Biblistas Mineiros: novo número da Estudos Bíblicos em 2014

O grupo dos Biblistas Mineiros está concluindo mais um número da revista Estudos Bíblicos. Sairá em algum momento de 2014 e será o número 120, de out/dez 2013.

No dia 8 deste mês de julho estivemos reunidos na FAJE – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia -, em Belo Horizonte, para concluir o debate ali iniciado em julho do ano passado.

Este número de Estudos Bíblicos se articula a partir dos temas dos megaeventos e da espetacularização da vida social no mundo globalizado, já que estamos no contexto da Copa do Mundo, sediada no Brasil em 2014.

Estavam presentes:

  • Airton José da Silva – Professor no CEARP / Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Ribeirão Preto, SP
  • Cynthia Dias Rayol – Mestranda em Teologia Bíblica na FAJE, Doutora em Medicina
  • Elisabete Corazza – Irmã Paulina, Diretora do SAB e animadora no Projeto Teologia Viva da Arquidiocese de Belo Horizonte
  • Jaldemir Vitório – Diretor da FAJE e Professor na mesma instituição
  • Johan Konings – Professor Emérito da FAJE
  • José Mauricio Murillo Alvarado – Doutorando em Teologia Bíblica na FAJE
  • Júnior Vasconcelos do Amaral – Doutorando em Teologia Bíblica na FAJE
  • Karina Andrea Pereira Garcia Coleta – Mestranda em Teologia Bíblica na FAJE, formada em Economia e Tradução
  • Leyde Maria Maroni Leite – Formação na PUC Minas e CEBI, Assessora Bíblica na região de Belo Horizonte
  • Luciana Cangussu Prates – Formada em Letras e Psicologia pela UFMG, Mestranda em Teologia Bíblica na FAJE
  • Maria de Lourdes Augusta – Religiosa das Pequenas Irmãs da Divina Providência – Professora de Teologia em Mariana, MG
  • Paulo Jackson Nóbrega de Sousa – Professor na FAJE e na PUC Minas
  • Telmo José Amaral de Figueiredo – Doutorando em Letras Hebraicas pela FFLCH/USP, em S. Paulo
  • Wolfgang Gruen – Ex-Professor da PUC Minas e do ISTA, Assessor Bíblico-Catequético e de Ensino Religioso
  • Zuleica Aparecida Silvano – Irmã Paulina, Assessora no SAB, Professora na FAJE

Ausências justificadas: José Luiz Gonzaga do Prado, Neuza Silveira de Souza, Pascal Peuzé e Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa.

Os artigos da Estudos Bíblicos:

  • Grandes projetos na Bíblia e a resistência do povo – Gilvander Luís Moreira
  • Gn 11,1-9: Contramito torre de Babel ao mito da fundação de Babilônia – Jacir de Freitas Faria
  • A sabedoria do pobre salva a cidade. Leituras de Eclesiastes 9,14-16 – Wolfgang Gruen
  • Jeremias, profeta crítico do poder imperial. A hegemonia e a grandeza babilônica, numa leitura profética da história, à luz da fé – Jaldemir Vitório
  • Religião e formação de classes na antiga Judeia – Airton José da Silva
  • Resistindo à globalização: os Macabeus – Neuza Silveira de Souza e Maria de Lourdes Augusta
  • O cego Bartimeu e a pastoral do espetáculo – José Luiz Gonzaga do Prado
  • Paulo, os jogos e a linguagem esportiva – Zuleica Aparecida Silvano
  • Espetáculos de derrota no século XXI – Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa
  • A Prostituta Babilônia – Leitura de Apocalipse 17 e 18 – Johan Konings

Fonte: Além de minhas anotações pessoais, servi-me do relato feito por Telmo José Amaral de Figueiredo, Coordenador/Secretário do grupo

12 coisas que você precisa saber sobre privacidade na Internet

Twelve Things You Need to Know About Internet Privacy – Gizmo’s Freeware: updated 28. July 2013 – 19:19 by v.laurie

  1. Não é possível ter 100% de privacidade na Internet: aprenda a conviver com isso e aja com prudência
  2. Goste ou não, você tem que confiar em alguém, pois tudo o que você faz na Internet passa por numerosos intermediários
  3. Medidas para garantir maior privacidade dificultam o uso da Internet, por isso escolha o nível de privacidade adequado ao seu uso da rede
  4. Há inúmeras maneiras de espionar conexões sem fio ou celulares
  5. Todos os e-mails que você envia são públicos
  6. E-mail apagado ainda está em algum lugar
  7. Tudo o que você faz ou diz na Internet é gravado em algum lugar, geralmente em vários lugares
  8. Postar em redes sociais é como escrever em um mural público
  9. Cuidado com o que você revela na Internet, pois toda informação que você coloca na rede é compartilhada ou vendida
  10. É quase impossível remover todos os vestígios de algo que foi colocado na Internet
  11. Os anunciantes sempre tentam rastreá-lo para entupir seu computador com publicidade
  12. Monitore seus cartões de crédito e contas bancárias com frequência

Isto é só um resumo. Leia o texto original, que indica o pode ser feito, em cada caso, para minimizar os riscos da navegação na rede.

Só que depois das revelações de Snowden sobre o Prism

Leia Mais:
How to Harden Your Browser Against Malware and Privacy Concerns

Resenhas na RBL – 22.07.2013

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

David J. H. Beldman and Craig G. Bartholomew, eds.
Hearing the Old Testament: Listening for God’s Address
Reviewed by Jeanette Mathews

Reinhard von Bendemann and Markus Tiwald, eds.
Das frühe Christentum und die Stadt
Reviewed by Stephan Witetschek

Mark E. Biddle
Reading Judges: A Literary and Theological Commentary
Reviewed by Trent C. Butler

Joachim Conrad
Karl Heinrich Grafs Arbeit am Alten Testament: Studien zu einer wissenschaftlichen Biographie
Reviewed by Jeffrey L. Morrow

Scott S. Elliott and Roland Boer, eds.
Ideology, Culture, and Translation
Reviewed by Lénart J. de Regt

Georg Fischer, Dominik Markl, and Simone Paganini, eds.
Deuteronomium: Tora für eine neue Generation
Reviewed by Mark Christian

Elizabeth Frood
Biographical Texts from Ramessid Egypt
Reviewed by Gerald Moers

Dong-Hyuk Kim
Early Biblical Hebrew, Late Biblical Hebrew, and Linguistic Variability: A Sociolinguistic Evaluation of the Linguistic Dating of Biblical Texts
Reviewed by Frank H. Polak

Peter Thacher Lanfer
Remembering Eden: The Reception History of Genesis 3:22-24
Reviewed by L. Michael Morales

David Penchansky
Understanding Wisdom Literature: Conflict and Dissonance in the Hebrew Text
Reviewed by Peter Hatton

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

O possível modelo político de Francisco

Chi rilegga le quattro opzioni qui elencate potrà avere dei dubbi sulla loro bontà di fondo, specialmente se ha spirito un po’ conservatore; potrà avere dei dubbi sulla loro percorribilità storica – ci vorrebbe un pontificato ben lungo; potrà avere dei dubbi che siano pensieri così seri a limitare l’empito umano del Pontefice; ma non potrà avere dubbi sul fatto che questo gesuita diventato Papa non è solo «tanto bono» e sorridente.

A cultura de governo do papa: entre senso de realidade e conflitos evitados – Giuseppe De Rita: Corriere della Sera – 23/07/2013, em Notícias: IHU On-Line 25/07/2013

Que cultura política e de governo o Papa Francisco expressa? A pergunta se intensificou nas últimas semanas, também com referência aos seus banhos de multidão em Lampedusa e no Rio: à apreciação geral da sua capacidade relacional, acompanharam-se algumas dúvidas sobre os perigos do excesso de relação direta com o povo, talvez sem uma adequada cultura de governança. Como ex-aluno dos jesuítas, eu reagi pensando que tal carência é improvável em um jesuíta, especialmente quando percorreu uma complexa carreira eclesial. Então, fui ler os textos do cardeal Bergoglio em matéria sociopolítica, originados da difícil evolução das Igrejas sul-americanas. E neles captei quatro opções “de governo” de notável densidade e atualidade.

. A primeira opção é por uma aderência simples e feroz à realidade, colocando em segundo plano o valor das ideias, dos projetos e dos programas

. A segunda opção é o privilégio a ser dado ao tempo com relação ao espaço, “porque o tempo inicia processos, e o espaço os cristaliza”

. A terceira opção é a de que “a unidade é superior ao conflito”, e que a composição das coisas deve ser preferida à segmentação das dialéticas sociais

. A quarta é inovadora, relativa à cultura de governo: se governa através de um “modelo poliédrico, que na unidade mantém a originalidade das parcialidades individuais”

Quem reler as quatro opções aqui listadas poderá ter dúvidas sobre a sua bondade de fundo, especialmente se tiver um espírito um pouco conservador; poderá ter dúvidas sobre a sua viabilidade histórica (seria preciso um pontificado bem longo); poderá ter dúvidas de que são pensamentos tão sérios que limitam o ímpeto humano do pontífice; mas não poderá ter dúvidas sobre o fato de que esse jesuíta que se tornou papa não é apenas “tão bom” e sorridente.

Leia o texto completo.

Tra senso di realtà e conflitti evitati: la cultura di governo del Papa – Giuseppe De Rita: Corriere della Sera – 23 luglio 2013

Quale cultura politica e di governo esprime papa Francesco? La domanda si è intensificata nelle ultime settimane, anche in riferimento ai suoi bagni di folla a Lampedusa e a Rio: all’apprezzamento generale della sua capacità relazionale si sono accompagnati alcuni dubbi sui pericoli di troppo diretto rapporto con il popolo, senza magari un’adeguata cultura di governance. Da antico allievo dei gesuiti ho reagito pensando che tale carenza è improbabile in un gesuita, specialmente se ha percorso una complessa carriera ecclesiale. Mi sono quindi andato a leggere i testi del cardinale Bergoglio in materia sociopolitica, originati dall’evoluzione difficile delle chiese sudamericane. E ne ho colto quattro opzioni «di governo» di notevole spessore ed attualità.

. La prima opzione è per un’aderenza semplice e spietata alla realtà, mettendo in secondo piano il valore delle idee, dei progetti e dei programmi

. La seconda opzione è il privilegio da dare al tempo rispetto allo spazio, «perché il tempo inizia processi e lo spazio li cristallizza»

. La terza opzione è quella che «l’unità è superiore al conflitto», e che la composizione delle cose va preferita alla segmentazione delle dialettiche sociali

. La quarta, quella relativa alla cultura di governo: si governa attraverso un «modello a poliedro, che nell’unità mantiene l’originalità delle singole parzialità».

Dos danos políticos da mídia alienada

Quem desconfia fica sábio…

Acabei de ler um texto no site de CartaCapital, revista que aprecio e admiro, mas que hoje me deixou perplexo, por reproduzir um típico pensamento alienado e alienante.

Trata-se do artigo Papa é um Feliciano com muito mais poder e o apoio da Globo.

Foi escrito pelo editor de mídia online da revista, Lino Bocchini, no Blog do Lino, e representa, se diz na página, sua opinião sobre a visita do papa. Publicado em 23/07/2013 às 14h49. Última modificação: 23/07/2013 às 16h34.

Por que considero o texto alienado e alienante?

Vejamos: o processo de fetichização ou alienação ocorre quando as relações sociais entre os homens aparecem como relações entre coisas, como realidades naturais e independentes de suas ações. Os produtos de suas atividades revelam-se alheios à sua essência: há uma cisão entre essência (práxis criadora) e existência (vida social).

Ora, quando o pensamento não supera o imediatismo e o espontaneísmo, capta-se somente a forma aparente da realidade e não se atinge a sua essência. Várias manifestações do pensamento atual, sejam elas racionalistas ou irracionalistas, objetivistas ou subjetivistas, possuem esse traço fetichizador. Limitando-se à apreensão imediata da realidade, não elaborando as categorias a partir de sua essência econômica, o pensamento acaba servindo aos interesses da burguesia.

Este pensamento elege a subjetividade como única fonte de valores autênticos, subjetividade que acaba negando o real contraditório. E o que ocorre? Este protesto subjetivo transforma-se fatalmente em conformismo real. É um pensamento reprodutor do mecanismo capitalista, pois ataca sua aparência, deixando intacta sua essência.

E mais: esta contradição é sublimada na fuga do real pela transformação do ressentimento – sentimento considerado negativo e inaceitável – em indignação moral, atitude considerada positiva e corajosa.

Pergunto: CartaCapital não mereceria um editor de mídia online um pouco mais atento aos atuais interesses políticos em jogo tanto no Brasil quanto no Vaticano?

Atualização: 24.07.2013 – 11h40:
O autor do texto, Lino Bocchini, está apanhando feio dos leitores do site de CartaCapital nas centenas de comentários postados. Nota-se espanto e indignação da maioria por encontrar texto tão leviano no site de sua revista preferida.

Como gosta de dizer Mino Carta, é do conhecimento até do mundo mineral que o nivelamento de Francisco a Feliciano não tem cabimento.

Vale aqui citar um comentarista chamado Franco, que escreveu hoje: Lino Bocchini, pare tudo e comece de novo. Começando com um pedido de
desculpas pelo infeliz texto. Carta Capital é maior que essa sua visão
equivocada
.

Atualização: 31.07.2013 – 14h02
Os comentários já passam de 600. E o desagrado da maioria dos comentaristas com o texto de Lino Bocchini continua. Pois é patente o “salto epistemológico” do autor ao comparar duas grandezas tão distintas como Francisco e Feliciano.

Como disse muito bem o comentarista Urbano Lopes da Silva Junior, 7 dias atrás: A comparação seria válida se as alegações feitas por ambos estivesse no mesmo contexto institucional. O Papa fala segundo a perspectiva da Igreja e ninguém (pelo menos na atualidade) é obrigado a ser católico. Felicianos e outros políticos protestantes usam as suas atribuições públicas para procurar traduzir as suas perspectivas religiosas, cujas recompensas devem ser atemporais e de outra dimensão que não a terrena, para um contexto temporal, terreno, transformando em imposição legal aspectos onde a laicidade é a forma menos desigual de conduzir os rumos da sociedade. São duas coisas fundamentalmente diferentes. Da mesma, não vejo problema de os protestantes fazerem coro de suas convicções a fim de orientar seus adeptos na sua vida espiritual. São esferas diferentes da vida. 

Leia Mais:
Feliciano e os defensores da moral e dos bons costumes

Francisco no Brasil

:: Francisco no Brasil: riscos e possibilidades – John L. Allen Jr.: National Catholic Reporter, 19/07/2013, em Notícias: IHU On-Line: 22/07/2013 (cf. o texto original abaixo: Francis in Brazil…)
Sejamos claros: a primeira viagem transoceânica de Francisco nos dias 22 a 29 de julho ao Brasil, para a Jornada Mundial da Juventude, será percebida quase certamente como um grande sucesso. Ele provavelmente irá atrair grandes e entusiastas multidões, o seu estilo livre e caloroso deverá se sair tão bem na estrada como em Roma, e a sua preocupação palpável pelos pobres deverá tocar cordas profundas em uma sociedade em que a justiça social é uma idée fixe. Além disso, em meio a um outono de descontentamento, os brasileiros parecem famintos por uma boa história para contar sobre si mesmos. Quando a palavra final for dada, a manchete dominante provavelmente será algo como: “Francisco traz paz e conquista corações”. Dito isso, toda viagem papal é uma viagem ao desconhecido, e Francisco enfrenta alguns riscos reais nessa viagem, alguns imediatos e de curto prazo, outros de longo prazo e mais difíceis de avaliar em meio à euforia. Em termos de segurança e de controle da multidão, as autoridades do Brasil anunciaram que estão categorizando os eventos no itinerário do papa como “verde”, “laranja” ou “vermelho”, correspondentes ao nível de ameaça que eles acreditam que cada um deles apresenta. “Roubando” uma página da sua cartilha, vamos expor aqui diversos pontos de interrogação que se colocam diante de Francisco no Brasil em níveis ascendentes de seriedade. Além do imaginário e dos roteiros tranquilizantes, dependendo da forma como o novo pontífice navegar por esses riscos, haverá um longo caminho para moldar o substantivo sucesso ou fracasso da viagem.

:: Francis in Brazil and a new scandal in Rome: by John L. Allen Jr.: National Catholic Reporter – Jul. 19, 2013
Let’s be clear: Francis’ first overseas trip July 22-29 to Brazil for World Youth Day almost certainly will be perceived as a runaway hit. He’ll likely draw large and enthusiastic crowds, his freewheeling and warm style should play as well on the road as it does in Rome, and his palpable concern for the poor should strike deep chords in a society where social justice is an idée fixe. Moreover, amid a summer of discontent, Brazilians seem hungry for a good story to tell about themselves. When the final word is in, the dominant headline will probably be something like: “Francis brings peace and wins hearts.” That said, every papal trip is a journey into the unknown, and Francis faces some real risks on this outing, a few immediate and short-term, others longer-term and harder to evaluate amid the euphoria. In terms of security and crowd control, officials in Brazil have announced they’re categorizing the events on the pope’s itinerary as “green,” “orange” or “red,” corresponding to the threat level they believe each poses. Stealing a page from their playbook, we’ll lay out here several question marks facing Francis in Brazil in ascending levels of seriousness. Beyond the imagery and feel-good storylines, how well the new pontiff navigates these risks will go a long way toward shaping the substantive success or failure of the outing.

:: Papa Francisco deve anunciar “evangelho social” no Brasil – Eduardo Febbro: Carta Maior 22/07/2013
Ficaram para trás as disputas orquestradas por João Paulo Segundo contra a Teologia da Libertação, os padres pedófilos, a corrupção no Banco do Vaticano, o IOR. Chegou o “momento da renovação”, como dizem os jovens que chegam ao Rio. Esta renovação tem um nome que contrasta com os últimos 35 anos de política vaticana: o “evangelho social”. A palavra “social” é já todo um desafio que prolonga a ruptura que Bergoglio encarnou na noite em que, após o Conclave tê-lo escolhido Papa, apareceu em uma janela da Praça de São Pedro e pronunciou a palavra “povo”. Em Roma, há dez dias, o círculo próximo ao Papa falava de uma “mensagem revolucionária”. É preciso esperar para ver e ouvir. Desde o compromisso de forjar “uma igreja pobre para os pobres”, Francisco foi despindo a figura papal de toda a roupagem monárquica, que a colocava acima dos fieis.  Sua viagem vem precedida por uma série de pronunciamentos que romperam com o conformismo vaticanista. Nas últimas semanas, Bergoglio denunciou a “tirania do dinheiro”, o “capitalismo selvagem” e a “globalização da indiferença”.

::  Em torno da visita do papa Francisco ao Brasil – Faustino Teixeira: Notícias: IHU On-Line 22/07/2013
A presença de Francisco deu um novo alento à Igreja Católica. Marca uma presença muito distinta com respeito aos dois últimos papas e vem movido por uma sede de mudança na vida eclesial, que traduz também uma indignação profética contra determinadas situações que maculavam o tecido católico. O que se vê nas ruas hoje no Brasil é também a expressão de uma insatisfação e uma sede de justiça e verdade, também de “afirmação de força e fé no futuro”. São vocalizações distintas, mas que convergem na busca de um mundo melhor e numa representação mais digna e autêntica. Creio que Francisco será acolhido entre nós com muita alegria e hospitalidade, e saberá também dizer uma palavra de alento e de esperança para esses jovens que hoje tomam conta de nossas ruas por todo o Brasil em busca de um horizonte menos sombrio e mais justo.

:: Leia a íntegra do discurso do papa na missa na Catedral Metropolitana do Rio – Folha de S. Paulo: 27/07/2013 – 10h11
Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, quando há tanta gente esperando o Evangelho! Não se trata simplesmente de abrir a porta para acolher, mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar. Decididamente pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que estão mais afastados, daqueles que habitualmente não frequentam a paróquia. Também eles são convidados para a Mesa do Senhor (…) Em muitos ambientes, infelizmente, ganhou espaço a cultura da exclusão, a “cultura do descartável”. Não há lugar para o idoso, nem para o filho indesejado; não há tempo para se deter com o pobre caído à margem da estrada. Às vezes parece que, para alguns, as relações humanas sejam regidas por dois “dogmas” modernos: eficiência e pragmatismo. Queridos Bispos, sacerdotes, religiosos e também vocês, seminaristas, que se preparam para o ministério, tenham a coragem de ir contra a corrente. Não renunciemos a este dom de Deus: a única família dos seus filhos. O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade e a fraternidade são os elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana.

:: Leia a íntegra do discurso original do papa no Theatro Municipal – Folha de S. Paulo: 27/07/2013 – 11h52
A responsabilidade social exige um certo tipo de paradigma cultural e, consequentemente, de política. Somos responsáveis pela formação de novas gerações, capacitadas na economia e na política, e firmes nos valores éticos. O futuro exige de nós uma visão humanista da economia e uma política que realize cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evitando elitismos e erradicando a pobreza. Que ninguém fique privado do necessário, e que a todos sejam asseguradas dignidade, fraternidade e solidariedade: esta é a via a seguir. Já no tempo do profeta Amós era muito forte a advertência de Deus: «Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível» (Am 2, 6-7). Os gritos por justiça continuam ainda hoje (…) Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce, quando dialogam de modo construtivo as suas diversas riquezas culturais: cultura popular, cultura universitária, cultura juvenil, cultura artística e tecnológica, cultura econômica e cultura familiar e cultura da mídia. É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que evite o risco de ficar fechada na pura lógica da representação dos interesses constituídos. Será fundamental a contribuição das grandes tradições religiosas, que desempenham um papel fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia. Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade, favorecendo as suas expressões concretas. Quando os líderes dos diferentes setores me pedem um conselho, a minha resposta é sempre a mesma: diálogo, diálogo, diálogo.

:: “Amor eficaz” do papa é tipicamente latino-americano, diz teólogo – Deutsche Welle, na Folha de S. Paulo: 27/07/2013 – 16h16
Francisco enfoca a fé e o amor, entendendo o amor como um “amor eficaz”. Esta é uma noção tipicamente latino-americana, que resultou das reflexões de teólogos da libertação. A ideia é que não basta falar de amor, nem expressar sentimentos de compaixão ou solidariedade. O amor deve se manifestar em atos concretos de ajuda. E, se for necessário, esse amor deve contemplar a organização política, para atingir certos fins. O que Francisco prega não é novo para muitos membros da Igreja Católica na América Latina. Nessa região vem-se praticando essa forma de amor desde os anos 1960. O que é realmente novo é um papa falar deste vínculo entre a fé e o amor de uma forma clara, sem pretender enfeitar a mensagem com formulações complicadas ou diplomáticas.

:: ‘Bergoglio é outro modelo de Igreja’, constata o vaticanista Marco Politi – O Globo: 28/07/2013, em Notícias: IHU On-Line 28/07/2013.
Reorganizar a Cúria e fazer a reforma do banco do Vaticano é uma questão técnica. Não é difícil. O mais difícil e mais ambicioso vai ser reorganizar a Igreja globalmente como instituição. O Papa não quer mais uma Igreja monárquica-imperial, mas sim uma Igreja comunitária guiada colegialmente pelo Papa junto com os bispos. Para ele, acabou o tempo em que a Igreja é guiada por um imperador, um monarca absoluto. A estrutura da Igreja, independentemente da personalidade do Papa, sempre foi monárquica-imperial. Ao renunciar aos símbolos, como o manto e os sapatos vermelhos, e adotar a cruz de ferro, ele não faz gestos apenas populistas. É um gesto político. Ele abriu uma revolução. Não sei como vai acabar, mas abriu o processo. Haverá resistências. Há uma resistência que ainda não se mostra publicamente e que até agora tem sido manifestada por vozes laicas e jornalistas. Acusam o Papa de pauperismo, populismo e demagogia. Vamos assistir a fortes resistências. Mas é o Papa certo para o momento atual. Bergoglio é o Papa não-Papa, que interpreta muito bem a situação de crise do mundo contemporâneo.

:: Leia íntegra do discurso do papa ao Celam – Folha de S. Paulo: 28/07/2013 – 16h47 [também aqui] O clericalismo é também uma tentação muito atual na América Latina. Curiosamente, na maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade viciosa: o sacerdote clericaliza e o leigo lhe pede por favor que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo… A proposta dos grupos bíblicos, das comunidades eclesiais de base e dos Conselhos pastorais está na linha de superação do clericalismo e de um crescimento da responsabilidade laical… Gosto de dizer que a posição do discípulo missionário não é uma posição de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias. No anúncio evangélico, falar de “periferias existenciais” descentraliza e, habitualmente, temos medo de sair do centro… Os bispos devem guiar, que não é o mesmo que comandar… Devem ser Pastores, próximos das pessoas, pais e irmãos, com grande mansidão: pacientes e misericordiosos. Homens que amem a pobreza, quer a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, quer a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham “psicologia de príncipes”. Homens que não sejam ambiciosos e que sejam esposos de uma Igreja sem viver na expectativa de outra. Homens capazes de vigiar sobre o rebanho que lhes foi confiado e cuidando de tudo aquilo que o mantém unido: vigiar sobre o seu povo, atento a eventuais perigos que o ameacem, mas sobretudo para cuidar da esperança: que haja sol e luz nos corações.

:: Veja a íntegra da entrevista de Francisco a Gerson Camarotti
GloboNews exibiu em 28/07/2013, às 23h00, versão completa da entrevista com Francisco. Ele falou sobre a necessidade de proximidade com o povo, da opção pela simplicidade, da globalização da indiferença e da idolatria do dinheiro, dos protestos dos jovens, do diálogo entre as religiões, entre outras coisas. Veja o vídeo.

:: Multidões, mais gestos e interrogações – Washington Uranga: Página/12 – 28/07/2013, em Notícias: IHU On-Line 30/07/2013
Nem tudo está dito. Francisco entusiasma multidões. Também tem gestos e dá passos que incomodam a velha estrutura eclesiástica. Entusiasma e inquieta, gera adesões, expectativas e desconfianças. Há perguntas ainda sem respostas. Devemos continuar esperando. É muito cedo para tirar conclusões. Ainda não há elementos suficientes para responder se Francisco será diferente do que soube ser Jorge Mario Bergoglio.

:: “Colocar a Igreja na rua é um velho projeto”, afirma socióloga –  Martín Granovsky entrevista Verónica Giménez Béliveau: Página/12 – 28/07/2013, em Notícias: IHU On-Line 30/07/2013
O que o Papa quis dizer aos fiéis argentinos com sua frase “façam agitação”?  O que significa colocar a Igreja Católica na rua? É uma proposta política e social? Com Francisco, qual é o cenário provável da moral sexual e a postura diante do aborto ou da anticoncepção? Como atua a crítica à pobreza? A análise de uma socióloga para além das historietas. A pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet), a socióloga Verónica Giménez Béliveau, além de trabalhar no Centro de Estudos e Pesquisas Trabalhistas, também atua como professora adjunta do seminário Sociedade e Religião, na Universidade de Buenos Aires, dentro da Faculdade de Ciências Sociais.

:: ‘A JMJ cristalizou a consagração da cultura gospel católica no Brasil’. Entrevista especial com Brenda Carranza – IHU On-Line: 31/07/2013
Parece-me que esta primeira viagem internacional do Papa é fundamental para compreender a dimensão das rupturas simbólicas que têm marcado o início de seu pontificado. Rupturas que, como já disse, articulam-se na solda que seus discursos, palavras e gestos mostram. A passagem de Francisco pelo Brasil sinaliza uma outra rota de um papado mais latino-americano do que europeu, mais colegiado do que hierárquico, mais pastoral do que magisterial, mais coração do que razão, mais Vaticano II do que disciplinar, mais social do que doutrinal, mais inspirador do que admoestador. Enfim, mais respiro. Estamos diante de novos rumos do catolicismo? O tempo confirmará. Por hoje, é uma esperança.

:: Uma Igreja missionária: a reforma de Papa Francisco. Entrevista especial com Sérgio Coutinho – IHU On-Line: 01/08/2013
Coutinho ressalta que Bergoglio [na visita ao Brasil] desenvolveu um “verdadeiro programa pastoral” para os bispos do Brasil e do CELAM, o qual teve como “chave de leitura não o magistério dos Papas anteriores e dos Padres da Igreja, mas o magistério dos bispos da América Latina e Caribe explicitado no documento de Aparecida”, acentuando a necessidade de uma “conversão pastoral”. Coutinho concorda com o conhecido vaticanista italiano Marco Politi: este pontificado é sim de “ruptura”. Ruptura com o modo “monárquico-imperial” de papado para um mais “pastoral-colegial”. Faz lembrar muito o pontificado de João XXIII, mas só que não na condição de um pontificado de “transição” após a longuíssima era do papa Pio XII. Desta vez, paradoxalmente, o pontificado de “transição” foi feito justamente por Bento XVI porque, mesmo sendo uma continuidade em termos de projetos eclesiológicos (ou modelos de Igreja) com o longo período de governo de João Paulo II, ele iniciou a “ruptura” com a sua renúncia e isto que possibilitou este giro de 180º. Por isso, Coutinho se lembra também de um famoso livro do historiador italiano Giuseppe Alberigo sobre o papa Roncalli: “Do Bastão à Misericórdia”. O papa Francisco está de fato reintroduzindo este giro: do “bastão”, da “volta à grande disciplina” (João Batista Libânio) de João Paulo II e Bento XVI, para a “misericórdia”. Neste sentido, “misericórdia”, “serviço”, “diálogo”, “proximidade”, “encontro”, “simplicidade” e “transparência” são as palavras de ordem deste pontificado.

:: ”Mudanças na Igreja não acontecem como num passe de mágica”. Entrevista especial com Manoel Godoy – IHU On-Line 07/08/2013
É interessante a observação que ouvi de quem esteve muito perto de todo o acontecimento da JMJ. Uma coisa é o discurso do Papa, outra a postura do clero presente: nada mudou. Os carreiristas continuaram buscando espaço de poder do mesmo jeito. Muita gente terá que adaptar-se em alguns aspectos, frente à nova agenda trazida pelo papa Francisco à Igreja, mas a mentalidade nociva de busca de poder, pelo que se viu durante a JMJ, continua sem grandes alterações. Também a performance dos novos movimentos continuou, como nas JMJ anteriores, a mesma. Será que os grandes eventos da Igreja continuarão a ser o momento forte de afirmação dos novos movimentos de corte fundamentalista e integralista?

Três tarefas para o estudo da História de Israel

Qual é o futuro do passado de Israel?  What is the future of Israel’s past?

Três tarefas que nascem da pesquisa recente do passado de Israel:

. aprofundar a questão metodológica no estudo da História de Israel

. avaliar o impacto dos novos rumos do estudo da História de Israel sobre a Bíblia

. integrar nos estudos futuros os fenômenos sociais, culturais e humanos mais amplos que contribuíram para a formação do passado de Israel

Quer saber mais?

Leia sobre isto um livro muito competente publicado em 2011:

MOORE, M. B.; KELLE, B. E. Biblical History and Israel’s Past: The Changing Study of the Bible and History. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2011, xvii + 518 p. – ISBN 9780802862600. Kindle Edition: Amazon.com.br.

Review by Bob Becking, Utrecht University, Utrecht, The Netherlands, RBL, published 2/6/2012, and by Ralph K. Hawkins, Averett University, Danville, VA. CBQ, vol. 75, n. 1, January 2013, p. 125-126.

Os escritos de Che Guevara

Unesco reconhece manuscritos de Che Guevara como patrimônio da humanidade

A Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) incluiu, em cerimônia realizada nesta sexta-feira (19/07) em Havana, os escritos do revolucionário argentino Ernesto “Che” Guevara no Programa Memória do Mundo. Com isso, os manuscritos são reconhecidos agora como patrimônio da humanidade.

Leia em Opera Mundi – 19/07/2013.

Resenhas na RBL – 11.07.2013

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Constantine R. Campbell
Paul and Union with Christ: An Exegetical and Theological Study
Reviewed by William Campbell

Daniel Epp-Tiessen
Concerning the Prophets: True and False Prophecy in Jeremiah 23:9–29:32
Reviewed by Kelvin Friebel

Judith Gärtner
Die Geschichtspsalmen: Eine Studie zu den Psalmen 78, 105, 106, 135 und 136 als hermeneutische Schlüsseltexte im Psalter
Reviewed by Susan Gillingham

Lee Martin McDonald
Formation of the Bible: The Story of the Church’s Canon
Reviewed by James Leonard

Matthew V. Novenson
Christ among the Messiahs: Christ Language in Paul and Messiah Language in Ancient Judaism
Reviewed by Nijay K. Gupta

Richard I. Pervo
Acts: A Commentary
Reviewed by Don Garlington

Karlheinz Schüssler
Biblia Coptica: Die koptischen Bibeltexte. Vollständiges Verzeichnis mit Standorten. Band 2/Lfg 1 sa 121–184
Reviewed by Elina Perttilä

Cynthia Shafer-Elliott
Food in Ancient Judah: Domestic Cooking in the Time of the Hebrew Bible
Reviewed by Stephen Reed

Caroline Vander Stichele and Hugh S. Pyper, eds.
Text, Image, and Otherness in Children’s Bibles: What Is in the Picture?
Reviewed by Gottfried Adam

C. Richard Wells and Ray Van Neste, eds.
Forgotten Songs: Reclaiming the Psalms for Christian Worship
Reviewed by Leonard P. Maré

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Resenhas na RBL – 03.07.2013

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Peter Arzt-Grabner and Christina M. Kreinecker, eds.
Light from the East: Papyrologische Kommentare zum Neuen Testament. Akten des internationalen Symposions vom 3.–4. Dezember 2009 am Fachbereich Bibelwissenschaft und Kirchengeschichte der Universität Salzburg
Reviewed by Scott Charlesworth

Daniel I. Block
Deuteronomy
Reviewed by Garrett Galvin

Terry W. Eddinger
Malachi: A Handbook on the Hebrew Text
Reviewed by Buzz Brookman

Jaco Gericke
The Hebrew Bible and Philosophy of Religion
Reviewed by Christian Danz

Yoram Hazony
The Philosophy of Hebrew Scripture
Reviewed by Craig G. Bartholomew

J. Edward Owens
Leviticus
Reviewed by David Talley

Gary S. Shogren
1 and 2 Thessalonians
Reviewed by Jason Weaver

Christopher W. Skinner and Kelly R. Iverson, eds.
Unity and Diversity in the Gospels and Paul: Essays in Honor of Frank J. Matera 
Reviewed by Lars Kierspel

Jean-Luc Vesco
Le Psautier de Jésus: Les citations des Psaumes dans le Nouveau Testament
Reviewed by Thomas J. Kraus

Johanna W. H. van Wijk-Bos
Reading Samuel: A Literary and Theological Commentary
Reviewed by Benjamin J. M. Johnson

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