I Seminário Internacional sobre o Jesus Histórico

Como noticiado aqui, John Dominic Crossan virá ao Brasil para participar do I Seminário Internacional sobre o Jesus Histórico em outubro de 2007. O Seminário será realizado nos dias 16, 17 e 18 de outubro no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ).


Recebo da Profa. Dra. Cláudia A. P. Ferreira, da FL/UFRJ, a seguinte notícia:

As inscrições para as Comunicações Livres do I Seminário Internacional sobre o Jesus Histórico estão abertas desde o dia 1º de junho de 2007.

As comunicações deverão ter como eixo temático questões diretamente relacionadas com o tema Jesus Histórico. Serão selecionados doze (12) trabalhos. Cada pesquisador disporá de quinze (15) minutos para apresentar a sua comunicação. Ao término, será realizado um debate com quarenta e cinco (45) minutos de duração. A Comissão de Seleção será formada pelos organizadores e conferencistas convidados do I Seminário Internacional sobre o Jesus Histórico.

O envio do trabalho será feito apenas via Correio. Para receber o edital, envie um e-mail para cursojesushistorico@yahoo.com.br

Vitor Orlando Gagliardo – Coordenador do Evento. Tel.: (21) 8136-2645.

Comemoramos 150 anos de leitura do cuneiforme

May 29 2007 is the 150th anniversary of the official acceptance of the decipherment of cuneiform, after the Royal Asiatic Society placed a test case before Edward Hincks, Jules Oppert, Henry Creswicke Rawlinson, and William Henry Fox Talbot.

Há 150 anos, no dia 29 de maio ou no dia 6 de junho (há controvérsias!) de 1857, foi aceito oficialmente o deciframento da escrita cuneiforme. Portanto, comemoramos um importante aniversário.

Esta aventura está contada em A 150th Anniversary Celebration.

Visite a página da International Association for Assyriology (IAA).

Revista Bíblica de Argentina

La Revista Bíblica fue fundada en 1939 por Mons. Dr. Juan Straubinger como subsidio “para el entendimiento de la Sagrada Escritura”. Hoy está a cargo de la Asociación Bíblica Argentina y publica en castellano o en portugués artículos originales relacionados con las ciencias bíblicas, incluyendo investigaciones de tipo filológico, literario, exegético, histórico o teológico.

Como publicación de “alta divulgación científica” favorece la comunicación entre los especialistas, presentando los resultados de los estudios bíblicos de un modo también accesible a los que no son expertos en el mismo campo (pastores, graduados en teología, estudiantes y docentes en institutos y universidades).

La Revista Biblica se publica anualmente, en 4 números, editados en dos volúmenes.

Que nome dar a este conjunto de livros?

Claude Mariottini faz hoje, em seu blog, um apanhado (roundup), em Name Those Books, da ampla discussão gerada por seu post de 25 de maio sobre que nome usar para mencionar as Escrituras judaico-cristãs. Leia. É muito interessante.

Gostei da fala da leitora judia, Iris, que escreve seu comentário ao post de Claude Mariottini a partir da Alemanha: vale mais é a postura de respeito à crença do outro do que a terminologia usada para citar seus livros sagrados.

Cito um trecho de sua fala:

As a Jew I am very active in interreligious dialogue activities in Germany. I know this discussion and that people want to express their respect by avoiding the term “Old Testament” (…) In Christian-Jewish dialogue groups I use sometimes the term “old testament”. This is when I want to emphasize the Christian view on these texts. I don`t feel insulted by the term “old testament” as long as Christians behave respectfully.

Em tradução livre: Como judia, estou fortemente envolvida no diálogo inter-religioso na Alemanha. Eu conheço esta discussão e sei que as pessoas querem expressar seu respeito [pelos judeus] evitando o termo “Antigo Testamento” (…) Em grupos de diálogo judeu-cristão eu uso, às vezes, o termo “antigo testamento”, quando quero enfatizar a visão cristã sobre estes textos. Eu não me sinto de modo algum insultada pelo termo “antigo testamento”, desde que os cristãos ajam respeitosamente.

Aumenta o interesse em Fílon de Alexandria

Para os interessados em Fílon de Alexandria (20 a.C.-54 d.C.) – quem é? – um post de hoje do professor norueguês Torrey Seland, em seu blog Philo of Alexandria, vale a pena.

Leia Had the works of Philo been newly discovered.

Falando dos estudos “filônicos” nos últimos anos, ele avalia que

It is my impression that Philo studies have had a much greater place in recent publications; it has, for instance, been much more natural to include Philo when decribing the possible background of some New Testament topics; and Philo has been much more studied for his own part and as a representative of the Diaspora Judaism of the time of Jesus and Paul.

O que ele diz é, em síntese, o seguinte: Tenho a impressão de que os estudos sobre Fílon conquistaram mais espaço nas publicações recentes. Por exemplo, tem sido muito mais natural incluir Fílon quando se descrevem alguns backgrounds de certos tópicos do Novo Testamento. E Fílon tem sido muito mais estudado por suas próprias qualidades e também como um importante autor da diáspora judaica das épocas de Jesus e de Paulo.

Não vá embora sem consultar a página de Torrey Seland sobre Fílon: The Philo of Alexandria Page. E não se esqueça de visitar o site Early Jewish Writings, seção Fílon.

Jim West acaba de questionar: Is Philo Useful For New Testament Studies? ou seja: Fílon de Alexandria é útil para os estudos neotestamentários, como afirma Torrey Seland? Na sua experiência, ele diz que até agora não foi.

Pois devo dizer que, para mim, Fílon (de quem conheço pouquíssimo!) tem sido útil para o estudo da relação entre judaísmo e helenismo, que faço dentro da “História de Israel” no período pós-exílico.

Porém, meus professores, nem na Gregoriana nem no Bíblico, em Roma, costumavam utilizar Fílon em cursos que tratavam do Novo Testamento. Quer dizer, para mim também fica a mesma pergunta de Jim West.

Mas suspeito que seja meu conhecimento limitado de Fílon, e da diáspora judaica de modo geral, que me faz continuar ignorando sua importância para o Novo Testamento e outras áreas de estudo.

Futuro de Israel e dos palestinos continua incerto

Há 40 anos, o então jovem Estado de Israel, festejava o que, naquela época, parecia ser uma vitória fulminante contra os paises árabes. Porém, 40 anos depois, essa vitória pode se configurar como uma tragédia. Em seis dias, de 5 a 10 de junho de 1967, o Exército israelense venceu os exércitos do Egito, da Jordânia e da Síria e ocupou os territórios palestinos na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza, o deserto egípcio do Sinai e as colinas sírias do Golã. O governo israelense daquela época, liderado pelo Partido Trabalhista, anunciou que não tinha intenções de manter os territórios ocupados e que esses serviriam como “cartas para a negociação, com o objetivo de assinar um acordo de paz geral com o mundo árabe”. Quarenta anos depois, Israel continua ocupando grande parte das tais “cartas” – exceto o deserto do Sinai, que foi inteiramente devolvido ao Egito (…) Hoje mais de 450 mil cidadãos israelenses moram nos territórios ocupados por Israel em 1967 (…) [Hoje] tanto em Israel como nos territórios palestinos, se fortalecem as lideranças que se opõem a um acordo histórico entre os dois povos. Depois de 40 anos de ocupação, ainda não parece haver luz no fim do túnel, nem para os israelenses nem para os palestinos, diz Guila Flint, Ocupação israelense completa 40 anos sem solução, BBC Brasil: 04/06/2007 – 09h10).

Em outra reportagem Guila Flint mostra que o Oriente Médio dos próximos 40 anos poderá ser muito diferente do Oriente Médio dos últimos 40 anos. A incapacidade de Israel de conviver com os palestinos e sua relutância em desocupar seus territórios, o crescimento do fundamentalismo islâmico, o possível armamento nuclear do Irã e, em seguida, do Egito são alguns dos fatores fundamentais desta mudança. A única saída para Israel é chegar a um acordo com os palestinos.

Diz Guila Flint em Futuro de Israel e dos palestinos ainda é incerto, na BBC Brasil: 04/06/2007 – 09h12:

Mudanças significativas que estão ocorrendo no Oriente Médio indicam que os próximos 40 anos podem ser muito diferentes das quatro décadas anteriores, depois da ocupação dos territórios conquistados por Israel na guerra de 1967. É pouco provável que Israel possa manter a ocupação dos territórios a longo prazo, e o Oriente Médio de 2007 não é o mesmo que era em 1967. Novas forças políticas, econômicas e militares atuam nesta região. O fundamentalismo islâmico se fortaleceu, e o Irã, país que lidera essa corrente, pode vir a ter condições de fabricar armas nucleares. Se o Irã, um país xiita, tiver uma bomba atômica, o maior país do mundo árabe – o Egito, que é sunita – pode também decidir aderir à corrida nuclear rapidamente. Em vista do fortalecimento das correntes islâmicas radicais no Egito, em um futuro não muito longínquo, ainda existe o risco de o fundamentalismo ganhar espaço no país. O conflito com os palestinos não constitui uma ameaça existencial para Israel, mas países da região armados com armas nucleares podem vir a ser (…) A grande questão é se a liderança israelense terá coragem de encarar a realidade da região e evitar uma catástrofe e, antes que seja tarde demais, chegar a um acordo histórico com os palestinos que deverá ter um impacto positivo nas relações de Israel com todo o mundo árabe.