The Bible is a Record of Israel’s Cultural Memory, not a Record of Israel’s History

A Paulus publicou recentemente a tradução de um livro de Mark S. Smith, Professor da Universidade de Nova York, que merece atenção:


SMITH, M. S. O memorial de Deus: História, memória e a experiência do divino no Antigo Israel. São Paulo: Paulus, 2006.


O original é:

SMITH, Mark S. The Memoirs of God: History, Memory, and the Experience of the Divine in Ancient Israel. Minneapolis: Fortress, 2004, xviii + 187 p.

Na página da Paulus há duas avaliações de conhecidos especialistas na área. Destaco a de Carol Meyers: Sofisticado em sua análise, e com uma apresentação acessível, este livro é um brilhante contributo à história intelectual e cultural. Formada com o amplo conhecimento do autor sobre a literatura do Oriente Médio, a obra trata da complexa e fascinante história evolutiva da tradição e das crenças do Antigo Israel. Memorial deve ser uma leitura obrigatória para todos, leitores gerais e especialistas, que desejam entender como a memória coletiva e a amnésia trabalharam juntas para produzir o monoteísmo que se tornou o sinal de qualidade da escritura hebraica.

Duas resenhas da obra podem ser lidas na Review of Biblical Literature: a de Bernhard Lang, da Universidade de Paderborn, Alemanha, publicada em 26/2/2005, e a de Pamela Barmash, da Washington University in St. Louis, St. Louis, MO, USA, publicada em 7/5/2005. As resenhas são animadoras e ambas consideram a obra valiosa, especialmente para se discutir a questão do monoteísmo em Israel, assunto ao qual ele dedica um dos quatro capítulos.

Mark S. Smith tem várias obras importantes sobre Ugarit e sua literatura. Mas, sobre o assunto em questão, pode ser lido, com proveito, um artigo seu na CBQThe Catholic Biblical Quarterly – vol. 64, n. 4, de outubro de 2002, p. 631-651, com o título de Remembering God: Collective Memory in Israelite Religion.

Encontrados restos de camelo gigante que viveu na Síria há 100 mil anos

BBC Brasil – 10 de outubro, 2006 – 15h52 GMT

Cientistas encontram fóssil de ‘camelo gigante’ na Síria

Arqueólogos descobriram na Síria os restos fossilizados de uma espécie desconhecida de camelo gigante que viveu há 100 mil anos.

Os ossos do animal foram descobertos por uma equipe de cientistas suíços e sírios perto do vilarejo de El Kowm na parte central do país. O camelo teria o dobro do tamanho de uma espécie atual. Cientistas acreditam que este tipo de camelo gigante poderia ter sido morto por humanos, que viviam no lugar no mesmo período. Na época, há 100 mil anos, a região possuía água abundante. “Não se sabia que o dromedário estava presente no Oriente Médio há mais de 10 mil anos”, disse Jean-Marie Le Tensorer da Universidade de Basel. A corcova do camelo ficava a três metros de altura e a altura total poderia chegar a quatro metros, tão alto quanto uma girafa ou elefante. Ninguém sabia que uma espécie como esta já existiu”, acrescentou. Tensorer, que está trabalhando em escavações no vilarejo de Kowm desde 1999, afirmou que os primeiros ossos grandes foram encontrados há alguns anos mas a confirmação de que eles pertenciam a um camelo foi feita apenas depois da descoberta de várias outras partes do mesmo animal, recentemente. Entre 2005 e 2006 mais de 40 fragmentos de ossos de camelos gigantes foram encontrados pela equipe. Restos humanos do mesmo período do camelo gigante foram descobertos no mesmo local. O osso longo que forma o antebraço e um dente foram levados para a Suíça, onde estão passando por análises antropológicas (cont.)



Giant camel fossil found in Syria
Archaeologists have discovered the 100,000-year-old fossilised remains of a previously unknown giant camel species in Syria (cont.)

Lula x Alckmin na Band

O debate do debate

A repercussão dos blogues, manchetes de jornal, tevês, sobre o primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial, privilegiou, como é costume, o desempenho cênico dos candidatos. Quem estava “calmo”, quem ficou “nervoso”, são expressões recorrentes. Em segundo lugar, vem “quem fez mais perguntas que o outro não respondeu”. Só depois, se e quando se chega lá, vem a questão das ideias apresentadas.

Aqui, neste campo, a coisa se complica. Porque para os analistas é interessante debater os dois primeiros tópicos, porque eles “naturalizam” a sua posição. É mais fácil dizer que um dos candidatos levou a melhor sobre o outro porque este ficou mais nervoso no começo, ou o contrário, que o segundo levou vantagem porque se equilibrou no final, do que discutir as ideias colidentes que ambos apresentaram.

No debate da Bandeirantes, realizado no domingo, as poucas ideias prospectivas que entraram em cena, apesar de parcas, demonstraram tendências diversas do dois candidatos quanto ao Brasil que projetam. Na verdade, mais importante do que discutir quantos graus Lula ficou nervoso com a pergunta sobre a origem do dinheiro, foi observar que na verdade ele demonstrou um ponto fraco em seu governo (não em sua pessoa) na questão da saúde, que ficou pendente. Sobre a origem do dinheiro Lula deu a resposta conceitualmente correta, a de que ele é o Presidente da República e não o delegado de plantão.

Sobre Alckmin, importa menos o disparate falado sobre a compra do avião da presidência (e a sua venda para construir quatro hospitais, o que beira a piada) do que a concepção completamente autoritária de governo que ele revelou manter. Alckmin cobrou uma postura arrogante em relação à Bolívia, embora seu partido pregue uma postura subserviente aos Estados Unidos em relação à Alca. Mais grave, demonstrou profunda e autêntica insatisfação com os procedimentos jurídicos que visam garantir os direitos humanos em relação a prisões de jovens e defendeu um “aperfeiçoamento” do ECA na direção autoritária, lembrando mesmo uma pessoa que tem saudades dos ritos sumários do tempo da ditadura. Pior ainda: defendeu o escândalo que é o sistema penitenciário do Estado de S. Paulo, com o bordão de que retirou os criminosos das ruas, só esquecendo de se referir a que seu governo transformou as prisões em centrais do crime.

No campo das propostas, Alckmin formulou pouquíssimas propostas, ficando no campo dos “genéricos”, que são expressões como “eficiência”, “choque de gestão”, chegando a falar em combate à corrupção como parte de “corte de gastos”, o que é uma frase de efeito sem efeito nenhum, porque o que importa é discutir como melhorar o que o governo de Lula já fez, que foi aparelhar melhor – do ponto de vista de efetivo e do aparato conceitual – a Polícia Federal e liberar o Ministério Público das amarras com o Executivo.

Por último, vale notar que no fim de contas o “tom” de um desempenho também revela um conceito. E nisto Alckmin, mesmo que não quisesse, revelou novamente seu vezo autoritário. Excedeu-se no tempo muitas vezes; manteve o tom de “ponha-se no seu lugar” o tempo inteiro, demonstrando que seu decoro é o da Casa Grande. Neste ponto Lula talvez tenha hesitado demais, pois ninguém pode se dirigir ao Presidente da República na base do “você mente”, “não minta”, etc. Na primeira vez Lula já deveria ter pedido o direito de resposta, pelo menos para sinalizar que nesse tom um debate não pode nem deve prosseguir.

Mas talvez não haja mesmo a possibilidade de um debate. O mundo que Alckmin projeta para seu governo é tão diverso daquele em que Lula vive, que os pontos de contato (que permitem na verdade o confronto) em termos da situação em que estamos, são de fato quase inexistentes. O autoritarismo do primeiro fica evidente até na promessa feita de que não vai privatizar a Petrobras, nem a Caixa Econômica Federal, nem o Banco do Brasil. É demais exigir que a gente acredite nisso, vindo de quem acabou de privatizar a linha 4 do Metrô de S. Paulo antes que ela exista e deixou pronto o plano de vender à iniciativa privada ações da Nossa Caixa estadual para cobrir o rombo de 1,2 bilhão nas contas de S. Paulo.

Fonte: Flávio Aguiar – Carta Maior: 09/10/2006