O Êxodo e sua reduzida possibilidade histórica

:: Dupla americana simula milagre de Moisés; divisão do mar teria sido no Nilo – Reinaldo José Lopes: Folha.com – 22/09/2010 – 09h11

Segundo o texto bíblico, “um forte vento leste” soprando sobre o mar teria aberto as águas para Moisés e os israelitas que fugiam do Egito.

Agora, dois cientistas dizem que o “milagre” é compatível com as leis da física. Carl Drews, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA, e Weiqing Han, da Universidade do Colorado em Boulder, traçam um cenário que eles consideram “relativamente próximo” do descrito no livro do Êxodo, o segundo da Bíblia.

Em artigo recente na revista científica “PLoS One”, eles estimam que um vento de velocidade próxima de 100 km/h, soprando sobre a desembocadura do rio Nilo por 12 horas, teria sido suficiente para empilhar as águas e abrir uma passagem com alguns quilômetros de largura.

(…)

Como tudo que cerca o lado histórico dos textos bíblicos, a pesquisa já nasce polêmica.

(…)

Nem ele nem Han dizem ter provado a veracidade do Êxodo.

Toda a história da fuga dos israelitas do Egito, aliás, é muito contestada por arqueólogos e historiadores.

Gente como o arqueólogo Israel Finkelstein lembra, primeiro, que não há menções ao épico nos registros egípcios nem artefatos ligados à migração de 40 anos de Moisés e hebreus no deserto. Em segundo lugar, tanto a língua quanto os artefatos dos povos que formariam mais tarde o reino de Israel são praticamente idênticos aos dos povos que já habitavam a antiga terra de Canaã (hoje dividida entre judeus e palestinos), supostamente invadida pelos israelitas. Por isso, muitos arqueólogos apostam que o povo de Israel teria surgido dentro da própria Canaã, a partir de tribos que já viviam por lá.

 

:: Dynamics of Wind Setdown at Suez and the Eastern Nile Delta – Carl Drews; Weiqing Han: PLoS ONE – August 30, 2010
Wind setdown is the drop in water level caused by wind stress acting on the surface of a body of water for an extended period of time. As the wind blows, water recedes from the upwind shore and exposes terrain that was formerly underwater. Previous researchers have suggested wind setdown as a possible hydrodynamic explanation for Moses crossing the Red Sea, as described in Exodus 14 (…) Under a uniform 28 m/s easterly wind forcing in the reconstructed model basin, the ocean model produces an area of exposed mud flats where the river mouth opens into the lake. This land bridge is 3–4 km long and 5 km wide, and it remains open for 4 hours. Model results indicate that navigation in shallow-water harbors can be significantly curtailed by wind setdown when strong winds blow offshore.

:: When PZ Myers and Jim West Agree – Duane Smith: Abnormal Interests – September 22, 2010
The paper attempts to answer a question that no serious student of the Bible, believing or not, is asking. And no very few (other) scientists, believing or not, are interested in this question either. Most scientists , like most Biblical scholars, don’t even think it is a question.

:: Another Naturalistic Explanation for a Theological Claim: ‘Science’ Attempts to ‘Explain’ The Parting of the Red Sea – Jim West: Zwinglius Redivivus – September 21, 2010
Scientists, hear me, the Bible doesn’t need your explanations. Try curing the common cold and leave the Bible to people who understand it.

:: Inventing excuses for a Bible story, and getting them published in a science journal? – PZ Myers: Pharyngula: September 22, 2010
A bad paper has been published in PLoS One. It’s competently executed within its narrow scope, as near as I can tell, but its premise is simply to reach for more pretense of a scientific basis for biblical fairy tales by an old earth creationist. It should have been rejected for asking an imaginary question and answering it with a fantasy scenario.

Gramática de hebraico: mais uma ferramenta bíblica

FARFÁN NAVARRO, E. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Loyola, 2010, 192 p. – ISBN 9788515037445.

O Cássio Murilo pediu e a Loyola me enviou, na semana passada, esta gramática de hebraico bíblico que acaba de ser publicada no Brasil, na coleção Ferramentas Bíblicas.

O original é espanhol, publicado pelo Editorial Verbo Divino em 1997, com o título de Gramática elemental del hebreo bíblico.

A tradução para o português é de Celso Pedro da Silva e Cássio Murilo Dias da Silva.

Diz a editora:
Esta gramatica oferece uma exposição clara e simples a todos os que desejam ter um primeiro contato com a língua hebraica bíblica. Uma breve antologia e dois pequenos vocabulários oferecem aos estudantes um rico material complementar para se aventurarem na leitura dos originais.

Alguns alunos da Teologia do CEARP, que estão estudando hebraico neste semestre, apreciaram, mesmo que rapidamente, a clareza do texto.

Resenhas na RBL: 10.09.2010

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Craig L. Blomberg
The Historical Reliability of the Gospels
Reviewed by Robert H. Gundry

Hallvard Hagelia
The Dan Debate: The Tel Dan Inscription in Recent Research
Reviewed by George Athas

Harry A. Hoffner Jr.
Letters from the Hittite Kingdom
Reviewed by Paul Sanders

Petri Kasari
Nathan’s Promise in 2 Samuel 7 and Related Texts
Reviewed by David G. Firth

Craig S. Keener
The Historical Jesus of the Gospels
Reviewed by Craig L. Blomberg

Lloyd Kim
Polemic in the Book of Hebrews: Anti-Judaism, Anti-Semitism, Supersessionism?
Reviewed by Lars Kierspel

Dan Lioy
Axis of Glory: A Biblical and Theological Analysis of the Temple Motif in Scripture
Reviewed by Timothy D. Howell

Joel N. Lohr
Chosen and Unchosen: Conceptions of Election in the Pentateuch and Jewish-Christian Interpretation
Reviewed by Dale Patrick

Daniel C. Matt
The Zohar: Pritzker Edition (vol. 4)
Reviewed by Marvin Sweeney

Maarten J. J. Menken and Steve Moyise, eds.
The Minor Prophets in the New Testament
Reviewed by Matthew Mitchell

Romano Penna
Paolo e la Chiesa di Roma
Reviewed by Sean Martin

J. Goldingay and P. Scalise
Minor Prophets II
Reviewed by J. Clinton McCann Jr.

J. David Schloen, ed.
Exploring the Longue Durée: Essays in Honor of Lawrence E. Stager
Reviewed by Raz Kletter

Bernard A. Taylor
Analytical Lexicon to the Septuagint (Expanded Edition)
Reviewed by Martin Roesel

Brian L. Webster
The Cambridge Introduction to Biblical Hebrew (with CD-ROM)
Reviewed by Andrew Davies

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Resenhas na RBL: 27.08.2010

As seguintes resenhas foram recentemente (ou quase) publicadas pela Review of Biblical Literature:

Walter Brueggemann
An Unsettling God: The Heart of the Hebrew Bible
Reviewed by Eric A. Seibert

Erasmus Gaß
Die Moabiter: Geschichte und Kultur eines ostjordanischen Volkes im 1. Jahrtausend v. Chr.
Reviewed by Sven Petry

Joel B. Green, ed.
Hearing the New Testament: Strategies for Interpretation
Reviewed by Coleman A. Baker
Reviewed by Margaret E. Lee

Sarah Lebhar Hall
Conquering Character: The Characterization of Joshua in Joshua 1-11
Reviewed by Anton Cuffari

Michaela Hallermayer
Text und Überlieferung des Buches Tobit
Reviewed by Bradley Gregory

Luke Timothy Johnson
The Writings of the New Testament: An Interpretation
Reviewed by Patrick J. Hartin

Andreas J. Köstenberger, L. Scott Kellum, and Charles L. Quarles
The Cradle, the Cross, and the Crown: An Introduction to the New Testament
Reviewed by Patrick J. Hartin

Michael Root and James J. Buckley, eds.
Sharper Than a Two-Edged Sword: Preaching, Teaching, and Living the Bible
Reviewed by Richard S. Briggs

Thomas D. Stegman
Second Corinthians
Reviewed by Raymond F. Collins

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João Madeira está na IHU On-Line

Escolástica. Uma filosofia em dialogo com a modernidade

Escolástica. Uma filosofia em diálogo com a modernidade é o tema de capa da edição 342 da IHU On-Line, de 06/09/2010. Contribuem para o debate João Madeira, Paula Oliveira e Silva, Jorge Alejandro Tellkamp, Alessandro Ghisalberti, Alfredo Culleton, Francisco Suarez, Giuseppe Tosi, Alfredo Storck, Luís Alberto De Boni, José Luís Herreros, Santiago Orrego, Ludger Honnefelder, Jacob Schmutz, Jaqueline Hamesse e Angel Poncela González.

João Madeira, meu amigo e ex-aluno, mineiro, está neste número.

Graduado em Filosofia pelas Faculdades Claretianas de Batatais e em Teologia pelo Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeiro Preto, João Madeira é especialista em Filosofia Contemporânea pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), mestre em Filosofia pela Universidade Católica de Louvain-la-Neuve e doutor em Filosofia pela mesma instituição, com a tese Pedro da Fonseca’s Isagoge Philosophica and the Predicables from Boethius to the Lovanienses. Fez pós-doutorado em História das Ciências na Universidade de São Paulo (USP). Membro do Centro de Filosofia Brasileira (CEFIB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é professor de História da Filosofia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Leia Mais
Madeira defende sua tese de doutorado em Filosofia em Leuven, Bélgica

Stephen Hawking, Deus e a origem do Universo

Si lo dice un científico, va a misa

Los investigadores están divididos: unos son creyentes y otros piensan que Dios es incompatible con la ciencia – ¿Es cometido de los laboratorios demostrar la existencia divina?

Mónica Salomone – El País: 05/09/2010

Antes de decidirse a hacer el primer trasplante de órganos entre humanos, en 1954, el cirujano Joseph E. Murray, Nobel de Medicina en 1990, consultó a varios líderes religiosos: “Parecía lo natural”, ha dicho Murray.

Es solo uno de los múltiples ejemplos del vínculo entre religión y ciencia. Un nexo tan vigente aún hoy como encendidos han sido los debates sobre la investigación con células madre o la enseñanza de la teoría de la evolución -no en España pero sí en Estados Unidos-.

Para muchos, estos asuntos trazan una frontera clara entre los científicos, que buscan respuestas con un método en teoría blindado a las propias creencias, y otra parte de la sociedad. La comunidad científica -vienen a decir- crece y se desarrolla al margen (a salvo) de la fe; la ciencia va a lo que va y no se ocupa de eventuales conflictos entre hechos demostrados experimentalmente y la religión.

Pero entonces llega el físico Stephen W. Hawking, escribe que no hace falta Dios para explicar el Universo … y se produce una tormenta mediática. ¿Por qué? ¿No se consideraba este tema una prueba superada?

Leia o texto completo.

O livro

HAWKING, S.; MLODINOW, L. The Grand Design. New York: Bantam, 2010, 208 p. – ISBN 9780553805376.

Mês da Bíblia 2010: Jonas, segundo Mercedes Lopes

LOPES, M. O livro de Jonas: Uma história de desencontro entre um profeta zangado e um Deus brincalhão. São Paulo: Paulus, 2010, 72 p. – ISBN 9788534931885

Por Tibério Teixeira da Silva Filho

Mercedes Lopes cursou Teologia e Bíblia na Universidad Bíblica Latinoamericana, em San José, Costa Rica (1995) e é Doutora em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (2007). Além de outros grupos, assessora o CEBI.

Este livro sobre Jonas, preparado para o Mês da Bíblia, possui uma Introdução de 13 páginas e 8 roteiros para círculos bíblicos. Em cada roteiro ou encontro, temos:
. acolhida e oração inicial
. leitura da vida
. leitura do livro de Jonas
. momento orante
. organização do próximo encontro
. ampliação do assunto do livro de Jonas

Mercedes Lopes começa explicando que, embora colocado entre os livros proféticos, o livro de Jonas é uma novela que combina muito bem fábulas e realidade.

Para que? Para reagir ao nacionalismo fechado de Esdras e Neemias, “cujo projeto de reconstrução estava baseado em um tripé centralizador: a lei, a raça e o templo” (p. 5). Projeto que tinha o apoio do Império Persa, mas também de alguns profetas e sacerdotes. Então, diz Mercedes, “o livro de Jonas reage a esse fechamento de maneira muito bem-humorada, mostrando como era ridículo o fechamento do profeta Jonas e como era ampla e misericordiosa a postura de Javé diante dos estrangeiros” (p. 5).

Por tudo isso é que Mercedes já coloca, na primeira página de seu estudo, a data da escrita do livro de Jonas: século V a.C., quando existiam vários projetos de reconstrução de Jerusalém e Judá e variadas tendências estavam em confronto.

Mercedes vai dizer que, contra o projeto oficial de Esdras e Neemias, uma das tendências que então se destaca é a antiga tradição de mulheres contadoras de histórias. Um dos mais importantes livros da época que reporta esta tradição da luta das mulheres em seu cotidiano, defendendo o seu espaço e o espaço do povo mais pobre, é o livro de Rute.

Mas esta tradição, para Mercedes Lopes, pode ser vista também no livro de Jonas, “embora cada uma dessas histórias tenha seu enfoque próprio. Em Rute, a estrangeira amiga, o enfoque é o resgate dos direitos dos pobres. Em Jonas, o profeta fechado e mesquinho, o enfoque é a visão de Javé como Deus de ternura e misericórdia, que acolhe tanto judeus como estrangeiros” (p. 7).

Ao perguntar, em seguida, quem é Jonas, Mercedes vai dizer que a citação de Jonas, filho de Amati, da época do rei Jeroboão II, três séculos antes, é obviamente um recurso para dar autoridade a este escrito que denuncia o fechamento dos chefes religiosos que tentavam separar os judaítas de todas as pessoas de origem estrangeira. “Como havia profetas que apoiavam o projeto de Neemias e Esdras, o povo do interior de Judá começou uma reação bonita, bem refletida e bem-humorada, para fazer uma crítica a esse tipo de profecia” (p. 8).

Em seguida a autora descreve o enredo da novela de Jonas, para chegar à famosa conclusão aberta, pois a história de Jonas não tem um final padrão, como seria de se esperar para este gênero literário.

Mas, exatamente por isso, o livro tem uma força didática significativa, pois, sem ser uma parábola no sentido estrito, ele contém, no final, uma provocação ao estilo das parábolas “que ficam na memória da gente, questionando e intrigando (…) A historieta de Jonas (…) não somente faz pensar, mas tem cabides na memória do povo, onde as imagens ficam penduradas, provocando perguntas e levando todos a descobrir um sentido novo para suas vidas” (p. 11).

Cabides? Os navios que navegavam para longe, para Társis [na atual Espanha], as tempestades ameaçadoras e os constantes naufrágios, o grande peixe, o tamanho de Nínive e seu enorme poder, o implacável calor da região, a teimosia de Jonas, a misericórdia de Javé… Esta realidade era bem conhecida da vivência dos ouvintes e/ou das histórias que vinham dos antigos.

O esquema do livro é usado, com habilidade, pela autora para clarear a história, pois o livro é muito bem elaborado e estruturado. Mas, chamo a atenção para as 4 chaves de leitura sugeridas para o livro de Jonas:
. superação de preconceitos e fechamentos: gentios abertos – marinheiros e ninivitas – e judaítas, simbolizados por Jonas, fechados
. ser fonte de bênção para todos os povos: estão lembrados de Abraão em Gn 12?
. quando a gente é pequeno, tudo é grande: Judá era um minúsculo território dentro do enorme Império Persa… a palavra “grande” aparece com frequência, mas a grandeza de Javé, em sua misericórdia, é que, finalmente, se impõe
. momentos orantes expressam experiências profundas: marinheiros oram, Jonas ora, os ninivitas, violentos e opressores, que se convertem de suas más ações

Vi também, com interesse, os títulos de cada uma das ampliações existentes nos oito encontros, pois eles nos ajudam a compreender o enfoque dado ao estudo de Jonas por Mercedes Lopes:
. quem eram esses odiados “ninivitas”?
. a misericórdia é a expressão maior da fé
. as ressonâncias bíblicas da oração de Jonas
. a importância do perdão
. espiritualidade profética
. violência e paz
. amor – faísca de Deus – que nos transforma a partir de dentro (Ct 8,6)
. as relações de gênero presentes no livro dos Provérbios (uma das imagens femininas de Deus é a da Sabedoria em Provérbios)

Páginas mais visualizadas em agosto de 2010

Segundo o Google Analytics, as 10 páginas da Ayrton’s Biblical Page mais visualizadas durante o mês de agosto de 2010 foram as seguintes:

1. A História de Israel no debate atual
2. História de Israel: Sumário
3. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias
4. O discurso socioantropológico: origem e desenvolvimento – O Positivismo de Comte e Durkheim e a Crítica Marxista
5. Grego Bíblico
6. O discurso socioantropológico: origem e desenvolvimento – A sociologia compreensiva
7. O discurso socioantropológico: origem e desenvolvimento – Durkheim propõe uma teoria do fato social
8. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías
9. Ler a Bíblia no Brasil hoje
10. Noções de Hebraico Bíblico

Compare com o mês de julho de 2010.