Plugin para os biblioblogs no Firefox 3

 >> Atualizado em 14.12.2017 – 06h10


Post modificado, pois  a dica é antiga, de 2008, e tal plugin não existe mais.

No dia 18 de junho de 2008, J. P. van de Giessen, do biblioblog Aantekeningen bij de Bijbel, publicou um plugin para ser instalado no Firefox 3 e que acrescenta ao seu sistema de busca todos os biblioblogs listados na página Biblioblogs.com.

Lembro que esta lista traz alguns dos mais interessantes biblioblogs atuais, e, embora não seja completa, é conhecida entre nós como a ‘lista canônica’ dos biblioblogueiros.

Pistas para libertar Paulo

Recomendo a leitura do artigo do biblista José Bortolini, Libertar Paulo. Publicado na revista Vida Pastoral n. 260 – maio/junho de 2008 – toda dedicada ao Ano Paulino, o texto foi reproduzido pela Adital no dia 25 passado. Bortolini é Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.


Diz Bortolini na Introdução, entre outras coisas:

“Pobre apóstolo Paulo, o que fizeram com você nestes dois mil anos!? Lá no começo, alguns cristãos não admitiam que você usasse o título de apóstolo (1Cor 9,2; 15,9) só porque você não conheceu pessoalmente a Jesus de Nazaré. Ficamos intrigados com muitas coisas a seu respeito (…) Com o passar dos tempos, você foi divorciado das comunidades, e passou a ser visto como um teólogo profissional que pensa e produz teologia a partir de coisas abstratas, sem contato com o chão e a vida do povo. O tempo rolou, e os cristãos brigaram, fizeram guerras e se mataram, em parte por causa da carta aos Romanos… Ultimamente você entrou de cheio na Liturgia da Palavra das Missas, onde se faz leitura contínua de suas cartas. Mas poucos são os que valorizam o que você deixou escrito. Agora foi instituído o Ano Paulino, um ano dedicado a você, dois mil anos de seu nascimento. Será que no fim de tudo você será mais conhecido e amado, como você amou o Senhor Jesus e as comunidades? Tomara que consigamos libertá-lo das algemas de nossos preconceitos, de modo que não tenha de arrastar a capa de chumbo que lhe impuseram nossas leituras descontextualizadas”.


Veja, em seguida, as pistas apontadas por Bortolini para libertar Paulo.



Vou contar ao leitor um segredo: lecionei Literatura Paulina durante os meus primeiros oito anos no CEARP, em Ribeirão Preto, SP. Depois transferi a disciplina para outro colega, e passei a trabalhar somente com Antigo Testamento/Bíblia Hebraica.


Mas me recordo bem: o estudo das cartas de Paulo é apaixonante. É uma espécie de febre que toma conta da gente…

Leia também:
Paulo de Tarso: a sua relevância atual –  IHU On-Line, ed. 286: 22.12.2008

Os Biblistas Mineiros e a necessidade do método

Bíblia: Teoria e Prática – Leituras de Rute. Qual é o enfoque de cada artigo? Para que o leitor saiba o que lhe oferecemos, transcrevo aqui algumas linhas de cada um dos nove artigos que compõem esta número da Estudos Bíblicos 98, que acaba de ser publicada.

Editorial: Telmo José A. de Figueiredo

PARTE I

:: Agenda para o estudo de um texto bíblico – p. 11-32
Johan Konings – Mestre em Filologia Bíblica, 1968, e Doutor em Teologia pela Katholieke Universiteit Leuven, Bélgica, 1972.
Súsie Helena Ribeiro
Apresentamos aqui a agenda daquilo que parece fundamental para a leitura atenta de um texto bíblico. Leitura que faça jus ao texto, não mera leitura de consulta para satisfazer a curiosidade, fundamentar um dogma ou dar autoridade a uma ideologia; mas empenho em ler o texto como texto, como uma entidade, quase uma pessoa que se apresenta a nós face a face (…) Ora, se Carlos Mesters chamou a Bíblia de “livro feito em mutirão”, pode-se dizer que também a leitura e o estudo melhor se fazem em mutirão. Determinadas tarefas podem ser realizadas pela comunidade (…) outras (…) exigirão algum “engenheiro”, que, no seu gabinete, estude os assuntos mais especializados. O resumo final deste artigo (…) visualiza essa organização de tarefas.

:: Aprenda a enxergar com o cego Bartimeu, ou… Por que é necessário um método para ler a Bíblia? – p. 33-45
Cássio Murilo Dias da Silva – Doutor em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, 2005.
Como é possível aprender a enxergar com um cego? Na verdade, o relato da cura do cego Bartimeu (…) servirá de exemplo concreto para (…) demonstrar a necessidade de ler a Bíblia com um bom método (…) Caso leiamos a Bíblia (…) sem um método (…) muito da riqueza do texto bíblico passa despercebida aos nossos olhos e corremos o risco de nos contentar com o que não é importante. Ou, o que é pior, corremos o risco de pensar que o texto bíblico diz algo que ele não diz (…) Quem lê a Bíblia com um método adequado (…) conhece os passos para percorrer o universo do texto, tem os olhos e os ouvidos atentos para perceber nuanças e detalhes, consegue deleitar-se com o estilo de cada autor, pode apreender com mais largueza e profundidade a mensagem, sabe que não pode obrigar o texto a dizer o que ele não diz, sabe quais informações pode (e quais as que não pode) buscar no texto bíblico, sabe o que pode (e o que não pode) perguntar à Bíblia.

:: Bíblia: Mito? Realidade? – p. 45-61
Telmo José Amaral de Figueiredo – Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, 1997.
Os métodos de análise bíblica terminam por levantar, de modo direto ou indireto a questão se os fatos narrados pela Bíblia são históricos, ou seja, verdadeiros, ou invenções, lendas e fantasias de seus autores (…) Afinal, a Bíblia é formada por um conjunto de mitos ou ela narra a verdade dos fatos? A resposta a essa questão acabará por ser encontrada na clarificação dos termos que a compõem, isto é, o que é mito, o que vem a ser história? (…) Telmo José exemplifica a sua explicação com a análise de Gênesis 1 e trechos do poema babilônico Enuma Elish e o hino egípcio a Aton sobre a criação do mundo [texto extraído do Editorial, p. 8-9]
:: Como ler os apócrifos do Segundo Testamento – p. 62-71
Jacir de Freitas Faria – Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, 1996.
Como ler os apócrifos? Essa é uma boa pergunta. A Igreja ensinou ao longo de sua história que esses livros não deveriam ser lidos. Muitos deles foram enviados para o catálogo dos livros proibidos e até queimados (…) Ler os apócrifos exige um acurado estudo histórico da época de cada apócrifo. O contexto é importante para compreender o porquê da expressão de fé transformada em livros apócrifos (…) A tradição popular perpetuou na memória oral e escrita os ensinamentos de fé dos apócrifos (…) A literatura apócrifa do Segundo Testamento contribuiu sobremaneira para manter a fé no imaginário popular. São histórias de piedade que se transformaram em poesia, canto, pinturas, músicas e expressões devocionais.


PARTE II

:: Releituras rabínicas do livro de Rute – p. 72-76
Leonardo Alanati – Mestre em Língua Hebraica pelo Hebrew Union College, Jewish Institute of Religion, Cincinnati, USA – Rabino da Congregação Israelita Mineira
Este artigo apresenta alguns dos principais temas desenvolvidos na tradição judaica de exegese do livro de Rute através de comentários rabínicos entre os séculos II e VI no Talmude e em Rute Rabba, mas que foram ensinados e transmitidos oralmente por décadas ou até séculos antes da redação destas obras. Até o século XIX estes comentários dominaram a maneira judaica de ler o livro. Nos dois últimos séculos, judeus de correntes religiosas modernas adotaram e desenvolveram outras interpretações e leituras do mesmo (…) [Rute] aquela mulher solidária, corajosa, decidida, verdadeiramente admirável, permanecerá sempre no coração judaico como ancestral não apenas de líderes ilustres do passado, mas também do líder que levará a humanidade a uma nova era de paz, solidariedade, justiça e amor ao próximo.

:: Rute à luz do método histórico-crítico – p. 77-84
José Luiz Gonzaga do Prado – Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, (data?)
O documento da Pontifícia Comissão Bíblica, A interpretação da Bíblia na Igreja, de 1993, aponta o método histórico-crítico como indispensável para o estudo sério da Bíblia. Fala das origens do método, de sua evolução e dá-lhe também uma descrição simples e clara. Esta descrição vai guiar nossa busca. Analisaremos o livro de Rute por cada uma das oito etapas em que o Documento descreve o método. Assim esperamos chegar a algumas conclusões que fundamentem a abertura para as diferentes e possíveis hermenêuticas, abordagens ou leituras (…) [Há muitas] perguntas [sobre nossa realidade] que devemos levantar hoje e para as quais podemos encontrar respostas no livro de Rute. Basta lê-lo com os dois olhos, um na Bíblia e outro na vida.

:: A narratividade do livro de Rute – p. 85-106
Jaldemir Vitório – Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, 1986. Doutor em Teologia pela PUC-RJ, 1995.
O objetivo deste artigo consiste em aplicar o método de análise narrativa ao livro de Rute. Este se presta muito bem para a finalidade por se tratar de uma narrativa breve e, ao mesmo tempo, como se verá, portadora de inesgotável riqueza literária (…) A análise narrativa oferece uma chave de interpretação que permite ao leitor entrar em sintonia com o texto, pelo conhecimento dos recursos literários empregados pelo narrador no processo de produção (…) O método da análise narrativa e os demais métodos de interpretação supõem de quem se avizinha dos textos bíblicos uma postura de leitor-intérprete. A ausência de atitude hermenêutica tem como resultado cair na armadilha do fundamentalismo ou do historicismo. A análise narrativa tem o mérito de aproximar o texto bíblico do leitor-intérprete atual ao mostrar como os autores bíblicos trabalharam de forma idêntica como trabalham os narradores atuais, tão distantes no tempo e no espaço.

:: Leitura socioantropológica do Livro de Rute – p. 107-120
Airton José da Silva – Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, Itália, 1976.
Qual seria a contribuição específica da leitura socioantropológica? Penso que pode ser o fato desta abordagem examinar não somente a literatura bíblica, mas também as forças sociais subjacentes à produção desta literatura, onde se distingue a sociedade que está por trás do texto da sociedade que aparece dentro do texto (…) Vou utilizar o livro de Rute para visualizar esta proposta. Este livro é uma estória que usa lugares reais e pessoas fictícias situadas em determinado espaço e tempo para construir a sua narrativa (…) [A partir desta perspectiva] deveria ser possível mostrar que o modo como os personagens organizam sua visão de mundo são, na verdade, ferramentas literárias utilizadas pelo autor/a na construção de uma estória totalmente fictícia, mas que, sem dúvida, produz uma mensagem que é considerada pelo autor/a de Rute como um caminho a ser buscado, estruturando o livro como uma narrativa orientada por uma proposta séria. {Por isso], 1. Olhando a estória com os olhos do autor/a, pergunto: o que diz o livro de Rute? 2. Olhando para além do livro, pergunto: o que é possível saber da época em que foi escrito o livro de Rute? 3. Olhando a estória com os olhos do leitor atual, pergunto: qual é a proposta do livro de Rute?

:: O protagonismo de uma sogra: a história de Noemi e Rute – Uma abordagem feminina sob o olhar da psicologia – p. 121-129
Maria Aparecida Duque e Rosana Pulga
O livro de Rute é cheio de personagens humanas. E onde há o humano, há também seus aspectos fenomenológicos, incluindo o psíquico. Não há, portanto, nenhum atrevimento literário de interpretá-lo por meio da ciência da Psicologia, onde essa história tão bem se adapta. Esse livro nos oferece uma riqueza de interpretações que podem ser lidas e refletidas nas mais diversas situações vivenciais (…) O dilema sogra-nora é analisado em pormenores, principalmente pela ótica do poder e da subserviência de uma pessoa a outra [Obs.: esta última frase está no Editorial, p. 10].

Observo que, infelizmente, não possuo informações completas sobre a formação acadêmica de 3 autoras: Súsie Helena Ribeiro (área de Letras), Maria Aparecida Duque (área de Psicologia) e Rosana Pulga (assessoria bíblica).

27.06.2008: Centenário de Guimarães Rosa

Hoje estamos comemorando o centenário de Guimarães Rosa, o grande escritor mineiro, nascido em Cordisburgo em 27 de junho de 1908.

Para quem gosta de seus livros, escrevi algo que pode ajudar na leitura de Grande Sertão: Veredas, sua principal obra. Confira.

Veja também o especial Centenário de Guimarães Rosa da Folha Online, com textos, fotos e vídeos.

 

Resenhas na RBL: 24.06.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Hans Dieter Betz, Don S. Browning, Bernd Janowski, and Eberhard Jüngel, eds.
Religion Past and Present: Encyclopedia of Theology and Religion: Volume 1: A-Bhu
Reviewed by Dirk van der Merwe

Bradford B. Blaine Jr.
Peter in the Gospel of John: The Making of an Authentic Disciple
Reviewed by Stephan Witetschek

Markus Bockmuehl and Donald A. Hagner, eds.
The Written Gospel
Reviewed by David C. Sim

Sebastian Brock
The Bible in the Syriac Tradition
Reviewed by H. F. van Rooy

Jack Cheng and Marian Feldman, eds.
Ancient Near Eastern Art in Context: Studies in Honor of Irene J. Winter by Her Students
Reviewed by Aren Maeir

Gregory W. Dawes
Introduction to the Bible
Reviewed by Randall L. McKinion

Jane DeRose Evans
The Coins and the Hellenistic, Roman and Byzantine Economy of Palestine
Reviewed by Mark A. Chancey

Victor Paul Furnish
1 Thessalonians, 2 Thessalonians
Reviewed by Eduard Verhoef

Mark D. Futato
Interpreting the Psalms: An Exegetical Handbook
Reviewed by Howard N. Wallace

John Goldingay and David Payne
Isaiah 40-55: A Critical and Exegetical Commentary
Reviewed by Chris Franke

Maria Gorea
Job: Ses précurseurs et ses épigones ou comment faire du nouveau avec de l’ancien
Reviewed by James L. Crenshaw

Nathaniel Helfgot, ed.
The Tanakh Companion to the Book of Samuel
Reviewed by Ralph K. Hawkins

Paul M. Hoskins
Jesus as the Fulfillment of the Temple in the Gospel of John
Reviewed by Mary L. Coloe
Reviewed by Nicholas H. Taylor

Ådna Jostein, ed.
The Formation of the Early Church
Reviewed by Markus Oehler

Bart J. Koet
Dreams and Scripture in Luke-Acts: Collected Essays
Reviewed by David L. Tiede

Jerome H. Neyrey
Give God the Glory: Ancient Prayer and Worship in Cultural Perspective
Reviewed by Tony Costa

Birger A. Pearson
Ancient Gnosticism: Traditions and Literature
Reviewed by James F. McGrath

Calvin J. Roetzel
2 Corinthians
Reviewed by Frank J. Matera

Karl Friedrich Ulrichs
Christusglaube: Studien zum Syntagma pistis Christou und zum paulinischen Verständnis von Glaube und Rechtfertigung
Reviewed by Günter Röhser

Estudos Bíblicos 98: Leituras de Rute

Acabo de receber o número 98 de Estudos Bíblicos, revista publicada pela Vozes, de Petrópolis.

Elaborado pelos Biblistas Mineiros, grupo que se reúne em Belo Horizonte, este número trata da questão dos métodos de leitura da Bíblia e tem como principal matéria de exame o livro de Rute. Clique no título, Bíblia: Teoria e Prática – Leituras de Rute, para ver o sumário da revista, que tem 132 páginas.

O meu artigo, Leitura socioantropológica do Livro de Rute, pode ser lido nas páginas 107-120.

III Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica

O III Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica, promovido pela Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB), fundada em 2004, em Goiânia, acontecerá na PUC-SP, de 8 a 10 de setembro de 2008, na cidade de São Paulo. As atividades terão lugar no Teatro da Pontifícia Universidade Católica, o TUCA, situado à Rua Monte Alegre, 1024. As mesas de comunicações livres serão realizadas em salas de aula da Universidade.

Tema: Jesus e as tradições do antigo Israel

Programa

Dia 8 de setembro – segunda-feira
8:30-10:30
Abertura oficial
Conferência de abertura (I): Prof. Dr. Pedro Lima Vasconcellos
Tema: História da pesquisa sobre Jesus

11:00-12:30
Mesas de comunicações coordenadas

14:30-16:00
Mesa de comunicações livres

16:30-18:00
Conferência (II): Prof. Dr. Néstor Míguez
Tema: Jesus e as tradições apocalípticas de Israel
Reação: Prof. Dr. José Adriano Filho

Dia 9 de setembro – terça-feira
8:30-10:30
Conferência (III): Prof. Dr. Richard A. Horsley
Tema: Jesus, as tradições messiânicas de Israel e o submundo da Galiléia
Reação: Prof. Dr. Paulo Augusto de Souza Nogueira

11:00-12:30
Mesas de comunicações coordenadas

14:30-16:00
Mesa de comunicações livres

16:30-18:00
Conferência (IV): Prof. Dr. André Leonardo Chevitarese
Tema: As recepções de Isaac e de Jesus no contexto religioso popular judaico e cristão
Reação: Prof. Ms. Jacir de Freitas Faria

20:00
Assembléia geral eletiva da ABIB

Dia 10 de setembro – quarta-feira
8:30-10:30
Conferência (V): Profa. Dra. Ivoni Richter Reimer
Tema:Jesus e a tradição das transgressoras
Reação: Prof. Dr. João Luiz Correia Júnior

11:00-12:30
Mesas de comunicações coordenadas

14:30-16:00
Conferência de encerramento (VI): Prof. Dr. Carlos Mesters
Tema: Jesus e as tradições sapienciais de Israel
Reação: Profa. Dra. Maria Antônia Marques

16:30-18:00
Encerramento

Pedro Lima Vasconcellos, da Comissão organizadora do III Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica, comunica ainda que estão trabalhando para viabilizar uma sessão de lançamento de livros de participantes do Congresso e um pequeno coquetel. Por isso, a Comissão pede a autores e autoras que se articulem com suas Editoras nesse sentido e dêem notícias a respeito. A princípio a Comissão pensa em títulos lançados em 2008. Haverá também uma sessão de homenagens, cujo detalhamento será anunciado em circulares próximas. E, finalmente, comunica que está sendo criada uma página da ABIB na Internet.

Vim para combater o comunismo e virei ‘comunista’

Uma vida na América Latina a serviço da libertação. Entrevista especial com José Comblin

Na última semana, o IHU recebeu a visita do Pe. José Comblin. Ele palestrou sobre a originalidade histórica da Conferência de Medellín durante o evento De Medellín a Aparecida: marcos, trajetórias e perspectivas da Igreja Latino-Americana. A IHU On-Line aproveitou a sua vinda e conversou pessoalmente com ele sobre sua trajetória, sua vida e sobre alguns aspectos prática teológica, hoje. Muito franco, ele afirma que não haverá outra geração como a de Medellín. “Uma geração como aquela que fez Medellín só acontece uma vez na história. Quando diversos países se encontram com a mesma perspectiva, é milagroso! É muito difícil se imaginar que isso possa se reproduzir novamente”. Um pouco da sua história pode ser lida nesta entrevista. Um pouco apenas, visto que a história de quem dedicou praticamente uma vida toda à América Latina, como é seu caso, é bastante longa e profunda.

José Comblin é teólogo. Participou do primeiro grupo da Teologia da Libertação. Esteve na raiz das equipes de formação de seminaristas no campo em Pernambuco e na Paraíba (1969), do seminário rural de Talca, no Chile (1978) e, depois, na Paraíba, em Serra Redonda (1981). Estas iniciativas deram origem à chamada Teologia da enxada. Além disso, esteve na origem da criação dos Missionários do Campo (1981), das Missionárias do Meio Popular (1986), dos Missionários formados em Juazeiro da Bahia (1989), na Paraíba (1994) e em Tocantins (1997). É autor de inúmeros livros, dentre eles A ideologia da segurança nacional: o poder militar na América Latina (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978). O IHU acaba de publicar o Cadernos Teologia Pública nº 36, intitulado Conferência Episcopal de Medellín: 40 anos depois, com a conferência que ele proferiu no evento.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor veio para o Brasil?

José Comblin – Eu vim a pedido do Papa Pio XII, que tinha um temor tremendo do comunismo. Ele fez um apelo, na década de 1950, a todos os episcopados do mundo para mandar sacerdotes à América Latina com o intuito de salvar o continente do comunismo, porque estava convencido de que este ia invadir toda a América Latina. Aí, então, todas as dioceses foram avisadas pelos seus respectivos bispos de que o Papa tinha pedido isso. O meu bispo deu a entender que não gostava muito da idéia, mas, já que era um pedido do Papa, se houvesse algum candidato ele iria examinar. Aí me apresentei porque já estava cansado de ficar lá (na Bélgica) e procurava uma oportunidade para sair do país. Quase todos que saíram de lá para lutar contra o comunismo viraram comunistas (risos). Porque, chegando aqui, logo se viu que quem tinha preocupação social era visto como comunista. Então, foi isso. Havia muitos “comunistas” e por isso havia a impressão de que o país iria se transformar. Agora, comunista mesmo, do partido…

Trabalhei por quatro anos em Campinas e um dia estava trabalhando com os operários de lá e perguntei se havia comunismo no país e eles me responderam que sim. Então, eu disse que ainda não tinha visto e me falaram: “Sim, tem muitos comunistas em Campinas, mas a metade é da polícia que está infiltrada”. Era, de fato, um número insignificante diante do temor do Papa. Getúlio Vargas tinha acabado com o comunismo.

Antes de vir, sabia que precisava vir para a América Latina e que era necessário escolher entre a língua espanhola e o português. Escolhi o português, mas é claro que eu não sabia nada do Brasil. Ninguém, aliás, conhecia o país. Então, com dois colegas, respondemos ao pedido do arcebispo de Campinas. Ele queria três sacerdotes que fossem doutores, mas nunca explicou o motivo e para quê. Ficamos lá quatro anos e ele nunca disse o que queria. Depois de quatro anos, eu falei: “Eu tenho a impressão de estar sobrando; o senhor permite que a gente vá buscar outros desafios?”. E ele nos respondeu: “Ah! Pois não, pois não”. Eu só soube a explicação 30 anos depois. O bispo não estava satisfeito com o reitor da Universidade Católica. O reitor administrava a universidade como um negócio e não tinha lá nenhuma pessoa para substituí-lo e aí foi pedir lá fora. O reitor logo entendeu e criou todo um movimento de resistência e queria defender sua posição. Então, o bispo viu que o reitor tinha uma força social muito grande e, depois de quatro anos, ele nos liberou e cada um foi procurar outro trabalho.

IHU On-Line – E, hoje, olhando para trás, como o senhor analisa a sua vida na América Latina?

José Comblin – Isso foi a salvação, porque eu, há 60 anos, estava muito consciente do movimento de descristianização da Europa, que hoje já está quase completo. Os sinais já eram claros naquele tempo. A Igreja estava no governo da maioria dos países, havia uma democracia cristã, escolas poderosas, organizações, sindicatos… Mas faltava fé! Como passar a vida toda assistindo uma decadência? Primeiro, eu procurei ir para a África, mas não não foi possível e, em seguida, veio Pio XXI com essa campanha e aproveitei. Foi muito interessante. Toda etapa entre 1960 e 1985 foi uma aventura muito grande, uma época muito interessante.

IHU On-Line – E como foi seu retorno para o Brasil depois do exílio?

José Comblin – Houve dois retornos. Em 1962, eu recebi um convite da Faculdade de Teologia da Universidade do Chile. Como não tinha nada definido no Brasil, aceitei o convite deles e assinei um contrato de três anos. Nas férias, eu vinha passear pelo Brasil e aí Dom Hélder me convidou. Ele já estava no Recife. Ali fiquei sete anos. Em 1972, aconteceu a expulsão do Brasil e voltei para o Chile que estava sob o governo de Allende. Pensei que naquele país poderiam acontecer coisas interessantes. Só que um ano depois aconteceu o golpe. Fiquei lá até 1980 e fui expulso do Chile também. Nessa época, as portas do Brasil voltaram a se abrir para mim e com isso voltei. Dom Hélder já estava no final do seu mandato e procuramos Dom José Maria Pires, arcebispo da Paraíba, que tinha a mesma inspiração, mas era bem mais jovem. Dom José Maria Pires nos acolheu e acolheu todos os projetos que a gente tinha.

IHU On-Line – Pode nos contar um pouco sobre o seu trabalho teórico antes de vir para o Brasil?

José Comblin – Antes de vir para o Brasil, não fiz muita coisa de Teologia. Depois dos estudos, fui enviado a uma paróquia onde fiquei oito anos. Fiz alguns cursinhos sem significado importante, algumas assistências… Nada de importante.

IHU On-Line – Como o senhor analisa hoje a presença da Igreja em sua vida e a sua presença na evolução da Igreja Católica?

José Comblin – Parte dessa resposta você precisa perguntar aos outros o que eles acham. Para mim, foi muito interessante. Eu aproveitei muito. Eu pude conviver com Dom Hélder por muitos anos, assim como com Dom Leônidas Proaño, no Equador, com Manuel Larraín, no Chile… Com todos os grandes da Igreja latino-americana. Conheci os grandes bispos de Medellín pessoalmente, colaborando muito, porque andei muito pela América Latina. Depois veio um novo pontificado e aí a coisa mudou. Mas, como eu digo sempre, uma geração como aquela que fez Medellín só acontece uma vez na história. Quando diversos países se encontram com a mesma perspectiva, é milagroso! É muito difícil se imaginar que isso possa se reproduzir novamente. Daqui a mil anos, talvez. Foi uma situação privilegiada para mim.

IHU On-Line – Como o senhor avalia a evolução da Igreja e das religiões?

José Comblin – Depois da aventura do Concílio, chegou João Paulo II, o Papa polonês. Sabendo que era polonês, já se podia prever tudo o que iria acontecer depois. Polonês é autoritário. Na Polônia, nunca houve experiência democrática: o chefe é o chefe, simplesmente. Ele era assim. Era muito gentil e amável, mas autoritário. Os novos bispos nomeados pelo Papa eram piores do que os que estavam antes. Isso ainda continua. Alguns se salvam, claro. A impressão que se tem é que primeiro se escolhe aqueles que têm obediência à Santa Sé. Essa é a primeira condição. A segunda é não ter pensamento nem iniciativa, para não se comprometer. Criou-se uma ideologia e um tipo de religião para poucos. Muita gente escapa, mas globalmente é a hierarquia que fala. Às vezes, alguém levanta a palavra, como Dom Luiz Cappio. A primeira vez que ele fez o jejum veio uma carta de Roma obrigando-o a deixar dele, isso porque o Lula mandou um embaixador à Roma, porque ele não conseguiu fazer com que Dom Luiz cessasse o jejum. Durante o segundo jejum, Roma foi mais prudente, mas ele me contou que recebeu uma carta que recomendava a desistência. Ele me disse que como era uma recomendação, e não ordem, não tinha por que aceitar a recomendação, até que houve o incidente do desmaio e ele finalmente deixou do jejum.

IHU On-Line – Como o senhor analisa o trabalho teológico atual?

José Comblin – Faltou outra geração da Teologia. Agora todos têm mais de 70 anos e depois disso um ou outro se destacou. Coincide com o fato de que todos os seminaristas que estudam fora vão para Roma. Precisamos de uma nova geração que não queira estudar em Roma, mas até agora isso ainda não aconteceu. No Terceiro Mundo, apareceram, depois da crise sacerdotal posterior ao Concílio, seminaristas com um nível intelectual muito fraco. Na medida em que o nível intelectual é fraco, eles são mais autoritários e se agarram no direito canônico. Mas, hoje, os evangelizadores são os movimentos, pois João Paulo II sempre desconfiou dos religiosos. No entanto, esses movimentos são burgueses. De qualquer modo, o mundo sempre muda…

No entanto, se hoje a Igreja não se move é porque a sociedade não se move. O que acontece na América Latina são sinais positivos, porque a influência que os Estados Unidos têm sobre ela não conseguiu derrubar Chávez e Correa. Vamos ver o que acontece na Bolívia! Agora, depende do Lula, porque se grandes países aceitam a divisão da Bolívia isso se dará tranquilamente, mas, se o Brasil e Argentina se opõem, o projeto de divisão não andará. De qualquer maneira, só a eleição de um índio mostra que a sociedade latino-americana também está mudando.

Fonte: IHU 18 junho 2008

Enquetes Bíblicas: Qual Bíblia você usa?

Você está convidado/a a votar em três novas enquetes/polls publicadas hoje na Ayrton’s Biblical Page:

:: Qual Bíblia você usa?
Esta pergunta refere-se prioritariamente a traduções da Bíblia existentes no Brasil, sem nenhuma pretensão de ser uma lista completa

:: Você lê a Bíblia em hebraico e grego?
Com quatro opções de resposta, esta questão diz respeito à leitura dos textos bíblicos nas duas principais línguas em que foram inicialmente escritos

:: Em qual língua você mais usa a Bíblia?
Citando cerca de uma dúzia e meia de línguas, esta enquete amplia possibilidades não contempladas nas duas anteriores