Podres poderes: da semântica à hermenêutica

Software israelense manobra opiniões na internet

Uma arma… se destacou pela eficiência… continuará sendo usada mesmo após o cessar-fogo [em Gaza]… nos bastidores da internet, modificando resultados de enquetes on-line, entupindo caixas de e-mails… e ajudando a protestar contra notícias desfavoráveis à comunidade israelense. O nome da ferramenta é Megaphone, um software… O programa serve para mobilizar internautas pelo mundo dispostos a manobrar… opiniões na rede… O internauta disposto a fazer parte do arrastão cibernético [sublinhado meu] precisa baixar um programa… Instalada a plataforma, aparecem no computador alertas em tempo real sobre notícias, enquetes, artigos, vídeos ou blogs que estejam com visões “a favor ou contra” a comunidade… O internauta é convidado, a partir daí, a “agir por Israel” – enchendo os alvos de críticas, elogios ou votos… Esse tipo de estratégia, que recebeu o apoio do Ministério das Relações Exteriores de Israel… O que se destaca neste caso, no entanto, é o modo de atuação do programa, que institucionaliza a manipulação de informação de forma coordenada e colaborativa [sublinhado meu].

Fonte: Diógenes Muniz, editor de Informática da Folha Online – 19/01/2009 – 12h06

Manipular: do francês manipuler (1765) ‘manejar uma substância ou um instrumento para fins científicos ou técnicos’, (1842) ‘exercer influência sobre alguém’; cf. latim medieval manipulo, as, ávi, átum, áre ‘conduzir pela mão’ (Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa – Versão 1.0 – Dezembro de 2001, verbete manipular).

Resenhas na RBL – 15.01.2009

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

James W. Aageson
Paul, the Pastoral Epistles, and the Early Church
Reviewed by David J. Downs

Reinhard Achenbach, Martin Arneth, and Eckart Otto
Tora in der Hebräischen Bibel: Studien zur Redaktionsgeschichte und synchronen Logik diachroner Transformationen
Reviewed by Kent Reynolds

Bruce Chilton, ed.
The Cambridge Companion to the Bible
Reviewed by Douglas Estes

Naomi G. Cohen
Philo’s Scriptures: Citations from the Prophets and Writings: Evidence for a Haftarah Cycle in Second Temple Judaism
Reviewed by Torrey Seland

James D. G. Dunn
The New Perspective on Paul
Reviewed by J. R. Daniel Kirk

Paul Rhodes Eddy and Gregory A. Boyd
The Jesus Legend: A Case for the Historical Reliability of the Synoptic Jesus Tradition
Reviewed by Ken Olson

Robert C. Hill, translation with introduction and commentary; Greek text revised by John F. Petruccione
Theodoret of Cyrus: The Questions of the Octateuch, Volume 1: On Genesis and Exodus
Reviewed by Randall L. McKinion

Robert C. Hill, translation with introduction and commentary; Greek text revised by John F. Petruccione
Theodoret of Cyrus: The Questions on the Octateuch, Volume 2: On Levitcus, Numbers, Deuteronomy, Joshua, Judges, and Ruth
Reviewed by Randall L. Mckinion

Tryggve N. D. Mettinger
The Eden Narrative: A Literary and Religio-historical Study of Genesis 2-3
Reviewed by Howard N. Wallace

Jerome Murphy-O’Connor
St. Paul’s Ephesus: Texts and Archaeology
Reviewed by Jonathan L. Reed

Kuo-Wei Peng
Hate the Evil, Hold Fast to the Good: Structuring Romans 12.1-15.1
Reviewed by Carl N. Toney

Emerson B. Powery, Brian K. Blount, Cain Hope Felder, and Clarice J. Martin, eds.
True to Our Native Land: An African American New Testament Commentary
Reviewed by Gosnell Yorke

Ulrich Schmidt
“Nicht vergeblich empfangen”! Eine Untersuchung zum Zweiten Korintherbrief als Beitrag zur Frage nach der paulinischen Einschätzung des Handelns
Reviewed by Günter Röhser

Leonard J. Swidler
Jesus Was a Feminist: What the Gospels Reveal about His Revolutionary Perspective
Reviewed by Eve-Marie Becker
Reviewed by Kathleen E. Corley

Anthony C. Thiselton
Hermeneutics of Doctrine
Reviewed by Dirk J. Smit

Teocracias

Intelectuais criticam desobediência de Israel às leis internacionais

O permanente desrespeito ao Direito Internacional e ao Direito Internacional Humanitário por Israel em relação aos territórios e à população palestina esteve no centro do debate promovido nesta terça-feira (13) pela Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos no Memorial da América Latina.

A conferência contou com a presença de intelectuais e políticos que expressaram o desejo da sociedade civil brasileira em assistir ao fim imediato dos ataques sobre a Faixa de Gaza. Outro objetivo do encontro foi instar o Itamaraty a posicionar-se de maneira contundente em favor de uma solução definitiva para a disputa. Mais de 900 palestinos já morreram vítimas da ofensiva israelense iniciada no dia 27 de dezembro. O número de feridos gira em torno de 4 mil.

“Julgamos urgente e imperativo o cessar-fogo imediato, a suspensão dos bombardeios e dos ataques por terra a Gaza e a proibição do lançamento de foguetes do Hamas sobre território israelense”, diz o documento conjunto assinado pela Comissão. “Deve ainda haver a retirada completa das tropas de Israel, a reabertura dos pontos de acesso para a entrada da ajuda humanitária e a pronta retomada do diálogo pacífico.”

Nesta segunda-feira (12) o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou por 33 votos a favor e um contra – proferido pelo Canadá – uma resolução em que “condena fortemente” as operações militares israelenses por empreenderem “violações massivas” dos direitos humanos e destruírem “sistematicamente” a infraestrutura palestina. Coreia do Sul, Japão e mais 11 países europeus se abstiveram da votação.

“Ficamos decepcionados pela resolução não ter sido aprovada por consenso”, diz Sílvio Albuquerque, chefe da divisão de Temas Sociais do Itamaraty. O diplomata demonstra preocupação com a aplicação dos pontos aprovados pelas Nações Unidas, uma vez que Israel desqualificou as novas exigências do Conselho de Direitos Humanos da mesma maneira que fez com as anteriores. Na semana passada o governo israelense desconsiderou o pedido de cessar-fogo enviado pelo Conselho de Segurança.

“O périplo do ministro Celso Amorim pelo Oriente Médio faz parte de um esforço diplomático para a realização de uma convenção pela paz com a participação de países que extrapolem o quarteto Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia”. Albuquerque acredita que as negociações realizadas apenas com as principais potências mundiais até agora não conseguiram promover avanços permanentes na questão palestina.

Impunidade
O jurista Fábio Konder Comparato acredita que Israel comete crimes contra a humanidade em Gaza e que se beneficia do fato de não estar vinculado ao Tribunal Penal Internacional. “Isso não pode ser admitido. Gostaria que o Brasil apresentasse uma proposta ao Tribunal para que os Estados que não fazem parte do estatuto possam ser alvo de um inquérito criminal preliminar que apure suas responsabilidades”, explica o jurista.

Caso o governo israelense siga descumprindo a legislação humanitária e as exigências da ONU, Comparato acredita que a comunidade internacional deve agir da mesma maneira como procedeu com o regime do apartheid na África do Sul. “Uma medida que nos resta é o boicote econômico. E isso diz respeito diretamente ao Brasil, uma vez que Israel é parceiro preferencial do Mercosul.”

O deputado federal Fernando Gabeira, membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, acredita que o governo brasileiro deve ouvir tanto os parlamentares como a sociedade civil no momento de posicionar-se sobre os ataques israelenses. “Como deputado, quero ajudar na evacuação de brasileiros residentes em Gaza, além de estimular a continuidade da ajuda humanitária que o Brasil tem enviado à Palestina e intervir da melhor maneira possível nas longas negociações de paz que virão.”

Gabeira lembra que o mundo deve estar atento ao surgimento de um novo ator político internacional no dia 20 de janeiro: Barack Obama, que assume a presidência dos Estados Unidos dizendo-se “preocupado” com a morte de civis no conflito.

Paulo Sérgio Pinheiro, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, concorda com a avaliação e acredita que “não haverá nenhuma mudança relevante na postura israelense antes da posse de Obama”.

Teocracias
A filósofa Marilena Chauí analisa que o mundo assiste no Oriente Médio à perda do referencial republicano, laico e democrático na política. “Existe uma forte concepção teológica em ambas as partes envolvidas na questão palestina.”

Segundo a professora da USP, quando a política é vista como extensão de uma divindade, não há nada que os homens possam fazer senão matar e morrer em seu nome. “A disputa para saber quem é o verdadeiro eleito por deus para ocupar a Palestina é uma ideia que justifica razões militares, econômicas e sociais”, analisa.

Marilena Chauí cita o pensador judeu Baruch de Espinoza – excomungado em 1656 devido a seus escritos sobre deus – para dizer que a paz não é a ausência de guerra, mas a virtude política por excelência. “Toda paz unilateral é na verdade a imposição da vontade do vencedor sobre o vencido.”

Chauí acredita que a ideia mesma de “território ocupado” e de “refugiados” tem que desaparecer porque não pode haver paz entre ocupante e ocupado. “Nosso programa mínimo tem que ser a constituição de dois estados na Palestina.”

Fonte: Tadeu Breda – Carta Maior – 13/01/2009

Sombração

Lá em Minas, minha terra, se alguém fizer uma barbaridade destas, será atormentado por assombrações todas as noites, costumamos dizer.

Até virar uma.

Será que vale só em Minas?

Tomara que não!

Atirando nos mortos: Israel bombardeia cemitério

Israel atinge cemitério em Gaza; palestinos lutam por funerais
Um jato israelense bombardeou nesta quarta-feira o lotado cemitério Xeque Radwan, que fica na Cidade de Gaza, na faixa de Gaza, complicando ainda mais a situação dos palestinos, que lutam para enterrar os seus mortos (…) Há alguns dias, os principais cemitérios de Gaza chegaram a ser fechados devido ao excesso de funerais. Eles agora reabriram, e as famílias se esforçam para encaixar os novos mortos. Uma foi obrigada a enterrar o filho sobre o avô. Três primos jovens foram colocados na cova de uma tia morta há anos. Um homem foi sepultado com o irmão. “Toda Gaza é um cemitério”, afirmou o coveiro Salman Omar nesta terça-feira (13) à agência de notícias Associated Press…

Ah, sim, claro… foi por engano. Mais uma vez!

Fonte: Folha Online: 14/01/2009 – 14h00

Qual é o verdadeiro objetivo de Israel em Gaza?

Para Boaventura de Sousa Santos, em artigo na Carta Maior, Réquiem por Israel? de 12/01/2009, o verdadeiro objetivo de Israel, a solução final, é o extermínio do povo palestino.

No início do artigo ele diz:
Está ocorrendo na Palestina o mais recente e brutal massacre do povo palestino cometido pelas forças ocupantes de Israel com a cumplicidade do Ocidente, uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia e manipulação grotesca da informação, que trivializa o horror e o sofrimento injusto e transforma ocupantes em ocupados, agressores em vítimas, provocação ofensiva em legítima defesa.

E acrescenta:
As razões próximas, apesar de omitidas pelos meios de comunicação ocidentais, são conhecidas. Em novembro passado a aviação israelense bombardeou a faixa de Gaza…

Para continuar:
É preciso recuar no tempo (…) Basta recuar sessenta anos, à data da criação do Estado de Israel. Nas condições em que foi criado e depois apoiado pelo Ocidente, o Estado de Israel é o mais recente (certamente não o último) ato colonial da Europa…

E pouco depois explica:
Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada (daí, que a seguir a cada tratado de paz se tenha de seguir um ato de violação que a desminta); para consolidar a ocupação, o povo judeu tem de se afirmar como um povo superior condenado a viver rodeado de povos racialmente inferiores, mesmo que isso contradiga a evidência de que árabes e judeus são todos povos semitas; com raças inferiores só é possível um relacionamento de tipo colonial, pelo que a solução dos dois Estados é impensável; em vez dela, a solução é a do apartheid, tanto na região, como no interior de Israel (daí, os colonatos e o tratamento dos árabes israelenses como cidadãos de segunda classe); a guerra é infinita e a solução final poderá implicar o extermínio de uma das partes, certamente a mais fraca. O que se passou nos últimos sessenta anos confirma tudo isto mas vai muito para além disto. Nas duas últimas décadas, Israel procurou, com êxito, sequestrar a política norte-americana na região, servindo-se para isso do lobby judaico, dos neoconservadores e, como sempre, da corrupção dos líderes políticos árabes, reféns do petróleo e da ajuda financeira norte-americana. A guerra do Iraque foi uma antecipação de Gaza: a lógica é a mesma, as operações são as mesmas, a desproporção da violência é a mesma; até as imagens são as mesmas, sendo também de prever que o resultado seja o mesmo. E não se foi mais longe porque Bush, entretanto, se debilitou. Não pediram os israelenses autorização aos EUA para bombardear as instalações nucleares do Irã?

Para concluir:
É hoje evidente que o verdadeiro objetivo de Israel, a solução final, é o extermínio do povo palestino. Terão os israelenses a noção de que a shoah com que o seu vice-ministro da defesa ameaçou os palestinos poderá vir a vitimá-los também? Não temerão que muitos dos que defenderam a criação do Estado de Israel hoje se perguntem se nestas condições – e repito, nestas condições – o Estado de Israel tem direito de existir?

Anoto aqui uma notícia, de outra fonte, só para documentar, tantos são os atos deste tipo nestes dias em Gaza.

Da página da CNBB, em Notícias – 13/01/2009 10:35:07: Clínica da Cáritas Internacional é bombardeada em Gaza
Um ataque israelense destruiu completamente a clínica da Cáritas que prestava serviços humanitários na Faixa de Gaza. A ofensiva ocorreu no fim da última semana e aniquilou também quatro habitações e outras 20 ficaram gravemente danificadas…

Se todo o horror da guerra fosse mostrado…

Eles [os israelenses] estão fazendo coisas terríveis lá. Uma enorme máquina militar num pequeno espaço confinado contra inimigos com armas leves misturados a uma população civil sem lugar para fugir ou encontrar abrigo. Os israelenses sabiam desde o começo que se todo o horror da guerra fosse mostrado em horário nobre, especialmente nos EUA, eles teriam perdido sua causa (Phillip Knightley, em entrevista a Pedro Dias Leite, da Folha de São Paulo, em Londres)

Fonte: Folha Online: 11/01/2009 – 08h05: “Israel tem mais porta-vozes que os EUA”, afirma autor britânico

Phillip Knightley: correspondente de guerra do “Sunday Times” por 20 anos e autor de livro clássico sobre o tema, The First Casualty: The War Correspondent as Hero and Myth-Maker from the Crimea to Iraq [A Primeira Vítima: O Correspondente de Guerra como Herói e Construtor de Mitos, da Criméia ao Iraque]. 3. ed. Baltimore, MD: The Johns Hopkins University Press, 2004, 608 p. – ISBN 9780801880308.

Leia Mais:
Jornais sobem tom de crítica a ação israelense – da Folha de S. Paulo, em Londres, Nova York e Paris: Folha Online: 11/01/2009 – 08h08
Em duas semanas de conflito, a operação militar israelense na faixa de Gaza assistiu a uma rápida queda de popularidade na imprensa internacional, especialmente depois do ataque, na terça-feira, a uma escola da ONU, onde morreram 43 pessoas.

A carnificina em Gaza e o Vaticano

No rastro de João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, o Papa destoa em relação a Gaza – IHU On-Line: 11/01/2009

O Vaticano se recusa a alinhar-se com quem define os bombardeios em Gaza simplesmente como uma resposta contra os foguetes do Hamas (…) Bento XVI destaca a “violência inaudita” da expedição punitiva de Israel e pede uma mudança da classe dirigente e da linha política aos palestinos e israelenses…

 

Il Papa fuori dal coro – Marco Politi: La Repubblica – 10 gennaio 2009

Esce fuori dal coro il Vaticano, rifiutando di allinearsi a chi semplicisticamente etichetta i bombardamenti su Gaza come risposta difensiva contro i razzi di Hamas.Esce fuori dal coro Benedetto XVI sottolineando la «violenza inaudita» della spedizione punitiva di Israele e chiedendo un mutamento di classe dirigente e di linea politica a palestinesi e israeliani. E c’ è un motivo. In Terrasanta il Vaticano non è uno stato esterno, che da lontano si schiera in un modo o un altro. In Terrasanta la Chiesa cattolica ha i suoi terminali dall’ interno della società: preti, suore, missionari e soprattutto abitanti, giovani, anziani, madri e padri che vivono la vita quotidiana. Non saranno tanti i palestinesi cristiani, ma sono figli di quella terra e conoscono i giorni buoni e quelli amari. Dunque il Papa sa ciò che avviene e non funzionano le frasi di chi accusa il Vaticano di non essere bene informato. E allo stesso tempo gli esponenti della Chiesa cattolica, dal pontefice in giù, sono per natura e formazione profondamente avversi al terrorismo, aborrono bombe e attentati, temono la violenza politica e più ancora quella travestita con panni religiosi. E quindi immaginarli sbilanciati verso la parte dei «terroristi» non è credibile. In realtà Joseph Ratzinger, proprio perché rifiuta il fondamentalismo violento e specie perché teologicamente si sente vicinissimo all’ ebraismo – appena eletto la sua prima lettera papale la mandò alla comunità ebraica di Roma – sta affrontando senza ideologismi la nuova grande crisi israelo-palestinese. Con un realismo ed uno sguardo lucido sulla situazione mondiale, ponendosi nel solco dei suoi predecessori Giovanni XXIII, Paolo VI e Giovanni Paolo II. Papa Wojtyla aveva ammonito contro la follia dell’ invasione dell’ Iraq, quando molti in Occidente si ubriacavano all’ idea di una crociata contro Saddam “novello Hitler”. La storia gli ha dato totalmente ragione. Oggi Benedetto XVI indica il pericolo di un’ avventura militare che precipiti verso un punto di non ritorno e realisticamente invita a costruire una exit strategy, che garantisca sul serio l’ esistenza pacifica di Israele accanto a quello stato di Palestina, che non è più rinviabile. In queste settimane dalle pagine dell’ Osservatore Romano, dell’ Avvenire, dal bollettino dei vescovi Sir emerge la mappa dei problemi e anche l’ indicazione di qualche risposta. Chi comanderà a Gaza, si è chiesto il quotidiano della Santa Sede, quand’ anche l’ esercito israeliano riuscisse a piegare Hamas? E’ pensabile una nuova occupazione oppure è immaginabile un’ “amministrazione fantoccio”? Non si rischia alla fine un rafforzamento di Hamas? Perciò, quando da San Pietro viene il monito che il ricorso alle armi non porta a nulla, non è una bella predica dal pulpito, ma l’ invito a ricordare che solo dalla politica può venire una via d’ uscita. «La violenza dell’ attacco israeliano nella striscia di Gaza è stata inaudita», si poteva leggere a fine anno in una nota del Sir. E i morti non avevano ancora superato quota settecento. «Ma la pace non si fonda sul taglione», proseguiva la nota. Se il governo israeliano vuole la pace, «dimostri di cercarla con un dialogo regionale e con gesti inequivocabili come l’ interruzione del Muro». E’ un tema, quello della latitanza dell’ iniziativa negoziale autentica, che l’ Avvenire ha sollevato ripetutamente. E una riposta è venuta da un’ analisi pubblicata sull’ Osservatore. L’ idea di una sicurezza d’ Israele affidata solo alla supremazia militare – si è potuto leggere sulla prima pagina del giornale del Papa – non porta da nessuna parte: «La sola idea di sicurezza possibile deve passare attraverso il dialogo con tutti, persino con chi non lo riconosce». Se qualcuno finge indignazione, in Vaticano ricordano che recentemente proprio qui a Roma il generale americano David Petraeus, comandante generale per l’ Iraq e l’ Afghanistan, ha spiegato che a volte «capita di doversi sedere allo stesso tavolo con chi ha le mani sporche del tuo sangue. Bisogna farlo». Davvero tutto Hamas è così monolitico nella sua linea e impermeabile ad un negoziato serio? I monsignori di Curia, rammentando com’ era partito Arafat e dove poi è approdato, ne dubitano. Perciò voltare radicalmente pagina in Terrasanta è per il Papa e la sua Curia segno di realismo e non di utopia. Trasformare in ulcera la piaga di Gaza non aiuta né a sostenere Israele né favorisce la pace. Il direttore dell’ Osservatore ribadisce oggi che il Vaticano «è e rimane amico di Israele». Lo pensa soprattutto papa Ratzinger e per questo vuole che una nuova politica arrivi anche ad abbattere il Muro nella terra di Cristo.

A semântica da guerra

A semântica da guerra – Flávio Aguiar – Carta Maior: 09/01/2009

Toda guerra tem sua própria linguagem e suas palavras.

“Guerra de trincheiras: esta é uma expressão para sempre ligada à 1ª Guerra Mundial. Assim como o nome do romance de Erich Maria Remarque: “Nada de novo na frente ocidental”. A 2ª Guerra Mundial consagrou (infelizmente) termos como “Blitzkrieg” – “Guerra Relâmpago”, que em português nos deixou o termo “blitz” para uma batida rápida da polícia; “Dia D”, que até hoje significa “momento decisivo”. E assim por diante. Outras guerras popularizaram termos como “Napalm”, “Agente Laranja”, “Limpeza étnica”, etc.

Esta ofensiva de Israel em Gaza ainda não inovou em matéria de semântica. Mas já trouxe uma peculiaridade para a linguagem jornalística que mostra algo sobre sua natureza.

Sempre aprendi com meus mestres em matéria de jornalismo que o bom estilo poupa os adjetivos ou expressões qualificativas que equivalham a eles. Mas agora constato que, se há uma marca que esta ofensiva de Israel em Gaza deixará, ela jaz nos adjetivos.

Fiz um levantamento, de propósito em jornais que poderiam ser qualificados como “conservadores”, do ponto de vista político, ou “sóbrios”, do ponto de vista do estilo. Chovem adjetivos e qualificações, dos e das mais fortes.

As expressões mais comuns foram, em inglês, “carnage”, e “onslaught”, ambas encontradas até em publicações que entram conspicuamente em ambas as classificações acima expostas, “conservadores” e “sóbrias”: Financial Times e The Economist. Ambas as palavras são de uma dramaticidade exemplar. “Carnage”, “carnagem” em português, se aplica ao abate de animais em quantidade para alimentação. O Aurélio dá como sinônimo a expressão “carnificina”. “Onslaught”, na semântica da guerra, é expressão usada como sinônimo de “furious attack”, “ataque furioso”. De novo, o termo vem da matança de animais (“slaughter”), e quando aplicado no contexto bélico, se aplica a uma situação em que um dos contendores mata indiscriminadamente pessoas do outro lado. Outros termos que encontrei foram, com respeito ao ataque de Israel, “hard to justify”, “difícil de justificar” (The Economist) e “disproportionate”, “desproporcional” (Financial Times), além de, neste último, “horror” e “desperate”, (“horror” e “desesperada”) com respeito à situação dos palestinos em Gaza.

Continuando a busca, um pouco a esmo, mas dentro dos critério que me propusera, fui encontrando em artigos e editoriais:

1) “Bloody war” (Der Spiegel, da Alemanha, edição em inglês), que ao mesmo tempo quer dizer “guerra sangrenta” (qual não é?) e “guerra maldita”; em algumas gírias também quer dizer “de merda”, mas duvido que os redatores do Spiegel tenham pensado nesta conotação, embora ela também coubesse.

2) “Matanza de civiles” e “situación desesperada” no El País, da Espanha.

3) “Campo di concentramento”, “campo de concentração”, em relação às condições de vida em Gaza, declaração do Cardeal Renato Raffaele Martino, Presidente do Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz da Santa Sé, no Vaticano, à página Ilsussidiario.net, da Itália. Lembremos, em todo caso, que o Vaticano ficou a dever uma atitude mais firme contra o fascismo e contra o holocausto durante a 2ª Guerra, ainda que muitos sacerdotes tenham sido exemplares nas diversas modalidades de luta durante a Resistência.

4) “L’horreur”, “atroce”, “desesperée”, no Le Monde, da França.

5) “Nightmarish”, “pesadelar” (palavra rara, mas existente na nossa língua), “deprivation”, “privação”, e “neglect”, “negligência”, esta última empregada em relação à atitude do exército israelense diante da situação dos mortos e feridos, no New York Times, dos Estados Unidos.

6) “Vengeful military Behemoth”, “um Beemote militar vingativo”, assim a reportagem do Herald Tribune descreve o exército de Israel. “Behemoth” é uma criatura citada no Livro de Jó (40: 15 – 24), do Antigo Testamento; algumas interpretações o associam ao hipopótamo, outras a um animal pré-histórico; em todo o caso é um ser impressiona por sua força e postura, conforme Jeová o descreve a Jó, mas que guarda algo de monstruoso. No inglês a expressão é usada para designar algo animalesco e monstruoso, disforme.

7) “Indiscriminate attacks”, “ataques indiscriminados”, “Heart wrenching images”, “imagens de cortar o coração” (to wrench significa aplicar uma torção súbita e violenta), “inhumane”, “massacres”, no Asahi Shimbun, do Japão.

8) “Brink of disaster”, “à beira da calamidade”, sobre a situação em Gaza, e “increasing international criticism”, “crescente crítica internacional”, com respeito à ação de Israel, no Mail & Guardian, da África do Sul.

9) “Deadly air raids”, “mortíferos ataques pelo ar”, no Sidney Morning Herald, da Austrália.

Mas o caso mais espantoso ficou por conta do britânico The Guardian, conhecido pela objetividade e pela circunspecção modelares de seus artigos e editoriais. A coleção de expressões qualificativas é impressionante. “Calamity”, calamidade, “intolerable”, intolerável, “schocking”, chocante, “unacceptable”, inaceitável, e as já visitadas “carnage” e “onslaught” estão entre as expressões encontradas.

A estas uma nova se acrescenta: o movimento de Israel é descrito antecipadamente como uma “pyrrhic victory”, vitória de Pirro, menção ao rei grego de Épiro que venceu duas batalhas contra os romanos em 280 e 279 A. C., mas a tal custo que o efeito mais lhe parecia o de uma derrota. Também nesta publicação encontramos referências à denúncia, depois vista em outras também, de que Israel estaria usando bombas de fragmentação e outras incendiárias à base de fósforo branco, que também foram usadas no Vietnã pelo exército norte-americano.

Ao longo desse passeio (se assim se pode chamar tal visita à semântica de uma guerra) por tais publicações, não encontrei uma única palavra de defesa das atitudes beligerantes do Hamás e de seus (patéticos – a expressão é minha) foguetes. Pelo contrário, encontrei também condenações sobre esses disparos, sempre qualificados como terroristas, contra o território israelense. O caso mais chocante estava relatado no Herald Tribune, em que o correspondente se referia a um militante do Hamás que esperava atendimento num hospital coalhado de horrores, e sorria. Perguntado pelo porquê do sorriso, ele respondeu que os mortos eram mártires, e que ele também queria ser um mártir.

Os mortos da ofensiva israelense no lado palestino estão chegando a 800. Bem mais de 200 desses mortos são crianças. Há uma certa lógica nisso, embora não seja verossímil acreditar que oficiais e soldados israelenses estão em busca de crianças para matá-las. Mas apesar das declarações do Major Avital Leibovich, porta-voz do exército de Israel, no NYT de 9/01, de que “estamos fazendo o melhor possível para evitar a morte de civis, e muitas vezes não retaliamos porque vimos civis por perto”, esse tipo de guerra que Israel está disposto a levar para Gaza implica demonstrar para os outros e para os seus (não esqueçamos de que há eleições em 10 de fevereiro) que nada deterá os seus soldados e o seu poder de fogo, nem mesmo as crianças. Que de resto, a gente poderia lembrar o Major Leibovich, são mais difíceis de se ver do que os adultos.