Como os povos do Antigo Oriente Médio lidavam com a derrota?

Culture of defeat: the submission in written sources and the Archaeological record of the Ancient Near East

Cultura da derrota: a submissão segundo fontes escritas e registros arqueológicos do Antigo Oriente Médio

Seminário da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade de Viena: dias 22 e 23 de outubro de 2017. Na Universidade Hebraica de Jerusalém.

War and conquest figures prominently in all disciplines of ancient Near Eastern studies. They are usually reflected in textual sources as military campaigns and/or narratives of victory, and preserved in the archaeological record most commonly as destruction layers. In general, the successful agent in a conflict, his motivations, strategies and method is often the focus of the analysis.

To date, little attention has been given to the defeated party in conflicts. This can be ascribed both to a bias or ambivalence of both historical and archaeological records, where the response to defeat rarely constitutes the focus of the respective source, as well as to an intrinsically human preference to focus on ‘successful’ events, such as conquest, innovation, growth and expansion, thus reinforcing, or even skewing the historical account towards the successful party. However, the defeated entity often experiences a much more significant, often traumatic, and enduring impact. Different response mechanisms emerge, depending on the magnitude and type of defeat, and the cultural context in which this event is in embedded.

This workshop aims to focus on conflicts from the Late Bronze, the Iron Age Near East up to the Babylonian period, exploring (cultural) responses of defeated parties. Participants are asked to examine major sources of their field of expertise, such as the Biblical narrative, Assyrian administrative records, royal inscriptions and iconographic representations, as well as the archaeological record in light of accounts on conflict, focusing on the responses of the defeated party. This seminar intends shedding new light on the consequences and reactions to defeat and gaining a more nuanced and complete picture of conflicts. It further aims to initiate a more in-depth dialogue between interconnected disciplines, from Archaeology, Assyriology and Bible Studies, which far too often remain isolated.

Veja o livro.

Sargão II, rei da Assíria

Um artigo:

Sargon II, “King of the World”

By Josette Elayi – The Bible and Interpretation – September 2017

He believed he had been endowed by the gods with an exceptional intelligence, superior to that of the previous kings, including the famous Sargon of Akkad himself. He was convinced that his gods approved his policies. He was a king of justice and, therefore, his wars were just. He was a warlord, who personally led numerous military campaigns, but sometimes delegated the command of an expedition to one of his generals, contrary to what is written. It was natural decorum for him to describe the atrocities as normal episodes in battle descriptions. He used intimidation tactics, a kind of “psychological” warfare in the modern sense of the term: for example, to demoralize the inhabitants of the city that he wanted to conquer, he would display decapitated or flayed victims. He was highly effective in terms of military intelligence and strategy in his quest for victory.

O livro:

ELAYI, J. Sargon II, King of Assyria. Atlanta: SBL, 2017, 298 p. – ISBN 9781628371772 [gratuito no projeto ICI da SBL].

ELAYI, J. Sargon II, King of Assyria. Atlanta: SBL Press, 2017, 298 p.

Among the most important questions addressed in the book are the following: what was his precise role in the disappearance of the kingdom of Israel? How did he succeed in enlarging the borders of the Assyrian Empire by several successful campaigns? How did he organize his empire (administration, trade, agriculture, libraries)?

Josette Elayi (1943- )

 

Diz a autora na Introdução de seu livro:

O objetivo deste livro é estudar a história do reinado de Sargão, que foi fértil em eventos em todos os seus aspectos, mas principalmente nos âmbitos político, econômico, social, militar e religioso. Este estudo permitirá compreender o curso de seu reinado em relação ao contexto de sua época e às suas escolhas pessoais.

Até que ponto as relações entre as diferentes áreas e eventos afetaram a tomada de decisões de Sargão? O que ele tentou alcançar e como buscou atingir seus objetivos? De fato, a história do reinado de Sargão coincide com sua história pessoal, pois, além de sua filiação, nada se sabe sobre sua vida antes de sua ascensão ao trono.

Várias questões emergem e, sempre que possível, são respondidas: Ele tinha um plano ou programa claro no início de seu reinado? Ou respondeu a vários desafios em diferentes áreas à medida que surgiam? O que se pode dizer sobre sua evolução durante seu reinado? Como ele conseguiu liderar o Império Assírio no auge de seu poder? Foi consolidando-o e expandindo-o por meio de conquistas sucessivas? O que se pode dizer sobre o próprio Sargão? Quais eram suas qualidades e habilidades? Quais eram suas deficiências? Em que medida e em quais áreas ele foi conservador ou inovador? Em quais questões pode-se dizer que ele teve sucesso ou fracassou?

(…)

O capítulo 1 (“Retrato de Sargão”) busca abarcar o caráter do rei antes de colocá-lo em ação. Através de suas inscrições oficiais e das representações nas paredes de seu palácio, Sargão desejava transmitir uma imagem específica de si mesmo. Após analisar todas as suas conquistas e as realizações de seu reinado, será possível determinar até que ponto essa imagem é verdadeira ou distorcida pela propaganda.

O capítulo 2 (“A ascensão de Sargão ao trono”) explica a base sobre a qual ele conseguiu estabelecer seu império. Sua ascensão ao trono está longe de ser clara, e vários problemas são levantados: Ele escolheu seu próprio nome? Ele era ou não um usurpador? Por que ele teve que enfrentar uma oposição tão maciça?

O capítulo 3 (“Herdeiro do império assírio”) apresenta o estado do Império Assírio quando Sargão o herdou. É importante avaliar sua extensão, bem como as mudanças e inovações realizadas durante seu reinado.

Depois disso, o livro segue uma progressão geográfica; embora os Anais sejam cronológicos, sua cronologia é frequentemente questionável. Além disso, todas as outras inscrições são baseadas em uma ordem geográfica; no entanto, no estudo de cada área (começando do oeste e movendo-se no sentido anti-horário até finalmente chegar ao sul), as etapas cronológicas decisivas de seu reinado foram destacadas: capítulos 4 (“A conquista do ocidente”), 5 (“O noroeste do império”), 6 (“As guerras no norte do império”), 7 (“Neutralização dos Estados orientais”) e 8 (“Problemas recorrentes no sul”).

O objetivo desses capítulos não é analisar itinerários ou estratégia militar, mas principalmente situar as campanhas em um contexto geopolítico. Qual era o objetivo de Sargão em cada campanha? Qual era o potencial econômico e estratégico das diferentes áreas? Como as ações em uma parte do antigo Oriente Médio afetaram o que aconteceu em outros lugares? Como o resultado de cada campanha contribuiu para a construção do império?

O capítulo 9 (“Fim do reinado”) concentra-se nos últimos três anos do reinado de Sargão, com a inauguração do palácio de Khorsabad, numa época em que ele estava no auge de sua glória, poder e riqueza. Este capítulo também é dedicado a questões não resolvidas: Como explicar a morte do rei? Qual foi o chamado pecado de Sargão?

O capítulo 10 (“Síntese cronológica do reinado de Sargão”) fornece, na medida do possível, um quadro cronológico para os eventos do reinado de Sargão. Propõe uma síntese de suas motivações e estratégia durante os diferentes períodos de seu reinado, bem como os passos e razões de sua evolução.

Finalmente, o livro conclui com uma avaliação das contribuições de Sargão para a evolução do império (“Conclusão: avaliação do reinado de Sargão”).

As fontes de pesquisa estão disponíveis para os leitores no final do livro, em conformidade com os requisitos de publicação: uma bibliografia selecionada para cada capítulo; um índice de textos antigos utilizados; um índice dos nomes pessoais citados, com breves comentários e datas para situá-los numa perspectiva diacrônica e sincrônica e, finalmente, um índice dos autores modernos citados.

Josette Elayi (1943-) est une historienne de l’Antiquité, auteur de nombreux ouvrages dont une remarquable Histoire de la Phénicie (Perrin, 2013). Chercheuse et enseignante, elle a vécu de nombreuses années au Proche Orient.

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