Resenhas na RBL: 28.06.2012

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Christopher B. Ansberry
Be Wise, My Son, and Make My Heart Glad: An Exploration of the Courtly Nature of the Book of Proverbs
Reviewed by Anne W. Stewart

James B. Charlesworth
The Good and Evil Serpent: How a Universal Symbol Became Christianized
Reviewed by Volker Rabens and Rosel Pientka-Hinz

Roy E. Ciampa and Brian S. Rosner
The First Letter to the Corinthians
Reviewed by Jeffrey Cayzer

Richard E. DeMaris
The New Testament in Its Ritual World
Reviewed by Jason T. Lamoreaux

David L. Eastman
Paul the Martyr: The Cult of the Apostle in the Latin West
Reviewed by Lee M. Jefferson
Reviewed by Shelly Matthews

John T. Fitzgerald, ed.
Passions and Moral Progress in Greco-Roman Thought
Reviewed by Douglas A. Hume

Elim Hiu
Regulations concerning Tongues and Prophecy in 1 Corinthians 14.26-40: Relevance beyond the Corinthian Church
Reviewed by Lars Kierspel

Beate Pongratz-Leisten, ed.
Reconsidering the Concept of Revolutionary Monotheism
Reviewed by Michael B. Hundley

Hanne von Weissenberg, Juha Pakkala, and Marko Marttila, eds.
Changes in Scripture: Rewriting and Interpreting Authoritative Traditions in the Second Temple Period
Reviewed by Ian Young

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

Vaticano II: a batalha pelo significado

Recomendo a leitura da resenha escrita por Rodrigo Coppe Caldeira sobre o livro de Massimo Faggioli acerca do Concílio Vaticano II.

A resenha: Vaticano II: a batalha pelo significado. Uma análise de Rodrigo Coppe Caldeira

O livro: FAGGIOLI, M. Vatican II: The Battle for Meaning. Mahwah, NJ: Paulist Press, 2012, 224 p. – ISBN 9780809147502

Para Rodrigo Coppe Caldeira,  a obra de Faggioli é uma oportunidade de adentramos, nesse início da segunda década do novo milênio, nos meandros historiográficos, teológicos e hemenêuticos dos debates em torno do Concílio Vaticano II e seus inúmeros desafios. Vale a leitura!

:: Quem é Rodrigo Coppe Caldeira?

Leia Mais:
Alguns livros e artigos sobre o Vaticano II

Concilium: a Teologia entre luzes e sombras

O fascículo 345 da Revista Internacional de Teologia Concilium, o segundo de 2012, tem o seguinte título:

Bispos e Teólogos – Tensões Antigas e Novas

O editorial – que pode ser lido aqui – é assinado por Susan A. Ross, Presidente da Sociedade Teológica Católica da América, e por Felix Wilfred, Presidente da Revista Concilium.

Dizem:
O presente fascículo de Concilium adota uma abordagem internacional a esta questão. Enquanto grande parte do “calor e luz” que cercam a relação bispo-teólogo pode ser mais evidente no Norte global, o Sul global não deixa de ter sua parcela de tensões.

Artigos de:

  • Eloi Messi Metogo – Camarões
  • Georg Evers – Alemanha
  • Agenor Brighenti – Brasil
  • Andrés Torres Queiruga – Espanha
  • James A. Coriden – Estados Unidos
  • Peter C. Phan – Vietnam

Leia Mais:
Hermenêuticas em tensão: tempos sombrios para a teologia – Faustino Teixeira: Notícias IHU 07/07/2012

Navegação anônima na Internet

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Thomas Thompson: não é este o filho do carpinteiro?

Thomas L. Thompson publicou, na revista online The Bible and Interpretation, artigo em resposta a Bart D. Ehrman, Did Jesus Exist? The Historical Argument for Jesus of Nazareth. New York: Harper and Collins, 2012.

Leia: Is This Not the Carpenter’s Son? A Response to Bart Ehrman

Um trecho do artigo:
Ehrman pompously ignores my considerable analytical discussion, which was rooted in a wide-ranging, comparative literary classification and analysis of the Old Testament and ancient Near Eastern inscriptions. Apparently to him, the more than 40 years I have devoted to research in my study of the primary fields of Old Testament exegesis, ancient Near Eastern literature and ancient history—not least in regards to questions of historicity—leaves me unqualified and lacking the essential competence to address such questions because they also come to include a comparison of such an analysis with these same stereotypical literary tropes as they occur in the Gospels.

:: Quem é Thomas L. Thompson?

:: Quem é Bart D. Ehrman?

Leia Mais:
Did Jesus Exist? The Trouble with Certainty in Historical Jesus Scholarship
Is This Not the Carpenter: A Question of Historicity? 

Muita reza e pouca missa, muito santo e pouco padre

Ainda sobre o perfil religioso dos brasileiros divulgado pelo Censo 2010, o sociólogo da religião Pedro Ribeiro de Oliveira, entrevistado pela  IHU On-Line, faz algumas considerações interessantes.

Confira a entrevista:  A desafeição religiosa de jovens e adolescentes, publicada pela IHU On-Line hoje, 5 de julho de 2012.

Diferente do título dado pela IHU On-Line, eu gostaria de chamar a atenção para outro aspecto da entrevista, daí o título que escolhi Muita reza e pouca missa, muito santo e pouco padre, uma forte característica do catolicismo popular brasileiro. Nasci e cresci em região de fazendas médias e pequenas em Minas Gerais, longe da cidade, e sei bem o que é isso.

Três trechos da entrevista exemplificam o que quero dizer:

:: IHU On-Line – Os dados do censo 2010, divulgados pelo IBGE, demonstram um progressivo declínio do catolicismo no país. Como o senhor interpreta esses dados? O que isso significa?

Pedro Ribeiro de Oliveira – Esses dados não estão exatamente relacionados ao proselitismo evangélico, mas sim a uma crise das religiões tradicionais. Ainda não fiz um estudo minucioso dos dados do censo, porém pude perceber que as igrejas tradicionais – católica, luterana, presbiteriana e mesmo a metodista – perderam membros em termos absolutos e não acompanharam o crescimento da população. Uma igreja que me surpreendeu nesse sentido foi a Congregação Cristã do Brasil, que era muito sólida e tinha membros praticantes. Há aí um dado no censo que obriga certa atenção, porque várias igrejas perderam membros, inclusive a Universal do Reino de Deus.

Precisamos ter presente o dado de que a perda de membros atinge várias denominações religiosas. Claro que o proselitismo tem sua importância nesse processo, mas isso ocorre principalmente por causa da insatisfação do fiel com os serviços oferecidos pela sua igreja (…)

:: IHU On-Line – Qual o significado de o Brasil ainda ser um país majoritariamente católico, considerando que existem os praticantes e os não praticantes?

Pedro Ribeiro de Oliveira – Muitos só consideram católicos aqueles que vão à missa e comungam. Entretanto, a tradição católica brasileira nunca foi de seguir tradicionalmente o catolicismo romano. O catolicismo popular tradicional mostra muita reza e pouca missa, muito santo e pouco padre. Essa frase é perfeita. Quer dizer, a tradição católica sempre teve muita devoção aos santos; era uma religião familiar. Praticava-se o catolicismo em casa, com a família, geralmente a materna, e de vez em quando se frequentava a igreja para receber os sacramentos. Quer dizer, trata-se de um católico não praticante do sacramento, mas um católico praticante da devoção aos santos. Um velho teólogo que já morreu dizia: “O padre fala da ignorância religiosa do povo, e o povo também acha que o padre é ignorante na religião, porque não sabe fazer a devoção aos santos”.

Então, o catolicismo tem essa propriedade, é uma religião que comporta muita gente, e diferentes formas de ser católico, inclusive aquela dos não praticantes (…)

:: IHU On-Line – Que desafios os dados do censo apresentam para a Igreja Católica brasileira?

Pedro Ribeiro de Oliveira – Diante dos dados do censo, fiquei muito curioso, e entrei no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, e vi lá uma matéria dizendo que a Igreja está viva. Isso é muito interessante. A matéria informava que aumentou o número de paróquias e o número de padres. Isso é igreja viva? A paróquia é uma instituição medieval que na Idade Média era muito boa, e também foi boa para o mundo rural. Se tivesse aumentado o número de comunidades de padres, aí tudo bem, porque teria aumentado o número de padres presente ao lado do povo. Achar que aumentar o número de paróquias é aumentar a presença da igreja no mundo é um equívoco, no meu entender, de todo tamanho. E o segundo é dizer que a igreja está viva porque aumentou o número de padres. A igreja está mais clerical, porque aumentou o número de padres, mas o número de padres não representa a vitalidade para a igreja. A vitalidade da igreja sempre foi a atividade dos leigos.

Tenho impressão de que a reação oficial da Igreja Católica, pelo menos nas matérias que pude ver, é um grande equívoco em termos sociológicos, ou seja, é ainda pensar em um modelo de igreja do Concílio de Trento. A força da Igreja, de qualquer igreja, está no que os protestantes chamam de congregar, ou seja, juntar pessoas que possam participar e sentir-se igreja. Creio que a experiência mais bem sucedida na Igreja Católica foram as Comunidades Eclesiais de Base, seguida dos grupos de oração, grupos de pastorais, que hoje chamam de novas comunidades. Esses programas buscam juntar pessoas leigas que se reúnem, celebram, leem a Bíblia para, a partir disso, influenciar no mundo. Aí está a força de uma igreja, a força pentecostal. A força pentecostal das igrejas evangélicas não é o número de pastores, mas o número de obreiros, que são pessoas leigas, que têm um entusiasmo pela religião.

Trata-se da força de expandir da igreja para o mundo. Isso quer dizer: uma igreja é forte quando tem grupos de leigos que se reúnem para atuar no mundo. Hoje o que vemos é a força de atrair para dentro, ou seja, o bom católico é aquele que está na igreja. Isso aí é o definhamento da instituição. Na hora que os responsáveis pela igreja no Brasil levarem a sério esses dados geracionais, ou seja, a desafeição religiosa de jovens e adolescentes, espero que deem um recado a essa pastoral maluca que eles têm, que gasta todos os recursos para construir seminário e formar mais padres.

Leia a entrevista.

O bóson de Higgs foi encontrado?

Leia Físicos encontram provável ‘partícula de Deus’.

 

O Modelo Padrão da Física de Partículas / The Standard Model of Particle Physics – Marco Antonio Moreira: Rev. Brasileira de Ensino de Física, vol. 31, no.1, São Paulo, 2009.

Resumo
Inicialmente, apresenta-se, de modo simplificado, o Modelo Padrão como uma teoria sofisticada que identifica as partículas elementares e suas interações. Depois, no âmbito dessa teoria, focalizam-se aspectos -o vácuo não é vazio; partículas nuas e vestidas; matéria escura e vento escuro; matéria e antimatéria; o campo e o bóson de Higgs; neutrinos oscilantes -que podem ser motivadores do ponto de vista do ensino e da aprendizagem da física. Finalmente, discute-se a provável superação dessa teoria por outra mais completa.

 

Bóson de Higgs: algumas respostas – Notícias: IHU 05/07/2012

Os professores ingleses Stefan Soldner-Rembold e Andy Parker respondem algumas perguntas sobre bóson de Higgs, o Cern e o futuro da física.

A reportagem é do sítio do jornal The Guardian, 04-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Você tem alguma dúvida sobre o bóson de Higgs, o Cern (centro de pesquisas da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear) ou sobre o Large Hadron Collider (LHC, ou Grande Colisor de Hádrons), mas tem muito medo de perguntar? Depois dos últimos esforços dos cientistas para encontrar a “partícula de Deus”, dois renomados professores de física ingleses responderam às questões dos internautas.

Stefan Soldner-Rembold, professor de física de partículas da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Manchester, e Andy Parker, professor de física de altas energias da Universidade de Cambridge, responderam aos internautas perguntas sobre o bóson de Higgs.

Se você está tentando se familiarizar com o que é o bóson de Higgs e precisa da explicação para um leigo, ou se você está interessado no que isso significa para a física como campo, esperamos que este trecho do diálogo lhe ajude.

Eis as perguntas e respostas.

O que é o bóson de Higgs?

O professor Parker respondeu a essa questão no site da Universidade de Cambridge:

“A maioria das pessoas imagina que as partículas de matéria são como pequenas bolas de bilhar, que ficam grudadas juntas de alguma forma para compor os objetos sólidos que vemos ao nosso redor. Nós, naturalmente, esperamos que as bolas de bilhar tenham alguma substância, por direito próprio, tornando-as – e tudo o que elas formam – maciças. No entanto, nas modernas teorias quânticas, a matéria não é nada disso. Todas as partículas, se entregues a si próprias, absolutamente não teriam massa e voariam em torno da velocidade da luz. Não haveria átomos nem pessoas para estudá-los.

O campo de Higgs é a resposta proposta para esse descompasso entre as nossas equações e aquilo que vemos. O campo de Higgs preenche todo o espaço, e, como as partículas tentam se mover por meio dele, suas interações com ele fazem com que elas pareçam ter massa. Ele diminui a sua velocidade e lhes permite se unir nas formas familiares da matéria que observamos. Essa é uma imagem completamente diferente da natureza do que a que nós imaginamos instintivamente – ao invés de a matéria com suas próprias propriedades intrínsecas e movendo-se no espaço vazio, muitas das propriedades da matéria se devem na verdade às suas interações com um campo invisível e totalmente pervasivo. As propriedades do espaço “vazio” são cruciais para a compreensão do mundo a partir da física.

O próprio bóson de Higgs é uma vibração no campo de Higgs, que pode ser criado se uma energia suficiente é posta no campo, como ao se jogar uma pedrinha em um lago. O LHC é o maior colisor de partículas de energia do mundo, e as colisões que ele produz criam perturbações suficientes no campo de Higgs para observar o bóson de Higgs, se ele existir.

Por que isso interessa?

O professor Soldner-Rembold diz:

“A descoberta de hoje nos ensina algo fundamental sobre os blocos de construção do universo e sobre como as partículas fundamentais que constroem o mundo ao nosso redor adquirem massa. O bóson de Higgs interessa porque ele nos fala sobre a “matéria”. Essa é uma pesquisa dirigida pela curiosidade e aborda questões básicas sobre a evolução do universo.

Além disso, essa pesquisa dirigida pela curiosidade também leva a muitas aplicações importantes. Foi emocionante ver como o seminário de hoje no Cern foi transmitido através da rede mundial de computadores para todos os continentes, utilizando a tecnologia pioneira do Cern. Os aceleradores de partículas têm muitas aplicações na ciência dos materiais e na medicina.

A descoberta de Higgs desloca a fronteira da física moderna e vai demorar um pouco para se entender o que está para além da porta que abrimos hoje. Sem dúvida, haverá muito mais descobertas emocionantes vindo do Cern e do LHC na próxima década.

 

Higgs boson: physics professors answer your questions live – The Guardian 04/07/2012

Professors Stefan Soldner-Rembold and Andy Parker answered your questions on Higgs boson, Cern and the future of physics

Got a question about the Higgs boson, Cern or the Large Hadron Collider, but been too afraid to ask? As we report live from Geneva on scientists’ latest efforts to find the ‘God particle’, two leading physics professors came online to take your questions.

Professor Stefan Soldner-Rembold, professor of particle physics at the School of Physics and Astronomy, University of Manchester, and Professor Andy Parker, professor of high energy physics at the University of Cambridge, were available to answer your questions about the Higgs boson.

Whether you’re trying to get to grips with what Higgs boson is and need a lay-person’s explanation, or whether you’re interested in what this means for physics as a field, we hope the thread below will help.

To get us started we asked them to tell us:

What is the Higgs boson?

Professor Parker has answered this question on the University of Cambridge website:

Most people imagine particles of matter to be like little billiard balls, which are stuck together in some way to make the solid objects which we see around us. We naturally expect the billiard balls to have some substance in their own right, making them, and everything which they form, massive. However, in modern quantum theories, matter is nothing like this. All the particles would, if left to themselves, have no mass at all, and fly around at the speed of light. There would be no atoms or people to study them.

The Higgs field is the proposed answer to this mismatch between our equations and what we see. The Higgs field fills all of space, and as the particles try to move through it, their interactions with it cause them to appear to have mass. This slows them down and allows them to bind together into the familiar forms of matter which we observe. This is a completely different picture of nature than the one we instinctively imagine – instead of matter having its own intrinsic properties, and moving about in empty space, many of the properties of matter are actually only due to its interactions with an invisible, all-pervasive field. The properties of “empty” space are crucial to the physicist’s understanding of the world.

The Higgs boson itself is a vibration in the Higgs field, which can be created if enough energy is put into the field, like dropping a pebble into a pond. The LHC is the world’s highest energy particle collider, and the collisions it makes create enough disturbance in the Higgs field to observe the Higgs boson, if it exists.

Why does it matter?

Professor Soldner-Rembold says:

Today’s discovery teaches us something fundamental about the building blocks of the universe and how the fundamental particles that build the world around us acquire mass. The Higgs boson matters because it tell us about ‘matter’. This is curiosity driven research and addresses basic questions about the evolution of the universe.

In addition, this curiosity driven research also leads to many important applications. It was exciting to see how today’s seminar at Cern was broadcast via the world wide web to all continents, using the technology pioneered at Cern. Particle accelerators have many applications in material science and medicine.

The Higgs discovery pushes the boundary of modern physics and it will
take a while to understand what lies beyond the door we have opened today. No doubt there will be many more exciting discoveries coming out of Cern and the LHC in the next decade.

CEBs: esta é a opção para a Igreja Católica no Brasil

É a proposta de Sérgio Ricardo Coutinho, Professor do Curso de Pós-Graduação em História do Cristianismo Antigo na UnB e de História da Igreja no Instituto São Boaventura, de Brasília, e Presidente do Centro de Estudos em História da Igreja na América Latina (Cehila-Brasil), ao analisar o declínio do catolicismo no Brasil, divulgado pelo Censo 2010.

Censo 2010 é uma boa oportunidade para a Igreja Católica

Os dados confirmam o que sociólogos, teólogos e cientistas da religião já suspeitavam: a continuidade do processo de declínio católico e do crescimento evangélico. Parece-nos ser momento oportuno para uma breve reflexão sobre as opções adotadas pela Igreja nestes anos em vista de estancar a sangria, como também momento oportuno para rever opções em vista daquilo que o Documento de Aparecida chamou da necessária “conversão pastoral”.

Conforme analistas, as regiões onde o Catolicismo mais decresceu foram naquelas de “recepção de migrantes”, seja nas fronteiras agro-minerais do Norte e do Centro-oeste, seja nas periferias dos grandes centros urbanos do Sudeste brasileiro. Segundo eles, nestas regiões, formaram-se grandes “bolsões de pessoas socialmente deslocadas” e carentes de um senso de comunidade e foi justamente junto destes que os evangélicos pentecostais atuaram com vigor. Enquanto isso, as regiões Nordeste e Sul, doadoras de migrantes para aquelas regiões, sofreram perdas bem menores nos números de católicos. Como a Igreja Católica atuou para acompanhar tanto a mobilidade territorial e, principalmente, a mobilidade religiosa?

O sociólogo da religião, Ricardo Mariano, é categórico ao afirmar que a estratégia adotada pela Igreja nestes últimos anos visando deter o avanço evangélico falhou: “Liderada pela Renovação Carismática e apoiada na criação de redes de TV e no evangelismo midiático, a reação católica à expansão pentecostal fracassou”. Mas, além de investir nesta estratégia, a Igreja continuou com outra prática ainda de épocas de Cristandade: a centralidade das estruturas jurídico-canônicas.

Segundo dados do Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais (CERIS), organismo ligado à CNBB, em 20 anos (1990-2010) a Igreja investiu fortemente na criação de novas paróquias e registrando um crescimento na ordem de 43%; concomitantemente, investiu muito na criação de novos ministros ordenados (presbíteros e diáconos). O número de padres teve um crescimento de 55% no período, enquanto que os diáconos tiveram um verdadeiro boom neste mesmo período chegando ao percentual de 329% (!).

Além destes números, não podemos esquecer que o episcopado brasileiro tornou-se o maior numericamente em toda a Igreja Católica nos últimos anos e, em função disto, também investiu na criação de novas dioceses, saltando de 255 em 1990 para 276 em 2010 (crescimento de 8%).

Segundo ainda os dados do CERIS, podemos prestar a atenção na localização destes “investimentos” e suas incongruências. Nas Regiões Norte e Centro-oeste, onde o evangelismo pentecostal cresceu muito entre os migrantes, a proporção de aumento de padres foi de 3% e 9%, respectivamente. Já a região Sudeste, por outro lado, teve um crescimento de 45% (!) no número de presbíteros. Este número é acompanhado pelo aumento de paróquias. Nos regionais Leste 2 (Minas Gerais) e Sul 1 (São Paulo) da CNBB, regionais de maior número de dioceses no Brasil, o crescimento de paróquias, entre 1994 e 2010, chegou a quase 36% e 47%, respectivamente.

O que se pode inferir destes dados é que as opções pastorais da Igreja Católica não criaram o “senso de comunidade” entre as “pessoas socialmente deslocadas”. Percebe-se este mesmo fenômeno em relação à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) que experimentou um decréscimo no número de seus adeptos em 10%. A explicação dada pelos analistas é que seus mega-templos e redes de TV desfavorecem uma sociabilidade fraterna e comunitária, daí o crescimento de “pequenas igrejas” formadas por até 30 pessoas.

O Censo 2010 é mais um sinal que confirma a convocação feita pelos bispos latino-americanos em 2007, na Conferência de Aparecida, para a necessária “conversão pastoral” em vista de uma Igreja verdadeiramente missionária. Como também vai de encontro à uma das “urgências” da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: por uma “Igreja: comunidade de comunidades”. De fato, o CERIS não tem nenhum levantamento para a quantificação da criação de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), mas fica evidente a falta de vontade política do episcopado brasileiro e a demora em sua “conversão pastoral” para sair da pastoral de mera conservação, que definitivamente não atende mais a realidade atual, para uma verdadeira pastoral missionária.

O que os dados indicam é que existe sim uma saída, e a Igreja Católica no Brasil já a tinha experimentado com um investimento forte no passado, e que nos parece ser de muita atualidade: a criação de mais e mais comunidades eclesiais de base (CEBs) coordenadas por leigos e leigas.

Fonte: Notícias IHU: 03/07/2012

Leia Mais:
Censo apresenta falhas na classificação das religiões, aponta o pastor luterano Walter Altmann
As religiões dos brasileiros: Censo de 2010

Morreu o teólogo José Míguez Bonino

Perda de José Míguez Bonino deixa lacuna na teologia latino-americana

“A morte do teólogo metodista argentino José Míguez Bonino, aos 88 anos, no sábado, 30 de junho, deixa um sentido vazio na teologia latino-americana, de modo especial na teologia evangélica, ecumênica e na reflexão sobre o amor preferencial de Deus pelos pobres.

Bonino, como lembrou a nota da Iglesía Evangelica del Río de la Plata (IERP), foi pastor metodista, teólogo da Libertação – com artigos e livros publicados, entre os quais se destaca ‘Rostos do Protestantismo Latino-Americano’ – professor emérito do Instituto Superior Evangélico de Estudos Teológicos (ISEDET). Ele deixa significativa contribuição à tradição das igrejas evangélicas do continente.

Bonino tinha uma leitura abrangente da realidade latino-americana, substituía discriminações de qualquer natureza por diálogo franco – algumas vezes duros, como com Moltmann –, mas sempre propositivo, a partir de princípios e sempre com muitas perguntas. Ele deixa a marca de teólogo sério, que integrava elementos conceituais aparentemente contraditórios, mas os superava com o esforço de estudioso, inquieto e sem fugir às grandes questões.

Defendia a teologia como discurso legítimo, destemido, com perguntas e respostas a seu tempo, às igrejas, e a todos que postulavam diálogos claros, com as respostas obtidas e as ainda por perseguir. Dele se aprendeu que ‘toda teologia que mereça tal nome parte da realidade e a ela retorna’. A comunidade ecumênica fica órfã desse pensador e decano dos Teólogos Evangélicos Latino-americanos”.

 

La pérdida de José Míguez Bonino deja una laguna en la teología latinoamericana

“La muerte del teólogo metodista argentino José Míguez Bonino, a los 88 años, el sábado 30 de junio, deja un sentido vacío en la teología latino-americana, de modo especial en la teología evangélica, ecuménica y en la reflexión sobre el amor preferencial de Dios por los pobres.

Bonino, como recuerda la nota de la Iglesia Evangélica del Río de la Plata (IERP), fue pastor metodista, teólogo de la Liberación – con artículos y libros publicados, entre los cuales se destaca ‘Rostros del Protestantismo Latino-Americano’ – profesor emérito del Instituto Superior Evangélico de Estudios Teológicos (ISEDET). Deja significativa contribución a la tradición de las iglesias evangélicas del continente.

Bonino tenía una lectura abarcativa de la realidad latino-americana, substituía discriminaciones de cualquier naturaleza por diálogo franco – algunas veces duros, como con Moltmann –, mas siempre propositivo, a partir de principios y siempre con muchas preguntas. Él deja la marca de teólogo serio, que integraba elementos conceptuales aparentemente contradictorios, pero los superaba con el esfuerzo de estudioso, inquieto y sin huir de las grandes cuestiones.

Defendía la teología como discurso legítimo, audaz, con preguntas y respuestas a su tiempo para las iglesias, y a todos que postulaban diálogos claros, con las respuestas obtenidas y las aún por perseguir. De él se aprendió que ‘toda teología que merece el nombre de tal parte de la realidad y a ella retorna’. La comunidad ecuménica queda huérfana de ese pensador y decano de los Teólogos Evangélicos Latinoamericanos”.

Fonte:  Antonio Carlos Ribeiro –  ALC – 02/07/2012