A teologia entende a Amazônia?

Teologia Amazônica: o reencontro entre o ser humano e a natureza. Entrevista especial com Antonio Carlos Teles da Silva

Com mais de seis milhões de hectares, a Amazônia, reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, tem tanta diversidade natural que está dividida em 23 eco-regiões. Cerca de 60% de toda essa diversidade fica em território brasileiro, dando vida a nove Estados do país.

Não é novidade nenhuma, porém, a relevância dos riscos que esse imenso ecossistema vem enfrentando por causa da ganância do homem. Mas como seu próprio nome indica, essa guerreira, como as amazonas da mitologia grega, está na vanguarda da nossa civilização.

“O que acontecer à Amazônia aponta para o que pode acontecer ao planeta”, afirma o doutor em Teologia Antonio Carlos Teles da Silva. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, o estudioso da cultura e da religiosidade da Amazônia afirma que a região tem uma “importância simbólica crucial no atual momento, como símbolo do desafio ecológico”.

Teles, que irá participar dos debates do III Fórum Mundial de Teologia e Libertação, em Belém do Pará, nos próximos dias 21 a 25, é graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte e licenciado em História pelo Centro Universitário Metodista do Sul (IPA). É também mestre e doutor em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST), de São Leopoldo, com pesquisas que abordam, respectivamente, “As origens do Movimento Ecumênico na Amazônia Paraense” e “O Ethos Cultural Amazônico em Dalcídio Jurandir”, em que aborda a obra do escritor marajoara como aporte para a construção de uma Teologia Amazônica.

 

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são as principais questões, críticas e desafios que o debate ecológico apresenta à teologia?

Antonio Carlos Teles da Silva – Sem dúvida, o principal acento é de natureza ética, de responsabilidade amorosa para com a criação de Deus. De certa forma, o cristianismo justificou, historicamente, o antropocentrismo que está na raiz da atual crise ecológico-ambiental. Isso significa a necessidade de elaboração de uma nova antropologia, que tenha a competência reintegradora e que reaproxime amorosamente o ser humano e a natureza. É obvio que essa reconstrução contém uma inerente crítica aos padrões atuais de desenvolvimento e progresso, bem como ao estilo de vida das sociedades atuais, voltados para a competição e o consumo.

IHU On-Line – Que contribuições e críticas os recursos éticos e espirituais das tradições religiosas podem oferecer para contribuir com o debate sobre desenvolvimento e sustentabilidade e para o enfrentamento da crise ambiental atual?

Antonio Carlos Teles da Silva – Aqui, temos a necessidade de perceber a surpreendente convergência entre os novos rumos da ciência moderna e de algumas tradições espirituais milenares. Desde Einstein e a relatividade, as novas percepções sobre a natureza da realidade, possibilitadas pela física quântica, por exemplo, demonstram que a nova ciência se aproxima de tradições como o Taoísmo, das religiosidades andinas e, no caso específico, da religiosidade de culturas amazônicas originárias. Não há saída para a atual crise ecológica planetária sem uma profunda transformação cultural, que passe pela compreensão da integralidade da criação, que é uma percepção presente em muitas dessas tradições.

IHU On-Line – Como o imaginário de sobre o “futuro” que caracteriza a escatologia cristã se situa em relação às preocupação com o futuro próprias da ecologia atual? Em que ajuda? Em que atrapalha?

Antonio Carlos Teles da Silva – Existe uma escatologia elaborada nos centros hegemônicos que aponta para o abandono das preocupações históricas presentes em função de uma visão fatalista e muitas vezes catastrófica em relação ao futuro do planeta. Trata-se de um determinismo pré-milenista [1], que transfere todas as esperanças humanas para o âmbito da transcendentalidade. Sem dúvida, essa é uma visão condicionada ideologicamente que exerce uma função politicamente desmobilizadora. Há um texto bastante conhecido no Apocalipse, capítulo 21, dentre tantos outros, que apontam para outra forma de compreensão: o Reino de Deus se concretiza historicamente, dentro do mundo presente, através de novos céus e de uma nova terra, transformada e redimida pela boa vontade e pela harmonia entre os seres humanos. A obra redentora de Deus em Jesus Cristo concretiza o grande propósito divino de harmonia tanto dos seres humanos entre si, como entre os seres humanos e a natureza. O Reino de Deus se concretiza historicamente nesse convívio belo e benfazejo sobre esta terra. A esperança cristã é antes de tudo a realização desse propósito divino.

IHU On-Line – Quais podem ou devem ser os traços de uma teologia ou paradigma teológico que assume o compromisso com a causa ecológica?

Antonio Carlos Teles da Silva – O compromisso libertador ecológico da teologia deve partir da compreensão de que a miséria e a crise ecológica são faces de uma mesma realidade, e têm causas comuns, como a ambição e a sede ilimitada de poder e consumo. Dessa forma, a intuição básica da teologia da libertação de opção pelos mais fracos continua pertinente ante as agressões ao meio ambiente. São realidades indissociáveis, e, como enfatiza Leonardo Boff, numa situação de desastre ecológico, as primeiras vítimas são os mais pobres. Ao mesmo tempo, esse compromisso deve partir de uma compreensão adequada da realidade. Os novos paradigmas científicos referidos apontam para a necessidade de uma concepção integral da realidade, das múltiplas interconexões e da teia de relações que constitui a vida. É necessária a superação do paradigma científico da modernidade, não por ser errado, mas por ter se tornado obsoleto e não dar mais conta da complexidade que se apresenta. Superação do paradigma mecanicista cartesiano baseado em causa-efeito pelo paradigma holístico de múltiplas inter-relações. A teologia há de perceber a complexidade da realidade que, ao invés de estranha, é bela e convidativa. É necessário que a elaboração teológica se deixe enredar por aquilo que Fritjof Capra [2] chama de Teia da Vida. Assim, a teologia contribuirá na construção de uma nova cultura planetária, integrada e ecológica.

IHU On-Line – O senhor afirma que a Amazônia não pode mais ser uma “espécie de subtema da questão ecológica”. Como a teologia interpreta a importância dessa região?

Antonio Carlos Teles da Silva – A teologia ainda não consegue interpretar a importância da Amazônia. De forma geral, há uma enorme ignorância nacional sobre o que é a Amazônia e quem são os amazônidas. Na verdade o processo de destruição da região assenta-se nessa ignorância. A Amazônia adquiriu uma importância simbólica crucial no atual momento, como símbolo do desafio ecológico. De certa forma, penso que o que acontecer à Amazônia aponta para o que pode acontecer ao planeta. Isso tem sido percebido especialmente no exterior, e, infelizmente, no Brasil, ainda impera esse desconhecimento, ou, no mínimo, a não-consideração dessa importância. A concepção hegemônica sobre a Amazônia descreve um império do natural, do selvagem e do exótico, ao mesmo tempo em que invisibiliza o histórico, o humano e o cultural. Isso está no cerne da sequência de políticas oficiais equivocadas, implantadas sem consideração às peculiaridades regionais, como por exemplo as grandes migrações compulsórias sob o discurso do vazio demográfico, entre outras tantas. As representações construídas sobre a região, “pulmão do mundo”, “inferno verde” etc., também colaboram para a construção mítica em detrimento do real cotidiano das populações. Proponho uma releitura da Amazônia a partir de sua própria culturalidade, ou uma leitura do mundo a partir da cosmologia cabocla. Essa releitura, privilegiando a cosmovisão cabocla ribeirinha, é meu suporte para uma reflexão teológica sobre a Amazônia. Levo em conta que esse ethos cultural passa por uma violenta erosão, com evidente perda de capacidade de convívio harmonioso com o meio. Ao mesmo tempo, qualquer alternativa para a região passa, necessariamente, pela redescoberta dessa culturalidade herdada das antigas populações indígenas. Penso que, diante dessa realidade, a teologia tem uma enorme tarefa em repensar a região a partir de sua opção pelo invisibilizados, compreendendo essa culturalidade única como fundamental para o enfrentamento do desafio ecológico.

IHU On-Line – Qual é o papel das populações locais, dos governos e das igrejas para manter vivo esse ecossistema?

Antonio Carlos Teles da Silva – O movimento ecumênico na Amazônia tem uma história rica de defesa das causas da região. Nasceu no inicio da década de 1980, a partir das mobilizações populares contra a violência agrária no Araguaia e pela libertação dos padres franceses Aristides Camió e François Gouriou, presos injustamente com mais 13 posseiros, dando origem ao Movimento pela Libertação dos Presos do Araguaia (MLPA). O Ecumenismo na Amazônia tem compromissos de origem com a defesa da região, de seu povo e de sua cultura. Infelizmente, com raras e honrosas exceções, esse movimento tem sua articulação enfraquecida ultimamente, por conta principalmente da submissão de algumas igrejas à lógica do mercado religioso e à competitividade eclesiástica. Em muitos casos, os compromissos de luta e solidariedade têm sido substituídos pela prioridade ao crescimento institucional. Os compromissos assumidos com a unidade e com as lutas populares diluem-se em função de práticas religiosas de resultados imediatos. Isso é trágico. Na prática isso tem se constituído numa enorme perda na capacidade de mobilização e luta. Perde-se uma oportunidade histórica de mobilização da população local em defesa da Amazônia, desperdiçando a possibilidade do testemunho de uma espiritualidade envolvida na causa amazônica e ecológica junto tanto às populações locais, como junto aos governos.

IHU On-Line – Como a cultura amazônica pode nos ensinar a lidar com os símbolos e as realidades da água e da terra?

Antonio Carlos Teles da Silva – As culturas originárias amazônicas, herdadas das milenares culturas indígenas possuem uma tradição profunda e inerentemente ecológica. Fugindo aqui de qualquer idealização, é possível afirmar que, nessas culturas, água, terra, árvores, animais, enfim, todos os elementos que constituem a natureza são considerados como possuidores de consciência e vida. Todos são seres de relações, que geram uma cultura de comunhão e que se manifesta em intensas relações simbióticas de harmonia e complementariedade mútua. A modernidade chegou à Amazônia como crise, de forma distorcida e incompleta, baseada no pressuposto de oposição inerente entre cultura e natureza. A natureza-lar-aconchego passou a ser tratada como empecilho ao progresso e ao desenvolvimento. Essa concepção está explicita em muitas das primeiras visões sobre a Amazônia e nos escritos dos primeiros intérpretes da região, como grande exemplo, Euclides da Cunha. Essas concepções, baseada ainda no positivismo, se concretizam na região por meio das políticas de governo, especialmente no período militar. Os resultados são óbvios: a violenta erosão do ethos cultural originário pela imposição da mentalidade de competição e consumo. O caboclo amazônico tornou-se o principal poluidor de seu mundo. Isso é o pano de fundo da devastação que a região sofre.

IHU On-Line – Como se dá a mobilização social e ecumênica pela defesa da Amazônia e pelo compromisso com a realidade local?

Antonio Carlos Teles da Silva – Alguns pressupostos da Teologia da Libertação precisaram ser necessariamente revistos, o que gerou uma grande diversificação de temas e enfoques, com aprofundamento de temas específicos, trazendo à tona a questão ecológica como um dos temas mais urgentes e decisivos. Essa reciclagem mantém os pressupostos e intuições básicas fundamentais, como a opção pelo desfavorecidos e o compromisso com a dimensão humana acima da dimensão econômica, mantendo-se assim a postura crítica à estrutura de desigualdade e à economia de mercado. Como já foi dito, a questão dos pobres e a questão ecológica são indissociáveis. A Teologia libertadora-ecológica que se desenha parte do pressuposto elementar que, mantendo-se o atual nível de exploração e exaustão dos recursos naturais, o planeta chegará a um ponto irreversível, colocando em risco a própria existência da vida sobre sua face. Fica evidente a dimensão da urgência e a necessidade da teologia ultrapassar sua índole especulativa e tornar-se fator de mobilização. Penso que o Fórum realizado na Amazônia pode representar um marco decisivo, desde que não se repitam os erros cometidos sobre a região, de apenas se trazer respostas prontas, sem perceber e entender a região como ela é. Um exercício fundamental nesse momento crucial de reflexão será ouvi-la, perscrutar seu povo e sua cultura, e perceber, nessa cultura periférica e em franca erosão, pistas decisivas para uma teologia profundamente ecológica.

IHU On-Line – Quais são os principais desafios e possibilidades que a Teologia da Libertação enfrenta hoje, no que se refere à temática da ecologia?

Antonio Carlos Teles da Silva – Logicamente o próprio tema já indica o eixo principal de compromisso libertador-ecológico para outro mundo possível. Como já foi dito, ecologia e libertação são eixos indissociáveis. Penso que referências de uma cultura inerentemente ecológica podem ser encontradas na vivência dos próprios caboclos amazônicos. Minha preocupação principal é fazer uma releitura da Amazônia a partir de sua culturalidade como suporte para uma Teologia amazônica. Penso que mais do que teologia na Amazônia seja possível uma Teologia Amazônica, que considere, além da culturalidade, a cosmovisão e a índole cabocla, incluindo sua condição humana e existencial.

IHU On-Line – Pode esboçar alguns pontos principais que vão ser debatidos no Fórum, especialmente na conferência que o senhor vai apresentar?

Antonio Carlos Teles da Silva – Proponho algumas ênfases específicas, como a questão identitária, ante a rejeição da condição cabocla, consequência da invisibilização histórico-cultural. Faço essa leitura a partir da obra do escritor caboclo marajoara Dalcídio Jurandir, cujo ciclo enfoca essa condição de vida. Dalcidio Jurandir, embora possa ser incluído entre os melhores escritores da literatura nacional, sofre igualmente a mesma invisibilização, sendo praticamente um desconhecido do público leitor.

Outra ênfase que julgo fundamental é a importância da água como definidor de um determinado modo de vida e, consequentemente, da identidade cultural cabocla. A partir da relação peculiar das populações caboclas ribeirinhas do Marajó com a água, refletida nos seus modos de vida, na sua cosmologia e no seu ethos cultural, tão íntima e profundamente retratados por Dalcídio Jurandir, podemos intuir uma Teologia cujo nexo central de compreensão seja essa relação ontológica entre o ser humano e a natureza-água. Portanto, numa perspectiva libertadora-ecológica, uma possível Teologia das Águas Amazônicas deve pretender ir muito além de uma postura e de um apelo meramente preservacionista em relação à natureza. Mesmo não podendo prescindir dessa defesa ambiental, vislumbramos a possibilidade de um mergulho de alma e corpo inteiros nas implicações ontológicas dessa vivência simbiótica, abrindo outras possibilidades promissoras de uma Teologia de reencanto e reencontro entre o ser humano e a natureza. Dessa forma, a proposta de uma Teologia das Águas Amazônicas, de cunho inerentemente libertador e ecológico, deve ter como ênfases norteadoras, entre outras possíveis, alguns pressupostos essenciais:

Reconhecimento do lugar vital da água não apenas para a sobrevivência humana, mas também para seu autorreconhecimento, enquanto parte de um projeto criador no qual há propósito e amor. Reconhecimento da culturalidade das águas como elemento decisivo para um convívio amigável e parceiro, numa nova dimensão na relação entre o ser humano e a natureza. Percepção da extraordinária capacidade de autorregulação e autorregeneração do mundo das águas amazônico, como sistema aberto a novas possibilidades de convívio simbiótico. Reconhecimento da convergência entre as percepções da nova ciência multidisciplinar holística, e o ethos cultural original amazônico, naquilo que possui de intimo entrelaçamento com a natureza-água, e o ser humano como partícipe dela, tendo-a como parte de si próprio.

Notas:

1. O pré-milenismo defende que a segunda vinda de Cristo se dará antes da inauguração do reino que durará mil anos (o milênio). Então, inaugura-se um novo milênio de paz, quando Ele estará na terra reinando. Os pré-milenistas ensinam que, na segunda vinda de Cristo, os santos que estiverem vivos e os que estiverem mortos receberão corpos glorificados e imortais. Eles encontrarão Cristo nos ares e retornarão para governar com ele a terra por mil anos. Esse período anos será de paz e justiça mundial. No final desses mil anos, Satanás será solto de sua prisão e reunirá um exército de incrédulos. Haverá um período de perturbação, com uma grande batalha (a do Armagedon). Cristo, então, ressuscitará todos os incrédulos que tiverem morrido ao longo da história, e estes comparecerão diante dele para o julgamento final.

2. Fritjof Capra nasceu em 1939 e é um físico austríaco, cientista, ambientalista, educador e ativista. Ganhou fama internacional após lançar “O tao da física” (Cultrix, 2000), no qual discorre sobre os paralelos entre a física quântica e o misticismo oriental. Também é de sua autoria “O ponto de mutação” (Cultrix, 1982), que já está em sua 25º edição, em que explora as mudanças no paradigma social que acompanham as descobertas científicas. Atualmente, vive em Berkeley, na Califórnia. Fundou o Center for Ecoliteracy, uma instituição que forma profissionais para ensinar ecologia nas escolas. É professor do Schumacher College, um centro de estudos ecológicos na Inglaterra. Em português, foram publicados, entre outros, os livros: “A teia da vida” (Cultrix, 1997), “Alfabetização ecológica” (Cultrix, 2003) e “A ciência de Leonardo Da Vinci” (Cultrix, 2008).

Fonte: IHU – 19/01/2009

Podres poderes: da semântica à hermenêutica

Software israelense manobra opiniões na internet

Uma arma… se destacou pela eficiência… continuará sendo usada mesmo após o cessar-fogo [em Gaza]… nos bastidores da internet, modificando resultados de enquetes on-line, entupindo caixas de e-mails… e ajudando a protestar contra notícias desfavoráveis à comunidade israelense. O nome da ferramenta é Megaphone, um software… O programa serve para mobilizar internautas pelo mundo dispostos a manobrar… opiniões na rede… O internauta disposto a fazer parte do arrastão cibernético [sublinhado meu] precisa baixar um programa… Instalada a plataforma, aparecem no computador alertas em tempo real sobre notícias, enquetes, artigos, vídeos ou blogs que estejam com visões “a favor ou contra” a comunidade… O internauta é convidado, a partir daí, a “agir por Israel” – enchendo os alvos de críticas, elogios ou votos… Esse tipo de estratégia, que recebeu o apoio do Ministério das Relações Exteriores de Israel… O que se destaca neste caso, no entanto, é o modo de atuação do programa, que institucionaliza a manipulação de informação de forma coordenada e colaborativa [sublinhado meu].

Fonte: Diógenes Muniz, editor de Informática da Folha Online – 19/01/2009 – 12h06

Manipular: do francês manipuler (1765) ‘manejar uma substância ou um instrumento para fins científicos ou técnicos’, (1842) ‘exercer influência sobre alguém’; cf. latim medieval manipulo, as, ávi, átum, áre ‘conduzir pela mão’ (Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa – Versão 1.0 – Dezembro de 2001, verbete manipular).

Resenhas na RBL – 15.01.2009

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

James W. Aageson
Paul, the Pastoral Epistles, and the Early Church
Reviewed by David J. Downs

Reinhard Achenbach, Martin Arneth, and Eckart Otto
Tora in der Hebräischen Bibel: Studien zur Redaktionsgeschichte und synchronen Logik diachroner Transformationen
Reviewed by Kent Reynolds

Bruce Chilton, ed.
The Cambridge Companion to the Bible
Reviewed by Douglas Estes

Naomi G. Cohen
Philo’s Scriptures: Citations from the Prophets and Writings: Evidence for a Haftarah Cycle in Second Temple Judaism
Reviewed by Torrey Seland

James D. G. Dunn
The New Perspective on Paul
Reviewed by J. R. Daniel Kirk

Paul Rhodes Eddy and Gregory A. Boyd
The Jesus Legend: A Case for the Historical Reliability of the Synoptic Jesus Tradition
Reviewed by Ken Olson

Robert C. Hill, translation with introduction and commentary; Greek text revised by John F. Petruccione
Theodoret of Cyrus: The Questions of the Octateuch, Volume 1: On Genesis and Exodus
Reviewed by Randall L. McKinion

Robert C. Hill, translation with introduction and commentary; Greek text revised by John F. Petruccione
Theodoret of Cyrus: The Questions on the Octateuch, Volume 2: On Levitcus, Numbers, Deuteronomy, Joshua, Judges, and Ruth
Reviewed by Randall L. Mckinion

Tryggve N. D. Mettinger
The Eden Narrative: A Literary and Religio-historical Study of Genesis 2-3
Reviewed by Howard N. Wallace

Jerome Murphy-O’Connor
St. Paul’s Ephesus: Texts and Archaeology
Reviewed by Jonathan L. Reed

Kuo-Wei Peng
Hate the Evil, Hold Fast to the Good: Structuring Romans 12.1-15.1
Reviewed by Carl N. Toney

Emerson B. Powery, Brian K. Blount, Cain Hope Felder, and Clarice J. Martin, eds.
True to Our Native Land: An African American New Testament Commentary
Reviewed by Gosnell Yorke

Ulrich Schmidt
“Nicht vergeblich empfangen”! Eine Untersuchung zum Zweiten Korintherbrief als Beitrag zur Frage nach der paulinischen Einschätzung des Handelns
Reviewed by Günter Röhser

Leonard J. Swidler
Jesus Was a Feminist: What the Gospels Reveal about His Revolutionary Perspective
Reviewed by Eve-Marie Becker
Reviewed by Kathleen E. Corley

Anthony C. Thiselton
Hermeneutics of Doctrine
Reviewed by Dirk J. Smit

Teocracias

Intelectuais criticam desobediência de Israel às leis internacionais

O permanente desrespeito ao Direito Internacional e ao Direito Internacional Humanitário por Israel em relação aos territórios e à população palestina esteve no centro do debate promovido nesta terça-feira (13) pela Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos no Memorial da América Latina.

A conferência contou com a presença de intelectuais e políticos que expressaram o desejo da sociedade civil brasileira em assistir ao fim imediato dos ataques sobre a Faixa de Gaza. Outro objetivo do encontro foi instar o Itamaraty a posicionar-se de maneira contundente em favor de uma solução definitiva para a disputa. Mais de 900 palestinos já morreram vítimas da ofensiva israelense iniciada no dia 27 de dezembro. O número de feridos gira em torno de 4 mil.

“Julgamos urgente e imperativo o cessar-fogo imediato, a suspensão dos bombardeios e dos ataques por terra a Gaza e a proibição do lançamento de foguetes do Hamas sobre território israelense”, diz o documento conjunto assinado pela Comissão. “Deve ainda haver a retirada completa das tropas de Israel, a reabertura dos pontos de acesso para a entrada da ajuda humanitária e a pronta retomada do diálogo pacífico.”

Nesta segunda-feira (12) o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou por 33 votos a favor e um contra – proferido pelo Canadá – uma resolução em que “condena fortemente” as operações militares israelenses por empreenderem “violações massivas” dos direitos humanos e destruírem “sistematicamente” a infraestrutura palestina. Coreia do Sul, Japão e mais 11 países europeus se abstiveram da votação.

“Ficamos decepcionados pela resolução não ter sido aprovada por consenso”, diz Sílvio Albuquerque, chefe da divisão de Temas Sociais do Itamaraty. O diplomata demonstra preocupação com a aplicação dos pontos aprovados pelas Nações Unidas, uma vez que Israel desqualificou as novas exigências do Conselho de Direitos Humanos da mesma maneira que fez com as anteriores. Na semana passada o governo israelense desconsiderou o pedido de cessar-fogo enviado pelo Conselho de Segurança.

“O périplo do ministro Celso Amorim pelo Oriente Médio faz parte de um esforço diplomático para a realização de uma convenção pela paz com a participação de países que extrapolem o quarteto Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia”. Albuquerque acredita que as negociações realizadas apenas com as principais potências mundiais até agora não conseguiram promover avanços permanentes na questão palestina.

Impunidade
O jurista Fábio Konder Comparato acredita que Israel comete crimes contra a humanidade em Gaza e que se beneficia do fato de não estar vinculado ao Tribunal Penal Internacional. “Isso não pode ser admitido. Gostaria que o Brasil apresentasse uma proposta ao Tribunal para que os Estados que não fazem parte do estatuto possam ser alvo de um inquérito criminal preliminar que apure suas responsabilidades”, explica o jurista.

Caso o governo israelense siga descumprindo a legislação humanitária e as exigências da ONU, Comparato acredita que a comunidade internacional deve agir da mesma maneira como procedeu com o regime do apartheid na África do Sul. “Uma medida que nos resta é o boicote econômico. E isso diz respeito diretamente ao Brasil, uma vez que Israel é parceiro preferencial do Mercosul.”

O deputado federal Fernando Gabeira, membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, acredita que o governo brasileiro deve ouvir tanto os parlamentares como a sociedade civil no momento de posicionar-se sobre os ataques israelenses. “Como deputado, quero ajudar na evacuação de brasileiros residentes em Gaza, além de estimular a continuidade da ajuda humanitária que o Brasil tem enviado à Palestina e intervir da melhor maneira possível nas longas negociações de paz que virão.”

Gabeira lembra que o mundo deve estar atento ao surgimento de um novo ator político internacional no dia 20 de janeiro: Barack Obama, que assume a presidência dos Estados Unidos dizendo-se “preocupado” com a morte de civis no conflito.

Paulo Sérgio Pinheiro, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, concorda com a avaliação e acredita que “não haverá nenhuma mudança relevante na postura israelense antes da posse de Obama”.

Teocracias
A filósofa Marilena Chauí analisa que o mundo assiste no Oriente Médio à perda do referencial republicano, laico e democrático na política. “Existe uma forte concepção teológica em ambas as partes envolvidas na questão palestina.”

Segundo a professora da USP, quando a política é vista como extensão de uma divindade, não há nada que os homens possam fazer senão matar e morrer em seu nome. “A disputa para saber quem é o verdadeiro eleito por deus para ocupar a Palestina é uma ideia que justifica razões militares, econômicas e sociais”, analisa.

Marilena Chauí cita o pensador judeu Baruch de Espinoza – excomungado em 1656 devido a seus escritos sobre deus – para dizer que a paz não é a ausência de guerra, mas a virtude política por excelência. “Toda paz unilateral é na verdade a imposição da vontade do vencedor sobre o vencido.”

Chauí acredita que a ideia mesma de “território ocupado” e de “refugiados” tem que desaparecer porque não pode haver paz entre ocupante e ocupado. “Nosso programa mínimo tem que ser a constituição de dois estados na Palestina.”

Fonte: Tadeu Breda – Carta Maior – 13/01/2009

Atirando nos mortos: Israel bombardeia cemitério

Israel atinge cemitério em Gaza; palestinos lutam por funerais
Um jato israelense bombardeou nesta quarta-feira o lotado cemitério Xeque Radwan, que fica na Cidade de Gaza, na faixa de Gaza, complicando ainda mais a situação dos palestinos, que lutam para enterrar os seus mortos (…) Há alguns dias, os principais cemitérios de Gaza chegaram a ser fechados devido ao excesso de funerais. Eles agora reabriram, e as famílias se esforçam para encaixar os novos mortos. Uma foi obrigada a enterrar o filho sobre o avô. Três primos jovens foram colocados na cova de uma tia morta há anos. Um homem foi sepultado com o irmão. “Toda Gaza é um cemitério”, afirmou o coveiro Salman Omar nesta terça-feira (13) à agência de notícias Associated Press…

Ah, sim, claro… foi por engano. Mais uma vez!

Fonte: Folha Online: 14/01/2009 – 14h00

Qual é o verdadeiro objetivo de Israel em Gaza?

Para Boaventura de Sousa Santos, em artigo na Carta Maior, Réquiem por Israel? de 12/01/2009, o verdadeiro objetivo de Israel, a solução final, é o extermínio do povo palestino.

No início do artigo ele diz:
Está ocorrendo na Palestina o mais recente e brutal massacre do povo palestino cometido pelas forças ocupantes de Israel com a cumplicidade do Ocidente, uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia e manipulação grotesca da informação, que trivializa o horror e o sofrimento injusto e transforma ocupantes em ocupados, agressores em vítimas, provocação ofensiva em legítima defesa.

E acrescenta:
As razões próximas, apesar de omitidas pelos meios de comunicação ocidentais, são conhecidas. Em novembro passado a aviação israelense bombardeou a faixa de Gaza…

Para continuar:
É preciso recuar no tempo (…) Basta recuar sessenta anos, à data da criação do Estado de Israel. Nas condições em que foi criado e depois apoiado pelo Ocidente, o Estado de Israel é o mais recente (certamente não o último) ato colonial da Europa…

E pouco depois explica:
Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada (daí, que a seguir a cada tratado de paz se tenha de seguir um ato de violação que a desminta); para consolidar a ocupação, o povo judeu tem de se afirmar como um povo superior condenado a viver rodeado de povos racialmente inferiores, mesmo que isso contradiga a evidência de que árabes e judeus são todos povos semitas; com raças inferiores só é possível um relacionamento de tipo colonial, pelo que a solução dos dois Estados é impensável; em vez dela, a solução é a do apartheid, tanto na região, como no interior de Israel (daí, os colonatos e o tratamento dos árabes israelenses como cidadãos de segunda classe); a guerra é infinita e a solução final poderá implicar o extermínio de uma das partes, certamente a mais fraca. O que se passou nos últimos sessenta anos confirma tudo isto mas vai muito para além disto. Nas duas últimas décadas, Israel procurou, com êxito, sequestrar a política norte-americana na região, servindo-se para isso do lobby judaico, dos neoconservadores e, como sempre, da corrupção dos líderes políticos árabes, reféns do petróleo e da ajuda financeira norte-americana. A guerra do Iraque foi uma antecipação de Gaza: a lógica é a mesma, as operações são as mesmas, a desproporção da violência é a mesma; até as imagens são as mesmas, sendo também de prever que o resultado seja o mesmo. E não se foi mais longe porque Bush, entretanto, se debilitou. Não pediram os israelenses autorização aos EUA para bombardear as instalações nucleares do Irã?

Para concluir:
É hoje evidente que o verdadeiro objetivo de Israel, a solução final, é o extermínio do povo palestino. Terão os israelenses a noção de que a shoah com que o seu vice-ministro da defesa ameaçou os palestinos poderá vir a vitimá-los também? Não temerão que muitos dos que defenderam a criação do Estado de Israel hoje se perguntem se nestas condições – e repito, nestas condições – o Estado de Israel tem direito de existir?

Anoto aqui uma notícia, de outra fonte, só para documentar, tantos são os atos deste tipo nestes dias em Gaza.

Da página da CNBB, em Notícias – 13/01/2009 10:35:07: Clínica da Cáritas Internacional é bombardeada em Gaza
Um ataque israelense destruiu completamente a clínica da Cáritas que prestava serviços humanitários na Faixa de Gaza. A ofensiva ocorreu no fim da última semana e aniquilou também quatro habitações e outras 20 ficaram gravemente danificadas…

Se todo o horror da guerra fosse mostrado…

Eles [os israelenses] estão fazendo coisas terríveis lá. Uma enorme máquina militar num pequeno espaço confinado contra inimigos com armas leves misturados a uma população civil sem lugar para fugir ou encontrar abrigo. Os israelenses sabiam desde o começo que se todo o horror da guerra fosse mostrado em horário nobre, especialmente nos EUA, eles teriam perdido sua causa (Phillip Knightley, em entrevista a Pedro Dias Leite, da Folha de São Paulo, em Londres)

Fonte: Folha Online: 11/01/2009 – 08h05: “Israel tem mais porta-vozes que os EUA”, afirma autor britânico

Phillip Knightley: correspondente de guerra do “Sunday Times” por 20 anos e autor de livro clássico sobre o tema, The First Casualty: The War Correspondent as Hero and Myth-Maker from the Crimea to Iraq [A Primeira Vítima: O Correspondente de Guerra como Herói e Construtor de Mitos, da Criméia ao Iraque]. 3. ed. Baltimore, MD: The Johns Hopkins University Press, 2004, 608 p. – ISBN 9780801880308.

Leia Mais:
Jornais sobem tom de crítica a ação israelense – da Folha de S. Paulo, em Londres, Nova York e Paris: Folha Online: 11/01/2009 – 08h08
Em duas semanas de conflito, a operação militar israelense na faixa de Gaza assistiu a uma rápida queda de popularidade na imprensa internacional, especialmente depois do ataque, na terça-feira, a uma escola da ONU, onde morreram 43 pessoas.

A carnificina em Gaza e o Vaticano

No rastro de João XXIII, Paulo VI e João Paulo II, o Papa destoa em relação a Gaza – IHU On-Line: 11/01/2009

O Vaticano se recusa a alinhar-se com quem define os bombardeios em Gaza simplesmente como uma resposta contra os foguetes do Hamas (…) Bento XVI destaca a “violência inaudita” da expedição punitiva de Israel e pede uma mudança da classe dirigente e da linha política aos palestinos e israelenses…

 

Il Papa fuori dal coro – Marco Politi: La Repubblica – 10 gennaio 2009

Esce fuori dal coro il Vaticano, rifiutando di allinearsi a chi semplicisticamente etichetta i bombardamenti su Gaza come risposta difensiva contro i razzi di Hamas.Esce fuori dal coro Benedetto XVI sottolineando la «violenza inaudita» della spedizione punitiva di Israele e chiedendo un mutamento di classe dirigente e di linea politica a palestinesi e israeliani. E c’ è un motivo. In Terrasanta il Vaticano non è uno stato esterno, che da lontano si schiera in un modo o un altro. In Terrasanta la Chiesa cattolica ha i suoi terminali dall’ interno della società: preti, suore, missionari e soprattutto abitanti, giovani, anziani, madri e padri che vivono la vita quotidiana. Non saranno tanti i palestinesi cristiani, ma sono figli di quella terra e conoscono i giorni buoni e quelli amari. Dunque il Papa sa ciò che avviene e non funzionano le frasi di chi accusa il Vaticano di non essere bene informato. E allo stesso tempo gli esponenti della Chiesa cattolica, dal pontefice in giù, sono per natura e formazione profondamente avversi al terrorismo, aborrono bombe e attentati, temono la violenza politica e più ancora quella travestita con panni religiosi. E quindi immaginarli sbilanciati verso la parte dei «terroristi» non è credibile. In realtà Joseph Ratzinger, proprio perché rifiuta il fondamentalismo violento e specie perché teologicamente si sente vicinissimo all’ ebraismo – appena eletto la sua prima lettera papale la mandò alla comunità ebraica di Roma – sta affrontando senza ideologismi la nuova grande crisi israelo-palestinese. Con un realismo ed uno sguardo lucido sulla situazione mondiale, ponendosi nel solco dei suoi predecessori Giovanni XXIII, Paolo VI e Giovanni Paolo II. Papa Wojtyla aveva ammonito contro la follia dell’ invasione dell’ Iraq, quando molti in Occidente si ubriacavano all’ idea di una crociata contro Saddam “novello Hitler”. La storia gli ha dato totalmente ragione. Oggi Benedetto XVI indica il pericolo di un’ avventura militare che precipiti verso un punto di non ritorno e realisticamente invita a costruire una exit strategy, che garantisca sul serio l’ esistenza pacifica di Israele accanto a quello stato di Palestina, che non è più rinviabile. In queste settimane dalle pagine dell’ Osservatore Romano, dell’ Avvenire, dal bollettino dei vescovi Sir emerge la mappa dei problemi e anche l’ indicazione di qualche risposta. Chi comanderà a Gaza, si è chiesto il quotidiano della Santa Sede, quand’ anche l’ esercito israeliano riuscisse a piegare Hamas? E’ pensabile una nuova occupazione oppure è immaginabile un’ “amministrazione fantoccio”? Non si rischia alla fine un rafforzamento di Hamas? Perciò, quando da San Pietro viene il monito che il ricorso alle armi non porta a nulla, non è una bella predica dal pulpito, ma l’ invito a ricordare che solo dalla politica può venire una via d’ uscita. «La violenza dell’ attacco israeliano nella striscia di Gaza è stata inaudita», si poteva leggere a fine anno in una nota del Sir. E i morti non avevano ancora superato quota settecento. «Ma la pace non si fonda sul taglione», proseguiva la nota. Se il governo israeliano vuole la pace, «dimostri di cercarla con un dialogo regionale e con gesti inequivocabili come l’ interruzione del Muro». E’ un tema, quello della latitanza dell’ iniziativa negoziale autentica, che l’ Avvenire ha sollevato ripetutamente. E una riposta è venuta da un’ analisi pubblicata sull’ Osservatore. L’ idea di una sicurezza d’ Israele affidata solo alla supremazia militare – si è potuto leggere sulla prima pagina del giornale del Papa – non porta da nessuna parte: «La sola idea di sicurezza possibile deve passare attraverso il dialogo con tutti, persino con chi non lo riconosce». Se qualcuno finge indignazione, in Vaticano ricordano che recentemente proprio qui a Roma il generale americano David Petraeus, comandante generale per l’ Iraq e l’ Afghanistan, ha spiegato che a volte «capita di doversi sedere allo stesso tavolo con chi ha le mani sporche del tuo sangue. Bisogna farlo». Davvero tutto Hamas è così monolitico nella sua linea e impermeabile ad un negoziato serio? I monsignori di Curia, rammentando com’ era partito Arafat e dove poi è approdato, ne dubitano. Perciò voltare radicalmente pagina in Terrasanta è per il Papa e la sua Curia segno di realismo e non di utopia. Trasformare in ulcera la piaga di Gaza non aiuta né a sostenere Israele né favorisce la pace. Il direttore dell’ Osservatore ribadisce oggi che il Vaticano «è e rimane amico di Israele». Lo pensa soprattutto papa Ratzinger e per questo vuole che una nuova politica arrivi anche ad abbattere il Muro nella terra di Cristo.