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Em Notícias: IHU On-Line de 18/03/2010, leio:
O fascinante futuro da teologia
Publicamos aqui alguns trechos do artigo do teólogo espanhol José María Vigil, presente no último livro da série “Pelos muitos caminhos de Deus“, editados pela Associação de Teólogos e Teólogas do Terceiro Mundo. Esse último volume, em seu número 5, é intitulado “Rumo a uma teologia planetária“, abordando o diálogo e o entrecruzamento entre a teologia da libertação mundial e a teologia do pluralismo religioso. O artigo foi publicado na revista italiana Adista em 15/03/2010.
Vale a pena ler este texto que coloca questões importantes. E que termina perguntando:
Qual é o futuro da teologia? Para onde ela vai? Fecundado por tantos paradigmas novos e por tantas experiências em curso, o futuro da teologia é promissor e sedutor para quem se deixa fascinar por essa inquietação radical do ser humano, do ser humano religioso que sempre busca entender a sua própria religião. Sem dúvida, estamos em um tempo de mudança radical, de formas novas de teologia que não foram nem sonhadas. O futuro é de quem se arrisca apontando para essa tarefa de refundação teológica.
Mas que começa constatando:
Para alguns, a pergunta [Qual é o futuro da teologia? Para onde ela vai?] é inútil, porque a teologia seria sempre a mesma, uma teologia perene. E deveria ser assim também no futuro. Pelos séculos dos séculos. Ela deveria buscar, simplesmente, ser fiel à sua missão de sempre e de “custodiar fielmente o depósito da fé”. Mas essa visão estática não resiste à verificação histórica. Porque, na realidade, a teologia não fez nada mais do que mudar, evoluir, constantemente, desde o seu início. (…) Segundo a definição anselmiana, a teologia é “fides quaerens intellectum“, fé que quer compreender. “Fides“, aqui, não é a fé como uma entidade abstrata, sem sujeito… Quem quer compreender são os sujeitos crentes, que querem entender aquilo em que creem. Pois bem, com a mudança dos sujeitos crentes, geração após geração, em contextos históricos que em cada tempo são diversos, a sua busca de compreensão – “quaerens intellectum” – inevitavelmente evoluiu (…). Na última parte do século passado, as comunicações, as migrações, o turismo, a própria mundialização diversificaram enormemente as sociedades. A maior parte do globo se tornou pluricultural e plurirreligiosa. Desapareceram quase totalmente as sociedades homogêneas, monoculturais e monorreligiosas em que se podia fazer teologia no interior de uma única religião, sem compreender as perguntas que surgem das reivindicações de verdade de outras religiões (…). Antes ou depois, com maior ou menor consciência, os crentes querem finalmente compreender a relação da sua própria fé com os outros credos e reinterpretar as antigas respostas herdadas à luz desse pluralismo. É a teologia das religiões (nunca na história a teologia havia se colocado a questão das outras religiões), que depois se chamou teologia do pluralismo (que se pergunta: esse pluralismo é de fato ou de direito?) e que desemboca, enfim, na teologia pluralista: uma perspectiva nova, antes inimaginável na maior parte das religiões. Se na sociedade convivem, agora, inevitavelmente, muitas religiões (…), o crente não quer saber só da sua própria religião, mas quer saber também o que as outras dizem. A teologia responde não com a resposta única de uma só religião, mas com o leque de respostas que as diversas religiões fornecem, para que a pessoa possa se enriquecer com tudo isso. Nunca aconteceu algo semelhante na história da teologia: trata-se da teologia comparativa. Nesse contexto inter-religioso, são muitos os crentes – mesmo que ainda representem uma exceção – que têm uma experiência religiosa plural, que vivem a sua própria experiência religiosa em mais de uma religião. Têm um duplo pertencimento ou às vezes um pertencimento múltiplo. Obviamente, são muitos mais aqueles que acreditam que isso não seja possível ou que seja errado… e fazem bem ao não buscar experimentar. Mas o fato surpreendente daqueles que vivem um pertencimento múltiplo interpela a teologia com uma outra pergunta inédita: por que não deveria ser possível uma teologia inter-religiosa, multifé? A possível teologia inter-religiosa, apoiada por alguns, desprezada por outros, está aí, mesmo que em fase de experimentação.
E qual seria o perfil da teologia do futuro? José María Vigil arrisca o seguinte quadro:
“A maior parte das formas de teologia dos últimos tempos pode continuar, cada uma no nicho em que foi sistematizada. Mas a meu ver isso não impede que, na evolução da teologia, possa se descobrir uma direção, um sentido que indique um certo perfil previsível da teologia do futuro.
Na nossa modesta opinião, essa teologia teria as seguintes características:
:: Não será mais uma teologia que coloque muito o acento sobre o ‘teo’, porque aumentará sempre mais o conhecimento, em todas as latitudes, de que o teísmo é um modelo de compreensão/expressão da nossa concepção da divindade, não uma descrição certa e menos ainda imprescindível da ‘Realidade última’;
:: Não será, nem com muito entusiasmo, ‘logia’, porque nesse ponto já descobrimos em nível mundial as deficiências da unilateralidade do discurso racional que exalta o ‘logos’ a despeito de outras dimensões mais sutis do conhecimento humano;
:: Será confessional quando for útil – para o serviço teológico no interior de ministérios ou âmbitos de uma determinada religião, obviamente – mas também saberá ser, quando necessário, não confessional, ecumênica e supraconfessional, em função do público ao qual se dirige e do âmbito em que se inscreve;
:: Será, em todo o caso, pluralista, isto é, superará o complexo de superioridade religiosa do qual quase todas as religiões do mundo sofreram, um complexo que as levou a se considerarem diretamente divinas, a única religião válida do mundo. Ora, diante da evidência de que todas as religiões são lâmpadas da riqueza infinita da Realidade última, perceberão que o pluralismo religioso é o que foi ‘querido por Deus’, em vez de ser um mal a ser combatido;
:: Mesmo quando for confessional, certamente deverá ser, sempre mais, uma teologia comparativa: na sociedade plural, deverá se encarregar da palavra das outras religiões (…) mais do que permanecer dentro de restritos limites autorreferenciais;
:: Mas mais do que simplesmente comparativa, será muitas vezes inter-religiosa, interfé, intercrente, multirreligiosa, multifé… (é ainda prematuro um vocabulário definitivo). Mesmo que hoje ela pareça ser impossível para muitos, para outros ela é uma possibilidade já em curso. Não é absolutamente excepcional a experiência de dupla ou múltipla pertença religiosa, mesmo que para muitos isso seja inimaginável. Aqueles que a experimentam estão em condições de elaborar esse tipo de teologia, e já estão em curso experiências provisórias, mas promissoras;
:: Se poderá ser não confessional, é óbvio que ela poderá ser ‘laica’, não oficial, nem clerical, nem pertencente a alguma instituição religiosa: uma teologia fora da instituição, laica, civil, espiritual, humana. Quem souber abrir os olhos provavelmente descobrirá que essa teologia já está em curso e que abre caminho, muitas vezes sem esse nome. Não é uma teologia convencional, que trabalha de maneira confessional, mas sim uma teologia que pretende simplesmente ‘humanizar a humanidade’;
:: Desde os tempos da teologia da libertação, acredito que essa qualificação não é facultativa, mas essencial: não existe teologia se não for libertadora. Mas a velha forma de teologia da libertação deve ser fecundada – e já o está fazendo – com os novos paradigmas que a seguiram. Não pode continuar sendo exclusivista, como foi originariamente, não por vontade explícita, mas de maneira inconsciente. Não poderá nem ser tão antropocêntrica como foi, também involuntariamente: agora, deverá ser cosmo-biocêntrica, para humanizar a humanidade e o planeta, a partir de uma perspectiva de eco-justiça.
Qual é o futuro da teologia? Para onde ela vai?
Fecundado por tantos paradigmas novos e por tantas experiências em curso, o futuro da teologia é promissor e sedutor para quem se deixa fascinar por essa inquietação radical do ser humano, do ser humano religioso que sempre busca entender a sua própria religião.
Sem dúvida, estamos em um tempo de mudança radical, de formas novas de teologia que não foram nem sonhadas. O futuro é de quem se arrisca apontando para essa tarefa de refundação teológica”.
De vez em quando, pessoas interessadas em notícias sobre a Igreja Católica, sobre outras igrejas, sobre religião e mundo contemporâneo me perguntam onde podem encontrá-las na Internet.
Pois aí vai uma pequena lista de sites, em ordem alfabética, que costumo consultar.
Lembrando também que há ainda as várias páginas das dioceses, de vários organismos das igrejas cristãs, e, certamente, muitos outros sites que desconheço…
Estas fontes estão, em geral, em português, espanhol, italiano, francês, inglês e alemão.
:: CONIC – Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil
:: Conselho Mundial de Igrejas – World Council of Churches
:: Crux
:: FaithWorld
:: National Catholic Reporter – Vatican
:: Notícias IHU
:: Vu de Rome
Lula recebe pedidos de encontro com Irã e fim de relações com Israel
O rabino Israel Lau, presidente do Memorial do Holocausto Yad Vashen e sobrevivente dos campos de concentração, pediu publicamente nesta terça-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promova um encontro do israelense com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad (…) O rabino Lau foi liberado do campo de concentração em 1945, quando tinha oito anos. Ele foi grão-rabino de Israel entre 1993 e 2003, preside o memorial de Yad Vashem desde 2008, e mantém suas funções de grão-rabino de Tel Aviv (…) Já a ONG palestina “Stop the Wall” (Pare o Muro) pediu a Lula que corte as relações comerciais e militares com Israel, alegando que isso legitima o apoio brasileiro à ocupação israelense. A organização não-governamental critica ainda o TLC (Tratado de Livre Comércio) assinado entre o Mercosul e Israel.
Leia a notícia completa.
Fonte: Folha Online: 16/03/2010 – 14h23
AMORIM, C. Teerã, Ramalá e Doha: Memórias da Política Externa Ativa e Altiva. 2. ed. São José dos Campos: Benvirá, 2018, 520 p. – 9788557172074.
Durante os quase dez anos em que foi ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim mostrou como um chanceler pode ser muito mais que um assessor do Chefe de Governo e imprimir uma marca própria em sua área de atuação. Em Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva, o leitor poderá acompanhar a trajetória da política brasileira em relação aos países árabes, culminando no reconhecimento do Estado palestino. Ora no papel de político-diplomata, ora no de negociador comercial, Amorim conduziu o Brasil ao protagonismo na busca por uma solução pacífica e negociada para a questão nuclear iraniana – bem como nas negociações da Rodada Doha. Por meio de um relato de forte cunho pessoal e minucioso das negociações que conduziu ou das quais participou, Amorim mostra como agem as grandes potências e seus líderes e expõe o emaranhado de motivações que os impulsiona. Alargando a fronteira das discussões político-diplomáticas, o autor ainda abre espaço à narrativa de passagens emotivas, como a do resgate de brasileiros refugiados no Líbano; pitorescas, como a do pedido a um príncipe saudita para que intercedesse pela libertação de um brasileiro, preso por ter agredido um árbitro de futebol; ou intelectualmente estimulantes, como a de seu encontro com o escritor Amós Oz.
Celso Amorim nasceu em Santos (SP), em 1942. Depois de breve incursão pelo cinema, iniciou-se na carreira diplomática em 1963, formando-se pelo Instituto Rio Branco e fazendo pós-graduação na Academia Diplomática de Viena e na London School of Economics and Political Science. Foi presidente da Embrafilme, embaixador em Genebra e Londres, presidente do Conselho de Segurança da ONU, ministro das Relações Exteriores nos governos Itamar e Lula e ministro da Defesa no primeiro mandato do governo Dilma.
A diplomacia do Brasil no governo Lula – Por Carlos Azevedo – Portal Vermelho – 30/01/2017
O livro do ex-chanceler Celso Amorim, relatando o protagonismo alcançado pela política externa do Brasil durante os oitos anos do governo de Lula, foi escrito em 2014. Mostra que é possível ter uma diplomacia independente. Lido hoje, é um contraponto à diplomacia de Temer e José Serra, que voltou a ser subalterna ao império norte-americano.
Amorim destaca três grandes empreitadas do Itamaraty: um acordo sobre a questão nuclear do Irã, a rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a aproximação com os países árabes.
Teerã, Ramalá e Doha – memórias da política externa ativa e altiva, do ex-ministro de Relações Exteriores Celso Amorim, já seria um livro atual só por retratar exaustivamente os oito anos de política externa do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas está ainda mais na ordem do dia porque oferece oportunidade de comparação com a atual política externa submissa aos EUA. Durante aquele período o governo brasileiro se esforçou para traduzir na política externa o peso real do país na geopolítica mundial.
O ACORDO COM O IRÃ
Percorrendo as primeiras cem páginas do livro (“A Declaração de Teerã – a oportunidade perdida?”), o leitor mergulha numa teia de relações complexas, de viagens cansativas, discussões exaustivas, situações de suspense e até de humor, em que se descortina como fazem política as grandes potências.
Em 2006, durante conversa telefônica com Ângela Merkel, primeira-ministra da Alemanha, Lula disse que o Brasil tinha condições de ajudar na busca de um acordo com o Irã. Os dois países haviam intensificado muito suas relações comerciais (trocas anuais de 2,4 bilhões de dólares) e se aproximado diplomaticamente. Uma visita de Mahmoud Ahmadinejad, o presidente iraniano, ao Brasil, estava sendo planejada.
As negociações com o P5+1 (EUA, França, Reino Unido, Rússia, China – membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas – e Alemanha) estavam empacadas e sem propostas de lado a lado. Foi quando, em algum momento de 2009, o Irã solicitou a intermediação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O país persa queria adquirir no mercado internacional de pastilhas (ou varetas) contendo combustível com urânio enriquecido a 20% para seu reator de pesquisas (TRR) produzir isótopos para diagnóstico de tratamento de câncer. Ninguém poderia se opor a isso porque todo país tem direito a desenvolver produção nuclear para fins pacíficos. Além do que, depois de enriquecido a 20%, o urânio não pode ser revertido para fins militares.
A diplomacia dos EUA espertamente arquitetou um “plano de troca” para fazer avançar as negociações. Sabia-se que o Irã já havia produzido cerca de 2 mil quilos de urânio levemente enriquecido (LEU na sigla em inglês) a 4% ou 5%. A ideia era propor uma troca: para cada quilo de urânio enriquecido a 20% que fosse fornecido para o reator do Irã, este deveria entregar, em território estrangeiro, 10 quilos de LEU, num total de 1.200 quilos. Com isso, imaginavam os EUA, se atrasaria em pelo menos um ano o processo de produção de uma bomba nuclear iraniana (em que pese todo o tempo o Irã negar que seu programa nuclear tivesse fins militares). Feita a proposta, o Irã recusou por vários motivos, entre os quais os de não aceitar que seu urânio ficasse em outro país e, basicamente, por nutrir forte desconfiança das reais intenções dos proponentes.
Apesar de até então ter relação superficial e ser mais distante de Lula do que o ex-presidente George W. Bush, Obama pediu um encontro com o brasileiro em julho de 2009, durante uma conferência de chefes de Estado. Obama lamentou que sua mão estendida ao Irã havia sido recusada. Sugeriu que o presidente do Brasil procurasse ajudar no entendimento com o Irã. Pela mesma época fez sugestão semelhante aos dirigentes da Turquia.
Na véspera da chegada do presidente do Irã ao Brasil, em novembro de 2009, Obama enviou uma carta, com os mesmos dizeres, ao Brasil e à Turquia, detalhando os termos que a seu ver pareciam ajustados para um acordo.
Um pouco antes, um enviado especial da Casa Branca, Bill Burns, veio ao Brasil e fez notar a Amorim que o fato de o P5+1 propor receber o urânio (LEU) do Irã significava que passava a haver por parte dessas potências um reconhecimento tácito da realidade do programa de enriquecimento nuclear iraniano. Isso foi dito por Lula a Ahmedinejad durante a visita, mas o iraniano deixou passar batido. No entanto, seu ministro de Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, que o acompanhava, tomou nota.
Durante os seis meses seguintes, Brasil e Turquia se empenharam profundamente em estabelecer um clima de confiança com o Irã e discutir cada aspecto do acordo. Amorim se multiplicava em sucessivas reuniões com as partes, e Lula, muito empenhado, mantinha Obama informado.
Obama começou a ficar pessimista. Numa reunião pedida por Lula e Recep Erdogan, primeiro-ministro turco, o presidente americano mostrou-se pouco à vontade, agressivo até. Reclamou do Irã, qualificou de “ingênuas” as negociações puramente diplomáticas. E fez uma declaração que deixou Lula e Amorim perplexos. Disse que com essa demora, era iminente um ataque de Israel ao Irã. Amorim comentaria com Lula: é um raro caso em que o protegido e não o protetor é quem tem a chave das iniciativas.
Rússia e China, membros do P5+1, tradicionais defensoras do Irã no Conselho de segurança da Nações Unidas, a ONU, surpreendentemente, aceitaram dar apoio às sanções. Em reuniões com os russos e chineses Amorim percebeu o motivo dessa ambiguidade: os países detentores de armas nucleares não apreciam que outros venham se juntar a esse clube restrito. Além disso, obtiveram garantia dos EUA de que seus negócios com o Irã não seriam prejudicados pelas sanções. Assim atuam as grandes potências, reflete o ex-chanceler brasileiro.
Amorim desenvolveu delicadas negociações com os iranianos em um lento processo de avanço. Em 16 de maio de 2010, Lula chegou a Teerã. Encontrou-se com Ahmedinejad e depois com o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei. Não era comum que o Líder Supremo se encontrasse com chefes de Estado de países não islâmicos.
Data histórica: 17 de maio de 2010. Irã, Brasil e Turquia anunciam a declaração conjunta. Editorial de diário francês Le Monde: “Os livros de História vão guardar esta data, segunda-feira, 17 de maio, quando Brasil e Turquia propuseram à ONU o acordo negociado com o Irã”. Os itens principais:
1. Todos os países (Irã explicitamente citado) têm direito ao uso da energia nuclear para fins pacíficos, inclusive atividades de enriquecimento de urânio;
2. Aceitação da troca de materiais como ponto de partida para maior cooperação nesse campo:
3. O acordo deve ensejar o abandono da estratégia baseada em sanções;
4. Os parágrafos 5 a 8 descrevem os procedimentos relativos ao depósito de 1.200 quilos de urânio do Irã na Turquia e a notificação que Teerã devia fazer à AIEA;
5. A garantia de que o Irã deve receber, “em não mais de um ano”, os 120 quilos de combustível para o seu reator de pesquisa;
6. Enquanto estiver na Turquia, o LEU continuará a ser do Irã (se as cláusulas não fossem respeitadas pelo P5+1, o LEU será devolvido ao Irã).
Lula e Erdogan podiam festejar um êxito que poucos consideravam possível. Até mesmo Amorim estava surpreso com o resultado. A assinatura motivou manifestações de entusiasmo dos negociadores, registradas pelos fotógrafos, mas logo criticadas pela mídia brasileira, que só via dois países democráticos se confraternizando com um “tirano truculento”.
Amorim telefonou para Hillary Clinton, então secretária de Estado americana, que recebeu muito mal a notícia, dizendo que os EUA iam continuar a buscar ampliar as sanções. “Não se pode confiar no Irã”. A rejeição in limine de Hillary causou surpresa até pela linguagem anti-diplomática. A imprensa internacional observou que a razão da acidez de Hillary estava na relação entre a força do lobby israelense e suas pretensões a se candidatar à presidência dos EUA.
Os EUA rejeitaram o acordo. Segundo artigo publicado pelo diário The New York Times, “Washington, ao criticar o acordo e julgá-lo insuficiente, teria ‘mudado a trave de lugar’. O Premio Nobel da Paz El Baradei disse que recusar o acordo era o mesmo que “não aceitar um sim como resposta”.
O dia 9 de junho de 2010 certamente será histórico, diz Amorim. Foi quando o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas aprovou novas sanções contra o Irã. Brasil e Turquia, então membros temporários do CS, votaram contra. Expressaram assim sua indignação pela rasteira que haviam tomado dos EUA.
Em 2015, cinco anos depois, e diante do fato de que o P5+1 e o Irã firmaram um acordo praticamente igual ao obtido em 2010, crescem as avaliações de que aquela foi uma oportunidade perdida. Com o agravante de que nesse período a população iraniana passou por grandes privações por conta das sanções. E, pior para o P5+1, se o Irã havia produzido 2 mil quilos de urânio levemente enriquecido em 2010, em 2015 já produzira cerca de 10 mil quilos.
Tempos depois, durante almoço em Brasilia, Sergey Lavrov, ministro russo de Relações Exteriores, disse a Amorim: “Se lembra do acordo que Brasil e Turquia negociaram? Se tivesse sido aceito por Washington, teríamos ganhado muito tempo”.
APROXIMAÇÃO COM OS PAÍSES ÁRABES
A segunda das três partes do livro trata da ação diplomática do Brasil para ampliar as relações comerciais e aproximar os países do Oriente Médio na linha Sul-Sul defendida por Lula. Em 19 março de 2003, o ex-presidente praticamente inaugurou sua política diplomática ao fazer vigoroso pronunciamento condenando o bombardeio do Iraque e o uso da violência ilegalmente (sem aval do CS).
O ataque ao Iraque havia posto fim a ilusões de uma ordem internacional pacífica após a Guerra Fria. Lula propôs uma nova geografia econômica e política. O mundo é maior que EUA e Europa, ele disse. Promoveu um relacionamento inédito com árabes e africanos. Propôs uma reunião conjunta de chefes de Estado dos países da América do Sul e dos países árabes.
O presidente brasileiro estava quebrando paradigmas na relação com países diferentes. Relações comerciais à frente, Lula não fugiu dos temas políticos, como criação do Estado Palestino, colinas de Golan, reconstrução do Iraque destruído pela guerra, reforma do CS da ONU e Rodada Doha da organização Mundial de Comércio. Lula dizia em seus discursos que estava “no poder” dos países em desenvolvimento mudar a geografia econômica do mundo.
Como parte dessa ofensiva, Amorim fez um périplo pelos países árabes. Chegou a comentar: “Não se pode fazer politica externa ativa sem avião próprio”. Num só dia tomou café da manhã no Qatar, almoçou no Kuwait e jantou no Líbano (ele e sua comitiva de seis auxiliares). Viajavam num Legacy da FAB, fabricado pela Embraer.
Os frutos comerciais logo apareceram. Os negócios entre Emirados Árabes Unidos e o Brasil quintuplicaram entre 2003 e 2013, com as exportações passando de 550 milhões de dólares para 2,6 bilhões de dólares. As exportações para a Arábia Saudita, de 800 milhões de dólares em 2004, saltaram para 3,5 bilhões de dólares em 2011.
Amorim passou ao ano de 2004 em visitas e preparativos da Cúpula América do Sul e Países Árabes, que se deu em maio de 2005. Lula dava grande ênfase a esse processo de aproximação. Em todos os fóruns também era posta em discussão a candidatura do Brasil a uma vaga permanente no CS. Muitos países manifestavam apoio. A Argentina destoava, fazia corpo mole. Para agradar, o ex-presidente argentino Eduardo Duhalde foi incluído nas viagens. O que poderia melhorar a disposição da Argentina? Em 2005, Amorim fez uma anotação premonitória no seu caderninho: “Quem sabe se o novo papa fosse argentino? Mas isso é lá com o Espírito Santo…”.
A reunião de cúpula foi muito representativa, contou com as presenças de chefes de Estado e de governo e de 1.200 empresários. “Raramente se veem tantos líderes árabes juntos”, disse o chanceler da Tunísia. Grande repercussão internacional: Le Monde e o espanhol El País avaliam o evento como “histórico”, “inédito”.
Logo depois, a diplomacia de Lula teve oportunidade de se mostrar na prática. Em resposta a um ataque do Hezbollah, em julho de 2006, Israel provocou grande destruição no Líbano. Muitos brasileiros ali residentes foram atingidos, sete mortos. Em operação inédita da nossa diplomacia, 3 mil brasileiros foram retirados em meio aos combates em comboios para a Síria e a Turquia. Deu muito trabalho ao Itamaraty coordenar a operação-resgate, mobilizar caminhões para comboios, pedir a Israel para não bombardeá-los, prover abrigos no destino e aviões para virem ao Brasil.
Outro momento de tensão em que a diplomacia brasileira interveio deu-se em fins de 2008, quando tropas de Israel atacaram Gaza. Ataque desproporcional, que resultou em 200 mortos, a maioria mulheres e crianças. Lula se manifestou indignadamente com a omissão dos outros países diante da “carnificina”. Queria algo mais que “notas condenatórias”. Amorim passou a trabalhar em favor de um cessar-fogo imediato, envolvendo-se em reuniões com todos os lados, Israel, Autoridade Nacional Palestina (ANP), Síria, Jordânia e Egito.
Último lance: em 3 de dezembro 2010, em resposta a uma solicitação de Mahmoud Abbas, da ANP, Lula afirmou que “o Brasil, por meio desta carta, reconhece o Estado Palestino nas fronteiras de 1967”. Foi logo seguido por todos os Estados sul-americanos, com exceção da Colômbia. A revista mensal americana Foreign Policy comentou: “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu reformador ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, continuam a criar fatos novos no seu último mês de governo…”.
A RODADA DOHA DA OMC
A terceira parte do livro relata as negociações da chamada Rodada Doha, da OMC. De um lado, os países em desenvolvimento pleiteavam a redução e até a extinção dos subsídios pagos pelos países desenvolvidos aos seus produtores agrícolas, o que inviabilizava a agricultura nos países mais pobres, provocando a miséria e a fome. De seu lado, os países desenvolvidos requeriam a redução das barreiras alfandegárias dos países em desenvolvimento para seus produtos industriais. Amorim esteve engajado nessa tarefa desde 2003, quando assumiu o ministério de Relações Exteriores, até julho de 2008, quando as negociações foram suspensas sine die.
Em maio de 2005 havia esperança. O Brasil conseguiu que a União Europeia recuasse parcialmente em suas posições protecionistas. Le Monde escreveu: “sob pressão do Brasil, União Europeia cedeu e jogou fora algum lastro. Não está mal”. A revista britânica The Economist avaliou: “progresso, enfim”.
Na Conferência de Hong Kong houve duríssimas negociações sobre redução de subsídios agrícolas, com forte resistência da União Europeia. Amorim chegou a anunciar sua retirada das negociações. Voltou, instado pelo representante dos EUA, que disse que algum avanço havia sido dado sobre a data em que os subsídios seriam reduzidos ou totalmente cortados – 2010 – ou até 2013.
Na reunião de Genebra, em julho de 2008, a Rodada Doha fracassou. As posições dos participantes se enrijeceram. Com isso, acabaram por derrubar qualquer solução para o impasse. Em 29 de julho, quatro dias depois do prazo previsto para o encerramento da reunião foi anunciado o colapso das negociações.
Amorim previu que seriam necessários três ou quatro anos para recompor um pacote que permitisse chegar a um acordo. “Com otimismo”, diz ele, já que as negociações não foram retomadas.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, em 2010, Amorim comentou que “os países desenvolvidos não haviam demonstrado o compromisso necessário com a estabilidade econômica global (…). Em nenhuma outra área isso é tão evidente quanto na Rodada Doha da OMC. Uma solução equilibrada nesse processo, que se estende por quase dez anos, favoreceria, com o fim dos subsídios distorcidos e das barreiras protecionistas, a expansão econômica e o desenvolvimento nos países mais pobres, as principais vítimas da visão estreita e mesquinha que ainda prevalece em relação ao comércio internacional”.
Assim se encerrou esse período em que o Brasil se inseriu no “grande jogo” da política internacional. Nas três grandes empreitadas em que se envolveu, apenas teve sucesso na aproximação com os países árabes. O fato é que a diplomacia do “poder suave” (soft power), o caminho das negociações, proposto por Lula, não foi capaz de mudar as relações internacionais. É o caso de perguntar, parafraseando Joseph Stálin: quantas bombas nucleares tem o Brasil?
Fiz hoje a atualização do Observatório Bíblico do Modelo Clássico para o Modelo Layout do Blogger.
É instantâneo. Escolhi o mesmo modelo que usava no clássico para não perder muitos elementos. Pois a mensagem que a gente recebe é: Selecione um novo modelo para seu blog. Se alterar o modelo, quaisquer mudanças feitas em Fontes e Cores serão descartadas. Seus Elementos da página serão mantidos.
O que dá trabalho é reinserir os elementos de personalização que não foram transferidos automaticamente.
Mas acho que já está quase tudo funcionando. Agora preciso consultar soluções também no Forum de Ajuda do Blogger.
A mudança – que eu não queria – foi necessária por causa da “bendita” Auto Pagination que, na prática, inviabiliza o uso do Modelo Clássico.
As pessoas não morrem. Ficam encantadas, escreveu Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas.
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As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:
François Bovon
L’Evangile selon saint Luc 19,28-24,53
Reviewed by Richard I. Pervo
Robin Gallaher Branch
Jeroboam’s Wife: The Enduring Contributions of the Old Testament’s Lesser-Known Women
Reviewed by Wil Gafney
Jean-Marie van Cangh
Les sources Judaïques du nouveau testament: Recueil d’essais
Reviewed by Peter Tomson
Shawna Dolansky, ed.
Sacred History, Sacred Literature: Essays on Ancient Israel, the Bible, and Religion in Honor of R. E. Friedman on His Sixtieth Birthday
Reviewed by Bob Becking
Pamela Eisenbaum
Paul Was Not a Christian: The Original Message of a Misunderstood Apostle
Reviewed by Yung Suk Kim
Dirk Hartwig, Walter Homolka, Michael J. Marx, and Angelika Neuwirth, eds.
“Im vollen Licht der Geschichte”: Die Wissenschaft des Judentums und die Anfänge der kritischen Koranforschung
Reviewed by Ernst Axel Knauf
Bernard M. Levinson
Legal Revision and Religious Renewal in Ancient Israel
Reviewed by Bruce Wells
Lee Martin McDonald
Forgotten Scriptures: The Selection and Rejection of Early Religious Writings
Reviewed by Francis Dalrymple-Hamilton
Paul Middleton, Angus Paddison, and Karen Wenell, eds.
Paul, Grace and Freedom: Essays in Honour of John K. Riches
Reviewed by Michael J. Lakey
Mogens Müller
The Expression ‘Son of Man’ and the Development of Christology: A History of Interpretation
Reviewed by Rollin Kearns
Eckart Otto
Die Tora: Studien zum Pentateuch: Gesammelte Schriften
Reviewed by Trent C. Butler
C. Kavin Rowe
World Upside Down: Reading Acts in the Graeco-Roman Age
Reviewed by V. Henry Nguyen
Karel van der Toorn
Scribal Culture and the Making of the Hebrew Bible
Reviewed by Richard Weis
Alexander Tsutserov
Glory, Grace, and Truth: Ratification of the Sinaitic Covenant according to the Gospel of John
Reviewed by Christopher W. Skinner
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