Leituras possíveis sobre o Papa Francisco

Venho de um lugar que fica quase no fim do mundo. Mas estamos aqui.

:: Com a eleição de Bergoglio afundam uma doutrina de política vaticana e uma escola teológica. Artigo de Marco Politi

:: Papa Francisco: “É a melhor escolha possível. Que agora ele não aceite compromissos”. Entrevista com Hans Küng

:: Francisco, um bispo de Roma que vem da periferia. Artigo de Luiz Alberto Gómez de Souza

:: Os sete espantos do papa Francisco. Artigo de Paulo Suess

:: Francisco: um Papa que presidirá na caridade. Artigo de Leonardo Boff

:: O papa Francisco que eu conheço. Artigo de Margaret Hebblethwaite

:: O papa e a ditadura argentina. Artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

:: Francisco e aquele ciclo que talvez irá se fecharFrancesco, quel cerchio che forse si chiude. Artigo de Sergio Soave

:: A ”oposição silenciosa” ao Papa BergoglioLa “silenciosa oposición” al Papa Bergoglio. Artigo de Jesús Bastante

:: A recepção de Francisco no Brasil. Entre o início e o fim de uma “primavera”. Artigo de Sérgio Ricardo Coutinho

:: “Ditadura do relativismo” e “sujeira”: Já se vê uma continuidade entre Bento XVI e Francisco? Artigo de  Sérgio Ricardo Coutinho

:: ”Os males da Igreja se chamam vaidade e carreirismo”. Entrevista com Jorge Mario Bergoglio, atual Papa Francisco

Jung Mo Sung: sobre a entrevista de Clodovis Boff

A fé cristã nasce em Cristo, mas a teologia não é fé, é uma reflexão sistemática sobre a nossa experiência de fé. As melhores teologias são aquelas que não tomam o lugar da fé e nem deixam que esta tome o seu.

Artigo publicado na Adital em 11.03.2013.

Cristo e os pobres: sobre a entrevista de C. Boff na Folha – Jung Mo Sung

O jornal Folha de São Paulo publicou nesta segunda-feira, 11/03/2013, uma entrevista com Clodovis Boff criticando a Teologia da Libertação (TL) no contexto da eleição do novo papa (…) Vou propor algumas breves reflexões sobre 3 pontos da entrevista.

Uma das críticas que ele faz à TL é que suas correntes hegemônicas não teriam entendido “a primazia da libertação espiritual, perene, sobre a libertação social, que é histórica” e por preferir não entender essa distinção se degeneraram em ideologia. Como essa distinção está explicitada no livro “Teologia da Libertação” de Gutiérrez, é difícil imaginar quais seriam essas correntes hegemônicas. Em todo caso, uma das novidades da TL não foi negar ou afirmar a primazia da libertação espiritual sobre a histórica, mas propor uma nova forma de compreender a relação entre as duas. O que os principais teólogos/as da libertação sempre afirmaram é que, em situações de tanta injustiça e morte, a fé em Jesus se torna concreta, se encarna, na experiência espiritual de encontrar na face do pobre a face de Jesus, conforme nos ensina o evangelho de Mateus, cap. 25.

Isso nos leva a outra crítica C. Boff: “Jon Sobrino diz: ‘A teologia nasce do pobre’. Roma simplesmente responde: ‘Não, a fé nasce em Cristo e não pode nascer de outro jeito’. Assino embaixo.” Na forma como está escrito é facilmente perceptível que há dois temas em discussão: de onde nascem a teologia e a fé. É claro que a fé cristã nasce em Cristo, mas a teologia não é fé, é uma reflexão sistêmica sobre a nossa experiência de fé e, portanto, não necessariamente precisa começar com Cristo. Eu não sou especialista no pensamento de Sobrino, mas pelo que estudei dele posso afirmar que para ele o ponto de partida da reflexão teológica – que é diferente da fé – é o pobre enquanto nele encontramos a face de Cristo entre nós. Em outras palavras, o ponto de partida de teologia é a relação entre Cristo e o pobre (…)

Por fim, C. Boff diz: “O ‘cristianismo anônimo’ constituía uma ótima desculpa para, deixando de lado Cristo, a oração, os sacramentos e a missão, se dedicar à transformação das estruturas sociais” e endossa a afirmação de dom Rommer de que “Não basta fazer o bem para ser cristão. A confissão da fé é essencial”. Eu realmente tenho dificuldade em achar que alguém tenha usado a tese rahneriana de “cristianismo anônimo” como desculpa, mas concordo que não basta fazer o bem para ser cristão. Pois, isso negaria que um budista ou um ateu pudesse fazer o bem sendo budista ou ateu, sem querer ser cristão, muito menos cristão anônimo. Aliás, na parábola do “juízo final” (Mt 25) a identidade religiosa ou ideológica das pessoas nem entra em discussão.

O primeiro e-reader a gente nunca esquece

Há pouco mais de um ano, 70% dos brasileiros nunca tinham ouvido falar em livros digitais. O mercado digital muda, porém, de maneira veloz. É um caminho sem volta.

Estou gostando demais das novas possibilidades de leitura oferecidas por meu Kindle, adquirido recentemente.

Estou apreciando, sem custo algum, textos clássicos das literaturas alemã, inglesa, norte-americana, francesa, árabe, escandinava antiga, latina, irlandesa, italiana etc. E a maioria nas línguas originais. Textos que eu lera, muitos deles, a partir de meus 11 anos de idade – quando tive acesso a uma boa biblioteca – em tradução apenas.

Pois acabei de ler este artigo na CartaCapital, de 11.03.2013 08:42, escrito por Samantha Maia: Meu primeiro e-book.

Que começa assim:

Há pouco mais de um ano, 70% dos brasileiros nunca tinham ouvido falar em livros digitais. A experiência com essa leitura, em geral de obras disponibilizadas em PDF gratuitamente na internet, era considerada uma opção de segunda linha, incapaz de superar o papel. O mercado digital muda, porém, de maneira veloz. A aposta recente das grandes empresas vendedoras de e-books no Brasil – Amazon, Apple e Google – e a movimentação das maiores redes de livrarias brasileiras – Livraria Cultura e Saraiva – para não ficarem atrás no negócio marcam a entrada de vez do novo produto no País. “É um caminho sem volta”, diz Hubert Alqueres, da Câmara Brasileira do Livro (CBL), representante das editoras. A Apple iniciou as vendas de e-books brasileiros em outubro de 2012, por meio da iTunes. Em dezembro foi a vez do Google, com o Google play, e da Amazon, com seu site brasileiro. Alex Szapiro, vice-presidente do Kindle da Amazon do Brasil, conta que a empresa estudou o mercado durante um ano e meio. “Viemos pelo potencial brasileiro de ser um dos maiores mercados do mundo.” A Livraria Cultura e a Saraiva já comercializavam livros digitais desde 2010, mas o volume de obras disponíveis equivalia a 10% do que existe hoje. O acervo continua pequeno comparado a mercados maduros. São 15 mil títulos em português, diante de 1 milhão de obras nos Estados Unidos, onde as vendas de e-books começaram nos primórdio dos anos 2000. No mercado de livro impresso, 58 mil títulos foram lançados apenas em 2011. Os investimentos das editoras para a conversão dos arquivos devem, no entanto, impulsionar rapidamente o número de obras brasileiras disponíveis em formato digital. Uma novidade importante foi o governo federal publicar, há duas semanas, um edital para a compra de 80 milhões de livros digitais didáticos, com entrega prevista a partir de 2015. A iniciativa casa com a aquisição recente de 600 mil tablets para professores. Pelo fato de 30% do faturamento do setor editorial brasileiro vir de encomendas governamentais, a primeira compra pública de e-books é um passo decisivo para organizar esse mercado e derrubar o custo de produção. A difusão dos tablets e dos smartphones no Brasil foi importante para aumentar a atratividade dos e-books com o ganho da mobilidade. Em 2012, cerca de 3 milhões de tablets foram vendidos no País. O livro eletrônico tem, porém, um instrumento próprio que ainda não é comum entre os brasileiros: o e-reader, ou leitor digital. São aparelhos leves, com menos de 200 gramas, dimensão em média de 6 polegadas e tela sem brilho, que cansa menos a vista. Custam de 300 a 400 reais, têm memória para armazenar mais de mil livros e bateria que dura até 30 dias. É em torno de tais dispositivos que está centrada a disputa no mercado local.

Clodovis Boff reafirma postura conservadora

Está em entrevista de Clodovis Boff, mais conhecido pela mídia como irmão de Leonardo Boff, à Folha de S. Paulo de hoje.

Leia Irmão de Leonardo Boff defende Bento 16 e critica Teologia da Libertação

Fonte: Alexandre Gonçalves – Folha de S. Paulo: 11/03/2013 – 04h48

Leia Mais:
Clodovis Boff e a Teologia da Libertação
O texto de Clodovis Boff sobre a TdL e a pastoral

Obs.: estou considerando, até prova em contrário, a possibilidade da Folha ter reproduzido a entrevista corretamente, o que não teria ocorrido em casos recentes com Leonardo Boff e José Oscar Beozzo.

O Chavismo além de Chávez

O presidente da Venezuela e líder da ‘revolução bolivariana’, Hugo Chávez Frias, morreu nesta terça (5 de março de 2013), aos 58 anos, vítima de câncer. Agora que Chávez não existe mais, o que permanece é o chavismo. Até então, o oposicionismo venezuelano enfrentava um líder carismático de carne e osso. A partir de agora, enfrentará uma lenda.

:: Leia o especial de Carta Maior
O Chavismo além de Chávez

:: E do Opera Mundi
Especial Venezuela: A Era Chávez

A história registrará, com justiça, o papel que Chávez desempenhou na integração latino-americana e sul-americana, e a importância de seu governo para o povo pobre de seu país, diz Luiz Inácio Lula da Silva.

Precisamos de um Papa como São Francisco

O cardeal de Buenos Aires, Argentina, Jorge Mario Bergoglio, eleito Papa hoje, adotou o nome de Francisco.

Fratelli e sorelle, buonasera! Voi sapete che il dovere del Conclave era di dare un Vescovo a Roma. Sembra che i miei fratelli Cardinali siano andati a prenderlo quasi alla fine del mondo… ma siamo qui… Vi ringrazio dell’accoglienza.

Explode o caso Vatileaks. Os cardeais querem saber

Na manhã de ontem foram três cardeais que manifestaram o desejo de saber o que consta na “Relatio” preparada pela comissão dos cardeais que fizeram a investigação. O conteúdo do relatório, até o momento, é secreto. O pedido foi feito pelo cardeal alemão Walter Kasper (…), pelo austríaco Cristoph Schönborn, arcebispo de Viena (…), e [pelo] húngaro Peter Erdö, arcebispo de Budapeste (…) Não por acaso também os cardeais de Washington e de Chicago, Donald Wuerl e Francis George, afirmaram, depois da primeira congregação geral, que o caso Vatileaks precisa ser discutido e “que algumas perguntas serão feitas aos cardeais envolvidos na investigação” (…). Sabe-se que Bento XVI não quis divulgar o relatório, mas permitiu que os três cardeais que investigaram o caso – Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi – forneçam informações de caráter geral (…) Mas seria um erro considerar que escândalos e Vatileaks tenham sido o tema principal do primeiro dia de trabalho: a preocupação da maioria dos presentes é encontrar um novo Papa que saiba falar ao mundo, anunciar o Evangelho de maneira positiva. “Seria preciso um Papa como São Francisco [sublinhado meu] – diz um cardeal influente no final dos trabalhos de ontem – um homem que saiba sorrir como João Paulo I, que possa mostrar o rosto da misericórdia de Deus. E que saiba reformar a Cúria para torná-la mais crível e transparente”.

Leia o texto completo.

A reportagem é de Andrea Tornielli e foi publicada pelo jornal La Stampa [Vatican Insider] em 05/03/2013. Fonte: Notícias: IHU On-Line – 05/03/2013.

Esplode il caso Vatileaks. Le porpore vogliono sapere – Andrea Tornielli – Vatican Insider/La Stampa: 05/03/2013

Tre cardinali di peso chiedono di conoscere i segreti dell’ultimo scandalo. La richiesta è stata avanzata dal tedesco Walter Kasper, ottant’anni appena compiuti, in conclave per un soffio, appartiene all’ala dei vecchi curiali più critici verso la gestione della Segreteria di Stato degli ultimi anni. Stessa domanda anche da due «papabili» europei di peso. Il primo è l’austriaco Cristoph Schönborn, arcivescovo di Vienna, che nel 2010 criticò pubblicamente l’ex Segretario di Stato Angelo Sodano per come erano stati gestiti i casi di abusi nell’ultimo periodo wojtyliano. Il secondo è l’ungherese Peter Erdö, arcivescovo di Budapest, considerato un possibile candidato europeo al Soglio di Pietro (…) Sarebbe però un errore considerare scandali e Vatileaks come il segno distintivo della prima giornata di dibattito: la preoccupazione della maggior parte dei presenti è quella di trovare un nuovo Papa che sappia parlare al mondo, annunciare il Vangelo in modo positivo. «Ci vorrebbe un Papa come San Francesco – confida a La Stampa un porporato influente a fine giornata – un uomo che sappia sorridere come Giovanni Paolo I, che possa mostrare il volto della misericordia di Dio. E che sappia riformare la Curia per renderla più credibile e trasparente».

Israelenses x Palestinos: ninguém acredita mais em paz

Maioria dos israelenses se sente confortável o suficiente para ignorar seus vizinhos

O artigo é de Roger Cohen, colunista do jornal The New York Times. Foi reproduzido pelo portal Uol em 02/03/2013. O autor do texto se define como um sionista liberal.

Um dos ministros da equipe que está deixando o governo de Israel após as últimas eleições me disse, sem rodeios, durante uma recente visita que fiz ao país: “Pela primeira vez, os palestinos não influenciaram as eleições”.

A maioria dos israelenses se sente confortável o suficiente para ignorar seus vizinhos. É como se eles estivessem no Titanic e preferissem não pensar no assunto.

É um fato aceito e conhecido por todos na Casa Branca, e para além dela também, que a atual situação é insustentável – a ocupação da Cisjordânia por Israel, que já dura 46 anos, as fronteiras indefinidas, o conflito latente, a opressão. Mas pensar que essa situação poderá ser resolvida pode não ser nada além de uma ilusão.

Israel sente que sua situação é sustentável. O milagre econômico que faz com que regiões do país se pareçam com o sul da Califórnia poderá continuar: o isolamento diplomático de Israel não equivale a isolamento comercial. A ocupação militar vai crescer com o apoio dos Estados Unidos. Uma forte corrente nacionalista israelense – nós ganhamos todos os territórios no campo de batalha e, por isso, ele é nosso! – vai prevalecer sobre a fadiga gerada pelas negociações de paz entre os israelenses liberais e um fragmentado movimento palestino.

Atravessar o muro-cerca que circunda Israel e entrar na Cisjordânia nos faz sentir como se estivéssemos viajando no tempo, retornando 30 anos rumo ao passado. Em breve, considerando-se o avanço da atual situação, vai parecer que estamos voltando 40 anos no tempo, para 1973. Nessa época, talvez o meio milhão de israelenses que viviam atrás da Linha Verde (designação dada às fronteiras entre Israel e os países vizinhos, definidas no armistício de 1949, ao final da guerra árabe-israelense de 1948) dificilmente saberiam do que se tratavam a solução de dois Estados baseada nas fronteiras de 1967 – com exceção das trocas de terras acordadas entre as partes –, pois esse tema era uma ficção diplomática e intelectual.

Sim, Israel, país que se estende por todas as terras de Eretz Israel (um termo bíblico usado para fazer referência à área localizada entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão e que abrange toda a Cisjordânia), é sustentável. O status quo não é estático. Em suma, apesar dos padrões demográficos, que favorecem os palestinos, o poder pende para o lado de Israel. A vitalidade supera a demografia.

“Muitos anos vão se passar sem que haja nenhuma definição”, disse-me Tom Segev, ilustre historiador israelense. “Vamos continuar oprimindo; Eles vão continuar tentando lutar. Atualmente, a maioria dos israelenses sente que sua segurança está garantida sem ter que abrir mão de nada. Esse é o problema. A opressão dos palestinos é terrível. Mas a situação está calma. Por isso, os israelenses não percebem essa opressão cotidiana. Ninguém acredita mais em paz”.

Do lado palestino também ficou mais difícil de encontrar quem acredite em um acordo de paz baseado em dois estados. A expansão dos assentamentos com a aquiescência dos EUA levou à convicção de que não haverá um estado palestino viável na Cisjordânia e em Gaza.

“Israel não está interessado em permitir a criação de um estado palestino e os EUA, que estão subsidiando esse esforço, não podem e não querem mudar essa situação por causa de sua política interna”, afirmou via e-mail Yousef Munayyer, diretor-executivo do Centro Palestino, sediado em Washington. Ele disse que os palestinos perderam a fé na mediação norte-americana do conflito. Os palestinos provavelmente vão “mudar sua estratégia, distanciando-se da luta separatista baseada na criação de um estado e caminhando em direção a uma luta baseada em direitos (que já está acontecendo)”, pois a “colonização israelense destruiu a integridade territorial de um possível estado” palestino.

Em outras palavras: os palestinos vão buscar seus direitos – incluindo o direito de retornar a sua terra – dentro de um estado único, em vez de buscar o estabelecimento de seu próprio estado nacional. O único problema é que, como me disse recentemente o romancista israelense Amos Oz, “o direito (dos palestinos) de retornar a sua terra é um eufemismo para a liquidação de Israel. Mesmo para uma pomba da paz como eu isso está fora de cogitação”.

Como Omar Barghouti, líder do movimento Boicote, Alienação de Investimentos e Sanções contra Israel disse recentemente a estudantes de Yale: “se os refugiados retornassem a Israel, você não teria uma solução de dois estados, você teria uma Palestina ao lado da Palestina”.

A solução de um único estado equivale ao fim de Israel como um estado nacional judeu. Isso não vai acontecer – e não se deve permitir que aconteça. A busca palestina por esse objetivo é igual a aceitação de um conflito eterno. Os judeus, depois da experiência do século 20, não vão desistir da pátria que eles lutaram tão duro para construir.

Para qualquer sionista liberal – como eu – convencido da necessidade da solução de dois estados prevista pela resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1947, que estabeleceu o moderno estado de Israel, tanto o impulso religioso-nacionalista israelense para manter toda a terra quanto a recusa dos palestinos em abandonar o insustentável e inaceitável “direito de retorno” (não existe esse direito na história; basta perguntar aos judeus) são motivo para um desânimo profundo.

Eu disse a situação de Israel é sustentável. E ela é, em termos físicos. Mas não é em termos éticos. Israel é um estado cuja Declaração de Independência, de 1948, diz que ele seria “fundado com base nos princípios da liberdade, da justiça e da paz de acordo com o espírito das visões dos profetas de Israel; que implementará a igualdade total de direitos sociais e nacionais para todos os seus cidadãos sem distinção de raça, religião e sexo; prometerá a liberdade de culto, opinião, língua, educação e cultura”. A ocupação da Cisjordânia, onde vivem mais de 2,6 milhões de palestinos humilhados, contraria cada palavra dessa declaração.

Em breve, o presidente Barack Obama visitará Israel e a Cisjordânia. Ele não tem nenhum motivo para ter esperanças. A paz está além de uma solução funcional, mas capenga. A falta de limites para a força de Israel e para a vitimização palestina estreitaram o caminho para que se chegasse aos conhecidos compromissos necessários para acabar com o conflito.

Fonte: Notícias: IHU On-Line – 04/03/2013

Modernidade tardia: desafios para a docência do ensino superior

Antes havia um princípio organizador, que dava as coordenadas dos procedimentos – a religião. Tal princípio se diluiu em três grandes princípios: a) técnico econômico funcional; b) esfera governamental, c) esfera cultural. A crise se instala quando o hedonismo surge como princípio global.

“Com o tema Modernidade tardia: desafios para a docência do ensino superior, o psicólogo José Paulo Giovanetti proferiu a conferência de abertura da formação docente dos professores da Unisinos na noite de 25-02-2013, no Auditório Central da Instituição.

Entre as constatações expostas, Giovanetti falou sobre o individualismo que é característico do sujeito moderno, bem como seus desdobramentos. Esse sujeito vive numa sociedade que apresenta sintomas como a depressão e a angústia. Contudo, é preciso procurar aquilo que está abaixo desse iceberg aparente, provocou. É necessário atentar que o jovem que hoje chega à sala de aula já nasceu dentro da modernidade tardia, nos idos dos anos 1990, o que é decisivo para seu modo de ser e estar no mundo. E é esse o grande universo dos alunos que chegam à universidade em nossos dias.

Através de uma análise fenomenológica da sociedade, Giovanetti apontou os paradigmas de pensamento hoje. O paradigma antigo justificava as ações a partir da realidade externa, como no caso da religião, por exemplo. Na modernidade o indivíduo é o centro da organização, e por isso é fundante do que se segue. O projeto da modernidade, acrescenta, é marcado pela imanência da razão, ou seja, só tem valor aquilo que pode ser por ela explicado. Outro de seus traços é a afirmação da subjetividade, isto é, o sujeito é o centro de todas as referências.

Procedendo uma análise sociológica das características da sociedade contemporânea, Giovanetti pontua que a modernidade tardia refere-se aos últimos 50 anos, tendo iniciado, portanto, nos anos 1960. Suas características são o consumo, o espetáculo, o simulacro, o lazer e a virtualidade. Antes havia um princípio organizador, que dava as coordenadas dos procedimentos – a religião. Tal princípio se diluiu em três grandes princípios: a) técnico econômico funcional; b) esfera governamental, c) esfera cultural. A crise se instala quando o hedonismo surge como princípio global.

A respeito da sociedade do consumo, tópico caro ao sociólogo Jean Baudrillard, o palestrante mencionou que não se consomem objetos, somente, mas pessoas, inclusive. As leis da sociedade do consumo  são a) escolher (você não pode deixar de escolher) e b) comprar (compre hoje, pague amanhã).

Quanto à sociedade do espetáculo, Giovanetti menciona a superficialidade (glamurização) e o passageiro (efêmero) como suas marcas indeléveis. E o pesquisador é enfático ao afirmar que os fenômenos contemporâneos que apontam para uma nova sensibilidade são a) sociedade centrada no eu, b) pura indiferença, c) sedução non-stop e d) fenômenos extremos.

‘Na pós-modernidade vivia-se uma época de liberação que gerou a era do vazio. Na hipermodernidade vivemos uma vida light que gera a era do consumo’, observa Giovanetti”.

Leia o texto completo da reportagem de  Márcia Junges, publicada em Notícias: IHU On-Line: 27/02/2013.

José Paulo Giovanetti é graduado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, e em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. É especialista em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Leciona na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, FAJE.

Resenhas na RBL – 26.02.2013

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Jeffrey Brodd and Jonathan L. Reed, eds.
Rome and Religion: A Cross-Disciplinary Dialogue on the Imperial Cult
Reviewed by Edmund Cueva

Michael Cameron
Christ Meets Me Everywhere: Augustine’s Early Figurative Exegesis
Reviewed by Blossom Stefaniw

Melissa A. Jackson
Comedy and Feminist Interpretation of the Hebrew Bible: A Subversive Collaboration
Reviewed by Kathryn D. Blanchard

Tremper Longman III
Introducing the Old Testament: A Short Guide to Its History and Message
Reviewed by Trent Butler

Dennis R. MacDonald
Two Shipwrecked Gospels: The Logoi of Jesus and Papias’s Exposition of Logia about the Lord
Reviewed by John Kloppenborg
Reviewed by James F. McGrath

Steve Moyise
The Later New Testament Writings and Scripture: The Old Testament in Acts, Hebrews, the Catholic Epistles, and Revelation
Reviewed by Amy Peeler

James D. Nogalski
The Book of the Twelve: Hosea-Jonah
Reviewed by Beth Stovell

Kathleen M. Rochester
Prophetic Ministry in Jeremiah and Ezekiel
Reviewed by Wilhelm J. Wessels

Thomas P. Scheck
St. Jerome’s Commentaries on Galatians, Titus, and Philemon
Reviewed by Gerald Bray

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