Resenhas na RBL – 19.08.2009

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Bill T. Arnold
Genesis
Reviewed by Jan-Wim Wesselius

Margaret Barker
The Hidden Tradition of the Kingdom of God
Reviewed by Benedict Thomas Viviano, O.P.

Adam Green
King Saul: The True History of the First Messiah
Reviewed by Ralph K. Hawkins

Søren Holst
Verbs and War Scroll: Studies in the Hebrew Verbal System and the Qumran War Scrolls
Reviewed by Francis Dalrymple-Hamilton

Hans-Josef Klauck
The Apocryphal Acts of the Apostles: An Introduction
Reviewed by Paul Dilley

Bernard M. Levinson
“The Right Chorale”: Studies in Biblical Law and Interpretation
Reviewed by J. Glen Taylor

Darian Lockett
Purity and Worldview in the Epistle of James
Reviewed by John C. Poirier

Daniel Marguerat, ed.
Introduction au Nouveau Testament: Son histoire, son écriture, sa théologie
Reviewed by V. Henry T. Nguyen

Steve Mason
Flavius Josephus: Translation and Commentary: Vol. 1b: Judean War 2
Reviewed by Marcus Sigismund

Francis J. Moloney
Life of Jesus in Icons: From the “Bible of Tbilisi”
Reviewed by V. Henry T. Nguyen

Martti Nissinen and Risto Uro, eds.
Sacred Marriages: The Divine-Human Sexual Metaphor from Sumer to Early Christianity
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Jacobine G. Oudshoorn
The Relationship between Roman and Local Law in the Babatha and Salome Komaise Archives: General Analysis and Three Case Studies on Law of Succession, Guardianship and Marriage
Reviewed by Judith Evans Grubbs

Kuo-Wei Peng
Hate the Evil, Hold Fast to the Good: Structuring Romans 12.1-15.1
Reviewed by Derek R. Brown

Per Rönnegård
Threads and Images: The Use of Scripture in Apophthegmata Patrum
Reviewed by Mark DelCogliano

Eckhard J. Schnabel
Paul the Missionary: Realities, Strategies and Methods
Reviewed by Torrey Seland


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Evolução e fé cristã segundo Teilhard de Chardin

O futuro que advém. A evolução e a fé cristã segundo Teilhard de Chardin.

Este é o tema de capa da edição 304 da revista IHU On-Line, de 17/08/2009.

Do editorial:
Para entender melhor a genial e peculiar visão de Pierre Teilhard de Chardin sobre a evolução do cosmos, na vigília do IX Simpósio Internacional Ecos de Darwin, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, nos dias 9 a 12 de setembro, na Unisinos, a revista IHU On-Line desta semana, além do professor John Haught, da Universidade de Georgetown, EUA, entrevistou Jacques Arnould, dominicano francês, doutor em Ciências e em Teologia, George Coyne, matemático, astrônomo e jesuíta norte-americano, Ludovico Galleni, cientista italiano, Luís Miguel Sebastião, professor da Universidade de Évora, Portugal, Paul Schweitzer, matemático e professor da PUC-Rio, Pedro Guimarães Ferreira, doutor em Engenharia de Sistemas e Computação e professor na PUC-Rio, e Waldecy Tenório, professor da PUC-SP. Esta edição foi feita em parceria com o Centro de Teologia e Ciências Humanas (CTCH) da PUC-Rio.

Li na…

Dra. Lina e como o PiG(**) e os tucanos funcionam: o assassinato de caráter

Por Paulo Henrique Amorim – Conversa Afiada: 18/08/2009

 

O ministro Ayres Britto deveria enquadrar a GloboNews e a Hippólito em “propaganda partidária”

. A Dra. Lina disse à Folha (*) que a Ministra Dilma Roussef a pressionou para andar depressa com uma investigação da Receita Federal sobre um filho do presidente do Senado.

. A Dra. Lina não sabe quando foi a reunião, a que horas, onde foi a reunião.

. Não tem testemunha.

. Nem prova de que houve a reunião.

. O resto, como dizia o Nelson Rodrigues, é o luar de Paquetá.

. A partir daí, o PiG (**) e os demo-tucanos jogaram o pingue-pongue de sempre.

. Os demo-tucanos jogam para o PiG(**).

. O PiG (**) dá cobertura aos demo-tucanos.

. A partir daí, os demo-tucanos jogam o jogo do “assassínio de caráter”.

. Associar o nome “Dilma Roussef” a um crime.

. Não importa se houve crime.

. Não importa se há cadáver.

. Não importa se o grampo não tem áudio.

. O objetivo é “assassinar o caráter” no PiG (**).

. A Lúcia Hippólito, por exemplo, colonista (***) da GloboNews, considera que a Dra. Lina teve um desempenho impecável.

. O fato de não ter prova da reunião não tem a menor importância.

. O que importa, para a Hippólito, é o que chama de “estilão” da Dilma Rousseff.

. Ou seja, para o PiG(**), é a Dilma Roussef quem tem que provar que NÃO houve a reunião.

. Teria havido, segundo Hippólito, uma reunião “fora da agenda” da Dilma.

. Interessante.

. E por que não está na agenda da Dra. Lina ?

. A Hippólito reúne, GloboNews, o que o PiG(**) tem de mais explícito: é tudo muito normal, desde que a Dilma seja flagrada no local do crime (que não houve). (****)

. “Assassinar o caráter” só é possível porque existe uma ligação genética, orgânica entre o PiG(**) golpista e os demo-tucanos, de golpista tradição.

Em tempo: um amigo navegante acompanhou a tentativa de “assassinato de caráter” de Dilma Rousseff, pela GloboNews. Observou que as intervenções das “supostas” reportagens e “supostos” colonistas (***) deveriam ser enquadradas como “propaganda partidária”. Não há mais qualquer compromisso com a objetividade. A GloboNews é o PSDB. Lúcia Hippólito ainda pertence aos quadros da UDN, de onde jamais saiu. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ministro Ayres Britto deveria dar direito de resposta à Situação. A GloboNews não é News. É opinião. Ela tem parte, ela é um partido político. E o TSE deveria enquadrá-la.

(*)Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.

(**)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

(***)Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (***) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(****) A Hippólito está preocupada com o currículo da Ministra Dilma. E o diploma do Zé Pedágio. Ele é dotado de “notório saber”, Hippólito. “Notório”, como? Quem disse que é “saber notório” .

Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica

X Simpósio Internacional IHU: Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades

“A Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, sob a coordenação do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio, realizará no período de 14 a 17 de setembro de 2009, o X Simpósio Internacional IHU: Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e Impossibilidades.

As profundas transformações socioculturais que caracterizam a sociedade atual como sociedade pós-metafísica vêm ‘transformando profunda e radicalmente não só a idéia de Deus na cultura contemporânea’, mas também as condições e possibilidades do discurso e narrativa de Deus no contexto hodierno. Essa realidade coloca em questão as possibilidades e, também, o significado e relevância do discurso teológico na sociedade em que vivemos na forma como tem se desenvolvido até o presente momento.

Esta situação lança o desafio de uma ampla abordagem acadêmica do tema, numa descrição crítica e analítica da problemática e de sua configuração, em confronto com as ciências e com o cenário plurirreligioso e pluricultural em que se situa. Portanto, o tema será abordado em uma perspectiva transdisciplinar, mediante a contribuição de especialistas de diversas áreas da pesquisa científica, tais como: Teologia, Ciências da Religião, Ciências Sociais e Políticas, Filosofia, Letras, Antropologia, Direito, Educação, Psicologia, Astrofísica, Cosmologia”

:: Objetivos:
Objetivo geral
Promover um debate sobre possibilidades e impossibilidades do discurso sobre Deus numa sociedade pós-metafísica.

Objetivos específicos
1 – Explicitar, transdisciplinarmente, a problemática do discurso cristão sobre Deus no contexto das novas representações do mundo da vida e da sociedade ligadas às novas formas de conhecimento
2 – Visitar as narrativas religiosas de Deus, hoje
3 – Esclarecer os laços entre transcendência e historicidade divinas
4 – Descrever os percursos das narrativas de Deus na contemporaneidade
5 – Debater, de modo transdisciplinar, as possibilidades e impossibilidades de uma narrativa de Deus numa sociedade pós-metafísica
6 – Discutir a pertinência das razões do discurso cristão sobre Deus, hoje
7 – Discernir a contribuição da cultura pós-metafísica para uma possível narrativa de Deus, hoje

Data: de 14 a 17 de setembro de 2009
Local: Anfiteatro Pe. Werner – Av. Unisinos, 950 – São Leopoldo – RS

Fonte: Apresentação do Simpósio no IHU.

2º Congresso da ANPTECRE

:: ANPTECRE: Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião

:: Primeiro Congresso: foi realizado na PUC-SP, de 27 a 29 de agosto de 2008
:: Tema: Teologia e Ciências da Religião: Trajetórias, Desafios, Perspectivas

:: Segundo Congresso: será realizado na PUC-Minas, de 24 a 27 de agosto de 2009
:: Tema: Fenomenologia e Hermenêutica do Religioso

“O 2º Congresso da ANPTECRE é o principal evento, em 2009, da Sub-Comissão de Teologia, à qual estão associados os PPGs de Teologia e Ciências da Religião. Ele dá continuidade às discussões dos últimos anos sobre a epistemologia própria a esses dois âmbitos do saber, que antecederam ao processo de criação, em agosto de 2008, da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião – ANPTECRE.

O tema da epistemologia se prolonga neste 2º Congresso com o dos dois principais métodos de abordagem do fenômeno religioso no último século: o da fenomenologia e o da hermenêutica. A permanência na temática epistemológica se deve ao momento histórico pelo qual passam os PPGs de Teologia e Ciências da Religião no Brasil. Inseridos até o momento na Área da Filosofia, eles encetaram um rico percurso juntos, visando à sedimentação da pesquisa nesses âmbitos importantes do saber em nosso país, que é o religioso em geral e o cristianismo em particular. Esse percurso tem sido de grande enriquecimento para os dois tipos de programa, apesar das distintas epistemes de ambos.

Vários campos do saber estão envolvidos nas pesquisas desses Programas, desde os das distintas áreas da teologia cristã (exegese bíblica, teologia da práxis, teologia sistemática), aos das áreas das Ciências da Religião (psicologia, sociologia, antropologia, filosofia). Todos os pesquisadores dos Programas associados à ANPTECRE estão envolvidos na temática proposta neste II Congresso, bem como pesquisadores de outros âmbitos do saber, seja pela relevância que a problemática religiosa possui no Brasil, seja pela contribuição que as distintas expressões do cristianismo têm dado ao processo de construção da cultura e da cidadania em nosso país” (da Apresentação do II Congresso da ANPTECRE).

Seminário em memória de Frei Tito

Seminário homenageia memória de Frei Tito de Alencar nos 35 anos de sua morte

Na semana em que completa 35 anos da morte do religioso dominicano, Frei Tito de Alencar Lima, a cidade de Barbalha, na região do Cariri, Ceará, realiza o I Seminário Frei Tito de Alencar: Vida e Obra, em que homenageia a memória do mártir cearense. O evento será realizado na próxima quarta-feira, 19, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade de Barbalha, a partir das 19h. A iniciativa é da Secretaria de Cultura e Turismo da cidade e conta com Parceria do Instituto Frei Tito, Universidade Regional do Cariri (Urca) e Diocese do Crato (CE). O seminário é aberto ao público e apresentará palestras e debates. Um dos principais momentos acontece na mesa de debate que relata a vida e a obra do frei dominicano, com as temáticas: Igreja, Família e História. A pedagoga e coordenadora do Instituto Frei Tito, Lúcia Rodrigues Alencar Lima, sobrinha do religioso, é uma das palestrantes. Símbolo de luta pelos direitos humanos, militando desde a juventude quando ainda era estudante, Frei Tito foi morar na capital pernambucana, Recife, quando assumiu a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963. Cinco anos depois, em outubro de 1968, ele foi preso por participar ativamente de um congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna (SP). O frei foi duramente perseguido pelos militares durante o período da ditadura, sendo torturado nos porões da então chamada Operação Bandeirantes. Entre as freqüentes seções de tortura, Tito relatou em carta tudo o que lhe acontecia, denunciando a crueldade da repressão militar. O documento ficou conhecido mundialmente relatando o que acontecia em território brasileiro. Desde então, Frei Tito ficou marcado como símbolo da luta em defesa dos direitos humanos. Mas a traumática experiência deixou seqüelas. O religioso sofreu o resto dos seus dias com as lembranças da tortura, que nem um tratamento psiquiátrico conseguiu apagar. Frei Tito foi encontrado morto, suspenso por uma corda amarrada num galho de árvore, em Lyon, na França, em 10 de agosto de 1974.

Fonte: Adital: 14/08/2009

Convivi com Frei Tito em Roma, quando, a caminho da França, ele ficou hospedado, por alguns dias, no Colégio Pio Brasileiro, onde eu, estudante de Bíblia na época, morava. Quando chegou ao Pio Brasileiro a notícia de sua morte, ficamos muito consternados.

Gripe Suína e as Igrejas: Medidas Preventivas

Arquidioceses do país tomam medidas preventivas contra a Gripe A

Seguindo recomendação do ministro da saúde, José Gomes Temporão quando afirma não ser prudente permanecer em meio a aglomerado de pessoas, algumas arquidioceses do Brasil estão tomando medidas preventivas contra a Gripe A (Influenza A ou Gripe Suína).

Por iniciativa dos bispos diocesanos, as medidas tomadas entre as arquidioceses são quase sempre as mesmas, ou seja: adiamento de Ordenações Sacerdotais; cancelamento de Romarias; cancelamento de Encontro; cancelamento de Peregrinações; a proibição da recepção da comunhão na boca e sim nas mãos; evitar o abraço da paz e dar as mãos à oração do Pai-Nosso; retirar a água benta da entrada das igrejas; e nas celebrações eucarísticas dominicais e novenas, as igrejas devem ficar o mais ventilada possível, entre outras.

Em muitas regiões do país, onde a pandemia da Gripe A está mais contundente, algumas dioceses, como as de Ponta Grossa e de Criciúma (ambas no Paraná) pedem aos fiéis que estão gripados que permaneçam em casa, em recuperação. Já as arquidioceses de Belo Horizonte, de Florianópolis, da Paraíba e do Rio de Janeiro orientaram as paróquias a seguirem todas as medidas que informam o Ministério da Saúde.

Fonte: CNBB: 12/08/2009

 

Abordando Yehud

Interessante a leitura do capítulo inicial da obra mencionada em post anterior, O paradigma bíblico exílio-restauração caducou? Escrito pelo organizador do livro, Jon L. Berquist, Approaching YehudAbordando Yehud [ou para quem não concorda com o galicismo “abordar”, pode ser “Olhando Yehud mais de perto” “Examinando Yehud”, ou algo do gênero] -, nas p. 1-5, faz uma boa síntese do que eram os estudos sobre a época persa desde o final do século XIX e que rumo tomaram nos últimos vinte e poucos anos. Lembro ao leitor que Yehud é o nome aramaico do Judá pós-monárquico.

Berquist começa seu texto lembrando que no final do século XIX e começo do século XX foram feitos interessantes estudos sobre a época persa. Ele cita três autores: Johann N. Strassmaier e seus dois volumes sobre as Inscrições de Ciro e Cambises [Inschriften von Cyrus; Inschriften von Cambyses. Leipzig, 1890]; Herbert Cushing Tolman, Ancient Persian Lexicon. New York, 1908; Arthur E. Cowley, Aramaic Papyri ot the Fifth Century B.C. Oxford, 1923.

E acrescenta que nos primeiros anos do século XX os estudiosos reconheciam a influência do Império Persa na organização social e política da Jerusalém dos séculos quinto e quarto a. C. e especulavam sobre as conexões possíveis entre o zoroastrismo e os nascentes judaísmo e cristianismo.

Entretanto, diz ele, estes estudos não exerceram grande influência sobre a corrente dominante dos estudos bíblicos, que refletiam muito mais a visão wellhauseniana [Julius Wellhausen: 1844-1918] de que o período mais importante da história de Israel fora a monarquia, sendo o época pós-exílica uma era menor, herança decadente daquela, e, além do mais, legalista, marca que acabou firmemente colada ao judaísmo nos meios acadêmicos.

Quando se chegou à metade do século XX, com raras exceções, a época persa em Yehud estava caracterizada como aquela da qual pouco podíamos saber e/ou dizer, sem nenhum fato histórico relevante, com escassa documentação extrabíblica ou arqueológica, sem nenhuma criação literária de peso e por aí afora. Este panorama estava ancorado no sólido conhecimento que pensávamos ter da época monárquica. Hoje, este “sólido conhecimento” anda meio perrengue!

Entre 1960 e 1980 os estudos bíblicos tinham construído um sólido consenso sobre o exílio e a restauração de Israel. Suas principais teses:
:: a deportação babilônica de 587/6 a.C. deixou praticamente vazia a terra de Israel
:: a comunidade deportada para a Babilônia era a herdeira legítima das antigas tradições israelitas
:: o período exílico foi fundamental na escrita e padronização da maior parte das antigas tradições literárias e teológicas
:: os exilados estavam unidos em seu projeto de reconstrução do Templo de Jerusalém como centro de sua experiência religiosa
:: este projeto se traduzia em algumas expectativas messiânicas
:: a ascensão do persa Ciro ao poder em 539 a. C. levou ao retorno em massa dos exilados judaítas na Babilônia
:: estas pessoas tornaram-se os líderes da comunidade de Jerusalém reestruturada como comunidade do Templo em seu desejo de restauração do Primeiro Templo

Enquanto isso, estudos sobre a história dos Aquemênidas – os governantes persas – avançavam. Especialmente a partir da década de 80 do século XX, como as pesquisas de Muhammad Dandamayev (1984; 1989), Pierre Briant (1992; 2002), o grupo de trabalho de Groningen que começou em 1983, os estudos socioantropológicos de grupos de estudo da SBL, proporcionando às novas gerações uma mudança de perspectiva.

Que talvez possa ser traduzida, em sua melhor forma, na mudança de paradigma do conceito de exílio e restauração para o de império e colônia [referia-me, especialmente a isto no post anterior sobre este livro]. Esta mudança levou a uma nova compreensão da realidade de Jerusalém e arredores na época persa. e produziu um número considerável de estudos sobre Yehud como colônia do Império Persa.

Estas novas perspectivas influenciaram muitos comentários, como os de David L. Petersen, Haggai and Zechariah 1-8. Philadephia, 1985; Carol L. Meyers & Eric M. Meyers, Haggai, Zechariah 1-8. New York, 1987; Joseph Blenkinsopp, Ezra-Nehemiah. Philadelphia, 1988. Ou monografias, como as de Daniel L. Smith-Christopher, The Religion of the Landless: The Social Context of the Babylonian Exile. Bloomington, 1989; Kenneth Hoglund, Achaemenid Imperial Administration in Syria-Palestine and the Missions of Ezra and Nehemiah. Atlanta, 1992; Jon L. Berquist, Judaism in Persia’s Shadow: A Social and Historical Approach. Minneapolis, 1995.

Os estudos da Escola de Copenhague – os chamados “minimalistas” – chamaram a atenção para as épocas persa e helenística como cruciais na construção da literatura que chamamos de Bíblia Hebraica. Como os estudos de Niels Peter Lemche e de Philip R. Davies, entre outros. Ou os que questionaram o mito da terra vazia durante o exílio, como Hans M. Barstad e Robert P. Carrol.

Todo este processo levou a época persa a reconquistar sua identidade, abandonando seu papel de transição entre a monarquia e o judaísmo e/ou cristianismo.

E embora um novo consenso não tenha sido construído em torno da época persa, há um significativo número de hipóteses de trabalho que são partilhadas pelos pesquisadores quando tratam do assunto, como:
:: as invasões babilônicas no começo do século VI a. C. removeram apenas uma minoria da população da região de Judá
:: apenas uma minoria de exilados judaítas na Babilônia migrou para Yehud a partir de 539 a. C. e este foi um lento processo, de décadas
:: a população de Jerusalém e arredores durante a época persa era muito menor do que se imaginava, caindo de dezenas de milhares para poucos milhares
:: o tempo do exílio produziu pouca literatura, mas muito daquilo que viria a se constituir como Bíblia Hebraica foi produzido a partir do século V a. C.
:: nunca houve unidade entre os habitantes do Yehud, sendo o conflito social uma marca constante deste período, inclusive em questões relativas à construção e funcionamento do Segundo Templo
:: a cultura de Yehud foi fortemente marcada pela política imperial persa e sua interferência social e ideológica na região pode ser percebida nos escritos da Bíblia Hebraica produzidos nesta época
:: conhecer a estrutura econômica de Yehud como colônia persa é fundamental para a compreensão da sociedade e da literatura da época
:: Yehud foi palco de conflitos e definições étnicas, sendo, por isso, seu estudo importante para entender o que acontece nos séculos seguintes.

A partir deste ponto, Jon L. Berquist vai apresentar brevemente os 11 ensaios e as 2 réplicas que constituem o livro. E que prefiro transcrever aqui a partir do sumário:

Ensaios:
:: Melody D. Knowles, Pilgrimage to Jerusalem in the Persian Period
:: Richard Bautch, Intertextuality in the Persian Period
:: Donald C. Polaski, What Mean These Stones? Inscriptions, Textuality and Power in Persia and Yehud
:: David Janzen, Scholars, Witches, Ideologues, and What the Text Said: Ezra 9–10 and Its Interpretation
:: Christine Mitchell, “How Lonely Sits the City”: Identity and the Creation of History
:: Brent A. Strawn, “A World Under Control”: Isaiah 60 and the Apadana Reliefs from Persepolis
:: Jean-Pierre Ruiz, An Exile’s Baggage: Toward a Postcolonial Reading of Ezekiel
:: John Kessler, Diaspora and Homeland in the Early Achaemenid Period: Community, Geography and Demography in Zechariah 1–8
:: Herbert R. Marbury, The Strange Woman in Persian Yehud: A Reading of Proverbs 7
:: Jennifer L. Koosed, Qoheleth in Love and Trouble
:: Jon L. Berquist, Psalms, Postcolonialism, and the Construction of the Self

Réplicas:
:: Alice W. Hunt, In the Beginning-Again
:: Julia M. O’Brien, From Exile to Empire: A Response

Jon L. Berquist faz ainda uma série de considerações sobre os temas tratados e os métodos utilizados pelos autores que produziram este texto.

Lembro também que há uma extensa bibliografia no final do livro, ocupando as páginas 215-246.

Resenhas na RBL – 06.08.2009

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Mieke Bal
Loving Yusuf: Conceptual Travels from Present to Past
Reviewed by Rebecca Raphael

Roland Boer
Last Stop Before Antarctica: The Bible and Postcolonialism in Australia
Reviewed by Steed Vernyl Davidson

Cilliers Breytenbach and Jörg Frey, eds.
Aufgabe und Durchführung einer Theologie des Neuen Testaments
Reviewed by Willard M. Swartley

Timothy Clack and Marcus Brittain, eds.
Archaeology and the Media
Reviewed by Yuval Gadot

Gudrun Holtz
Damit Gott sei alles in allem: Studien zum paulinischen und frühjüdischen Universalismus
Reviewed by Lars Kierspel

Joseph F. Kelly
The Birth of Jesus according to the Gospels
Reviewed by J. Samuel Subramanian

Andreas J. Kostenberger and Scott R. Swain, eds
Father, Son and Spirit: The Trinity and John’s Gospel
Reviewed by Martijn Steegen

Tom Thatcher, ed.
Jesus, the Voice, and the Text: Beyond The Oral and the Written Gospel
Reviewed by Stephan Witetschek

C. Adrian Thomas
A Case For Mixed-Audience with Reference to the Warning Passages in the Book of Hebrews
Reviewed by Gert J. Steyn

Felipe Blanco Wißmann
“Er tat das Rechte”: Beurteilungskriterien und Deuteronomismus in 1Kön 12-2Kön 25
Reviewed by Ernst Axel Knauf

Leslie S. Wilson
The Book of Job: Judaism in the Second Century BCE: An Intertextual Reading
Reviewed by F. Rachel Magdalene


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