Coisa grande: mil vezes a massa da Via Láctea

“Divagarzim” vamos ampliando a visão de onde estamos. Quem sabe um dia descobrirei, de fato, doncôvim, oncotô, proncovô, concossô… Afinal, sou mineiro! E acabei de ler esta notícia da France Presse:

Astrônomos descobrem grupo de galáxias gigante
O observatório astronômico europeu XMM-Newton encontrou o maior grupo de galáxias jamais visto no universo, uma descoberta que pode confirmar a existência da energia negra, anunciou nesta segunda-feira em um comunicado a ESA (agência espacial européia). Batizado 2XMM J083026+524133, o grupo deve conter “uma massa correspondente a mil galáxias” e foi observado quando o XMM-Newton, que tem como missão estabelecer um catálogo de fontes cósmicas emissoras de raios X (planetas, cometas, quasares etc) estava focalizado outro objeto. O J083026+524133 foi visto porque forma uma mancha muito brilhante. Observado em seguida com um potente telescópio de Arizona, se revelou um grupo de galáxias com mil vezes a massa de nossa galáxia, a Via Láctea. “A presença deste grupo confirma existência de um elemento misterioso, a energia negra, suposta responsável pela aceleração da expansão do Universo”, destacou em um comunicado Georg Lamer, do Instituto de astrofísica de Potsdam (Alemanha). Segundo os astrofísicos, a maior parte do grupo situado a 7,7 bilhões de anos-luz seria formada de um gás a temperatura de 100 milhões de graus Celsius.

Fonte: Folha Online: 25/08/2008 – 17h39

Top Bible Blogs? He was only joking!

Os mais importantes biblioblogs?

Só se forem eliminadas as outras quase 7 mil línguas existentes no mundo e estabelecido o inglês como língua única…

Sei que um dos que gostam de contar esta piada (joke) é o dinamarquês Niels Peter Lemche:

– Quem fala muitas línguas é?
Poliglota
– Quem fala três línguas é?
Triglota ou trilíngue
– Quem fala duas línguas é?
Bilíngue
– Quem fala uma só língua é?
Norte-americano

Ou:

Question: If you say a person that speaks two languages is bilingual, and person that speaks three languages is trilingual, and many languages is a polyglot … what do you call a person who speaks only one language?
Answer: An American.

Pergunta: Se uma pessoa que fala dois idiomas é bilíngue, e uma que fala três idiomas é trilíngue, e muitos idiomas é poliglota… como se chama a pessoa que fala somente um idioma?
Resposta: um Americano.

Claro que há, entre os biblioblogueiros norte-americanos, honrosas exceções, como os poliglotas John Hobbins, Jim West e uma meia dúzia de outros!

Dica vista em John Hobbins, que me levou a Douglas Mangum e que me fez lembrar de Niels Peter Lemche em ANE-2 de 17 de dezembro de 2006.

Resenhas dos livros de Grabbe e Oakman

Acabei de ler e recomendo a leitura das resenhas de dois livros. O primeiro de Lester L. Grabbe sobre História de Israel. O segundo de Douglas E. Oakman sobre a prática de Jesus no mundo rural da Palestina do século I.

GRABBE, L. L. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It? London: T & T Clark, 2007, 328 p. – ISBN 9780567032546. Resenha de Brian B. Schmidt, da Universidade de Michigan, Ann Arbor, Michigan, USA. Publicada pela Review of Biblical Literature em 09/08/2008.

Estou trabalhando com este livro. É realmente muito interessante. Não é um livro de História de Israel, mas um livro de historiografia sobre as possibilidades e dificuldades da escrita de uma História de Israel hoje. Leia mais sobre isso aqui.

O resenhista concorda que o livro é fundamental para quem trabalha na área, embora faça, sobre alguns detalhes, seus questionamentos. Diz Brian B. Schmidt, por exemplo:
Ancient Israel is a tremendously informed and useful book that readers will find very helpful in a variety of contexts, whether for general pedagogical purposes or as a reader in the seminar context or as a reference tool in the research environment. It is a welcome change of course, given that progress in the field otherwise had all but become stagnant in the rather polarized, late twentieth-century world of minimalism versus maximalism (although one might aver that such a polarizing stage constitutes a predictable [and necessary?] one in the process of intellectual advancement). Readers will be immensely indebted to Professor Grabbe for Ancient Israel. It invites extensive and detailed engagement.

Observo, porém, que na lista de obras sobre História de Israel citadas na primeira nota eu acrescentaria mais autores e livros, especialmente os obras do Seminário Europeu de Metodologia Histórica, todas editadas por Lester L. Grabbe, que é o coordenador do grupo, como se pode ver na bibliografia.

 

OAKMAN, D. E. Jesus and the Peasants. Eugene, OR : Cascade Books, 2008, 348 p. – ISBN 9781597522755. Resenha de Ernest van Eck, da Universidade de Pretória, Pretória, África do Sul. Publicada pela Review of Biblical Literature em 09/08/2008.

O resenhista termina sua avaliação assim:
The book is a tour de force of Oakman’s repertoire: the economics of first-century Palestine, his knowledge of historical Jesus studies and Q, his brilliant insights when reading the biblical text, to name but a few. His interpretations, especially of the parables, are fresh and challenging. He shows convincingly that the meanings of Jesus’ parables always have to be accessed vis-à-vis their original audience and sociopolitical and socioeconomic context. If one is interested in understanding the message of Jesus against the backdrop of the realities of first-century Palestine peasantry, this book is a must.

Sobre Douglas E. Oakman, recomendo a leitura de meu post Jesus e os camponeses: novo livro de D. Oakman e insisto com o leitor para que faça uma parada aqui e leia, pelo menos, o primeiro item deste artigo. Veja que leitura Oakman faz do Pai Nosso!

Religiao como meio de vida?

Meios reestruturam mundo religioso, diz professor
O coordenador da 6. Conferência sobre Meios, Religião e Cultura, reunida de 11 a 14 de agosto em São Paulo, e professor da Universidade de Colorado, Estados Unidos, Stewart Hoover, sustentou que a religião midiatizada está gerando não só um maior nível de visibilidade das diversas expressões religiosas, mas propiciando profunda reestruturação no modo de administrar o poder, de viver a espiritualidade e de posicionar-se na esfera pública.

Um dos pioneiros na pesquisa sobre televangelismo e o impacto midiático das igrejas, Hoover mencionou duas tendências da religião contemporânea sobre as quais os meios desempenham um papel importante. O pesquisador observou, em primeiro lugar, uma forte tendência às buscas autônomas e encontros desinstitucionalizados com o mundo da espiritualidade. “As pessoas constroem hoje sua religiosidade sem depender de nenhuma regulação orgânica”, sublinhou. Hoover destacou que os meios se converteram em espaços através dos quais se constrói o mercado que permite com que uma demanda religiosa diversificada chegue às pessoas com maior fluidez e sem a formalidade das mediações tradicionais. “Neste contexto, os sujeitos sociais modernos atuam de maneira cada vez mais autônoma e pragmática em contraste com aquelas expressões e práticas culturais ‘místicas’ ou efervescentes”, afirmou. Segundo a análise do professor estadunidense, isso não significa que as manifestações religiosas contemporâneas sejam mais triviais ou inconsistentes na atualidade. Ao contrário, isso implica que as pessoas hoje se percebam como consumidores ativos ou fiéis religiosos pró-ativos dos recursos disponíveis no mercado religioso global. Ao mesmo tempo, o “crente” de hoje tornou-se um produtor dos novos discursos religiosos desinstitucionalizados.

O que me chamou mais a atenção foi o seguinte trecho:

A emergência dos denominados “blogs” da fé em países como a Austrália, o crescimento acelerado da indústria musical midiática na América Latina, o massivo consumo global de sites religiosos na Internet, a luta dos pentecostais para se apropriar de meios comerciais na Nigéria, a “hibridização” dos rituais religiosos midiáticos em comunidades rurais italianas, as transições do televangelismo norte-americano, e as ressignificações da cultura oral em espaços digitais na Índia representam apenas alguns dos exemplos mencionados neste fórum e que configuram o novo mapa midiático da religião contemporânea global.

Leia o texto completo na ALC. Por Rolando Pérez – São Paulo, 19 de agosto de 2008. Reproduzido também na IHU On-Line em 20/08/2008.

O direito de espernear

Os EUA na geopolítica mundial depois do conflito na Geórgia – 14/08/2008

Convenhamos que é meio humilhante começar a atirar e 48 horas depois implorar de joelhos por um cessar-fogo. Há algo de comovente em ver uma nação dar-se conta de que durante muito tempo acreditou num conto da carochinha. Segundo os relatos que chegam, o estado de espírito na República da Geórgia pode se resumir com uma pergunta atônita: onde estão os americanos que disseram que nos protegeriam, que eram nossos amigos? Os georgianos descobriram, na base da porrada, o que os latino-americanos minimamente informados já sabem há mais de um século: o que os EUA querem dizer quando alardeiam seu compromisso com a “liberdade e a democracia”.

As analogias históricas não funcionam muito bem para se compreender o conflito desta semana porque a Geórgia é – ou era, até a semana passada – um dos poucos lugares da galáxia onde o presidente americano goza de popularidade real. Como se sabe, a estrada que leva ao aeroporto de Tbilisi foi batizada com o tenebroso nome de George W. Bush. Ao longo dos últimos 16 anos em que predominou uma paz tensa na Ossétia do Sul e na Abkházia, e muito especialmente desde a eleição de Mikhail Saakashvili em 2004, a Geórgia tem sido a menina dos olhos do entrismo da OTAN.

Em abril deste ano, Bush defendeu abertamente a entrada da Geórgia no Tratado, sob os olhares estupefatos dos europeus, que sabiam muito bem a provocação que isso representaria para a Rússia. Logo em seguida, 1.000 marines foram enviados à base militar de Vaziani, na fronteira com a Ossétia do Sul, para treinamento do exército georgiano. Desde a visita de Bush ao país em 2005, os EUA apresentam a Geórgia como modelo de democracia, não se importando muito com as incontáveis denúncias de violações dos direitos humanos. Tudo indica que Saakashvili imaginou que contaria com algo mais que declarações verbais americanas no momento em que iniciasse a aventura militar na Ossétia do Sul (região onde, diga-se de passagem, fala-se língua da família irânica, sem relação com o georgiano, que é língua do grupo sul-caucasiano). Para piorar sua situação, as tropas russas são detestadas na Geórgia, mas são populares na Ossétia. Resumindo: a Geórgia imaginou que tinha entrado no clube.

Não é de se estranhar que a imprensa não tenha dito muito sobre as centenas de milhões de dólares em armas, treinamento, equipamento eletrônico, aviação e morteiros fornecidos por Israel para a Geórgia nos últimos anos. Por volta de 100 agentes israelenses participaram da preparação da invasão georgiana à Ossétia do Sul. O contato aqui foi via Davit Kezerashvili, ministro da defesa georgiano, ex-israelense. Outro ministro georgiano, Temur Yakobashvili, deu entrevista a uma rádio israelense no dia 11 de agosto, afirmando que um pequeno grupo de soldados georgianos foi capaz de dizimar uma divisão militar russa inteira, graças ao treinamento israelense. Tampouco é de se estranhar que depois da surra levada pela Geórgia, Israel tenha subestimado o seu papel no processo.

Mas o que salta aos olhos neste conflito é a completa desmoralização da liderança americana. Há tempos não se via os EUA espernearem tanto com tanta impotência. O vice-presidente Dick Cheney falou em não deixar a agressão russa sem resposta e os russos solenemente ignoraram. O candidato republicano John McCain, cujo principal conselheiro foi lobista do governo georgiano durante anos, batucou seus queridos tambores de guerra sem que os russos dessem o menor sinal de preocupação. O New York Times relatou que duas altas autoridades americanas chegaram ao ponto de afirmar que os EUA estão aprendendo a hora de ficarem calados. Enquanto isso, McCain declarava que no século XXI, as nações não invadem outras nações, talvez imaginando que as invasões americanas no Afeganistão e no Iraque aconteceram no século XVIII.

Se o cálculo da direita americana foi se aproveitar do episódio para reforçar um belicismo que costuma lhe render dividendos eleitorais, há bons motivos para se imaginar que o tiro pode ter saído pela culatra. Não há indicadores claros de que a atual viagem de Condoleeza Rice à região, à reboque do presidente francês Sarkozy, possa reverter esse quadro significativamente. O que é certo é que o presidente Mikhail Saakashvili – que num discurso no sábado passado chegou a evocar McCain, um candidato a uma eleição num país estrangeiro – já pode falar sobre tiros pela culatra com a autoridade de um doutor honoris causa.

Idelber Avelar é profesor do Departmento de Espanhol e Português da Tulane University, New Orleans. Texto originalmente publicado no blog Biscoito Fino e a Massa.

Libânio fala sobre Teologia e Igreja na atualidade

Leia a entrevista do teólogo João Batista Libânio à IHU On-Line, publicada hoje, 16/08/2008.

Libânio fala sobre vários temas atuais da Teologia e da Igreja.

‘A Teologia não se dá mal com o discurso não metafísico, por isso ela pode falar muito bem na pós-modernidade’. Entrevista especial com João Batista Libânio

Resenhas na RBL: 15.08.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Paul J. Achtemeier
Jesus and the Miracle Tradition
Reviewed by Michael Labahn

Roland Boer, ed.
Bakhtin and Genre Theory in Biblical Studies
Reviewed by David W. Williams

Maria Brutti
The Development of the High Priesthood during the Pre-Hasmonean Period: History, Ideology, Theology
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Lester L. Grabbe
Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It?
Reviewed by Brian B. Schmidt

Leslie Houlden, ed.
Decoding Early Christianity: Truth and Legend in the Early Church
Reviewed by Robert M. Bowman Jr.

Karen L. King
The Secret Revelation of John
Reviewed by Francis Dalrymple-Hamilton

Sarianna Metso
The Serekh Texts
Reviewed by Eric F. Mason

Douglas E. Oakman
Jesus and the Peasants
Reviewed by Ernest van Eck

Richard Liong-Seng Phua
Idolatry and Authority: A Study of 1 Corinthians 8.1-11.1 in the Light of the Jewish Diaspora
Reviewed by Scott E. McClelland

Tom Thatcher, ed.
What We Have Heard from the Beginning: The Past, Present, and Future of Johannine Studies
Reviewed by Cornelis Bennema

Nancy M. Tischler
Thematic Guide to Biblical Literature
Reviewed by Gerbern Oegema

Valerie M. Warrior
Roman Religion
Reviewed by Honora Howell Chapman

Francis Watson
Paul, Judaism, and the Gentiles: Beyond the New Perspective
Reviewed by James D. G. Dunn

Supermercado religioso na América Latina

Fragmentação religiosa representa um desafio às igrejas e aos comunicadores

A América Latina experimenta um processo de diversificação e fragmentação das ofertas religiosas num contexto em que as tradicionais instituições perderam uma quota importante de seu poder cultural histórico, observou o coordenador do Programa de Pastoral da Comunicação do Centro Evangélico de Estudos Pastorais na América Central (Cedepca), Dennis Smith.

Presente à Conferência Internacional sobre Meios, Religião e Cultura, realizada em São Paulo, Smith sustentou que no passado as igrejas protestantes tradicionais detinham poder suficiente para dominar o discurso religioso público, incidir de maneira contundente na esfera pública e ainda estigmatizar a participação nas cerimônias públicas de grupos religiosos marginalizados, a exemplo das espiritualidades indígenas e afro-americanas e dos grupos pentecostais.

Hoje, no entanto, novos atores aparecem no campo religioso e, paralelamente, observa-se o ressurgimento de espiritualidades ancestrais. “As igrejas e os grupos religiosos tradicionais competem com novos atores presentes no mercado religioso, alguns deles muito sofisticados no mercado de bens simbólicos”, pontuou Smith.

Na conferência que apresentou no evento, Smith trouxe um detalhado diagnóstico das formas como a religiosidade contemporânea latino-americana se manifesta no supermercado religioso. A cada dia, disse, há mais pessoas que se sentem livres para elaborar o seu próprio menu espiritual, sem se sentirem sujeitas ao poder de hierarquias religiosas.

“A gente entra neste novo ‘supermercado’ para adquirir autoestima, uma porção de perdão, uma essência de esperança, um caldo de consolo e depois vai combinando esses ingredientes segundo uma receita pessoal”, arrolou.

Os novos crentes não sentem a necessidade de esconder o fato de que manejam, de forma simultânea, múltiplas identidades religiosas. Pesquisas revelam que pessoas católicas assistem, eventualmente, aos espetáculos religiosos apresentados pelas megaigrejas neopentecostais. Essas mesmas pessoas, nos momentos limites de sua própria vida, não hesitam em consultar os guias espirituais de outras tradições religiosas, sustentou o professor Smith.

“Diante desse cenário estão lançados os novos desafios às igrejas, movimentos religiosos, comunicadores e comunicadoras que procuram em seus projetos afirmar a dignidade humana na sociedade contemporânea”, frisou.

Nesse sentido, é preciso prestar atenção ao sopro do Espírito nas comunidades eclesiais. “Descobriremos ali que há pessoas em nosso meio que são intermediárias com o incognoscível; são os guardiães de espaços sagrados. Às vezes esses espaços se caracterizam por uma celebração de previdência, plenitude e esperança, às vezes como palco de medo, de manipulação e de vingança”, concluiu.

Fonte: ALC. Por Rolando Pérez – São Paulo, 15 de agosto de 2008.

Heterodoxia como rebeldia?

Somos laicos, pero nos interesa Dios

En una España cada vez más agnóstica, crece la curiosidad por lo sagrado – Hay un auténtico ‘boom’ editorial – La gente busca versiones de la religión distintas a la oficial

Gabriela Cañas – El País: 6 AGO 2008

En la última década se han publicado en España hasta 463 libros en cuyos títulos aparece la palabra “evangelio”. Es casi el doble que en la década anterior. También han aumentado en este decenio los libros dedicados a la Virgen María o Jesús de Nazaret. Es verdad que cada vez se publican más libros en España, lo que indica que en una sociedad cada día más laica no decae el interés por lo sagrado.

La Biblia, El nombre de la Rosa o El código da Vinci son best-sellers indiscutibles, pero el fenómeno de la literatura religiosa (o que utiliza referentes religiosos para sus tramas) es un fenómeno que goza en España de muy buena salud. Nuevos títulos ocupan las listas de los más vendidos. Novelistas, historiadores y teólogos hallan en los evangelios apócrifos, la figura de María Magdalena, la Inquisición o la imprecisión de los textos sagrados una fuente inagotable de inspiración que cuenta con la mayor receptividad de la historia por parte de los lectores. ¿A qué se debe tanto interés?

Si uno busca lecturas de verano, es difícil resistirse a un tomo voluminoso que propone descubrir cómo una agente del FBI, con la ayuda de un exorcista, llega hasta unos manuscritos de la cristiandad prohibidos en la Edad Media y la causa oculta de la muerte de varias monjas recoletas de Bolzano (Italia). Tampoco es fácil abandonar la lectura de una extensa novela que comienza así: “Languedoc. Mediados del Siglo XIII. Soy espía y tengo miedo. Tengo miedo de Dios porque en su nombre he hecho cosas terribles”.

Y junto a ganchos tan indiscutibles, ¿cómo es posible que un sesudo ensayo de 500 páginas titulado Jesús. Aproximación histórica haya vendido 50.000 ejemplares en siete meses?

La historia de este último libro podría ser la base adecuada para una nueva novela del género histórico-religioso. Su autor, José Antonio Pagola, vicario de la diócesis de San Sebastián, que ha dedicado a su texto siete años de investigación, vive quizá los momentos más amargos de su vida una vez que ha sido condenado por la Inquisición española, hoy llamada Comisión Episcopal para la Doctrina de la Fe. ¿Su pecado? Llegar a “planteamientos y conclusiones no siempre compatibles con la imagen de Jesús que presentan los Evangelios, y que ha sido custodiada y transmitida con fidelidad por la Iglesia”, según la nota de la Conferencia Episcopal del pasado 27 de junio. Esta historia exhibe, en fin, una de las claves del éxito actual de todo lo relacionado con la religión: el gusto por la heterodoxia.

En el siglo XXI, son muchos los españoles, creyentes y agnósticos, que rechazan la ortodoxia, el pensamiento único, el dogmatismo, el fundamentalismo. “El libro de Pagola es un éxito de ventas porque es una versión moderna y cercana, y porque la gente busca interpretaciones múltiples para todo. Se niega a aceptar una sola lectura, una sola interpretación”, explica la teóloga Margarita Pintos, analista del papel de la mujer en la Iglesia.

En efecto, el texto de Pagola fue un boom antes de que la Inquisición española lo condenara simbólicamente a la hoguera. “Cuando empezaron a verterse críticas sobre el libro ya se habían hecho 12 presentaciones en distintos lugares del país, con una asistencia media de 400 personas por presentación”, asegura Luis Aranguren, directivo de la editorial marianista PPC.

El periodista y ex sacerdote Juan Arias vendió 24 ediciones de su libro Jesús, ese gran desconocido. El título en sí ya señala que, a pesar de las apariencias, no sabemos tanto de Jesús de Nazaret como creemos. O no sabemos toda la verdad. Incluso los textos más ortodoxos invitan a la lectura con reclamos similares a los que utilizaría cualquier texto crítico con la doctrina oficial, anunciando ese otro rasgo que explica el interés por este tipo de literatura: la transgresión, el rechazo al orden preestablecido. Así, el jesuita Francesc Riera, publicaba a finales de 2007 un estudio titulado Jesús de Nazaret: el evangelio de Lucas, escuela de justicia y misericordia: una historia subversiva y fascinante.

Parte de la fascinación que provoca Jesús de Nazaret estriba, según el teólogo Juan José Tamayo, que ha publicado varios libros sobre su figura, en que todo el mundo habla bien de él, ha resistido a todos los análisis. “Es el paradigma de la coherencia”, dice de él Tamayo. Ello no ha impedido que, como el de Pagola, muchos de los trabajos sobre Jesús hayan merecido el desprecio de los conservadores. Así le ocurrió al libro Última noticia de Jesús el Nazareno, de Lluís Busquets, pese a ser un compendio riguroso de las aportaciones hechas hasta el momento.

A partir de ahí, los niveles de transgresión frente a la doctrina oficial se han disparado. Los historiadores más rigurosos se niegan a limitar sus fuentes a los evangelios canónicos y echan mano de los apócrifos para reconstruir la historia de Judas, devolver su relevancia y su humanidad a María, cuya virginidad se cuestiona, y, por supuesto, para rescatar del burdel en el que la recluyó la Iglesia oficial a María Magdalena, una mujer que los teólogos y, sobre todo, las teólogas definen como una mujer culta, quizá el apóstol más inteligente de Jesús y ¿por qué no?, la compañera sentimental de su vida. “La impresión general es que a la mayoría de la gente nos han engañado cuando aprendimos la religión”, dice Margarita Pintos. “De María Magdalena no nos contaron la verdad. Se nos impuso el patriarcado institucionalizado en todas las religiones. Y sobre la virginidad de María, pues es que ya no cuela”.

Heterodoxia, transgresión, misterio, ocultación de la realidad… Mimbres perfectos para una novela de acción, sazonada de suspense, esoterismo e historia. “Creo que el éxito se debe a que la gente tiene la sensación de no tener tiempo para leer todo lo que quiere y, al mismo tiempo, quiere entretenerse. Este tipo de libros mata dos pájaros de un tiro: entretiene y aprende”, explica Ángeles Aguilera, directora de Comunicación de Ediciones Generales Santillana.

La historia, la recreación de la sociedad en un tiempo determinado (como ha hecho Pagola para reescribir a Jesús) es la base de la obra de la periodista Julia Navarro. Sus tres primeras novelas, de connotaciones histórico-religiosas, han vendido en total 1,5 millones de ejemplares. Arqueólogos, catedrales, templarios, enigmas… “Meras excusas para tratar los problemas que me preocupan, como el nazismo o el fanatismo”, explica la propia autora, a través, eso sí, del hecho religioso, aunque añade: “No me interesa tanto la religión en sí como su influencia. Sin la religión no se puede explicar parte de nuestra historia ni se puede entender, por poner un ejemplo muy cercano, la manifestación de los obispos del año pasado contra el Gobierno de Rodríguez Zapatero. No hay un periodo de la historia en que la religión no haya jugado un papel preponderante”.

Entre los últimos bombazos de ficción con referencias histórico-religiosas se cuenta El laberinto de la rosa, de Titania Hardie (Edición Suma de Letras) que en España ha vendido 100.000 ejemplares. El evangelio del mal, de Patrick Graham (Editorial Grijalbo), salió al mercado en mayo y ya se han vendido 20.000 ejemplares. Y las tres novelas de Julia Navarro.

“Si a un niño no se le enseña la historia de las religiones, entrará en el Museo del Prado y no entenderá nada”, apuntala Juan Arias. “Nuestro laicismo, además, es pura apariencia. Nuestra cultura de siglos es católica, religiosa. Y es una necesidad del ser humano porque la función de la religión es desterrar miedos y dar felicidad, aunque las iglesias hayan invertido los términos”.

Nuria Tey, directora editorial de Plaza & Janés, cree que nuestro interés por este tipo de lecturas ha aumentado en la medida en que la sociedad española se ha ido abriendo mentalmente. Tey, además, no tiene ningún reparo en catalogar a muchos de estos textos dentro de la categoría de “libros de autoayuda”, en la permanente búsqueda de referencias para nuestras vidas. Mientras huimos del dogma, mientras, como dice Tamayo, “nos liberamos de un sistema rígido de creencias”, buscamos nuevos pilares sobre los que crecer como personas en la búsqueda de hallar un sentido a la existencia. “A cualquier ser humano, creyente o no, los temas de la trascendencia y del sufrimiento le afectan”, explica también Raquel Mallavibarrena, portavoz de la corriente Somos Iglesia. “Por ello, las manifestaciones artísticas, y en concreto la literatura, que abordan esos aspectos, siempre interesan por su conexión con esas zonas más íntimas y profundas de las personas, con los interrogantes e incertidumbres que todos llevamos dentro”.

Tenemos dudas, cuestionamos más cosas y no nos conformamos con una única interpretación. El fenómeno no atañe sólo a los cristianos. Esta corriente revisionista se está produciendo también, por ejemplo, en el islamismo allá donde se dan las condiciones políticas y sociales adecuadas: laicismo y libertad de expresión. Es el caso de España. No hay muchos libros al respecto todavía, pero sí una clara corriente ideológica y un feminismo islámico que está surgiendo. Así lo asegura el presidente de la Junta Islámica de España Mansur Escudero. “En Europa y en España se está ofreciendo una relectura de libre interpretación que entronca con el Islam auténtico. Y se está dando sobre todo entre los conversos”.

Pero ésta es ya otra historia. Aunque parece la misma.

 

Reportagem traduzida para o português e reproduzida por IHU On-Line em 16/08/2008: Somos secularizados, mas nos interessamos por Deus.

A midiatização das experiências religiosas

Estudiosos debatem midiatização das experiências religiosas

Estudiosos do fenômeno da religião e das mídias, reunidos na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) para a 6a. Conferência sobre Meios, Religião e Cultura, analisam as implicações da midiatização das experiências religiosas no contexto de uma sociedade plural e diversa (…) A conferência de São Paulo reúne 200 pesquisadores, de 26 países. Ela é organizada pela Comissão Internacional sobre Meios, Religião e Cultura, a Umesp e a Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês) na América Latina. O evento teve início na segunda-feira, 11, e se estende até amanhã.

No debate apareceu também a blogosfera. Diz o texto:
O professor Paul Teusner, da Universidade RMIT, de Melbourne, Austrália, apresentou as conclusões de sua investigação sobre a emergência da religiosidade juvenil na “blogosfera”. O estudo de Teusner indica que o uso das novas tecnologias, como a Internet, está gerando novas identidades religiosas e novos processos de interação entre os fiéis, bem como entre a própria comunidade religiosa tradicional.

 

Leia a reportagem de Rolando Pérez na ALC.

 

Quarta-feira, 13 de agosto de 2008 (ALC) – Estudiosos do fenômeno da religião e das mídias, reunidos na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) para a 6a. Conferência sobre Meios, Religião e Cultura, analisam as implicações da midiatização das experiências religiosas no contexto de uma sociedade plural e diversa.

O professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), padre Pedro Gilberto Gomes, que participou do painel sobre “a religião nas grandes corporações midiáticas”, sustentou que a América Latina observa hoje um deslocamento do espaço tradicional dos templos para um campo aberto e multidimensional, onde os meios desempenham um papel importante. “A cultura midiática está criando novas ritualidades e sensibilidades religiosas”, afirmou.

Esta mudança de época está marcada por uma nova ecologia comunicacional. Nesse sentido, enfatizou Gomes, o fenômeno da midiatização religiosa é mais do que uma experiência relacionada ao uso e à apropriação da tecnologia midiática. Trata-se da construção de um novo modo de ser no mundo onde as identidades e formas de viver a fé e interagir com a transcendência estão mediadas por espaços e meios que estão além do mundo sagrado institucionalizado.

Nesse sentido, a midiatização da sociedade converte-se numa das chaves hermenêuticas para compreender e interpretar o mundo religioso e as novas espiritualidades.

Os trabalhos apresentados por pesquisadores de diversos países revelam que as novas formas de produção e de consumo religioso estão crescendo cada vez mais no espaço criado pelos novos meios de comunicação, no qual o ciberespaço converteu-se no lugar privilegiado destas novas buscas.

O professor Paul Teusner, da Universidade RMIT, de Melbourne, Austrália, apresentou as conclusões de sua investigação sobre a emergência da religiosidade juvenil na “blogosfera”. O estudo de Teusner indica que o uso das novas tecnologias, como a internet, está gerando novas identidades religiosas e novos processos de interação entre os fiéis, bem como entre a própria comunidade religiosa tradicional.

O estudo revela que essa experiência religiosa não significa necessariamente uma forma de concorrência em relação às comunidades religiosas tradicionais. Os “cibercristãos” assumem a comunidade virtual como um passo intermediário para vincular-se com suas congregações ou igrejas locais tradicionais, salientou.

Para a professora Maru Hess, da Universidade Luterana de Minnesota, nos Estados Unidos, as novas apropriações dos espaços produzidas pelos meios tecnológicos geram re-significações notáveis no campo da autoridade religiosa. Por outro lado, indicou, este fenômeno gera desafios para as igrejas e grupos religiosos tradicionais em termos de repensar suas estratégias discursivas, bem como compreender, interagir e dialogar com estas novas comunidades virtuais de fé e com os próprios fiéis que se movem nos espaços e mundos culturais que a sociedade contemporânea midiatizada está gerando.

A conferência de São Paulo reúne 200 pesquisadores, de 26 países. Ela é organizada pela Comissão Internacional sobre Meios, Religião e Cultura, a Umesp e a Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês) na América Latina. O evento teve início na segunda-feira, 11, e se estende até amanhã.