Há quem tenha medo que o medo acabe

Para fabricar armas, é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos, é imperioso sustentar fantasmas. Os fantasmas vão morrer apenas quando morrer o medo, mas há quem tenha medo que o medo acabe.

 

Guerra sem fim no Oriente Médio

De certa forma, pode-se argumentar que não houve uma série de guerras no Oriente Médio durante esse período de 40 anos, mas sim uma única e longa guerra

Vocês sabem qual pais é um grande produtor de petróleo, vizinho de um membro da Otan, onde há militantes muito bem armados com histórico de práticas de execução, extorsão e decapitação de pessoas? Nesse país também está em marcha uma sistemática campanha contra repórteres, além de milhares de pessoas escravizadas, tráfico de mulheres e uma série de ações de intimidação nas comunidades nativas. Quem pensou na Síria, Iraque e no grupo Isis errou, pois estamos falando do México. Além disso, os cartéis mexicanos não só já realizaram ataques e assassinatos dentro dos EUA, mas já mataram mais cidadãos norte-americanos dentro dos próprios EUA do que os atentados terroristas no dia 11 de Setembro.

Apesar de tudo isso, é o Isis que representa “um claro e real perigo “para os EUA, de acordo com general Martin Dempsey, chefe do Estado-maior, que acrescentou ser necessário formar uma coalizão internacional para enfrentá-los. O secretário de Defesa Chuck Hagel afirmou ainda que o Isis representa uma ameaça superior à de grupos como a al-Qaeda, e acredita que combatentes estrangeiros com passaportes ocidentais poderiam realizar ataques em qualquer lugar do mundo.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Washington Post-ABC News no mês de outubro, 90% dos norte-americanos avaliaram o Isis como uma séria ameaça aos interesses vitais dos EUA. Esse estado de espírito foi muito bem orquestrado pelo governo e mídia. Uma pesquisa realizada pela FAIR (o grupo de verificação da mídia nacional) sobre os principais programas de debates, mesas-redondas e entrevistas na TV entre os dias 7 a 21 de setembro (quando teve inicio exposição dos vídeos de decapitações) avaliou que, do total de 205 fontes que apareceram em programas discutindo opções militares na Síria e no Iraque, apenas seis dessas pessoas expressaram oposição à intervenção militar dos EUA. Listas de convidados foram constituídas, em sua grande maioria por funcionários e ex-funcionários da Casa Branca, bem como por oficiais militares ligados ao Pentágono. (No Debate and the New War).

Essa percepção de que o Isis representa uma “ameaça existencial” permitiu, por sua vez, que o presidente Barack Obama solicitasse ao Congresso o montante de 5,6 bilhões de dólares para o inicio de uma nova guerra liderada pelos EUA no Iraque e na Síria. Assim, a Síria poderá tornar-se o 14º país islâmico que as forças dos EUA já invadiram, ocuparam ou bombardearam, e em que os soldados norte-americanos mataram ou foram mortos desde 1980. São eles: Irã (1980, 1987-1988), Líbia (1981, 1986, 1989, 2011), Líbano (1983), Kuwait (1991), Iraque (1991-2011, 2014-), Somália (1992-1993, 2007-), Bósnia (1995), Arábia Saudita (1991, 1996), Afeganistão (1998, 2001-), Sudão (1998), Kosovo (1999), Iêmen (2000, 2002-), Paquistão (2004-).

Como se sabe, em todas essas operações militares ocorre, previamente ou posteriormente, a montagem de uma enorme infraestrutura de guerra. As estimativas de gastos giram em torno de 10 trilhões de dólares ao longo das últimas quatro décadas com o argumento de combater ameaças e promover estabilidade no Grande Oriente Médio (America’s Bases of War in the Greater Middle East. From Carter to the Islamic State 35 Years of Building Bases and Sowing Disaster By David Vine Global Research, November 17, 2014).

À medida que os EUA se tornam, cada vez mais, uma sociedade multicultural e plural, torna-se cada vez mais difícil moldar um consenso sobre questões que envolvam ações militares internacionais, exceto nas circunstâncias em que se configura a iminência de uma ameaça externa poderosa (real ou virtual). Nas últimas décadas, os policymakers e a mídia em geral nos EUA têm trabalhado para convencer a opinião publica de que supostas intencionalidades de determinados atores são uma ameaça real, independente de suas capacidades militares, e assim passaram a construir modelos explicativos sobre as causas da guerra. No nível coletivo, processos de percepção são compartilhados e comunicados para criar um estado de espírito coletivo de medo. Neste sentido, as ameaças são socialmente construídas por meio de articulações, públicas e privadas, entre especialistas, líderes políticos e militares. Por exemplo, quase não se fala de onde procede, nem muito menos quais são, os recursos e as reais capacidades militares do Isis, mas são repetidos à exaustão os vídeos de execuções e decapitações para impactar emocionalmente o público.

Como lembra o poeta Mia Couto, para fabricar armas, é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos, é imperioso sustentar fantasmas. O que requer a construção e manutenção de enorme aparato de militares, jornalistas, acadêmicos que nos ensinam que, para enfrentarmos as ameaças globais, precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão de direitos. (https://www.youtube.com/watch?v=jACccaTogxE).

Sem dúvida que tudo isso faz parte da cultura do medo que sempre existiu nos EUA, é verdade, mas que se tornou onipresente e absoluto após o 11 de Setembro. Em maio de 2004, o procurador-geral dos EUA, John Ashcroft, alertou que terroristas poderiam “atacar em qualquer lugar, a qualquer momento, e com praticamente qualquer arma”, sem, contudo, especificar sobre quem estava falando e quais eram as reais capacidades desse suposto grupo terrorista. Quando perguntaram ao então secretário de Defesa do governo Bush, Donald Rumsfeld, o que constituiria a vitória na guerra contra o terrorismo após os atentados do dia 11 de Setembro, ele respondeu que dever-se-ia convencer a opinião publica de que seria uma longa batalha. Não foi outra coisa o que disse, recentemente, uma das pessoas mais influentes em questões militares nos EUA, Leon Panetta, que já teve os cargos de chefe de Gabinete da Casa Branca na administração Clinton, diretor da CIA e secretário de Defesa na administração Obama. Em entrevista para oUSA Today advertiu que os norte-americanos precisam se preparar para uma “espécie de guerra dos 30 anos”, que deveria se estender além do Isis, incluindo as ameaças emergentes na Nigéria, Somália, Iêmen, Líbia e em outros lugares.

De certa forma, pode-se argumentar que não houve uma série de guerras no Grande Oriente Médio durante esse período de 40 anos, mas sim uma única e longa guerra, uma guerra sem fim. Supondo que o Estado islâmico seja derrotado, algo bastante provável, podemos ter certeza que de as campanhas militares seguiram seu curso. Assim como até pouco tempo atrás a Al Qaeda era a maior ameaça nunca vista anteriormente, novas ameaças, tão ou mais poderosas que o Isis, serão construídas e, provavelmente, teremos o 15º pais islâmico a ser atacado, ou o retorno para algum campo de batalha de uma guerra considerada inacabada.

Podemos vislumbrar, ainda que remotamente, que essas guerras acabem algum dia? Para responder a uma questão como essa, só recorrendo à genialidade de Mia Couto. Os fantasmas vão morrer apenas quando morrer o medo, mas há quem tenha medo que o medo acabe. E não se iludam, são pessoas poderosas que colocam à sua disposição todos os recursos que possuem para que o medo permaneça.

Reginaldo Nasser é professor do curso de Relações Internacionais da PUC-SP e do programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP).

Fonte: Reginaldo Nasser: Forum/Carta Maior: 26/11/2014

Resenhas na RBL: 14.11.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Ian Boxall
Patmos in the Reception History of the Apocalypse
Reviewed by Craig R. Koester

Joseph D. Fantin
The Lord of the Entire World: Lord Jesus, a Challenge to Lord Caesar?
Reviewed by Michael F. Bird

Gordon D. Fee and Robert L. Hubbard, eds., with commentary by Connie Gundry Tappy
The Eerdmans Companion to the Bible
Reviewed by Paul S. Evans
Reviewed by David M. Maas

Scott Hahn
Consuming the Word: The New Testament and the Eucharist in the Early Church
Reviewed by Sonya S. Cronin

Jan Willem van Henten and Joseph Verheyden, eds.
Early Christian Ethics in Interaction with Jewish and Greco-Roman Contexts
Reviewed by Cornelis Bennema

Jonathan Huddleston
Eschatology in Genesis
Reviewed by James S. Lee

Daniel D. Lowery
Toward a Poetics of Genesis 1-11: Reading Genesis 4:17–22 in Its Ancient Near Eastern Background
Reviewed by Thomas L. Brodie

Anne Porter and Glenn M. Schwartz, eds.
Sacred Killing: The Archaeology of Sacrifice in the Ancient Near East
Reviewed by William L. Lyons

Voker Rabens
The Holy Spirit and Ethics in Paul: Transformation and Empowering for Religious-Ethical Life
Reviewed by Nélida Naveros Cordova

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Por que uma nova enciclopédia bíblica?

Por que uma nova enciclopédia bíblica? As questões de gênero…

(…) “Oxford University Press is issuing a series of topically-oriented Encyclopedias of the Bible. Edited by Michael D. Coogan, the series includes (among others) the Oxford Encyclopedia of the Bible and Archaeology, the Oxford Encyclopedia of the Bible and Theology, and the Oxford Encyclopedia of the Bible and Law. It was my privilege to serve as the Editor-in-chief of The Oxford Encyclopedia of the Bible and Gender Studies (OEBGS), which was published in November 2014.

Why Gender Studies? In the contemporary climate, debates rage about the Bible’s relevance for the design and maintenance of modern social structures. For examples, does same-sex marriage violate the biblical “creation order”? Does the Bible dictate particular styles of child discipline or the gender requirements for religious leaders? What does it say about abortion? Did early Christianity promote women’s equality or subvert it? What about Mary Magdalene? Does the Bible consistently portray the deity as masculine? In Romans 1, did Paul condemn same-gender loving persons or those in pederastic relationships? Are only men’s interests reflected in the Bible?

OEBGS attempts to address these and other concerns by systematically exploring the ways in which gender is constructed in the diverse texts, cultures, and readers that constitute “the world of the Bible”.”

Leia o artigo de Julia M. O’Brien, professora do Lancaster Theological Seminary, Pensilvânia, publicado, em The Bible and Interpretation, em novembro de 2014:

Why a New Bible Encyclopedia? Gender Matters

E veja também:

O’BRIEN, J. M. (ed.) The Oxford Encyclopedia of the Bible and Gender Studies: Two-Volume Set. New York: Oxford University Press, 2014, 1152 p. – ISBN 9780199836994.

O retorno da consciência apocalíptica

Nestes últimos dias de aula de 2014 estou trabalhando, com o Segundo Ano de Teologia do CEARP, o tema da apocalíptica judaica na Literatura Pós-Exílica. Clique em Apocalíptica: busca de um tempo sem fronteiras e leia o texto que estamos estudando. O livro de Daniel é um dos textos abordados. Recomendo a bibliografia atualizada no final do artigo.

Pois é. O fascículo 3 de 2014 da Revista Internacional de Teologia Concilium, que recebi em setembro, trabalha também este tema: O retorno do apocalipticismo.

Diz:

Que papel desempenha a teologia no diagnóstico em que nos defrontamos do “retorno da consciência apocalíptica”? Sua tradição será uma fonte para as imagens que se adaptam ao espírito da época ou será que essa tradição judaico-cristã alberga também outros modos de leitura, que possivelmente estejam enterradas? O “fim” de um mundo e de um tempo estará apontando para o começo de um novo mundo e de um novo tempo? Ou será que esse pensamento representa apenas uma fuga da atualidade, que do contrário poderia parecer insuportável? Esse fascículo aborda o que significa “apocalíptica” na tradição bíblica, como essa tradição bíblica continua viva ou é absorvida de uma maneira nova na teologia cristã atual – e quais as consequências que surgem daí. Além disso, pedimos a alguns de nossos autores para analisarem de maneira bem concreta e explícita o tema da apocalíptica a partir de sua própria perspectiva cultural-religiosa…

The Return of Apocalypticism: In general, ‘apocalyptic’ (‘‘apocalyptic imagination’, ‘apocalyptic writing’, and so on) is now taken as referring to ‘eschatology’ (the theological doctrine of the ‘last things’), or to the onset of some ultimate horror or catastrophe, and to a compaction of historical time seemingly inimical to utopian visions or to hopeful signs of a new beginning. As association with the literal sense of the Greek apokaluptikos (=’revelation’; from apokaluptein = ‘uncover’) suggests the prospect of profound changes that might justify optimism or pessimism. An essentially negative aspect of this revived apocalyptic sensibility betrays a certain disorientation amidst the upheavals of the early twenty-first century customarily interpreted as anxiety arising from our contemporary situation or as fear of the future. Disasters are experienced as so overwhelming that images of the ‘last days’ are treated as cultural metaphors for a present age without a future, this present age being one that sees the possibilities of life as predetermined and unaffected by the shaping force of human action. Those apocalyptic images also become a signature of ‘post-modern’ culture, which treats all traditional symbols aesthetically and playfully, without any association with ethical, political or even religious convictions. One might almost be tempted to say that the more widespread this appreciation of an aestheticized apocalypticism becomes, the less attention is paid to those who are actually exposed to disasters that do indeed bear all the signs of ultimate catastrophe. Is nothing said or done about the victims of civil wars, extreme poverty, and climate disasters, precisely because their suffering is very real and not so easily assigned to the culture industry as the symbolic instances of art, culture and scholarship? Is there a similar indifference to the 85 wealthiest people in the world, who have accumulated more riches that the lesser half of the world population, or 3.5 billion people, as Oxfam asserts, because we are totally incapable of grasping this outrageous ratio? What is the role of theology in this revival of apocalyptic awareness? Is theological tradition a source of images that happen to fit the spirit of our age, or does Judaeo-Christian tradition offer other interpretation? Does the ‘end’ of this particular world and this particular age refer us to the beginning of a new world and a new age? Or does this notion merely represent a flight from present conditions that would be unbearable otherwise? This issue of Concilium enquires into the meaning of ‘apocalyptic’ in biblical tradition; how that tradition persists in, or is re-introduced into present-day Christian theology; and the consequences…….

Leia Mais:
Concilium comemora 50 anos em 2015

Concilium recebeu o prêmio Herbert-Haag 2015

Ao comemorar seus 50 anos de existência a revista internacional de teologia Concilium foi agraciada com o Prêmio Herbert-Haag pela Liberdade na Igreja. O prêmio será entregue a Felix Wilfred em março de 2015 em Lucerna, Suíça.

 

Concilium awarded the Herbert-Haag Prize 2015

Hymns Ancient & Modern, London, UK, the publishers of the English edition of Concilium (which appears in six languages), are proud to announce that the world’s leading international theological journal founded by Karl Rahner, Edward Schillebeeckx, Johann Baptist Metz, Yves Congar, Hans Küng, Paul Brand and Anton van den Boogard has been awarded the prestigious Herbert Haag Prize for 2015 by the Herbert Haag Foundation for Freedom in the Church located in Lucerne, Switzerland. The Herbert Haag Prize is one of the world’s most coveted awards in the field of theology and associated disciplines and has been given to Concilium in acknowledgement of the journal’s exceptional achievement over its 50 years of existence in describing and analysing all major aspects of theology in the modern world, its consistent practice in responsibly following and developing the world-shaking views and debates of the Second Vatican Council, and its fearless cutting-edge advancement of the open-ended spirit of the Council in the new era of intercultural theory and practice presided over by Professor Felix Wilfred. The Prize was also awarded to the German moral theologian Regina Ammicht Quinn, a member of the Editorial Board of Concilium and a regular contributor to the journal, who teaches in the International Centre for Science and Morality in Tübingen, for her many years of courageous exploration of questions associated with Christianity and human physiology, and especially sexuality, undaunted by attempted censorship by Vatican conservatives, right-wing opposition to her views, and ecclesiastical intervention to prevent her holding a chair of theology. The Prize will be received in Lucerne in March 2015 by Professor Felix Wilfred, President of the Board of Directors of Concilium, on behalf of the journal which he now administers from its international centre in Madras, India, and by Dr Ammicht Quinn.

Concilium comemora 50 anos em 2015

A revista internacional de teologia Concilium se encaminha para o 50º aniversário de sua publicação, que traz a data de início do primeiro número: 15 de janeiro de 1965. Com o primeiro fascículo deste ano, 1/2014, dedicado à temática Viver na diversidade, a revista percorre assim o 50º ano de atividades (1965-2014), para se preparar para celebrar o 50º aniversário no Rio de Janeiro, Brasil, na semana de Pentecostes de 2015.

A análise é do teólogo italiano Rosino Gibellini, doutor em teologia pela Universidade Gregoriana de Roma e em filosofia pela Universidade Católica de Milão, publicada pelo blog Teologi@Internet, da Editora Queriniana, 16/06/2014.

No já histórico Editorial, assinado por Karl Rahner e por Edward Schillebeeckx no primeiro número da publicação (15 de janeiro de 1965), afirmava-se: “Em comparação com as enormes tarefas da Igreja em todo país, cada nação é ‘teologicamente subdesenvolvida’. Nesta revista, a teologia de cada parte pretende ajudar as das outras nações a se desenvolver. Uma vez que existem muitas mais revistas do que as pessoas pode tomar conhecimento no seu dia-a-dia, deve haver uma que sirva de guia para elas e que remeta a elas. A revista quer ser expressão da responsabilidade que a teologia católica tem em relação à vida real da Igreja”.

E Congar dava este testemunho ao programa pastoral e ecumênico da nova revista: “Concilium tenta ser um radar, que prolonga na mutação contemporânea a grande tradição teológica. A teologia está sempre em busca. Isso é importante no momento em que enfrentamos tantos problemas novos”.

(…)

A revista nascera no fervor pastoral e teológico do Concílio Vaticano II, a partir de uma ideia do editor holandês, Paul Brand, de Hilversum (Holanda), já durante a primeira sessão (11 de outubro a 8 de dezembro de 1962), que, presente em Roma, buscava agregar em torno do seu projeto editorial algumas assinaturas de teólogos-peritos.

No início, houve dificuldades, mas o projeto rapidamente se concretizou a partir do dia 20 de novembro de 1962, quando se definiu a linha de renovação da assembleia, com o pedido de remodelar fundamentalmente o esquema (projeto de texto) sobre as Fontes da Revelação, no dia 20 de novembro; pedido acolhido pelo Papa João XXIII no dia 21 de novembro de 1962: essa é a data indicada por várias reconstruções historiográficas do início da Concilium.

Os primeiros teólogos que aderiram foram o dominicano Edward Schillebeeckx, de Nijmegen, e o jesuíta Karl Rahner, de Innsbruck, aos quais logo se somaram o dominicano francês Yves Congar e dois jovens teólogos de língua alemã: Hans Küng, de Tübingen, e Johann Baptist Metz, de Münster.

São esses os Fundadores, aos quais se deve acrescentar dois nomes de leigos comprometidos (e essa já era uma novidade para uma revista teológica): o já citado editor Paul Brand, idealizador da Concilium; e o administrador presidente, especialista em orçamentos e economia, Anton van den Boogaard, de Nijmegen.

A organização prosseguiu, e, em Saarbrücken – na fronteira entre a França e a  Alemanha –, realizou-se a assembleia constituinte da Revista Internacional de Teologia Concilium, no dias 19 a 21 de julho de 1963, na presença de 13 teólogos e de dois leigos (aos teólogos já nomeados, é preciso acrescentar, em particular, também Walter Kasper. Ausências justificadas: R. Aubert, Y. Congar, J. Ratzinger). Data da fundação da revista: 20 de julho de 1963 (documentada no Rapport Sarrebruck le 20 juillet 1963).

Leia: O 50º aniversário da revista Concilium: um radar teológico – Notícias: IHU On-Line 18/06/2014

Original italiano:

Concilium verso il 50° anniversario: Un radar teologico – Rosino Gibellini: Teologi@Internet 16/06/2014

La rivista internazionale di teologia Concilium si avvia al 50° anniversario della sua pubblicazione, che reca la data d’inizio del primo numero: 15 gennaio 1965. Con il primo fascicolo di quest’anno, 1/2014, dedicato alla tematica Vivere nella diversità, la rivista così percorre il 50° anno di attività (1965-2014), per prepararsi a celebrare il 50° anniversario a Rio de Janeiro, Brasile, nella settimana di Pentecoste del 2015.

Nell’ormai storico Editoriale, firmato da Karl Rahner e da Edward Schillebeeckx nel primo numero della pubblicazione (15 gennaio 1965) si affermava: «In confronto ai compiti immani della Chiesa in ogni paese, ogni nazione è “teologicamente sottosviluppata”. In questa rivista la teologia di ciascuna parte intende aiutare quelle delle altre nazioni a svilupparsi. Siccome ci sono molte più riviste che l’uomo della pratica possa accostare, ce ne dev’essere un’altra che faccia da guida ad esse e da rapporto ad esse. La rivista vuol essere espressione della responsabilità che la teologia cattolica porta nei riguardi della vita reale della Chiesa». E Congar rendeva questa testimonianza al programma pastorale e ecumenico della nuova rivista: «Concilium tenta di essere un radar, che prolunga nella mutazione contemporanea la grande tradizione teologica. La teologia è sempre in ricerca. Ciò è importante nel momento in cui siamo aggrediti da tanti problemi nuovi».

(…)

La rivista era nata nel fervore pastorale e teologico del concilio Vaticano II da un’idea dell’editore neerlandese, Paul Brand di Hilversum (Paesi Bassi), già durante la prima sessione (11 ottobre – 8 dicembre 1962), che, presente a Roma, cercava di aggregare attorno al suo progetto editoriale, alcune firme di teologi-periti. All’inizio vi erano difficoltà, ma il progetto si va rapidamente concretizzando, a partire dal 20 novembre 1962, quando si fa chiara la linea di rinnovamento dell’assemblea, con la richiesta di rimodellare fondamentalmente lo schema (progetto del testo) sulle Fonti della Rivelazione, il 20 novembre; richiesta accolta dal papa Giovanni XXIII il 21 novembre 1962: rimane questa la data indicata da varie ricostruzioni storiografiche dell’inizio di Concilium.

I primi teologi ad aggregarsi furono il domenicano Edward Schillebeeckx di Nimega e il gesuita Karl Rahner di Innsbruck, a cui si aggiunsero presto il domenicano francese Yves Congar, e due giovani teologi di lingua tedesca: Hans Küng di Tubinga e Johann Baptist Metz di Münster. Sono questi i Fondatori, cui si devono aggiungere due nomi di laici impegnati (e questa era già una novità per una rivista teologica): il già citato editore Paul Brand, ideatore di Concilium; e l’amministratore-presidente, esperto in bilanci ed economia, Anton van den Boogaard di Nimega.

L’organizzazione procede e a Saarbrücken – sulla linea di confine tra Francia e Germania – si tiene l’assemblea costituente della Rivista Internazionale di Teologia, Concilium, il 19-21 luglio 1963, alla presenza di 13 teologi e di due laici (ai teologi già nominati è da aggiungere in particolare anche Walter Kasper; assenti giustificati: R. Aubert, Y. Congar, J. Ratzinger). Data di fondazione della rivista: 20 luglio 1963, documentata nel Rapport Sarrebruck le 20 juillet 1963 [prosegui].

Leia Mais:
Alguns livros e artigos sobre o Vaticano II
O Concílio Vaticano II

Resenhas na RBL: 06.11.2014

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Walter Brueggemann
The Practice of Prophetic Imagination: Preaching an Emancipating Word
Reviewed by Leonard Mare

Michael H. Burer
Divine Sabbath Work
Reviewed by Margaret Daly-Denton

Timo Eskola
Beyond Biblical Theology: Sacralized Culturalism in Heikki Räisänen’s Hermeneutics
Reviewed by Vernon K. Robbins

Irmtraud Fischer and Mercedes Navarro Puerto, eds., with Andrea Taschl-Erber
Torah
Reviewed by Elaine T. James

Philip Goodwin
Translating the English Bible: From Relevance to Deconstruction
Reviewed by Stephen Pattemore

George Anton Kiraz
The New Syriac Primer: An Introduction to The Syriac Language
Reviewed by H. F. van Rooy

Aaron J. Koller
The Semantic Field of Cutting Tools in Biblical Hebrew: The Interface of Philological, Semantic, and Archaeological Evidence
Reviewed by Stephen J. Bennett

Zhixiong Niu
“The King Lifted up His Voice and Wept”: David’s Mourning in the Second Book of Samuel
Reviewed by David G. Firth

Mark Allan Powell
Jesus as a Figure in History: How Modern Historians View the Man from Galilee
Reviewed by Brian C. Small

Emmanuel L. Rehfeld
Relationale Ontologie bei Paulus: Die ontische Wirksamkeit der Christusbezogenheit im Denken des Heidenapostels
Reviewed by Lars Kierspel

>> Visite: Review of Biblical Literature Blog

A sonda Rosetta

A última quarta-feira, 12 de novembro de 2014, foi um dia para entrar na história!

No dia 12/11/2014, pela primeira vez, uma sonda espacial pousou em um cometa, a mais de 500 milhões de km da Terra.

A sonda Rosetta, da Agência Espacial Europeia, está estudando o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que contém materiais restantes da formação do Sistema Solar, cuja idade é de 4,56 bilhões de anos, aproximadamente. A pesquisa ajudará a entender a formação de nosso sistema.

Por que o nome Rosetta? Confira aqui e aqui. E o módulo que pousou no cometa chama-se Philae.

Siga as notícias a partir de Robô liberado pela sonda Rosetta pousa em cometa, confirma agência e dos links desta página.

E não deixe de ler o artigo do astrônomo Cássio Barbosa sobre o pouso da Philae no cometa.

Mais notícias e fotos no site da Agência Espacial Europeia – ESA, especialmente aqui e aqui.

Versão em português de Portugal aqui.

Fontes: G1 e ESA.

A memética negativa das narrativas midiáticas

Chegamos ao clímax de uma campanha eleitoral que reflete uma cultura de criminalização que produz uma ativa rejeição da política, apresentada cotidianamente em narrativas midiáticas que ficcionalizam as notícias e novelizam a política, com reiteradas associações da política e dos políticos com corrupção, ilegalidade, traições, intrigas. Uma memética negativa que afasta e despolitiza os muitos do que realmente está em jogo: interesses econômicos, especulação contra a vida, a privatização das riquezas, o moralismo e conservadorismo em que assujeitam minorias e diferenças.

Essa cultura do “ódiojornalismo” e o estilo Veja também aparecem na retórica dos articulistas e colunistas de diferentes jornais e veículos de mídia que formam hoje uma espécie de “tropa de choque” ultraconservadora (Arnaldo Jabor, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Demétrio Magnoli, Ricardo Noblat, Rodrigo Constantino, são muitos), que alimentam uma fábrica de memes de uma ultradireita que se instalou e trabalha para minar projetos, propostas, seja de programas sociais, seja de ampliação dos processos de participação da sociedade nas políticas públicas, seja de processos de democratização da mídia e todo o imaginário dos movimentos sociais.

Sabemos que uma revista como a Veja é motivo de piada em todos os Cursos de Comunicação do país, não apenas pelo nível de distorção e editorialização de suas capas, mas como exemplo de um singular negócio. A moeda da Veja e de parte da mídia nunca foi o jornalismo, mas a “produção de crise” e sua capacidade de produzir instabilidade política e destruir reputações. Essa é sua única moeda: a ameaça de produção de crise e o restabelecimento da “estabilidade”.

Leia: As polarizações não dão conta das mudanças de imaginário

Entrevista da professora Ivana Bentes, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, à IHU On-Line – 05/11/2014.