O comércio clandestino de bens culturais e o saque da Mesopotâmia

O comércio clandestino de bens culturais só é superado, no mundo, pelo tráfico de drogas e de armas, afirma o Iphan.

Na sexta-feira, dia 24 de fevereiro de 2006, quatro quadros foram roubados em museu do Rio de Janeiro. Quadros de Dalí, Picasso, Monet e Matisse. Segundo a Folha Online de hoje,

a falta de segurança e a riqueza dos acervos das igrejas e museus fizeram com que o Brasil passasse a alvo das quadrilhas especializadas no tráfico de bens culturais, informou ontem a Interpol. De acordo com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o comércio clandestino de bens culturais só é superado, no mundo, pelo tráfico de drogas e de armas (cont.)

Considerado sob tal perspectiva, parece impossível sequer imaginar o tamanho do desastre que está acontecendo com a herança cultural da antiga Mesopotâmia no Iraque. Mas o incrível mesmo é que até os especialistas se acostumam e as denúncias (quase) desaparecem. Para não dizer do público em geral, para quem o fato parece não ser mais tão relevante…

Recomendo especialmente aos meus alunos de História de Israel que considerem os sites listados abaixo. Mesmo com textos em inglês, há muitas fotos, várias delas de sítios e artefatos arqueológicos dos quais estamos falando nas aulas destes dias no item Noções de Geografia do Antigo Oriente Médio.

Leia Mais:
Lost Treasures from Iraq
The Iraq War & Archaeology (veja especialmente: Running tally of sites looted and damaged because of the Iraq War, que lista os sítios arqueológicos saqueados e danificados)

A invasão do Iraque pode ampliar as dimensões da Guerra Assimétrica

Lembro aqui o que disse o urbanista e filósofo francês Paul Virilio em entrevista à Folha Online em 6 de abril de 2003: “Acredito que a ‘guerra preventiva’ é uma forma de crime contra a humanidade. Ela não será a primeira batalha de uma 3ª Guerra Mundial, mas o primeiro passo para uma espécie de guerra civil globalizada (…) É uma ameaça verdadeira contra a humanidade”.

 

Guerra no Iraque elevou medo de terror, diz pesquisa

Uma pesquisa global realizada a pedido da BBC com mais de 40 mil pessoas em 35 países indica que a maior parte da população mundial acredita que a guerra no Iraque aumentou o risco de ataques terroristas em todo o mundo. O levantamento aponta que, em média, 60% dos entrevistados concordaram que o risco de atentados cresceu, 12% disseram que a probabilidade de ataques terroristas diminuiu e 15% afirmaram que a guerra no Iraque não teve efeito sobre o risco de atentados. Em 33 países, incluindo o Brasil, a maior parte dos entrevistados disse que o conflito no Iraque aumentou as chances de que novos ataques sejam realizados. “A quase unanimidade dessa avaliação entre os países é fora do comum em pesquisas globais de opinião pública”, afirma Steven Kull, diretor do programa da Universidade de Maryland que estuda a opinião pública em assuntos internacionais. “Apesar do governo Bush ter apontado a intervenção no Iraque como uma maneira de combater o terrorismo, em todo o mundo, incluindo nos Estados Unidos, a maioria das pessoas disse que isso aumentou a probabilidade de ataques terroristas”, acrescenta Kull (…) Em 22 países, a maior parte dos entrevistados apontou a ação militar liderada pelos Estados Unidos para derrubar Saddam Hussein como “um erro”. Nos outros 13 países, a ofensiva no Iraque foi considerada uma “decisão correta” pela maior parte dos entrevistados. Em média, 45% dos entrevistados disseram que a iniciativa de tirar Saddam do poder foi um erro, e 36% afirmaram que foi a decisão correta. “É oficial: os cidadãos em todo o mundo acreditam que os líderes ocidentais cometeram um erro fundamental em sua guerra contra o terror ao invadir o Iraque”, comenta Doug Miller, presidente da companhia GlobeScan. A pesquisa mundial da BBC foi coordenada pela GlobeScan, em parceria com a Universidade de Maryland, e conduzida por empresas locais entre outubro de 2005 e janeiro de 2006. A margem de erro do levantamento varia de 2,5 a 4 pontos percentuais, dependendo do país pesquisado. No Brasil, as entrevistas foram realizadas em oito capitais pela empresa Market Analysis, baseada em Florianópolis.

Fonte: BBC Brasil – Folha Online: 28/02/2006

 

 

Iraq makes terror ‘more likely’

People across the world overwhelmingly believe the war in Iraq has increased the likelihood of terrorist attacks worldwide, a poll for the BBC reveals. Some 60% of people in 35 countries surveyed believe this is the case, against just 12% who think terrorist attacks have become less likely. In most countries, more people think removing Saddam Hussein was a mistake than think it was the right decision. Some 41,856 people were questioned in the poll for the BBC’s World Service (…) “It’s official. Citizens worldwide think Western leaders have made a fundamental mistake in their war on terror by invading Iraq,” says Doug Miller, president of the international polling firm GlobeScan, which carried out the survey. “Short of the Iraqi government asking them to stay longer, people think the troops should leave,” he says. The countries most eager for US coalition withdrawal are Argentina (80%), Egypt (76%), China (67%) and Brazil (67%). Those which favour troops staying for the time being are the US (58%), Afghanistan (58%), Australia (57%) and Great Britain (56%). However, the picture would be very different should the new Iraqi government ask US-led forces to remain until the situation was stabilised. In that case, there is support in 21 of 34 countries for the coalition to stay. Iraqis themselves are sharply divided over whether US-led forces should leave, with 49% favouring their removal and 49% favouring them to remain. Support for troops staying rises only slightly, to 53%, if the Iraqi government requests it. Iraqis are the most convinced that the removal of Saddam Hussein was right, with 74% agreeing with the move. US President George W Bush has ruled out any hasty withdrawal from Iraq, saying the decision to will be made by military commanders, and not under political pressure.

Fonte: BBC – Tuesday, 28 February 2006

Viver é muito perigoso, diz Riobaldo. O senhor não concorda?

Folha Online: 27/02/2006 – 13h37

Alemanha desmente participação na invasão do Iraque


da Efe, em Berlim

O governo alemão desmentiu nesta segunda-feira informações publicadas pelo jornal americano “The New York Times”, segundo as quais os serviços secretos germânicos colaboraram com os Estados Unidos na invasão do Iraque em 2003. O porta-voz do governo alemão, Hans-Ulrich Wilhelm, disse que “não são certas” as informações do diário, que informa que os dois agentes alemães em Bagdá forneceram aos EUA o plano de Saddam Hussein para a defesa da capital iraquiana. O “New York Times” baseia suas informações num relatório secreto do Pentágono, que também diz que o Egito (cont.)


Riobaldo tem razão: a gente vive é caminhando de costas! Então a Alemanha não se opunha bravamente à invasão do Iraque?


The New York Times: February 27, 2006

German Intelligence Gave U.S. Iraqi Defense Plan, Report Says

By Michael R. Gordon

Two German intelligence agents in Baghdad obtained a copy of Saddam Hussein’s plan to defend the Iraqi capital, which a German official passed on to American commanders a month before the invasion, according to a classified study by the United States military (cont.)