Estudo sociológico sobre seitas no judaísmo antigo

CHALCRAFT, D. J. (ed.) Sectarianism in Early Judaism: Sociological Advances. Abingdon: Routledge, 2014, 256 p. – ISBN 9781845530839.

CHALCRAFT, D. J. (ed.) Sectarianism in Early Judaism: Sociological Advances. Abingdon: Routledge, 2014Este livro apresenta oito estudos – inovadores, segundo a editora – que exploram o fenômeno das seitas no judaísmo antigo e a história das teorias sociológicas sobre movimentos sectários.

Os colaboradores abordam fontes clássicas e contemporâneas da sociologia da religião, como os trabalhos de Max Weber, Ernest Troeltsch, Bryan Wilson, Stark e Bainbridge, Mary Douglas. Leia mais sobre a sociologia (weberiana) das seitas aqui.

Entre os autores estão, além de David J. Chalcraft, Lester L. Grabbe e Philip R. Davies, de quem já li alguns livros, também Peirluigi Pironavelli, Eyal Regev, Cecilia Wassen, Jutta Jokiranta, Albert I. Baumgarten…

Diz a editora:
This book presents eight new and path-breaking studies which explore the phenomenon of sects in ancient Judaism and the history of sociological theorizing of sectarian movements. Contributors draw on a full range of classical and contemporary sources in the sociology religion including the work of Max Weber, Ernest Troeltsch, Bryan Wilson, Stark and Bainbridge, Mary Douglas. The book represents a self-conscious foregrounding of sociological issues which the authors apply to their deep knowledge of the history and texts of the so-called sectarian communities. Critical consideration is given to the contexts in which Jewish sectarianism is to be understood, layers of redaction in the texts, the trajectories of sectarian groups, the location of sectarianism within a long term history of Judaism as well as in the context of the Second Temple; the relations between sects and the wider society, between themselves and between other religious and political movements are considered. Critical approaches are adopted to the reception and application of Weber’s ideas and for the first time a comprehensive survey of the contributions of Weber and Bryan Wilson, rooted in the development of their own work across time, is provided. The limits as well as the potentialities of their typologies and sociological theories are considered. Overall the book breaks out of a non reflective and non informed use of sociological typologies to ground conceptualization of sects and their histories in a purposeful sociological context, making controlled use of sociological theory, concepts and substantive findings of other sectarian movements. The book does not argue for any one sociological method or typology but only leads by example by showing the need to be cautious with the use of comparative material, and to ground theorizing in the very texts of the sociological theorist studied just as careful attention needs to be paid to the textual, historical and material evidence that remains.

The Jesus Project: um deus-nos-acuda

“False report, of course, is the culture in which blogging thrives”. R. Joseph Hoffmann.

Ou: Falsa informação, naturalmente, é a cultura na qual prospera o blogar, disse o “chefe” do The Jesus Project em Jesus Project v. Jesus Squad?

Ei, moço, devagar com o andor! Não bastasse o controvertido projeto, agora o ataque gratuito e generalizado aos biblioblogueiros que discutiram um assunto que parece mal-arranjado desde o começo? Isto pode acabar em destempero ou… sinônimos aqui.

O que aconteceu?

Nem vou entrar na discussão, que acho absurda, mas leia, sobre o caso, nesta sequência [agora, impossível ler, pois blogs morreram e links sumiram!]:

:: Introducing The Jesus Project by R. Joseph Hoffmann – Presidente do Committee for the Scientific Examination of Religion (CSER)

:: Jesus Project update – Higgaion, by Christopher Heard (03 Aug 2007)

:: The Jesus Project – The Forbidden Gospels Blog, by April DeConick

:: Statement by R. Joseph Hoffmann: Jesus Project v. Jesus Squad?, by R. Joseph Hoffmann

:: The Jesus Project – NT Gateway Weblog, by Mark Goodacre

:: Hoffmann Responds to blogdom on The Jesus Project – Thoughts on Antiquity, by Chris Zeichmann

:: The Jesus Project: on not being responsible – Metacatholic, by Doug Chaplin

:: Jesus Project update – Higgaion, by Christopher Heard (14 Aug 2007)

E fique de olho, porque vai sair mais bafafá!

 

O que foi o Jesus Project?

The Jesus Project, announced in December 2007, was intended as a five-year investigation to examine whether Jesus existed as a historical figure. The idea was that a group of 32 scholars from a variety of disciplines would meet regularly with no preconceived ideas, funded by the Committee for the Scientific Examination of Religion, part of the Center for Inquiry.

Initiated by historian of religion R. Joseph Hoffmann, chair of the Committee, the project sought to improve upon what Hoffmann saw as the failure of the Jesus Seminar to determine what, if anything, can be recovered about Jesus, using the highest standards of scientific and scholarly enquiry. The Committee suspended the project’s funding in June 2009, after Hoffmann expressed concern about its purpose and direction and it has not been active since then.

(…)

The project was halted in June 2009 when Hoffmann announced that in his view the project was not productive, and its funding was suspended. He wrote that there were problems with adherents to the Christ myth theory, the idea that Jesus did not exist, asking to set up a separate section of the project for those committed to the theory, which Hoffmann felt signalled a lack of necessary skepticism. He was also concerned that the media was sensationalizing the project, with the only newsworthy conclusion being that Jesus had not existed, a conclusion he said most participants would not have reached.

He also argued that New Testament documents, particularly the Gospels, were written at a time when the line between natural and supernatural was not clearly drawn, and concluded that further historical research was not realistic. “No quantum of material discovered since the 1940’s, in the absence of canonical material, would support the existence of an historical founder,” he wrote. “No material regarded as canonical and no church doctrine built upon it in the history of the church would cause us to deny it. Whether the New Testament runs from Christ to Jesus or Jesus to Christ is not a question we can answer.” (Wikipedia, Jesus Project)

Google Reader Trends: 13 de agosto de 2007

Repito aqui a introdução que fiz no post Google Reader Trends de 9 de junho de 2007.

No Google Reader Trends é possível ver alguns aspectos interessantes dos itens inscritos em meu blogroll. Como os blogs mais frequentemente atualizados nos últimos 30 dias e, na outra ponta, os inativos.

Reporto aqui os top 45 itens dos últimos 30 dias, lembrando – somente aos distraídos! – que a data atual é: 9 de junho de 2007, 11h45, horário de Brasília.

Enfatizo, porém, que esta estatística é do Google Reader, não minha, e que indica a quantidade média diária de posts publicados por um blog, ou outro item inscrito no Blogroll, não a qualidade de seu conteúdo!

Portanto, não cabe aqui qualquer juízo de valor de um blog e a estatística não deve ser usada para medir a excelência acadêmica de nenhum blogueiro ou biblioblogueiro. Vejo biblioblogs excelentes, por exemplo, no fim da lista.

Hoje, 13 de agosto de 2007, 11h02, horário de Brasília (confira um World Clock), vejo a seguinte lista dos top 40 itens dos últimos 30 dias (hoje tenho 163 itens inscritos no blogroll), que pode ser comparada com a de dois meses e 4 dias atrás:

Your subscription trends for the last 30 days – Frequently updated: Items/Day
:: Dr Jim West 5.3
:: Egyptology News 4.0
:: Blog di Antonio Lombatti 3.2
:: PaleoJudaica.com 2.6
:: Egyptology Blog 2.5
:: Jesus Creed 2.4
:: Better Bibles Blog 1.8
:: AKMA’s Random Thoughts 1.8
:: Exploring Our Matrix 1.6
:: Ancient Hebrew Poetry 1.6
:: Observatório Bíblico 1.5
:: Higgaion 1.4
:: Iyov 1.2
:: NT Gateway Weblog 1.2
:: Sibboleth 1.2
:: Lingamish 1.1
:: The Forbidden Gospels Blog 1.1
:: Faith and Theology 1.1
:: Pisteuomen 1.1
:: Withering Fig 1.1
:: Abnormal Interests 1.1
:: What’s New in Abzu 1.0
:: Chrisendom 1.0
:: About Ancient/Classical History 1.0
:: Aantekeningen bij de Bijbel 1.0
:: Schenck Thoughts 1.0
:: Idle Musings of a Bookseller 0.9
:: Euangelion 0.9
:: Årstein Justnes’ Blogg 0.8
:: Best Blogs about Biblical Studies 0.8
:: Top Theology Blogs 0.8
:: Biblische Ausbildung 0.8
:: Novum Testamentum 0.8
:: Bibbiablog 0.8
:: Exegetisk Teologi 0.7
:: Targuman 0.7
:: Iconic Books 0.7
:: What’s New in Papyrology 0.7
:: EvolutionBlog 0.7
:: Ben Witherington 0.7

Lester Grabbe: como escrever uma História de Israel?

GRABBE, L. L. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It? Revised Edition. London: T&T Clark, 2017, 328 p. ISBN 978-0567670434.

As histórias de Israel escritas nas últimas décadas ainda deixam questões básicas de metodologia sem respostas. Por exemplo: como escrevemos uma História de Israel? Como nós podemos saber algo sobre a História de Israel?

GRABBE, L. L. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It? Revised Edition. London: T&T Clark, 2017Em Antigo Israel: o que nós sabemos e como nós sabemos, Lester L. Grabbe, Professor de Bíblia Hebraica e Judaísmo Antigo na Universidade de Hull, Reino Unido, investiga o que nós sabemos através de uma verificação das fontes e como nós sabemos através de uma discussão metodológica e avaliação das evidências. Grabbe não escreve aqui uma História de Israel, mas reúne e analisa os materiais necessários para a escrita de uma História de Israel.

A questão mais importante sobre a história do antigo Israel é: como nós sabemos o que sabemos? Esta questão nos conduz às questões fundamentais deste estudo de Lester L. Grabbe: Quais são as fontes para a História de Israel e como devemos avaliá-las? Como fazê-las “falar” através da névoa dos séculos?

Grabbe analisa fontes originais, incluindo inscrições, papiros e arqueologia e examina os maiores problemas existentes quanto ao uso do texto bíblico para a escrita de uma História de Israel.

 

Diz a editora:
A number of ‘histories of Israel’ have been written over the past few decades yet the basic methodological questions are not always addressed: how do we write such a history and how can we know anything about the history of Israel? In Ancient Israel Lester L. Grabbe sets out to summarize what we know through a survey of sources and how we know it by a discussion of methodology and by evaluating the evidence. Grabbe’s aim is not to offer a history as such but rather to collect together and analyze the materials necessary for writing such a history. His approach therefore allows the reader the freedom, and equips them with the essential methodological tools, to use the valuable and wide-ranging evidence presented in this volume to draw their own conclusions. The most basic question about the history of ancient Israel, how do we know what we know, leads to the fundamental questions of the study: What are the sources for the history of Israel and how do we evaluate them? How do we make them ‘speak’ to us through the fog of centuries? Grabbe focuses on original sources, including inscriptions, papyri, and archaeology. He examines the problems involved in historical methodology and deals with the major issues surrounding the use of the biblical text when writing a history of this period. Ancient Israel makes an original contribution to the field but also provides an enlightening overview and critique of current scholarly debate. It can therefore serve as a ‘handbook’ or reference-point for those wanting a catalog of original sources, scholarship, and secondary studies.

Le Monde Diplomatique Brasil nas bancas

Leia esta ótima notícia sobre a edição em português do Le Monde Diplomatique em:

Le Monde Diplomatique no Brasil

Saiu, finalmente, no Brasil, a edição impressa do Le Monde Diplomatique, a melhor publicação de política internacional do mundo. Fundado há 50 anos por Claude Julien, o Diplô como é conhecido se afirmou como o mais importante veículo de política internacional sob a direção de Ignacio Ramonet seu editor e de Bernard Cassen.

A edição brasileira, publicada graças a um enorme esforço de entidades civis em que a Polis teve um papel central, sob a direção de Silvio Caccia Bava chega às bancas com uma tiragem de 40 mil exemplares, na contramão da grande mídia oligárquica que, como se poderia esperar, trata de desconhecer o lançamento do Diplô no Brasil, ao invés de saudá-lo.

Na contramão porque se lança corajosamente na rua, quando a imprensa tradicional diminui de tamanho em tiragem, em prestígio e no plano ético -, porque sabe que se soma à imprensa alternativa no Brasil, recentemente consagrada por pesquisa insuspeita da revista Imprensa em particular Carta Capital, Carta Maior e o blog de Luis Nassif. Porque teve sensibilidade do vazio que existe nas análises de um mundo sobre o qual informa tão mal e de maneira tão deformada a mídia tradicional.

Uma vez perguntei ao editor-chefe de um dos jornais mais conhecidos da imprensa tradicional ele também filho do seu pai, proprietário do jornal por que a cobertura internacional do jornal era tão ruim. Ele respondeu que era porque a demanda dos leitores não valorizava a cobertura internacional. Argumentei que era um raciocínio circular, que a péssima cobertura não alimentava a demanda. Ele mesmo não havia lido o que eu considerava a notícia mais importante que o seu próprio jornal havia publicado com certo destaque naquela semana a maquiagem dos danos causados numa das guerra imperiais, que os militares dos EUA confessavam terem feito, para influenciarem o governo e a opinião pública, para passarem a ideia de que estavam ganhando a guerra e poderem seguir adiante.

E, no entanto, a direita incluído esse jornal usam a política internacional como exemplos seletivos do que seriam exemplos de suas teses conservadoras. Para tanto tem que informar mal ao público, tem que omitir informações, tem que ser totalmente parciais em temas como a globalização neoliberal, a China, os EUA, a Venezuela, Cuba, Bolívia, a Argentina, a Coreia do Sul, a Índia, o Equador, entre tantos outros.

O Diplô chega na contramão também porque se situa inequivocamente na onda da construção do mundo alternativo. Não por acaso, o editorial de Ramonet denunciando o pensamento único ¿ publicado há dez anos e convocando à construção de um pensamento crítico e alternativo, faz parte da história da luta antineoliberal. Não por acaso, Bernard Cassen foi o grande idealizador do projeto do Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Não por acaso, o Diplô conta atualmente com com dezenas de edições nacionais pelo mundo afora, que somam várias centenas de milhares de exemplares, incluindo edições na Argentina e no Chile, às quais se soma agora a do Brasil. Publica, além disso, o caderno Maneiras de Ver, a cada dois meses, um indispensável dossiê sobre temas fundamentais do mundo contemporâneo.

A edição brasileira, que deve ser saudada, lida, assinada e propagandeada por todos os que lutam por um outro mundo possível procurem nas bancas ou em [email protected] tem os artigos essenciais da edição mensal francesa e textos produzidos no Brasil. Neste primeiro número, em particular, entrevista con Chomsky sobre a América rebelde; artigo de Cassen contra a globalização do idioma inglês; dossiê de Regis Debray sobre a Palestina; dossiê sobre o conflito entre muçulmanos; artigo sobre o genoma e a biologia como armas de guerra; artigo sobre a segurança alimentar e os direitos humanos; um balanço da esquerda francesa depois das eleições; um artigo sobre a nova América Latina, que a imprensa oligárquica não consegue captar; um artigo sobre o resgate da memória histórica, por John Berger; um debate sobre o etanol; um artigo sobre Sade e o espírito do capitalismo; um sobre a Amazônia e a busca do desenvolvimento responsável; um sobre a redescoberta da literatura indiana; um sobre os intelectuais e a rede mundial do saber, por Pierre Lévy; um artigo de Armand Mattelart sobre a batalha das palavras; um de Leo Ferrez sobre o nosso rosto da periferia.

Tudo isso numa bela edição, mais bonita que todas as outras que conheço do velho e cada vez mais novo Diplô, agora, para alegria nossa, também no Brasil. Comprem, leiam, aproveitem, opinem, recomendem, critiquem, debatam, gozem, mas não relaxem, nunca.

Benvindo ao Diplô no Brasil.

Fonte: Emir Sader – Carta Maior: 10/08/2007

What is the New Perspective on Paul?

Uma rápida e clara introdução à Nova Perspectiva nos posts de Scot McKnight, publicados em seu blog Jesus Creed de 6 a 10 de agosto de 2007.

:: New Perspective 1 – E. P. Sanders
:: New Perspective 2 – James Dunn
:: New Perspective 3 – N. T. Wright
:: New Perspective 4 – I wish now to state what we have to do when we start talking about the “New Perspective”…
:: New Perspective 5 – The crux of the fierce criticism of the New Perspective on Paul is what I will call an Augustinian anthropology

 

Leia Mais:
:: Further Reading on the New Perspective
:: N. T. Wright Page, unofficial website
:: Simon Gathercole on the New Perspective on Paul, post de Mark Goodacre em NT Gateway Weblog

No Brasil temos muitos blogs e poucos biblioblogs

O Brasil é o quinto colocado no mundo em número de leitores de blogs e o terceiro entre os que mais têm blogueiros, como diz uma pesquisa feita pela McCann para a Intel.

Por que temos tão poucos biblioblogueiros?

 

Organizem o seu blog… temos de dar este passo, e criar um ambiente rico e colaborativo no nosso mundo científico acadêmico. Francamente, acho que faz parte da vocação do professor e do pesquisador não só ensinar e inovar, como organizar de forma moderna a comunicação das ideias que possam enriquecer a nova geração e enriquecer-nos uns aos outros.

 

Carta de Foz do Iguaçu

“O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro de 2011, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.
Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:

– A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;

– A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;

– A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.

– A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.

– A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA no seu processo de bloqueio à Cuba.

Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.”

 

Carta do II BlogProg – Brasília – Junho de 2011

Desde o I Encontro Nacional dos Blogueir@s Progressistas, em agosto de 2010, em São Paulo, nosso movimento aumentou a sua capacidade de interferência na luta pela democratização da comunicação, e se tornou protagonista da disseminação de informação crítica ao oligopólio midiático.

Ao mesmo tempo, a blogosfera consolidou-se como um espaço fundamental no cenário político brasileiro. É a blogosfera que tem garantido de fato maior pluralidade e diversidade informativas. Tem sido o contraponto às manipulações dos grupos tradicionais de comunicação, cujos interesses são contrários à liberdade de expressão no país…

Saber x ideologia: ainda o discurso competente

Creio que o post anterior possa ter gerado alguma confusão. Talvez os leitores sejam levados a tomar a categoria “competência” como sinônimo de “saber”, como se eu estivesse negando a necessidade da ciência e defendendo o senso comum. Não é bem isso o que quero dizer.

Nehemias, um leitor do blog – a quem agradeço – fez, no comentário, algumas ressalvas ao post O discurso competente: dissimulador da dominação. Tentei esclarecer o que quis dizer, também no comentário, mas acho que ainda não ficou bom. Vou tentar explicar melhor.

O já citado filósofo francês da ciência, Gaston Bachelard, compõe a sua obra a partir de uma dupla vertente: a científica e a poética. Para Bachelard, o tempo só tem a realidade do instante, daí ser o conhecimento uma obra temporal. Se para Bergson o instante é duração, gerando um processo de continuidade, e nos transformando na condensação da história que vivemos, para Bachelard, ao contrário, o instante é trágico, pois ele é a solidão que nos isola de nós mesmos e dos outros. Como vencer esta solidão? Com a ciência e a poesia.

Passo a citar Hilton Japiassú, Para ler Bachelard. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976, p. 22-23: O tempo é a consciência dessa solidão. A coragem aparece como a necessidade de se lutar contra a solidão. É assim que teremos acesso a nós mesmos, aos homens e às coisas. Nós somos nossa decisão. Nossos valores se inscrevem no término de uma ação através da qual fazemos os instantes que vivemos, quer dizer, nosso tempo. Devemos nos definir pela tendência que tivermos de nos ultrapassar e de nos transformar. Para tanto, dois caminhos se apresentam: de um lado, a ciência e a técnica vencem a solidão criando um prolongamento de nós mesmos e uma sociedade; de outro, a poesia e a imaginação libertam-nos da servidão da história e das referências da memória, para nos fazer descobrir homens e coisas. O homem é ao ao mesmo tempo Razão e Imaginação.

Limitando-me aqui à vertente científica, quero dizer que, segundo Bachelard, o conhecimento é uma operação na qual a ciência cria seus próprios objetos pela destruição dos objetos da percepção comum, dos conhecimentos imediatos. A ciência é uma ação eficaz e devemos utilizá-la para agir sobre o mundo e transformá-lo. Portanto, o progresso científico se faz por rupturas com o senso comum, com as opiniões primeiras e com as pré-noções da filosofia espontânea (cf. BACHELARD, G. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1999, 314 p. ISBN 8585910117).

Mas gostaria de ir além, voltando a Marilena Chauí, na citada obra Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2006, 367 p. ISBN 9788524911903.

Falando da diferença entre saber e ideologia, Chauí nos mostra que o saber é um trabalho. Trabalho para elevar à dimensão do conceito uma situação de não-saber. Situação gerada por uma experiência imediata obscura que pede clarificação. Obscuridade que é o caráter indeterminado da experiência. O saber é, portanto, o trabalho para determinar esta indeterminação, tornando-a inteligível. Daí, só há saber quando se aceita o risco da indeterminação que faz nascer a reflexão. Por outro lado, a ideologia recusa a indeterminação que habita a experiência. Ela neutraliza a história, abole as diferenças, oculta as contradições e desarma as interrogações. No saber as idéias são produto de um trabalho, são históricas. Na ideologia, o conhecimento se transforma em ideia instituída.

Bom, daqui para a frente é só reler o post anterior para clarear o que são discursos instituídos e competentes.

O discurso competente: dissimulador da dominação

Já dizia o filósofo francês Gaston Bachelard (1884-1962) que o conhecimento científico é sempre a reforma de uma ilusão e que, também por isso, não criamos com ideias ensinadas. Ora, o ser humano é um despertador de mundos…

Pois é. A ideia de Kevin Wilson de lançar um livro sobre os Blogs de Estudos Bíblicos acabou tangenciando duas questões interessantes:
:: o predomínio dos norte-americanos na área – veja a proposta monocórdica inicial de Kevin Wilson quanto à nacionalidade dos nomes sugeridos
:: a determinação da competência para analisar o ato de blogar sobre estudos bíblicos – veja os comentários destes dois posts de Kevin Wilson, aqui e aqui (incluindo um salto epistemológico indevido ao equiparar as ciências médicas com as ciências humanas).

Sobre este último ponto gostaria de lembrar, mais uma vez, Marilena Chauí e o que ela diz sobre a competência do discurso, em seu livro Cultura e democracia: O discurso competente e outras falas. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2006, 367 p. ISBN 9788524911903

Marilena Chauí nos lembra que a sociedade capitalista possui enorme habilidade para transformar discursos instituintes e históricos em discursos instituídos e competentes.

O mecanismo funciona da seguinte maneira: um discurso que era histórico torna-se instituído e competente, podendo ser ouvido e aceito como autorizado porque perde os laços com o lugar e o tempo de sua origem. É o discurso que funciona segundo a restrição seguinte: “Não é qualquer um que pode dizer a qualquer outro qualquer coisa em qualquer lugar e em qualquer circunstância”.

E isto acontece porque a divisão capitalista do trabalho burocratiza as sociedades contemporâneas e transforma os discursos por ela autorizados em discursos dissimuladores de suas relações de dominação.

Este discurso competente e autorizado – o discurso do “doutor”, aqui, do Ph.D. – pressupõe a incompetência e a não-autoridade dos leitores, que não são considerados como sujeitos sociais e políticos. Mas são considerados como sujeitos individuais e pessoas privadas, revalidando, aparentemente, dessa maneira, a sua competência social usurpada.

Homenagem a Philip Davies

BURNS, D.; ROGERSON, J. W. (eds.) Far From Minimal: Celebrating the Work and Influence of Philip R. Davies. London: Bloomsbury T & T Clark, 2014, 576 p. – ISBN 9780567114358.

BURNS, D.; ROGERSON, J. W. (eds.) Far From Minimal: Celebrating the Work and Influence of Philip R. Davies. London: Bloomsbury T & T Clark, 2014Esta é uma obra que homenageia Philip R. Davies por ocasião de seus 60 anos de vida. Os autores se propõem refletir sobre a influência de Philip R. Davies nos estudos bíblicos nos últimos 30 anos.

Diz a editora:

Marking the 60th birthday of Professor Philip R. Davies, Dr. Duncan Burns and John W. Rogerson, his former student and colleague, respectively, aim to do him justice. They have comprised articles from their peers to reflect on the impact Professor Davies has made in three particular areas of study: Hebrew Bible, Qumran, and Paleastinian Archaeology; New Testament and Early Judaism; and Biblical Interpretation. The breadth of this volume aims to reflect the scope, interest, and influence of Professor Davies from the last 30 years.