Se não quisermos globalizar a guerra, é preciso globalizar a justiça

A frase do título faz parte do discurso de Lula na sessão inaugural na 61a Assembléia Geral da ONU, em Nova York, aberta hoje.

 

Aplacar fome custa menos que guerra do Iraque, diz Lula – BBC Brasil:19.09.2006

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em seu discurso na sessão inaugural na 61a Assembléia Geral da ONU, em Nova York, que o investimento necessário para aplacar a fome no mundo é menor do que o que foi investido até agora na guerra do Iraque.

“Todos aqui sabem que a Segunda Guerra do Golfo custou várias centenas de bilhões de dólares. Com muito menos, poderíamos mudar a triste realidade de uma grande parcela da população mundial. Poderíamos salvar milhões de vidas e retirá-las da indigência.”

O presidente citou programas de seu governo como exemplos no combate à fome.

“O programa Bolsa Família, o carro-chefe do Fome Zero, garante uma renda mínima a mais de 11 milhões de famílias brasileiras. Se fizemos tanto no Brasil, imaginem o que não pode ser feito em grande escala se o combate à fome e à pobreza fosse de fato uma prioridade da comunidade internacional”, afirmou.

O presidente voltou a fazer críticas veladas à guerra no Iraque em outro trecho do discurso.

“A guerra jamais trará a segurança. A guerra só gera monstros: o rancor, a intolerância, o fundamentalismo, a negação destrutiva das atuais hegemonias.”

Lula acrescentou que “se não quisermos globalizar a guerra, é preciso globalizar a justiça”.

Comércio

O presidente também voltou a defender de forma enfática que os países ricos devem reduzir os subsídios em sua agricultura.

“Os subsídios dos países ricos, sobretudo na área agrícola, são pesados grilhões que imobilizam o progresso e relegam os países pobres ao atraso.”

“Não me canso de repetir que, enquanto o apoio distorcido nos países desenvolvidos alcança a indecorosa soma de US$ 1 bilhão por dia, 900 milhões de pessoas sobrevivem com menos de US$ 1 por dia nos países pobres e em desenvolvimento. Essa é uma situação política e moralmente insustentável”, acrescentou.

Para o presidente, “a velha geografia do comércio internacional precisa ser reformada em profundidade”.

Lula disse também que a Agenda de Desenvolvimento de Doha está em crise, mas que “se bem-sucedidas, as negociações na OMC ajudarão a tirar milhões de pessoas da pobreza externa.

Conselho de Segurança

Outra bandeira da política externa de Lula, a reforma do Conselho de Segurança da ONU também foi mencionada.

“A recente crise no Líbano expôs a organização (a ONU) a uma perigosa erosão de credibilidade. A eficácia das Nações Unidas tem sido seriamente questionada. O Conselho de Segurança é acusado de morosidade, incapacitado de agir com a rapidez requerida.”

“O Brasil, juntamente com os países do G4, sustenta que a ampliação do Conselho de Segurança deve contemplar o ingresso de países em desenvolvimento no seu quadro permanente”, afirmou.

Lula também lembrou laços antigos do Brasil com a ONU e as boas relações do país com Israel e seus vizinhos árabes. “O nascimento de Israel, cujo nascimento como Estado ocorreu quando um brasileiro, Oswaldo Aranha, presidia a Assembléia Geral.”

Temas interligados

Lula disse que o futuro do Brasil está ligado ao dos países vizinhos e destacou que tem procurado expandir o Mercosul e fortalecer a Comunidade Sul-Americana de Nações.

Mas, na visão do presidente, dar prioridade ao Mercosul não significa relegar outros temas ao segundo plano.

“O combate à fome e à pobreza, a paralisia da Rodada de Doha e o impasse no Oriente Médio são temas interligados.”

O presidente concluiu seu discurso afirmando que “não nos faltam recursos. Falta determinação política para aplicá-los nas áreas que podem ter um incalculável efeito transformador.”

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