A grande mídia sempre foi inimiga do Brasil?

Uma breve história da luta da grande mídia contra os interesses nacionais – Leandro Severo: Carta Maior 16/06/2013

Não é difícil perceber o quanto a submissão aos interesses econômicos estrangeiros levou a dita “grande mídia” brasileira a se afastar da nação. A se tornar, ao longo dos anos, em uma peça chave da política do Imperialismo. Em praticamente todos os principais momentos da vida nacional se inclinaram para o golpismo e a traição. Já no primeiro golpe contra Getúlio, depois, contra sua eleição, contra sua posse, contra a criação da Petrobrás, contra a eleição de Juscelino, contra João Goulart, contra as reformas de base, apoiando a Ditadura, apoiando a política econômica de Collor, apoiando Fernando Henrique e suas privatizações, atacando Lula. Hoje, ela novamente tem lado: o das concessões de estradas, portos e aeroportos, o dos leilões de privatização do petróleo e da necessidade da elevação das taxas de juros, do controle do déficit público com evidentes restrições aos investimentos governamentais, ou seja, da aceitação de um neoliberalismo tardio.

A mídia é o partido da oposição

::Se liga Dilma: a mídia é o partido da oposição – Emir Sader: Carta Maior 15/06/2013
As manchetes da mídia [um exemplo pode ser visto aqui. E a manchete da Folha de S. Paulo de hoje diz: Estreia do Brasil tem vaia a Dilma, feridos e presos] buscam criar um clima de crise (a palavra mais proferida pela mídia, junto com a de caos), visando desgastar a imagem do governo, artificialmente, a partir de dificuldades reais. Para aumentar a dimensão do problema, o governo revela não ter uma politica de comunicações para desmentir as diárias falácias que a mídia lança. A proximidade da campanha eleitoral aumentará a guerra no plano das comunicações. Não basta o governo governar bem. É preciso democratizar os canais de comunicação, ouvir e falar o tempo todo.


:: Datafolha registra criminalização da política e romaria pró-Marina – Marcelo Salles: Carta Maior 30/06/2013
A pesquisa divulgada neste domingo [30/06/2013] indica a ação pesada dos fiéis da balança, a mídia e os evangélicos, conforme havíamos previsto. Os evangélicos na organização da campanha por Marina e contra Dilma, e a mídia com a instrumentalização dos protestos a seu favor. Eles irão continuar operando contra a presidenta até o dia do pleito, não importa o que ela faça. Simplesmente porque defendem outro projeto para o país. 

Leia Mais:
A atuação da grande mídia na política
As manifestações e a repressão: o que está acontecendo?
Cerca de 1000 leitores veem golpe em marcha e querem reagir – Blog da Cidadania

Resenhas na RBL – 06.06.2013

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

M. Eugene Boring
An Introduction to the New Testament: History, Literature, Theology
Reviewed by Pheme Perkins

Douglas A. Campbell
The Deliverance of God: An Apocalyptic Rereading of Justification in Paul
Reviewed by Jeffrey F. Cayzer

Naftali S. Cohn
The Memory of the Temple and the Making of the Rabbis
Reviewed by Joshua Schwartz

Yolanda Dreyer
Institutionalization of Authority and the Naming of Jesus
Reviewed by Yongbom Lee

Ben C. Dunson
Individual and Community in Paul’s Letter to the Romans
Reviewed by Jason Weaver

David Emanuel
From Bards to Biblical Exegetes: A Close Reading and Intertextual Analysis of Selected Exodus Psalms
Reviewed by David G. Firth

Saul M. Olyan, ed.
Social Theory and the Study of Israelite Religion: Essays in Retrospect and Prospects
Reviewed by Bob Becking
Reviewed by Aren M. Maeir

Jacques Vermeylen
Les Prophètes de la Bible et la fin des temps: XXIIIe congrès de l’Asssociation catholique française pour l’étude de la Bible (Lille, 24–27 août 2009)
Reviewed by Daniel Timmer

Pieter G. R. de Villiers and Jan Willem van Henten, eds.
Coping with Violence in the New Testament
Reviewed by James Hanson

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

A atuação dos cristãos no processo de redemocratização

Nos dias 26 e 27 de junho, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNNB), promove o Seminário Internacional Memória e Compromisso. O evento será realizado no Centro Cultural de Brasília (CCB) e tem por objetivo relembrar a atuação dos cristãos no processo de anistia política e de redemocratização do Brasil durante o período de 1964 a 1988.

Para a CBJP, o resgate dessa memória é fundamental para fazer justiça aos que vivenciaram diversas violações de direitos e para alimentar as esperanças em tempo de opressão, bem como para lançar luzes aos desafios da atualidade. Por isso, o evento pretende provocar reflexões a cerca da conjuntura político-social brasileira com discussões que envolvem o modelo atual de Estado e de desenvolvimento adotado pelo país e suas consequências para a sociedade.

A reflexão contará com a presença de nomes como padre Oscar Beozzo, Hamilton Pereira, padre Leonel Narvaez, Maria Clara Bingemer, Maria Vitória Benevides, frei Carlos Mesters, pastor Walter Altmann, dom Celso Queiroz, entre outros.

O encontro será pautado em análises da conjuntura nacional, internacional e eclesial, do período ditatorial. A reflexão será no sentido de entender quais eram os desafios teológicos e institucionais da Igreja nesse período. Os participantes ainda acompanharão falas sobre os cristãos em luta por transição em diversos países; resgate de experiências e memória da atuação dos cristãos e instituições cristãs; e uma reflexão sobre justiça de transição e desafio cristão de reconciliação, entre outros temas.

Memória e Compromisso

O Seminário consiste na primeira fase do projeto Memória e Compromisso. Esse projeto é realizado em parceria com a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e conta com apoio da Comissão Nacional da Verdade e da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal.

O projeto também conta com a participação do padre Zezinho e Frei Betto, que não participarão do Seminário, mas vão colaborar em outras etapas (como a publicação do livro, do DVD e do CD com as conclusões do projeto).

Participação

Podem participar estudantes, pessoas de todas as denominações religiosas, agentes pastorais, membros de organismos, profissionais e militantes da área de direitos humanos, e demais interessados. Será emitido certificado de participação, com as horas correspondentes.

Os interessados devem acessar o site da Comissão Brasileira Justiça e Paz e preencher a ficha de inscrição.

Mais informações:
Tel: (61)3323-8713
E-mail: cbjpagenda@gmail.com

Fonte: Seminário pretende relembrar a atuação dos cristãos no período da ditadura: CNBB 06/06/2013

Internet: rede ou malha fina?

We hack everyone everywhere. We like to make a distinction between us and the others. But we are in almost every country in the world. We are not at war with these countries (Snowden).




De um lado…

:: “A internet em princípio é um sistema para o qual você se revela a fim de aproveitar plenamente, o que a diferencia de, digamos, um aparelho que reproduz música. É uma TV que o observa. A maior parte das pessoas nos países desenvolvidos passa no mínimo algum tempo interagindo com a internet e os governos estão abusando em segredo dessa necessidade para ampliar seus poderes além do necessário e do que é apropriado”, escreveu [Edward Snowden a propósito do Prism].

:: Autoridades europeias expressaram ontem ser inaceitável o acesso dos órgãos de inteligência e segurança dos EUA aos e-mails, registros na internet e telefones de seus cidadãos (…) “Esse caso mostra que um claro acordo legal para a proteção de dados não é um luxo nem uma contenção, mas um direito fundamental”, afirmou a comissária de Justiça da União Europeia, Viviane Reding.

Mas do outro…

:: No Congresso americano, a senadora democrata Dianne Feinstein, presidente da Comissão de Inteligência, acusou Snowden de ser traidor. O presidente da Comissão de Segurança Interna da Câmara dos Deputados, o republicano Peter King, disse que Snowden é um “desertor” que tem de voltar ao país para ser julgado. “Ele (Snowden) violou o juramento (de não revelar informação confidencial), violou a lei. É traição”, acusou Feinstein. “Essa pessoa é perigosa para o país. Os EUA têm de impedir que qualquer país dê asilo político a ele”, afirmou King à rede de televisão CNN.

:: O porta-voz do governo, Jay Carney, reiterou a posição expressa por Obama na semana passada de não haver “100% de privacidade com 100% de segurança” ao defender a existência e a continuidade dos programas de vigilância. “Os programas são julgados pelo presidente e por sua equipe de Segurança Nacional como necessários e eficazes”, afirmou.

Fonte: O Estado de S. Paulo: 11/06/2013 – Reproduzido em Notícias: IHU On-Line: 11/06/2013

Leia Mais:
O que é o Prism?

CEBs e os desafios do mundo contemporâneo

Nesses tempos de novo pontificado em Roma, há a esperança de – invertendo a clássica expressão de J. B. Libânio – um “retorno à grande abertura” operada pelo Concílio Ecumênico de 1962-65. Neste caso, o novo jeito de ser Igreja ensaiado pelas CEBs na primavera eclesial que se seguiu àquele grande evento poderá enfim desabrochar e dar frutos para o mundo – porque nosso País está precisando muito de quem leve a sério a evangélica opção preferencial pelos pobres aplicada à economia, à política e à cultura.

OROFINO, F.; COUTINHO, S. R.; RODRIGUES, S. S. (orgs.) CEBs e os desafios do mundo contemporâneo. São Paulo: Paulus/ISER Assessoria, 2012, 240 p. – ISBN 9788534934862.

Leia a interessante resenha deste livro escrita por Pedro A. Ribeiro de Oliveira e publicada pela Adital em 07.06.2013.

Ele explica:

“O livro em apreço resulta de quatro seminários promovidos por Iser-Assessoria e a Comissão para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – em 2011, para a formação da nova geração de assessores e assessoras de CEBs, como indica o pequeno texto da parte IV.

Essa contextualização é essencial para bem apreciarmos o valor da obra, uma vez que esta não é uma obra de erudição acadêmica e sim um livro que retrata o conhecimento elaborado a partir da reflexão sobre as práticas em curso nas próprias CEBs.

Seu fio condutor é o fato de que muitas pessoas hoje dispostas a ajudar na formação de lideranças das comunidades pouco conhecem de sua história. Recuperar a memória – antiga e recente – para bem entender a realidade atual, é o propósito desse trabalho que é de grande utilidade a quem quer conhecer a realidade atual das CEBs em nosso País.

Ao terminar a leitura do livro redigi esses breves comentários em forma de resenha, mas de fato trata-se antes de uma reflexão pessoal provocada pela leitura do que propriamente uma apresentação do livro e seu conteúdo”.

 

Jovem mata os pais e implora clemência alegando ser órfão

Finalmente, uma agencia de risco internacional atende aos clamores da mídia brasileira e endossa a ‘percepção’ de um país em ‘espiral descendente’. Não importam as flutuações estatísticas. A inflação em baixa, o investimento em alta, que deixaram zonzos os analistas da linearidade ortodoxa nas últimas horas, nada mereceu o destaque atribuído ao carimbo negativo com o qual a Standard & Poor’s revisou a ‘perspectiva da nota de longo prazo’  atribuída ao país. Atenção, a ‘perspectiva da nota de longo prazo’. O velho truque da profecia autorrealizável que os tambores locais engrossaram em repiques sôfregos. A manchete de ‘O Globo’, desta 5ª feira, em letras garrafais, no alto da página, saboreava o acepipe. Idem a do ‘Estadão’. Mas a fita métrica da credibilidade é crível? Que grau de confiança desfruta a própria Standard & Poor’s, aqui tratada como um Moisés a rugir seu 11º mandamento: ‘o Brasil fracassará’? Com a palavra, o economista Paul Krugman que, em agosto de 2011, atribuiu peso e medida à venerável instituição que acabara de rebaixar, também, a nota dos EUA. No entender de Krugman, na crise iniciada em 2008, a agência agiu com a mesma cara de pau do  jovem que mata os pais e então implora clemência alegando ser órfão. ‘A S&P, desempenhou papel importantíssimo na precipitação dessa crise, concedendo notas AAA a ativos que desde então se transformaram em  lixo tóxico’, fuzilou Krugman. 

Leia: A Standard & Poor’s endossa a mídia, que retribui – Saul Leblon: Blog das Frases – Carta Maior 07/06/2013

O que é o Prism?

:: EUA têm acesso direto aos servidores de Google, Facebook e Apple, dizem jornais – Redação: CartaCapital 06/06/2013
Um documento divulgado nesta quinta-feira 6 [de junho de 2013] pelos jornais The Washington Post e The Guardian revelou que o governo dos Estados Unidos possui um programa que dá acesso direto aos servidores de algumas das gigantes da internet, como Google, Facebook e Apple. O programa secreto, chamado de PRISM, permite que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) monitore os históricos da web e de internet de usuários e obtenha e-mails, fotos, vídeos, bate-papos, arquivos, conversas de programas como o Skype e detalhes de redes sociais.

:: Gigantes da internet foram obrigadas a ceder dados para grampos do governo dos EUA – Redação: Opera Mundi 06/06/2013
Algumas das empresas mais conhecidas e importantes da internet foram obrigadas a ceder dados de clientes para o governo dos Estados Unidos, de acordo com novo documento revelado pela imprensa internacional. Entre as companhias que tiveram seus sistemas acessados pela NSA (sigla em inglês de Agência de Segurança Nacional) estão Google, Facebook, Microsoft, Yahoo, Skype e YouTube. De acordo com documento divulgado pelo The Guardian, uma apresentação de Power Point com 41 slides, os grampos eram realizados “diretamente dos servidores” das maiores empresas dos EUA e incluíam e-mails, arquivos anexados, vídeos e conversas online.

:: Escândalo de invasão de privacidade coloca governo dos EUA sob pressão – Reuters/Terra 07/06/2013
O debate sobre se o governo dos EUA está violando a privacidade dos cidadãos ao tentar protegê-los do terrorismo atingiu um novo patamar na quinta-feira, com a revelação de que as autoridades colheram dados de milhões de usuários de telefones e exploraram os servidores de nove empresas da internet.

:: Programa dos EUA, em teoria, também poderia monitorar brasileiros – Altieres Rohr: G1 07/06/2013
Os jornais “The Guardian” e “The Washington Post” revelaram a existência de duas iniciativas secretas da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) e do FBI: o Prism e o Blarney. O que as publicações dizem sobre o monitoramento parece confirmar algumas teorias de conspiração: como o mundo inteiro utiliza serviços de internet norte-americanos, todos nós podemos ser vigiados.

:: UK gathering secret intelligence via covert NSA operation – Nick Hopkins: The Guardian 07/06/2013
UK security agency GCHQ gaining information from world’s biggest internet firms through US-run Prism programme

:: Espionagem estatal dos EUA pode ter atingido o Reino Unido, alertam ativistas – Roberto Almeida: Opera Mundi 07/06/2013
Reportagem publicada ontem (06/06) pelo jornal britânico The Guardian mostrou que o governo dos EUA, sob a administração Barack Obama, segue espionando a população do país com a justificativa da “guerra ao terror” e amparado no “Patriot Act”, controversa lei aprovada em 2001, durante o governo de George W. Bush, que suprime as liberdades civis (…) Com base na colaboração entre EUA e Reino Unido no combate ao terror, o Open Rights Group suspeita que o serviço secreto britânico possa ter se munido de informações do esquema e que dados de cidadãos britânicos possam ter sido vasculhados pela NSA (sigla em inglês para Agência de Segurança Nacional), responsável pelos grampos.

:: EUA monitoram ao menos 3 operadoras telefônicas e companhias de cartões de crédito – Redação: Opera Mundi 07/06/2013
O escândalo de grampos e investigações secretas do governo dos Estados Unidos sobre sua própria população chega ao seu terceiro episódio nesta sexta-feira (07/06): além de agentes de inteligência terem acesso irrestrito a registros de chamadas da operadora Verizon e aos dados de clientes das principais empresas de internet no mundo, eles também obtêm informações das duas maiores companhias telefônicas do país, AT&T e Sprint, e de fabricantes de cartões de crédito. De acordo com o jornal The Wall Street Journal, que cita fontes ligadas à NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA), essa divisão tem acordos com a AT&T e Sprint similares ao da Verizon, revelado nesta semana pelo jornal britânico The Guardian.

:: NSA scandal: what data is being monitored and how does it work? – Charles Arthur: The Guardian 07/06/2013
Everything you need to know about data gathering from internet companies by the US National Security Agency. NSA has direct access to Google, Facebook and Apple.

:: Empresas mudaram sistemas para serem monitoradas por EUA, diz jornal – Folha de S. Paulo  08/06/2013 – 10h53
O jornal americano “The New York Times” informou neste sábado que a maioria das empresas de internet americanas fizeram um acordo com o governo para mudar os sistemas para facilitar o monitoramento de dados de usuários pelos serviços de inteligência (…)  As companhias são obrigadas por lei a fornecer os dados dos investigados por serviços de inteligência, de acordo com o Código de Vigilância e Inteligência Estrangeira. Nesse caso, as demandas são feitas por ações judiciais de caráter confidencial. No entanto, algumas empresas fizeram acordos informais para abrir pequenas brechas nos sistemas para permitir o compartilhamento de informações de forma extraoficial. Os dados seriam trocados em salas de bate-papo secretas, hospedadas em servidores confidenciais (…)  Uma das empresas, no entanto, não aceitou o acordo e se manteve apenas no sistema legal de vigilância. O Twitter se negou a fornecer brechas em seus sistemas para permitir maiores invasões do governo. O serviço de microblog também não aparece entre as empresas que foram monitoradas pelo PRISM. Questionadas pelo “New York Times”, as companhias de internet disseram não ter conhecimento sobre o programa do governo para facilitar o acesso a seus servidores.

:: Do 11 de setembro ao PRISM: a escalada de espionagem do governo norte-americano – Charles Nisz: Opera Mundi 08/06/2013
Há exatos 64 anos, era lançado 1984, a mais famosa das obras do escritor britânico George Orwell. No livro, Orwell faz o retrato de um governo repressivo e totalitário, cujo poder está baseado no controle e na vigilância sobre os cidadãos. Muitos dos termos usados pelo autor entraram para a cultura popular – o mais famoso deles é justamente o “Grande Irmão”, responsável pela vigilância dos cidadãos no mundo criado por Orwell. O vazamento de documentos sobre a espionagem feita pelo governo norte-americano a seus cidadãos por meio do programa PRISM suscitou muitas críticas a Barack Obama. Principalmente porque o governo dos EUA obrigou operadoras de telefonia e empresas de tecnologia como a Verizon, a Apple, o Yahoo, o Google e o Facebook a fornecerem dados sigilosos sobre seus usuários. É impossível não fazer o paralelo com o “Grande Irmão”. A divulgação do PRISM em matéria do jornal britânico Guardian chocou a opinião pública mundial. Os documentos obtidos são de abril de 2013. No entanto, o PRISM não é causa, mas sim consequência de uma escalada da vigilância do governo norte-americano. Conforme os documentos vazados pelo grupo hacker Annonymous, o programa foi iniciado em 2007, ainda na administração de George W. Bush.

:: EUA dizem que empresas têm conhecimento de programa de espionagem de dados – Redação: Opera Mundi 09/06/2013
O diretor nacional de Inteligência dos Estados Unidos, James Clapper, especificou na noite deste sábado (08/06), em comunicado, que a espionagem de comunicações digitais estrangeiras se realizam com o “conhecimento” das empresas de internet envolvidas. Clapper, que comanda a NSA (Agência Nacional de Inteligência), tentou novamente minimizar os vazamentos para a imprensa sobre o programa PRISM, que permite vigiar comunicações digitais de nove grandes provedores de internet nos EUA. O diretor chamou a PRISM de um simples “sistema governamental interno de computação”, destinado a supervisionar dados que podem ser recopilados por mandato judicial. Segundo o documento de três páginas, o Congresso foi informado deste programa 13 vezes desde 2009.

:: Nós somos a alta tecnologia da espionagem global – Eduardo Febbro: Carta Maior 04/08/2013
Todas as fantasias dos adeptos das teorias conspiratórias que imaginavam os EUA espionando cada canto do planeta com satélites e dispositivos ultra tecnológicos viraram fumaça em um par de dias. A alta tecnologia da espionagem global somos nós mesmos, não satélites espiões, nem raios invisíveis. Nós entregamos nossos correios, nossos segredos, as fotos e os nomes de nossos filhos e irmãos, de nossos amigos, envoltos em um papel de presente transparente. O problema com os dados reside em que se toma uma informação de um servidor informático que está aí permanentemente. Não há roubo. Pode-se operar sem que a vítima se dê conta. A força desse tipo de espionagem radica no fato de que a vítima ignora seu estatuto de vítima. Os brinquedos conhecidos que a NSA emprega para acessar nossas intimidades são três: o olho é Prisma, seus aliados são Boundless Informant e X-Keyscorey. Prisma se conecta aos servidores das redes sociais, Google, Microsoft, Apple, Twitter, Skype, Facebook e outros. Boundless Informant é um software dirigido em grande parte ao ataque extraterritorial. O dispositivo mede o nível de segurança que cada país aplica a seus sistemas ao mesmo tempo em que consolida os meta-dados das conversações telefônicas (quem fala com quem) e das comunicações informáticas, os IP. X-Keyscorey é, nesta montagem, o cérebro do chamado Big Data, ou seja, o conjunto dos dados armazenados e analisáveis. X-Keyscorey é uma espécie de “Google” interno da NSA, ou seja, um analisador de conteúdos que abre as portas de tudo: histórico de navegações de uma pessoa, buscas realizadas na internet, conteúdos dos e-mails, conversações privadas no Facebook, cruzamento de informações segundo o idioma, o país de origem e de destino dos dados e dos intercâmbios. Especialistas em tecnologias da informação concordam: é imperativo mudar nossa cultura na rede.

:: Guerra da informação: ‘EUA detêm um poder avassalador’ – Eduardo Febbro: Carta Maior 21/08/2013
A proteção dos dados pessoais e a democracia não são bons aliados. O caso de Edward Snowden, o agenda da NSA norte-americana que revelou a espionagem dos Estados Unidos e a colaboração de atores privados do porte de Google, Microsoft ou Facebook, segue expandindo suas verdades e mostrando os limites dos sistemas democráticos. Espionagem global dos indivíduos por meio do sistema Prisma, detenção, em Londres, do companheiro do jornalista do Guardian que revelou os documentos de Snowden, Glenn Greenwald, destruição forçada dos discos rígidos do Guardian por parte dos serviços secretos britânicos, intimidações, ameaças, em suma, as democracias tiraram do armário seus melhores dispositivos legais para justificar a espionagem ou impedir a difusão de informações suplementares. Em entrevista à Carta Maior, Nicolas Arpagian analisa os mecanismos desta espionagem globalizada, seus instrumentos legais, características modernas, seus meandros tecnológicos, o conceito de guerra moderna e, sobretudo, a supremacia absoluta dos Estados Unidos no campo das tecnologias da informação. Arpagian é professor no Instituto de Altos Estudos de Segurança e Justiça (INHESJ), e na Universidade de Paris 10, especialista reconhecido em temas de cyber-segurança e segurança militar moderna.

Leia Mais:
Governos usam FinFisher para vigiar seus cidadãos
Estou de olho no senhor!

Marcha para Jesus é criticada por pastor

Pastor contesta poder de transformação propagada pela Marcha para Jesus

Embora seja o maior movimento evangélico de massa, a Marcha para Jesus, que nesta época do ano leva milhares de pessoas às ruas em capitais e cidades do interior do país, também sofre contestação de protestantes, de modo especial de líderes e pastores de denominações históricas.

No sábado, 1, a Marcha para Jesus juntou o rebanho de mais de 1 milhão de pessoas em Manaus, mais um número considerável em Fortaleza e Foz do Iguaçu. No sábado anterior, 500 mil evangélicos caminharam por ruas e avenidas do Rio de Janeiro. A chuva não impediu a participação de 5 mil fiéis em Belém do Pará. No feriado de Corpus Christi, na quinta-feira, 30 de maio, a capital Teresina assistiu a concentração de 200 mil pessoas e Porto Velho de outras 50 mil pessoas na Marcha. “A Marcha não celebra culto, mas show ‘gospel’. Tanta força e entusiasmo deveriam ser canalizados para a pregação do evangelho”, contestou o pastor Ageu Cirilo, da Igreja Presbiteriana de Vila Guarani, São Paulo, em artigo no jornal Brasil Presbiteriano. Ele listou dez motivos que cada cristão deveria considerar para não participar desse evento. Além da marcha ser conduzida por um líder que se autodenomina apóstolo, quando esse título foi reservado ao grupo de seguidores escolhidos por Cristo, ela se fundamenta numa Teologia Triunfalista – tudo vai dar certo na vida do crente – e na Teologia da Prosperidade, arrolou o pastor. “A marcha que Cristo ensinou à sua igreja foi outra, silenciosa e efetiva, tal qual o sal penetrado no alimento, pessoal e de relacionamento, como na Igreja primitiva”, comparou Cirilo. Outro ponto lembrado pelo pastor presbiteriano é o fato de os líderes da marcha anunciarem que ela tem o poder de “mudar o destino de uma nação”. Cirilo reportou-se, então, às pesquisas demográficas do país indicando que os evangélicos já somam um quarto da população do Brasil. No entanto, mesmo com esse percentual, “a imoralidade, a corrupção e a violência estão cada vez maiores em nosso país. Os canais de TV, os programas de rádio, bem como as marchas  não têm gerado transformação de vida em nosso povo”, apontou.

Fonte: ALC – 03/06/2013

Leia Mais:
Evangélicos protestam contra a Teologia da Prosperidade
A conservadora teologia da prosperidade