Maria Esther Maciel: O Livro dos Nomes

Prêmio São Paulo de Literatura 2009

Na próxima segunda-feira, dia 3 de agosto, serão anunciados os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2009. Os ganhadores nas duas categorias – Prêmio São Paulo de Melhor Livro do Ano de 2008 e Prêmio São Paulo de Melhor Livro de Autor Estreante do Ano de 2008 – receberão, cada um, R$ 200 mil. O Prêmio teve 217 romances de 75 editoras e 13 autores independentes inscritos. Os livros finalistas foram escolhidos após avaliação de júri formado pelos professores Ivan Marques e Marcos Moraes, pelos escritores Menalton Braff e Fernando Paixão, pelos livreiros Paula Fabrio e José Carlos Honório, pelos críticos literários Marcelo Pen e Josélia Aguiar e os leitores Márcia de Grandi e Mario Vitor Santos, informa o site da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Entre os dez finalistas de Melhor Livro do Ano de 2008 está minha amiga e conterrânea:

Maria Esther Maciel, O livro dos nomes. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, 176 p. – ISBN 9788535911640.

 

Maria Esther Maciel, O livro dos nomes

Esther, estou torcendo por você!

Esta é a lista completa dos finalistas, em ordem alfabética:

Melhor Livro do Ano de 2008:

  • Carola Saavedra, Flores azuis (Companhia das Letras)
  • João Gilberto Noll, Acenos e afagos (Record)
  • José Saramago, A viagem do elefante (Companhia das Letras)
  • Lívia Garcia-Roza, Milamor (Record)
  • Maria Esther Maciel, O livro dos nomes (Companhia das Letras)
  • Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado (Companhia das Letras)
  • Moacyr Scliar, Manual da paixão solitária (Companhia das Letras)
  • Ronaldo Correia de Brito, Galileia (Editora Objetiva)
  • Silviano Santiago, Heranças (Rocco)
  • Walther Moreira Santos, O ciclista (Autêntica Editora)

Melhor Livro do Ano – Autor Estreante – de 2008:Maria Esther Maciel (Patos de Minas, 1 de fevereiro de 1963)

  • Altair Martins, A parede no escuro (Record)
  • Contardo Calligaris, O conto do amor (Companhia das Letras)
  • Estevão Azevedo, Nunca o nome do menino (Editora Terceiro Nome)
  • Francisco Azevedo, O Arroz de Palma (Record)
  • Javier Arancibia Contreras, Imóbile (7 Letras)
  • Marcus Vinicius de Freitas, Peixe morto (Autêntica Editora)
  • Maria Cecília Gomes dos Reis, O mundo segundo Laura Ni (Editora 34)
  • Rinaldo Fernandes, Rita no pomar (7 Letras)
  • Sérgio Guimarães, Zé, Mizé, Camarada André (Record)
  • Vanessa Barbara e Emilio Fraia, O verão do Chibo (Editora Objetiva)

Chico Buarque em Paraty

Noite de autógrafos de Chico na Flip leva mulheres à histeria
Mulheres enlouquecidas gritando “Chico!”, “Chico!”, “Chico!” Pessoas trepadas em árvores, velhinhas sendo retiradas por seguranças por tentarem furar a fila e ambulantes paralisados, só observando, sem vender nada. Isso tudo é o reflexo da passagem de Chico Buarque pela 7ª Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), na noite desta sexta-feira (3). Após participar da mesa “Sequências Brasileiras”, que dividiu com o escritor Milton Hatoum, ambos partiram para autógrafos, e aí se formou a confusão. Conseguir uma aproximação com Chico tornou-se algo muito precioso em Paraty. Fãs, curiosos, fotógrafos, jornalistas, todos queriam falar com a personalidade do dia. Pessoas subiram em árvores para tentar enxergar o autor, que estava na tenda de autógrafos da Flip. Outros esticavam os braços para tentar conseguir uma imagem melhor. Houve até gente que levou banquinho para ter vantagem sobre os outros fãs na hora de dar uma olhadinha no ídolo…

Chico Buarque

É isso aí. Mas ele é o Chico…

O texto fala das mulheres. E os homens? Sei não…

Fonte: Folha Online: 03/07/2009

Saramago: o blog ilumina o caminho de seu autor

O blog vai iluminando o caminho do seu autor. É essa a sua virtude.

No dia 25 de junho, o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura 1998, vai lançar em livro os textos de seu blog, O Caderno de Saramago.

O título? O Caderno.

Leia entrevista com Saramago no jornal argentino Clarín: “Con los blogs se está escribiendo más, pero peor”

Onde ele diz, por exemplo:

¿Qué tipo de ideas destina al blog?
Ninguna en particular. Los sismógrafos no eligen los terremotos, reaccionan a los que van ocurriendo. El blog es eso, un sismógrafo. Aquellos que me han leído saben que pueden encontrarse cada día ante algo totalmente inesperado.

¿Hay una forma distinta de escribir para el blog (más rápido, sin tanta corrección…)?
No falta quien piense mucho para responder: “La practica del blog ha llevado a la escritura a muchas personas que antes poco o nada escribían”. Lástima que muchas de ellas piensen que no merece la pena preocuparse con la calidad de estilo de lo que se escribe. El resultado está siendo que, a la vez que se escribe más, se está escribiendo peor. Personalmente cuido tanto del texto de un blog como de una página de novela.

Al principio del libro usted escribe “El blog va iluminándole el camino al autor”. ¿Qué significa eso?
Si el blog es un espacio para la reflexión, y yo intento siempre que lo sea, no debe sorprender que ilumine a quien lo escribe. Es una consecuencia lógica.

Leia a notícia, em português, no G1.

Teologia e Literatura: Bem e Mal em G. Rosa

Na Revista IHU On-Line, edição 292, de 11.05.2009

 

A fundição do bem e do mal em Guimarães Rosa

Graziela Wolfart

Literatura e Teologia se aproximam ao tentar captar o drama humano no mistério da vida na mais recente obra organizada por Eliana Yunes e Maria Clara Bingemer

YUNES, E.; BINGEMER, M. C. L. (org.) Bem e Mal em Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: PUC-Rio/Uapê, 2009Recentemente lançado pela Editora da PUC-Rio e pela UAPÊ, ambas do Rio de Janeiro, a obra Bem e mal em Guimarães Rosa reúne uma coletânea de artigos sobre o autor mineiro e foi organizada pelas professoras da PUC-Rio Eliana Yunes e Maria Clara Bingemer. A IHU On-Line entrevistou por e-mail a professora Eliana Yunes. Ela argumenta que “Guimarães Rosa, nos seus textos, se desvencilha das dicotomias porque vê a complexidade do humano excedendo os paradigmas fechados”. Para ela, “ele escapa a toda e qualquer linearidade e simplificação para vivificar o contraditório, o paradoxal da condição humana, em que bondade e maldade não se excluem, em que a beleza e a verdade podem estar no seu avesso, assim como a loucura e o bom senso”. Yunes ainda acrescenta que Guimarães Rosa, trabalhando intensamente com a oralidade, “sofisticou a escrita, sem fazer concessões senão ao que buscava expressar como cerne e casca do Homem, tão regional quanto universal, tão sertanejo, quanto urbano”.

Professora e coordenadora da Cátedra Unesco de Leitura da PUC-Rio, Eliana Yunes possui graduação em Filosofia e Letras, pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, mestrado e doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e pós-doutorado pela Universidade de Colônia, da Alemanha. É autora de, entre outros, Pecados (Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2001) e Virtudes (Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2001).

 

A entrevista

IHU On-Line – De que maneira o encontro da literatura com a teologia é valioso no sentido de analisar o bem e o mal na obra Guimarães Rosa?

Eliana Yunes – O encontro entre teologia e literatura é da esfera da interdisciplinaridade e se aplica a obras e temas diversos. No caso do presente livro, o que se registra é o curso de pós-graduação que as organizadoras apresentaram, assim como a pesquisa e a produção dos doutorandos de letras e teologia que focaram a questão enunciada muitas vezes na própria narrativa rosiana, em torno do bem & mal na obra de Guimarães Rosa com ênfase no Grande sertão: veredas. O método faz aparecerem possibilidades de interpretação e construção de sentido inéditas, valorizando a potência multisignificante de uma das obras mais extraordinárias do século XX.

IHU On-Line – O que caracteriza a leitura teológica feita dos textos de Guimarães Rosa?

Eliana Yunes – A leitura exercitada procura fazer não uma abordagem teológica, mas compreender como a literatura pode ser uma forma não-teórica de teologia. O que se procura encontrar está no plano das linguagens de uma e outra área do conhecimento – elas se aproximam ao tentar captar o drama humano no mistério da vida. Este esforço metodológico logra expor a dimensão do diálogo imanente/transcendente que atravessa seus romances e estórias (como ele preferiu grafar), sem qualquer profissão de fé, nem laivos catequéticos. A leitura revela uma escrita da perplexidade que irrompe no sem fronteiras do ser-tão.

IHU On-Line – Qual a contribuição que a obra do escritor oferece para a realização de uma leitura da Teologia?

Eliana Yunes – Guimarães Rosa, nos seus textos, se desvencilha das dicotomias porque vê a complexidade do humano excedendo os paradigmas fechados. Ele escapa a toda e qualquer linearidade e simplificação para vivificar o contraditório, o paradoxal da condição humana, em que bondade e maldade não se excluem, em que a beleza e a verdade podem estar no seu avesso, assim como a loucura e o bom senso. Obras com este propósito desarraigado de ideologias retomam as crenças numa perspectiva que não se confunde com doutrinas, mas catapultam o homem para dimensões apenas entrevistas.

IHU On-Line – O que caracteriza a linguagem criada por Rosa e que marcou para sempre a Literatura Brasileira?

Eliana Yunes – Os narradores de Guimarães Rosa se despem de automatismos, do falar padrão e da gramática regrada. Como bem o assinalou Roland Barthes, Literatura é uma linguagem que faz dobrar a língua e para obrigá-la a dizer o que se quer e não o que ela habitualmente diz, é preciso desarranjá-la, inventar de novo a fala, que rompe com a norma sem perder de vista o sistema, na ponderação do linguista Coseriu. A poética tem licenças autoconcedidas que produzem desconforto e admiração simultaneamente. Guimarães Rosa, trabalhando intensamente com a oralidade, sofisticou a escrita, sem fazer concessões senão ao que buscava expressar como cerne e casca do Homem, tão regional quanto universal, tão sertanejo quanto urbano.

IHU On-Line – Quais os mistérios que envolvem a eterna luta entre o bem e o mal apresentada por Guimarães Rosa tanto no sertão transformado em campo de batalha quanto dentro do coração humano?

Eliana Yunes – Para o escritor mineiro, o sertão é o mundo e o homem sua manifestação mais vívida. Sua epopéia, contudo, esconde um drama irredutível que aponta continuamente para uma luta entre o bem e o mal, sem que o mistério ao menos se localize, dentro ou fora do homem. Rosa, numa percepção extremamente arguta, entende que não há resposta acabada: “eu conto e o senhor ponha o ponto” onde enfim achar que deva. A perspicácia para inferir a dor humana independente de cultura ou idade se associa à sabedoria que descarta a opção (ou) e promove a interação (e) rompendo as expectativas, como postulava Iser. Em Guimarães Rosa bem e mal trocam de posição constantemente até se fundirem fazendo com que a angústia provocada pelo mal seja transfigurada em ética, justiça – valores da beleza, o que enfim, deve prevalecer.

IHU On-Line – Quais seriam hoje, a partir da inspiração de Guimarães Rosa, os grandes pactos de que vive o homem? Deus e o diabo, eu e o outro, iguais e diferentes continuam afligindo o ser humano contemporâneo?

Eliana Yunes – As aflições humanas, desde que o homem se pôs de pé e pode olhar para o alto, liberando as mãos e a cabeça para criar e contemplar, não mais para garantir a locomoção segura, mostram que a grande viagem ao redor de si mesmo ainda não se completou. A exploração dos mares e das estrelas não esgota as perguntas sobre a vida e muito frequentemente as respostas, convenientes segundo um tempo e lugar, apenas dão a ilusão de verdade e de conforto logo evanescentes. Os dilemas fazem oscilar os valores enquanto presos a modelos e práticas consolidadas. Deste ajuste, a prosa rosiana liberta suas personagens, provocando o maravilhoso e o terrível a um só tempo, fazendo que ingressem numa experiência inexprimível em termos usuais. A linguagem deriva, então, fazendo da morte a vida plena, do mal o bem maior. O herói de Rosa só tem todo poder quando já abriu mão de qualquer poder.

IHU On-Line – O centenário de nascimento de Guimarães Rosa foi comemorado no ano passado. Como entender sua atualidade?

Eliana Yunes – A atualidade de Guimarães Rosa não depende de festivos, nem de datas redondas. Assim como acontece com Cervantes, Shakespeare, Machado ou Camões, o escritor brasileiro visitou a alma humana e da viagem fez emergir o esboço em permanente construção que nos seduz, o ser que nunca é definitivo. Ninguém lê Rosa uma vez, ninguém o lê para encontrar a resposta – todas são provisórias, mesmo as mais complexas. Suas perguntas não calam.

 

O livro

YUNES, E.; BINGEMER, M. C. L. (org.) Bem e Mal em Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: PUC-Rio/Uapê, 2009, 146 p. – ISBN 9788585666804

Diz a editora:
O livro, organizado por Maria Clara Lucchetti Bingemer [Teologia – PUC-Rio] e Eliana Yunes [Letras – PUC-Rio], promove o encontro da literatura com a teologia em artigos de grandes especialistas dessas duas áreas do conhecimento humano. No livro, produzido em uma perspectiva interdisciplinar, encontram-se uma leitura teológica de textos de Guimarães Rosa e uma leitura da Teologia a partir da obra do escritor, cujo centenário de nascimento foi comemorado em 2008. Através de diferentes análises sobre o discurso rosiano, os autores convidam o leitor a refletir sobre a angústia humana, gerada pela necessidade de tomar decisões éticas. Diante de personagens e situações criados por Guimarães Rosa, tentam desvendar os mistérios da eterna luta entre o bem e o mal, apresentada tanto no sertão transformado em campo de batalha quanto dentro do coração humano. Passam, também, pelos pactos de que vive o homem: Deus e o diabo, eu e o outro, iguais e diferentes. No prefácio, Vilma Guimarães Rosa, filha de João, apresenta uma curta biografia do pai, revelando peculiaridades presentes no cotidiano de um escritor que, em sua travessia entre o particular e o público, criou uma linguagem que marcou para sempre a Literatura Brasileira. Novas e instigantes imagens de Grande Sertão: Veredas são reveladas a partir das leituras do grande clássico presentes nos textos de Cleide Maria de Oliveira, Delambre Ramos de Oliveira, Josias da Costa Junior, Leonardo Vieira de Almeida, Marco Antonio G. Bonelli e Maria Clara Lucchetti Bingemer. Os artigos de Eliana Yunes e Stella Caymmi trazem análises sobre dois contos de Guimarães Rosa: A hora e a vez de Augusto Matraga, publicado em Sagarana, e A terceira margem do rio, publicado em Primeiras Estórias.

 

Narrativas de Deus na Literatura Latino-americana

A narrativa literária de Deus na América Latina

Que sociedade é essa que estamos inseridos, atualmente? Para alguns, essa é uma sociedade pós-metafísica, uma sociedade que busca apoio da religião, mas reconstrói a genealogia da razão com pessimismo, de maneira considerada até derrotista. Como narrar Deus nessa sociedade? Para discutir a atualidade a partir de questões éticas, do pensamento religioso e da cultura, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU está promovendo até 26 de abril, uma programação especial de Páscoa. Nestes eventos, o IHU está realizando um conjunto de atividades integradas que pretendem compreender o impacto da figura de Jesus na cultura contemporânea. E, hoje, dia 26-03-2009, o professor da Universidade Federal do Paraná e diretor-adjunto do escritório da Fundação Ética Mundial no Brasil, Paulo Soethe, fará uma palestra intitulada Narrativas de Deus na Literatura Latino-americana. Soethe refletirá sobre como a América Latina fala sobre Deus e que influências essa narrativa sofre nesse contexto da literatura e, ainda, poderá esclarecer expressões simbólicas de narrativas religiosas que destacam e diferem a literatura latino-americana de outros países fora desse eixo. A palestra de Paulo Soethe é parte da programação do IHU Ideias durante o período da Páscoa.

Um trecho da reportagem sobre a palestra do Professor Paulo Soethe, Narrativas de Deus na Literatura Latino-americana:

(…) A partir de João Guimarães Rosa (1908-1967), por exemplo, o “nosso escritor maior”, segundo Soethe, também se percebe a emergência de uma nova forma de habitar o mundo e de novos estatutos das trocas culturais. Ou seja, o autor consegue criar uma abrangência que ultrapassa os limites da mera literalidade. Citando Wolf Lustig, Soethe percebe nessa literatura a correlação de vivências genuinamente americanas com situações básicas e existenciais que “qualquer homem em qualquer rincão do mundo” pode ter vivido. Também em sua relação com Deus.

De uma gama de grandes autores, ainda muitas vezes esquecidos na academia, como Jorge de Lima, Cornélio Pena, Alceu Amoroso Lima e Cecília Meireles, Soethe citou três obras chaves para uma releitura das narrativas de Deus na literatura brasileira: “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa; “Lavour Arcaica”, de Raduan Assar; e “Crônica da Casa Assassinada”, de Lúcio Cardoso.

Nessas obras, afirmou, encontram-se imagens jesuânicas (de Jesus), ou mesmo crísticas (de Cristo), marcantes, que se revelam por meio de personagens como Diadorim, Ana e Nina, respectivamente. Essas figuras, todas femininas, por meio de sacrifícios e imolações que sofrem durante as narrativas, trazem grandes reflexões sobre culpa e pecado, amor e redenção. Essas temáticas, explicou Soethe, são muito caras ao cristianismo e, por isso, também à própria cultura latino-americana e brasileira, pois remetem diretamente a representações da figura de Jesus Cristo, como o redentor.

“As figuras de Deus estão muito ligadas à figura do Filho na tradição cristã. Deus também é visto, na tradição do nosso continente, como anseio, como aquela presença motivadora também em cenas coletivas. Ou seja, a fé do povo reunido, que tem uma espécie de horizonte de esperança muito próxima da figura de Deus Pai”, comentou. Segundo Soethe, Deus muitas vezes aparece positivamente, como objeto de fé e de culto da população empobrecida, mas também como ausência, “como aquele que é ansiado e não é encontrado”, explicou.

Além disso, a literatura latino-americana, embora mergulhada em um ambiente cristão e de fé popular, também problematiza, de uma maneira muito madura, a dimensão do mistério e da teodiceia, comentou Soethe. “Por que tanto sofrimento se há Deus? Por que um povo que tem tanta fé precisa sofrer tanto? Deus é colocado em questão pelos escritores como ausência, como um eventual agente de injustiça, o que teologicamente é muito provocativo e que acaba constituindo uma contribuição importante da literatura latino-americana”, afirmou.

Com relação à literatura e a sociedade contemporâneas, Soethe revela que há uma necessidade de se reativar o fundamento e o substrato da solidariedade, tão marcado e marcante nas obras que revelam o sertão brasileiro. Ou seja, a alegria de viver mesmo na simplicidade da vida e da realidade. Segundo Soethe, esse “padrão ético” mostra-se um desafio e um convite ao mundo desenvolvido, que parece encontrar a felicidade apenas onde há riqueza. Nesse sentido, Soethe ainda defendeu uma possível “reinteriorização” do Brasil, com a valorização das pessoas e da cultura do campo, também muito marcado pela figura de Deus.

E aqui cabe o trecho da obra de Guimarães Rosa, que resume bem a imagem de Deus do autor, que colaborou, segundo Soethe, a partir da literatura, com o imaginário religioso do Brasil e com a própria reflexão social do país, juntamente com grandes autores como Gilberto Freire e Sergio Buarque de Holanda. Assim diz Rosa: “Como não ter Deus? Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. […] Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo“.

Veja o vídeo.

Fonte: IHU – 26 e 27 de março de 2009.

Machado e G. Rosa: tema de capa da IHU On-Line

Machado de Assis e Guimarães Rosa: intérpretes do Brasil

Este é o tema de capa da edição 275 da IHU On-Line, publicada em 29 de setembro de 2008.

 

Entrevistas:

:: João Hernesto Weber: Machado e Guimarães Rosa: dois modos de ver o Brasil

:: João Adolfo Hansen: Grande sertão: veredas: “uma máquina de moer ideologias”

:: Luciana Coronel: O olhar machadiano sobre o Brasil

:: Luiz Rohden: Guimarães Rosa, um amante do saber

:: Marcus Alexandre Motta: Uma carta a Guimarães Rosa

:: Cesar Zamberlan: O cinema não consegue se aproximar da genialidade de Machado

:: Leonardo Vieira de Almeida: Rosa e Rulfo: conto e expressão de uma América nova

:: Luis Augusto Fischer: Machado “nunca foi um lutador de praça pública”

:: Susana Kampff Lages: Grande sertão: veredas, um universo de alusões

:: Maria Cristina Cardoso Ribas: Cartas de Machado

:: Flávio Carneiro: Guimarães Rosa: um narrador do Brasil

:: Juracy Assmann Saraiva: Machado expõe a dimensão da pluralidade e da universalidade humana

Leia Mais:
Grande Sertão: Veredas – Sequências Narrativas

Machado de Assis

O que se deve exigir do escritor antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço (Machado de Assis).

Saramago lança blog

O Caderno de Saramago está disponível dentro do site da Fundação José Saramago.

Parabéns ao ilustre escritor português por esta iniciativa que dignifica a blogosfera.

 

José Saramago estreia blog na internet – BBC Brasil: 16/09/2008

O escritor português José Saramago lançou, nesta semana, um blog na internet para estabelecer uma nova forma de comunicação com seus leitores. Segundo o autor, o espaço irá trazer “o que for, comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto e aquilo, enfim, o que vier a talhe de foice”. Intitulado O Caderno de Saramago, o blog está disponível dentro do site da Fundação Saramago e já conta com dois textos publicados pelo Prêmio Nobel de Literatura. No primeiro, de 15 de setembro, o escritor resgatou um texto antigo sobre Lisboa, segundo Saramago, uma verdadeira “carta de amor” à capital portuguesa.”Decidi então partilhá-la com os meus leitores e amigos tornando-a outra vez pública, agora na página infinita de internet, e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog”, escreve Saramago, ao apresentar o texto. Na entrada desta terça-feira, o autor comenta o pedido de desculpas da Igreja Anglicana a Charles Darwin por não compreender sua teoria evolucionista. “Nada tenho contra os pedidos de perdão que ocorrem quase todos os dias por uma razão ou outra, a não ser pôr em dúvida a sua utilidade”, declarou o escritor em seu blog. Saramago terminou um novo livro, chamado A Viagem do Elefante, que será lançado em breve em espanhol, português e catalão. Um trecho da obra está disponível no blog da Fundação José Saramago, onde também está hospedado o blog do escritor.

27.06.2008: Centenário de Guimarães Rosa

Hoje estamos comemorando o centenário de Guimarães Rosa, o grande escritor mineiro, nascido em Cordisburgo em 27 de junho de 1908.

Para quem gosta de seus livros, escrevi algo que pode ajudar na leitura de Grande Sertão: Veredas, sua principal obra. Confira.

Veja também o especial Centenário de Guimarães Rosa da Folha Online, com textos, fotos e vídeos.