A conferência de Hans Küng em Curitiba

Hans Küng ministrará palestra na UFPR nesta terça-feira, 23

Na terça-feira, dia 23, às 20 horas, estará no Teatro da Reitoria onde falará sobre “Um novo paradigma para as relações internacionais”. Sua excursão pelo Brasil tem ainda a intenção de destacar o tema “Ciência e Fé – por uma ética mundial”.

Conhecido mundialmente por suas ideias inovadoras, o teólogo suíço alemão é também amigo pessoal do Papa Bento XVI. Entre suas posturas defende o fim da obrigatoriedade do celibato e a maior participação feminina na Igreja Católica. O objetivo do ciclo de palestras que está sendo realizado por Küng é difundir no Brasil a proposta e os atuais resultados do Projeto de Ética Mundial, além de divulgar os desdobramentos ocorridos entre intelectuais e estudiosos brasileiros dedicados ao assunto.

Fonte: UFPR – 22 de outubro de 2007

 

Um novo paradigma para as relações sociais foi o tema de Hans Küng em Curitiba

Fonte: IHU – 26/10/2007

 

Ciclo de Conferências com Hans Küng discute a ética religiosa global

Hoje, Hans Küng, um dos teólogos católicos de maior projeção mundial na atualidade, ministrará uma conferência no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM), com o tema “A ética e as religiões mundiais”. Às 19h, antes do início da palestra, Hans Küng receberá o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O suíço, de 79 anos, que durante sua formação, passou por grandes universidades da Europa como Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, na Itália; Sorbonne; Instituto Católico de Paris, na França, se dedica, hoje, em difundir a idéia de uma ética global das religiões em favor da paz no mundo.

A vinda de Küng à Juiz de Fora faz parte do Ciclo de Conferências, denominada “CIÊNCIA E FÉ – POR UMA ÉTICA MUNDIAL”, e foi iniciativa conjunta da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), sob a coordenação do Instituto Humanitas Unisinos (IHU); do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da UFJF; da Universidade Federal do Paraná (UFPR); da Universidade Católica de Brasília; da Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro; e do Goethe Institut de Porto Alegre . O conferencista passará por cinco cidades do Brasil divulgando seus estudos.

A professora Cleuza Andreatta, do IHU da UNISINOS, uma das responsáveis pelo Ciclo, comenta as ideias que Hans Küng apresentará ao público brasileiro. “Pessoalmente, o que acho interessante é a perspectiva de Hans sobre as possíveis contribuições das diversas religiões , em um contexto de pluralidade, e como elas podem se engajar, não só nos conflitos religiosos, mas também em questões como a pobreza, meio ambiente e violência. Ele aponta para um diálogo longe do que se refere a dogmas. Olha além disso. Olha para o entorno, voltado para a sobrevivência humana, o que é uma proposta relevante de busca de um ‘lugar’ de encontro religioso “, comenta.

O coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião (PPCIR) da UFJF, Eduardo Gross, tem a mesma opinião e acrescenta que, “em um mundo complexo como o de hoje, as religiões são um espaço de diálogo importante para elaborar diretrizes para a convivência humana. De um lado, vê-se uma ética puramente secular, do outro se percebe que a força das tradições religiosas, influentes no comportamento de milhões de pessoas, têm em si valores que não podem ser desprezados diante dos conflitos e das relações humanas”, explica.

O evento é destinado à professores, estudantes universitários e à comunidade em geral; a entrada é franca.

 

Confira a programação de Hans Küng no Brasil:

CICLO DE CONFERÊNCIAS “CIÊNCIA E FÉ – POR UMA ÉTICA MUNDIAL”

22/10 – As religiões e a ética mundial – 20h – Unisinos – São Leopoldo/RS

23/10 – Religiões e ciência – 10h – Instituto Goethe – Porto Alegre/RS

23/10 – Um novo paradigma para as relações internacionais – 20h – UFPR

24/10 – Religiões mundiais e ética mundial – 20h – Universidade Católica de Brasília

25/10 – Ética mundial, direitos humanos e democracia – 09h – Câmara dos Deputados

25/10 – Religião e ciência – 18h30 – Universidade Candido Mendes – RJ

26/10 – Religiões mundiais e ética mundial – 20h – MAM-UFJF

Fonte: UFJF – 26/10/2007

Leitura popular da Bíblia no Brasil

Já faz tempo que o artigo foi escrito, uns dois anos.

Mas, para quem não tem acesso aos livros do Mesters, vale a pena ler, está online no site do CEBI: uma explicação do que é a leitura popular da Bíblia no Brasil. Faz um histórico, explica o método… Tudo muito fácil.

Também pode ser lido meu artigo: Ler a Bíblia no Brasil hoje.

 

Sobre a Leitura Popular da Bíblia no Brasil

Neste artigo abordamos a leitura popular da Bíblia que se faz nas Comunidades Eclesiais da Base da América Latina. É bom lembrar que elas são apenas uma minoria. O impacto e a irradiação da leitura feita nas Comunidades Eclesiais de Base são grandes e significativos para a vida das igrejas e para a caminhada do movimento popular.

Este artigo é como uma fotografia. Uma vez feita, ela não muda mais. Mas a pessoa fotografada continua mudando. Depois de alguns anos, ela talvez não se reconheça mais nesta fotografia que aqui apresentamos com muito respeito e carinho. O artigo reflete a nossa prática no CEBI e nas Comunidades Eclesiais da Base (CEBs). Abordamos a leitura popular feita nas comunidades. Apesar de elas serem uma minoria, é significativa a sua irradiação na vida das igrejas.

 

1a Parte

Dez Características da leitura popular

Como entrada no nosso assunto apresentamos aqui dez pontos que, de certo modo, oferecem uma visão global da leitura popular e são um resumo de tudo que vamos dizer.

1. A Bíblia é reconhecida e acolhida pelo povo como Palavra de Deus. Esta fé já existia antes da chegada do que se convencionou chamar leitura popular. É nesta raiz antiga que se enxerta todo o nosso trabalho com a Bíblia junto do povo. Sem esta fé, todo o método teria de ser diferente. “Não es tu que sustentas a raiz, mas a raiz sustenta a ti” (Rm 11,18).

2. Ao ler a Bíblia, o povo das Comunidades traz consigo a sua própria história e tem nos olhos os problemas que vêm da realidade dura da sua vida. A Bíblia aparece como um espelho, “sím-bolo” (Hb 9,9; 11,19), daquilo que ele mesmo vive. Estabelece-se uma ligação profunda entre Bíblia e vida que, às vezes, pode dar a impressão de um concordismo superficial. Na realidade, é uma leitura de fé muito semelhante à que faziam as primeiras comunidades (cf. At 1,16-20; 2,29-35; 4,24-31) e os Santos Padres.

3. A partir desta ligação entre Bíblia e vida, os pobres fazem a descoberta, a maior de todas: “Se Deus esteve com aquele povo no passado, então Ele está também conosco nesta luta que fazemos para nos libertar. Ele escuta também o nosso clamor!” (cf. Ex 2,24;3,7). Nasce assim, imperceptivelmente, uma nova experiência de Deus e da vida que se torna o critério mais determinante da leitura popular e que menos aparece nas suas explicitações e interpretações. Pois o olhar não se enxerga a si mesmo.

4. Antes deste contato mais vivido com a Palavra de Deus, a Bíblia ficava longe da vida do povo. Era o livro dos “padres”, dos “pastores”, do clero. Mas agora ela chegou perto! O que era misterioso e inacessível, começou a fazer parte da vida quotidiana de crianças, mulheres e homens empobrecidos. E junto com a sua Palavra, o próprio Deus chegou perto! “Vocês que antes estavam longe foram trazidos para perto!” (Ef 2,13) Difícil para um de nós avaliar a experiência de novidade e de gratuidade que isto representa para as pessoas empobrecidas.

5. Assim, aos poucos, foi surgindo uma nova maneira de se olhar a Bíblia e a sua interpretação. Ela já não é vista como um livro estranho que pertence ao clero, mas sim como o nosso livro, “escrito para nós que tocamos o fim dos tempos” (1Cor 10,11). Às vezes, ela chega a ser o primeiro instrumento de uma análise mais crítica da realidade. Por exemplo, a respeito de uma empresa que oprime e explora o povo, o pessoal da comunidade dizia: “É o Golias que temos que enfrentar!”

6. Pouco a pouco, cresce a descoberta de que a Palavra de Deus não está só na Bíblia, mas também na vida, e de que o objetivo principal da leitura da Bíblia não é interpretar a Bíblia, mas sim interpretar a vida com a ajuda da Bíblia. A Bíblia ajuda a descobrir que a Palavra de Deus, antes de ser lida na Bíblia, já existia na vida. As comunidades descobrem que a sua caminhada é bíblica. “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (Gn 28,16)!

7. A Bíblia entra na vida do povo não pela porta da imposição autoritária, mas sim pela porta da experiência pessoal e comunitária. Ela se faz presente não como um livro que impõe uma doutrina de cima para baixo, mas como uma Boa Nova que revela a presença libertadora de Deus na vida e na luta do povo. As pessoas que participam dos grupos bíblicos, elas mesmos se encarregam de divulgar esta Boa Notícia e atraem outras para participar. “Vinde ver um homem que me contou toda a minha vida!” (Jo 4,29).

8. Para que se produza esta ligação profunda entre Bíblia e vida, é importante: a) Ter nos olhos as perguntas reais que vêm da realidade, e não perguntas artificiais que nada têm a ver com a vida do povo. Aqui aparece como é importante o/a intérprete ter convivência e experiência pastoral inserida no meio do povo. b) Descobrir que se pisa o mesmo chão, ontem e hoje. Aqui aparece a importância do uso da ciência e do bom senso, tanto na análise crítica da realidade de hoje como no estudo do texto e do seu contexto social. c) Ter uma visão global da Bíblia que envolva os próprios leitores e leitoras, e que esteja ligada com a situação concreta das suas vidas hoje.

9. A interpretação que o povo faz da Bíblia é uma atividade envolvente que compreende não só a contribuição intelectual do/a exegeta, mas também todo o processo de participação da Comunidade: trabalho e estudo de grupo, leitura pessoal e comunitária, teatro, celebrações, orações, recreios, “enfim, tudo que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer maneira merece louvor” (Fl 4,8). Aqui aparecem a riqueza da criatividade popular e a amplidão das intuições que vão nascendo.

10. Para uma boa interpretação, é muito importante o ambiente de fé e de fraternidade, através de cantos, orações e celebrações. Sem este contexto do Espírito, não se chega a descobrir o sentido que o texto tem para nós hoje. Pois o sentido da Bíblia não é só uma idéia ou uma mensagem que se capta com a razão e se objetiva através de raciocínios; é também um sentir, um conforto que é sentido com o coração, “para que, pela perseverança e pela consolação que nos proporcionam as Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15,4).

 

2ª Parte

Um pouco de história

Tudo isso que hoje está acontecendo nas Comunidades Eclesiais de Base tem uma história vinda de longe. Muitos fatores contribuíram para que se chegasse a esse tipo de leitura da Bíblia. Destacaremos três fatores que não podem ser ignorados para se entender a atual conjuntura. Há um quarto fator que não pode ser avaliado nem verificado. Em seguida, veremos as três etapas que marcaram e continuam marcando este processo histórico da leitura popular da Bíblia.

Três etapas, três aspectos

No decorrer desses anos todos, foram aparecendo três aspectos da interpretação popular, aspectos simultâneos, misturados entre si. Ao longo dos anos, cada um deles foi tendo o seu momento privilegiado. São como que três etapas. Trata-se dos três aspectos da mesma atitude interpretativa do povo frente à Bíblia. Eles indicam os três objetivos distintos, que estão presentes e misturados, às vezes conflitantes, no uso popular da Bíblia.
Conhecer a Bíblia – Instruir

O processo de conhecer melhor a Bíblia começou já no século XIX com o trabalho renovador dos exegetas da Europa, tanto evangélicos como católicos. As novas descobertas trouxeram novos conhecimentos, abriam uma nova janela sobre o texto bíblico e sobre o contexto da sua origem.

A vontade de conhecer a Bíblia estimulou muita gente a uma leitura mais freqüente. Na igreja católica, a renovação da exegese, as encíclicas de Leão XIII, Bento XV e Pio XII, as novas traduções da Bíblia e o trabalho de divulgação dos exegetas levaram a Bíblia para mais perto do povo. Além disso, no Brasil, como já mencionamos, o que ajudou a provocar nos católicos um interesse maior pela Bíblia foi o vigor missionário das igrejas evangélicas de missão.

Foram surgindo, em todo canto, as semanas bíblicas, cursos bíblicos, escolas e escolinhas bíblicas, gincanas e maratonas bíblicas, e tantos outros movimentos e iniciativas para divulgar a Bíblia e estimular a sua leitura como, por exemplo, o assim chamado Mês da Bíblia, que foi celebrado durante mais de 25 anos e continua até hoje em muitos lugares, ou o Movimento da Boa Nova (MOBON). Este surgiu, inicialmente, como um movimento mais apologético de defesa do catolicismo contra a influência crescente das igrejas evangélicas. Atualmente, é um dos movimentos de evangelização libertadora mais difundidos que anima mais de 15.000 grupos em vários Estados do Brasil. Difícil de lembrar e enumerar todas as iniciativas que a criatividade popular inventou para divulgar a leitura e o conhecimento da Bíblia.
Criar Comunidade – Celebrar

Na medida em que a Palavra começava a ser conhecida, ela produzia os seus frutos. O primeiro fruto foi aglutinar as pessoas e criar comunidade. Semanas bíblicas populares, difusão da Bíblia em língua vernácula, cursos, encontros, treinamentos, inúmeros grupos e círculos bíblicos, mês da Bíblia, movimento da Boa Nova: tudo isto produziu um fervilhar comunitário muito grande em torno da Palavra de Deus. O movimento da renovação litúrgica fez com que se multiplicassem e se intensificassem as celebrações da Palavra.

Foram surgindo e crescendo as Comunidades Eclesiais de Base que por sua vez suscitavam, em todo canto, os círculos bíblicos, grupos de reflexão, grupos de evangelho, grupos de oração. No começo dos anos 70, temos a iniciativa dos Encontros Intereclesiais das Comunidades de Base, que foram acontecendo periodicamente e que no ano 2000 celebraram o décimo Intereclesial em Porto Seguro, Bahia, por ocasião da comemoração dos 500 anos da vinda dos europeus para o Continente Latino Americano. A dimensão comunitária chegou a renovar várias paróquias que passaram a se organizar como uma comunidade de comunidades.

Aqui convém chamar mencionar o fenômeno intrigante da evasão em massa dos fiéis das igrejas tradicionais para as igrejas pentecostais, que tem a ver com a mudança socioeconômica havida nos últimos 50 anos. Na metade do século XX, em torno de 75% da população brasileira vivia no campo, área rural. A industrialização e o êxodo rural produziu um mudança radical. No censo de 2001, 82% da população vive na cidade e somente 18% no campo. Ora, o que antes parecia impossível, hoje tornou-se um fato normal: antes, a autoridade moral maior que, no Brasil, norteava as consciências era a Igreja Católica. Nas pequenas cidades do interior, o vigário exercia um poder sagrado muito forte. Dificilmente, o povo tinha coragem de enfrentar ou de romper com este sistema secular. Hoje, em nome de uma experiência comunitária nos grupos pentecostais das periferias das grandes cidades, milhões de brasileiros rompem com aquela que antes era a maior autoridade moral. Por mais contraditório e ambivalente que possa parecer este fato, ele não deixa de ter um aspecto positivo: em nome da Palavra de Deus e de um encontro com Jesus, o povo tem coragem de romper e de entrar por caminhos novos que talvez não sejam novos, mas que são diferentes e têm uma dimensão comunitária muito profunda.
Servir ao povo – Transformar

Sobretudo a partir de 1968, foi dado um passo a mais. O conhecimento da Bíblia e a preocupação comunitária encontraram o seu objetivo que é o serviço ao povo. Não tendo dinheiro nem tempo para ler os livros sobre a Bíblia, os pobres nas suas comunidades e nos círculos bíblicos começaram a ler a Bíblia a partir do único critério de que dispunham, a saber, a sua vida de fé, vivida em comunidade, e a sua vida sofrida de povo oprimido. Lendo assim a Bíblia, descobriam o óbvio que não conheciam: uma história de opressão igual à que eles mesmos sofriam, uma história de luta pelos mesmos valores que eles perseguem até hoje: terra, justiça, partilha, fraternidade, vida de gente. O resultado desta prática libertadora foi explicitado na Teologia da Libertação que tenta sistematizar a vivência nova que está ocorrendo nas comunidades.

É o período em que começa a ser acentuada a dimensão política da fé. Na Igreja Católica, desde o Concílio Vaticano II e sobretudo desde a conferência episcopal de Medellin (1968), ocorreu uma evolução importante. Diante da situação dramática dos índios, criou-se o CIMI (Conselho Indigenista Missionário). Diante da situação cada vez pior dos agricultores, criou-se a CPT (Comissão Pastoral da Terra). Diante da situação dos operários, criou-se a CPO (Comissão Pastoral dos Operários). Diante da situação dos pescadores, criou-se a CPP (Comissão Pastoral dos Pescadores).

São instrumentos novos de pastoral que ajudam estas classes e grupos de pessoas a defenderem melhor sua vida, sua terra, seus direitos, sua identidade. Eles têm em comum o seguinte: surgiram por causa da fé renovada em Jesus e, como Jesus, defendem a vida, são ecumênicos, incomodam a sociedade estabelecida, provocam polêmica. Tudo isto revela a evolução que está ocorrendo na consciência que as igrejas têm de si mesmas e da sua missão: lutar pela defesa da vida ameaçada do povo. É neste mesmo período dos anos 70 que surge o CEBI, o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos para a Pastoral Popular que tem como objetivo articular, explicitar, aprofundar, divulgar e legitimar a leitura da Bíblia que o povo vinha fazendo nas suas comunidades.

Aqui devem ser lembrados os mártires, os testemunhos da fé, essa “nuvem de testemunhas ao nosso redor” (Hb 12,1), que deram a sua vida pela causa da liberdade, da justiça e da fraternidade. Assim como o autor da carta aos hebreus faz a memória dos testemunhos da fé (Hb 11,1-40), a Agenda Latino Americana, cada ano de novo, faz a memória dos milhares e milhares de mártires latino-americanos, homens e mulheres, leigos e religiosos, conhecidos e anônimos, que imitaram a Jesus que disse:

“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”(Jo 10,10).

Fonte: CEBI – Carlos Mesters e Francisco Orofino.

Hans Küng: fazer uma Teologia aberta

Ética Mundial, religiões e origem da vida. Hans Küng no RS

…Essa reportagem pretende resgatar algumas das ideias abordadas por Küng nas conferências proferidas no Rio Grande do Sul na sua recente visita nos dias 22 e 23 de outubro passados (…) Fazer uma Teologia aberta. Eis o convite deixado por Hans Küng aos teólogos e teólogas do Rio Grande do Sul, com os quais se encontrou na última segunda-feira (…). “Não precisamos ter medo de que a Teologia não seja relevante”, disse o teólogo fechando sua conferência. E acrescentou: “a Teologia quando não tem fundamento se torna arbitrária; caso se atenha ao ‘certo’ se torna tediosa. Ela deve estar aberta ao diálogo com ateus, agnósticos, representantes das outras religiões e em diálogo com as ciências da natureza” …

Fonte: IHU – 25/10/2007

Paulo Soethe fala sobre Hans Küng

Um grande futuro para o Projeto de Ética Mundial no Brasil. Uma entrevista com Paulo Soethe

O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paulo Soethe, foi o incentivador maior da visita de Hans Küng ao Brasil. Desde a chegada do teólogo em Porto Alegre, Soethe o acompanha sempre com serenidade, respeito e admiração, auxiliando na tradução do alemão e português e fazendo a apresentação do professor em todos os lugares onde Küng tem visita agendada. Ao término da conferência do teólogo no Instituto Goethe, em Porto Alegre, na manhã da última terça-feira, dia 23 de outubro, Paulo Soethe falou rapidamente à IHU On-Line sobre a importância da presença de Hans Küng no Brasil e sobre sua relação com este importante teólogo. Graduado em Letras Alemão-Português pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), o Prof. Dr. Paulo Soethe cursou pós-doutorado na Universidade de Tübingen, na Alemanha.

Leia a entrevista.

Fonte: IHU – 25/10/2007.

Hans Küng na Câmara dos Deputados

Teólogo suíço explica princípios da ética global

O teólogo suíço Hans Küng explicou há pouco que a ética global se baseia em dois princípios fundamentais: a reciprocidade e a humanidade. Segundo ele, a reciprocidade já estava presente na regra de ouro de Confúcio, 500 anos a.C.: não faça ao outro o que não quer que façam a si mesmo. A humanidade também estava presente nas religiões chinesas e prega que cada ser deve ser tratado como especial.

A base desses princípios, explicou Küng, são quatro imperativos básicos (que também estariam presentes no budismo, judaísmo, cristianismo e islamismo):
1. não mentir, principalmente nas grandes mentiras que tem consequências sociais;
2. não matar, principalmente em relação a genocídios em massa;
3. não roubar, aplica-se, principalmente, a grandes centros financeiros que causam prejuízos a milhões de pessoas;
4. respeitar a igualdade entre homens e mulheres. Segundo Kung, por tratar da sexualidade, esse é o principal problema para as religiões.

Na opinião do teólogo suíço, para que esses princípios se realizem é necessário uma vontade ética. Por isso, é tão importante o papel das religiões que devem motivar as pessoas a desenvolver esses comportamentos.

Hans Küng participa de audiência pública promovida pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar no plenário 9.

Fonte: Agência Câmara – 25/10/2007 – 11h16

Crossan faz palestras no Brasil até 26 de outubro

John Dominic Crossan faz palestras no Brasil até o dia 26 de outubro de 2007.

:: De 23 a 25 de outubro: Conferências na Universidade Metodista de São Paulo, UMESP.

O programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião vai promover um evento que vai discutir sobre o personagem fundamental de inúmeras crenças modernas. Jesus de Nazaré em Debate vai ser realizado entre os dias 23 e 25 de outubro e vai trazer ao campus Rudge Ramos, John Dominic Crossan um dos maiores estudiosos sobre Jesus Cristo.

:: Dia 26 de outubro: Conferência no Theologando Internacional – Centro de Convenções Rebouças, São Paulo.

 

As conferências:

Dia 24
19h40 – José Comblin: Paradigmas Contemporâneos da Missão Cristã

Dia 25
09h00 – João Batista Libânio: Desafios Contemporâneos da Teologia Cristã
10h45 – Leonardo Boff: Os Desafios da Teologia Cristã nos Dias de Hoje
19h00 – Rubem Alves: O Discurso Teológico e a Cultura Contemporânea

Dia 26
09h00 – Frei Betto: (tema?)
10h45 – Lieve Troch/Sandra Duarte: Teologia Feminista, Estudos Feministas: Religião e Ciências Sociais
19h00 – John Dominic Crossan: Jesus Histórico
20h45 – Walter Altmann: Ecumenismo e a Missão da Igreja Cristã: Diálogo entre Religião e Cultura

Dia 27
09h00 – Tânia Mara Sampaio: Estudos Feministas e a Bíblia
10h45 – Milton Schwantes: Bíblia, Cultura, Missão e Teologia: Paradigmas Contemporâneos

Hans Küng na Universidade Católica de Brasília

Universidades promovem debate sobre desafios éticos da política

Brasília – O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, participa hoje (24), às 19h30, do 2º Simpósio Democracia no Brasil: Desafios Éticos da Política. O encontro, promovido pela Universidade Católica de Brasília [UCB] em articulação com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos, [Unisinos], será realizado no auditório central do Campus 1 da Universidade Católica, em Águas Claras, Distrito Federal.

A programação será aberta com duas mesas-redondas sobre os temas “Mídia e Política: Corrupção e Ética no Brasil” e “Política e Emancipação: Movimentos e Insurgências”. Em seguida, haverá conferência com o professor e teólogo Hans Küng, intitulada “Ética Mundial e seus Impactos na Democracia”.

A palestra do suíço Hans Küng faz parte de uma série de sete encontros dos quais ele participará em diferentes cidades do Brasil, para promover o ciclo de conferências “Ciência e Fé – Por uma Ética Mundial”.

Fonte: Agência Brasil – 24 de outubro de 2007

Wikipedia e Biblia: muito antes, pelo contrário

Posso confiar na Wikipédia para consultas sobre temas bíblicos?

Pode e não pode… Acho que a postura do mineiro diante de polêmica temática é a mais apropriada neste caso: “E você, mineiro, é a favor ou contra?” E o mineiro, desconfiado, sem pressa, responde: “Muito antes pelo contrário…”

Por que o assunto reaparece? Porque um leitor fiel deste blog me comunica sua perplexidade face à duvidosa qualidade das informações da Wikipédia sobre temas bíblicos, judaicos e afins.

O mineiro está certo: não existe consenso sobre o assunto. Eu consulto alguma coisa, quando não tenho alternativa, mas só confio quando sei mais sobre o tema do que o autor do texto… Ou quando tenho como verificar, em outra fonte, a qualidade do que estou consumindo. Esquisito isso, mas no mundo da informação, especialmente na web, somos muitas vezes obrigados a agir assim.

Remeto os interessados a um post que escrevi em 29 de março de 2007, Wikipedia avaliada pelos biblioblogueiros, onde há alguns bons links que levam a gente séria que discutia, naquela época, o assunto. E lá indico também como chegar à Citizendium, Scholarpedia, Wikipedia.

Acrescento a estes um post de John F. Hobbins, Wikipedia, Bible Study, and the SBL, de 15 de julho de 2007, em seu Ancient Hebrew Poetry.

Por último, recomendo algo sobre os blogs – não custa desconfiar, não é?
Blogueiros mentem? Bem…
Charlatanice: muitos blogs publicam lixo como se fosse ciência
O lado obscuro dos blogs

Resumo da conferência de Hans Küng na Unisinos

No site do IHU, em Notícias, com data de 24/10/2007, leio:

Religiões mundiais e Ethos mundial. Uma síntese da conferência de Hans Küng

“Religiões Mundiais e Ethos mundial foi o tema da conferência proferida por Hans Küng, no dia 22-10-2007, na Unisinos. Cleusa Andreatta, doutora em teologia, professora da Unisinos e coordenadora do programa Teologia Pública do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, fez uma síntese da conferência”.

 

Abaixo, a síntese.

Introdução: Religião e Ethos
É possível ser moral, mesmo sem fé? Sim, é possível. Também ateus, agnósticos, céticos podem ter um ethos que, no entanto, não se fundamenta numa fé em Deus, porém numa confiança básica na realidade. É algo como uma moral fundamental (…) Então, por que ter ainda uma religião? Porque só a religião oferece resposta convincente sobre… Leia o texto completo.

 

Leia Mais:

Ciência e fé: Hans Küng mostra essa relação de respeito recíproco
“O auditório do Instituto Goethe, de Porto Alegre, estava lotado ontem de manhã. Todas e todos atentos para ouvir um teólogo falar sobre ciência, religião e a origem da vida. Mas não era um teólogo. Era o teólogo. Hans Küng falou para uma plateia que o ouviu e recebeu com a alegria de quem está diante do autor de livros lidos durante a trajetória pessoal de cada um. O alemão era o idioma predominante no ambiente. Poucos utilizaram os aparelhos de tradução simultânea…” (cont.)

“Verdades de fé jamais poderão ser universais”. Entrevista com Jan Assmann
Questionado sobre como o Projeto de Ética Mundial de Hans Küng pode auxiliar as religiões a encontrar um ponto comum de diálogo e de pluralismo entre as diferentes crenças, o egiptólogo alemão Jan Assmann afirmou: “trata-se, além das religiões individuais cuja pluralidade jamais se poderá descartar, e além de suas verdades de fé, de estabelecer alguns princípios civilizatórios, aos quais todas as religiões devem se ater. Verdades de fé jamais poderão ser universais”. Para ele, “o que hoje constitui parâmetro importante nas orientações da humanidade é a paz, a justiça, respeito e reconhecimento mútuo, solidariedade com os pobres, com os perdedores da globalização, coisas que também se encontram nas religiões, mas nelas também se encontra algo bem diverso, que é capaz de perturbar sensivelmente a paz nesta Terra”. Assmann concedeu entrevista exclusiva, por e-mail, à IHU On-Line. Escrevendo diretamente do Egito, onde realiza uma escavação arqueológica, ele atendeu nosso convite para refletir sobre o Projeto de Ética Mundial de Hans Küng e fez relações entre essa idéia e a questão do pluralismo e da tolerância religiosa em nossos dias. Leia o texto completo.

Hans Küng na UFPR

Da página de notícias da Universidade Federal do Paraná, assinado por Sônia Loyola:

“[Nesta] terça-feira, dia 23, às 20 horas, [Hans Küng] estará no Teatro da Reitoria onde falará sobre Um novo paradigma para as relações internacionais (…) O objetivo do ciclo de palestras que está sendo realizado por Küng é difundir no Brasil a proposta e os atuais resultados do Projeto de Ética Mundial, além de divulgar os desdobramentos ocorridos entre intelectuais e estudiosos brasileiros dedicados ao assunto”.

Leia Mais:
Projeto de Ética Mundial. Um debate
A entrevista de Hans Küng à Folha de São Paulo