Resenhas na RBL: 06.06.2012

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Kenneth E. Bailey
Paul through Mediterranean Eyes: Cultural Studies in 1 Corinthians
Reviewed by Jack Barentsen

Katell Berthelot and Thierry Legrand, eds.
Torah: Exode, Lévitique, Nombres
Reviewed by Eibert Tigchelaar

Martinus C. de Boer
Galatians: A Commentary
Reviewed by James D. G. Dunn
Reviewed by Martin Meiser

Bruce Chilton and Deirdre J. Good
Studying the New Testament: A Fortress Introduction
Reviewed by Moschos Goutzioudis

Antonios Finitsis
Visions and Eschatology: A Socio-Historical Analysis of Zechariah 1-6
Reviewed by Lena-Sofia Tiemeyer

Lester L. Grabbe, ed.
Israel in Transition 2: From Late Bronze II to Iron IIA (c. 1250-850 BCE): The Texts
Reviewed by Aren Maier

Timothy Jay Johnson
Now My Eye Sees You: Unveiling an Apocalyptic Job
Reviewed by Michael S. Moore

Richard N. Longenecker
Introducing Romans: Critical Issues in Paul’s Most Famous Letter
Reviewed by Akio Ito

Ben Witherington III
What’s in the Word: Rethinking the Socio-Rhetorical Character of the New Testament
Reviewed by Vernon K. Robbins

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Rio+20

:: Especial Rio+20: Carta Maior

A conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio 20, terminou no Rio de Janeiro com uma louvação da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, à democracia, ao respeito às diferenças e à participação popular. “A Rio 20 mostrou que o multilateralismo é um instrumento insubstituível de expressão global da democracia. Reafirmamos que essa é a via legítima para a construção de soluções para os problemas que afetam a toda humanidade”, afirmou Dilma em seu discurso no encerramento do encontro.

Morreu o sociólogo Flávio Pierucci

Acabei de ver a notícia na Folha online de 08/06/2012 e também em Notícias: IHU de 09/06/2012 que reproduz artigo da Folha de S. Paulo.

Convivi com Pierucci, em Roma, durante alguns meses. Quando cheguei ao Pio Brasileiro em 1970 para começar a Teologia na Gregoriana, ele estava terminando o curso. Dele guardo, principalmente, uma lembrança: era uma mente brilhante.

Morre, aos 67 anos, o sociólogo paulista Flávio Pierucci
O professor da USP e sociólogo Antônio Flávio Pierucci morreu ontem [dia 8] pela manhã, em São Paulo, aos 67 anos, em decorrência de um infarto fulminante. O acadêmico tinha diabetes e pressão alta, ambas controladas com medicação. Por volta das 10h de ontem, uma equipe do Samu chegou à residência do pesquisador, na Vila Mariana (zona sul), para tentar reanimá-lo, mas não obteve sucesso. O corpo de Pierucci será enterrado hoje, no Cemitério Municipal de Altinópolis, cidade do Norte paulista (a cerca de 330 km da capital) em que ele nasceu. O professor não deixa filhos. 


Três objetos de estudo se destacaram na trajetória do sociólogo: a produção teórica do alemão Max Weber (1864-1920), o perfil do voto conservador em SP e o enfraquecimento do catolicismo, este último coincidindo com a ascensão das denominações neopentecostais. No âmbito da pesquisa weberiana, publicou em 2003 O Desencantamento do Mundo: todos os passos do conceito em Max Weber (Editora 34), volume originado de sua tese de livre-docência na USP. 


Na obra, Pierucci esmiúça a noção do título, segundo a qual a história do Ocidente testemunhou um lento processo de afastamento da religião de práticas e rituais místicos, mágicos. 


No ano seguinte, o sociólogo, que integrou os quadros do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e foi secretário-geral da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), cuidaria da edição de A Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo (Cia. das Letras), obra-chave de Weber. Segundo Reginaldo Prandi, professor de sociologia da USP e orientador da tese de doutorado de Pierucci, ele concluíra há pouco a revisão técnica de mais dois títulos weberianos, sobre as religiões da China e da Índia.

Leia a notícia completa.

A presidenta Dilma Rousseff enviou hoje (9) telegrama de condolências para a família do sociólogo Antônio Flávio Pierucci, que morreu nesta sexta-feira (8), em São Paulo, aos 67 anos.

Diz o telegrama:

O professor Antônio Flávio Pierucci deixa um legado intelectual precioso. A par de seus profundos estudos e criteriosa tradução da obra de Max Weber para o Português, Flávio Pierucci dedicou sua inteligência à compreensão de fenômenos sociais e políticos do presente, destacadamente no campo da Sociologia da Religião. Alunos, colegas e leitores reconhecem nele o talento do mestre e o compromisso generoso com a transformação social. É uma perda que lamento profundamente.

Leia Mais:
Especialista em Weber, reforçou a identidade cristã do brasileiro
Currículo Lattes de Antônio Flávio Pierucci

Vivemos uma gravíssima crise de civilização

Atitudes críticas e proativas face à Rio+20

Leonardo Boff

Creio que se impõem três atitudes que precisamos desenvolver diante da Rio+20

A primeira é conscientizar os tomadores de decisões e toda a humanidade dos riscos a que estão submetidos o sistema-Terra, o sistema-vida e o sistema-civilização. As guerras atuais, o medo do terrorismo e a crise econômico-financeira no coração dos países centrais estão nos fazendo esquecer a urgência da crise ecológica generalizada. Os seres humanos e o mundo natural estão numa perigosa rota de colisão. De nada vale garantir um desenvolvimento sustentável e verde se não garantirmos primeiramente a sustentabilidade do planeta vivo e de nossa civilização. Essa conscientização deve ser feita em todos os níveis, da escola primária à universidade, da família à fábrica, do campo à cidade.

A segunda atitude tem a ver com um deslocamento e uma implicação que importa operar. Urge deslocar a discussão do tema do desenvolvimento para o tema da sustentabilidade. Se ficarmos no desenvolvimento, nos enredamos nas malhas de sua lógica, que é crescer mais e mais para oferecer mais e mais produtos de consumo para o enriquecimento de poucos à custa da superexploração da natureza e da marginalização da maioria da humanidade. A pesquisa séria do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH) de 2011 revelou a tremenda concentração de riqueza e de poder em pouquíssimas mãos: são 737 corporações que controlam 80% do sistema corporativo mundial, sendo que um núcleo duro de 147 controla 40% de todas as corporações, a maioria financeiras. Junto com esse poder econômico segue o poder político (influencia os rumos de um país) e o poder ideológico (impõe pensamentos e comportamentos). A pegada ecológica da Terra revelou que esta já ultrapassou em 30% seus limites físicos. Forçá-los é obrigá-la a defender-se. E ela o faz com tsunamis, enchentes, secas, eventos extremos, terremotos e o aquecimento global. E também com as crises econômico-financeiras que se incluem no sistema-Terra viva. O tipo de desenvolvimento vigente é insustentável. Vãos são os adjetivos que lhe acrescentamos: humano, verde, responsável e outros. Levá-lo avante a qualquer custo, como ainda propõe o texto-base da ONU, nos aproxima do abismo sem retorno.

Deslocar-se para o tema da sustentabilidade significa criar mecanismos e iniciativas que garantam a vitalidade da Terra, a continuidade da vida, o atendimento das necessidades humanas das presentes e futuras gerações, de toda a comunidade de vida e a garantia de que podemos preservar nossa civilização. Essa compreensão de sustentabilidade é mais vasta do que aquela do desenvolvimento simples e duro.

Para alcançar tal propósito, se faz mister um novo olhar sobre a Terra, um reencantamento do mundo e um novo sonho. Isto significa inaugurar um novo paradigma. Se antes o paradigma era de conquista e de expansão, agora, devido aos altos riscos que corremos, deverá ser de cuidado e de responsabilidade global. Precisamos incorporar a visão da Carta da Terra, que propõe tais atitudes no quadro de uma visão holística do universo e da Terra. Ela vê o nosso planeta como vivo, com uma comunidade de vida única. É fruto de um vasto processo de evolução que já dura 13,7 bilhões de anos. O ser humano comparece como expressão avançada de sua complexidade e interiorização. Este tem a missão de cuidar e de preservar a sustentabilidade da natureza e de seus seres.

Esta visão só será efetiva se for mais que um deslocamento de visões. A ciência não produz sabedoria, mas só informações. Quer dizer, não oferece uma visão global e integradora da realidade interior e exterior (sabedoria) que motive para a transformação. Por isso, deve vir acompanhada da implicação de uma emoção fundamental. Importa fazer uma leitura emocional dos dados científicos, porque é a emoção, a paixão, a razão sensível e cordial que nos moverão a ação. Não basta tomar conhecimento. Precisamos nos conscientizar, no sentido de Paulo Freire, nos munir de indignação e de compaixão e por mãos à obra.

Portanto, junto com a razão intelectual, indispensável, que predominou por séculos, cabe resgatar a razão sensível e emocional que fora colocada à margem. Ela é o nicho da ética e dos valores. Faz-nos sentir a dor da Terra, a paixão dos pobres e o apelo da consciência para superarmos estas situações com uma outra forma de produzir, de distribuir e de consumir.

A terceira atitude é de trabalho crítico e criativo dentro do sistema. Já se disse: os velhos deuses (a conquista e dominação) não acabam de morrer e os novos (cuidado e responsabilidade) não acabam de nascer. Somos obrigados a viver num entretempo: com um pé dentro do velho sistema, trabalhar e ganhar nossa vida no âmbito das possibilidades que nos são oferecidas; e com outro pé dentro do novo que está despontando por todos os lados e que assumimos como nosso. Há muitas iniciativas que podem ser implementadas e que apontam para o novo.

Fundamentalmente importa recompor o contrato natural. A Terra é nossa grande Mãe, como o aprovou a ONU a 22 de abril de 2009. Ela nos dá tudo o que precisamos para viver. A contrapartida de nossa parte seria o agradecimento na forma de cuidado, veneração e respeito. Hoje precisamos reaprender a respeitar o todo da Terra, os ecossistemas e cada ser da natureza, pois possuem valor intrínseco independentemente do uso que fizermos dele como enfatiza a Carta da Terra. Essa atitude é quase inexistente nas práticas produtivas e nos comportamentos humanos. Mas podemos ressuscitar esse sentido de amor, de autolimitação de nossa voracidade e de respeito a tudo o que existe e vive. Ele diminuiria a agressão à natureza e faria de nossas atitudes mais eco-amigáveis.

Defender a dignidade e os direitos da Terra, os direitos da natureza, dos animais, da flora e da fauna, pois todos formamos a grande comunidade terrenal.

Apoiar o movimento internacional por um pacto social mundial ao redor daquilo que pode unir a todos, pois todos dependem dele: a água, com um bem comum natural, vital e insubstituível. Criar uma cultura da água, não desperdiçá-la (só 0,7% dela é acessível ao uso humano) e torná-la um direito inalienável para todos os seres humanos e para a comunidade de vida.

Reforçar a agroecologia, a agricultura familiar, a permacultura, as ecovilas, a micro e pequena empresa de alimentos, livres de pesticidas e de transgênicos.

Buscar de forma crescente energias alternativas às fósseis, como a hidrelétrica, a eólica, a solar, a de biomassa e outras.

Insistir no reconhecimento dos bens comuns da Terra e da humanidade. Entre esses se contam o ar, a atmosfera, a água, os rios, os oceanos os lagos, os aquíferos, a biodiversidade, as sementes, os parques naturais, as muitas línguas, as paisagens, a memória, o conhecimento, a internet, as informações genéticas e outros.

O mais importante de tudo, no entanto, é formar uma coalizão de forças com o maior número possível de grupos, movimentos, igrejas e instituições ao redor de valores e princípios coletivamente partilhados, como os expressos na Carta da Terra, nas Metas do Milênio, na Declaração dos Direitos da Mãe Terra e no ideal do Bem Viver das culturas originárias das Américas.

Por fim, precisamos estar conscientes de que o tempo da abundância material acabou, feita à custa do desrespeito dos limites do planeta e na falta de solidariedade e de piedade para com as vítimas de um tipo de desenvolvimento predatório, individualista e hostil à vida. O crescimento econômico não pode ser um fim em si mesmo. Está a serviço do pleno desenvolvimento do ser humano, de suas potencialidades intelectuais, morais e espirituais. A economia verde inclusiva, a proposta brasileira para a Rio+20, não muda a natureza do desenvolvimento vigente porque não questiona a relação para com a natureza, o modo de produção, o nível de consumo dos cidadãos e as grandes desigualdades sociais. Um crescimento ilimitado não é suportado por um planeta limitado. Temos que mudar de rota, de mente e de coração. Caso contrário, o destino dos dinossauros poderá ser o nosso destino.

Finalmente, meu sentimento do mundo me diz que não estamos diante de uma tragédia anunciada. Mas diante de uma gravíssima e generalizada crise de civilização. Contém muitos riscos, mas, se quisermos, serão evitáveis. Pode significar a dor de parto de um novo paradigma e o sacrifício a ser pago para um salto de qualidade rumo a uma civilização mais reverente da Terra, mais respeitosa da vida, mais amiga dos seres humanos e mais irmanada com todos os demais seres da natureza.

Fonte: Leonardo Boff: Adital: 08/06/2012. O texto pode ser lido também aqui.

Mobilizações no Dia Internacional do Meio Ambiente

Hoje, 5 de junho, é o Dia Internacional do Meio Ambiente. No artigo da Adital, um relato das mobilizações programadas.

Dia do Meio Ambiente: Mobilização Global contra o Capitalismo e a Mercantilização da Vida

Ativistas de todas as partes do mundo vão se mobilizar contra a crise capitalista e em favor de saídas concretas para a crise ambiental. As manifestações serão realizadas no marco da ‘Mobilização Global contra o Capitalismo e a Mercantilização da Vida e em defesa dos bens comuns, da justiça social e ambiental’, convocada pela Assembleia de Movimentos Sociais durante o Fórum Social Temático, realizado em janeiro.


As manifestações de amanhã [de hoje] também querem reforçar o posicionamento dos movimentos sociais e suas propostas, que serão debatidas durante a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, a ser realizada nos próximos 15 a 23 no Rio de Janeiro (Brasil), onde também acontecerá a aguardada Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).


A Articulação de Movimentos Sociais para a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) está reforçando o chamado da Assembleia dos Movimentos Sociais e evocando a sociedade civil a se juntar aos protestos para mostrar a força das mudanças que estão acontecendo desde toda a América Latina. Mobilizados, ativistas de várias partes do mundo vão lutar contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns e pela integração dos povos da região.


As ações preparadas para celebrar o Dia Internacional do Meio Ambiente serão mais uma oportunidade para rejeitar as propostas baseadas na ‘economia verde’ e lutar contra a crise sistêmica que se transforma em crise econômica, financeira, política, alimentar e ambiental e que prejudica o pleno desenvolvimento da vida humana.

Fonte: Natasha Pitts: Adital 04/06/2012

Resenhas na RBL: 31.05.2012

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Michael F. Bird
Colossians and Philemon
Reviewed by Rosemary Canavan

Young Sook Choi
“Denn wenn ich schwach bin dann bin ich stark”: Die paulinischen Peristasenkataloge und ihre Apostolatstheologie
Reviewed by Lars Kierspel

Barbara M. Leung Lai
Through the ‘I’-Window: The Inner Life of Characters in the Hebrew Bible
Reviewed by Frank H. Polak

Henning Graf Reventlow; Leo G. Perdue, trans.
History of Biblical Interpretation, Volume 4: From the Englightenment to the Twentieth Century
Reviewed by Jeffrey L. Morrow

Jacques Schlosser
La première épître de Pierre
Reviewed by Jean-Paul Michaud

David I. Starling
Not My People: Gentiles as Exiles in Pauline Hermeneutics
Reviewed by Robert Foster

Daniel B. Stevick
Jesus and His Own: A Commentary on John 13-17
Reviewed by John Painter

R. S. Sugirtharajah
Exploring Postcolonial Biblical Criticism: History, Method, Practice
Reviewed by Jean Louis Ska

John Van Seters
Changing Perspectives I: Studies in the History, Literature and Religion of Biblical Israel
Reviewed by Diana Edelman

Michael Weigl
Die aramäischen Achikar-Sprüche aus Elephantine und die alttestamentliche Weisheitsliteratur
Reviewed by Mark W. Hamilton

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Economia verde x economia solidária

Economia verde versus economia solidária. Artigo de Leonardo Boff

“O futuro que queremos”, lema central do documento da ONU, não é outra coisa senão o prolongamento do presente. Este  se apresenta ameaçador e nega um futuro de esperança. Num contexto desses, não avançar é retroceder e fechar as portas para o novo”, escreve Leonardo Boff, filósofo, teólogo e escritor.


Segundo ele, junto com a “Rio+20 seria um ganho resgatar também a Estocolmo+40“, pois, continua Leonardo Boff, “nesta primeira conferência mundial da ONU de 5-15 de julho de1972 em Estocolmo na Suécia  sobre o Ambiente Humano, o foco central não era o desenvolvimento mas o cuidado e a responsabilidade coletiva por tudo o que nos cerca e que está em acelerado processo de degradação, afetando a todos e especialmente aos países pobres. Era uma perspectiva humanística e generosa. Ela se perdeu com a cartilha fechada do desenvolvimento sustentável e agora com a economia verde”.

Leia o artigo.

Fonte: Notícias: IHU 05/06/2012

Rio+20 e a urgência de uma nova cosmologia

A ausência de uma nova narrativa na Rio+20

O vazio básico do documento da ONU para a Rio+20 reside numa completa ausência de uma nova narrativa ou de uma nova cosmologia que poderia garantir a esperança de um “futuro que queremos” lema do grande encontro. Assim como está, nega qualquer futuro promissor. Para seus formuladores, o futuro depende da economia, pouco importa o adjetivo que se lhe agregue: sustentável ou verde. Especialmente a economia verde opera o grande assalto ao último reduto da natureza: transformar em mercadoria e colocar preço àquilo que é comum, natural, vital e insubstituível para a vida como a água, solos, fertilidade, florestas, genes etc. O que pertence à vida é sagrado e não pode ir para o mercado dos negócios. Mas está indo, sob o imperativo categórico: apropia-te de tudo, faça comércio com tudo, especialmente com a natureza e com seus bens e serviços (…) Por narrativa ou cosmologia entendemos a visão do mundo que subjaz às idéias, às práticas, aos hábitos e aos sonhos de uma sociedade. Por ela se procura explicar a origem, a evolução e o propósito do universo, da história e o lugar do ser humano. A nossa atual é a narrativa ou a cosmologia da conquista do mundo em vista do progresso e do crescimento ilimitado. Caracteriza-se por ser mecanicista, determinística, atomística e reducionista (…) Em contraposição, surge a narrativa ou a cosmologia do cuidado e da responsabilidade universal, potencialmente salvadora. Ela ganhou sua melhor expressão na Carta da Terra [Leonardo Boff participou da elaboração da Carta da Terra]. Situa nossa realidade dentro da cosmogênese, aquele imenso processo de evolução que se iniciou há 13,7 bilhões de anos. O universo está continuamente se expandindo, se auto-organizando e se autocriando. Nele tudo é relação em redes e nada existe fora desta relação. 

Fonte: Leonardo Boff – Carta Maior: 02/06/2012

Leia o texto completo.

Leia Mais:
Earth Charter

Resenhas na RBL: 25.05.2012

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Mary Dove, ed.
The Earliest Advocates of the English Bible: The Texts of the Medieval Debate
Reviewed by David G. Burke

Yitzhaq Feder
Blood Expiation in Hittite and Biblical Ritual: Origins, Context, and Meaning
Reviewed by Pekka Pitkänen

David Frankel
The Land of Canaan and the Destiny of Israel: Theologies of Territory in the Hebrew Bible
Reviewed by Phillip Sherman

Lisbeth S. Fried, ed.
Was 1 Esdras First? An Investigation into the Priority and Nature of 1 Esdras
Reviewed by Erik Eynikel

Dennis J. Horton
Death and Resurrection: The Shape and Function of a Literary Motif in the Book of Acts
Reviewed by Arie W. Zwiep

Elizabeth A. McCabe, ed.
Women in the Biblical World: A Survey of Old and New Testament Perspectives
Reviewed by Joseph Oryshak

Joshua N. Moon
Jeremiah’s New Covenant: An Augustinian Reading
Reviewed by Bob Becking

Luis Sánchez Navarro
Testimonios del Reino: Evangelios Sinópticos y Hechos los Apóstoles
Reviewed by David E. C. Ford

Antoinette Clark Wire
The Case for Mark Composed in Performance
Reviewed by Larry W. Hurtado

Ben Witherington III
What’s in the Word: Rethinking the Socio-rhetorical Character of the New Testament
Reviewed by Richard L. Rohrbaugh

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog