Mês da Bíblia 2021: lendo a carta aos Gálatas

O tema do Mês da Bíblia 2021 é a Carta aos Gálatas e o lema: “pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). Indico alguns subsídios para a leitura da carta aos Gálatas.

CENTRO BÍBLICO VERBO, O Evangelho de Jesus Cristo Crucificado: É para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1) – Entendendo a carta aos Gálatas. São Paulo: Paulus, 2021, 144 p. – ISBN 9786555622447.CENTRO BÍBLICO VERBO, O Evangelho de Jesus Cristo Crucificado: É para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1) - Entendendo a carta aos Gálatas. São Paulo: Paulus, 2021

Além do evangelho do imperador romano, Paulo enfrenta “outro evangelho” (Gl 1,7), baseado na observância da lei da pureza, que justifica a segregação nas comunidades gálatas. Ele prega o “verdadeiro evangelho” (Gl 2,5), fundamentado na justiça que vem da fé no amor e na graça de Jesus Cristo crucificado (Gl 5,1-12), construindo a união das pessoas sem as barreiras étnica, social e de gênero (Gl 3,28).

 

MESTERS, C.; OROFINO, F. Carta de São Paulo aos Gálatas: “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). São Leopoldo: CEBI, 2021, 47 p. – ISBN 9786586739138.

MESTERS, C.; OROFINO, F. Carta de São Paulo aos Gálatas: “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). São Leopoldo: CEBI, 2021Paulo dirige sua carta para as Igrejas da Galácia. A carta foi escrita durante a terceira viagem de trabalhos da Equipe Missionária. Nesta carta Paulo revela uma profunda indignação com o que ele ouvia dizer a respeito dos conflitos dentro das comunidades da Galácia, bem como das fofocas que faziam a respeito do seu trabalho e da sua vida pessoal. Lendo a carta aos gálatas, percebemos algumas dificuldades com a linguagem usada por Paulo. É que a carta aos gálatas não é uma carta pastoral, tratando de problemas internos de uma comunidade. Ao escrever aos gálatas, Paulo começa a organizar e a sistematizar seu pensamento teológico. Ao escrever orientações para as comunidades a partir dos conflitos surgidos com as diferentes propostas de evangelização, Paulo vai se revelar como o primeiro teólogo do Cristianismo nascente.

 

SAB, Mês da Bíblia 2021: Carta aos Gálatas – Todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). São Paulo: Paulinas, 2021, 80 p. – ISBN 9786558080404.

Neste ano, o tema do “Mês da Bíblia” é a Carta de Paulo aos Gálatas e o lema é “Todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d), extraídoSAB, Mês da Bíblia 2021: Carta aos Gálatas - Todos vós sois um só em Cristo Jesus" (Gl 3,28d). São Paulo: Paulinas, 2021 do “hino batismal”, descrito em Gl 3,26-28, quando Paulo afirma que todos são filhos e filhas de Deus. Portanto, pelo Batismo, as divisões foram superadas e, dessa forma, “não há mais judeu ou grego, nem escravo ou livre, nem macho ou fêmea”, pois somos um em Cristo Jesus. Acreditamos que o aprofundamento da Carta aos Gálatas será uma linda forma de celebrar os 50 anos da realização do “Mês da Bíblia”.

 

SILVANO, Z. A. Carta aos Gálatas: até que Cristo se forme em nós (Gl 4,19). São Paulo, Paulinas, 2021, 248 p. – ISBN 9786558080510.

SILVANO, Z. A. Carta aos Gálatas: até que Cristo se forme em nós (Gl 4,19). São Paulo, Paulinas, 2021Ao mergulharmos no estudo da Carta aos Gálatas nos deparamos com a convicção paulina de que a fé consiste em se deixar envolver pela grandeza do amor de Deus revelado no Messias Jesus e que exige de nós uma adesão consciente, que é expressa no Batismo, pelo qual fazemos a experiência de participarmos do mistério pascal e sermos unidas/os a Cristo. Pelo batismo, recebemos também o Espírito Santo (Gl 4,6-7), que faz morada em nosso coração e constantemente pronuncia dentro de nós a oração do Filho Encarnado: “Abba, ó Pai”. É Ele que nos conscientiza de que somos filhas/os no Filho, pertencemos à família de Deus, e nos convoca a assumirmos nossa missão de proclamar o Evangelho. Que ao aprofundarmos os ensinamentos de Paulo, possamos ter a ousadia de anunciar o amor de Deus revelado no Messias Jesus, humanizar nossas relações, “até que Cristo seja formado em nós”.

Leia Mais:
Vem aí o mês da Bíblia, em 2021, com a Carta aos Gálatas – Por Gilvander Moreira – IHU: 07 Julho 2021
Live de lançamento do livro: “Carta aos Gálatas: até que Cristo se forme em nós” (Gl 4,19) – 22 junho de 2021
Enquetes Bíblicas: Qual carta de Paulo é a sua preferida?

Tarefas para futuras pesquisas sobre História de Israel

Gostaria de sugerir algumas tarefas para futuras pesquisas históricas sobre o antigo Israel.

a) A história tradicional dos eventos continuará a ser importante no futuro. Não é dispensável de forma alguma. Precisamos de um quadro cronológico estável para KALIMI, I. (ed.) Writing and Rewriting History in Ancient Israel and Near Eastern Cultures. Wiesbaden: Harrassowitz, 2020conectar outros fatos com esse quadro. Também precisamos dele para trabalhos arqueológicos. A datação arqueológica absoluta na Idade do Ferro está sempre ligada a uma história de eventos. Até agora, não temos métodos de datação exatos para os períodos anteriores à cunhagem de moedas. A datação por carbono 14 e outros métodos não são realmente exatos. Eles têm uma variação de 50 anos para mais ou para menos. A diferença de cinquenta anos pode fazer com que um item específico seja datado na época salomônica ou na época omrida.

b) A história dos eventos não pode ser limitada apenas à região de Israel e Judá. Eventos históricos no Egito, Ásia Menor, Mesopotâmia, Grécia, Síria, Arábia e Transjordânia sempre influenciaram o desenvolvimento de Israel e Judá. O Levante sul não era uma ilha, sempre esteve muito ligado aos países vizinhos. Isso é até confirmado pela própria Bíblia. As elites intelectuais em Judá e Israel observavam com muita atenção a situação nos países vizinhos, como podem demonstrar os oráculos contra as nações nos livros dos profetas.

c) A história de Israel e Judá não pode ser isolada da história da religião e do desenvolvimento das ideias teológicas. Datar textos bíblicos torna-se cada vez mais problemático, e os estudiosos até evitam datar um texto. No entanto, a história sempre interage com os desenvolvimentos das concepções teológicas e da história da religião. Um passo importante na pesquisa histórica futura será ligar esses dois campos e entender mais claramente por que as elites intelectuais influenciadas por ideias teológicas ou ideológicas reagiram de uma maneira específica, e como as concepções religiosas e teológicas são influenciadas pelas mudanças históricas.

d) Condições naturais quase permanentes, chamadas por Fernand Braudel e outros de longue durée, são muito importantes para reconstruir a história. As condições da agricultura, recursos naturais, rotas comerciais e outros ajudam a compreender melhor os desenvolvimentos históricos. Os resultados arqueológicos podem ser combinados com uma longue durée. A título de exemplo, as instalações produtoras de óleo de oliva encontradas apenas no período calcolítico na área de Golã demonstram um interesse econômico específico durante este período. O mesmo é verdade para a Sefelá durante a Idade do Ferro, com muitas instalações de prensagem de óleo, especialmente em Tel Miqne.

e) As ciências naturais precisam estar mais no foco da pesquisa histórica. Notas baseadas na história do clima, como análise de pólen, dendroclimatologia ou pesquisa sobre estalactites, raramente são mencionadas em livros que tratam da História de Israel. Em relatórios de escavações, artigos sobre arqueobotânica, arqueozoologia e análise de metais são, entretanto, comuns. No entanto, ainda carecemos de estudos significativos combinando essas abordagens científicas para entender os hábitos alimentares regionais, o impacto da agricultura ou conexões comerciais baseadas na metalurgia, comércio de marfim, comércio de basalto e outros.

f) A arqueologia não apenas apresenta a história dos sítios, mas a arqueologia regional também pode demonstrar os desenvolvimentos históricos mais amplos. Geralmente, temos que considerar cada vez mais os desenvolvimentos regionais dentro de um país ou estado. Algumas regiões podem florescer durante um período específico por causa de seus centros econômicos e novos métodos de produção, enquanto outras ficarão para trás.

g) Além disso, ainda existem tópicos específicos quase esquecidos pelos arqueólogos como relevantes para a reconstrução da história. Ainda necessitamos de mais estudos tratando de equipamento e organização militar, desenvolvimentos arquitetônicos, infraestrutura comercial, artesanato e outros.

h) A história 2.0 deve ser, em minha opinião, o resultado de uma combinação de todos os campos importantes para reconstruir a história: exegese bíblica, linguística, filologia, epigrafia, teologia, arqueologia, história da religião, arquitetura, instituições sociais, comércio, economia, jurisdição, culto e diferentes campos das ciências naturais. Apenas uma equipe de pesquisadores trabalhando em conjunto e discutindo seus resultados será capaz de fazer tal programa de pesquisa. A verdadeira crise da pesquisa histórica sobre o antigo Israel é, a meu ver, uma crise produzida pela concentração principalmente na Bíblia como fonte. Se adicionarmos mais disciplinas para compreender melhor o desenvolvimento histórico, obteremos mais testemunhas para provar ou refutar uma teoria – assim como é exigido em Dt 19,15 que, no âmbito jurídico, diz: Uma única testemunha não é suficiente contra alguém, em qualquer caso de iniquidade ou de pecado que haja cometido. A causa será estabelecida pelo depoimento pessoal de duas ou três testemunhas.

 

Fonte: ZWICKEL, W. Perspectives on the Future of Biblical Historiography. In: KALIMI, I. (ed.) Writing and Rewriting History in Ancient Israel and Near Eastern Cultures. Wiesbaden: Harrassowitz, 2020, p. 43-44.

Sobre o autor, confira aqui.

 

VII. Summary: History 2.0

To sum up, I would like to suggest some goals for future historical work:

Wolfgang Zwickel - Johannes Gutenberg-University Mainz, Alemanhaa) The traditional history of events will continue to be important in the future. It is not dispensable at all. We need a stable chronological frame in order to connect other facts with this frame. We also need it for archaeological work. Absolute archaeological dating in the Iron Age is always linked to a history of events. Until now we do not have exact dating methods for the periods before minting coins. C14 and other methods are not really exact in our sense. They have a range of 50 years or so. Fifty-year difference can make a specific item be dated either to the Solomonic or to the Omride period!

b) History of events cannot be limited to the area of Israel and Judah alone. Historical events in Egypt, Asia Minor, Mesopotamia, Greece, Syria, Saudi-Arabia and Transjordan always influenced the development in Israel and Judah. The southern Levant was not an isolated insula but was always well connected with the neighboring countries. This is even confirmed by the Bible itself. Elites in Judah and Israel observed very carefully the situation in all other countries as the judgements on neighboring countries in the books of prophets may demonstrate.

c) History of Israel and Judah cannot be isolated from history of religion and the development of theological ideas. Dating biblical texts becomes more and more problematic, and scholars even avoid dating a text. Nevertheless, history always interacts with developments in theological conceptions and history of religion. An important step in future historical research will be to link these two fields and to understand more clearly why elites influenced by theological or ideological ideas reacted in a specific way, and how religious and theological conceptions are influenced by historical changes.

d) Nearly permanent natural conditions, called by Fernand Braudel and others as longue durée, are very important for reconstructing history. Conditions for agriculture, natural resources, trade routes and others help to understand historical developments much better. Archaeological results can be combined with a longue durée. As an example oil producing installations only found in the Chalcolithic period in the Golan area demonstrate a specific economical interest during this period. The same is true for the Shephelah during the Iron Age with plenty of oil pressing installations especially in Tel Miqne.

e) Natural sciences need to be more in the focus of historical reseach. Notes based on climate history like pollen analysis, dendroclimatology or research on stalactites are seldom referred to in books dealing with the History of Israel. In excavations reports, papers about archaeobotany, archaeozoology and metal analysis are meanwhile typical. However, we still lack significant studies combining these scientific approaches to understand regional food habits, impact of agriculture or trade connections based on metallurgy, ivory trade, basalt trade and others.

f) Archaeology not only presents history of sites, but landscape and regional archaeology can also demonstrate the historical developments of regions. Generally, we have to consider more and more the regional developments within a country or a state. Some regions may flourish during a specific period because of their economic centers and new methods of production, while others will drop behind.

g) Additionally, there are still specific topics being nearly forgotten by archaeologists as relevant topics for reconstructing history. We still require some studies dealing with military equipment and organization, architectural developments, trade infrastructure, handcraft and others.

h) History 2.0 must be in my opinion result in a combination of all fields being important for reconstructing history: Biblical exegesis, linguistic, philology, epigraphy, theology, archaeology, history of religion, architecture, social institutions, trade, economy, jurisdiction, cult and different fields of natural sciences. Only a group of researchers working closely together and discussing their results will be able to do such a research program. The actual crisis of historical research is, in my eyes, a crisis produced by the concentration on mostly the Bible as a source. If we add more disciplines to understand historical development better, we will get more witnesses to prove or disprove a theory – just as it is demanded in Deut 19:15.

Um debate sobre os rumos da Igreja

Rumo a uma Igreja sem padres? Um só povo de Deus, muitos ministérios. Um debate – IHU: 06 Julho 2021

No Ocidente, está caindo o número de presbíteros, mas não está diminuindo o clericalismo. Enquanto nas paróquias tudo continua girando em torno da figura do padre, o Paola Lazzarini OrrùPapa Francisco se concentra nos ministérios instituídos reconhecendo o papel dos catequistas e abrindo às mulheres o leitorado e o acolitado. Estamos indo rumo a uma Igreja em que o único povo sacerdotal exercerá diversos ministérios, ordenados e instituídos? Será um tema do próximo Sínodo?

Falamos sobre isso neste debate em que reunimos em torno de uma mesa virtual algumas vozes autorizadas de protagonistas e especialistas:

:. Dom Erio Castellucci, 60 anos, arcebispo de Modena-Nonantola, bispo de Carpi e novo vice-presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI).

:. Paola Lazzarini Orrù, 45, presidente do movimento Donne per la Chiesa [Mulheres pela Igreja] e autora do livro “Non tacciano le donne in assemblea. Agire da protagoniste nella Chiesa” [Não calem as mulheres na assembleia. Agir como protagonistas na Igreja, em tradução livre] (Ed. Effatà, 2021).

:. Marco Marzano, 58 anos, professor de Sociologia da Universidade de Bérgamo, especialista em processos organizacionais e estudioso dos aspectos sociológicos do catolicismo, autor do livro “La casta dei casti. I preti, il sesso e l’amore” [A casta dos castos. Os padres, o sexo e o amor, em tradução livre] (Ed. Bompiani, 2021).

:. O Pe. Dario Vitali, 65 anos, diretor do Departamento de Teologia Dogmática da Pontifícia Universidade Gregoriana e estudioso de eclesiologia e ministérios, autor do livro “Diaconi: che fare?” [Diáconos: o que fazer?, em tradução livre] (Ed. San Paolo 2019).

A reportagem é de Giovanni Ferrò e Paola Rappellino, publicada por Jesus, de julho de 2021.

Algumas frases:

Dario VitaliDevemos ter a coragem – até mesmo correndo o risco de sermos impopulares – de reestruturar os bens que podem verdadeiramente estar a serviço do Evangelho e das pessoas, especialmente dos mais desfavorecidos, mas não devemos perder tempo e energias demais tentando conservar aquilo que, pelo contrário, não serve mais (Erio Castellucci).

Imagino uma Igreja que finalmente supere o modelo feudal, que não tenha mais na paróquia o único eixo em torno do qual se constrói toda a sua presença. Mas diria mais: uma Igreja que deve manter em mente o fato de que a presença física e territorial não é a única com a qual é preciso lidar. No lockdown, todos experimentamos uma vida comunitária e formas de ritos que foram vividos fora das paróquias, que nos colocaram em comunicação e criaram comunidades sem ter o seu eixo no pertencimento territorial. É claro que os sacramentos são os nossos “pés no chão”, que nos fazem ficar fisicamente no território. Mas existe toda uma outra dimensão da partilha, da oração, do apoio recíproco que é cada vez mais – e provavelmente em parte sempre foi – extraterritorial e também vive fora das paróquias (Paola Lazzarini Orrù).

Em síntese extrema, como estudioso, eu vejo assim: uma grande estrutura como a Igreja Católica, a mais importante, impressionante, extraordinária organização da história humana, com 2.000 anos de história, com um enraizamento enorme, não muda pelas mãos dos teólogos. A Igreja é uma estrutura de poder – do modo como nos foi transmitida até hoje – baseada em três pilares: o poder dos homens sobre as mulheres; o do clero sobre os leigos; e o de Roma sobre o resto do mundo. Essas três características são o núcleo duro que se cristalizou ao longo do tempo. A cristalização é a consequência de uma inércia estrutural que diz respeito a todas as organizações e certamente não apenas à Igreja Católica. A inércia se manifesta também na permanência de uma atitude conservadora enraizada na classe dirigente, mas também no povo. Além disso, deve-se levar em conta que a mudança seria muito custosa, a ponto de produzir um cenário altamente incerto. Em outras palavras, se sairmos do velho modelo, para onde iremos? Quem deveria promover uma mudança, portanto, deveria ser uma classe dirigente eclesiástica que decidisse que as reformas devem ser feitas de forma absoluta, a todo o custo. Mas também seriam necessárias pressões populares reformadoras, que não me parecem existir ou que, no mínimo, não são suficientes hoje (Marco Marzano).

Será decisivo abordar as questões referentes à sinodalidade. Parece-me que esse é o único caminho verdadeiro, que está realizando uma recepção do Vaticano II,Marco Marzano inserindo um debate de verdade que pode levar a uma reavaliação das posições. Deve ser posto em prática aquele processo sinodal desenhado pela constituição apostólica Episcopalis communio (2018) de Francisco, que infelizmente passou em silêncio. Fazendo o Sínodo passar de evento a processo, o papa indica três fases de um processo que realiza a participação de todos na Igreja: a consulta ao povo de Deus, o discernimento sobre as realidades que surgiram do povo de Deus e a implementação daquilo que foi decidido com base em uma escuta e em um diálogo contínuo. Portanto, acho que é possível começar a fazer perguntas de grande importância como o direito de palavra, o direito de decisão com base na corresponsabilidade, dar importância ao consenso – aquilo que na Igreja antiga era conhecido como conspiratio – para se chegar a um pensamento compartilhado e a uma prática compartilhada (…) O próximo Sínodo dos Bispos poderá ser uma grande, grandíssima oportunidade nesse sentido. Também por causa do protagonismo do Povo de Deus. Aqui tomo a liberdade de dizer que seria bom insistir no Povo de Deus, e não nos leigos, como ouço em muitos lados. Por quê? Na relação padres-leigos, jogada inevitavelmente no registro do poder, o risco é de que os leigos acabem sempre em uma posição subordinada. Prefiro insistir no Povo de Deus, em relação ao qual o ministro é sempre aquele que serve. Na minha opinião, é uma questão de grande importância, que permite introduzir o tema do sacerdócio comum como fundamento dos carismas, ministérios, vocações, uma realidade multiplicada na ordem do Espírito que pode fazer uma Igreja verdadeira e totalmente ministerial (Dario Vitali).

Verso una Chiesa senza preti?

Dom Erio CastellucciIn Occidente cala il numero dei presbiteri ma non diminuisce il clericalismo. Mentre nelle parrocchie tutto continua a ruotare attorno alla figura del prete, papa Francesco punta sui ministeri istituiti riconoscendo il ruolo dei catechisti e aprendo alle donne il lettorato e l’accolitato. Si va verso una Chiesa in cui l’unico popolo sacerdotale eserciterà diversi ministeri, ordinati e istituiti? Sarà un argomento del prossimo Sinodo? Ne dibattiamo in queste pagine con quattro pastori e studiosi: monsignor Erio Castellucci, vescovo di Modena e vicepresidente della Cei; don Dario Vitali, docente della Gregoriana; Paola Lazzarini Orrù, presidente di Donne per la Chiesa e Marco Marzano, professore di Sociologia all’Università di Bergamo.

Conversas sobre arqueologia e história com Israel Finkelstein

Conversas sobre arqueologia e história do antigo Israel com Israel Finkelstein. 24 vídeos – 2021Matthew J. Adams e Israel Finkelstein - 2021

Israel Finkelstein é uma figura importante na arqueologia e na história do antigo Israel. Com mais de 40 anos de trabalho e pesquisa, ele ajudou a mudar a maneira como a arqueologia é conduzida, a Bíblia é interpretada e a história de Israel é reconstruída. Matthew J. Adams, Diretor do Instituto W. F. Albright de Pesquisa Arqueológica em Jerusalém, sentou-se com Israel Finkelstein em várias sessões para falar sobre como uma vida inteira de trabalho informou a história do antigo Israel. Essas conversas se tornaram a série Conversas sobre arqueologia e história do antigo Israel com Israel Finkelstein.

Legendas com tradução automática em português.

 

Conversations in the Archaeology and History of Ancient Israel with Israel Finkelstein. 24 Videos in 2021.

Israel Finkelstein is a leading figure in the archaeology and history of Ancient Israel. Over 40 years of work and research, he has helped to change the way archaeology is conducted, the bible is interpreted, and the history of Israel is reconstructed. Matthew J. Adams, Director of the W.F. Albright Institute of Archaeological Research in Jerusalem, sat down with Israel over several sessions to talk about how a lifetime of work has informed the story of Ancient Israel. These conversations became the series Conversations in the Archaeology and History of Ancient Israel with Israel Finkelstein. Conversations in the Archaeology and History of Ancient Israel with Israel Finkelstein is made possible with a grant from the Shmunis Family Foundation.

SOTER 2021: Religião, Laicidade e Democracia

A SOTER – Sociedade de Teologia e Ciências da Religião – comunica que seu 33º Congresso Anual terá como tema Religião, Laicidade e Democracia: cenários e perspectivas e será realizado online, com transmissão pelo site do Congresso da SOTER, de 12 a 16 de julho de 2021.

Ao trabalhar no seu 33° Congresso o tema “Religião, Laicidade e Democracia: cenários e perspectivas”, a SOTER procura trazer uma questão importante e relevante paraSOTER 2021: Religião, Laicidade e Democracia: cenários e perspectivas o atual contexto. Entende que é importante produzir um discurso científico que leve em consideração as novas realidades que surgem na sociedade e que interpelam o pensar e o viver das pessoas. O avanço da pandemia da Covid-19 e a grave crise política que atinge o país nos exigem uma atenção especial, um compromisso frente a estas realidades.

Por esta razão, o Congresso Internacional da SOTER em 2021, atende os seguintes objetivos:

:. Oferecer uma análise do atual contexto social, político e religioso, com atenção à laicidade do Estado e à emergência de novos movimentos sociais, políticos e religiosos que interagem na configuração democrática. Dentro deste cenário, situar a perspectiva das religiões e a responsabilidade que possuem perante este quadro, e da teologia como fonte de interrogação.

:. Fundamentar os entendimentos sobre a democracia e laicidade para, a partir disso, discutir a questão do Estado, a questão do Direito, aspectos relevantes às liberdades e a causa dos direitos humanos e da liberdade.

:. Proporcionar uma reflexão sobre a responsabilidade das religiões no atual contexto social, político e religioso, com atenção à garantia do estado democrático e na defesa da laicidade do Estado.

:. Oferecer um olhar prospectivo sobre o quadro atual, que se tornou mais grave por conta da pandemia da Covid-19, e neste olhar destacar o papel das religiões e da teologia dentro deste cenário e quais seriam as novas perspectivas que se abrem à sociedade.

O Congresso Internacional da SOTER está entre os mais tradicionais da Área de Ciências da Religião e Teologia no país, chegando, em 2021, à sua 33ª edição, o que demonstra a consolidação da sua proposta e a importante contribuição acadêmica que traz à sociedade, na especificidade do seu saber, sempre com temas atuais e de interesses urgentes para a sociedade.

A cada ano, este Congresso reúne um número significativo de teólogos, cientistas da Religião, estudantes de pós-graduação e pesquisadores de áreas afins, tanto em nível nacional como internacional. Para 2021, o Congresso prossegue as discussões anteriores e mantém a preocupação de estar atento às urgências da sociedade. Por esta razão, tratará sobre “Religião, Laicidade e Democracia: cenários e perspectivas”.

Hoje, percebe-se que a sociedade apresenta inúmeros desafios e que passa por profundas transformações. Neste cenário, é importante que as sociedades científicas, as universidades e os pesquisadores se posicionem sobre estes novos acontecimentos, na intenção de oferecer uma proposta reflexiva, que seja crítica, dialogal e construtiva. Este contexto convida a uma reflexão responsável, a partir de dados concretos que atingem o fator democrático e os direitos das pessoas, dentre eles, a liberdade, a laicidade e a questão religiosa. Visualiza-se hoje novas manifestações, novos gritos sociais e políticos, novos espaços de resistência e projeta-se uma transformação das estruturas e das instituições. É urgente pensar o papel da teologia e das religiões para um agir responsável, salvaguardando as garantias, os espaços e as liberdades, a fim de levantar pontos e práticas já existentes, mas também com a finalidade de oferecer novas perspectivas de atuação e investigação.

A proposta deste Congresso investe em conferências com especialistas nacionais e internacionais, grupos de trabalho e fóruns temáticos, painéis e publicações.

A história de José entre Egito e Israel

RÖMER, T.; SCHMID, K.; BÜHLER, A. (eds.) The Joseph Story between Egypt and Israel. Tübingen: Mohr Siebeck, 2021, 190 p. – ISBN 9783161601538. Disponível online.

No contexto do Pentateuco, a história de José pode ser lida como uma transição que explica por que Jacó e sua família foram para o Egito. No entanto, se alguém olharRÖMER, T.; SCHMID, K.; BÜHLER, A. (eds.) The Joseph Story between Egypt and Israel. Tübingen: Mohr Siebeck, 2021 para outros textos da Bíblia Hebraica, não há menção da história de José. Em vez disso, a chegada dos israelitas é considerada o resultado da decisão de um “pai” ou de “pais” de descer ao Egito. Na verdade, existem muito poucas referências a José em toda a Bíblia Hebraica. Aparentemente, a história de José não é necessária para explicar por que os israelitas se encontraram no Egito.

Portanto, surge a pergunta: Por que esta história foi escrita, quando e para qual público?

Este volume oferece uma visão geral da discussão atual sobre as origens, composição e contextos históricos por trás da narrativa de José. Há uma tendência de datar a história (ou sua versão original) na época persa, mas este volume inclui vozes divergentes sobre o assunto. O volume também mostra que a discussão acadêmica sobre a localização histórica da história de José requer reunir egiptólogos e estudiosos da Bíblia.

 

Within the context of the Torah, the Joseph story can be read as a transition that explains why Jacob and his family came to Egypt. However, if one looks at other texts of the Hebrew Bible, there is no mention of the Joseph story; instead, the arrival of the Israelites is said to be the result of the decision of a »father« or of »fathers« to go down do Egypt. Indeed, there are very few references to Joseph at all in the whole Hebrew Bible. Apparently, the Joseph story is not necessary for explaining why the Israelites found themselves in Egypt. The question therefore arises: Why was this story written, when, and for what audience?

This volume offers an overview of the current discussion on the origins, composition, and historical contexts behind the Joseph narrative. There is a tendency to date the story (or its original version) to the Persian period, but this volume includes divergent voices about this issue. The volume also shows that scholarly discussion about the historical location of the Joseph story requires to bring together Egyptologists and biblical scholars.

 

Thomas Römer Born 1955; professor and chair of the Collège de France and Professor emeritus of the University of Lausanne.

Konrad Schmid Born 1965; professor of Old Testament and Ancient Judaism at the Faculty of Theology at the University of Zürich, Switzerland.

Axel Bühler Born 1992; currently PhD student at the University of Geneva and a temporary worker for the Collège de France.

Uma história do aramaico

GZELLA, H. Aramaic: A History of the First World Language. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2021, 371 p. – ISBN 9780802877482GZELLA, H. Aramaic: A History of the First World Language. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2021

Neste volume – a primeira história completa do aramaico desde suas origens até os dias atuais – Holger Gzella fornece uma visão geral acessível da língua, talvez mais conhecida por ter sido falada por Jesus de Nazaré. Gzella, um dos maiores especialistas em aramaico do mundo, começa com as primeiras evidências do aramaico em inscrições do início do primeiro milênio a.C., depois traça seu surgimento como a primeira língua mundial quando se tornou a língua administrativa dos grandes impérios do Antigo Oriente Médio. Ele também dedica a devida atenção ao papel sagrado do aramaico no judaísmo, seu lugar no mundo islâmico e seu contato com outras línguas regionais, antes de concluir com um vislumbre dos usos modernos do aramaico.

Embora o aramaico nunca tenha tido um contexto político ou cultural unificado no qual ganhar força, ele floresceu no Oriente Médio por um longo período, permitindo um amplo intercâmbio cultural entre diversos grupos de pessoas. Ao traçar o fio histórico da língua aramaica, os leitores também podem obter uma compreensão mais forte da ascensão e queda de civilizações, religiões e culturas naquela região ao longo de três milênios.

Aramaico: uma história da primeira língua mundial – original holandês, 2017 – é complementado visualmente por mapas, gráficos e outras imagens para uma experiência de leitura imersiva, fornecendo aos estudiosos e leitores casuais uma visão geral envolvente de uma das línguas mundiais mais importantes da história.

Holger Gzella é um acadêmico que se interessa pela linguística do hebraico e pelos estudos bíblicos, mas é conhecido principalmente como um grande especialista em aramaico.

 

In this volume—the first complete history of Aramaic from its origins to the present day—Holger Gzella provides an accessible overview of the language perhaps most well known for being spoken by Jesus of Nazareth. Gzella, one of the world’s foremost Aramaicists, begins with the earliest evidence of Aramaic in inscriptions from the beginning of the first millennium BCE, then traces its emergence as the first world language when it became the administrative tongue of the great ancient Near Eastern empires. He also pays due diligence to the sacred role of Aramaic within Judaism, its place in the Islamic world, and its contact with other regional languages, before concluding with a glimpse into modern uses of Aramaic.

Although Aramaic never had a unified political or cultural context in which to gain traction, it nevertheless flourished in the Middle East for an extensive period, allowing for widespread cultural exchange between diverse groups of people. In tracing the historical thread of the Aramaic language, readers can also gain a stronger understanding of the rise and fall of civilizations, religions, and cultures in that region over the course of three millennia.

Aramaic: A History of the First World Language is visually supplemented by maps, charts, and other images for an immersive reading experience, providing scholars and casual readers alike with an engaging overview of one of the most consequential world languages in history.

Holger GzellaHolger Gzella is a multifaceted and productive scholar. He is interested in the linguistics of Hebrew and in Bible Studies, but he is mainly known as a world-class specialist in Aramaic. His magnificent A Cultural History of Aramaic (2015) analyses the entire history and cultural and historical significance of what was the main language (after Akkadian) of the Near and Middle East until the rise of Islam. In his most recent work, Aramäische Wörterbuch (2016), he places the vocabulary of older forms of Aramaic in a broader context.

Table of Contents

1. Introduction
2. The Oldest Aramaic and Its Cultural Context
3. Aramaic as a World Language
4. Aramaic in the Bible and Early Judaism
5. Aramaic between the Classical and Parthian Worlds
6. Syriac and the End of Paganism
7. The Second Sacred Language: Aramaic in Rabbinic Judaism
8. Not Just Jews and Christians: Samaritans, Mandeans, and Others
9. Aramaic in Arabia and the Islamic World
10. Modern Aramaic from a Historical Perspective

A pesquisa de Amós nos últimos vinte anos

CARROLL R., M. D. Twenty Years of Amos Research. Currents in Biblical Research Vol. 18(1), p. 32­–58, 2019.

O artigo analisa estudos sobre o livro do profeta Amós nos últimos 20 anos.Currents in Biblical Research

Muito esquemático, este texto é apenas um roteiro para a leitura do artigo original. Os autores citados no texto e suas obras podem ser consultados na bibliografia do artigo. Ele está disponível para download gratuito aqui ou aqui.

 

Resumo

Este artigo traz um panorama dos últimos vinte anos da pesquisa de Amós, um livro que foi abordado de muitos modos.

O artigo agrupa essas tendências em cinco áreas:
1. a possibilidade de postular um cenário do século oitavo para o profeta e o debate sobre a confiabilidade histórica do livro
2. a redação do livro e possíveis conexões com a história da composição do Livro dos Doze
3. os temas teológicos de particular interesse contemporâneo
4. percepções recentes sobre as técnicas de tradução de Amós na LXX
5. a recepção de Amós ao longo dos séculos, com um foco especial nas visões de mulheres e comunidades minoritárias e globais.

Há uma série de posições acadêmicas em várias dessas áreas e novas questões estão sendo levantadas, todas pressagiando vitalidade contínua na pesquisa de Amós em um futuro previsível.

 

Abstract

This article is a selective survey of the last twenty years of Amos research, which has witnessed robust discussion in multiple directions. It groups these trends into five very broad areas: (1) the possibility of positing an eighth-century setting for the prophet and the historical reliability of the book, (2) work on the redaction of the book and potential connections to the history of the composition of the Book of the Twelve, (3) theological themes of particular contemporary interest, (4) recent insights into the translation techniques of LXX Amos, and (5) the reception of Amos across the centuries, with a special focus on the views of women and minority and global communities. There is a range of scholarly positions in several of these areas and new questions being asked, all of which portends continued vitality in Amos research in the foreseeable future.

 

Entre os panoramas mais abrangentes da pesquisa sobre Amós, três obras merecem ser citadas:
. R. F. Melugin em 1988
. M. D. Carroll R. em 2002
. J. Barton em 2012

 

1. Amós: um profeta do século VIII a.C. ou apenas um personagem do livro?

Os últimos vinte anos testemunharam uma divisão crescente entre estudiosos que defendem a credibilidade do material biográfico do livro de Amós (1,1;7,1-17) e outros referentes históricos que localizariam o profeta no reino do norte em meados do século VIII a.C. durante o reinado de Jeroboão II e aqueles que não sustentam esse pressuposto básico.

The past twenty years have witnessed a growing divide between scholars who argue for the credibility of the biographical material in the book of Amos (1.1; 7.1-17) and other historical referents that would locate the prophet in the northern kingdom in the mid-eighth century BCE during the reign of Jeroboam II, and those who do not hold that basic assumption.

Entre os primeiros, em diferentes graus e com abordagens específicas, estão:
. M. A. Sweeney, 2000
. G. V. Smith, 2001
. S. Paas, 2003
. D. N. Premnath, 2003
. R. C. Steiner, 2003
. A. M. Maeir, 2004
. G. M. Tucker, 2006
. H. M. Barstad, 2007
. W. J. Houston, 2008
. R. R. Lessing, 2009
. M. L. Chaney, 2014
. J. M. Hutton, 2014
. B. A. Strawn, 2016
. M. D. Carroll R., 2020

Entre os segundos, que questionam ou a autenticidade dos oráculos de Amós, ou o contexto histórico pressuposto pelo livro, ou até mesmo a existência de um profeta de nome Amós, estão:
. R. J. Coggins, 2000
. R. G. Kratz, 2003
. A. Sherer, 2005
. M. Z. Brettler, 2006
. E. Blum, 2008
. J. R. Linville, 2008
. P. R. Davies, 2009
. J. C. Gertz, 2010
. T. Bulkeley, 2015
. G. Eidevall, 2017

 

2. A composição do livro de Amós

Há estudiosos que defendem que o livro está substancialmente enraizado no século VIII a.C., enquanto outros propõem vários esquemas redacionais.

There are scholars who contend for the book to be substantially rooted in the eighth century, while others propose various redactional schemes.

Entre os primeiros, que defendem a autenticidade do livro, estão:
. M. A. Sweeney, 2000
. K. Möller, 2003
. D. A. Garrett, 2008
. R. R. Lessing, 2009
. M. D. Carroll R., 2020

Entre os segundos, estão:
. J. R. Wood, 2002
. T. S. Hadjiev, 2004, 2009
. Schart, 2007, 2010, 2016
. J. R. Linville, 2008
. J. Radine, 2010
. G. R. Hamborg, 2012
. G. Eidevall, 2017

 

3. A teologia de Amós

J. Barton, The Theology of the Book of Amos. Cambridge: Cambridge University Press, 2012, oferece uma taxonomia útil da teologia do livro de Amós.
Ele distingue entre o que teriam sido:
. as crenças das pessoas no contexto do profeta histórico
. daquelas do próprio profeta e seu círculo
. a teologia dos acréscimos redacionais
. e a teologia do livro canônico.
Mesmo que alguém possa não concordar com suas sugestões críticas de redação, essa análise pode servir como uma ferramenta heurística na análise de hipóteses acadêmicas.

Barton (2012) offers a helpful taxonomy of the theology of the book of Amos. He distinguishes between what would have been the beliefs of the people of the historical prophet’s context from those of the prophet himself and his circle, the theology of the redactional additions, and the theology of the canonical book. Even if one might not agree with his redaction-critical suggestions, this breakdown can serve as a heuristic tool in the analysis of scholarly hypotheses.

Dois temas veem recebendo crescente atenção dos estudiosos:
1. O tema da criação lido no contexto da atual crise ecológica. Assim: T. E. Fretheim, 2005 e H. Marlow, 2009.
2. O tema da violência divina no julgamento das nações estrangeiras, mas também de Israel e Judá. Assim: M. D. Carroll R., 2015 e W. J. Houston, 2017.

 

4. Amós na LXX

. A. W. Park, 2001
. w. E. Glenny, 2009
. M. Theocharous, 2012

 

5. A recepção de Amós ao longo dos séculos

Amós tem uma longa história de releituras ao longo dos séculos. Os três panoramas bibliográficos citados no início do artigo trazem vários exemplos.

Amos has a long history of appropriation across the millennia for which the three book-length introductions mentioned above provide examples (Carroll R. 2002: 53-72; Barton 2012: 161-80; Houston 2017: 83-96; also note Various Authors 2009).

A ligação de Amós com outros textos proféticos é explorada por: M. Daniel Carroll R. (Rodas)
. J. Pschibille, 2001
. A. Schart, 2004
. R. Poser, 2016

Amós na tradição judaica e na tradição cristã

Amós como profeta da justiça é um tema que atravessa os séculos

As leituras feministas de Amós, como: A. Erickson, 2012; Marie-Therese Wacker, 2012

Em várias partes do mundo as pessoas buscam inspiração em Amós para refletir sobre os problemas atuais.
Por exemplo:
. na África: D. Bitrus, 2006; C. Robertson, 2010
. em Hong Kong: N. L. E. Ngan, 2004
. na América Latina: M. D. Carroll R., 1999, 2001, 2005, 2008, 2018

Conclui-se que:

Este livro profético continua a falar para comunidades de fé e em contextos de injustiça, uma dimensão que deve estimular os pesquisadores e alertá-los para a necessária atenção às realidades sociais em que vivem.

This prophetic book also continues to speak into communities of faith and in contexts of injustice, a dimension that should prod scholarship not to divorce itself from social realities.

 

M. Daniel Carroll R. (Rodas) é Professor de Estudos Bíblicos no Wheaton College, IL, USA. Filho de mãe guatemalteca e pai norte-americano, sua origem latino-americana sempre foi parte importante de como ele se define. Lecionou na Guatemala de 1982 a 1996, exceto por 2 anos e meio para estudos de doutorado no Reino Unido, na Universidade de Sheffield. Sua vivência na Guatemala e seu envolvimento com imigrantes hispânicos impulsionou seu interesse pela ética social do Antigo Testamento e pela missão da Igreja no mundo.