Alerta vermelho para a espécie humana

Los problemas más graves del planeta continuan, advierte el informe de la ONU

Nairobi/Nueva York, 25 de octubre: El Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente informa de que amenazas graves como el cambio climático, el índice de extinción de las especies y el reto de alimentar a una población en crecimiento, se encuentran entre las que aún están sin resolver. Todas ellas ponen en peligro a la Humanidad. Esta advertencia está incluida en la Perspectiva del Medio Ambiente Mundial del PNUMA: Un informe sobre un medio ambiente para el desarrollo (GEO-4) publicado 20 años después de que la Comisión Mundial para el Medioambiente y Desarrollo (la Comisión Brundtland) publicase su informe principal, “Nuestro Futuro Común”. GEO-4, el último de una serie de informes emblemáticos del PNUMA, evalúa el estado actual de la atmósfera, de la tierra, del agua y de la biodiversidad mundiales, describe los cambios acontecidos desde 1987 e identifi ca una serie de prioridades de actuación. El GEO-4 es el informe más completo de la ONU sobre el medio ambiente; ha sido preparado por unos 390 expertos y revisado por más de 1000 de todo el mundo…

Planet’s Tougher Problems Persist, UN Report Warns

Nairobi/New York, 25 October:The United Nations Environment Programme says that major threats to the planet such as climate change, the rate of extinction of species, and the challenge of feeding a growing population are among the many that remain unresolved, and all of them put humanity at risk. The warning comes in UNEP’s Global Environment Outlook: environment for development (GEO-4) report published 20 years after the World Commission on Environment and Development (the Brundtland Commission) produced its seminal report, Our Common Future. GEO-4, the latest in UNEP’s series of flagship reports, assesses the current state of the global atmosphere, land, water and biodiversity, describes the changes since 1987, and identifies priorities for action. GEO-4 is the most comprehensive UN report on the environment, prepared by about 390 experts and reviewed by more than 1 000 others across the world…

‘Será que estamos entrando na sexta grande extinção?’, diz brasileira sobre estudo da ONU de espécies ameaçadas

Relatório indica que um milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas de extinção. A última vez em que um número tão elevado de seres vivos foi exterminado ocorreu há 65 milhões de anos, com o fim dos dinossauros.

Por RFI  – 06/05/2019

O relatório mais completo dos últimos 50 anos sobre o estado de conservação da natureza no mundo foi divulgado nesta segunda-feira (6), em Paris, pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), das Nações Unidas (ONU). O documento afirma que uma destruição de espécies animais e vegetais “sem precedentes” está em curso: 1 milhão de seres vivos estão ameaçados.

“Desde que o homem existe, já houve extinções como essa. Mas será que estamos entrando na sexta grande extinção?”, afirma a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, uma das maiores especialistas em povos indígenas do Brasil e que participou da cúpula, realizada na Unesco.

A última vez em que um número tão elevado de seres vivos foi exterminado ocorreu há 65 milhões de anos, com o fim dos dinossauros. Desde o século 17, os estudos e a documentação sobre o tema são abundantes.

“É bastante assustador porque a extinção se acelerou muito nos últimos 50 anos. Não significa que não existisse antes – o homem sempre teve um ‘problema’ para conservar a natureza. Mas há uma aceleração evidente do ritmo da devastação.”

Um milhão de espécies de plantas e animais estão ameaçadas de extinção, segundo relatório da ONU

Mudanças possíveis

No lançamento do documento, o presidente do IPBES, Robert Watson, ressaltou que, ao destruir os ecossistemas, o homem “está acabando com os fundamentos da sua própria economia, seus meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida”. Ele indica que o desmatamento, a agricultura intensiva, a pesca excessiva, a urbanização desmedida e a extração mineral “alteram gravemente” 75% do meio ambiente terrestre e 66% do ambiente marinho. As mudanças climáticas e a poluição também são fatores que interferem nesse cenário de destruição.

Mas o relatório ressalta que a natureza ainda pode ser conservada e regenerada, desde que uma “mudança profunda” seja implementada na sociedade, destacou Watson. “Ainda existe possibilidade de mudança, mas já estamos atrasados. Ou passamos para a ação, ou vamos perder esse bonde”, afirmou Carneiro da Cunha. “Precisamos de mudanças no modo de fazer comércio e de explorar os recursos. Uma mudança estrutural.”

Conhecimento dos índios valorizado

Uma particularidade desse relatório é que incorpora o conhecimento de povos indígenas e comunidades locais sobre o estado de preservação da natureza. “Há estudos que mostram que esses povos manejam mais de um quarto as áreas terrestres. Esse conhecimento tradicional foi incorporado aos estudos científicos”, diz a antropóloga.

O relatório é resultado de três anos de pesquisas de mais de 450 cientistas, de 50 países. Eles apontam que, entre as ferramentas para enfrentar o problema da devastação, o sistema agroalimentar está em primeiro plano. Será necessária uma transformação da produção agrícola para métodos mais sustentáveis, a fim de alimentar 10 bilhões de pessoas em 2050. O documento indica, por exemplo, os efeitos negativos para a natureza do consumo de carne e produtos derivados no leite, mas não pede para que haja uma redução do consumo.

Fonte: G1 – 06/05/2019

 

Sexta extinção em massa na Terra ameaça mais de meio milhão de espécies

Como frear a destruição da natureza? Governos e cientistas se reunirão na próxima semana, em Paris, para alertar sobre o estado dos ecossistemas do planeta, golpeados pela ação do homem.

A reportagem é publicada por Clarín, 25-04-2019. A tradução é do Cepat.

Esta avaliação mundial é a primeira em quase 15 anos: 150 especialistas de 50 países trabalharam durante três anos, reunindo milhares de estudos sobre biodiversidade.

Seu relatório, de 1.800 páginas, será submetido, a partir de segunda-feira, aos 130 Estados membros da Plataforma Intergovernamental Científico-normativa sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), que discutirão ponto por ponto.

“O patrimônio ambiental mundial – a terra, os oceanos, a atmosfera e a biosfera -, da qual depende a humanidade, está sendo alterado em um nível sem precedentes, com impactos em cascata sobre os ecossistemas locais e regionais”, aponta o rascunho do resumo do relatório, que poderá ser modificado, segundo informou a agência AFP.

Água potável, ar, insetos polinizadores, matas que absorvem CO2…, a constatação sobre estes recursos é tão alarmante como o último relatório do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC), que no ano passado destacou a lacuna crescente entre as emissões de gases do efeito estufa e o objetivo de limitar a mudança climática.

Segundo o texto, os dois fenômenos – perda de biodiversidade e aquecimento global – estão acentuados pelos mesmos fatores, entre eles, as práticas agrícolas e o desmatamento, responsáveis por cerca de um quarto das emissões de CO2.

Por sua vez, a exploração de terras e recursos (pesca, caça) é a maior causa da perda de biodiversidade, seguida pela mudança climática, poluição e espécies invasivas.

O resultado é “uma aceleração rápida, iminente, do nível de extinção de espécies”, segundo aponta o rascunho do relatório. Das 8 milhões de espécies no planeta (das quais 5,5 milhões são de insetos), “entre meio milhão e um milhão estarão ameaçadas de extinção, muitas delas nas próximas décadas”, destaca o texto.

Estas projeções correspondem às advertências de muitos cientistas que estimam que a Terra está começando a “6ª extinção massiva”.

No entanto, várias fontes do setor lamentaram que o projeto da ONU não fosse tão claro, ao não mencionar esta extinção em massa.

“Não há dúvida que nos dirigimos à sexta extinção em massa, e a primeira causada pelo homem”, declarou à AFP o presidente do IPBES, Robert Watson. “Contudo, não é algo que o público consiga ver facilmente”.

Para que haja uma tomada de consciência, “é preciso dizer que estamos perdendo insetos, matas, espécies carismáticas”. Também “os governos e o setor privado devem começar a levar a sério a biodiversidade, tanto como o aquecimento”, insistiu este cientista.

Um ano antes da aguardada reunião dos Estados-membros do Convênio da ONU sobre Diversidade Biológica (COP15), na China, muitos especialistas esperam que o relatório do IPBES signifique uma etapa crucial para um acordo de envergadura como o assinado em Paris, em 2015, contra a mudança climática, ou seja, que se fixem “objetivos de alto nível”.

“Se queremos um planeta sustentável em 2050, devemos contar com uma meta muito agressiva para 2030”, apontou Rebecca Shaw, cientista-chefe da ONG. “Assim como em relação ao clima, devemos mudar de trajetória nos próximos 10 anos”.

No entanto, dado que os “remédios” contra o aquecimento global relacionados às mudanças no sistema produtivo e de consumo suscitam, já, grandes resistências, os especialistas se perguntam o que acontecerá com a biodiversidade…

“Será ainda mais difícil porque as pessoas são menos conscientes dos problemas da biodiversidade”, afirmou Jean-François Silvain, presidente da Fundação francesa para a Investigação sobre a Biodiversidade. “Precisarão ser lúcidos”, concluiu.

Fonte: IHU – 26/04/2019

 

Planet’s tougher problems persist, UN report warns

The United Nations Environment Programme says that major threats to the planet such as climate change, the rate of extinction of species, and the challenge of feeding a growing population are among the many that remain unresolved, and all of them put humanity at risk.

The warning comes in UNEP’s Global Environment Outlook: environment for development (GEO-4) report published 20 years after the World Commission on Environment and Development (the Brundtland Commission) produced its seminal report, Our Common Future. GEO-4, the latest in UNEP’s series of flagship reports, assesses the current state of the global atmosphere, land, water and biodiversity, describes the changes since 1987, and identifies priorities for action. GEO-4 is the most comprehensive UN report on the environment, prepared by about 390 experts and reviewed by more than 1 000 others across the world.

It salutes the world’s progress in tackling some relatively straightforward problems, with the environment now much closer to mainstream politics everywhere. But despite these advances, there remain the harder-to-manage issues, the “persistent” problems. Here, GEO-4 says: “There are no major issues raised in Our Common Future for which the foreseeable trends are favourable.”

Failure to address these persistent problems, UNEP says, may undo all the achievements so far on the simpler issues, and may threaten humanity’s survival. But it insists: “The objective is not to present a dark and gloomy scenario, but an urgent call for action.”

Achim Steiner, UN Under-Secretary General and UNEP Executive Director, said: “The international community’s response to the Brundtland Commission has in some cases been courageous and inspiring. But all too often it has been slow and at a pace and scale that fails to respond to or recognize the magnitude of the challenges facing the people and the environment of the planet”.

“Over the past 20 years, the international community has cut, by 95 per cent, the production of ozone-layer damaging chemicals; created a greenhouse gas emission reduction treaty along with innovative carbon trading and carbon offset markets; supported a rise in terrestrial protected areas to cover roughly 12 per cent of the Earth and devised numerous important instruments covering issues from biodiversity and desertification to the trade in hazardous wastes and living modified organisms,” he added.

“But, as GEO-4 points out, there continue to be ‘persistent’ and intractable problems unresolved and unaddressed. Past issues remain and new ones are emerging?from the rapid rise of oxygen ‘dead zones’ in the oceans to the resurgence of new and old diseases linked in part with environmental degradation. Meanwhile, institutions like UNEP, established to counter the root causes, remain under-resourced and weak,” said Mr Steiner.

On climate change the report says the threat is now so urgent that large cuts in greenhouse gases by mid-century are needed. Negotiations are due to start in December on a treaty to replace the Kyoto Protocol, the international climate agreement which

obligates countries to control anthropogenic greenhouse gas emissions. Although it exempts all developing countries from emission reduction commitments, there is growing pressure for some rapidly-industrializing countries, now substantial emitters themselves, to agree to emission reductions.

GEO-4 also warns that we are living far beyond our means. The human population is now so large that “the amount of resources needed to sustain it exceeds what is available… humanity’s footprint [its environmental demand] is 21.9 hectares per person while the Earth’s biological capacity is, on average, only 15.7 ha/person…”.

And it says the well-being of billions of people in the developing world is at risk, because of a failure to remedy the relatively simple problems which have been successfully tackled elsewhere.

GEO-4 recalls the Brundtland Commission’s statement that the world does not face separate crises – the “environmental crisis”, “development crisis”, and “energy crisis” are all one. This crisis includes not just climate change, extinction rates and hunger, but other problems driven by growing human numbers, the rising consumption of the rich and the desperation of the poor.

Examples are:

– decline of fish stocks;

– loss of fertile land through degradation;

– unsustainable pressure on resources;

– dwindling amount of fresh water available for humans and other creatures to share; and

– risk that environmental damage could pass unknown points of no return.

GEO-4 says climate change is a “global priority”, demanding political will and leadership. Yet it finds “a remarkable lack of urgency”, and a “woefully inadequate” global response.

Several highly-polluting countries have refused to ratify the Kyoto Protocol. GEO-4 says: “… some industrial sectors that were unfavourable to the… Protocol managed successfully to undermine the political will to ratify it.” It says: “Fundamental changes in social and economic structures, including lifestyle changes, are crucial if rapid progress is to be achieved.”

Among the other critical points it identifies are:

Water: Irrigation already takes about 70 per cent of available water, yet meeting the Millennium Development Goal on hunger will mean doubling food production by 2050. Fresh water is declining: by 2025, water use is predicted to have risen by 50 per cent in developing countries and by 18 per cent in the developed world. GEO-4 says: “The escalating burden of water demand will become intolerable in water-scarce countries.”

Water quality is declining too, polluted by microbial pathogens and excessive nutrients. Globally, contaminated water remains the greatest single cause of human disease and death.

Fish: Consumption more than tripled from 1961 to 2001. Catches have stagnated or slowly declined since the 1980s. Subsidies have created excess fishing capacity, estimated at 250 per cent more than is needed to catch the oceans’ sustainable production.

Biodiversity: Current biodiversity changes are the fastest in human history. Species are becoming extinct a hundred times faster than the rate shown in the fossil record. The Congo Basin’s bushmeat trade is thought to be six times the sustainable rate. Of the major vertebrate groups that have been assessed comprehensively, over 30 per cent of amphibians, 23 per cent of mammals and 12 per cent of birds are threatened.

The intrusion of invasive alien species is a growing problem. The comb jellyfish, accidentally introduced in 1982 by US ships, has taken over the entire marine ecosystem of the Black Sea, and had destroyed 26 commercial fisheries by 1992.

A sixth major extinction is under way, this time caused by human behaviour. Yet to meet our growing demand for food will mean either intensified agriculture (using more chemicals, energy and water, and more efficient breeds and crops) or cultivating more land. Either way, biodiversity suffers.

One sign of progress is the steady increase in protected areas. But they must be effectively managed and properly enforced. And biodiversity (of all sorts, not just the “charismatic megafauna” like tigers and elephants) will increasingly need conserving outside protected areas as well.

Regional Pressures: This is the first GEO report in which all seven of the world’s regions emphasize the potential impacts of climate change. In Africa, land degradation and even desertification are threats; per capita food production has declined by 12 per cent since 1981. Unfair agricultural subsidies in developed regions continue to hinder progress towards increasing yields. Priorities for Asia and the Pacific include urban air quality, fresh water stress, degraded ecosystems, agricultural land use and increased waste. Drinking water provision has made remarkable progress in the last decade, but the illegal traffic in electronic and hazardous waste is a new challenge. Europe’s rising incomes and growing numbers of households are leading to unsustainable production and consumption, higher energy use, poor urban air quality, and transport problems. The region’s other priorities are biodiversity loss, land-use change and freshwater stresses.

Latin America and the Caribbean face urban growth, biodiversity threats, coastal damage and marine pollution, and vulnerability to climate change. But protected areas now cover about 12 per cent of the land, and annual deforestation rates in the Amazon are falling. North America is struggling to address climate change, to which energy use, urban sprawl and freshwater stresses are all linked. Energy efficiency gains have been countered by the use of larger vehicles, low fuel economy standards, and increases in car numbers and distances travelled. For West Asia the priorities are freshwater stresses, degradation of land, coasts and marine ecosystems, urban management, and peace and security. Water-borne diseases and the sharing of international water resources are also concerns. The Polar Regions are already feeling the impacts of climate change. The food security and health of indigenous peoples are at risk from increasing mercury and persistent organic pollutants in the environment. The ozone layer is expected to take another half-century to recover.

The Future

GEO-4 acknowledges that technology can help to reduce people’s vulnerability to environmental stresses, but says there is sometimes a need “to correct the technology-centred development paradigm”. It explores how current trends may unfold by 2050 in four scenarios.

The real future will be largely determined by the decisions individuals and society make now, GEO-4 says: “Our common future depends on our actions today, not tomorrow or some time in the future.”

For some of the persistent problems the damage may already be irreversible. GEO-4 warns that tackling the underlying causes of environmental pressures often affects the vested interests of powerful groups able to influence policy decisions. The only way to address these harder problems requires moving the environment from the periphery to the core of decision-making: environment for development, not development to the detriment of environment.

“There have been enough wake-up calls since Brundtland. I sincerely hope GEO-4 is the final one. The systematic destruction of the Earth’s natural and nature-based resources has reached a point where the economic viability of economies is being challenged and where the bill we hand on to our children may prove impossible to pay,” said Mr Steiner.

The GEO-4 report concludes that “while governments are expected to take the lead, other stakeholders are just as important to ensure success in achieving sustainable development. The need couldn’t be more urgent and the time couldn’t be more opportune, with our enhanced understanding of the challenges we face, to act now to safeguard our own survival and that of future generations” ends.

Key facts from the report

Atmosphere

There is now “visible and unequivocal” evidence of the impacts of climate change, and consensus that human activities have been decisive in this change: global average temperatures have risen by about 0.7 °C since 1906. A best estimate for this century’s rise is expected to be between a further 1.8°C and °C. Some scientists believe a 2°C increase in the global mean temperature above pre-industrial levels is a threshold beyond which the threat of major and irreversible damage becomes more plausible.

Ice cores show that the levels of carbon dioxide (CO2) and methane are now far outside their ranges of natural variability over the last 500 000 years: the Earth’s climate has entered a state unparalleled in recent prehistory. The average temperatures in the Arctic are rising twice as rapidly as in the rest of the world.

Sea-level rise caused by thermal expansion of water and the melting of glaciers and ice sheets will continue for the foreseeable future, with potentially huge consequences: over 60 per cent of the population worldwide lives within 100 kilometres of the coast.

Growing ocean acidification and warmer temperatures will probably also affect global food security. Diarrhoea and malaria will become more widespread.

Present trends do not favour greenhouse gas stabilisation. Aviation saw an 80 per cent increase in miles flown between 1990 and 2003, while shipping rose from billion tonnes of goods loaded in 1990 to 7.1 billion tonnes in 2005: each sector makes huge and increasing energy demands.

Some greenhouse gases may persist in the atmosphere for up to 50 000 years.

Despite “impressive” success in phasing out ozone-depleting substances, the spring “hole” in the stratospheric ozone layer over the Antarctic is now larger than ever, allowing harmful ultraviolet solar radiation to reach the Earth.

Acid rain is now much less of a problem in Europe and North America (“one of the success stories of recent decades”), but more challenging in countries like Mexico, India and China.

Pollution

More than 50 000 compounds are used commercially, hundreds more are added annually, and global chemical production is projected to increase by 85 per cent over the next 20 years.

Environmental exposure causes almost a quarter of all diseases. More than two million people worldwide are estimated to die prematurely every year from indoor and outdoor air pollution.

Some of the progress achieved in reducing pollution in developed countries has been at the expense of the developing world, where industrial production and its impacts are now being exported.

Food

Losses in total global farm production, due to insect pests, have been estimated at about 1 per cent.

Since 1987 the expansion of cropland has slackened, but land use intensity has increased dramatically. Annually on average, a farmer then produced one tonne: output is now 1. tonnes. A hectare of cropland, which then yielded on average 1.8 tonnes, now produces 2.5 tonnes.

Unsustainable land use is causing degradation, a threat as serious as climate change and biodiversity loss. It affects up to a third of the world’s people, through pollution, soil erosion, nutrient depletion, water scarcity, salinity, and disruption of biological cycles.

The food security of two-thirds of the world’s people depends on fertilisers, especially nitrogen.

Population growth, over-consumption and the continued shift from cereal to meat consumption mean food demand will increase to 2.5?3.5 times the present figure.

By 2030 developing countries will probably need 120 million more hectares to feed themselves.

The loss of genetic diversity may threaten food security: 1 animal species make up 90 per cent of all livestock, and 30 crops dominate agriculture, providing an estimated 90 per cent of the world’s calories.

Biodiversity

About 60 per cent of the ecosystem services that have been assessed are degraded or used unsustainably; populations of freshwater vertebrates declined on average by nearly 50 per cent from 1987 to 2003, much faster than terrestrial or marine species.

Over half the world’s 6 000 languages are endangered, and some believe up to 90 per cent of all languages may not survive this century.

Water

Of the world’s major rivers, 10 per cent fail to reach the sea for part of each year because of irrigation demands.

In developing countries some 3 million people die annually from water-borne diseases, most of them under-five-year-olds. An estimated 2.6 billion people lack improved sanitation services. By 2025, water withdrawals are predicted to have risen by 50 per cent in developing countries and by 18 per cent in the developed world.

There is rising concern about the potential impacts on aquatic ecosystems, of personal-care products and pharmaceuticals such as painkillers and antibiotics.

The Unequal World

The world has changed radically since 1987, economically, socially and politically. Population has increased by almost 3 per cent, trade is almost three times greater, and average income per head has gone up by about 0 per cent.

Consumption has been growing faster than population, but unequally: the total annual income of nearly 1 billion people, the population of the richest countries, is almost 15 times that of the 2.3 billion people in the poorest countries.

There are fewer resources to share: the amount of land per capita is about a quarter of what it was a century ago, and is expected to fall to about one-fifth of the 1900 level by 2050.

Urbanization is a significant pressure: by 2025 coastal populations alone are expected to reach six billion. The year 2007 is the first in human history when more than half of all people live in cities.

Fonte : PNUE/UNEP

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Entenda as alterações climáticas causadas pelo aquecimento global

Hans Küng recebe título e faz palestra na UFJF

Leio na página do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, a notícia:

“Será ministrada, hoje, 26/10, na UFJF, a palestra Religiões mundiais e ética mundial, pelo Ciclo de Conferências com Hans Küng. O evento será no Museu de Arte Moderna Murilo Mendes a partir das 20:00h. A entrada é franca. Pouco antes, às 19:00h, o Prof. Hans Küng receberá da UFJF o título de Doutor Honoris Causa. Confira a programação. O prof. Hans Küng, que nasceu na cidade de Sursee (Suíça) em 1928, é hoje considerado um dos mais importantes teólogos e pensadores católicos de nosso tempo”.

 

UFJF concede título ao teólogo Hans Küng – 29/10/2007

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) concedeu seu maior título, o de Doutor Honoris Causa, a um dos maiores teólogos do mundo, Hans Küng, pelo relevante trabalho prestado em favor da paz entre as religiões e defesa da paz mundial. A cerimônia no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM), reuniu o Conselho Superior da UFJF, dia 26 de outubro passado, encerrando a visita do teólogo e pensador ao Brasil.

Para agradecer o título, Hans Hüng ocupou a tribuna do anfiteatro, que estava lotada pelos membros do Conselho e admiradores, para dizer, em alemão e traduzido pelo professor de língua e Literatura Alemã do Centro de Cooperação Internacional Brasil-Alemanha da Universidade Federal do Paraná, Paulo Astor Soethe, que se sente ainda mais honrado pela concessão do título tão longe de casa e elogiou a maneira dos presentes à cerimônia ao acompanhar o hino nacional. “Estou impressionado como todos sabem a letra. Na Alemanha não é usual cantar o hino do país”, afirmou Hans.

O Professor e Conselheiro, Eduardo Condé, que abriu a cerimônia da noite, disse que é um grande privilégio para a Universidade conceder sua maior honraria ao maior teólogo do mundo. “Sua vinda ao Brasil tem por objetivo difundir, no país, a proposta e os atuais resultados do “Projeto de Ética Mundial”, no qual vem se empenhando desde a década de 90″.

O Reitor da UFJF, Professor Henrique Duque, disse que o título concedido a Hans demonstra uma preocupação da UFJF em difundir ensinamentos através do comportamento. “O mais novo Doutor Honoris Causa é um exemplo a ser seguido na luta pela busca de um mundo melhor, sem violência, sem injustiça. Procuramos a todo instante a paz, mas vemos o contrário, total ausência do amor”, enfatizou o Reitor.

Hans Küng defende regras para manter a ordem mundial, métodos anticoncepcionais e fim do celibato.

Hans Güng destacou o fato do Projeto de Ética Mundial encontrar bastante aceitação no país. O Brasil é conhecido no mundo todo como uma nação especialmente capaz no futebol. “E o futebol, que se difundiu no mundo todo, é um exemplo de que precisamos de regras globais. Para que haja jogo bonito, é necessária a observância dessas regras. O princípio da ética global é a aceitação destas regras por todos”, enfatizou.

Sobre sua polêmica relação com o Papa João Paulo II, o teólogo afirmou que “ele sempre irradiou muita liberdade para fora. Dizia ser um Papa da mídia, mas para dentro da Igreja praticou sempre a repressão e, ao invés de fazer reformas, preocupava-se mais com a questão da aparição na mídia”. Segundo Hans, as visitas do Papa ao Brasil não contribuíram para a solução dos problemas mais urgentes dos brasileiros, como o uso de anticoncepcionais, homossexuais e liberdade ecumênica.

Sobre o atual representante da Igreja, Papa Bento XVI, o teólogo afirmou ser um líder conservador, mas muito mais aberto ao diálogo. “João Paulo II jamais respondeu alguma carta ou livros que enviei a ele. Por outro lado, Bento XVI respondeu de maneira muito positiva a uma carta que enviei. Além disso, nos encontramos, e, ao final do encontro, ele tomou a iniciativa de comunicar à imprensa pontos importantes sobre a ética mundial: a questão do diálogo com as religiões e o diálogo entre ciência e teologia”, defendeu o teólogo.

Hans Küng sabe que existem muitas questões pedindo por reformas dentro da Igreja. “Precisamos de mais padres, mais pastores. Sou a favor do casamento de padres e acho que deveríamos ordenar também as mulheres”, concluiu o teólogo.

Fonte: UFJF

Um debate com Hans Küng

Ética Mundial: uma alternativa à ditadura do absolutismo e à ditadura do relativismo. Um debate com Hans Küng

Hans Küng é um intelectual altamente respeitado pela autoridade de suas pesquisas, por sua produção bibliográfica e por seus pronunciamentos. Ele transita por áreas como a física, a biologia e a política internacional, refletindo sobre as questões fundamentais da vida humana e consegue encontrar profundas relações entre as mudanças epocais, as descobertas científicas, a história das religiões e os comportamentos cotidianos. Apresentamos, a seguir, mais uma “entrevista” com Küng. Na verdade, a IHU On-Line reuniu aqui trechos de diversas conversas mantidas pelo teólogo suíço com os diversos auditórios que interagiram com ele na Unisinos, após as conferências ministradas nos dias 22, na Unisinos, e 23, no Instituto Goethe de Porto Alegre…

Fonte: Notícias IHU – 26/10/2007

A conferência de Hans Küng em Curitiba

Hans Küng ministrará palestra na UFPR nesta terça-feira, 23

Na terça-feira, dia 23, às 20 horas, estará no Teatro da Reitoria onde falará sobre “Um novo paradigma para as relações internacionais”. Sua excursão pelo Brasil tem ainda a intenção de destacar o tema “Ciência e Fé – por uma ética mundial”.

Conhecido mundialmente por suas ideias inovadoras, o teólogo suíço alemão é também amigo pessoal do Papa Bento XVI. Entre suas posturas defende o fim da obrigatoriedade do celibato e a maior participação feminina na Igreja Católica. O objetivo do ciclo de palestras que está sendo realizado por Küng é difundir no Brasil a proposta e os atuais resultados do Projeto de Ética Mundial, além de divulgar os desdobramentos ocorridos entre intelectuais e estudiosos brasileiros dedicados ao assunto.

Fonte: UFPR – 22 de outubro de 2007

 

Um novo paradigma para as relações sociais foi o tema de Hans Küng em Curitiba

Fonte: IHU – 26/10/2007

 

Ciclo de Conferências com Hans Küng discute a ética religiosa global

Hoje, Hans Küng, um dos teólogos católicos de maior projeção mundial na atualidade, ministrará uma conferência no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM), com o tema “A ética e as religiões mundiais”. Às 19h, antes do início da palestra, Hans Küng receberá o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O suíço, de 79 anos, que durante sua formação, passou por grandes universidades da Europa como Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, na Itália; Sorbonne; Instituto Católico de Paris, na França, se dedica, hoje, em difundir a idéia de uma ética global das religiões em favor da paz no mundo.

A vinda de Küng à Juiz de Fora faz parte do Ciclo de Conferências, denominada “CIÊNCIA E FÉ – POR UMA ÉTICA MUNDIAL”, e foi iniciativa conjunta da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), sob a coordenação do Instituto Humanitas Unisinos (IHU); do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da UFJF; da Universidade Federal do Paraná (UFPR); da Universidade Católica de Brasília; da Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro; e do Goethe Institut de Porto Alegre . O conferencista passará por cinco cidades do Brasil divulgando seus estudos.

A professora Cleuza Andreatta, do IHU da UNISINOS, uma das responsáveis pelo Ciclo, comenta as ideias que Hans Küng apresentará ao público brasileiro. “Pessoalmente, o que acho interessante é a perspectiva de Hans sobre as possíveis contribuições das diversas religiões , em um contexto de pluralidade, e como elas podem se engajar, não só nos conflitos religiosos, mas também em questões como a pobreza, meio ambiente e violência. Ele aponta para um diálogo longe do que se refere a dogmas. Olha além disso. Olha para o entorno, voltado para a sobrevivência humana, o que é uma proposta relevante de busca de um ‘lugar’ de encontro religioso “, comenta.

O coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião (PPCIR) da UFJF, Eduardo Gross, tem a mesma opinião e acrescenta que, “em um mundo complexo como o de hoje, as religiões são um espaço de diálogo importante para elaborar diretrizes para a convivência humana. De um lado, vê-se uma ética puramente secular, do outro se percebe que a força das tradições religiosas, influentes no comportamento de milhões de pessoas, têm em si valores que não podem ser desprezados diante dos conflitos e das relações humanas”, explica.

O evento é destinado à professores, estudantes universitários e à comunidade em geral; a entrada é franca.

 

Confira a programação de Hans Küng no Brasil:

CICLO DE CONFERÊNCIAS “CIÊNCIA E FÉ – POR UMA ÉTICA MUNDIAL”

22/10 – As religiões e a ética mundial – 20h – Unisinos – São Leopoldo/RS

23/10 – Religiões e ciência – 10h – Instituto Goethe – Porto Alegre/RS

23/10 – Um novo paradigma para as relações internacionais – 20h – UFPR

24/10 – Religiões mundiais e ética mundial – 20h – Universidade Católica de Brasília

25/10 – Ética mundial, direitos humanos e democracia – 09h – Câmara dos Deputados

25/10 – Religião e ciência – 18h30 – Universidade Candido Mendes – RJ

26/10 – Religiões mundiais e ética mundial – 20h – MAM-UFJF

Fonte: UFJF – 26/10/2007

Leitura popular da Bíblia no Brasil

Já faz tempo que o artigo foi escrito, uns dois anos.

Mas, para quem não tem acesso aos livros do Mesters, vale a pena ler, está online no site do CEBI: uma explicação do que é a leitura popular da Bíblia no Brasil. Faz um histórico, explica o método… Tudo muito fácil.

Também pode ser lido meu artigo: Ler a Bíblia no Brasil hoje.

 

Sobre a Leitura Popular da Bíblia no Brasil

Neste artigo abordamos a leitura popular da Bíblia que se faz nas Comunidades Eclesiais da Base da América Latina. É bom lembrar que elas são apenas uma minoria. O impacto e a irradiação da leitura feita nas Comunidades Eclesiais de Base são grandes e significativos para a vida das igrejas e para a caminhada do movimento popular.

Este artigo é como uma fotografia. Uma vez feita, ela não muda mais. Mas a pessoa fotografada continua mudando. Depois de alguns anos, ela talvez não se reconheça mais nesta fotografia que aqui apresentamos com muito respeito e carinho. O artigo reflete a nossa prática no CEBI e nas Comunidades Eclesiais da Base (CEBs). Abordamos a leitura popular feita nas comunidades. Apesar de elas serem uma minoria, é significativa a sua irradiação na vida das igrejas.

 

1a Parte

Dez Características da leitura popular

Como entrada no nosso assunto apresentamos aqui dez pontos que, de certo modo, oferecem uma visão global da leitura popular e são um resumo de tudo que vamos dizer.

1. A Bíblia é reconhecida e acolhida pelo povo como Palavra de Deus. Esta fé já existia antes da chegada do que se convencionou chamar leitura popular. É nesta raiz antiga que se enxerta todo o nosso trabalho com a Bíblia junto do povo. Sem esta fé, todo o método teria de ser diferente. “Não es tu que sustentas a raiz, mas a raiz sustenta a ti” (Rm 11,18).

2. Ao ler a Bíblia, o povo das Comunidades traz consigo a sua própria história e tem nos olhos os problemas que vêm da realidade dura da sua vida. A Bíblia aparece como um espelho, “sím-bolo” (Hb 9,9; 11,19), daquilo que ele mesmo vive. Estabelece-se uma ligação profunda entre Bíblia e vida que, às vezes, pode dar a impressão de um concordismo superficial. Na realidade, é uma leitura de fé muito semelhante à que faziam as primeiras comunidades (cf. At 1,16-20; 2,29-35; 4,24-31) e os Santos Padres.

3. A partir desta ligação entre Bíblia e vida, os pobres fazem a descoberta, a maior de todas: “Se Deus esteve com aquele povo no passado, então Ele está também conosco nesta luta que fazemos para nos libertar. Ele escuta também o nosso clamor!” (cf. Ex 2,24;3,7). Nasce assim, imperceptivelmente, uma nova experiência de Deus e da vida que se torna o critério mais determinante da leitura popular e que menos aparece nas suas explicitações e interpretações. Pois o olhar não se enxerga a si mesmo.

4. Antes deste contato mais vivido com a Palavra de Deus, a Bíblia ficava longe da vida do povo. Era o livro dos “padres”, dos “pastores”, do clero. Mas agora ela chegou perto! O que era misterioso e inacessível, começou a fazer parte da vida quotidiana de crianças, mulheres e homens empobrecidos. E junto com a sua Palavra, o próprio Deus chegou perto! “Vocês que antes estavam longe foram trazidos para perto!” (Ef 2,13) Difícil para um de nós avaliar a experiência de novidade e de gratuidade que isto representa para as pessoas empobrecidas.

5. Assim, aos poucos, foi surgindo uma nova maneira de se olhar a Bíblia e a sua interpretação. Ela já não é vista como um livro estranho que pertence ao clero, mas sim como o nosso livro, “escrito para nós que tocamos o fim dos tempos” (1Cor 10,11). Às vezes, ela chega a ser o primeiro instrumento de uma análise mais crítica da realidade. Por exemplo, a respeito de uma empresa que oprime e explora o povo, o pessoal da comunidade dizia: “É o Golias que temos que enfrentar!”

6. Pouco a pouco, cresce a descoberta de que a Palavra de Deus não está só na Bíblia, mas também na vida, e de que o objetivo principal da leitura da Bíblia não é interpretar a Bíblia, mas sim interpretar a vida com a ajuda da Bíblia. A Bíblia ajuda a descobrir que a Palavra de Deus, antes de ser lida na Bíblia, já existia na vida. As comunidades descobrem que a sua caminhada é bíblica. “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (Gn 28,16)!

7. A Bíblia entra na vida do povo não pela porta da imposição autoritária, mas sim pela porta da experiência pessoal e comunitária. Ela se faz presente não como um livro que impõe uma doutrina de cima para baixo, mas como uma Boa Nova que revela a presença libertadora de Deus na vida e na luta do povo. As pessoas que participam dos grupos bíblicos, elas mesmos se encarregam de divulgar esta Boa Notícia e atraem outras para participar. “Vinde ver um homem que me contou toda a minha vida!” (Jo 4,29).

8. Para que se produza esta ligação profunda entre Bíblia e vida, é importante: a) Ter nos olhos as perguntas reais que vêm da realidade, e não perguntas artificiais que nada têm a ver com a vida do povo. Aqui aparece como é importante o/a intérprete ter convivência e experiência pastoral inserida no meio do povo. b) Descobrir que se pisa o mesmo chão, ontem e hoje. Aqui aparece a importância do uso da ciência e do bom senso, tanto na análise crítica da realidade de hoje como no estudo do texto e do seu contexto social. c) Ter uma visão global da Bíblia que envolva os próprios leitores e leitoras, e que esteja ligada com a situação concreta das suas vidas hoje.

9. A interpretação que o povo faz da Bíblia é uma atividade envolvente que compreende não só a contribuição intelectual do/a exegeta, mas também todo o processo de participação da Comunidade: trabalho e estudo de grupo, leitura pessoal e comunitária, teatro, celebrações, orações, recreios, “enfim, tudo que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer maneira merece louvor” (Fl 4,8). Aqui aparecem a riqueza da criatividade popular e a amplidão das intuições que vão nascendo.

10. Para uma boa interpretação, é muito importante o ambiente de fé e de fraternidade, através de cantos, orações e celebrações. Sem este contexto do Espírito, não se chega a descobrir o sentido que o texto tem para nós hoje. Pois o sentido da Bíblia não é só uma idéia ou uma mensagem que se capta com a razão e se objetiva através de raciocínios; é também um sentir, um conforto que é sentido com o coração, “para que, pela perseverança e pela consolação que nos proporcionam as Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15,4).

 

2ª Parte

Um pouco de história

Tudo isso que hoje está acontecendo nas Comunidades Eclesiais de Base tem uma história vinda de longe. Muitos fatores contribuíram para que se chegasse a esse tipo de leitura da Bíblia. Destacaremos três fatores que não podem ser ignorados para se entender a atual conjuntura. Há um quarto fator que não pode ser avaliado nem verificado. Em seguida, veremos as três etapas que marcaram e continuam marcando este processo histórico da leitura popular da Bíblia.

Três etapas, três aspectos

No decorrer desses anos todos, foram aparecendo três aspectos da interpretação popular, aspectos simultâneos, misturados entre si. Ao longo dos anos, cada um deles foi tendo o seu momento privilegiado. São como que três etapas. Trata-se dos três aspectos da mesma atitude interpretativa do povo frente à Bíblia. Eles indicam os três objetivos distintos, que estão presentes e misturados, às vezes conflitantes, no uso popular da Bíblia.
Conhecer a Bíblia – Instruir

O processo de conhecer melhor a Bíblia começou já no século XIX com o trabalho renovador dos exegetas da Europa, tanto evangélicos como católicos. As novas descobertas trouxeram novos conhecimentos, abriam uma nova janela sobre o texto bíblico e sobre o contexto da sua origem.

A vontade de conhecer a Bíblia estimulou muita gente a uma leitura mais freqüente. Na igreja católica, a renovação da exegese, as encíclicas de Leão XIII, Bento XV e Pio XII, as novas traduções da Bíblia e o trabalho de divulgação dos exegetas levaram a Bíblia para mais perto do povo. Além disso, no Brasil, como já mencionamos, o que ajudou a provocar nos católicos um interesse maior pela Bíblia foi o vigor missionário das igrejas evangélicas de missão.

Foram surgindo, em todo canto, as semanas bíblicas, cursos bíblicos, escolas e escolinhas bíblicas, gincanas e maratonas bíblicas, e tantos outros movimentos e iniciativas para divulgar a Bíblia e estimular a sua leitura como, por exemplo, o assim chamado Mês da Bíblia, que foi celebrado durante mais de 25 anos e continua até hoje em muitos lugares, ou o Movimento da Boa Nova (MOBON). Este surgiu, inicialmente, como um movimento mais apologético de defesa do catolicismo contra a influência crescente das igrejas evangélicas. Atualmente, é um dos movimentos de evangelização libertadora mais difundidos que anima mais de 15.000 grupos em vários Estados do Brasil. Difícil de lembrar e enumerar todas as iniciativas que a criatividade popular inventou para divulgar a leitura e o conhecimento da Bíblia.
Criar Comunidade – Celebrar

Na medida em que a Palavra começava a ser conhecida, ela produzia os seus frutos. O primeiro fruto foi aglutinar as pessoas e criar comunidade. Semanas bíblicas populares, difusão da Bíblia em língua vernácula, cursos, encontros, treinamentos, inúmeros grupos e círculos bíblicos, mês da Bíblia, movimento da Boa Nova: tudo isto produziu um fervilhar comunitário muito grande em torno da Palavra de Deus. O movimento da renovação litúrgica fez com que se multiplicassem e se intensificassem as celebrações da Palavra.

Foram surgindo e crescendo as Comunidades Eclesiais de Base que por sua vez suscitavam, em todo canto, os círculos bíblicos, grupos de reflexão, grupos de evangelho, grupos de oração. No começo dos anos 70, temos a iniciativa dos Encontros Intereclesiais das Comunidades de Base, que foram acontecendo periodicamente e que no ano 2000 celebraram o décimo Intereclesial em Porto Seguro, Bahia, por ocasião da comemoração dos 500 anos da vinda dos europeus para o Continente Latino Americano. A dimensão comunitária chegou a renovar várias paróquias que passaram a se organizar como uma comunidade de comunidades.

Aqui convém chamar mencionar o fenômeno intrigante da evasão em massa dos fiéis das igrejas tradicionais para as igrejas pentecostais, que tem a ver com a mudança socioeconômica havida nos últimos 50 anos. Na metade do século XX, em torno de 75% da população brasileira vivia no campo, área rural. A industrialização e o êxodo rural produziu um mudança radical. No censo de 2001, 82% da população vive na cidade e somente 18% no campo. Ora, o que antes parecia impossível, hoje tornou-se um fato normal: antes, a autoridade moral maior que, no Brasil, norteava as consciências era a Igreja Católica. Nas pequenas cidades do interior, o vigário exercia um poder sagrado muito forte. Dificilmente, o povo tinha coragem de enfrentar ou de romper com este sistema secular. Hoje, em nome de uma experiência comunitária nos grupos pentecostais das periferias das grandes cidades, milhões de brasileiros rompem com aquela que antes era a maior autoridade moral. Por mais contraditório e ambivalente que possa parecer este fato, ele não deixa de ter um aspecto positivo: em nome da Palavra de Deus e de um encontro com Jesus, o povo tem coragem de romper e de entrar por caminhos novos que talvez não sejam novos, mas que são diferentes e têm uma dimensão comunitária muito profunda.
Servir ao povo – Transformar

Sobretudo a partir de 1968, foi dado um passo a mais. O conhecimento da Bíblia e a preocupação comunitária encontraram o seu objetivo que é o serviço ao povo. Não tendo dinheiro nem tempo para ler os livros sobre a Bíblia, os pobres nas suas comunidades e nos círculos bíblicos começaram a ler a Bíblia a partir do único critério de que dispunham, a saber, a sua vida de fé, vivida em comunidade, e a sua vida sofrida de povo oprimido. Lendo assim a Bíblia, descobriam o óbvio que não conheciam: uma história de opressão igual à que eles mesmos sofriam, uma história de luta pelos mesmos valores que eles perseguem até hoje: terra, justiça, partilha, fraternidade, vida de gente. O resultado desta prática libertadora foi explicitado na Teologia da Libertação que tenta sistematizar a vivência nova que está ocorrendo nas comunidades.

É o período em que começa a ser acentuada a dimensão política da fé. Na Igreja Católica, desde o Concílio Vaticano II e sobretudo desde a conferência episcopal de Medellin (1968), ocorreu uma evolução importante. Diante da situação dramática dos índios, criou-se o CIMI (Conselho Indigenista Missionário). Diante da situação cada vez pior dos agricultores, criou-se a CPT (Comissão Pastoral da Terra). Diante da situação dos operários, criou-se a CPO (Comissão Pastoral dos Operários). Diante da situação dos pescadores, criou-se a CPP (Comissão Pastoral dos Pescadores).

São instrumentos novos de pastoral que ajudam estas classes e grupos de pessoas a defenderem melhor sua vida, sua terra, seus direitos, sua identidade. Eles têm em comum o seguinte: surgiram por causa da fé renovada em Jesus e, como Jesus, defendem a vida, são ecumênicos, incomodam a sociedade estabelecida, provocam polêmica. Tudo isto revela a evolução que está ocorrendo na consciência que as igrejas têm de si mesmas e da sua missão: lutar pela defesa da vida ameaçada do povo. É neste mesmo período dos anos 70 que surge o CEBI, o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos para a Pastoral Popular que tem como objetivo articular, explicitar, aprofundar, divulgar e legitimar a leitura da Bíblia que o povo vinha fazendo nas suas comunidades.

Aqui devem ser lembrados os mártires, os testemunhos da fé, essa “nuvem de testemunhas ao nosso redor” (Hb 12,1), que deram a sua vida pela causa da liberdade, da justiça e da fraternidade. Assim como o autor da carta aos hebreus faz a memória dos testemunhos da fé (Hb 11,1-40), a Agenda Latino Americana, cada ano de novo, faz a memória dos milhares e milhares de mártires latino-americanos, homens e mulheres, leigos e religiosos, conhecidos e anônimos, que imitaram a Jesus que disse:

“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”(Jo 10,10).

Fonte: CEBI – Carlos Mesters e Francisco Orofino.

Hans Küng: fazer uma Teologia aberta

Ética Mundial, religiões e origem da vida. Hans Küng no RS

…Essa reportagem pretende resgatar algumas das ideias abordadas por Küng nas conferências proferidas no Rio Grande do Sul na sua recente visita nos dias 22 e 23 de outubro passados (…) Fazer uma Teologia aberta. Eis o convite deixado por Hans Küng aos teólogos e teólogas do Rio Grande do Sul, com os quais se encontrou na última segunda-feira (…). “Não precisamos ter medo de que a Teologia não seja relevante”, disse o teólogo fechando sua conferência. E acrescentou: “a Teologia quando não tem fundamento se torna arbitrária; caso se atenha ao ‘certo’ se torna tediosa. Ela deve estar aberta ao diálogo com ateus, agnósticos, representantes das outras religiões e em diálogo com as ciências da natureza” …

Fonte: IHU – 25/10/2007

Paulo Soethe fala sobre Hans Küng

Um grande futuro para o Projeto de Ética Mundial no Brasil. Uma entrevista com Paulo Soethe

O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paulo Soethe, foi o incentivador maior da visita de Hans Küng ao Brasil. Desde a chegada do teólogo em Porto Alegre, Soethe o acompanha sempre com serenidade, respeito e admiração, auxiliando na tradução do alemão e português e fazendo a apresentação do professor em todos os lugares onde Küng tem visita agendada. Ao término da conferência do teólogo no Instituto Goethe, em Porto Alegre, na manhã da última terça-feira, dia 23 de outubro, Paulo Soethe falou rapidamente à IHU On-Line sobre a importância da presença de Hans Küng no Brasil e sobre sua relação com este importante teólogo. Graduado em Letras Alemão-Português pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), o Prof. Dr. Paulo Soethe cursou pós-doutorado na Universidade de Tübingen, na Alemanha.

Leia a entrevista.

Fonte: IHU – 25/10/2007.

Hans Küng na Camara dos Deputados

Teólogo suíço explica princípios da ética global
O teólogo suíço Hans Küng explicou há pouco que a ética global se baseia em dois princípios fundamentais: a reciprocidade e a humanidade. Segundo ele, a reciprocidade já estava presente na regra de ouro de Confúcio, 500 anos a.C.: não faça ao outro o que não quer que façam a si mesmo. A humanidade também estava presente nas religiões chinesas e prega que cada ser deve ser tratado como especial.

A base desses princípios, explicou Küng, são quatro imperativos básicos (que também estariam presentes no budismo, judaísmo, cristianismo e islamismo):
1. não mentir, principalmente nas grandes mentiras que tem conseqüências sociais;
2. não matar, principalmente em relação a genocídios em massa;
3. não roubar, aplica-se, principalmente, a grandes centros financeiros que causam prejuízos a milhões de pessoas;
4. respeitar a igualdade entre homens e mulheres. Segundo Kung, por tratar da sexualidade, esse é o principal problema para as religiões.

Na opinião do teólogo suíço, para que esses princípios se realizem é necessário uma vontade ética. Por isso, é tão importante o papel das religiões que devem motivar as pessoas a desenvolver esses comportamentos.

Hans Küng participa de audiência pública promovida pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar no plenário 9.

Fonte: Agência Câmara – 25/10/2007 – 11h16