Dilma e Aécio, nosso sonho e nossa tragédia

Estão em jogo nossa magia, nosso sonho e nossa tragédia. Nossa magia é a vitalidade assombrosa e anárquica do país. Nosso sonho é ver a vitalidade casada com a doçura. Nossa tragédia é a negação de instrumentos e oportunidades a milhões de compatriotas, condenados a viver vidas pequenas e humilhantes. Que em 26 de outubro o povo brasileiro, inconformado com nossa tragédia e fiel a nosso sonho, escolha o rumo audacioso da rebeldia nacional e afirme a grandeza do Brasil.

Roberto Mangabeira Unger escolhe Dilma e vê grandeza contra pequenez – Brasil 24/7 – 13/10/2014

Da Folha de S. Paulo: Roberto Mangabeira Unger: Por que votar em Dilma – 13/10/2014

O povo brasileiro escolherá em 26 de outubro entre dois caminhos. Que escolha o rumo audacioso da rebeldia nacional e afirme a grandeza do Brasil.

As duas candidaturas compartilham três compromissos fundamentais, além do compromisso maior com a democracia: estabilidade macroeconômica, inclusão social e combate à corrupção. Diferem na maneira de entender os fins e os meios. Diz-se que a candidatura Aécio privilegia estabilidade macroeconômica sobre inclusão social e que a candidatura Dilma faz o inverso. Esta leitura trivializa a diferença.

Duas circunstâncias definem o quadro em que se dá o embate. A primeira circunstância é o esgotamento do modelo de crescimento econômico no país. Este modelo está baseado em dois pilares: a ampliação de acesso aos bens de consumo em massa e a produção e exportação de bens agropecuários e minerais, pouco transformados. Os dois pilares estão ligados: a popularização do consumo foi facilitada pela apreciação cambial, por sua vez possibilitada pela alta no preço daqueles bens. Tomo por dado que o Brasil não pode mais avançar deste jeito.

A segunda circunstância é a exigência, por milhões que alcançaram padrões mais altos de consumo, de serviços públicos necessários a uma vida decente e fecunda. Quantidade não basta; exige-se qualidade.

As duas circunstâncias estão ligadas reciprocamente. Sem crescimento econômico, fica difícil prover serviços públicos de qualidade. Sem capacitar as pessoas, por meio do acesso a bens públicos, fica difícil organizar novo padrão de crescimento.

O país tem de escolher entre duas maneiras de reagir. Descrevo-as sumariamente interpretando as mensagens abafadas pelos ruídos da campanha. Ficará claro onde está o interesse das maiorias. O contraste que traço é complicado demais para servir de arma eleitoral. Não importa: a democracia ensina o cidadão a perceber quem está do lado de quem.

1. Crescimento econômico: realismo fiscal e manutenção do sacrifício consequente são pontos compartilhados pelas duas propostas.
Aécio: Ganhar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros. Restringir subsídios. Encolher o Estado. Só trará o crescimento de volta quando houver nova onda de dinheiro fácil no mundo.
Dilma: Induzir queda dos juros e do câmbio, contra os interesses dos financistas e rentistas, sem, contudo, render-se ao populismo cambial. Usar o investimento público para abrir caminho ao investimento privado em época de desconfiança e endividamento. Apostar mais no efeito do investimento sobre a demanda do que no efeito da demanda sobre o investimento.

Construir canais para levar a poupança de longo prazo ao investimento de longo prazo. Fortalecer o poder estratégico do Estado para ampliar o acesso das pequenas e médias empresas às práticas, às tecnologias e aos conhecimentos avançados. Dar primazia aos interesses da produção e do trabalho. Se há parte do Brasil onde este compromisso deve calar fundo, é São Paulo.

2. Capital e trabalho
Aécio: Flexibilizar as relações de trabalho para tornar mais fácil demitir e contratar.
Dilma: Criar regime jurídico para proteger a maioria precarizada, cada vez mais em situações de trabalho temporário ou terceirizado. Imprensado entre economias de trabalho barato e economias de produtividade alta, o Brasil precisa sair por escalada de produtividade. Não prosperará como uma China com menos gente.

3. Serviços públicos
Aécio: Focar o investimento em serviços públicos nos mais pobres e obrigar a classe média, em nome da justiça e da eficiência, a arcar com parte do que ela custa ao Estado.
Dilma: Insistir na universalidade dos serviços, sobretudo de educação e saúde, e fazer com que os trabalhadores e a classe média se juntem na defesa deles. Na saúde, fazer do SUS uma rede de especialistas e de especialidades, não apenas de serviço básico. E impedir que a minoria que está nos planos seja subsidiada pela maioria que está no SUS. Na segurança, unir as polícias entre si e com as comunidades. Crime desaba com presença policial e organização comunitária. A partir daí, encontrar maneiras para engajar a população, junto do Estado, na qualificação dos serviços de saúde, educação e segurança.

4. Educação
Aécio: Adotar práticas empresariais para melhorar, pouco a pouco, o desempenho das escolas, medido pelas provas internacionais, com o objetivo de formar força de trabalho mais capaz.
Dilma: A onda da universalização do ensino terá de ser seguida pela onda da qualificação. Acesso e qualidade só valem juntos. Prática empresarial, porém, tem horizonte curto e não resolve. Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia indicam o caminho: substituir decoreba por ensino analítico. E juntar o ensino geral ao ensino profissionalizante em vez de separá-los. Construir, do fundamental ao superior, escolas de referência. A partir delas, trabalhar com Estados e municípios para mudar a maneira de aprender e ensinar.

5. Política regional
Aécio: Política para região atrasada é resquício do nacional-desenvolvimentismo. Tudo o que se pode fazer é conceder incentivos às regiões atrasadas.
Dilma: Política regional é onde a nova estratégia nacional de desenvolvimento toca o chão. Não é para compensar o atraso; é para construir vanguardas. Projeto de empreendedorismo emergente para o Nordeste e de desenvolvimento sustentável para a Amazônia representam experimentos com o futuro nacional.

6. Política exterior
Aécio: Conduzir política exterior de resultados, quer dizer, de vantagem comerciais. E evitar brigar com quem manda.
Dilma: Unir a América do Sul. Lutar para tornar a ordem mundial de segurança e de comércio mais hospitaleira às alternativas de desenvolvimento nacional. E, num movimento em sentido contrário, entender-nos com os EUA, inclusive porque temos interesse comum em nos resguardar contra o poderio crescente da China. Política exterior é ramo da política, não do comércio. Poder conta mais do que dinheiro.

7. Forças Armadas
Aécio: O Brasil não precisa armar-se porque não tem inimigos. Só precisa deixar os militares contentes e calmos.
Dilma: O Brasil tem de armar-se para abrir seu caminho e poder dizer não. Não queremos viver em um mundo onde os beligerantes estão armados e os meigos, indefesos.

8. O público e o privado
Aécio: Independência do Banco Central e das agências reguladoras assegura previsibilidade aos investidores e despolitiza a política econômica.
Dilma: A maneira de desprivatizar o Estado não é colocar o poder em mãos de tecnocratas que frequentam os grandes negócios. É construir carreiras de Estado para substituir a maior parte dos cargos de indicação política. E recusar-se a alienar aos comissários do capital o poder democrático para decidir.

Aécio propõe seguir o figurino que os países ricos do Atlântico Norte nos recomendam, porém nunca seguiram. Nenhum grande país se construiu seguindo cartilha semelhante. Certamente não os EUA, o país com que mais nos parecemos. Ainda bem que o candidato tem estilo conciliador para abrandar a aspereza da operação.

Dilma terá, para honrar sua mensagem e cumprir sua tarefa, de renovar sua equipe e sua prática, rompendo a camisa de força do presidencialismo de coalizão. E o Brasil terá de aprender a reorganizar instituições em vez de apenas redirecionar dinheiro. Ainda bem que a candidata tem espírito de luta, para poder aceitar pouco e enfrentar muito.

Estão em jogo nossa magia, nosso sonho e nossa tragédia. Nossa magia é a vitalidade assombrosa e anárquica do país. Nosso sonho é ver a vitalidade casada com a doçura. Nossa tragédia é a negação de instrumentos e oportunidades a milhões de compatriotas, condenados a viver vidas pequenas e humilhantes. Que em 26 de outubro o povo brasileiro, inconformado com nossa tragédia e fiel a nosso sonho, escolha o rumo audacioso da rebeldia nacional e afirme a grandeza do Brasil.

Quem é Roberto Mangabeira Unger? Professor na Harvard University… Veja aqui e aqui.

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Empregos, melhores salários, poder aquisitivo, investimentos produtivos, infra-estrutura, mobilidade, reforma política, luta contra a corrupção, segurança e soberania.

 

Dez coisas que o Brasil vai perder se eleger Aécio Neves

Flávio Aguiar – Carta Maior 11/10/2014

Quem hoje tem 25 anos tinha 13 em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez Presidente da República. Quem tem 18, tinha 6 naquela ocasião. Os eleitores entre estas idades  viveram os oito anos do mandato do FHC como adolescentes ou como crianças. Não têm uma noção muito precisa, para dizer o mínimo, do que significa “perder direitos” ou “posições”. Entraram na maturidade “ganhando direitos e posições”, como o emprego, por exemplo.

Pode parecer hoje que tudo vai continuar assim, independentemente de quem estiver no Palácio do Planalto, no Ministério da Fazenda e no Banco Central. Mas não é bem assim. Aqui está uma lista do que o Brasil vai perder caso Aécio Neves seja eleito presidente, com Armínio Fraga como seu braço direito na economia.

1) Empregos – Aécio e Armínio costumam falar coisas vagas, imprecisas. Mas nisto Armínio foi muito claro: mais desemprego não faria mal ao país. Por quê? Porque na visão deste tipo de economista o desemprego ajuda a comprimir os salários para baixo, e isto torna o Brasil “mais competitivo”. Ou seja, eles pensam no modelo que está devastando as economias europeias, levando-as à recessão prolongada e atingido sobretudo os mais jovens.

2) Melhores salários – Esqueça qualquer política de valorização do salário mínimo, dos salários em geral, das pensões e aposentadorias, da participação dos assalariados na renda nacional. As políticas sociais serão reduzidas, no mínimo. Tudo isto, que hoje faz o Brasil ser considerado um sucesso internacional, é condenável do ponto de vista desta visão econômica ortodoxa.

3) Poder aquisitivo – Em consequência, o poder aquisitivo da população é rebaixado. A economia entra em recessão para quem tem menos, embora possa até “melhorar” para quem já tem mais. É como o tipo de política que os conservadores estão mantendo e anunciando o aprofundamento na Inglaterra: compressão dos créditos e da disponibilidade monetária e de ajuda social (como para comprar a casa própria, por exemplo) para o mais pobres (pronunciamento do chanceler econômico inglês, George Osborne, que pode ser lido no The Guardian). Tudo em nome da “austeridade”. Sim: “austeridade” para quem já leva uma vida austera; abono para quem já desfruta de uma vida abonada.

4) Investimentos produtivos – A prometida e esperada política de juros elevados se destina a favorecer e manipular a especulação com os títulos da dívida pública. Assim foi no governo FHC (que também desfrutou de uma altíssima taxa de desemprego, por exemplo, 25% em Salvador, atingindo também sobretudo os mais jovens). Portanto, o ideal deste tipo de economia é tornar o Brasil atraente para os capitais especulativos – aqueles que se volatilizam e vão embora assim que surge a menor contrariedade ou aparecem praças mais atraentes. Como aconteceu na Irlanda, na Islândia, em Chipre e outros países que se tornaram momentaneamente as meninas dos olhos deste tipo de especulação. Já os investimentos em setores produtivos exigem um controle e uma orientação dada pelo Estado e sinalizada (apoiada e garantida) pelos bancos públicos, justamente o setor que o tipo de política prevista por Aécio e Armínio quer restringir e coibir.

5) Infra-estrutura – Esqueça. Este tipo de investimento, absolutamente necessário para garantir a dinâmica da economia e da vida brasileiras depende desta capacidade de garantir sua continuidade e orientação pelo setor público. O Brasil necessita de estradas, portos, aeroportos, rede ferroviária, transporte urbano, saneamento, hidrovias, energia, revitalização do seu setor industrial. Isto só é possível se houver um projeto claro para o país, se o país for de um projeto, e de longo prazo. Para visões como as de Aécio e Armínio, o Brasil não é um projeto: é uma praça, um mercado a ser explorado.

6) Mobilidade – Este foi um dos grandes temas das manifestações de junho. Sem investimentos adequados em infra-estrutura, não vai haver melhor transporte nem melhor circulação urbana, nada disso. Mas “mobilidade” não significa apenas transporte: significa também mobilidade social, investimento em educação, em acesso a ela, à universidade, programas de apoio a ela em todos os níveis simultaneamente. Se o programa dos candidatos Aécio e Armínio preveem a diminuição do poder de intervenção do Estado, adeus tais investimentos.

7) Reforma política – Que reforma política poderá fazer um partido cuja aliança histórica principal foi com o DEM, ex-PFL, o velho coronelismo travestido de liberalismo, que manietava o Nordeste quase inteiro. Aliás, este é um tema interessante: para um certo tipo de pensamento preconceituoso, nordestino não sabe votar quando passa a votar em frentes populares; quando votava no PFL, era a gema das eleições brasileiras.

8) Luta contra a corrupção  – Quem precisa de total autonomia não é o Banco Central, mas sim a Polícia Federal, como tem acontecido nos últimos anos. Nunca a Polícia federal foi tão ativa em levantamentos de caso de corrupção, e os chamados crimes do colarinho branco. Já nos tempos de FHC a dinâmica da PF era muito menor, vivíamos sob o programa do “Engavetador Geral da República”, lembra-se? Aliás, o número de CPIs engavetadas pelas maiorias do PSDB e seus aliados em São Paulo e Minas é inigualável.

9) Segurança – Se você acha que aumentar a segurança é baixar a idade penal, pode tirar ou por o cavalo da ou na chuva. Aumento de segurança se consegue com políticas de pleno emprego, educação, reforma das polícias militares e estaduais, tudo aquilo que empodera e revê os padrões policiais do país. Nosso sistema carcerário e judicial precisa de reformas profundas. Já temos universidades do crime nas penitenciárias, para adultos. Com os mais jovens, vamos criar também as escolas médias para a criminalidade.

10) Soberania – O Brasil é um dos únicos países que tem relações diplomáticas com todos os países da ONU. Sua aposta em fóruns multilaterais e na diversificação de sua política externa tem dado resultados muito bons para o país, ajudando a dinamizar relações comerciais e portanto a impulsionar nossa economia num momento de recessão mundial. A visão do PSDB acusa a política externa de nosso país de ser “ideologizada”, mas “ideologizada” será a deles, que querem arrefecer o Mercosul e a integração com os BRICS em nome de “se reaproximar” – leia-se, nos atrelar de modo subalterno – àquilo que de mais recessivo existe hoje no mundo – as políticas periclitantes dos EUA e da Zona do Euro, nos reintegrando a um clima ideológico herdeiro dos tempos da Guerra Fria.

O ideal do PSDB, declarado por FHC quando assumiu a presidência, era “o fim da era Vargas”. Sim, mas não para diante, porém para trás, em direção à República Velha, coronelícia (aliança do PSDB com o antigo PFL, hoje DEM, e seus antigos “currais eleitorais” no Nordeste, em Santa Catarina, etc.). Este ideal esteve presente desde antes, quando FHC literalmente presidiu a reforma monetária. O nome da nossa moeda passou a ser o “real”. Aparentemente uma palavra forte, cheia de “realidade”. Mas na verdade uma evocação da moeda dos tempos da República Oligárquica, do Império, que de tão desgastada que foi ao longo do temo tornou-se o popular “milréis”, “mil reais”. Mas é verdade que hoje o ideal do PSDB não é, de fato, tornar o Brasil um país apenas agrário-exportador, como era nos tempos da República Velha. Tornou-se o ideal de um país importador: importador da especulação financeira, da recessão, da subserviência programada.

Se conseguirem impor suas políticas, vão de novo quebrar o país, como já aconteceu em 2000/2002. Hoje o Brasil não é mais devedor, mas credor do FMI e da União Europeia. Nem é monitorado. Embora o Brasil não seja membro efetivo, mas convidado, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos, seu programa de luta contra a corrupção foi tão elogiado pela ONU que o levou a presidir a comissão temática da OCDE a respeito. O Brasil hoje não é mais parte da problemática, mas da “solucionática”.

É tudo isto que o Brasil perderá, se o candidato Aécio e seu cardeal econômico, Armínio Fraga, forem sufragados.

Aécio: dramático retrocesso social e político

A vitória de Aécio Neves representaria uma dramática regressão social e política, tanto ao nível interno do país como na sua política internacional.

Michael Löwy: vitória de Aécio seria dramática regressão social e política – Carta Maior 11/10/2014

Tenho muitas críticas a Dilma. Acho que fez demasiadas concessões aos bancos, ao agronegócio, ao capital. Por isso dei todo meu apoio a Luciana Genro no primeiro turno. Mas o Senhor Aécio não fará “concessões”. Ele é o representante direto dos bancos, do agronegócio, da oligarquia financeira, das classes dominantes. Ele é o candidato da Bolsa de Valores, do imperialismo americano, do Clube Militar (os aposentados da ditadura). Sua vitória representaria uma dramática regressão social e política, tanto ao nível interno do país como na sua política internacional. Na minha opinião, a única forma de evitar este desastre é votar por Dilma.

Quem é Michael Löwy?



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Em carta aberta, Roberto Amaral, presidente do PSB declara apoio a Dilma

Faça o download do ebook do Truco

O que é o Truco?

Durante as campanhas eleitorais dos candidatos à presidência, a Agência Pública, de reportagem e jornalismo investigativo, está realizando o projeto “Truco!”, que analisa e checa dados apresentados pelos presenciáveis durante o horário eleitoral gratuito da TV. Após os programas exibidos nas noites de terças e quintas-feiras e aos sábados, a Pública exibe, de maneira interativa, uma análise das principais promessas e informações expostas pelos candidatos. Os presidenciáveis podem receber a carta “Truco”, quando a promessa é inviável ou contraditória. A carta “Tá certo, mas não é bem assim” contesta uma informação incompleta, por exemplo, o candidato afirma que construiu 800 escolas em determinada região do país, no entanto, apenas metade está funcionando. O blefe é quando a afirmação não é verdadeira. Para contestar as informações, a Pública busca dados oficiais nos ministérios e nos governos, ou ainda especialistas que contrariem propostas na área da saúde, educação.

O Truco em ebook

O material do Truco com o resultado de toda a apuração dos programas do primeiro turno das eleições de 2014 está disponível para download gratuito em ebook nos formatos pdf, epub e mobi. O livro é dividido por candidatos, trazendo informações checadas e principais promessas de cada presidenciável.

E o Truco no segundo turno?

Chegamos ao segundo turno das eleições presidenciais, e agora o horário eleitoral gratuito na TV é uma peça ainda mais essencial na disputa pela presidência. No Truco! checamos os dados mais relevantes apresentados pelos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) durante os programas exibidos todos os dias na TV. E distribuímos a eles as “cartas” correspondentes, deixando claro ao leitor até que ponto o que os candidatos dizem na propaganda é verdadeiro, se o contexto correto muda a informação? Ou se o que diz o candidato é simplesmente um blefe. No segundo turno, todos os dias vamos “pedir o truco” às duas campanhas, um desafio público para que expliquem falas, dados ou promessas aparentemente insustentáveis. Também podemos discordar frontalmente dos candidatos quando acharmos suas propostas perigosas para a democracia e direitos humanos. Aí vamos carimbar um “Que medo” e fazer uma pequena matéria explicando o porquê. Temos também duas cartas novas: “candidato em crise”, quando há uma contradição com algo dito anteriormente, e “carta marcada”, quando a mesma afirmação questionável já foi usada no primeiro turno. Ao verificar esses dados, nosso objetivo é melhorar a qualidade do debate e estimular os eleitores a questionar o discurso dos presidenciáveis.

Acredito que a maioria dos brasileiros saiba o que é o truco, o popular jogo de cartas. Qualquer dúvida, clique aqui.

Morreu o biblista Hans Heinrich Schmid (1937-2014)

Leio no blog do Jim West, em alemão, a notícia da morte de H. H. Schmid no dia 5 de outubro de 2014, aos 77 anos de idade.

Hiermit möchte ich Sie darüber informieren, dass unser sehr geschätzter Kollege Hans Heinrich Schmid leider am 5.10.2014 verstorben ist. Nicht nur unser Fach verdankt ihm sehr starke Impulse. Im Anhang finden Sie zwei Nachrufe. Wir werden H.H.Schmid ein ehrendes Andenken bewahren. Möge Gott ihn in Gnade in sein Reich aufnehmen. Die Universität Zürich trauert um Prof. Dr. Hans Heinrich Schmid emeritierter Professor alttestamentliche Wissenschaft und allgemeine Religionsgeschichte. Rektor der Universität Zürich 1988-2000 verstorben am 5. Oktober 2014 im Alter von 77 Jahren. Hans Heinrich Schmid habilitierte sich 1966 an der Universität Zürich. 1967 wurde er zum Assistenzprofessor und 1976 zum Ordinarius ernannt. 2000 trat er in den Ruhestand.

E:

Prof. Dr. theol. Hans Heinrich Schmid emeritierter Professor für alttestamentliche Wissenschaft und allgemeine Religionsgeschichte verstorben am 5. Oktober 2014 im Alter von 77 Jahren. Durch seine weit reichende Forschung und engagierte Lehre hat Hans Heinrich Schmid auf den Feldern der Allgemeinen Religionsgeschichte, Alttestamentlichen Wissenschaft und Biblischen Theologie seit seiner Zürcher Dissertation über mehr als drei Jahrzehnte wissenschaftlich gewirkt, viele Studierende, Kolleginnen und Kollegen begeistert und die Fachdiskurse des Alten Testaments bis heute massgeblich mitgeprägt.

Sobre a participação de H. H. Schmid, professor emérito e ex-reitor da Universidade de Zurique, Suíça, na pesquisa recente do Pentateuco há várias referências em meu blog e página.

As obras de Van Seters (1975), H. H. Schmid (1976) e Rolf Rendtorff (1977) constituem marcos históricos nos estudos do Pentateuco.

As publicações de H. H. Schmid podem ser vistas aqui.

Resenhas na RBL: 06.10.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Abel Mordechai Bibliowicz
Jews and Gentiles in the Early Jesus Movement: An Unintended Journey
Reviewed by Michael G. Azar

Mark J. Boda, Carol J. Dempsey, and LeAnn Snow Flesher, eds.
Daughter Zion: Her Portrait, Her Response
Reviewed by Renata Furst

Warren Carter
Seven Events That Shaped the New Testament World
Reviewed by H. H. Drake Williams III

Israel Finkelstein
The Forgotten Kingdom: The Archaeology and History of Northern Israel
Reviewed by K. L. Noll
Reviewed by Daniel Pioske

Emmanouela Grypeou and Helen Spurling
The Book of Genesis in Late Antiquity: Encounters between Jewish and Christian Exegesis
Reviewed by Jeffrey L. Morrow

David Lincicum
Paul and the Early Jewish Encounter with Deuteronomy
Reviewed by Robert B. Foster
Reviewed by Archie T. Wright

Christopher McMahon
Reading the Gospels: Biblical Interpretation in the Catholic Tradition
Reviewed by Jean-François Racine

Claire S. Smith
Pauline Communities as ‘Scholastic Communities’: A Study of the Vocabulary of ‘Teaching’ in 1 Corinthians, 1 and 2 Timothy and Titus
Reviewed by Steve Walton

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Resenhas na RBL: 03.10.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Stéphanie Anthonioz
Le Prophétisme biblique: De l’idéal à la réalité
Reviewed by Michael S. Moore

Zvi Ben-Dor Benite
The Ten Lost Tribes: A World History
Reviewed by Joshua Schwartz

A. J. Culp
Puzzling Portraits: Seeing the Old Testament’s Confusing Characters as Ethical Models
Reviewed by Joel Stephen Williams

J. Christopher Edwards
The Ransom Logion in Mark and Matthew: Its Reception and Its Significance for the Study of the Gospels
Reviewed by Austin Busch

Joseph Fitzpatrick
The Fall and the Ascent of Man: How Genesis Supports Darwin
Reviewed by Paul Korchin

Nijay K. Gupta
Prepare, Succeed, Advance: A Guidebook for Getting a PhD in Biblical Studies and Beyond
Reviewed by Michael K. W. Suh

J. Todd Hibbard and Hyun Chul Paul Kim, eds.
Formation and Intertextuality in Isaiah 24–27
Reviewed by Andrew T. Abernethy
Reviewed by Jordan M. Scheetz

Stephen D. Moore
The Bible in Theory: Critical and Postcritical Essays
Reviewed by Ginny Brewer-Boydston

Christopher D. Stanley
Paul and Scripture: Extending the Conversation
Reviewed by Nijay Gupta

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Resenhas na RBL: 29.09.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

George J. Brooke, Daniel K. Falk, Eibert J. C. Tigchelaar, and Molly M. Zahn, eds.
The Scrolls and Biblical Traditions: Proceedings of the Seventh Meeting of the IOQS in Helsinki
Reviewed by Andrea Ravasco

Douglas Estes
The Questions of Jesus in John: Logic, Rhetoric and Persuasive Discourse
Reviewed by Cornelis Bennema

Amos Frisch
Torn Asunder: The Division of the Kingdom Narrative in the Books of Kings [Hebrew] Reviewed by David A. Glatt-Gilad

Isaac Kalimi
Das Chronikbuch und seine Chronik: Zur Entstehung und Rezeption eines biblischen Buches
Reviewed by Ralph W. Klein

Mark C. Kiley
Gospel Essays: Frontier of Sacred and Secular
Reviewed by Douglas A. Hume

Carol Meyers
Rediscovering Eve: Ancient Israelite Women in Context
Reviewed by Marianne Grohmann
Reviewed by Aren M. Maeir

David W. Pao
Colossians and Philemon
Reviewed by James P. Sweeney

Jonathan Stökl and Corrine L. Carvalho, eds.
Prophets Male and Female: Gender and Prophecy in the Hebrew Bible, the Eastern Mediterranean, and the Ancient Near East
Reviewed by John W. Hilber
Reviewed by Ryan N. Roberts



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Acabou de conhecer o Kindle?

Dicas aqui.

Dicas para novos usuários do Kindle – Cris Ferreira: Vida Sem Papel 07/10/2014

(…) Decidi aproveitar para apresentar a você este post de recapitulação, um roteiro para aqueles usuários que estão começando a conhecer seu Kindle. Os usuários mais experientes podem dar uma lida, pois pode ser que vocês encontrem aqui alguma dica que ainda não conheçam (…) Notem que vários destes artigos foram escritos há meses atrás, alguns antes de o Kindle começar a ser vendido no Brasil, alguns antes de muitas mudanças que tivemos desde então. Eu não tive tempo de atualizá-los, mas muitas das informações, principalmente no caso de tutoriais, ainda são bastante relevantes, então vou colocá-los aqui. Vale mencionar que entre estas dicas há varios artigos e tutoriais que também podem ser úteis para usuários de outros e-readers, como o Kobo e o Lev. Por isso, mesmo que você não possua um Kindle, vale a pena dar uma “passada” por este artigo para checar todas as dicas que eu organizei aqui.

Leia o texto.

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Kindle

Enquanto isto, nos vestiários, no intervalo do jogo

Na expectativa das alianças que irão recompor as forças partidárias para o segundo turno da eleição presidencial, os jornais apresentam aos leitores um jogo de adivinhações que tenta dissimular suas preferências políticas. Daqui para a frente, seja qual for o movimento das peças, tudo será levado ao propósito maior da mídia tradicional, que é recompor sua influência sobre o poder Executivo federal.

O núcleo das análises é o destino que será dado aos votos que foram para a ex-ministra Marina Silva no primeiro turno. No entanto, há muita especulação sobre o significado da manifestação dos eleitores e muito desencontro nas opiniões em torno de algumas das disparidades reveladas pelas urnas (…).

Neste momento de transição entre os dois turnos da eleição presidencial, por exemplo, os jornais tentam empurrar para a opinião do público a tese de que todos os votos destinados a Aécio Neves e Marina Silva retratam um desejo majoritário de mudança. Então, nos editoriais e nos artigos de seus colunistas mais engajados, dá-se uma nova definição para essa suposta manifestação dos eleitores, com o intuito de nominar o candidato que seria o depositário desse desejo.

Essa manipulação fica mais clara após a declaração explícita de apoio a Aécio Neves feita pelo jornal O Estado de S.Paulo. Para o leitor típico do tradicional diário paulista, não há estranheza: quem lê o Estado não apenas espera que ele se declare contra o governo do PT, mas se regozija com cada linha que reafirma essa orientação ideológica.

O jornal é conservador desde sempre, produz e realimenta uma visão de mundo típica da elite paulista, e não há mal nenhum nisso. O problema está em fingir-se uma expressão da vontade popular, coisa que nenhum dos grandes diários representa.

Tem mais. Leia.

Fonte: Luciano Martins Costa, O círculo vicioso das manipulações – Observatório da Imprensa: 07/10/2014 . Também aqui.