Quatro livros sobre Biblia que valem a leitura

Passei a tarde lendo resenhas de alguns livros sobre Antigo Testamento que me interessam, por suas temáticas e enfoques, de modo especial. Dois sobre Metodologia Bíblica, um sobre o Pentateuco e outro sobre História de Israel. Um de 2005, dois de 2006 e um de 2007.

:: ESLER, P. F. (ed.) Ancient Israel: The Old Testament in Its Social Context. Minneapolis: Fortress, 2005. xvii + 420 p. – ISBN 0800637674

O livro Antigo Israel: o Antigo Testamento em seu contexto social, organizado por Philip Francis Esler, e que trata da análise sócio-antropológica do Antigo Testamento, só recebeu elogios nas resenhas de Hallvard Hagelia, da Noruega, e de Patricia Dutcher-Walls, do Canadá.

Resultado de uma conferência realizada em 2004 na Universidade St. Andrews, na Escócia, o livro traz expressiva contribuição de vários autores para a área da metodologia bíblica. Eu já o mencionara em Leitura socioantropológica da Bíblia.

Resenhas de Hallvard Hagelia, da Ansgar School of Theology and Mission Kristiansand, Noruega, publicada pela RBL em 11 de junho de 2006, e de Patricia Dutcher-Walls, da Vancouver School of Theology, Vancouver, Canadá, publicada pelo Journal of Hebrew Scriptures, vol. 7, de 2007.


:: DOZEMAN, T. B; SCHMID, K. (eds.) A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2006, viii + 198 p. – ISBN 9781589831636

Este livro vem chamando a atenção de muita gente desde que foi publicado no ano passado. É coordenado por Thomas Dozeman e Konrad Schmid e trata do Pentateuco: Um adeus para o Javista? A composição do Pentateuco na interpretação européia recente. Dele já falei em setembro do ano passado, no post Mais uma vez o Javista se despede do Pentateuco. Mas para onde ele estaria indo? É bom dar uma olhada lá primeiro.

A resenha é de J. Harold Ellens, da University of Michigan-Ann Arbor, em Ann Arbor, Michigan, USA, publicada pela RBL em 25 de agosto de 2007, e também é elogiosa.

Parece que neste livro se avança um pouco na direção de um possível consenso, por enquanto inexistente, acerca de como e quando teria sido composto o Pentateuco. Na minha opinião, contudo, muita água ainda vai passar debaixo da ponte até que se chegue a algum acordo sobre o tema.


:: MOORE, M. Philosophy and Practice in Writing a History of Ancient Israel. London: T &T Clark, 2006, x + 205 p. – ISBN 9780567029812

A terceira obra da qual andei lendo uma resenha é uma tese escrita por Megan Moore sob a supervisão de John Hayes da Emory University, Atlanta, Georgia, USA, com o título de Filosofia e prática na escrita de uma História do Antigo Israel. É um livro que se propõe fazer uma avaliação dos pressupostos dos especialistas que se aventuram a escrever “Histórias de Israel”.

E aí, naturalmente, entre outras coisas interessantes, não poderia faltar um balanço da escaramuça que vem acontecendo nos últimos anos entre os “minimalistas” e os “não-minimalistas”, termos, já em si, controvertidos. E o uso das fontes, e até onde vai a credibilidade histórica dos textos bíblicos, e… haja controvérsia!

Ernst Axel Knauf, da Universidade de Berna, em Berna, na Suíça, que é do ramo, acha que a obra contribui para o debate na área e vê relevância neste tipo de balanço. A resenha, por ele assinada, foi publicada pela RBL em 1 de setembro de 2007.

:: DIAS DA SILVA, C. M. Leia a Bíblia como literatura. São Paulo: Loyola, 2007, 104 p. – ISBN 9788515033072

Finalmente, quero falar, mais uma vez, do livro do Cássio Murilo Dias da Silva, que acaba de ser lançado pela Loyola. Agradeço ao Cássio que me enviou um exemplar com bela dedicatória.

Por enquanto, li detalhadamente quatro dos sete capítulos e passei os olhos pelo restante do livro. Acredito que o livro, que é sobre metodologia bíblica, possa ser lido com proveito por alunos da graduação em Teologia, logo que tenham adquirido algumas noções de introdução à Bíblia e aos métodos de exegese bíblica.

Graficamente bem cuidado, atento à didática, mas com uma densidade bastante grande, rigoroso no tratamento do tema. Características do autor. Justificadamente diz Cássio na dedicatória, este livrinho tem o máximo de exegese em um um mínimo de páginas. Vou utilizá-lo em minha disciplina de Introdução à S. Escritura, que enfoca prioritariamente os métodos de leitura da Bíblia. Daqui a um ano saberei até onde funciona.

Os quadrinhos explicativos espalhados pelo texto – ah, e a caricatura do autor: comparem o enorme nariz com o minúsculo banquinho! – ajudam bastante. Servem como guia de leitura e podem ser usados para diminir a tensão da séria leitura! Valeu, Cássio. Alunos do Primeiro e Segundo Anos do CEARP mostraram grande interesse no livro. E um aluno do Quarto Ano acha que o livrinho pode ser mais uma ferramenta útil na preparação do exame De Universa Theologiae. Minha única reclamação, por enquanto, é que, ao citar exemplos da literatura brasileira, o autor ignorou Guimarães Rosa…

Portinari: Guerra e Paz no século XXI

No Blog do Emir Sader, O povo, a guerra e a paz de Portinari, postado em 11/09/2007.

Uma oportuna reflexão sobre a guerra e a paz a partir dos painéis de Portinari, o pintor de Brodowski, no Conselho de Segurança da ONU (United Nations Security Council – UNSC), em Nova York.

 

Neste ano, cumprem-se 40 anos da inauguração dos painéis Guerra e Paz, de Candido Portinari, no prédio da ONU, em Nova York. Quadros que não puderam ser Guerra e Paz de Candido Portinari inaugurados pelo pintor brasileiro, que teve sua entrada nos EUA impedida por negação de visto de parte do governo estadunidense, sob acusação de comunista. Até hoje os quadros estão no Conselho de Segurança, sem identificação, a ponto que os guias não sabem indicar aos visitantes a autoria dos painéis. Este ano está prevista uma cerimônia que inaugure uma das obras primas do maior pintor brasileiro, 50 anos depois.

Este artigo celebra os quadros, mais do que atuais, de Portinari.

O POVO, A GUERRA E A PAZ DE PORTINARI

Desde que Portinari pensou na ideia dos painéis de guerra e paz, muitos canhões dispararam, muitos acordos de paz foram obtidos. Mas o que aconteceu com esses dois temas cruciais que têm cruzado toda a história da humanidade, desde então?

Quando pintava os painéis, Portinari pode conhecer o que seria o pós-guerra, depois daquela que foi praticamente uma única guerra interimperialista de 1914 a 1945. Chegada a paz, que mundo seria aquele?

Em 1967 o Che se referia a esse período:

“Já se cumpriram vinte e um anos desde o fim da última conflagração mundial e diversas publicações, em infinidade de idiomas, celebram o acontecimento simbolizado pela derrota do Japão. Há um clima de aparente otimismo em muitos setores dos distintos campos em que o campo se divide.

Vinte e um anos sem guerra mundial, nestes tempos de confrontações máximas, de choques violentos e mudanças repentinas, parecem uma cifra muito alta. Mas, sem analisar os resultados práticos dessa paz pela que todos nos manifestamos dispostos a lutar (a miséria, a degradação, a exploração cada vez maior de enormes setores do mundo) é preciso perguntar-nos se ela é real.

Enquanto Portinari escolhia o tema dos seus painéis e começava a ideá-los, segundo o Che:

Na Coreia, depois de anos de luta feroz, a parte norte do país ficou submetida à mais horrível devastação que figure nos anais da guerra moderna; devastada por bombas; sem fábricas, escolas ou hospitais; sem nenhum tipo de casa para abrigar a dez milhões de habitantes.

No outro lado, o exército e o povo da Coreia e os voluntários da República Popular da China contaram com o abastecimento e a assessoria do aparato militar soviético. Por parte dos estadunidenses foram feitos todos os tipos de provas de armas de destruição, excluindo as termonucleares, mas incluindo as bacteriológicas e as químicas, em escala limitada. No Vietnã, se sucederam ações bélicas, sustentadas pelas forças patrióticas desse país quase ininterruptamente contra três potências imperialistas: o Japão, cujo poderio havia sofrido uma queda vertical a partir das bombas de Hiroshima e Nagasaki; a França, que recupera daquele país vencido suas colônias indochinesas e ignorava as promessas feitas em momentos difíceis; e os EUA, nesta última fase da luta.

E concluía o Che:

Tudo parece indicar que a paz, essa paz precária a que se deu esse nome, só porque não se produziu nenhuma conflagração de caráter mundial, está outra vez em perigo de ser rompida diante de qualquer passo irreversível e inaceitável, dado pelos estadunidenses.

Os tempos de paz depois de 1945 representaram que os acordos de Yalta inviabilizavam as guerras nos países do centro do sistema EUA, Europa, Japão. Estas continuavam a ser protagonizadas pelas grandes potências imperiais, mas passavam a ter seus cenários na periferia do sistema: Ásia, África, América Latina, para os quais os tempos foram de guerra mais do que nunca.

Ficam claras, nesse cenário, as razões que levaram Portinari a – convidado, em 1950, a fazer os painéis -, tivesse escolhido o tema da guerra e da paz. Consciente politicamente do período que a humanidade passava a enfrentar, apesar do fim do conflito mundial, um ano antes, ele escrevia:

…A luta pela paz é uma decisiva e urgente tarefa. É uma campanha de esclarecimento e de alerta que exige determinação e coragem. Devemos organizar a luta pela Paz, ampliar cada vez mais a nossa frente antiguerra, para ela todos os homens de boa vontade, sem distinção de crenças ou de raças, para assim, unidos os povos do mundo inteiro, não somente com palavras mas com ações, levarem até a vitória final a grande causa da Paz, da Cultura, do Progresso e da Fraternidade dos Povos…

Vítima, ele também, entre outros, da repressão advinda dos inícios da guerra fria – quando os partidos comunistas foram ilegalizados, conforme a linha ditada por Washington -, Portinari buscou, em 1948, refúgio no Uruguai. Não faltava a Portinari a consciência do vínculo entre seu destino individual e os maiores enfrentamentos do novo período histórico, que fazia enfrentar a paz e a guerra.

O trabalho dos painéis inicia em 1952 e é concluído em 1956. Terminada a guerra da Coreia, a dialética entre a guerra e a paz ganha novas formas. A sensibilidade genial de Portinari e sua profunda compreensão histórica faz com que ele não pinte a guerra ou a paz. Sabe que em tempos imperiais, uma e outra estão permanentemente em tensão e em conflito. Que a paz é uma conquista sobre as dinâmicas belicistas das potências imperiais, que fazem da guerra suas tentativas de impor seus interesses, violando permanentemente a paz.

O historiador britânico Eric Hobsbawn, depois de analisar as guerras no século XXI, se arrisca a prever:

…no século XXI, a guerra não será tão sangrenta como foi no século XX, mas a violência armada, que dará lugar a um grau de sofrimento e umas perdas desproporcionais, continuará onipresente e será um mal endêmico e epidêmico por momentos, em grande parte do mundo. Fica longe a ideia de um século de paz.

Assim, os painéis de guerra e paz de Portinari continuam dramaticamente atuais no século XXI. Não apenas seus riscos, mas principalmente as caras, as expressões humanas dos seus indizíveis sofrimentos de mulheres chorando, com filhos mortos, ajoelhadas diante dos seus corpos. As caras do povo vítima da guerra e sujeito da paz -, que ninguém soube retratar melhor do que Portinari – o pintor da guerra e da paz, o pintor do povo.

Resenhas na RBL – 10.09.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

G. Johannes Botterweck, Helmer Ringgren, and Heinz-Josef Fabry, eds.
Theological Dictionary of the Old Testament: Volume 15: šākar–taršîš
Reviewed by W. Boyd Barrick

Peter H. Davids
The Letters of 2 Peter and Jude
Reviewed by James P. Sweeney
Reviewed by Daniel B. Wallace

Craig A. Evans
Fabricating Jesus: How Modern Scholars Distort the Gospels
Reviewed by Stephen J. Patterson

Michael V. Fox
Ecclesiastes: The Traditional Hebrew Text with the New JPS Translation
Reviewed by Thomas M. Bolin

Garrett C. Kenney
Mark’s Gospel: Lectures and Lessons
Reviewed by Tom Shepherd

Lars Kierspel
The Jews and the World in the Fourth Gospel: Parallelism, Function, and Context
Reviewed by Adele Reinhartz

Jonathan D. Lawrence
Washing in Water: Trajectories of Ritual Bathing in the Hebrew Bible and Second Temple Literature
Reviewed by James W. Watts

Peter J. Leithart
1 and 2 Kings
Reviewed by Randall L. McKinion

Anthony C. Thiselton
1 Corinthians: A Shorter Exegetical and Pastoral Commentary
Reviewed by H. H. Drake Williams III

Dieter Vieweger
Archäologie der biblischen Welt
Reviewed by Jonathan L. Reed

CEBI recomenda para o Mês da Bíblia

O CEBI – Centro de Estudos Bíblicos – está recomendando as seguintes publicações como subsídio para o Mês da Bíblia. Confira na página do CEBI:

Rogério I. DE ALMEIDA CUNHA e CEBI MG, Criação de um outro mundo. Gênesis 1-11, 2007, 133 p. – ISBN 9788577330157
A equipe do CEBI-MG, a exemplo dos anos anteriores, empenhou-se na elaboração de um subsídio para o Mês da Bíblia. O título do trabalho se inspira na diretiva do Fórum Social Mundial: Um outro mundo é possível. Um outro mundo de criação, de trabalho cotidiano a produzir vida em abundância, sem violência, feito como num ensaio, sem escravizações, um outro mundo de carinho feminino, a salvo das águas, na construção da cidade em que Deus quer morar conosco.

Carlos MESTERS e Francisco OROFINO, A Terra é nossa mãe – Gênesis 1-12, 2007, 88 p. – ISBN 9788577330188
A história narrada em Gênesis 1-11 mostra como a maldição se instalou na criação de Deus, onde tudo era bom. A bênção retorna com a vocação de Abraão e Sara. Por isso, Gn 1-11 é a porta de entrada. Gênesis 12 nos coloca dentro da casa. Conforme os autores, o texto foi escrito para devolver a fé, a esperança e o amor a um povo explorado, descrente e desanimado.

Haroldo REIMER e CEBI GO, Gênesis. Casa comum: espaço de vida, cuidado e felicidade. Encontros Bíblicos de Gênesis 1 a 11, 2007, 56 p. – ISBN 9788577330133
Gênesis 1 a 11 são textos onde se encontram as realidades fundamentais da vida humana, as grandes questões da fé: a) a criação e a evolução do mundo material, do universo; b) os seres humanos (pecado, liberdade, graça); c) a ecologia, o mundo como espaço de vida. A equipe do CEBI-GO preparou este material para aprofundá-las, através de roteiros para sete encontros, cada qual com um subsídio de aprofundamento.

Milton SCHWANTES, Gênesis 1-11. Vida, Comunidade e Bíblia, 2007, 68 p. – ISBN 9788577330126
Conforme o autor, estes primeiros capítulos da Bíblia estão entre os mais conhecidos e também os mais explicados. O problema reside em que tipo de pré-compreensão se apossou de Gênesis 1-11. Há uma tendência de se reduzir tudo aos caps. 1-3, paraíso e pecado. É importante, pois, considerar todos os onze capítulos. Em linguagem simples, cativante e profunda, o autor nos conduz pelos onze capítulos, demonstrando a riqueza da narrativa e os detalhes da mensagem.

Utilitários

Passei algum tempo – um bom tempo deste feriado prolongado! – atualizando minhas 5 páginas de informação sobre utilitários.

Como sempre, as explicações estão em inglês e português. Espero, entretanto, que tenham ficado melhores…

Niels Peter Lemche faz aniversário hoje

O grande estudioso dinamarquês Niels Peter Lemche está aniversariando hoje, dia 6 de setembro. Parabéns, Professor, pelos seus 62 anos.

Não conheço Lemche pessoalmente, mas, certa vez, ele me enviou um e-mail muito amável sobre o que escrevi em minha página acerca dos participantes do Seminário Europeu de Metodologia Histórica, sendo ele mesmo um dos mais criativos do grupo. Li alguns de seus livros e vários artigos. Com muito proveito.

Veja a sua produção bibliográfica aqui e aqui. É um nome obrigatório para quem estuda a história do Antigo Israel, com livros imprescindíveis.

Novo script para o blogroll do Google Reader

Se você possui o prático Blogroll construído com o Google Reader e hoje ele parou, de repente, de funcionar, vá até a página do Google Reader e construa um novo script, substituindo o antigo em seu modelo de blog.

Pelo menos o meu parou de funcionar hoje, e, ao fazer isso, ele voltou ao normal. Notei que o script está um pouco diferente do anterior. Se alguém está com o mesmo problema, faça-me saber o que ocorreu, através dos comentários (comments) deste post.

Como ajuda (help) utilize os links que estão em Construa um blogroll com o Google Reader.

What is a clip?
A clip is a compact list of the latest headlines from items with a particular tag. You can easily add a clip to your website or blog by copy-pasting it’s HTML code into your site template. To obtain the HTML code, go to the “tags” tab in the settings page. You’ll also be able to customize your clip’s appearance to match your site.

Resenha de um bom livro sobre o Jesus Histórico

Na Review of Biblical Literature acaba de ser publicada, com data de 1 de setembro de 2007, uma boa resenha do livro de David Gowler sobre o Jesus Histórico, do qual já falei aqui. É o tipo de livro que seria muito útil para nossos alunos de graduação em Teologia, se fosse rapidamente traduzido para o português.

GOWLER, D. B. What Are They Saying About the Historical Jesus? Mahwah, NJ: Paulist Press, 2007, x + 190 p. ISBN 9780809144457. GOWLER, D. B. What Are They Saying About the Historical Jesus? Mahwah, NJ: Paulist Press, 2007, x + 190 p.

A resenha é assinada por Mary J. Marshal, da Murdoch University, Murdoch, Austrália. A resenhista assim termina as 8 páginas em pdf:

Notwithstanding the various concerns expressed above, I consider this volume a most welcome addition to the WATSA series and to the extant range of publications pertaining to the historical Jesus. A feature I find particularly appealing is Gowler’s emphasis on the relevance of the historical Jesus for Christian faith, and I appreciate his reference to John 1:38–39a at the beginning and end of his text (2, 144), to form an inclusio. As he states, “[the] historical Jesus still challenges our hearts, minds, and imaginations, and, as we search for ‘where he is staying,’ he is there before us, dialogically inviting us to ‘Come andsee’ ” (144). While the constraints under which Gowler was working meant that he could not cover the field as comprehensively as he would have liked (ix), he nevertheless showed wisdom in his selection of key scholars. The book provides a valuable overview of contemporary research on the subject, and I strongly recommend it as an introductory volume for students and others who are seeking a deeper understanding of Jesus of Nazareth, his ministry, and his mission.

Sem dúvida, o livro oferece um bom panorama da pesquisa atual sobre a questão do Jesus Histórico.

Leia-se isso em conexão com o que fala Comblin em seu texto sobre um projeto missionário a partir da Conferência de Aparecida. Especialmente quando ele enfatiza a necessidade de uma cristologia fundada sobre um conhecimento mais sólido do Jesus Histórico, que, no documento de Aparecida, segundo Comblin, é um ponto fraco:

A questão é: o que significa a humanidade de Jesus? Qual é o significado das palavras e dos atos de Jesus tais como os evangelhos os relatam? Em que consiste a humanidade de Jesus? O que é ser homem? O texto lembra muitas coisas bonitas tiradas dos evangelhos, que o mostram como mestre de sabedoria e revelador de um modo de vida a ser imitado pelos discípulos. É uma enumeração de atos e palavras belas da vida de Jesus. Falta a síntese e o que reúne todos esses ditos e fatos numa vida humana (129-135). Esta enumeração não diz o significado da vida humana de Jesus, ou seja do seu ministério missionário. A vida dos seres humanos deve interpretar-se a partir do contexto histórico em que ela se situa. Aqui não se fala do contexto histórico, como se Jesus estivesse fora da história, como um mestre que voa acima dos séculos.