O livro de Oseias na pesquisa do século XX

Atualizado em

KELLE, B. E. Hosea 4–14 in Twentieth-Century Scholarship. Currents in Biblical Research, 8.3, p. 314-375, 2010. Disponível online.

Brad E. Kelle escreveu dois artigos importantes sobre a pesquisa de Oseias no século XX e primeira década do século XXI. Do primeiro, de 2009, sobre O casamento de Oseias na pesquisa do século XX, resumi alguns pontos aqui, aqui, aqui e aqui. Do segundo, sobre Oseias 4-14, de 2010, começo a falar agora. Ele diz na introdução do artigo, nas p. 315-316:

The study of the book of Hosea in the twentieth century and the opening decade of the twenty-first century has been a curious mixture of breadth and myopia, tradition and innovation. On the one hand, scholarship has ranged broadly across interpretive issues relevant to all aspects of the book as a whole, and many of these issues represent the traditional questions that have long been germane to the critical study of all the Hebrew Bible’s prophetic literature. On the other hand, Hosea scholarship in recent decades has witnessed the emergence of innovative approaches to various aspects of the book, including in particular the study of metaphor and its relationship to rhetoric, gender construction, and socio-economic ideologies and structures. Both the traditional and these innovative approaches, however, have operated with an overwhelmingly myopic focus on the marriage metaphor in Hosea 1–3, often to the exclusion of serious engagement with other parts of the book.

The contradictory tendencies toward breadth and myopia have shaped the modern study of Hosea 4–14 in particular (for major surveys of the history of interpretation of Hosea as a whole, see Craghan 1971; Clements 1975; Williams 1975; Seow 1992; Davies 1993; Heintz and Millot 1999; Neef 1999; Sherwood 2004; Kelle 2005). Interpreters have often overlooked the pressing issues found in chs. 4–14 in favor of those raised by the stories and sayings ostensibly related to Hosea’s personal life. For some scholars, chs. 1–3 have served to establish the primary interpretive framework through which all subsequent portions of the book were understood.

Since the final decades of the twentieth century, works within Hosea scholarship evidence an increasing move away from both of the tendencies to underemphasize the interpretive issues in chs. 4–14, and to drive a wedge between the content and dynamics of chs. 1–3 and 4–14. This move has led to fresh considerations of the materials in Hosea 4–14, with, for example, new attention being placed on the text’s metaphors on their own terms, and to the possible shared compositional settings and ideological functions for the book as a whole.

This article sketches the major contours and trends of the modern interpretation of Hosea 4–14, with particular attention being given to scholarship in the second half of the twentieth century (for a similar survey of Hosea 1–3, see Kelle 2009). Unlike the scholarly discussion of other major prophetic collections, such as the book of Isaiah, or even of the marriage imagery in Hosea 1–3, the study of chs. 4–14 does not exhibit a clear movement in which newer methodological perspectives have steadily replaced older, traditional approaches. Rather, nearly all of the long-standing scholarly pursuits concerning chs. 4–14 remain alive in the current critical conversation. Yet, scholars now ask the traditional questions from new angles and bring them into conversation with some previously unexplored lines of inquiry, both of which have largely been generated by interdisciplinary influences, especially those derived from social-scientific analysis and metaphor theory. Form criticism, for example, perhaps constitutes the classic approach to Hosea 4–14, and this perspective continues to occupy a prominent place in examinations of these chapters. But the scholarly literature now places Wolff’s seminal form-critical analysis (1974) alongside Ben Zvi’s reformulation of Hosea’s genre, setting, and function in the provenance of scribal circles in post-exilic Yehud (2005). These reconsiderations of traditional pursuits take shape alongside previously unexplored lines of inquiry, such as synchronic, literary, and theological readings, Book of the Twelve studies, and metaphor theory, which are finding an increasingly prominent place in Hosea scholarship.

 Currents in Biblical ResearchO estudo do livro de Oseias no século XX e na primeira década do século XXI foi uma mistura curiosa de abertura e miopia, tradição e inovação. Por um lado, a pesquisa abrange amplamente questões interpretativas relevantes para todos os aspectos do livro como um todo, e muitas dessas questões representam os problemas tradicionais que há muito tempo são pertinentes para o estudo crítico de toda a literatura profética da Bíblia Hebraica. Por outro lado, a pesquisa de Oseias nas últimas décadas testemunhou o surgimento de abordagens inovadoras para vários aspectos do livro, incluindo, em particular, o estudo da metáfora e sua relação com a retórica, a construção de gênero e as estruturas e ideologias socioeconômicas. As abordagens tradicional e inovadora, no entanto, operaram com um foco predominantemente míope quando trataram da metáfora do casamento em Oseias 1–3, levando muitas vezes à falta de envolvimento sério com outras partes do livro.

As tendências contraditórias em relação à abertura e à miopia moldaram, especialmente, o estudo moderno de Oseias 4–14. Os intérpretes negligenciaram frequentemente os problemas mais importantes encontrados no capítulos 4–14 em favor dos que foram levantados pelas narrativas relacionadas à vida pessoal de Oseias. Para alguns estudiosos, os capítulos 1-3 serviram para estabelecer a estrutura interpretativa primária através da qual todas as partes subsequentes do livro foram compreendidas.

Entretanto, desde as últimas décadas do século XX, a pesquisa de Oseias mostra um distanciamento cada vez maior destas tendências que subestimam as questões interpretativas nos capítulos 4–14 e que criam uma divisão entre o conteúdo e a dinâmica dos capítulos 1–3 e 4–14. Esse movimento levou a novas considerações sobre os materiais em Oseias 4–14, por exemplo, com nova atenção sendo dada às metáforas do texto em seus próprios termos e aos possíveis cenários de composição compartilhada e funções ideológicas para o livro como um todo.

Este artigo traça os principais contornos e tendências da interpretação moderna de Oseias 4–14, com especial atenção para os estudos da segunda metade do século XX. Ao contrário da discussão acadêmica de outras grandes coleções proféticas, como o livro de Isaías, ou mesmo das imagens do casamento em Oseias 1–3, o estudo dos capítulos 4–14 não apresenta um movimento claro no qual novas perspectivas metodológicas substituíram nitidamente as abordagens tradicionais mais antigas. Em vez disso, quase todas as antigas pesquisas acadêmicas sobre os capítulos 4–14 permanecem vivas na atual abordagem crítica. No entanto, os estudiosos agora fazem as perguntas tradicionais a partir de novos ângulos e as colocam em diálogo com algumas linhas de pesquisa anteriormente inexploradas, ambas amplamente geradas por influências interdisciplinares, especialmente aquelas derivadas da análise sociocientífica e da teoria da metáfora. A crítica formal, por exemplo, talvez constitua a abordagem clássica de Oseias 4–14, e essa perspectiva continua a ocupar um lugar de destaque nos exames desses capítulos. Mas a literatura erudita agora coloca a análise crítica da forma seminal de Wolff (1974), juntamente com a reformulação de Ben Zvi do gênero, cenário e função de Oseias na origem dos círculos de escribas no Yehud pós-exílico (2005). Essas reconsiderações das atividades tradicionais tomam forma ao lado de linhas de pesquisa anteriormente inexploradas, como leituras sincrônicas, literárias e teológicas, os estudos do Livro dos Doze e a teoria da metáfora, que estão encontrando um lugar cada vez mais destacado na pesquisa de Oseias.

As metáforas de Oseias 1-3

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Brad E. Kelle no artigo sobre Oseias 1-3, p. 202-208, trata dos estudos que olham o texto a partir de suas metáforas.

As the discussion thus far demonstrates, virtually every interpretive trend in scholarship on Hosea 1–3 has concerned itself in some way with the text’s metaphors. Since the 1980s, however, the study of Hosea through the lens of metaphor, especially the use of metaphor theory and the question of the primary function of the text’s marriage imagery, has achieved the dominant position in Hosea scholarship. Naturally, such studies make use of insights from historical reconstruction, comparative data, and gender analysis, but they are characterized by a central concern to elucidate the primary underlying issue(s) or rhetorical focus that stands behind Hosea’s metaphors. Part of the explanation for the prominence of these metaphorfocused studies is dissatisfaction with the results of biographical and historical readings.

(…)

In the various metaphor studies, we find three predominant interpretations of the overall rhetorical issue and metaphorical imagery in Hosea 1–3, with many overlapping features among them:
1. cultic-religious interpretation;
2. socio-economic interpretation; and,
3. historical-political interpretation.

(…)

1. Cultic-religious interpretation

The longest-standing interpretation of the imagery of Hosea 1–3, which has attained nearly unanimous support during various periods of the twentieth century, Brad E. Kelle – Point Loma Nazarene University, San Diego, Californiaunderstands the discourse as addressing a widespread religious conflict in eighth-century Israel between Yahwism and Baalism, and as symbolizing Israel’s apostasy through some form of the veneration of Baal (…) Since virtually all cultic-religious interpretations of Hosea 1–3 link these chapters in some way with a supposed Baalism active in Hosea’s day, scholarship has often looked to the text’s metaphors as sources for reconstructing the history of Israelite religion. Such religio-historical study has produced a massive amount of scholarly attention, and has moved from a relatively stable consensus in the middle of the twentieth century to a state of fragmented debate at present. General questions center on the proper definitions of Baal and Baalism in relation to Hosea’s language and imagery.

(…)

The purported practice of cultic prostitution formed the most prominent example of such fertility interpretations of Hosea 1–3. Scholars drew evidence for this practice primarily from prophetic texts and classical writers like Herodotus, and suggested that Hosea’s sexual imagery portrays Israel as literally engaging in such rituals to Baal (e.g., Mays 1969: 3; Jacob, Keller, and Amsler 1965: 20). Since the 1980s, however, scholars have challenged nearly every aspect of the commonly cited literary and archaeological evidence for this practice in general, and its relevance for the study of Hosea 1–3 in particular (see Bucher 1988; Bird 1989; Nwaoru 1999; Keefe 2001; Kelle 2005). The present consensus seems to be that the notion of an institution of cultic prostitution providing the background for texts like Hosea 2 can no longer be sustained without great caution. These developments concerning the specific notion of cultic prostitution are representative of the changes that have occurred in the last two decades concerning the overall idea of a literal, sexual Baal cult as the key to the religious interpretation of Hosea’s metaphors. Virtually every ‘fertility rite’ proposed by earlier scholars (cultic prostitution, ritual defloration, sexual promiscuity at Baalistic worship festivals, etc.) has come under scrutiny, and the scholarly consensus has moved away from even the general concept of sexualized cultic practices as the background for a religious interpretation of Hosea 1–3’s central rhetorical issue.

(…)

Although the lack of evidence for a sexualized Baal cult in Hosea’s day has led most scholars to move away from cultic, fertility interpretations of Hosea 1–3, the dominant reading of these chapters continues to see widespread, non-sexual Baal worship in eighth-century Israel as the interpretive key for the text’s metaphors (e.g., Stuart 1987; Bucher 1988; Bird 1989; Garrett 1997). Hence, while the metaphors of fornication and adultery may not refer to literal sexual activity, they serve as negative metaphors describing Israel’s veneration of Baal. In keeping with recent changes in the study of the history of Israelite religion, however, the religious interpretation of Hosea 1–3 has become more complex than the notion of a simple conflict between Yahwism and Baalism. Some recent treatments, for example, identify the background of Hosea’s metaphors not as the Israelites’ abandonment of Yahweh for Baal, but as their syncretistic practice of blending or identifying Yahweh with Baal.

(…)

In sum, the dominant religious interpretation of the metaphors of Hosea 1–3 takes many forms in present scholarship, including a conflict between the rival gods Yahweh and Baal, the veneration of numerous local deities, the blending of Yahweh and Baal in Israelite worship, and the presence of ‘non-orthodox’ forms of Yahwism as a part of ‘popular’ religion. These various religious reconstructions and rhetorical analyses, as opposed to the literal sex-cult readings of earlier in the twentieth century, represent the present primary form of the religious interpretation of Hosea’s language and imagery.

2. Socio-economic interpretation

A socio-economic reading of the metaphors of Hosea 1–3 has emerged more recently (…) These studies read the prophet’s speech as directly concerned with shifting social, political, and economic relationships among king, cult, priest, and prophet within Israel’s body politic (…) The female body being prostituted in Hosea 1–3 ymbolizes the social body of eighth-century Israel in the midst of a crisis over communal identity and socio-economic practice (…) Through the symbol of a female body that accepts illegitimate lovers, Hosea condemns Israel’s social body, especially the royal elites who govern it, as accepting a new social organization based on land accumulation and dispossession.

3. Historical-political interpretation

A number of individual studies of different aspects of Hosea 1–3 have moved toward a more thoroughly political interpretation of Hosea’s metaphors (…) Citing the lack of evidence for widespread Baal worship in eighth-century Israel, some of these works (e.g., Schmitt 1989) examine the wife/mother image in Hosea 2 against its ancient Near Eastern background as a metaphor for the capital city of Samaria, and thus for the political leaders who rule there. Others observe the prevalent use of ‘lovers’ as a metaphor for allies in ancient Near Eastern political treaties and biblical texts (see Ackerman 2002; Yee 2003: 104; Kelle 2005: 112-22), as well as the use of ‘fornication’ as a metaphorical vehicle for political and commercial alliances (e.g., Day 2006).

(…)

From these and other observations, Kelle has suggested that Hosea 2 in particular is a rhetorical discourse that attempts to persuade the prophet’s audience to a particular perspective regarding a political crisis. Hosea condemns the political rulers in the capital city of Samaria for their involvement with Aram-Damascus during the Syro-Ephraimitic War by feminizing them as sexually loose women, labeling their political alliances as fornication and adultery, and using the term ‘baal’ for their Aramean ally, in order to evoke an association with sinful Baal worship of Israel’s earlier history. Thus, the metaphors of Hosea 2 work together as a rhetorical speech that offers a metaphorical and theological commentary on the political affairs of Samaria at the time of the Syro-Ephraimitic War, ultimately asserting that the ‘political misdeeds of Samaria and her rulers are equivalent to the religious apostasy of previous generations and constitute a complete abandonment of Yahweh’ (Kelle 2005: 283-84).

 

 

KELLE, B. E. Hosea 2: Metaphor and Rhetoric in Historical Perspective. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2005Como se pode perceber, virtualmente toda tendência interpretativa nos estudos sobre Oseias 1–3 preocupou-se de alguma forma com as metáforas do texto. Desde a década de 80 do século XX, no entanto, o estudo de Oseias através das lentes da metáfora, especialmente o uso da teoria da metáfora e a questão da função primária das imagens matrimoniais do texto, alcançou uma posição de destaque nos estudos de Oseias. Naturalmente, esses estudos fazem uso de insights de reconstrução histórica, dados comparativos e análise de gênero, mas eles são caracterizados por uma preocupação central em elucidar a principal questão subjacente ou foco retórico que está por trás das metáforas de Oseias. Parte da explicação para o aparecimento desses estudos focados em metáforas é a insatisfação com os resultados das leituras biográficas e históricas.

(…)

Nos vários estudos sobre as metáforas de Oseias 1-3, encontramos três interpretações predominantes:
1. interpretação cultual
2. interpretação socioeconômica
3. interpretação histórico-política

(…)

1. Interpretação cultual

A interpretação mais duradoura das imagens de Oseias 1–3, que alcançou apoio quase unânime durante vários períodos do século XX, compreende o discurso como se referindo a um conflito religioso generalizado no Israel do século VIII a.C. entre o javismo e o baalismo, e como simbolizando a apostasia de Israel através de alguma forma de culto a Baal (…) Dado que virtualmente todas as interpretações cultuais de Oseias 1–3 ligam esses capítulos de alguma forma a um suposto baalismo ativo nos dias de Oseias, os estudos frequentemente consideram as metáforas do texto como fontes para reconstruir a história da religião israelita. Esse estudo histórico-religioso chamou a atencão da academia e passou de um consenso relativamente estável em meados do século XX para um estado de debate fragmentado no momento [2009]. As questões mais importantes dizem respeito às definições adequadas de Baal e baalismo em relação à linguagem e às imagens de Oseias.

(…)

A suposta prática da prostituição cultual formou o exemplo mais marcante de tais interpretações de fertilidade de Oseias 1–3. Estudiosos extraíram evidências para essa prática principalmente de textos proféticos e escritores clássicos como Heródoto, e sugeriram que as imagens sexuais de Oseias retratam Israel como literalmente envolvido em tais rituais para Baal. Desde a década de 80, no entanto, estudiosos têm desafiado quase todos os aspectos das evidências literárias e arqueológicas comumente citadas para esta prática em geral, e sua relevância para o estudo de Oseias 1–3 em particular. O consenso atual parece ser que a noção de uma instituição de prostituição cultual fornecendo o pano de fundo para textos como Oseias 2 não pode mais ser sustentada sem grande cautela. Esses desenvolvimentos relativos à noção específica de prostituição cultual são representativos das mudanças que ocorreram nas duas últimas décadas em relação à ideia geral de um culto sexual literal de Baal como a chave para a interpretação religiosa das metáforas de Oseias. Praticamente todos os ‘ritos de fertilidade’ propostos por eruditos anteriores (prostituição cultual, defloração ritual, promiscuidade sexual em festivais baalistas etc.) estão sob suspeita, e o consenso erudito afastou-se significativamente do conceito geral de práticas cultuais sexualizadas como pano de fundo para uma interpretação religiosa de Oseias 1–3.

(…)

Embora a falta de evidência de um culto sexualizado de Baal nos dias de Oseias tenha levado a maioria dos estudiosos a abandonar as interpretações cultuais de fertilidade de Oseias 1–3, a leitura dominante desses capítulos continua a ver o culto generalizado e não sexual de Baal no Israel do século VIII a.C. como a chave interpretativa para as metáforas do texto. Assim, enquanto as metáforas da fornicação e do adultério podem não se referir à atividade sexual literal, elas servem como metáforas negativas descrevendo o culto de Israel a Baal. Contudo, de acordo com as recentes mudanças no estudo da história da religião israelita, a interpretação religiosa de Oseias 1–3 tornou-se mais complexa do que a noção de um simples conflito entre o javismo e o baalismo. Algumas abordagens recentes, por exemplo, identificam o pano de fundo das metáforas de Oseias não como o abandono de Iahweh por Baal por parte de Israel, mas como a prática sincrética de misturar ou identificar Iahweh com Baal.

(…)

Resumindo, a interpretação religiosa dominante das metáforas de Oseias 1–3 toma muitas formas na pesquisa atual, incluindo um conflito entre os deuses rivais Iahweh e Baal, o culto de numerosas divindades locais (os baalim), o sincretismo de Iahweh e Baal no culto israelita, e a presença de formas “não-ortodoxas” do javismo como parte da religião “popular”. Essas várias reconstruções, em oposição às leituras literais do início do século XX, representam a principal forma atual da interpretação religiosa da linguagem e das imagens de Oseias.

2. Interpretação socioeconômica

Uma leitura socioeconômica das metáforas de Oseias 1–3 apareceu mais recentemente (…) Esses estudos leram o discurso do profeta como diretamente relacionado à mudança das relações sociais, políticas e econômicas entre o rei, o culto, o sacerdote e o profeta na organização política de Israel (…) O corpo feminino sendo prostituído em Oseias 1–3 simboliza o corpo social do Israel do século VIII a.C. em meio a uma crise de identidade e condena as práticas socioeconômicas da época (…) Através do símbolo de um corpo feminino que aceita amantes ilegítimos, Oseias condena o corpo social de Israel, especialmente as elites reais que o governam, porque impõem uma nova organização social baseada na desapropriação e acumulação de terras.

(…)

3. Interpretação histórico-política

Uma série de estudos específicos sobre diferentes aspectos de Oseias 1–3 avançaram em direção a uma interpretação mais política das metáforas de Oseias (…) Citando a falta de evidência do difundido culto a Baal no Israel do século VIII a.C., algumas dessas obras examinam a imagem da esposa/mãe em Oseias 2 como uma metáfora para a cidade de Samaria e, portanto, para os líderes políticos que lá governam. Outros observam o uso predominante de “amantes” como uma metáfora para aliados em tratados políticos do antigo Oriente Médio, bem como o uso de “fornicação” como um veículo metafórico para alianças políticas e comerciais.

(…)

Brad E. Kelle, por exemplo, sugeriu que Oseias 2 é um discurso retórico que tenta persuadir o público do profeta sobre uma crise política a partir de um ponto de vista específico. Oseias condena os governantes políticos na capital Samaria por seu envolvimento com Aram-Damasco durante a Guerra Siro-Efraimita, feminilizando-os como mulheres sexualmente dissolutas, rotulando suas alianças políticas como fornicação e adultério, e usando o termo ‘baal’ para seu aliado arameu. Assim, as metáforas de Oseias 2 funcionam como um discurso retórico que faz um comentário metafórico e teológico sobre os assuntos políticos de Samaria na época da Guerra Siro-Efraimita, afirmando em última instância que os “erros políticos de Samaria e seus governantes são equivalentes à apostasia religiosa das gerações anteriores e constituem um completo abandono de Iahweh” (KELLE, B. E. Hosea 2: Metaphor and Rhetoric in Historical Perspective. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2005, p. 283-284. Disponível online).

Sobre os estudos feministas de Oseias 1-3

Atualizado em

Brad E. Kelle, no citado artigo, explica as abordagens feministas de Oseias 1-3 que emergiram especialmente a partir da década de 80 do século XX. Cito trechos das páginas 197-199:

Beginning in the 1980s, the rising tide of feminist criticism swept into Hosea scholarship alongside the primary currents of historical, comparative, and theological studies (for general surveys, see Boshoff 2002; Baumann 2003: 8-23; Sherwood 2004: 254-322). Within a few short years, gender-based studies came virtually to dominate Hosea scholarship, and chs 1–3 quickly became one of the primary foci of feminist biblical criticism in general.

(…)

The emergence of feminist-critical studies marked a significant shift in Hosea scholarship. As seen above, prior to the 1980s, scholars largely explored Hosea’s marriage metaphor under a theological and historical rubric, emphasizing the experiences of Hosea and the nature of Yahweh’s love (cf. the continuation of this approach in Seifert 1996). Since the rise of feminist criticism, the metaphor has increasingly been examined under topics like pornography and sexual violence (Baumann 2003: 8).

(…)

The basic feminist critique of Hosea 1–3 focuses on both the text’s content and implications, especially the ideological constructions of the imagery and how they shape women’s experiences: the discourse objectifies female sexuality, denies any significant subjectivity to the woman, establishes a hierarchical relationship that equates the divine with male and the sinful with female, and legitimates physical and sexual violence against a woman.

(…)

Another strand of feminist criticism of Hosea 1–3 offers a critique not only of the content of the chapters, but also of the ways in which ancient and modern, especially male, biblical commentators have identified with the text’s imagery, adopted its ideological biases, and reinscribed its misogyny. These critiques often make the observation that commentators have traditionally sympathized almost completely with the purportedly abandoned husband, and ignored Gomer and the children.

 

 

A partir da década de 1980 a crescente onda de críticas feministas invadiu os estudos de Oseias, juntamente com as principais correntes de estudos históricos, comparativos e teológicos. Dentro de poucos anos os estudos baseados em gênero virtualmente dominaram a abordagem acadêmica de Oseias, e os capítulos 1 a 3 tornaram-se rapidamente um dos principais focos da crítica bíblica feminista em geral.

(…)

O surgimento de estudos feministas críticos marcou uma mudança significativa nos estudos de Oseias. Antes dos anos 80 os estudiosos exploraram amplamente a metáfora do casamento de Oseias sob uma ótica teológica e histórica, enfatizando as experiências de Oseias e a natureza do amor de Iahweh. Desde o surgimento da crítica feminista, a metáfora tem sido cada vez mais examinada em tópicos como pornografia e violência sexual.

(…)

A crítica feminista básica de Oseias 1-3 estuda o conteúdo e as implicações do texto, especialmente as construções ideológicas do imaginário e como elas moldam as experiências das mulheres: o discurso objetifica a sexualidade feminina, nega qualquer subjetividade significativa à mulher, estabelece uma relação hierárquica que iguala o divino ao masculino e o pecaminoso ao feminino e legitima a violência física e sexual contra uma mulher.

(…)

Há muitas e diferentes abordagens feministas de Oseias. Uma vertente, por exemplo, faz uma crítica não apenas ao conteúdo dos capítulos, mas também às maneiras pelas quais os comentaristas bíblicos antigos e modernos, especialmente os masculinos, identificaram-se com as imagens do texto, adotaram seus preconceitos ideológicos e reinscreveram sua misoginia. Essas críticas muitas vezes observam que os comentaristas tradicionalmente simpatizavam quase completamente com o marido supostamente abandonado, e ignoraram Gomer e os filhos. Tais comentaristas, ao olhar para Gomer em Oseias 1-3, oscilam entre a fantasia erótica e a condenação moralista.

Ainda sobre a pesquisa de Oseias 1-3 no século XX

Atualizado em

Brad E. Kelle em seu artigo, p. 182, indicado aqui, sintetiza a pesquisa sobre Os 1-3 ao longo do século XX da seguinte maneira:

From the early 1900s to the 1980s, the primary interpretive trends of Hosea 1–3 focused on the biography of the prophet and the historical-, form-, and text-critical analysis of the text’s language and imagery (e.g., Harper 1905). Investigations prior to the 1930s dedicated much energy to reconstructing the details of Gomer as an unfaithful wife, while scholarship from the 1930s forward increasingly emphasized the purported background of a sexualized Baal cult in eighth-century Israel, with an increasing emphasis on identifying comparative ancient Near Eastern traditions that shed light on the text’s imagery. Beginning in the 1980s, feminist-critical readings and gender-related issues came to the fore. In subsequent years, a particular focus on metaphor, literary, and symbolic analyses have joined the variety of gender-focused treatments, resulting in new literary and socio-historical readings that revisit older issues and offer previously unseen ways of conceptualizing the book of Hosea as a whole, as well as the marriage metaphor with which it begins.

De 1900 até por volta de 1980, as principais tendências interpretativas de Oseias 1–3 priorizaram a biografia do profeta e as análises histórico-crítica, formal e textual da linguagem e das imagens do livro. Investigações anteriores à década de 30 dedicaram muita energia à reconstrução dos detalhes de Gomer como uma esposa infiel, enquanto a pesquisa a partir da década de 30 enfatizou cada vez mais o suposto pano de fundo de um culto sexualizado de Baal no Israel do século VIII a.C., com ênfase crescente na comparação com tradições do antigo Oriente Médio que esclarecem as imagens do texto. A partir dos anos 80, as leituras crítico feministas e as questões relacionadas a gênero vieram à tona. Nos anos subsequentes, um enfoque particular nas análises metafóricas, literárias e simbólicas juntaram-se à variedade de tratamentos focados no gênero, resultando em novas leituras literárias e sócio-históricas que revisitam questões antigas e oferecem maneiras nunca antes vistas de conceituar o livro de Oseias como um todo, assim como a metáfora do casamento com a qual ele começa.

O casamento de Oseias na pesquisa do século XX

Atualizado em

Estou, nestes dias, lendo o livro do profeta Oseias com os estudantes do Segundo Ano de Teologia do CEARP. Uso como roteiro o meu livro A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C., disponível aqui para download gratuito.

A interpretação dos capítulos 1-3 de Oseias, a narrativa do casamento do profeta com Gomer, é especialmente complexa.

Um artigo interessante nesta área que li, ainda no ano passado, foi sobre Os 1-3 na pesquisa do século XX. Reproduzo o resumo e a conclusão do artigo.

 

KELLE, B. E. Hosea 1–3 in Twentieth-Century Scholarship. Currents in Biblical Research, 7.2, p. 179-216, 2009. Disponível online.

 

Abstract

Throughout the twentieth century, critical scholarship on the book of Hosea has focused overwhelmingly on the marriage metaphor in Hosea 1—3. Scholars often saw these chapters as establishing the primary interpretive issues for the message of the prophet and the book as a whole, although a lack of consensus concerning even the most basic exegetical issues remains. Newer studies have rightly pushed beyond this isolation of Hosea 1—3. This article surveys the major trends of the modern interpretation of these chapters, with particular attention to the second half of the twentieth century. From the early 1900s to the 1980s, critical works focused primarily on the biographical reconstruction of the prophet and his family life, as well as related historical and form-critical concerns. From the 1930s forward, such study was particularly concerned to read Hosea 1—3 against the background of a purported sexualized Baal cult in eighth-century Israel. Beginning in the 1980s, feminist-critical readings of Hosea 1—3 came to occupy a prominent position. In subsequent years, these concerns have been complemented by an emerging emphasis on metaphor theory, as well as newer kinds of literary, book-oriented, and socio-historical analyses. A follow-up article will treat recent scholarship on Hosea 4—14.

 

Resumo

Ao longo do século XX os estudos acadêmicos sobre o livro de Oseias concentraram-se predominantemente na metáfora do casamento em Os 1-3. Os estudiosos, com frequência, viam esses capítulos como estabelecendo as principais questões interpretativas para a mensagem do profeta e do livro como um todo, embora ainda Currents in Biblical Researchpersista a falta de consenso a respeito das questões exegéticas mais básicas. Novos estudos têm, com razão, tentado ir além desse isolamento de Os 1-3. Este artigo analisa as principais tendências da interpretação moderna desses capítulos, com especial atenção para a segunda metade do século XX. Do início do século XX até os anos 80, as pesquisas acadêmicas concentraram-se principalmente na reconstrução biográfica do profeta e em sua vida familiar, bem como em preocupações históricas e as questões relacionadas à crítica das formas. A partir da década de 30 a pesquisa preocupou-se particularmente em ler Os 1-3 contra o pano de fundo de um pretenso culto da fertilidade baalista no Israel do século VIII a.C. A partir dos anos 80 as leituras crítico feministas de Os 1-3 passaram a ocupar uma posição de destaque. Nos anos subsequentes essas preocupações foram complementadas por uma ênfase crescente na teoria da metáfora, bem como em novos tipos de análises literárias orientadas para análises sócio-históricas. Um artigo posterior tratará dos estudos recentes sobre Os 4-14.

 

Conclusion

It is clear that twentieth-century scholarship on Hosea 1–3 has addressed an exceptionally wide range of questions and employed various methodological approaches that often reflected the changing trends within biblical studies in general. While recent scholarship continues to pay much attention to more traditional issues like form-critical analysis, biographical reconstruction, and religio-cultic interpretation, several new modes of investigation have opened innovative avenues into the meaning and significance of these complex chapters. Among these approaches, the use of metaphor theory to engage the nature and function of the text’s metaphors seems likely to continue to occupy the prominent position. Such analyses will surely employ metaphor study for a variety of ends, however, including offering new perspectives on gender for the text and its readers (e.g., Baumann 2003), and providing new reconstructions of the religious situation in Hosea’s day that move beyond the older Baalism versus Yahwism framework into a more complex picture of the social and religious realities that stand behind the text’s imagery (see Chalmers 2007).

Among the newest trends that show promise of development in the coming years is an emphasis on synchronic and final form readings not only of Hosea 1–3, but also of these chapters’ place within the larger context of the book of Hosea as a whole. Building on some previous works that move in this direction (Landy 1995; Abma 1999), one is beginning to hear the call for more sustained and coherent literary readings and even book-oriented interpretations of the discourse in Hosea 1–3. Witness the newest commentary on Hosea by Ben Zvi (2005) and its emphasis upon viewing Hosea 1–3 as one of many didactic sets of readings that function within an intentionally crafted prophetic ‘book’ designed to socialize the elite literati of Yehud in the postmonarchic period. At a similar but broader level, some newer studies show increasing interest in interpreting Hosea 1–3, and indeed the whole book of Hosea, within the context of the Book of the Twelve (e.g., Sweeney 2000; Bowman 2006).

Above all, the approach taken in several recent studies, which innovatively uses and combines various methodological perspectives, holds much promise for the future study of Hosea 1–3. These kinds of integrative analyses combine metaphorical study with feminist, materialist, anthropological, and rhetorical perspectives to yield exciting new insights into the dynamics of the text (see Keefe 2001; Yee 2003; Kelle 2005). Such integrative approaches, especially, in my view, the use of rhetorical criticism to engage Hosea 1–3 and its metaphors in interlocking literary, historical, and comparative contexts and as functioning persuasively in particular rhetorical contexts, allow us to approach the text anew in light of developing notions of prophetic discourse in general and social, political, anthropological, and religious realities in particular. Rather than simplifying the meaning(s) of Hosea 1–3, however, future study along these lines promises to produce a diversity of interpretations that accurately reflects the complexity of the chapters themselves.

 

Conclusão

Está claro que a pesquisa do século XX sobre Os 1-3 abordou uma gama excepcionalmente ampla de questões e empregou várias abordagens metodológicas que frequentemente refletiam as tendências mutáveis ​​nos estudos bíblicos em geral. Enquanto os estudos recentes continuam a prestar muita atenção a questões mais tradicionais, como a crítica das formas, a reconstrução biográfica e a interpretação cultual, vários novos modos de investigação abriram caminhos inovadores para o significado desses complexos capítulos. Entre essas abordagens o uso da teoria da metáfora para debater a natureza e a função das metáforas do texto parece continuar a ocupar posição de destaque. Tais análises certamente empregarão o estudo de metáforas para uma variedade de fins, incluindo oferecer novas perspectivas de gênero para o texto e seus leitores e fornecer novas reconstruções da situação religiosa nos dias de Oseias que se movem para além do antigo enquadramento baalismo versus javismo em um retrato mais complexo das realidades sociais e religiosas que estão por trás do imaginário do texto.

Entre as tendências mais recentes que apresentam uma promessa de desenvolvimento nos próximos anos está uma ênfase nas leituras formais e sincrônicas não apenas de Os 1-3, mas também do lugar desses capítulos dentro do contexto mais amplo do livro de Oseias como um todo. Com base em alguns trabalhos anteriores que se movem nessa direção, começa-se a ouvir o apelo por leituras literárias mais sustentadas e coerentes e até mesmo interpretações do discurso orientadas por livros, em Os 1-3. Seja testemunha um comentário sobre Oseias de Ben Zvi, de 2005, e sua insistência em ver Os 1-3 como um dos muitos conjuntos didáticos de leituras que funcionam dentro de um “livro” profético projetado intencionalmente para socializar os letrados da elite de Yehud na época pós-monárquica. Em um nível semelhante, mas mais amplo, alguns estudos mais recentes mostram interesse crescente em interpretar Os 1-3 e, de fato, todo o livro de Oseias, no contexto do Livro dos Doze.

Acima de tudo, a abordagem adotada em vários estudos recentes, que utiliza de maneira inovadora e combina várias perspectivas metodológicas, é muito promissora para o futuro estudo de Os 1-3. Esses tipos de análises integrativas combinam o estudo metafórico com perspectivas feministas, materialistas, antropológicas e retóricas para produzir novos insights interessantes sobre a dinâmica do texto. Tais abordagens integrativas, especialmente, em minha opinião, o uso da crítica retórica para debater Os 1-3 e suas metáforas em contextos literários, históricos e comparativos interligados e seu funcionamento em contextos retóricos particulares, nos permitem abordar o texto de novo à luz do desenvolvimento de noções de discurso profético em geral e realidades sociais, políticas, antropológicas e religiosas em particular. Porém, em vez de simplificar o (s) significado (s) de Os 1-3, estudos futuros ao longo dessas linhas prometem produzir uma diversidade de interpretações que possam refletir com precisão a complexidade dos próprios capítulos.

Brad E. Kelle – Point Loma Nazarene University, San Diego, California.

Leia Mais:
Por que os livros de Amós e Oseias foram escritos?

Características literárias e linguísticas da Bíblia Hebraica

Atualizado em

RENDSBURG, G. A. How the Bible Is Written. Peabody, MA: Hendrickson, 2019, 675 p. – ISBN 9781683071976

RENDSBURG, G. A. How the Bible Is Written. Peabody, MA: Hendrickson, 2019, 675 p. - ISBN 9781683071976

O objetivo deste livro é aproximar os leitores interessados do texto original da Bíblia Hebraica / Antigo Testamento e proporcionar-lhes uma apreciação maior de sua arte literária e linguística. Em suma, este livro trata muito mais do modo como a Bíblia diz o que diz do que daquilo que diz.

The goal of How the Bible Is Written is to bring interested readers–scholars and laypeople alike–closer to the original text of the Hebrew Bible/Old Testament and to provide them with a greater appreciation of its literary artistry and linguistic virtuosity. In short, this book focuses not so much on what the Bible says as how the Bible says it. A book focusing on the nexus between language and literature in the Hebrew Bible/Old Testament, with specific attention to how the former is used to create the latter; topics include wordplay, wordplay with proper names, alliteration, repetition with variation, dialect representation, intentionally confused language, marking closure, and more.

The first paragraph of my new book reads as follows: “Learned colleagues have written books entitled Who Wrote the Bible?, How to Read the Bible, How the Bible Became a Book, and How the Bible Became Holy. The present volume poses a different question, How the Bible Is Written. My goal in this book is to reveal the manner in which language is used to produce exquisite literature, no less for the ancient Israelite literati who crafted the compositions that eventually were canonized as the Bible than for William Shakespeare or Jane Austen or J. R. R. Tolkien or any other writer whose literature we admire and continue to enjoy. Which is to say, in the most simple of terms: there are many books on what the Bible says; this is a book on how the Bible says it”.

Uma avaliação do livro feita por Jim West pode ser lida em seu blog Zwinglius Redivivus.

Gary A. Rendsburg é Professor de História Judaica na Universidade de Rutgers, Nova Jérsei, Estados Unidos.

Os filhos de Deus em Gênesis 6,1-4

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 Artigo e livro sobre um texto difícil do Antigo Testamento: Gn 6, 1-4.

Um artigo:

Those Elusive Sons of God: Genesis 6:1–4 Revisited – By Jaap Doedens – The Bible and Interpretation – April 2019

Since the beginning of the 20th century, and especially after the numerous discoveries of similar expressions in extrabiblical texts, mainstream exegesis returned to a ‘superhuman’ interpretation of the ‘sons of God’ in Gen 6:1–4. Yet now they were not viewed as (fallen) angels, but as ‘divine beings’, or deities (…) This newer exegetical solution is most probably the correct one.

Is it possible to discover an historical kernel of this narrative about marriages of divine beings and human women resulting in the birth of giant heroes? The origin of this narrative could perhaps be connected with the presence of megalithic tombs, mainly in the Transjordan region, the so called dolmens, dating from the end of the third and the beginning of the second millennium BCE. It is reasonable  that, because of their mere size, these monumental structures gave rise to tales about giant fallen warriors. Somehow, one of these tales made its way into the biblical narrative, and became part of a theological framework elucidating humanity’s fate with all its trial and error.

Um livro:

DOEDENS, J.  The Sons of God in Genesis 6:1–4: Analysis and History of Exegesis. Leiden: Brill, 2019, 372 p. – ISBN 9789004284265.

DOEDENS, J.  The Sons of God in Genesis 6:1–4: Analysis and History of Exegesis. Leiden: Brill, 2019, 372 p. - ISBN 9789004284265

In The Sons of God in Genesis 6:1–4, Jaap Doedens offers an overview of the history of exegesis of the enigmatic text about the ‘sons of God’, the ‘daughters of men’, and the ‘giants’. First, he analyzes the text of Gen 6:1–4. Subsequently, he tracks the different exegetical proposals from the earliest exegesis until those of modern times. He further provides the reader with an evaluation of the meaning of the expression ‘sons of God’ in the Old Testament and the Ancient Near East. In the last chapter, he concentrates on the message and function of Gen 6:1–4. This volume comprehensively gathers ancient and modern exegetical attempts, providing the means for an ongoing dialogue about this essentially complex and elusive passage.

Sumário

Acknowledgments
Abbreviations

1 Setting the Course: Introduction
 1 From Boulder to Keystone to Stumbling Block
 2 The Mainstream Solutions
 3 Approach

2 A Quest for Meaning: Analyzing Genesis 6:1–4
 1 Introduction
 2 Lexical and Grammatical Analysis of Genesis 6:1
 3 Lexical and Grammatical Analysis of Genesis 6:2
 4 Lexical and Grammatical Analysis of Genesis 6:3
 5 Lexical and Grammatical Analysis of Genesis 6:4
 6 Content and Context: General Observations Relating to Genesis 6:1–4
 7 Dramatis Personae: Provisional Conclusions Related to Genesis 6:1–4

3 Trodden Paths: History of Exegesis of the Expression ‘Sons of God’
 1 Introduction
 2 The Ancient Versions
 3 Philo of Alexandria
 4 Flavius Josephus
 5 Apocrypha and Pseudepigrapha
 6 Dead Sea Scrolls
 7 Rabbinic Tradition
 8 New Testament
 9 The Church Fathers
 10 Late Middle Ages and Reformation
 11 Newer Exegesis
 12 Conclusions to the History of Exegesis

4 At the Crossroads: Weighing Exegetical Solutions
 1 Introduction
 2 The Heavenly Category: ‘Sons of God’ Interpreted as Angels
 3 The Social Category: ‘Sons of God’ Interpreted as Mighty-Ones
 4 The Religious Category: ‘Sons of God’ Interpreted as Sethites
 5 The Mythological Category: ‘Sons of God’ Interpreted as Divine Beings
 6 Minor Variants and Combinations
 7 Conclusions

5 Perspectives: The Functions of Genesis 6:1–4
 1 Introduction
 2 ‘Sons of God’ and Biblical Monotheism
 3 Genesis 6:1–4 and Myth in the Old Testament
 4 Truth Claim and Functions of Genesis 6:1–4
 5 Final Observations
Bibliography
Index of Ancient Sources

Jaap Doedens, Ph.D. Kampen Theological University (2013), Pápa Reformed Theological Seminary, Pápa, Hungary, is college associate professor at the latter seminary. He has published articles on the Old Testament, the intertestamental period, and the New Testament in English, Dutch, and Hungarian

Leia mais sobre Gn 6,1-4 em Remnant of Giants.

Quem é Davi? Artigo de Thomas L. Thompson

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Who Is David?

By Thomas L. Thompson, Professor Emeritus University of Copenhagen

The Bible and Interpretation – April 4, 2019

Although King David is one of the richest and most varied literary figures of the Bible, we have no direct historical evidence that he ever existed. Neither archaeology nor any contemporary written inscriptions proves the existence of such a king, ruling in Hebron or Jerusalem during the 10th century BCE. Archaeological evidence for ancient settlements of the Judean highlands hardly support the existence of even a small kingdom in this region, let alone a multi-regional state and monarchy. Archaeology has not yet found any settlement in Jerusalem, significant enough to be the capital of a small patronage kingdom, let alone an empire. Nor has archaeology found any widespread agricultural settlement in the southern highlands, which could have supported a functioning kingdom during the period that the Bible gives to David. There is also no known historical kingdom of Judah before the late-9th century, BCE. The David we know from the Bible as a literary figure, on the other hand, embraces, as we will see, a considerable range of themes, and is, perhaps, the richest figure in biblical literature.

All the historical evidence we have that might be linked to the biblical figure of David comes from three fragments of a late 9th century, Aramaic inscription, found during the excavations of Tall al-Qadi in the Jordan rift, which both mentions a king of Israel and, the name bytdwd (continua).

Sobre a origem dos antigos Estados Israelitas, confira aqui e aqui.

Quem é Thomas L. Thompson? Confira aqui, aqui e aqui.

Tendências atuais no estudo de Gênesis 12–25

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SONEK, K. The Abraham Narratives in Genesis 12–25. Currents in Biblical Research, Volume 17, Issue 2, February 2019, p. 158-183.

Este artigo tenta traçar o desenvolvimento da exegese de Gênesis 12–25 em trabalhos acadêmicos publicados desde o ano 2000. Gênesis 12-25 traz as narrativas sobre Abraão e sua família.

Cinco tipos de estudos são apresentados e brevemente avaliados:
1. Comentários sobre as perícopes bíblicas em questão
2. Obras que discutem a formação histórica das narrativas de Abraão
3. Estudos sincrônicos e teológicos
4. Estudos de recepção do texto
5. Outros estudos detalhados de Gênesis 12–25.

O artigo apresenta uma ampla gama de abordagens metodológicas e visa delinear as tendências atuais no estudo de Gênesis 12–25

Currents in Biblical Research, Volume 17, Issue 2, February 2019

Genesis 12–25, which relates the call, journeys, and life of Abraham and his family, continues to inspire and puzzle readers. Some of its stories have long been a source of controversy. Some have given rise to a variety of academic questions. Modern readers wrangle over the meaning of these ancient narratives. They investigate their historical formation, literal sense, and subsequent interpretation (…) Abraham is a figure of national, historical, and theological importance. His story has given rise to a vast array of scholarly works. This article looks at some of those works with a view to outlining the current state and future development of research related to the Abraham narratives.

The academic literature on Genesis 12–25 exceeds the possible limits for a concise survey, and a presentation of recent works in this field can no longer be comprehensive. In a sense, the real question is about the scholarly works that have to be excluded from the survey. Many important studies on the Abraham narratives, both short and lengthy, could not be taken into consideration in this review. However, an interested reader will find them in the bibliographies of the books and articles presented below. For this reason, the present survey does not attempt to be comprehensive, but only representative.

This article attempts to trace the development of exegesis of Genesis 12–25 in scholarly works published since 2000. Five types of studies are introduced and briefly evaluated: (1) commentaries on the biblical pericopes in question; (2) works discussing the historical formation of the Abraham narratives; (3) synchronic and theological studies; (4) reception studies; and (5) other detailed studies of Genesis 12–25. The article presents a wide range of methodological approaches, and aims to delineate current trends in the study of Genesis 12–25.

Kris Sonek: Department of Biblical Studies, Catholic Theological College, University of Divinity, East Melbourne, Victoria, Australia.

Literatura Profética II 2019

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A Literatura Profética II é continuação da Literatura Profética I. A carga horária semanal é de 2 horas, no segundo semestre do segundo ano de Teologia.

Ementa
A disciplina aborda os profetas mais significativos de Israel desde o final do reino de Judá até a reconstrução pós-exílica na época persa. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático
1. Jeremias
2. Ezequiel
3. Dêutero-Isaías (Is 40-55)
4. Ageu
5. Zacarias 1-8
6. Trito-Isaías (Is 56-66)

IV. Bibliografia
Básica
MESTERS, C. O profeta Jeremias: um homem apaixonado. São Paulo: Paulus/CEBI, 2016.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DÍAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, vol. I: 2004 [3. reimpressão: 2018]; vol. II: 2002 [4. reimpressão: 2015].

SICRE DÍAZ, J. L. Introdução ao profetismo bíblico. Petrópolis: Vozes, 2016.

Complementar
CROATO, J. S. et al. Os livros Proféticos: a voz dos profetas e suas releituras. RIBLA, Petrópolis, n. 35/36, 2000/1/2.

DA SILVA, A. J. Arrancar e destruir, construir e plantar. A vocação de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 15, p. 11-22, 1987.

DA SILVA, A. J. Nascido Profeta: a vocação de Jeremias. São Paulo: Paulus, 1992.

DA SILVA, A. J. O discurso de Jeremias contra o Templo. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 129, p. 85-96, 2016. Artigo na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização:  28.07.2016.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias. Texto na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 23.01.2017.

DA SILVA, A. J. Superando obstáculos nas leituras de Jeremias. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 107, p. 50-62, 2010.

DA SILVA, A. J. Vale a pena ler os profetas hoje? Artigo na Airton’s Biblical Page. Última atualização: 22.08.2015.

GAMELEIRA SOARES, S. A. et al. Profetas ontem e hoje. 3. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 4, 1987.

HAUSER, A. J. (ed.) Recent Research on the Major Prophets. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008. Disponível online.

REIMER, H. et al. Segundo Isaías: Is 40-55. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 89, 2006.

SCHWANTES, M. et al. Profetas e profecias: novas leituras. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 73, 2002.

WILSON, R. R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. 2. ed. revista. São Paulo: Targumim/Paulus, 2006.

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