Mês da Bíblia 2022 na Vida Pastoral

Vida Pastoral n. 347, setembro-outubro de 2022

Vida Pastoral n. 347, setembro-outubro de 2022Eis um subsídio para aprofundar o estudo do livro de Josué, texto escolhido para o Mês da Bíblia deste ano. Sua meditação nos inspire a voltar o olhar e o coração para o sonho de Deus: terra e vida para todos. No Brasil, os problemas relacionados à terra, no campo e na cidade, clamam aos céus. A multidão de irmãs e irmãos nossos vagando pelas ruas de nossas cidades e nos grotões do país é um grito pela Terra Prometida. A Palavra de Deus ilumine nossa vida e ação para que o Paraíso seja uma realidade desde já, afinal Deus nos criou para a alegria. É nossa missão enxugar as lágrimas e consolar o pranto de tantos (do Editorial).

Artigos

Terra de Deus, terra de irmãos? Entendendo o livro de Josué – Shigeyuki Nakanose e Maria Antônia Marques

Raab, mulher de fé. “Eu sei que o Senhor entregou a vocês esta terra” (Js 2,9) – Aíla Luzia Pinheiro de Andrade

Cerco de Jericó, uma releitura biblico-litúrgica – Danilo César dos Santos Lima

A Boa-Nova do Reino como o Evangelho social de Jesus – Agenor Brighenti

Livro de Josué: live de lançamento

VITÓRIO, J.; LOPES, J. R.; SILVANO, Z. A. (orgs.) Livro de Josué: “Nós serviremos ao Senhor”. São Paulo: Paulinas, 2022, 304 p. – ISBN 9786558081524.

Data: 3 de agosto de 2022, às 19h00Livro de Josué: live de lançamento em 3 de agosto de 2022

Canais de transmissão: Facebook Paulinas Brasil e Paulinas Editora / Youtube Paulinas Brasil

Mediação: Irmã Ivonete Kurten, fsp

Duração da live: em média 1h15

Convidados: Zuleica Silvano, Jean Richard, Airton José da Silva, Carlos André da Cruz Leandro, Jacir de Freitas Faria e Márcia Elói Rodrigues.

Você não pode perder a live de lançamento do “Livro de Josué – Nós serviremos ao Senhor”. O livro, que fala sobre o tema do Mês da Bíblia, é uma excelente ferramenta de leitura e estudo sobre uma importante passagem bíblica.

O primeiro Estado de Israel

MENDONÇA, E. V. S. O primeiro Estado de Israel: redescobertas arqueológicas sobre suas origens. São Paulo: Recriar, 2020, 272 p. – ISBN 9786586242263.MENDONÇA, E. V. S. O primeiro Estado de Israel: redescobertas arqueológicas sobre suas origens. São Paulo: Recriar, 2020

Por muitos séculos se acreditou que Davi e Salomão teriam formado o grande reino de Israel, a Monarquia Unida, com sede em Jerusalém. Porém, as novas pesquisas arqueológicas, históricas e bíblicas têm causado uma reviravolta na história das origens do Estado israelita.

Neste livro, você saberá como estas reviravoltas têm contribuído para uma importante descoberta: os reis de Israel, Omri e Acab, foram os responsáveis pela formação do poderoso primeiro Estado de Israel com sede em Samaria durante o século IX AEC.

Você verá como esta dinastia, apresentada em 1 e 2 Reis de forma extremamente negativa e pejorativa, na verdade foi muito influente e levou o primeiro Estado de Israel ao patamar de uma potência regional, dominando o território de Gilead, reino vizinho de Moab, o sul da Síria e o reino de Judá e, com o reinado de Atalia, filha de Jezabel, em Jerusalém, deu origem à memória da grande Monarquia Unida.

Com prefácios de Israel Finkelstein e José Ademar Kaefer.

Leia uma amostra do livro clicando aqui.

 

Sumário

Dedicatória
Prefácio I – Por Israel Finkelstein
Prefácio II – Por José Ademar Kaefer
Abreviaturas

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – A situação atual da pesquisa sobre Israel Norte
1. Abordagens sobre a dinastia Omrida publicadas até 1980
2. Abordagens sobre os Omridas publicadas entre 1980 e 2000
3. Abordagens sobre a dinastia Omrida publicadas após 2000
Considerações Finais

CAPÍTULO II – O conjunto literário sobre a dinastia Omrida
Introdução: Os Reis Omridas (1Rs 16.23 – 2Rs 11.13)
1. Omri e a Fundação de Samaria (1Rs 16.15 – 28)
2. O Reinado de Acab (1Rs 16.29 – 22.40)
3. O Reinado de Acazias (1Rs 22.52 – 2Rs 1.18)
4. O Reinado de Jorão (2Rs 3.1 – 9.29)
5. Dois Reis em Israel Norte e em Judá com os mesmos Nomes (2Rs 8.16-29)
6. A Revolta de Jeú: o Extermínio da Dinastia Omrida (2Rs 9-10)
7. Atalia: uma Rainha Omrida em Jerusalém (2Rs 11.1-3, 13-16)
8. Os Omridas e o Domínio sobre Judá em 1 e 2 Reis
9. A Dinastia Omrida nos livros das Crônicas (2Cr 18.1 – 23.15)
10. O Domínio da Transjordânia
11. O Território Omrida na Transjordânia no livro de Juízes (Jz 11.12-22)
Considerações Finais

CAPÍTULO III – A fundação de Samaria a partir da arqueologia
Introdução
1. Localização do sítio arqueológico de Sebastia (Samaria)
2. Geografia e Topografia de Samaria e Região
3. História da Pesquisa Arqueológica em Samaria
4. A Capital do Primeiro Estado Israelita
Considerações Finais

CAPÍTULO IV – O território dominado pelos Omridas a partir da arqueologia
Introdução
1. As 7 Principais Características Arquitetônicas das Cidades e Fortalezas Omridas
2. Arquitetura Omrida em Israel Norte
3. Arquitetura Omrida na Transjordânia: As Estelas de Mesha e de Tel Dan
4. Planalto de Gilead
5. Território dominado por Israel Norte
Considerações Finais

CAPÍTULO V – O Primeiro Estado de Israel: monarquia unida do séc. IX AECÉlcio Mendonça
Introdução
1. O Primeiro Estado de Israel Norte e Judá
2. Um Estado Independente
3. Dinastia Omrida: A Monarquia Unida
4. Omri e Acab / Davi e Salomão
Considerações finais

CONSIDERAÇÕES FINAIS
ANEXO I – Arquitetura Omrida
ANEXO II – Fortalezas Omridas
ANEXO III – Marcas de pedreiro
ANEXO IV – Inscrições hebraicas e aramaicas
ANEXO V – Códices Massoréticos

Índice Remissivo
Referências Bibliográficas

Élcio Mendonça: Doutor e Mestre em Ciências da Religião (UMESP). Professor Doutor na Graduação em Teologia da Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) e Professor de Hebraico Bíblico no Curso de Línguas Bíblicas (Fateo-UMESP). Pesquisador do Grupo de Pesquisa Arqueologia do Antigo Oriente Próximo (PPG-Ciências da Religião/UMESP). Concentra suas pesquisas no área da Epigrafia Paleo-Hebraica, no estudo do Pentateuco Samaritano e na História de Israel Norte.

Artigo sobre a leitura sociológica da Bíblia

Acabei de publicar meu artigo sobre a leitura sociológica da Bíblia.

Philip R. Davies, exegeta britânico, ao falar dos métodos usados na leitura da Bíblia nas últimas décadas, sugeriu que a combinação das abordagens literárias e sociológicas apresenta hoje o mais promissor caminho para o avanço dos estudos bíblicos.

É que estas abordagens examinam não somente a literatura e a realidade social de Israel, mas também as forças sociais subjacentes à produção da literatura bíblica, onde se distingue a sociedade que está por trás do texto da sociedade que aparece dentro do texto.

Além disso, sublinhou ainda Philip R. Davies, estas abordagens situam Israel no seu contexto histórico apropriado e questionam preconceitos teológicos que, frequentemente, estorvam os especialistas em exegese bíblica.

Na mesma direção sinalizou o norte-americano Norman K. Gottwald, quando disse que a leitura sociológica fecha a porta “firme e irrevogavelmente, às ilusões idealistas e supernaturalistas que ainda impregnam e enfeitiçam nossa perspectiva religiosa”, quando abordamos um texto bíblico.

É igualmente importante salientar que a leitura sociológica da Bíblia está relacionada especialmente com os métodos histórico-críticos e com a leitura popular.

Na medida em que toda abordagem sociológica de um texto histórico é também uma abordagem histórica, a leitura sociológica tem complementado a leitura histórico-crítica. Especialmente importante é a percepção de que sua colaboração se faz necessária quando a historiografia não se contenta em descrever as ações dos grupos dominantes de determinada sociedade, mas a história quer revelar a atividade total de um povo.

Do mesmo modo, a leitura popular que vem sendo feita entre nós se beneficia das contribuições das ciências sociais. No estudo do contexto em que foram escritos os textos bíblicos, por exemplo, costuma-se olhar os quatro lados da situação enfocada: os lados econômico, social, político e ideológico. Esta é uma atitude sociológica.

Por isto, neste artigo proponho:

. descrever sinteticamente o nascimento da sociologia

. dar exemplos de leituras sociológicas da Bíblia Hebraica

. dar exemplos de leituras sociológicas do Novo Testamento

. citar alguns desafios e dificuldades da leitura sociológica da Bíblia.

O que é a leitura sociológica da Bíblia?

Estou terminando mais um artigo sobre a leitura sociológica da Bíblia.

Um texto mais curto que será publicado pelas Paulinas no começo de 2023 como um capítulo em um livro sobre métodos de leitura da Bíblia.

E um mais longo e detalhado que será publicado, na próxima semana, na minha página.

Desde 1991 venho publicando sobre o assunto.

1. O primeiro texto foi Leitura sociológica da Bíblia. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 32, p. 74-84, 1991. Ainda não está online, mas deverá estar em breve.

2. Depois escrevi, em 2000, um texto bem mais longo que foi publicado como um capítulo chamado “Leitura socioantropológica” em DIAS DA SILVA, C. M. com a colaboração de especialistas, Metodologia de exegese bíblica. 3. ed. São Paulo: Paulinas, [2000] 2009. Este mesmo texto foi publicado em 3 partes em minha página, como:

:. O discurso socioantropológico: origem e desenvolvimento

:. Leitura socioantropológica da Bíblia Hebraica

:. Leitura socioantropológica do Novo Testamento

3. Em 2008 testei o método em Leitura socioantropológica do livro de Rute, artigo que foi publicado em Estudos Bíblicos n. 98, Petrópolis: Vozes, p. 107-120, 2008 e que está disponível também em minha página.

Uma explicação: chamo esta abordagem de “leitura socioantropológica” por utilizar em conjunto a sociologia e a antropologia cultural, ou social.

Foi o norte-americano John H. Elliott quem, em 1990, deu o nome de “social-scientific criticism” ao método, algo como “crítica sociocientífica”.