Bíblia não tinha razão], de Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. São Paulo: História Viva – Duetto Editorial, 2007. Acesso em: 03 fevereiro 2009.
PEREGO, G. Atlas bíblico interdisciplinar. São Paulo: Paulus/Santuário, 2001, 124 p. – ISBN 8572007512.
ROAF, M. Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente. 2v. Madrid: Edições del Prado, 1996.
ROGERSON, J. Bíblia: Os caminhos de Deus. 2v. Madrid: Edições del Prado, 1996.
SCHWANTES, M. História de Israel: local e origens. 3. ed. São Leopoldo: Oikos, 2008, 141 p. – ISBN 9788589732963
VAN SETERS, J. Em Busca da História: Historiografia no Mundo Antigo e as Origens da História Bíblica. São Paulo: EDUSP, 2008, 400 p. – ISBN 8531411017.
VV.AA. Recenti tendenze nella ricostruzione della storia antica d’Israele. Roma: Accademia Nazionale dei Lincei, 2005, 202 p. – ISBN 8821809331.
WILLIAMSON, H. G. M. (ed.), Understanding the History of Ancient Israel. Oxford: Oxford University Press, 2007, 452 p. – ISBN 9780197264010. Disponível online. Acesso em: 03 fevereiro 2009.
Leia Mais:
Em busca da competência hermenêutica
O hábito da vigilância hermenêutica: métodos
A Introdução à S. Escritura compreende 2 horas semanais, no primeiro semestre de Teologia. Mais do que estudar o surgimento e o conteúdo dos vários livros bíblicos, a disciplina é voltada para a compreensão/apreensão de alguns métodos de leitura dos textos bíblicos. Esta opção se justifica, pois a introdução a cada um dos livros é feita a partir das disciplinas que abordam áreas específicas da Bíblia ao longo do curso de Teologia.
Um dos problemas típicos desta disciplina é a carga horária exígua que lhe é, em geral, atribuída. Até porque, ao tomar contato com a moderna metodologia de abordagem dos textos bíblicos, a desmontagem de noções ingênuas adquiridas na educação anterior e a dificuldade em abandonar certezas que beiram o fundamentalismo requerem tempo e paciência. Além disso, conseguir a convivência da criticidade que se vai progressivamente adquirindo em sala de aula com as necessidades pastorais dos envolvidos no processo de aprendizagem, exige a construção de uma linguagem hermenêutica adequada, outra questão espinhosa.
Por isso, uma tarefa que se impõe a quem se envereda por esse caminho, é a comparação e o confronto da teoria exegética crítica com as leituras cotidianas e costumeiras da Bíblia. Isto é feito pelos alunos, que coletam e analisam os dados necessários.
Costumo orientar este processo através de uma série de questões que são propostas para a análise de uma leitura bíblica feita no ambiente pastoral dos estudantes.
I. Ementa
A disciplina privilegia o nascimento e a estruturação dos vários métodos de leitura da Sagrada Escritura, especialmente os modernos métodos histórico-críticos, socioantropológicos e populares.
II. Objetivos
Possibilita ao aluno a visualização das diversas problemáticas envolvidas na abordagem dos textos bíblicos no contexto e no pensamento contemporâneos.
III. Conteúdo Programático
1. A leitura histórico-crítica
2. A leitura socioantropológica
3. A leitura popular
4. Oficina bíblica: leitura de textos selecionados
IV. Bibliografia
Básica
DIAS DA SILVA, C. M. Leia a Bíblia como literatura. São Paulo: Loyola, 2007, 104 p. – ISBN 9788515033072.
MESTERS, C. Flor sem defesa: uma explicação da Bíblia a partir do povo. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1999, 206 p.
ZENGER, E. et al. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2003, 560 p. – ISBN 9788515023288.
Complementar
ALMADA, S. (org.) Interpretação Bíblica em Busca de Sentido e Compromisso. Diversas aproximações ao texto de Lucas 1-2: Caleidoscópio de métodos, exegese e hermenêutica. RIBLA, Petrópolis, n. 53, 2006/1.
BUSHELL, M. BibleWorks 8. Norfolk, VA: BibleWorks, 2008 (software para o estudo da Bíblia). Acesso em: 04 fevereiro 2009.
CARTER, C. E.; MEYERS, C. L. (eds.) Community, Identity and Ideology: Social-Scientific Approaches to the Hebrew Bible. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1996, 574 p. – ISBN 9781575060057.
CHALCRAFT, D. J. (ed.) Social-Scientific Old Testament Criticism. London: T & T Clark, 2006, 400 p. – ISBN 9780567040848
DA SILVA, A. J. A visita dos magos: Mt 2,1-12. Acesso em: 04 fevereiro 2009.
DA SILVA, A. J. Leitura socioantropológica da Bíblia Hebraica. Acesso em: 04 fevereiro 2009.
DA SILVA, A. J. Leitura socioantropológica do Novo Testamento. Acesso em: 04 fevereiro 2009.
DA SILVA, A. J. Notas sobre alguns aspectos da leitura da Bíblia no Brasil hoje. REB, Petrópolis, v. 50, n. 197, p. 117-137, mar. 1990. Acesso em: 04 fevereiro 2009.
DA SILVA, A. J. O discurso socioantropológico: origem e desenvolvimento. Acesso em: 04 fevereiro 2009.
DA SILVA, A. J. Por que milagres? O caso da multiplicação dos pães. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 22, 1989, p. 43-53.
DE OLIVEIRA, E. M. et al. Métodos para ler a Bíblia. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 32, 1991.
DIAS DA SILVA, C. M. com a colaboração de especialistas, Metodologia de Exegese Bíblica. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 2003, 526 p. – ISBN 8535606432.
EGGER, W. Metodologia do Novo Testamento: Introdução aos Métodos Lingüísticos e Histórico-Críticos. São Paulo: Loyola, 1994, 238 p. – ISBN 9788515010561.
ELLIOT, J. H. What is Social-Scientific Criticism? Minneapolis: Augsburg Fortress, 1993, 174 p. – ISBN 9780800626785.
ESLER, P. F. (ed.) Ancient Israel: The Old Testament in Its Social Context. Minneapolis: Fortress, 2005. xvii + 420 p. – ISBN 0800637674.
KONINGS, J.; RIBEIRO, S. H. et al. Bíblia: Teoria e Prática. Leituras de Rute. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 98, 2008.
KONINGS, J. Sinopse dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da Fonte Q. São Paulo: Loyola, 2005, 360 p. – ISBN 9788515030569.
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA A Interpretação da Bíblia na Igreja. 6. ed. São Paulo: Paulinas, 1999.
REIMER, H.; DA SILVA, V. (orgs.) Hermenêuticas Bíblicas: Contribuições ao I Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica. São Leopoldo: Oikos Editora/UCG/ABIB, 2006, 252 p.
REIMER, I. R.; SCHWANTES, M. (org.) Leituras Bíblicas Latino-Americanas e Caribenhas. RIBLA, Petrópolis, n. 50, 2005/1.
ROHRBAUGH, R. L. (ed.) The Social Sciences and New Testament Interpretation. Peabody, Mass: Hendrickson, 2004, 240 p. – ISBN 9781565634107.
SCHNELLE, U. Introdução à exegese do Novo Testamento. São Paulo: Loyola, 2004, 192 p. – ISBN 9788515024919.
SIMIAN-YOFRE, H. (ed.) Metodologia do Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2000, 200 p. – ISBN 9788515018499.
TATE, W. R. Interpreting the Bible: A Handbook of Terms and Methods. Peabody, Mass.: Hendrickson, 2006, viii + 482 p. – ISBN 9781565635159.
TREBOLLE BARRERA, J. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã. Introdução à História da Bíblia. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2000, 741 p. – ISBN 8532614370.
WEGNER, U. Exegese do Novo Testamento: Manual de Metodologia. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal/Paulus, 2002, 407 p. – ISBN 852330598X.
Leia Mais:
Em busca da competência hermenêutica
Estou, nestes dias, preparando meus programas de aula para 2009. Começo a publicá-los no Observatório Bíblico. A intenção é de que possam servir, para além de meus alunos, a outras pessoas que, eventualmente, queiram ter uma noção de como se estuda a Bíblia em determinadas Faculdades de Teologia. Ou, pelo menos, parte da Bíblia, porque posso expor apenas os programas das disciplinas que leciono. Tomo aqui como referência o currículo do CEARP, onde trabalho. Já fiz isso certa vez, em 2006, mas a bibliografia vai mudando…
Quatro elementos serão levados em conta, em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional:
:: contextos da época bíblica
:: produção dos textos bíblicos
:: contextos atuais
:: leitores atuais dos textos
O sentido da Escritura, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos específicos.
Ou seja: “Da Escritura não se esperam fórmulas a ‘copiar’, ou técnicas a ‘aplicar’. O que ela pode nos oferecer é antes algo como orientações, modelos, tipos, diretivas, princípios, inspirações, enfim, elementos que nos permitam adquirir, por nós mesmos, uma ‘competência hermenêutica’, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos, ‘segundo o senso do Cristo’, ou ‘de acordo com o Espírito’, das situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados. As Escrituras cristãs não nos oferecem um was, mas um wie: uma maneira, um estilo, um espírito. Tal comportamento hermenêutico se situa a igual distância tanto da metafísica do sentido (positivismo) quanto da pletora das significações (biscateação). Ele nos dá a chance de jogar a sério a círculo hermenêutico, pois que é somente neste e por este jogo que o sentido pode despertar” explica BOFF, C. Teologia e Prática: Teologia do Político e suas mediações. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 266-267).
As disciplinas de Bíblia no curso de graduação em Teologia podem, segundo este modelo, ser classificadas em três áreas:
1. Disciplinas Contextuais:
:: História de Israel (alternativa: História da época do Antigo Testamento e História da época do Novo Testamento)
2. Disciplinas Instrumentais:
:: Introdução à S. Escritura (alternativa: Métodos de leitura dos textos bíblicos)
:: Língua Hebraica Bíblica
:: Língua Grega Bíblica
3. Disciplinas Exegéticas:
:: Pentateuco
:: Literatura Profética
:: Literatura Deuteronomista
:: Literatura Sapiencial
:: Literatura Pós-Exílica
:: Literatura Sinótica e Atos
:: Literatura Paulina
:: Literatura Joanina
:: Apocalipse
Destas disciplinas, leciono:
No primeiro semestre:
:: História de Israel: 4 hs/sem.
:: Introdução à S. Escritura: 2 hs/sem.
:: Literatura Profética: 4 hs/sem.
:: Literatura Deuteronomista: 2 hs/sem.
No segundo semestre:
:: Pentateuco: 4 hs/sem.
:: Literatura Pós-Exílica: 4 hs/sem.
Leia Mais:
O hábito da vigilância hermenêutica: métodos
História de Israel 2009: o pouco que sabemos
Pentateuco 2009: ainda sem um novo consenso
Literatura Deuteronomista 2009: o desafio
Literatura Profética 2009: A Voz Necessária
Literatura Pós-Exílica 2009: tempo sem fronteiras
Seleção das melhores postagens de janeiro de 2009.
Trabalho feito por Judy Redman, em seu Judy’s Research Blog.
Jim West, em Biblioblogs.com, entrevista N. T. Wrong, do biblioblog homônimo, escolhido como o biblioblogueiro do mês de fevereiro de 2009.
Sua identidade é totalmente desconhecida e seu blog está paralisado, a não ser pela publicação da lista dos 50 biblioblogs mais frequentados a cada mês.
Porém, aguardem: vem mais coisa deste “biblical scholar” por aí na web. Coisa mais ambiciosa do que um blog.
Enquanto isso, aprecie a entrevista.
N. T. Wrong, em seu biblioblog homônimo, lista os 50 biblioblogs mais frequentados no mês de janeiro de 2009.
Em dezembro o Observatório Bíblico foi o sexto colocado. Agora é o terceiro. Subiu três pontos, em um mês de extraordinária frequência em minha página, se comparado a janeiros anteriores.
Veja a lista em: Biblioblog Top 50 – January 2009
As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:
Philip S. Alexander
The Targum of Lamentations: Translated, with a Critical Introduction, Apparatus, and Notes
Reviewed by Jan-Wim Wesselius
Margaret Barker
Temple Themes in Christian Worship
Reviewed by Mary L. Coloe
Paul C. Burns, ed.
Jesus in Twentieth Century Literature, Art, and Movies
Reviewed by Tsalampouni Ekaterini
Reviewed by Richard Walsh
Bruce Chilton
Abraham’s Curse: The Roots of Violence in Judaism, Christianity, and Islam
Reviewed by Marvin A. Sweeney
John Day, ed.
Temple and Worship in Biblical Israel: Proceedings of the Oxford Old Testament Seminar
Reviewed by Aren M. Maeir
Timothy Edwards
Exegesis in the Targum of Psalms: The Old, the New, and the Rewritten
Reviewed by Joachim Vette
William A. Ford
God, Pharaoh and Moses: Explaining the Lord’s Actions in the Exodus Plagues Narrative
Reviewed by Hee Suk Kim
Reviewed by Brian D. Russell
J. Harold Greenlee
The Text of the New Testament: From Manuscript to Modern Edition
Reviewed by J. K. Elliott
Robert H. Gundry
The Old Is Better: New Testament Essays in Support of Traditional Interpretations
Reviewed by Michael F. Bird
Thomas Krüger, Manfred Oeming, Konrad Schmid, and Christoph Uehlinger, eds.
Das Buch Hiob und seine Interpretationen: Beiträge zum Hiob-Symposium auf dem Monte Verità vom 14.-19. August 2005
Reviewed by Philippe Guillaume
Stuart S. Miller
Sages and Commoners in Late Antique ‘Erez Israel: A Philological Inquiry into Local Traditions in Talmud Yerushalmi
Reviewed by Joshua Schwartz
Francis J. Moloney
The Living Voice of the Gospels
Reviewed by Stephan Witetschek
Risto Nurmela
The Mouth of the Lord Has Spoken: Inner-biblical Allusions in Second and Third Isaiah
Reviewed by Christophe Nihan
U. B. Schmid, with W. J. Elliott and D. C. Parker
The New Testament in Greek IV: The Gospel according to St. John: Volume 2: The Majuscules
Reviewed by Marcus Sigismund
Kenton L. Sparks
God’s Word in Human Words: An Evangelical Appropriation of Critical Biblical Scholarship
Reviewed by Arthur Boulet
Reviewed by Jeffrey A. Gibbs
Clinton Wahlen
Jesus and the Impurity of Spirits in the Synoptic Gospels
Reviewed by Mark D. Batluck
Thomas R. Yoder Neufeld
Recovering Jesus: The Witness of the New Testament
Reviewed by V. George Shillington