História de Israel I 2022

Este curso de História de Israel I compreende 2 horas semanais, com duração de um semestre, o primeiro dos oito semestres do curso de Teologia. Os alunos recebem os roteiros de todas as minhas disciplinas do ano em curso nos formatos pdf e html. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Noções de geografia do Antigo Oriente Médio. As origens de Israel: as principais tentativas de explicação. A monarquia tributária israelita: os governos de Saul, Davi, Salomão, o reino de Judá e o reino de Israel.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica veterotestamentária produzida no período.

III. Conteúdo Programático
1. Noções de geografia do Antigo Oriente Médio

2. As origens de Israel

3. A monarquia tributária israelita

3.1. Os governos de Saul, Davi e Salomão

3.2. O reino de Israel

3.3. O reino de Judá

IV. Bibliografia
Básica
FINKELSTEIN, I. ; SILBERMAN, N. A. A Bíblia desenterrada: a nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados. Petrópolis: Vozes, 2018.

LIVERANI, M. Para além da Bíblia: história antiga de Israel. São Paulo: Loyola/Paulus, 2008.

MAZZINGHI, L. História de Israel das origens ao período romano. Petrópolis: Vozes, 2017.

Complementar
DA SILVA, A. J. História de Israel. Disponível na Ayrton’s Biblical Page. Última atualização: 10.01.2022.

DONNER, H. História de Israel e dos povos vizinhos. 2v. 7. ed. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2017.

FINKELSTEIN, I. O reino esquecido: arqueologia e história de Israel Norte. São Paulo: Paulus, 2015.

GOTTWALD, N. K. As tribos de Iahweh: uma sociologia da religião de Israel liberto, 1250-1050 a.C. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004.

KAEFER, J. A. A Bíblia, a arqueologia e a história de Israel e Judá. São Paulo: Paulus, 2015 [2. reimpressão: 2021].

Livro de Finkelstein sobre Esdras, Neemias e Crônicas em português

FINKELSTEIN, I. Realidades asmoneias subjacentes aos livros de Esdras, Neemias e Crônicas: Perspectivas arqueológicas e históricas. São Paulo: Paulinas, 2021, 272 p. – ISBN 9786558080626.

Os períodos persa e helenista encontram-se no centro dos debates atuais em torno da datação dos textos bíblicos. Nesta coleção de estudos, Israel Finkelstein esboça umFINKELSTEIN, I. Realidades asmoneias subjacentes aos livros de Esdras, Neemias e Crônicas: Perspectivas arqueológicas e históricas. São Paulo: Paulinas, 2021 argumento inteiramente apoiado em dados arqueológicos para uma data mais tardia do que a tradicionalmente defendida para partes dos livros de Esdras, Neemias e Crônicas. Finkelstein trata de tópicos chaves tais como a lista dos repatriados, a construção da muralha de Jerusalém, os adversários de Neemias, as genealogias tribais e a expansão territorial de Judá no Segundo Livro das Crônicas. Ele postula que as realidades geográficas e históricas ocultas por trás de pelo menos partes desses livros ajustam-se ao período asmoneu no final do século II a.C. Seis ensaios publicados anteriormente são complementados por mapas, material arqueológico atualizado e referências a recentes publicações em torno dos tópicos em questão.

Livro em formato digital apenas. Leia trechos no Google Livros. Sobre o original, em inglês, publicado em 2018, veja uma apresentação aqui.

Apresentação à edição brasileira – Por José Ademar Kaefer

Durante uma conferência em São Paulo em 2019, Israel Finkelstein disse o seguinte: “Quando vejo a comunidade acadêmica sentada tranquilamente, como sapos em uma lagoa a coaxar harmoniosamente, concluo que alguma coisa está errada. Vou, então, e jogo uma pedra na água e causo um alvoroço geral”. É isso literalmente o que este livro faz.

Israel Finkelstein é um arqueólogo de larga e bem-sucedida experiência. Apesar de coordenar escavações em diversos sítios e em diferentes regiões, tem como base de suas pesquisas o Tel Megiddo. Finkelstein faz arqueologia crítica, não no sentido de desfazer o que outros concluíram ou de chamar a atenção sobre si, mas de perguntar a razão das coisas e se elas realmente são o que aparentam ser. Também é um pesquisador sensível, capaz de mudar de opinião diante das evidências. Seu histórico não está preso a instituições ou ideias. Seu profundo conhecimento da arqueologia e seu acesso ao material arqueológico dos diferentes sítios possibilitam-lhe uma leitura diferenciada também dos textos bíblicos, campo ao qual tem-se dedicado mais amplamente nos últimos anos.

(…)

A falta de evidências arqueológicas dos períodos persa e helenista antigo/primitivo

Como é sabido, costuma-se situar muita produção bíblica no chamado período do domínio persa (538-332 a.C.). No entanto, temos pouca, ou quase nenhuma informação de Judá desse período. Na Bíblia, os únicos livros que tratam explicitamente do contexto persa são os livros de Esdras e Neemias. Contudo, as informações históricas em ambos os livros são confusas e contraditórias, por isso sua consistência é questionável. Também não temos evidências arqueológicas, extrabíblicas, desse período, tais como monumentos, artefatos, escritos etc., praticamente nada. A pequena exceção são os papiros de Elefantina. Por isso, afirma Finkelstein, a comunidade acadêmica corre um sério risco de não sair de uma argumentação circular.

Também não há comprovação de atividade literária desse período em Judá. Existem evidências de atividade literária do final da monarquia (século VII a.C.), como mostram as análises feitas nos óstraca de Arad, onde se comprovou a existência de cinco a seis mãos diferentes na grafia. Depois a escrita desaparece e só volta a aparecer no período helenista tardio, século II a.C., durante o reinado asmoneu. Ou seja: entre a destruição de Jerusalém (587 a.C.) e o surgimento do estado asmoneu (134 a.C.) não há evidência de atividade literária extrabíblica na Judeia. Isso não pode ser ignorado quando se trata de estudar os textos bíblicos, afirma Finkelstein.

Jerusalém

Outra questão a considerar é o resultado das escavações da antiga Jerusalém, hoje quase toda ela rodeada pela muralha turco-otomana construída por Solimão, o Magnífico (sultão de 1520 a 1566). Acredita-se que a Jerusalém dos períodos persa (538-332 a.C.) e helenista antigo/primitivo (332-134 a.C.) ocupou a mesma área da Jerusalém dos reinados de Davi e Salomão, século X a.C., hoje em dia denominada de “Cidade de Davi”. O curioso é que em ambos os casos não há remanescentes arquitetônicos, nem templo, muralha, palácio ou grandes edifícios. Isso coloca os dois períodos num mesmo plano. Do período persa e helenista antigo/primitivo, somente poucos e pequenos pedaços de cerâmica foram encontrados. O que representa ser uma comprovação de que a Jerusalém desse período existia, mas era muito pobre.

As escavações atuais, como a que está sendo conduzida no Givati Parking Lot, costumam encontrar certa abundância de cerâmica dos períodos bizantino, romano tardio, romano antigo/primitivo e helenista tardio, mas não dos períodos helenista antigo/primitivo e persa. Nas escavações, após o estrato helenista tardio, segue logo o estrato da Idade do Ferro II tardia (século VII a.C.). Os estratos do período helenista antigo/primitivo e persa faltam, não existem. Há um vazio arqueológico. Esta ausência costuma ser atribuída à erosão ou às reconstruções da cidade por séculos. Mas, diz Finkelstein, pisos e muralhas não podem desaparecer no ar. Se assim fosse, também não se deveria encontrar remanescentes de outros períodos.

A Jehud Parvak do período persa

Outra polêmica levantada por este livro é o tamanho da província de Judá (Jehud Parvak) do período persa. Não sabíamos até há pouco tempo qual era o seu tamanho aproximado. Após um estudo coordenado por Oded Lipschits, da Universidade de Tel Aviv, isso ficou mais claro. Lipschits e sua equipe fizeram um levantamento do número e das localidades onde foram encontrados os selos Jehud Parvak, impressos nas alças dos potes de cerâmica, os quais eram utilizados para a coleta do tributo persa. Isso possibilitou saber até onde ia o território da província de Judá. O que se descobriu foi que 85% dos selos foram encontrados nos arredores de Jerusalém, principalmente em Ramat Rahel, um centro de coleta de tributo que distava 4 km de Jerusalém. E 90%, se incluir Masfa (Tell en-Nasbeh), que dista cerca de 10 km de Jerusalém, na região de Benjamim. Em conclusão: a Judeia do período persa parece que correspondia a um território muito mais reduzido do que se imaginava.

O contexto de Esdras, Neemias e Crônicas

Israel Finkelstein (nascido em 1949)Para o estudo do contexto dos livros de Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas, Finkelstein aborda alguns textos considerados centrais nestes livros, particularmente aqueles que se caracterizam pelo seu conteúdo geográfico. Por exemplo, Ne 3, que trata da reconstrução da muralha de Jerusalém e menciona vários grupos, de diferentes locais, que participaram da construção ou se opuseram a ela. Primeiro, Finkelstein é categórico em afirmar que não existe muralha do período persa. A muralha que alguns afirmam ser do período persa não é arqueologia séria. Tal muralha é seguramente a do período asmoneu, que praticamente segue a mesma linha da muralha destruída pelos babilônios em 587 a.C. A menção ao número de portões e de torres da muralha citado no texto é o mesmo da muralha asmoneia. Outra questão é a referência aos locais, como Betsur e Gabaon/Gibeon, que o texto faz. Segundo Finkelstein, esses locais não tinham assentamento no período persa e helenista antigo/primitivo. Talvez tivessem um pequeno assentamento, mas sem importância. Portanto, para Finkelstein, a realidade descrita em Ne 3 não corresponde de nenhum modo ao período persa, mas ao período asmoneu.

Outro problema é a menção aos inimigos de Neemias (Ne 2,19 e 4,1.7-8). Finkelstein pergunta: Por que a pequena comunidade nascente de Jerusalém conflitaria com Samaria, que fica longe no norte, com Amon, que fica do outro lado do Jordão, com Azoto/Asdode, que fica junto ao mar Mediterrâneo, e com os árabes no sul, todos povos tão distantes de Jerusalém? Para ele, estas são as direções das conquistas asmoneias do segundo século a.C., com João Hircano: norte, leste, oeste e sul.

Nesse mesmo plano se encontra a lista dos repatriados (Esd 2,1-70 e Ne 7,6-72). Os locais mencionados nesses textos, nos quais os repatriados foram assentados, não revelam presença humana nos períodos persa e helenista antigo/primitivo. Revelam presença humana nos períodos da Idade do Ferro II e helenista tardio. Mas não nos períodos persa e helenista antigo/primitivo. Talvez em alguns locais possa ter havido atividade fraca, mas na maioria não houve nenhuma. Ademais, a lista das localidades mencionadas abrange um território muito amplo, de Hebron a Siquém e da Sefelá até a Transjordânia. Essa dimensão não coaduna com a área demarcada pela presença dos selos Jehud, assunto abordado anteriormente. Ou seja: ela não representa o território da província de Judá (Jehud Parvak) do período persa. Por outro lado, ela é correspondente à expansão asmoneia do século II a.C. O interessante é que na lista das cidades conquistadas por Roboão, apresentada pelo cronista (2Cr 11,5-12.23), há um acréscimo em relação a 1Rs 12,21-24;14,21-31, onde ele se inspirou. Curiosamente, este acréscimo são as cidades fortificadas conquistadas pelos asmoneus.

Enfim, Finkelstein não discorda de que haja um núcleo (memória) antigo/primitivo nos livros de Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas. No entanto, para ele, os três livros contêm amplo material do período asmoneu, que retrata a realidade do referido período, e os três têm a mão do cronista.

Tal é o lago de águas agitadas no qual este livro nos lança.

Obs.: as três notas de rodapé foram omitidas. A grafia hasmoneus, com h, no texto da tradução brasileira, foi, aqui, modificada para asmoneus, sem o h.

Ensaios de historiografia bíblica: novo livro de Israel Finkelstein

FINKELSTEIN, I. Essays on Biblical Historiography: From Jeroboam II to John Hyrcanus I. Tübingen: Mohr Siebeck, 2022, IX + 592 p. – ISBN 9783161608537.

Este volume é uma coleção de artigos e novos ensaios de Israel Finkelstein que oferece um roteiro para reconstruir a evolução da historiografia bíblica ao longo de 700FINKELSTEIN, I. Essays on Biblical Historiography: From Jeroboam II to John Hyrcanus I. Tübingen: Mohr Siebeck, 2022 anos, começando com Israel no início do século VIII a.C. e terminando nos dias dos Macabeus no final do século II a.C. O livro tem 30 capítulos, a maioria dos quais publicados na forma de artigos, principalmente nos últimos anos. Somente dez deles foram publicados antes de 2015. Sete capítulos tem coautoria e, nesses casos, o nome do coautor aparece sob o título.

Ênfase especial é dada:
. às tradições israelitas do norte que começaram a ser escritas a partir de Jeroboão II
. à chegada dessas tradições em Judá após a conquista de Israel pela Assíria
. à ideologia judaica do século VII a.C.
. às necessidades de legitimidade dos Macabeus nos dias de João Hircano

A análise é baseada nas mais recentes descobertas arqueológicas, na exegese dos textos bíblicos e em registros do antigo Oriente Médio.

Israel Finkelstein diz na Introdução:

Vinte anos atrás, publiquei meu livro (junto com Neil A. Silberman) A Bíblia desenterrada: A nova visão arqueológica do antigo Israel e das origens dos seus textos sagrados, que se concentrava na historiografia bíblica dos dias do rei Josias de Judá.

Desde então, dei dois passos significativos – um para trás e outro para a frente.

Meu passo para trás é que agora vejo o início da historiografia bíblica como um reflexo das realidades e ideologia do Reino do Norte na primeira metade do século VIII a.C. Esta é uma grande mudança na minha percepção cronológica e temática. Cronologicamente, este passo para trás “fecha” a lacuna entre as fases iniciais da história de Israel e Judá e a primeira composição dos textos bíblicos. Tematicamente, ele explica a incorporação de textos do Norte na Bíblia do Sul e lança luz sobre o surgimento de conceitos centrais no texto, como a Conquista de Canaã e a Monarquia Unida.

No passo à frente, refiro-me ao meu interesse pela historiografia bíblica mais recente – os livros de Esdras, Neemias e Crônicas. Diferente da maioria dos estudos atuais, que datam sua composição nos períodos persa e/ou helenístico inicial, sugiro que eles sejam entendidos como uma representação da ideologia territorial dos Macabeus no final do século II a.C.

O leitor deve notar que, devido à minha ênfase nas primeiras composições israelitas do norte e no período dos Macabeus, a fase mais importante da historiografia bíblica – Judá do final do século VII a.C. – está um tanto sub-representada. Isso pode ser remediado com uma releitura de A Bíblia desenterrada.

 

Israel Finkelstein (nascido em 1949)This volume is a collection of articles and new essays by Israel Finkelstein that offers an outline for reconstructing the evolution of biblical historiography over 700 years, starting with Israel in the early eighth century BCE and ending with the days of the Hasmoneans in the late second century BCE. Special emphasis is given to North Israelite traditions which were committed to writing in the days of Jeroboam II; to the arrival of these traditions in Judah after the takeover of Israel by Assyria; to Judahite ideology of the seventh century BCE; and to the legitimacy needs of the Hasmoneans in the days of John Hyrcanus. The analysis is based on the most recent archaeological discoveries, biblical exegesis and ancient Near Eastern records. The book consists of 30 chapters, most of which were published as articles, mainly in recent years (only three were published before 2010, only seven before 2015). Seven of these chapters were co-authored and in these cases the name of the co-author appears under the title.

From the Introduction:

Twenty years ago, I published my book (together with Neil A. Silberman) The Bible Unearthed: Archaeologyʼs New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts, which focused on biblical historiography in the days of King Josiah of Judah. Since then, I have taken two significant steps – one backward and one forward. My step backward is that I now see the beginning of biblical historiography as reflecting the realities and ideology of the Northern Kingdom in the first half of the 8th century BCE. This is a major change in my perception both chronologically and thematically. Chronologically, it “closes” the gap between early phases in the history of Israel and Judah and the first composition of biblical texts. Thematically, it explains the incorporation of Northern texts in the Southern Bible and sheds light on the emergence of central concepts in the text, such as the Conquest of Canaan and the United Monarchy. In the step forward I refer to my interest in late biblical historiography – the Books of Ezra, Nehemiah and Chronicles. To differ from the conventional wisdom of recent scholarship, which locates their composition in the Persian and/or early Hellenistic periods, I suggest they be understood as representing the territorial ideology of the Hasmoneans in the late 2nd century BCE. The reader should note that because of my emphasis on early North Israelite and Hasmonean compositions, the most important phase in biblical historiography – Judah of the late 7th century – is somewhat under-represented; this can be remedied by reverting to The Bible Unearthed.

Kara Cooney e o poder dos faraós

Os faraós foram indiscutivelmente os melhores de todos os tempos em apresentar um regime autoritário como bom, puro e moral. Essa é a ideia subjacente que precisa ser detonada primeiro, porque ainda acreditamos nela hoje.

Um livro

COONEY, K. The Good Kings: Absolute Power in Ancient Egypt and the Modern World. Washington, D.C.: National Geographic Society, 2021, 400 p. – ISBNCOONEY, K. The Good Kings: Absolute Power in Ancient Egypt and the Modern World. Washington, D.C.: National Geographic Society, 2021 9781426221965.

Uma entrevista

Renomada egiptóloga diz que é hora de parar de romantizar o Egito antigo – UCLA Newsroom – Alison Hewitt: 6 de dezembro de 2021

Em ‘The Good Kings’, Kara Cooney, da UCLA, traça paralelos entre o poder dos faraós e regimes autoritários atuais.

Pirâmides, faraós e deuses egípcios antigos encantaram muitos, mas é hora de pararmos de romantizar as armadilhas do autoritarismo, de acordo com Kara Cooney da UCLA.

Cooney é professora de egiptologia e arqueologia da UCLA e autora de best-sellers (“The Woman Who Would Be King”, 2014, e “When Women Ruled the World,” 2019). Em seu último livro, ela admite que seu fascínio pelo Egito antigo azedou – tanto que agora ela se descreve como uma “egiptóloga em recuperação”. A admiração acrítica dos faraós que continuou até os dias atuais, ela escreve, é um legado dos esforços dos antigos governantes para manipular a forma como eram percebidos e até serviu como uma base narrativa e cultural sustentando o autoritarismo moderno.

“Quantos de nós tivemos obsessões profundas com o mundo antigo – eu simplesmente amo os templos egípcios! Eu adoro a mitologia grega! – isso são realmente sintomas de um vício contínuo ao poder masculino que simplesmente não podemos abandonar? ” Cooney escreve.

“Os bons reis: poder absoluto no antigo Egito e no mundo moderno”, publicado pela National Geographic, traça paralelos diretos entre os governantes de 3.000 anos atrás e os tiranos modernos. Nele, Cooney descreve como os faraós criaram um argumento moral convincente para o poder que continua a enganar as pessoas hoje, e que está diretamente ligado ao atual aumento do autoritarismo.

Cooney explora as armadilhas dos sistemas patriarcais que prejudicam mulheres e homens, e ela argumenta convincentemente que a sociedade está duplicando os padrões históricos que levaram repetidamente a colapsos de poder. Só que desta vez, ela observa, a mudança climática alterou as regras de recuperação.

Cooney é Diretora do Departamento de Línguas e Culturas do Oriente Médio da UCLA. Em uma entrevista para a UCLA Newsroom, ela fala sobre as lições que as narrativas egípcias antigas podem oferecer à luz dos desafios sociais que o mundo enfrenta em 2021.

Leia a entrevista.

Sobre o livro, recomendo aguardarmos uma resenha de um especialista na área. Por outro lado, lendo as resenhas dos leitores na página da Amazon, vejo tanto elogios quanto críticas ferozes. O que é de se esperar, pois lida com um tema político sensível, os regimes autoritários modernos.

Tal empreendimento é cheio de armadilhas. Por isso, o que me interessa mesmo é saber se seu método de aproximação do antigo com o moderno tem consistência. Gostaria de conhecer sua “competência hermenêutica”, saber se a autora conseguiu, no livro, se situar a igual distância tanto da metafísica do sentido (positivismo) quanto da pletora das significações (biscateação).

 

Renowned Egyptologist says it’s time to stop romanticizing ancient Egypt – UCLA Newsroom – Alison Hewitt: December 6, 2021

In ‘The Good Kings,’ UCLA’s Kara Cooney draws parallels between pharaohs and present-day authoritarians

Pyramids, pharaohs and ancient Egyptian gods have entranced many, but it’s time we stopped romanticizing the trappings of authoritarianism, according to UCLA’s Kara Cooney.

Cooney is a UCLA professor of Egyptology and archaeology and already a bestselling author (“The Woman Who Would Be King,” 2014, and “When Women Ruled the World,” 2019). In her latest book, she admits that her fascination with ancient Egypt has soured — so much so that she now describes herself as a “recovering Egyptologist.” The uncritical admiration of the pharaohs that has continued to the present day, she writes, is a legacy of the ancient rulers’ efforts to manipulate how they were perceived, and has even served as a narrative and cultural foundation propping up modern authoritarianism.

“How many of us have had deep obsessions with the ancient world — I just love Egyptian temples! I adore Greek mythology! — that are really symptoms of an ongoing addiction to male power that we just can’t kick?” Cooney writes.

“The Good Kings: Absolute Power in Ancient Egypt and the Modern World,” published by National Geographic, draws direct parallels between the rulers of 3,000 years ago and modern tyrants. In it, Cooney describes how the pharaohs created a compelling moral argument for power that continues to mislead people today, and which is linked directly to the current rise of authoritarianism.

Cooney explores the pitfalls of patriarchal systems that harm women and men alike, and she convincingly argues that society is duplicating the historical patterns that have repeatedly led to power collapses. Only this time, she notes, climate change has altered the rules of recovery.

Cooney is chair of UCLA’s Department of Near Eastern Languages and Cultures. In an interview with UCLA Newsroom, she talks about what lessons ancient Egyptian narratives might offer in light of the societal and social challenges the world faces in 2021.

Why are the pharaohs of ancient Egypt still so relevant thousands of years later?

Pharaohs open themselves up to social justice discussions. The hard thing is that the pharaohs were arguably the best ever at presenting an authoritarian regime as good and pure and moral. That’s the underlying idea that needs to be popped first, because we still buy into it today. Concepts of patriarchal society, extraction of natural resources for profit, exploitation, overwork, misogyny and more all came pouring out of the Egyptian narrative.

We’re still living in those narratives. We may tell ourselves we’re too smart to be fooled, but the idea of modern exceptionalism is a fake-out. We’re still just as prone to the fears of an early death or a lack of prosperity. We’re just as superstitious and god fearing.

All those vulnerabilities make us very, very easy marks for authoritarian regimes if we don’t think critically and understand the tools they are wielding over us.

What do you hope people take away from the book?

I wanted to give readers a playbook, in a sense, for what could come next from a historian’s perspective, and why the patriarchy is not the only way of running a system. The patriarchy is destroying itself. It’s happening. And we need to be there, anti-patriarchically, to rebuild something that better protects us all from the abuses of power.

You write that you see signs that the patriarchy is leading society toward a collapse, repeating a pattern that has occurred throughout history. But you also note that climate change will interrupt the cycle in a big way. What can we learn about what comes next by studying the rise and fall of ancient Egyptian regimes?

The patriarchy rises and falls in cycles, collapsing and rebuilding. But the thing that’s haunting authoritarian regimes now is that the Earth is not allowing that cycle anymore. The Earth is not allowing the ongoing extractive, consumptive, unequal hoarding that defines those regimes, because it’s unsustainable, and that unsustainability is now the undoing of the patriarchy.

We’ve had smaller-scale climate change for thousands of years; think of cities wiped away by deforestation that led to mudslides. The difference now is the scale. Now it’s global. The patriarchy sows the seeds for its own destruction again and again before coming back in a vicious cycle, but the difference this time is global climate change threatens to make this the final cycle.

I’m not a soothsayer, but from my 10,000-year view of history, I see two paths. It could be more patriarchy for another 500 years until the planet is truly dead, and then that’s it; that’s the end of the story. But I think we will flirt with patriarchy and mess with it for another 200-some years, and then we will find our way through to something sustainable and different.

Kara Cooney is Professor of Egyptian Art and Architecture at UCLA and chair of its Department of Near Eastern Languages and Cultures. Her academic work focuses on death preparations, social competition, and gender studies. She appeared as a lead expert in the popular Discovery Channel special The Secrets of Egypt’s Lost Queen and produced and wrote Discovery’s Out of Egypt. The author of When Women Ruled the World (2018) and The Woman Who Would be King (2014), Cooney lives in Los Angeles, CA.

Bar Kokhba e a segunda guerra judaica contra Roma

POWELL, L. Bar Kokhba: The Jew Who Defied Hadrian and Challenged the Might of Rome. Barnsley: Pen & Sword Military, 2021, 336 p. – ISBN 9781783831852.

De um lado, Adriano, o governante cosmopolita do vasto Império Romano, então em seu apogeu, que alguns consideravam divino; do outro, Shim’on, um líder militar POWELL, L. Bar Kokhba: The Jew Who Defied Hadrian and Challenged the Might of Rome. Barnsley: Pen & Sword Military, 2021, 336 p. judeu em um distrito de uma província menor, que alguns acreditavam ser o Messias.

É também a história do choque de duas culturas. De um lado, o conquistador, procurando manter o controle de seu domínio duramente conquistado; do outro, o conquistado, buscando se libertar e estabelecer uma nova nação, Israel.

Durante o conflito que se seguiu – a Segunda Guerra Judaica* – a altamente motivada milícia judaica testou duramente o altamente treinado exército romano profissional. Os rebeldes resistiram ao ataque romano por três anos e meio.

Eles estabeleceram uma nação independente com sua própria administração, governada por Shim’on. O resultado desta disputa foi de grande consequência, tanto para o povo da Judeia quanto para o próprio judaísmo.

Então, quem era esse insurgente Shim’on conhecido hoje como Bar Kokhba? Como Adriano, o imperador romano que construiu a famosa Muralha no norte da Grã-Bretanha, respondeu ao desafiante? E como, em épocas posteriores, esse rebelde com uma causa se tornou um herói para os judeus da diáspora que ansiavam pela fundação de um novo Israel?

Uma resenha do livro pode ser lida aqui. Sobre a revolta de Bar Kokhba e as descobertas arqueológicas sobre esta época, leia aqui, aqui e aqui.

* A revolta de Bar Kokhba foi a segunda ou terceira guerra judaica contra Roma? Há historiadores que se referem a ela como a Segunda Guerra Judaica contra Roma, pois não contam a Guerra de Kitos, uma rebelião de judeus da diáspora contra Roma ocorrida nos anos 115-117 d.C. Já os historiadores que contam a Guerra de Kitos entre as guerras dos judeus contra Roma, a aquela, a de Kitos, chamam de Segunda Guerra Judaica e à de Bar Kokhba chamam de Terceira Guerra Judaica.

 

One was Hadrian, the cosmopolitan ruler of the vast Roman Empire, then at its zenith, who some regarded as divine; the other was Shim’on, a Jewish military leader in a district of a minor province, who some believed to be the ‘King Messiah’. It is also the tale of the clash of two ancient cultures. One was the conqueror, seeking to maintain control of its hard-won dominion; the other was the conquered, seeking to break free and establish a new nation: Israel.

During the ensuing conflict – the ‘Second Jewish War’ – the highly motivated Jewish militia sorely tested the highly trained professional Roman army. The rebels withstood the Roman onslaught for three-and-a-half years (AD 132 – 136). They established an independent nation with its own administration, headed by Shim’on as its president. The outcome of that David and Goliath contest was of great consequence, both for the people of Judaea and for Judaism itself.

So, who was this insurgent Shim’on known today as ‘Bar Kokhba’? How did Hadrian, the Roman emperor who built the famous Wall in northern Britain, respond to the challenger? And how, in later ages, did this rebel with a cause become a hero for the Jews in the Diaspora longing for the foundation of a new Israel in modern times? This book describes the author’s personal journey across three continents to establish the facts.

Lindsay Powell writes for Ancient Warfare magazine and his articles have also appeared in Military Heritage and Strategy and Tactics. He is author of the highly acclaimed Marcus Agrippa: Right-Hand Man of Caesar Augustus; Germanicus: The Magnificent Life and Mysterious Death of Rome’s Most Popular General and Eager for Glory: The Untold Story of Drusus the Elder, Conqueror of Germania, all published by Pen & Sword Books. His appearances include BBC Radio, British Forces Broadcasting Service and History Channel. He divides his time between Austin, Texas and Wokingham, England.

Uma história de Edom

CROWELL, B. L. Edom at the Edge of Empire: A Social and Political History. Atlanta: SBL Press, 2021, 510 p. – ISBN ‎ 9781628373066

O antigo Edom é mais conhecido como o vizinho do sudeste de Judá da Idade do Ferro, e aparece na Bíblia Hebraica como irmão de Israel ou como seu inimigo. EdomCROWELL, B. L. Edom at the Edge of Empire: A Social and Political History. Atlanta: SBL Press, 2021 at the Edge of Empire oferece uma abordagem interdisciplinar para a história do sul do Levante que combina evidências bíblicas, epigráficas e arqueológicas para reconstruir a história de um grupo de tribos nômades e trabalhadores em Wadi Faynan no que se refere à política posterior centrada em torno da cidade de Busayra nas montanhas do sul da Jordânia. Este é o primeiro livro a incorporar as evidências importantes das minas de cobre de Wadi Faynan em um relato abrangente da história de Edom, fornecendo um recurso fundamental para estudantes e estudiosos do Antigo Oriente Médio e da Bíblia Hebraica.

Brad Crowell é Professor de Estudos Religiosos na Departamento de Filosofia e Religião da Universidade Drake, em Des Moines, Iowa, USA.

 

Ancient Edom is best known as the southeastern neighbor of Iron Age Judah that appears in the Hebrew Bible either as Israel’s sibling or its reviled enemy. Edom at the Edge of Empire offers an interdisciplinary approach to southern Levantine history that combines biblical, epigraphic, archaeological, and comparative evidence to reconstruct the history of a collection of nomadic tribes and workers in the Wadi Faynan as it relates to the later polity centered around the city of Busayra in the mountains of southern Jordan. This is the first book to incorporate the important evidence from the Wadi Faynan copper mines into a comprehensive account of Edom’s history, providing a key resource for students and scholars of the ancient Near East and the Hebrew Bible.

Brad Crowell is Professor of Religious Studies in the Department of Philosophy and Religion at Drake University.

Estudos sobre o Antigo Oriente Médio por Mario Liverani

LIVERANI, M. Historiography, Ideology and Politics in the Ancient Near East and Israel. Abingdon: Routledge, 2021, 338 p. – ISBN 9780367742485.LIVERANI, M. Historiography, Ideology and Politics in the Ancient Near East and Israel. Abingdon: Routledge, 2021

Neste volume, Niels Peter Lemche e Emanuel Pfoh apresentam uma antologia de estudos seminais de Mario Liverani, um dos mais importantes estudiosos do Antigo Oriente Médio. Esta coletânea contém 18 ensaios. Ela representa uma importante contribuição para os estudos bíblicos e do Antigo Oriente Médio, expondo as interpretações inovadoras de Liverani em muitos aspectos históricos e ideológicos da sociedade antiga. Os tópicos variam desde as cartas de Amarna e o épico ugarítico até as “origens” de Israel.

In this volume, Niels Peter Lemche and Emanuel Pfoh present an anthology of seminal studies by Mario Liverani, a foremost scholar of the Ancient Near East. This collection contains 18 essays, 11 of which have originally been published in Italian and are now published in English for the first time. It represents an important contribution to Ancient Near Eastern and Biblical Studies, exposing the innovative interpretations of Liverani on many historical and ideological aspects of ancient society. Topics range from the Amarna letters and the Ugaritic epic, to the ‘origins’ of Israel. Historiography, Ideology and Politics in the Ancient Near East and Israel will be an invaluable resource for Ancient Near Eastern and Biblical scholars, as well as graduate and post-graduate students.

O trabalho do escriba na antiguidade

AST, R. et alii (eds.) Observing the Scribe at Work: Scribal Practice in the Ancient World. Leuven: Peeters, 2021, XIV + 346 p. – ISBN 9789042942868.AST, R. et alii (eds.) Observing the Scribe at Work: Scribal Practice in the Ancient World. Leuven: Peeters, 2021

Os escribas são ao mesmo tempo fundamentais e invisíveis na maioria das sociedades anteriores à revolução tipográfica do século XV. Estão presentes em cada manuscrito, mas são, frequentemente, desconhecidos como figuras históricas. Este volume coleciona contribuições sobre o ofício do escriba, em diversas mídias, como papiros, tabuinhas e inscrições. E em várias sociedades antigas, abrangendo desde o antigo Oriente Médio e o Egito dos faraós até o mundo greco-romano e Bizâncio. Essas discussões do papel do escriba nas culturas pré-tipográficas contribuem para uma melhor compreensão de um dos principais impulsionadores dessas culturas, e iluminam o processo de transmissão do conhecimento e das tradições.

Scribes are paradoxically both central and invisible in most societies before the typographic revolution of the 15th century, witnessed by every manuscript, but often elusive as historical figures. The act of writing is a quotidian and vernacular practice as well as a literary one, and must be observed not only in the outputs of literary copyists or reports of their activities, but in the documents of everyday life. This volume collects contributions on scribal practice as it features on diverse media (including papyri, tablets, and inscriptions) in a range of ancient societies, from the Ancient Near East and Dynastic Egypt through the Graeco-Roman world to Byzantium. These discussions of the role and place of scribes and scribal activity in pre-typographic cultures both contribute to a better understanding of one of the key drivers of these cultures, and illuminate the transmission of knowledge and traditions within and between them.

Quer saber mais sobre Alexandre Magno?

Recomendo a leitura de

The best books on Alexander the Great recommended by Hugh Bowden – Five Books

Hugh Bowden, entrevistado por Benedict King no site Five Books, recomenda 5 livros sobre Alexandre Magno.Alexandre Magno (356-323 a.C.)

Diz a apresentação:

Alexandre Magno nunca perdeu uma batalha e fundou um império que se estendia do Mediterrâneo ao subcontinente indiano. Desde os primeiros tempos, os historiadores têm argumentado sobre a natureza de suas realizações e quais foram suas falhas, tanto como homem quanto como líder político. Aqui, Hugh Bowden, professor de história antiga no King’s College de Londres [desde 1989], escolhe cinco livros para ajudá-lo a entender as controvérsias, o homem por trás das lendas e por que as lendas assumiram as formas que assumiram.

Hugh Bowden é autor de livros como Classical Athens and the Delphic Oracle: Divination and Democracy, Mystery Cults in the Ancient World e Alexander the Great: A Very Short Introduction.

Hugh BowdenAliás, recomendo o site Five Books para vários outros temas. Os entrevistados são respeitados especialistas em suas áreas e a leitura de suas entrevistas são muito proveitosas.

Sobre Alexandre Magno, em minha História de Israel, confira aqui e aqui.

E, na sua opinião, qual foi a causa da morte de Alexandre Magno? Vote nesta enquete aqui.

Uma história da cidade de Babilônia

DALLEY, S. The City of Babylon: A History, c. 2000 BC – AD 116. Cambridge: Cambridge University Press, 2021, 396 p. – ISBN 978-1316501771.DALLEY, S. The City of Babylon: A History, c. 2000 BC – AD 116. Cambridge: Cambridge University Press, 2021

A história de dois mil anos de Babilônia mostra sua evolução de uma cidade-estado para o centro de um grande império do mundo antigo. Permaneceu uma cidade real sob os impérios da Assíria, Nabucodonosor, Dario, Alexandre Magno, os selêucidas e os partos. As muralhas da cidade foram declaradas como uma maravilha do mundo, enquanto seu zigurate ganhou fama como a torre de Babel. Os visitantes de Berlim podem admirar, no museu, sua Porta de Ishtar, e a suposta localização dos jardins suspensos é explicada. A adoração de seu deus principal, Marduk, se difundiu amplamente, enquanto seus escribas bem treinados transmitiram obras jurídicas, administrativas e literárias por todo o mundo antigo, algumas das quais são uma referência fundamental para o Antigo Testamento. Sua ciência também lançou as bases para a astronomia grega e árabe por meio de um milênio de observações astronômicas contínuas. Esta narrativa acessível e atualizada é feita por uma reconhecida especialista em Babilônia.

 

Stephanie M. DalleyThe 2000-year story of Babylon sees it moving from a city-state to the centre of a great empire of the ancient world. It remained a centre of kingship under the empires of Assyria, Nebuchadnezzar, Darius, Alexander the Great, the Seleucids and the Parthians. Its city walls were declared to be a Wonder of the World while its ziggurat won fame as the Tower of Babel. Visitors to Berlin can admire its Ishtar Gate, and the supposed location of its elusive Hanging Garden is explained. Worship of its patron god Marduk spread widely while its well-trained scholars communicated legal, administrative and literary works throughout the ancient world, some of which provide a backdrop to Old Testament and Hittite texts. Its science also laid the foundations for Greek and Arab astronomy through a millennium of continuous astronomical observations. This accessible and up-to-date account is by one of the world’s leading authorities.

Stephanie M. Dalley is a Retired Research Fellow in Assyriology, Faculty of Oriental Studies at Oxford. From 1979 to 2007, she taught Akkadian and Sumerian at the Oriental Institute, Oxford University, UK.