Edição histórica de Grande Sertão: Veredas

Os caminhos do sertão de João Guimarães Rosa

Nova Fronteira e Saraiva lançam edição histórica de Grande Sertão: Veredas

Daniel Louzada

“Seria preciso ser um inventor de palavras, como foi João Guimarães Rosa, para cobrir minimamente as qualificações que merece Grande Sertão: Veredas. Obra-prima da literatura, fundamental para a compreensão de nossa identidade, empreendimento artístico monumental, influência para tantos escritores, tratado universal sobre o homem. São muitas as sentenças que poderiam ser elencadas para ressaltar esse romance atemporal, um dos mais importantes do século XX.

Foi essa relevância que no início de 2011 motivou a Editora Nova Fronteira e a Livraria Saraiva a realizarem um grande projeto em conjunto: uma edição especial que trouxesse outra dimensão da obra por meio da divulgação de um material nunca publicado. Assim, surgiu a caixa Os Caminhos do Sertão de João Guimarães Rosa.

O ponto de partida foi o entusiasmo em colocar em livro pela primeira vez o importante texto A Boiada, até então restrito aos arquivos do IEB-USP. A Boiada é um documento fundamental para entender não só a construção das obras de Guimarães, mas também, de maneira geral, o esforço que precede uma grande obra literária, o seu fazer, o trabalho árduo do escritor.

Em maio de 1952, João Guimarães Rosa juntou-se à comitiva de Manoel Nardy, que inspirou o famoso personagem Manuelzão, e fez uma travessia pelo sertão mineiro. Mais do que o reencontro com sua terra natal, havia um nítido interesse do autor em cartografar esse espaço e aprender mais sobre a cultura de boiadeiros e sertanejos.

A leitura das duas cadernetas escritas nessa viagem, as quais chamou de A Boiada 1 e A Boiada 2, dão a medida desse interesse. Tanto que mais tarde as anotações foram aproveitadas especialmente na elaboração das novelas de Corpo de Baile.

O conteúdo das cadernetas é fragmentário e muito detalhado, um composto de frases, palavras, cenas, paisagens, desafios, lundus, quadras, cantigas, além de histórias e comentários a respeito do cotidiano dos homens com quem o escritor conviveu nesse período.

A partir desses fragmentos, é possível recompor o percurso de Guimarães pelo sertão e por sua literatura, pois o itinerário revelado nas anotações, apenas aparentemente sem sistematização, revela a olhos mais atentos interseções com os caminhos trilhados pelos jagunços de Grande Sertão: Veredas.

A caixa Os Caminhos do Sertão de João Guimarães Rosa, com tiragem numerada e limitada de 10 mil exemplares, é produto de extenso trabalho editorial da equipe da Nova Fronteira. Valoriza-a um novo projeto gráfico e a série de belas ilustrações que o arquiteto Paulo Mendes da Rocha produziu exclusivamente para a edição.

A caixa é composta dos seguintes livros:

Grande Sertão: Veredas – Edição exclusiva, tendo por capa a primeira página do fac-símile da obra, em que Guimarães define o título, riscando de próprio punho a sua primeira proposição datilografada: Veredas Mortas. A edição é acompanhada, ainda, por um texto explicitando o trabalho fonético da escrita rosiana e como se estabelece o Acordo ortográfico em João Guimarães Rosa. O livro também apresenta algumas capas nacionais e internacionais do romance que ganhou o mundo.

A Boiada – O fac-símile, todo impresso em cores, o original datilografado de Guimarães registrando a viagem pelo sertão. Nas margens das páginas, em canetas de cores diferentes, ele indica: Corpo de Baile, Miguilim, Grande Sertão, Batalha… Um verdadeiro registro genealógico e raro da construção da obra do autor. O volume ainda conta com a contribuição de Sandra Vasconcelos, professora de literatura brasileira do IEB-USP e de Mônica Meyer, professora e bióloga da UFMG.

Livro de Depoimentos – Com texto de apresentação da Nova Fronteira e da Saraiva, traz depoimentos inéditos em livro de nomes como Antonio Candido e Haroldo de Campos sobre o Grande Sertão: Veredas” (Matéria exclusiva do Almanaque Saraiva)

Leia o texto completo.

João Guimarães Rosa

Veja ainda no site da Saraiva: Conheça mais sob a edição – Todas as edições de Grande Sertão: Veredas – Veja detalhes do livro A Boiada – Saiba mais sobre Guimarães Rosa

Leia Mais:
Grande Sertão: Veredas – Sequências Narrativas
Saem do baú inéditos de Guimarães Rosa – Josélia Aguiar: Folha.com – 03/12/2011

Morreu o doutor Sócrates

Nota de Falecimento
(São Paulo, 4 de dezembro de 2011, 5h30)

O Hospital Israelita Albert Einstein informa com profundo pesar o falecimento do ex-jogador Sócrates Brasileiro Sampaio de Sousa Vieira de Oliveira às 4h30, em consequência a um choque séptico.

Médicos Responsáveis
Dr. Fernando Luis Pandullo
Dr. Ben-Hur Ferraz Neto

Diretor de Prática Médica
Dr. Oscar Fernando Pavão dos Santos

 

Sócrates, bom de bola e de cabeça – Por Altamiro Borges – Blog do Miro: 4 de dezembro de 2011

O jogador Sócrates, bom de bola e de cabeça, faleceu hoje, às 4h30, no hospital Albert Einstein, em São Paulo, em decorrência de infecção generalizada. Aos 57 anos, ele não conseguiu resistir à terceira internação consecutiva neste ano. A sua morte entristece o Brasil.

Sócrates não era ídolo apenas da torcida do Corinthians. Além de ser reconhecido como um dos maiores craques do futebol brasileiro, ele era admirado por suas posições críticas e progressistas. Foi um dos líderes da “democracia corintiana”, que ajudou na luta contra a ditadura militar. Nos últimos tempos, era comentarista da TV Cultura e colunista do jornal Agora e da revista CartaCapital.

“Curtir lampejos de humanidade”

Sem papa na língua e com espírito inquieto, o craque Sócrates nunca se intimidou diante dos poderosos. Em recente entrevista à Folha, após sofrer sua primeira internação, ele não vacilou ao responder à provocação do jornalista:

Em toda essa impressionante onda de carinho que cercou você nesses dias, há também quem diga que de democrata você não tem nada porque deu o nome de Fidel ao seu caçula. É mais uma de suas contradições?

De fato, estou tirando muita coisa de positivo neste meu quase nascer de novo. Quanto ao Fidel Castro, símbolo da Revolução Cubana, como Che Guevara, as pessoas estão mal informadas. No nosso país se conhece muito pouco o que acontece fora daqui e mesmo aqui dentro. A estrutura política cubana é extremamente democrática. Eu queria que meu filho nascesse lá, eu queria ser um cubano.

Nós estivemos lá agora, fomos passear! Peguei minha mulher e fui lá, passear, curtir lampejos de humanidade. Um povo como aquele, numa ilhota, que há mais de 50 anos briga contra um império, só pode ser muito forte, e ditadura alguma faz um povo tão forte… Em Cuba, o povo participa de tudo, em cada quarteirão. E aqui? Pra quem você reclama? Você vota e não tem pra quem reclamar.

O doutor” Sócrates deixará saudades!

 

:: Lista completa dos gols do Magrão

:: Sócrates – Especial da Folha

:: Ex-jogador Sócrates morre em São Paulo aos 57 – Folha.com: 04/12/2011 – 06h05

Resenhas na RBL – 25.11.2011

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Ovidiu Creanga, ed.
Men and Masculinity in the Hebrew Bible and Beyond
Reviewed by Stuart Macwilliam

Katharine J. Dell, Graham Davies, and Yee Von Koh, eds.
Genesis, Isaiah and Psalms: A Festschrift to Honour Professor John Emerton for His Eightieth Birthday
Reviewed by Jeffery M. Leonard

Helen Leneman
Love, Lust, and Lunacy: The Stories of Saul and David in Music
Reviewed by Christina Landman

Amy-Jill Levine, ed.
A Feminist Companion to the Apocalypse of John
Reviewed by Renate Viveen Hood

Joseph F. Mali
The Christian Gospel and Its Jewish Roots: A Redaction-Critical Study of Mark 2:21-22 in Context
Reviewed by Tom Shepherd

Hugh R. Page Jr., ed.
The Africana Bible: Reading Israel’s Scriptures from Africa and the African Diaspora
Reviewed by Gerald O. West

Emanuel Pfoh
The Emergence of Israel in Ancient Palestine: Historical and Anthropological Perspectives
Reviewed by Jeremy Hutton

Pekka M. A. Pitkänen
Joshua
Reviewed by Thomas B. Dozeman

Alf H. Walle
Pagans and Practitioners: Expanding Biblical Scholarship
Reviewed by Daniel K. Darko

John Walliss and Lee Quinby, eds.
Reel Revelations: Apocalypse and Film
Reviewed by T. Michael W. Halcomb

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

O cerrado ameaçado

Cerrado. O pai das águas do Brasil e a cumeeira da América do Sul

Buscando conhecer um pouco mais a cumeeira da América do Sul e o pai das águas do Brasil, vários pesquisadores e pesquisadoras contribuem nesta edição. Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, José Felipe Ribeiro explica didaticamente no que consiste o Cerrado, analisando por que é um mito a ideia de que no bioma Cerrado há apenas seca. Jorge Enoch Furquim Werneck Lima, pesquisador em Hidrologia da Embrapa Cerrados, afirma que esse bioma contribui para oito das 12 regiões hidrográficas brasileiras, além de ratificar que a água do Cerrado não é importante apenas para a manutenção do bioma, mas também para todas essas regiões. Para o professor titular da Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC Goiás, Altair Sales Barbosa, enquanto o desejo de explorar o Cerrado tiver raízes estrangeiras, a possibilidade de criação de um programa racional de desenvolvimento será nula. Já para a coordenadora do Laboratório de Sementes do Instituto do Trópico Subúmido – ITS da PUC Goiás, Marilda da Conceição Ribeiro e Barros, a flora do Cerrado é reconhecida por vários pesquisadores nacionais e internacionais como um grande celeiro na oferta de bioprodutos com aplicações em quase todos os setores da economia de modo direto e indireto. Enquanto isso, o engenheiro florestal César Victor do Espírito Santo alerta que nas últimas quatro décadas houve um advento da expansão da fronteira agrícola no Brasil e que o Cerrado passou a ser um local de grande importância no cenário nacional e mundial em termos de produção agrícola e pecuária. O debate conta também com a contribuição do “desbravador da soja no Cerrado”, Romeu Afonso de Souza Kiihl, que frisa que o Brasil central, hoje, é responsável por mais da metade da soja que produzimos no país… (Editorial)

Este é tema de capa da IHU On-Line 382, de 28.11.2011.

As entrevistas:
:: José Felipe Ribeiro: Cerrado: o grande potencial agrícola do Brasil?
:: Jorge Enoch Furquim Werneck Lima: O berço das águas no Brasil
:: Altair Sales Barbosa: Cerrado: “dor fantasma” da biodiversidade brasileira
:: Marilda da Conceição Ribeiro e Barros: Flora do Cerrado: caminho de descobertas
:: César Victor do Espírito Santo: O envolvimento da sociedade em prol do Cerrado
:: Romeu Afonso de Souza Kiihl: Soja do Cerrado: mercado promissor de exportação do Brasil?

Os nomes dos brasileiros

Maria e José são os nomes mais comuns no Brasil, veja lista

Um levantamento do bureau de informação e análise de crédito ProScore revelou que Maria e José estão no topo da lista dos 50 nomes mais comuns no Brasil. O nome Maria é usado por mais de 13 milhões pessoas, enquanto José, o segundo colocado, tem mais de 8 milhões de registros. Na sequência, com 3,5 milhões aparece Antônio. João e Francisco vêm em seguida, com 3 milhões e 2 milhões, respectivamente. Outro dado curioso do levantamento é o nome Luiz com “z” –que é três vezes mais usado que Luís com “s”. Luiz ultrapassa os 1,5 milhões de adeptos, enquanto Luís não chega nem a 500 mil. A pesquisa foi feita na base da empresa –que conta com nomes e CPFs de 165 milhões de brasileiros. De acordo com Censo de 2010, há 190,7 milhões de habitantes no Brasil. Veja a lista dos 50 nomes mais usados no país.

Fonte: Folha.com: 28/11/2011 – 16h13

Os dez primeiros são:
1. Maria
2. José
3. Antonio
4. João
5. Francisco
6. Ana
7. Luiz
8. Paulo
9. Carlos
10. Manoel

A pesquisa recente sobre o Pentateuco em dois livros

DOZEMAN, T. B.; SCHMID, K.; RÖMER, T. (eds.) Pentateuch, Hexateuch, or Enneateuch? Identifying Literary Works in Genesis through Kings. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2011, 324 p. – ISBN 9781589835429.

“The identification of literary works in the Pentateuch and the Former Prophets is a hallmark of the modern historical-critical interpretation of the Hebrew Bible. The theories of a Tetrateuch, a Hexateuch, or a Deuteronomistic History have played a central role in recovering the literary history of the Pentateuch and the Former Prophets. The breakdown of these methodologies in recent research has forced scholars to reevaluate the criteria for identifying literary works in the formation of the Hebrew Bible. The present volume explores anew, without presupposition or exclusion, the criteria by which interpreters identify literary works in these books as a resource for recovering the composition history of the literature. It also brings North American and European approaches to the topic into a common discussion. With contributions by: Konrad Schmid, Thomas Römer, Erhard Blum, David M. Carr, Suzanne Boorer, Christoph Levin, Cynthia Edenburg, Michael Konkel, Thomas Dozeman, Christoph Berner, Felipe Blanco Wißmann”. Disponível para download gratuito no Projeto ICI da SBL.

 

DOZEMAN, T. B.; SCHMID, K.; SCHWARTZ, B. J. (eds.) The Pentateuch: International Perspectives on Current Research.Tübingen: Mohr Siebeck, 2011, xviii + 578 p. – ISBN 9783161506130.

“The Pentateuch is both the literary capstone and the central core of the Hebrew biblical canon. It contains many of the best known and most influential literary texts of world literature. A firm conclusion of biblical research is that the sweeping narrative of the Pentateuch that begins with creation and concludes with the death of Moses was not composed by one author, but is the result of a literary process that took place over hundreds of years. Yet there remains significant debate among international researchers on the composition of the Pentateuch. The present volume contains a collection of articles from an international conference in Zürich that brought together leading voices from North America, Europe, and Israel to evaluate the present state of research on the composition of the Pentateuch. The aim of the conference was to clarify differences in methodology and to identify points of convergence in the present state of pentateuchal research as a basis for further discussion. With contributions by: Reinhard Achenbach, Rainer Albertz, Graeme Auld, Joel S. Baden, Michaela Bauks, Erhard Blum, David M. Carr, Thomas B. Dozeman, Jan Christian Gertz, Itamar Kislev, Israel Knohl, Gary N. Knoppers, Reinhard G. Kratz, Thomas Krüger, Christoph Levin, Christophe Nihan, Saul M. Olyan, Thomas Römer, Konrad Schmid, Baruch J. Schwartz, Sarah Shectman, Jean-Louis Ska, Benjamin D. Sommer, Jeffrey Stackert, Christoph Uehlinger, James W. Watts”.

“Der Pentateuch ist das literarische Herzstück und der sachliche Kern des hebräischen Bibelkanons und vereinigt in sich viele der bekanntesten und wirkungsmächtigsten Texte der Weltliteratur. Dass der von ihm umschlossene erzählerische Zusammenhang von der Schöpfung der Welt bis zum Tod Moses nicht von einem Autor stammen kann, sondern in einem mehrfach gestaffelten literarischen Prozess über Jahrhunderte hinweg entstanden ist, gehört zu den unhintergehbaren Resultaten der Bibelwissenschaft. Die internationale Forschungsdiskussion über den Pentateuch verläuft allerdings sehr divergent. Der vorliegende Band versammelt Beiträge eines internationalen Kongresses in Zürich, der sich zum Ziel gesetzt hat, die maßgeblichen Stimmen der Pentateuchforschung aus Nordamerika, Europa und Israel zu versammeln, Differenzen und Konvergenzen in Voraussetzungen, Methoden und Resultaten der gegenwärtigen internationalen Pentateuchforschung zu benennen und so eine Grundlage für weitere Diskussionen zu schaffen”.

História de Israel e Teologia da Bíblia Hebraica

Recent Developments in the History of Ancient Israel and their Consequences for a Theology of the Hebrew Bible

By Thomas Krüger – University of Zurich

Paper presented at the SBL International Meeting in Rome, July 1, 2009.

Published in: Biblische Notizen 144, 2010.

Recent Research has emphasized the gap between the history of ancient Israel and the stories told about Israel in the Hebrew Bible. Should a theological interpretation of the Hebrew Bible ignore these contradictions between biblical texts and historical reality and read the texts in a metaphoric or paradigmatic fashion? Or should it critically evaluate the theological conceptions developed in the biblical texts in view of the reality they are referring to? This paper argues for the second approach which is consistent not only with our contemporary worldview but also with important biblical traditions of a critical theology.

Confira em Academia.edu ou em Zurich Open Repository and Archive.