Resenhas na RBL: 31.01.2012

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Roger David Aus
Feeding the Five Thousand: Studies in the Judaic Background of Mark 6:30-44 par. and John 6:1-15
Reviewed by James Crossley

Calum Carmichael
Sex and Religion in the Bible
Reviewed by Stefan Fischer

J. Andrew Dearman
The Book of Hosea
Reviewed by Heinz-Dieter Neef

Károly Dániel Dobos and Miklós Köszeghy, eds.
With Wisdom as a Robe: Qumran and Other Jewish Studies in Honour of Ida Fröhlich
Reviewed by Korinna Zamfir

Charles Freeman
A New History of Early Christianity
Reviewed by Michael F. Bird

Bruce Louden
Homer’s Odyssey and the Near East
Reviewed by Charles L. Echols

Jason Radine
The Book of Amos in Emergent Judah
Reviewed by Daniel C. Timmer

Michel Roberge
The Paraphrase of Shem (NH VII,1): Introduction, Translation and Commentary
Reviewed by James F. McGrath

Shemaryahu Talmon
Text and Canon of the Hebrew Bible
Reviewed by August H. Konkel

William A. Tooman and Michael A. Lyons, eds.
Transforming Visions: Transformations of Text, Tradition, and Theology in Ezekiel
Reviewed by William R. Osborne

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Brasileiros no Seminário do Bíblico 2012

  • Cássio Murilo Dias da Silva – Jundiaí (PUC-Campinas) – Dr. em Ciências Bíblicas, Pontifício Instituto Bíblico, Roma, 2005
  • Cláudio Vianney Malzoni – Recife (UNICAP) – Dr. em Ciências Bíblicas, École Biblique et Archéologique Française de Jérusalem, 2002
  • José Antônio Peruzzo (Dom) – Bispo de Palmas-Francisco Beltrão – PR e, a partir de 2015, Arcebispo de Curitiba, PR – Dr. em Teologia Bíblica, Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum), Roma, 2004
  • Maria de Lourdes Corrêa Lima – Rio de Janeiro (PUC-Rio) – Dra. em Teologia Bíblica, Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, 1997
  • Rita de Cácia Ló – Campinas (USF) – Mestra em Teologia Bíblica, Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, PUC–SP, 2003
Em pé: Cláudio, Maria de Lourdes, Cássio; sentados: José Peruzzo, Rita de Cácia

Em pé: José Peruzzo, Rita de Cácia, José Luis Sicre, Cássio, Georg Fischer; sentados: Cláudio, Maria de Lourdes, José Maria Abrego de Lacy (Reitor do Bíblico)

Diário do Seminário no Bíblico – 27.01.2012

Quinto e último dia do Seminário para Professores de Bíblia no PIB – Pontifício Instituto Bíblico, Roma.

Diz Cássio:

Segue a página final do diário.

No período matutino, duas aulas com o Prof. Georg Fischer (a simpatia e a humildade em pessoa). Dando continuidade à sua exposição sobre Jeremias, os assuntos foram dois:
:: A organização do livro: caos, redação ou … ?
. a cronologia
. o papel da prosa
. redação deuteronomista?
. procedimentos internos
. conclusões: grande coerência, com imensa riqueza de detalhes de um universo complexo estruturado em vários níveis
:: Mensagem e teologia:
. expressões únicas
. característica de Deus em Jeremias
. outras peculiaridades de Jeremias

Cabe uma nota: dois pontos enfatizados pelo Prof. Fischer
:: Método para lecionar (e estudar) um livro bíblico:
. texto e contexto
. estrutura e dinâmica
. conformação específica
. mensagem e teologia
:: Data da redação do livro de Jeremias (isto foi considerado grande novidade pelos participantes e provocou vários questionamentos):
. redação do livro no século IV a.C., após Ezequiel e alguns dos profetas “menores”
– Alguns argumentos:
. Jeremias preenche o vazio entre Is 1-39 (701 a.C.) e o Dêutero-Isaías (após 586)
. o redator conhece a Torá e também outros profetas, como Ezequiel

No período da tarde, uma mesa redonda com alguns professores de literatura profética que participaram do seminário:
. Joseph Bou Raad, do Líbano
. Maria de Lourdes Corrêa Lima, do Brasil (PUC-Rio)
. Ignacio Carbajosa Pérez, da Espanha

Cada um pode apresentar sua experiência de lecionar literatura profética: quem são os estudantes, a metodologia de trabalho, os desafios e as dificuldades.

Após as participações, os professores Sicre e Fischer reagiram, partilharam suas próprias experiências e fizeram considerações finais.

Os cinco brasileiros participantes do seminário foram unânimes: a datação de Jeremias no século IV a.C. foi a de maior impacto e de fato uma verdadeira novidade.

Avaliação do Seminário

Por fim, convém afirmar: participar de um seminário como este, mais do que novidades bombásticas, oferece:
. a oportunidade de ter uma visão panorâmica e fundamentada da discussão
. o contato com os grandes nomes da exegese (que se demonstraram pessoas extremamente humildes)
. o contato com outros professores e pesquisadores
. o encorajamento que vem do ambiente sério de estudo e de reflexão exegética
. atualizar a biblioteca pessoal, com livros que dificilmente serão traduzidos para o português

E, para quem estudou no Bíblico, outras duas:
. o reencontro com professores e colegas do tempo de mestrado e doutorado
. a alegria de novamente entrar e poder respirar um pouco do mofo, do ar e do conhecimento da Biblioteca do Pontifício Instituto Bíblico, uma das melhores e mais completas bibliotecas do mundo, especializada em Bíblia.

Fim do diário.

Leia Mais:
Cássio: Diário do Seminário no Bíblico – 23.01.2012 – Primeiro dia
Diário do Seminário no Bíblico – 24.01.2012 – Segundo dia
Diário do Seminário no Bíblico – 25.01.2012 – Terceiro dia
Diário do Seminário no Bíblico – 26.01.2012 – Quarto dia

Diário do Seminário no Bíblico – 26.01.2012

Quarto dia do Seminário para Professores de Bíblia no PIB – Pontifício Instituto Bíblico, Roma.

Diz Cássio:

Segue o diário… ou algo parecido.

Hoje tomou a palavra o Prof. Georg Fischer, de Innsbruck. Suas duas aulas sobre Jeremias – o profeta e o livro – tiveram o seguinte conteúdo:
:: introdução ao livro: as suas peculiaridades
:: o texto: uma base sólida?
:: uma nova chave para Jeremias: as relações intertextuais:
. Jr 52 como ponto de partida
. as relações com o Deuteronômio
. as relações com os livros proféticos
. a influência de Jeremias
. reflexão sobre a metodologia

Na parte da tarde, os seminários propostos eram:
:: a problemática dos oráculos contra as nações em Jeremias (Prof. M. P. Maier)
:: as “confissões” de Jeremias (Prof. G. Barbiero)
:: Jeremias 30-31 — especialmente 31,31-34 (Prof. P. Bovati)

Inscrevi-me no seminário sobre as confissões de Jeremias, cujo esquema de trabalho foi o seguinte:
. panorâmica dos estudos recentes das “confissões”
. Jr 20,14-18 no conjunto das “confissões”

Sobre os brasileiros presentes: de fato, sete constam como inscritos, mas somente cinco estão presentes.

Sobre as demais perguntas que você me fez: opiniões, novidades… uma coisa posso dizer: novidade novidade não há muita.

Mas, há várias coisas interessantes:
. a possibilidade de ver uma visão sintética e articulada da discussão recente
. a possibilidade de ter contato com os grandes mestres, pessoas extremamente simpáticas, acolhedoras e humildes
. para quem não acompanhou a discussão recente, a possibilidade de inteirar-se do assunto com quem fala com propriedade. Vários professores, ex-alunos do Bíblico de 30 ou mais anos atrás – principalmente vindos da
África – manifestaram certa surpresa com alguns tópicos:
. as mortes do Dêutero e do Trito-Isaías (ambas conforme a teoria tradicional)
. a redação do livro dos Doze Profetas
. as incertezas acerca do texto de Jeremias

Mas estas são as impressões que observei. Preciso perguntar a cada um dos brasileiros o que pensa.

Obs.: perguntei ao Cássio se posso divulgar os nomes, currículos (Lattes) e opiniões – sobre o seminário – dos brasileiros presentes. Ele verá isso hoje. Só posso dizer, por enquanto, que são, por Estado:
. 2 de São Paulo
. 1 de Pernambuco
. 1 do Rio de Janeiro
. 1 do Paraná

Leia Mais:
Cássio: Diário do Seminário no Bíblico – 23.01.2012 – Primeiro dia
Diário do Seminário no Bíblico – 24.01.2012 – Segundo dia
Diário do Seminário no Bíblico – 25.01.2012 – Terceiro dia

Fórum Social Temático 2012 debate a Internet

:: Brasil pretende contestar na ONU poder de EUA regular internet – André Barrocal: Carta Maior – 25/01/2012
No Fórum Social Temático, ministra dos Direitos Humanos contesta poder americano para regular internet, iniciativa que teria impacto mundial. Para ONU, acesso à rede é direito humano básico, e por isso Maria do Rosário diz que Brasil quer discutir tema em fórum global. Debate enfatiza capacidade de mobilização da internet, mas vê risco em dependência de plataformas privadas.

:: Internet consegue mobilizar pelo ‘não’ mas tem de ajudar a construir – André Barrocal: Carta Maior – 25/01/2012
A internet tem capacidade de mobilização política do cidadão comum, como se viu em manifestações no ano passado, como a Primavera Árabe, o Ocuppy Wall Street e o Ocuppy London. Mas ainda serve mais para unir as pessoas em torno de movimentos de resistência, do que para juntá-las em favor de propostas que influenciem decisões de espaços institucionais tradicionais. Superar isso é um grande desafio aos internautas ativistas. A avaliação foi compartilhada por alguns participantes de debate sobre internet e direitos humanos realizado nesta quarta-feira (25) pela Associação Software Livre, durante o Fórum Social Temático.

Leia Mais:
O que é o SOPA (Stop Online Piracy Act) e porque ele é tão perigoso

Diário do Seminário no Bíblico – 25.01.2012

Terceiro dia do Seminário para Professores de Bíblia no PIB – Pontifício Instituto Bíblico, Roma. O seminário começou no dia 23 e vai até o dia 27. Veja o programa.

Diz Cássio:

Hoje tivemos atividades somente na parte da manhã, talvez por ser o dia da conversão de São Paulo. Mesmo assim, foi muito produtivo.

José Luis Sicre apresentou uma panorâmica do debate atual sobre Isaías 40-55, normalmente denominado Dêutero-Isaías.

No material distribuído, após a habitual longa bibliografia dos últimos anos, as várias páginas com os esquemas da conferência:
. as várias opiniões sobre o autor
. as várias opiniões sobre a história da redação
. a formação do livro, segundo R. Albertz: duas edições
. Is 40-55: o livro da consolação: divisão [40-48 e 49-55], textos escolhidos
. o Servo de Javé: uso do termo, teoria de Duhm, discussão posterior

Nos próximos dois dias estudaremos Jeremias com o professor Georg Fischer.

Leia Mais:
Cássio: Diário do Seminário no Bíblico – 23.01.2012
Diário do Seminário no Bíblico – 24.01.2012

Diário do Seminário no Bíblico – 24.01.2012

Acabo de ler o e-mail do Cássio Murilo com o relato do segundo dia do seminário. Ele diz:

A manhã de hoje foi dedicada ao profeta Isaías, também a cargo de José Luis Sicre. O material distribuído consta igualmente de duas partes:
:: uma longa bibliografia atualizada
:: várias páginas de esquemas, contendo as várias opiniões dos pesquisadores sobre os seguintes assuntos:
. a atividade de Isaías (a abordagem tradicional)
. revisão crítica
. atividade literária de Isaías
. a formação do livro
. a unidade atual do livro de Isaías
. diversas formas de leitura do livro de Isaías.

Foi uma longa exposição crítica sobre o que estão falando e escrevendo sobre o livro de Isaías, principalmente sobre a primeira parte do livro (capítulos 1-39).

No período da tarde, novamente três seminários:
:: Isaías 59: duas (ou mais) concepções sobre o profetismo nos livros dos profetas? (Prof. H. Simian-Yofre)
:: Exegese e teologia bíblica, à margem dos textos messiânicos isaianos: Is 6-12 (Prof. M. Nobile)
:: Isaías 1: prólogo ao livro de Isaías (Prof. J. L. Sicre)

Participei do primeiro, sobre Isaías 59. O coordenador propôs uma leitura do texto com algumas questões decorrentes da exegese do texto:
. problemas acerca da tradução
. problemas acerca da organização do texto: as seções e as relações entre elas
. acenos pragmáticos: quem fala? para quem?
. relações semânticas de Is 59 com outros textos isaianos, principalmente Is 63
. concepções sobre o profetismo e a atividade do profeta: há mais de uma neste texto?

Novamente, sobre o material, Sicre confirmou que os esquemas de suas apresentações em breve estarão disponíveis no site do Bíblico.

Leia Mais:
Cássio: Diário do Seminário no Bíblico – 23.01.2012

A opção preferencial contra os pobres

O horror e a opção preferencial contra os pobres – Maria Inês Nassif: Carta Maior – 24/01/2012

É o horror. Nada mais precisa ser dito para descrever a operação de despejo de Pinheirinho, em São José dos Campos, e a ação policial contra os usuários de crack no centro da capital, na chamada Cracolândia. Mas existem muitas explicações para a truculência, a desumanidade, a destituição do direito de cidadania aos pobres pelo poder público paulista.

A primeira delas é tão clara que até enrubesce. Nos dois casos, trata-se de espantar o rebotalho urbano de terrenos cobiçados pela especulação imobiliária. O Projeto Nova Luz do prefeito Kassab, que vem a ser a privatização do centro para grandes incorporadoras, vai ser construído sob os escombros da Cracolândia, sem que nenhuma política social tenha sido feita para minorar a miséria ou dar uma opção séria para crianças, adolescentes e adultos que se consomem na droga.

O terreno desocupado com requintes de crueldade em São José dos Campos, de propriedade da massa falida do ex-mega-investidor Naji Nahas, que já era de fato um bairro, vai ser destinado a um grande investimento, certamente. O presente de Natal atrasado para essas populações pobres libera esses territórios antes que terminem os mandatos dos atuais prefeitos, e o mais longe possível do calendário eleitoral. Rapidamente, a prefeitura de São Paulo está derrubando imóveis; a prefeitura de São José não deve demorar para limpar o terrreno de Pinheirinho das casas – inclusive de alvernaria – das quais os moradores foram expulsos.

Até outubro, no mínimo devem ter feito uma limpeza na paisagem, o que atenua nas urnas, pelo menos para a classe média, a ação da polícia. A higienização justifica a truculência policial. A “Cidade Limpa” de Kassab, que começou com a proibição de layouts na cidade, termina com a proibição de exposição da pobreza e da miséria humana.

A segunda é de ordem ideológica. Desde a morte de Mário Covas, que ainda conseguia erguer um muro de contenção para o PSDB paulista não guinar completamente à direita, não existe dentro do partido nenhuma resistência ao conservadorismo. Quando Geraldo Alckmin reassumiu o governo do Estado, em janeiro de 2011, muitas análises foram feitas sobre se ele, por força da briga por espaço político com José Serra dentro do partido, iria trazer o seu governo mais para o centro. A referência tomada foi o comando da Segurança Pública, já que em seu mandato anterior a truculência do então secretário, Saulo de Castro Abreu Filho, virou até denúncia contra o governo de São Paulo junto à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos.

O fato de ter mantido Castro fora da Segurança e se aproximado do governo federal, incorporando alguns programas sociais federais, e uma relação nada íntima com o prefeito da capital, deram a impressão, no primeiro ano de governo, que Alckmin havia sido empurrado para o centro. O que não deixava de ser uma ironia: um político que nunca escondeu seu conservadorismo foi deslocado dessa posição por um adversário interno no partido, José Serra, que, vindo da esquerda, tornou-se a expressão máxima do conservadorismo nacional.

Isso não deixa de ser uma lição para a história. Superado o embate interno pela derrota incondicional de José Serra, que desde a sua derrota vinha perdendo terreno no partido e foi relegado à geladeira, depois da publicação de “Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, Alckmin volta ao leito. O governador é conservador; o PSDB tornou-se orgânicamente conservador, depois de oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) e oito anos de posição neoudenista. A polícia é truculenta – e organicamente truculenta, já que traz o modelo militar da ditadura e foi mais do que estimulada nos últimos governos a manter a lei, a ordem e esconder a miséria debaixo do tapete.

O nome de quem faz a gestão da Segurança Pública não interessa: está mais do que claro que passou pelo governador a ordem das invasões na Cracolândia e em Pinheirinho.

Outra análise que deve ser feita é a da banalização da desumanidade. Conforme a sociedade brasileira foi se polarizando politicamente entre PSDB e PT, a questão dos direitos humanos passou a ser tratada como um assunto partidário. O conservadorismo despiu-se de qualquer prurido de defender a ação policial truculenta, de tomar como justiça um Judiciário que, nos recantos do país, tem reiterado um literal apoio à propriedade privada, um total desprezo ao uso social da propriedade e legitimado a ação da polícia contra populações pobres (com nobres exceções, esclareça-se).

Para os porta-vozes desses setores, a polícia, armada, “reage” com inofensivas balas de borracha à agressão dos moradores que jogam pedras perigosíssimas contra escudos enormes da tropa de choque. No caso de Pinheirinho, a repórter Lúcia Rodrigues, que estava na ocupação, na sexta-feira, foi ela própria alvo de duas balas letais, vindas da pistola de um policial municipal. Ela não foi atingida, mas duvida, pela violência que presenciou, das informações de que tenha saído apenas uma pessoa gravemente ferida daquele cenário de guerra.