SBL 2010: considerações e links interessantes

Jim Davila agrupou, hoje, no PaleoJudaica, uma série de links interessantes e fez algumas considerações sobre o que aconteceu no Congresso da SBL em Atlanta. Confira:

Random SBL 2010 Reflections and Links

E no Exploring Our Matrix, de James F. McGrath, vale a pena conferir o post do dia 23/11/2010:

Bloggership: The #SBL10 Session on Blogging and Online Publication

Atualização em 27.11.2010:
The Full #SBL10 Blogger Session and More – Exploring Our Matrix
The SBL 2010 Experience – Scotteriology

Encontro de Lula com a blogosfera brasileira

“Nunca antes na história deste país” um Presidente da República recebeu a blogosfera e tratou de maneira tão clara e descontraída de tantos temas importantes.

Isto aconteceu hoje. O Presidente Lula recebeu, na parte da manhã, no Palácio do Planalto, um grupo de blogueiros para uma entrevista que durou pouco mais de duas horas. E que foi transmitida pela Internet, conseguindo forte audiência.

 

Visão inquisitorial continua a assombrar os brasileiros

Mídias e os tempos sombrios da ditadura militar

O artigo de Luís Carlos Lopes, publicado na Carta Maior em 19/11/2010, começa assim:

“A intriga e a calúnia continuam a assombrar aos brasileiros. As grandes mídias insistem na desqualificação da presidenta eleita. Foram como abutres aos arquivos oficiais do Estado para conseguir combustível, insistindo na tese de que a eleita é uma ‘criminosa’, não tendo por isto condições e legitimidade para governar. Querem continuar um processo que já foi encerrado.

Agora, o objetivo não é mais de ganhar a eleição. Já perderam. O que desejam é paralisar a eleita, fazendo-a reviver o pesadelo de sua juventude. Lembrar o que ela já foi, obviamente, na versão parcial e difamatória a que estão acostumados. Afinal, o Estado sempre foi ‘pilotado’ por homens que jamais se levantaram contra a simbiose desse com as elites do país”.

E diz mais adiante:

“Para manter a ordem intacta, eles tentam de tudo. Com uma das mãos acenam com a aceitação da vontade popular, com a outra brandem, por meio das grandes mídias, suas armas preferidas: a intriga e a calúnia. Dilma, mulher e guerrilheira nos anos de chumbo do Brasil, é muito mais do que eles conseguem tolerar. Temem que ela vá além de Lula, fazendo, por exemplo, o que sua colega da Argentina fez. Acabando com a impunidade dos criminosos da época da ditadura, abrindo para valer os arquivos secretos dos militares e dizendo a todos qual é a verdadeira história destas mídias que tanto a difamam.

Dilma nem chegou ao governo e já enfrenta uma onda de acusações. Como nada podem falar do presente, foram buscar no passado lenha para acender suas fogueiras prediletas. Esta visão inquisitorial tem uma triste história no Brasil, desde o passado colonial. Isto só vai acabar quando seus fundamentos socioculturais forem enfrentados em profundidade. Os armários dessa gente têm mais esqueletos do que os ingênuos imaginam. Basta abri-los e deixar entrar a luz purificadora do sol”.

O artigo termina nos lembrando que:

“A história do país continua sendo ensinada como uma arte do esquecimento. Não chega à maioria das escolas as verdades reais do passado do país. Por isso, é fácil destacar fatos isolados, pinçá-los, sem qualquer escrúpulo e gritar que a Dilma é alguém pouco confiável. Com isto, se quer paralisá-la, impedir sua marcha e conter qualquer ímpeto mais profundo do seu futuro governo. Espera-se que ela não peça desculpas pelo que foi no passado e que aproveite a oportunidade para denunciar os que a agridem”.

Biblioblogueiro do Mês: Setembro de 2006

Fui escolhido em 2006 como o biblioblogueiro do mês de setembro. Na ocasião fui entrevistado por Jim West, e esta entrevista foi publicada no site Biblioblogs.com  definido como an aggregate of blogs geared toward Biblical Studies, ou seja, um agregado de blogs voltados para os Estudos Bíblicos. Confira Featured Blogger Interviews para as várias entrevistas dos biblioblogueiros. A minha pode ser lida aqui.

Reproduzo, a seguir, minha entrevista.

 

Blogger of the Month for September 2006Airton José da Silva - Aula inaugural no CEARP, Brodowski, em 01.02.2010

Jim West Interviews Airton José da Silva

Editorial Note: Airton José da Silva is the author of the site Ayrton’s Biblical Page.

JW: Professor da Silva, would you please introduce yourself to our readers?

AS: Airton está bom. Eu nasci em 1950 em Patos de Minas, Minas Gerais, Brasil, e vivi meus primeiros nove anos na fazenda de meus pais. Minha família é de tradição católica, e acabei fazendo estudos de Filosofia em dois tradicionais seminários de Minas Gerais. Em 1970, aos 19 anos, fui para a Europa para estudar Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, Itália, onde fiquei 6 anos, tendo obtido o Mestrado em Teologia Bíblica, curso que foi feito parcialmente na Gregoriana e parcialmente no Pontifício Instituto Bíblico (= PIB).

Ao voltar ao Brasil, após algum tempo em minha cidade trabalhando como assessor exegético para a diocese, transferi-me em 1979 para Ribeirão Preto, SP, para lecionar na Faculdade de Teologia local e também na Faculdade de Teologia da PUC de Campinas, SP. Vivo em Brodowski, pequena cidade próxima a Ribeirão Preto. Dedico-me exclusivamente à Bíblia, e, de vários anos para cá, somente à Bíblia Hebraica.

JW: Thank you. Would you care to tell us how you became interested in academic study of the Bible?

AS: As causas mais remotas devem estar ligadas ao fato de eu ter crescido, no Brasil, em um ambiente no qual ocorreu intenso processo de reforma eclesial, desencadeado pelo Concílio Vaticano II e pela Conferência de Medellín, levando, como se sabe, à legitimação e ampliação da Teologia da Libertação. A conseqüente renovação dos estudos teológicos, os novos espaços conquistados pela Bíblia na liturgia, na catequese e na pastoral devem ter exercido forte influência em minhas escolhas. Pouco a pouco a Bíblia deixou, em minha juventude, de ser “coisa de protestante”, preconceito bastante difundido entre os católicos brasileiros da época, para ser, de novo, o livro da Igreja, de todas as igrejas cristãs.

A opção pelos estudos acadêmicos de Bíblia, porém, ocorreu, de maneira mais imediata, em Roma. Eu diria que fui influenciado especialmente por brilhantes colegas brasileiros que estudavam no PIB, e com os quais eu convivi no Colégio Pio Brasileiro, e por alguns professores da Gregoriana que me fizeram gostar de Bíblia, como G. Bernini de quem, se dizia, dormia com os livros de G. Von Rad debaixo do travesseiro…

E, que não me levem a mal os teólogos, mas fui influenciado até pelas atitudes autoritárias de alguns professores de Teologia — rigorosos jesuítas — que me desgostavam por defenderem, em minha opinião, certas ideias que tinham mais a ver com crença do que com ciência. Não sei bem porque, mas sempre vi os estudos bíblicos como mais científicos e objetivos do que outras áreas da Teologia. Embora, confesso ter ficado fascinado com as leituras de Küng, Moltmann, Metz, Rahner, Congar, Schillebeeckx, Gutiérrez, Boff…

Por outro lado, em meus devaneios de criança, olhando a paisagem do alto das montanhas da fazenda onde nasci — Minas Gerais é o mais montanhoso dos Estados brasileiros – eu me via realizado no dia em que fosse um cientista… Não ria! Sonhos de criança! Mas, voltando à realidade, na escola sempre gostei de História, Geografia, Línguas e Literatura. Li muito, desde cedo, desde os 4 anos de idade, por influência de minha avó materna, filha de uma professora famosa na região. Eu era “o bisneto da Professora” e devia, um dia, ser professor, diziam ao meu redor.

Em Roma, estudei em uma Universidade com colegas de umas 75 nacionalidades diferentes e com professores de uma dezena de países. Convivi com muitas línguas e culturas e com a História que transpira da própria cidade de Roma. Creio que os ingredientes para o estudo acadêmico da Bíblia já estavam de certo maneira à mão. Bastava que, no momento certo, fossem levados ao fogo. E foi o que ocorreu: em determinado momento eu tive a certeza de que queria ser um biblista pelo resto de minha vida.

JW: Why Hebrew Bible in particular?

AS: Na verdade, trabalhei um bom tempo com o Novo Testamento, estudando e lecionando especialmente o Evangelho de Marcos, as Cartas de Paulo e o Grego do NT. Tive a oportunidade de estudar com Jacques Dupont, por exemplo, o que me levou às parábolas e ao tema de minha Dissertação de Mestrado sobre Mt 25,1-13, com orientação do Professor Ugo Vanni.

Por outro lado, estava começando naqueles anos o uso cada vez mais persistente dos métodos sincrônicos nos estudos bíblicos, e eu me envolvi com estudos linguísticos e literários de Saussure, Benveniste, Barthes, Greimas, Umberto Eco, Genette, Todorov e tantos outros que nem me arrisco a citar todos.

Além disso, motivado pela luta contra a ditadura militar que persistia no Brasil desde 1964, luta na qual a Igreja estava fortemente envolvida, embrenhei-me pelo marxismo e pela leitura sociológica da Bíblia. Na França saía, naquela época, a obra de Fernando Belo, na qual Marx e Marcos caminhavam lado a lado, numa mistura bastante exótica até de abordagem estruturalista de Barthes com o marxismo de Althusser e a psicanálise de Lacan. Esta obra, por exemplo, gerou grande entusiasmo entre os estudantes de Bíblia.

Apesar de tudo isso, desde a época de Roma eu era fascinado pela História do Antigo Oriente Médio e pela Literatura Profética. O já citado professor Bernini me ensinou a gostar de Jeremias, e no PIB estudei com Alonso Schökel, J. Alberto Soggin, Ernst Vogt, Robert North, Rémi Lack e outros professores de Bíblia Hebraica. Se tento avaliar hoje mais corretamente as suas posturas, não creio que fossem hipercríticos — no PIB da época sempre se caminhava com independência, mas prudência — porém, eram mestres que nos incentivavam a encontrar nossos próprios caminhos. Isto tudo teve sua participação em minhas escolhas.

JW: As a scholar of the Bible, what drew you to “blogging” about it?

AS:Quando comecei a ler sistematicamente os biblioblogs de Mark Goodacre, James Davila e o seu, foi que surgiu a ideia de começar o meu próprio blog. Como tenho uma página dedicada a estudos acadêmicos de Bíblia desde 1999, percebi que um biblioblog poderia ser a solução para algumas coisas que estava querendo fazer com mais agilidade. Como, por exemplo, ter um espaço mais flexível para comentar a relação da Bíblia com o mundo atual, acompanhar o debate acadêmico sobre a “História de Israel”, noticiar descobertas arqueológicas importantes e/ou polêmicas, transmitir em português para meus visitantes – que nem sempre leem inglês ou alemão – os temas mais significativos do debate bíblico atual, estabelecer contato com outros biblioblogueiros, comentar os atuais conflitos do Oriente Médio.

Assim, quando acompanhei, através dos biblioblogs, o debate de 2005 na SBL CARG – The Pleasures, Pains and Prospects for Biblioblogging — vi que era chegada a hora: o Observatório Bíblico foi criado no dia 07/12/2005 e neste dia escrevi: “Este biblioblog é uma ferramenta jornalística associada ao meu site, do qual faz parte. Quer oferecer ao visitante comentários recentes sobre as interpretações arqueológicas, históricas e exegéticas relevantes para o estudo da Bíblia (…) Para ficar sabendo o que está acontecendo no mundo dos estudos bíblicos, venha visitar, com frequência, o Observatório Bíblico”.

JW: Do you think that blogging will continue to be an important instrument for scholarly work?

AS: Esta não é um pergunta fácil de ser respondida, pois implica em apostar em desconhecido futuro. Mas, em princípio, minha resposta é positiva. E cheia de esperanças. Acredito que este seja um espaço privilegiado para um debate aberto e franco sobre o trabalho acadêmico, desde que não seja um substitutivo do mesmo.

Percebo, contudo, vários riscos no blogar: pode tornar-se uma espécie de vício para quem gosta de escrever, tomando precioso tempo que poderia ser dedicado à leitura de livros e artigos e à pesquisa exegética, já que um computador ligado o tempo todo na Internet é uma séria ameaça a muitas outras atividades, porque é, de fato, muito envolvente; pode substituir as páginas tradicionais na web, coisa que eu não gostaria de fazer com a minha, porque creio que aquele é um espaço que possibilita maior profundidade acadêmica; de repente, todos nós podemos estar muito ocupados escrevendo sobre as mesmas coisas, sem acrescentar muita coisa ao conhecimento humano; podemos ficar envolvidos na leitura de feeds por várias horas diárias… e há mais riscos.

Mesmo assim, acredito que, sendo criteriosos, temos uma formidável ferramenta ao nosso alcance, coisa jamais sonhada quando eu era um estudante em Roma e lutava com uma máquina de escrever manual para fazer meus trabalhos que só eram acessíveis a dois ou três amigos. Um blog é uma ferramenta democrática.

JW: What sort of blogs do you make use of yourself?

AS: Principalmente biblioblogs. Uma parte está em meu blogroll, mas há mais biblioblogs em meu leitor de feeds. Consulto também alguns blogs de grandes jornais de alguns países e blogs de TI.

JW: Your blog always contains a variety of interesting pieces. You have wide ranging interests. Do you think the Bible has relevance for today or is it simply a collection of ancient documents of interest only to antiquarians?

AS: Vejo que, na leitura da Bíblia aqui no Brasil, há duas tendências: uma, que faz da leitura bíblica um instrumento para incentivar a organização popular e a consciência crítica, mas não pára na Bíblia e sim desemboca na vida; outra que produz uma reificação da Bíblia, conduzindo a uma espécie de “sionismo cristão”, tendo como meta a Igreja, na reestruturação de uma neocristandade. Estou com a primeira tendência: sempre defendi que a Bíblia tem relevância para o mundo atual.

Porém, a leitura bíblica quando aplicada à realidade atual pode ser por demais genérica, privilegiando uma linguagem utópica e encontrando sensíveis dificuldades em fazer a passagem dos princípios éticos para propostas políticas concretas. Tal leitura tende a fazer da política objeto de crença, e isto é muito ruim. Estas dificuldades, entretanto, podem ser enfrentadas com o uso de instrumentos socioanalíticos válidos, tanto na leitura da Bíblia quanto na leitura da realidade social atual. Enquanto a leitura histórico-crítica ajuda a desvendar melhor o próprio texto da Bíblia, a mediação socioanalítica ajuda a compreender melhor o contexto. Donde a pertinência de uma abordagem sociológica.

JW: If you had to restrict your blogging to either Hebrew Bible related items or to current events, which would you choose, and why?

AS: Coerente com minhas convicções, eu não faria essa escolha, ou a Bíblia ou a realidade atual. Isto por várias razões, das quais cito três:

1) A permanência só na Bíblia a absolutiza e a torna vítima das atrações do populismo, um fenômeno muito forte no Brasil. Explico: na medida em que as igrejas dão voz e vez ao povo através da intervenção da consciência crítica hierarquizada e institucionalizada, elas se legitimam em sua prática pelo processo de identificação do “povo brasileiro” com o “povo de Deus”. Esta atitude é semelhante à do populismo político brasileiro que explora a ideia de unidade nacional para manter o domínio das elites sobre as classes populares. Os dois jogos se completam e se amparam na relação entre o político e o religioso. Esta atitude soteriológica tem suas regras: cada ato humano, mais ou menos político, pouco importa, é transfigurado pela leitura teológica que o insere no plano divino global de salvação do homem. De certo modo, as igrejas recriam a sociedade brasileira mediante o filtro teológico. E é aí que aparece o papel da Bíblia: ela é usada pelas igrejas como “chave sagrada” para entrar na consciência do povo e lhe dar a medida da realidade. Repito o que disse acima: este processo é muito ruim, pois estamos lidando com um jogo invertido, já que não há real interesse em transformar as estruturas sociais em benefício do povo, mas sim em salvaguardar os privilégios das igrejas. No Brasil atual temos muita religião e pouca fé…

2) A segunda razão é, para mim, evidente: o estudioso do mundo bíblico não pode ficar alheio aos graves conflitos que acontecem hoje no mundo. É espantoso que um biblista consiga “tirar água de pedra” quando está analisando um texto bíblico, mas seja incapaz de sair de sua “torre de marfim” para a “torre de Babel” do mundo atual e dialogar com a pluralidade das culturas e das linguagens. No caso dos atuais conflitos do Oriente Médio, o silêncio dos biblistas sobre o que acontece ali é o resultado de uma cumplicidade com aqueles que estão matando multidões de seres humanos para sustentar os excessos do consumismo capitalista. O biblista é um privilegiado por sua formação e pelos instrumentos de análise ao seu alcance: como ele pode viver no mundo atual como se ele não existisse? Não vejo inocentes nesta situação…

3) Por último eu diria que quatro elementos devem ser levados em conta em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional: a. os contextos da época bíblica; b. a produção dos textos bíblicos; c. os contextos atuais; d. os leitores atuais dos textos. O sentido da Bíblia, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos. Ou seja: da Bíblia não devemos esperar fórmulas a copiar ou técnicas a aplicar, mas o que ela pode nos oferecer é o que eu chamaria de “competência hermenêutica”, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos as situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados.

JW: Your blog is in Portuguese. Do you have any plans on expanding to a bilingual edition?

AS: Isto é uma limitação, pois o português é pouco conhecido, enquanto o inglês é a “língua geral” do mundo atual. Porém não tenho, por enquanto, planos de fazer uma edição bilíngue, já que isto aumentaria meu trabalho de maneira significativa. Mas não descarto a hipótese. Um dia, quem sabe…

JW: I’d like to change subjects now. What do you do for fun? What are your hobbies outside academic interests?

AS: Como é costume no Brasil, jogava futebol quando estudante. Nos tempos de Roma estudei alguns anos de violão clássico, mas hoje não me dedico mais, só aprecio a boa música. Gosto de ouvir os clássicos e o jazz. Descanso lendo literatura e, por incrível que isso possa parecer, física relativista e quântica, pelo menos em nível de divulgação, já que não tenho estudos superiores nesta área. Admiro Einstein acima de tudo e gosto de cosmologia. Gosto de Fórmula 1 e sou um fã incondicional de Ayrton Senna. Mas o que mais gosto é das montanhas de Minas Gerais, onde costumo me refugiar quando em férias.

JW: What one thing about you might our readers find unusual or particularly interesting?

AS: Quando estudante em Roma, passava parte de minhas ferias de verão na Alemanha, trabalhando na Daimler-Benz em Sindelfingen e isto foi uma experiência diferente: morar em uma família alemã em Böblingen, de cultura e costumes tão diferentes, trabalhar em uma fábrica de mais de 30 mil operários me ajudou a entender “outros mundos”. E para terminar: meu maior sonho como biblista é um dia escrever um comentário a Jeremias, meu profeta preferido.

JW: Professor, thank you for your time. Your blog is highly informative and we thank you for it.

AS: Foi uma honra. Obrigado por esta entrevista em setembro, nosso Mês da Bíblia, em homenagem a São Jerônimo, o Homem da Bíblia, falecido em Belém em 30 de setembro de 420 aproximadamente.

Jim Davila fala sobre os biblioblogs no século XXI

Este é o texto da palestra de Jim Davila, do PaleoJudaica, a ser apresentada no dia 22 próximo, no Congresso de 2010 da SBL – Society of Biblical Literature -, que acontece em Atlanta, Georgia, USA, de 20 a 23 deste mês de novembro.

Seu tema: A ascensão do biblioblogar na primeira década do século XXI: What Just Happened: The rise of “biblioblogging” in the first decade of the twenty-first century

© James R. Davila, University of St. Andrews

2010 Annual Meeting of the Society of Biblical Literature in Atlanta

S22-209 SBL Blogger and Online Publication Section

Destaco alguns pontos, usando suas próprias palavras, intercaladas, às vezes, com acréscimos meus:

:: This paper “concerns the rise and development of ‘biblioblogging’ or blogging devoted to the area of academic biblical studies. Many aspects of this topic were treated in my two earlier papers [on biblioblogging published in 2005: here and here] and I have made some effort here to avoid overlapping with them (…) I will begin with some brief background notes on the rise of computer and Internet applications to biblical studies, then say a few words about the rise of biblioblogging, and then draw on the predictions I made in 2005 as a launching point for discussing further developments over the last five years”.

:: Após descrever o surgimento de várias listas de discussão dedicadas a temas acadêmicos do mundo bíblico, especialmente na década de 90 do século XX, Jim Davila conclui: “The 1990s were a heady era in which we learned to take for granted that we could trade notes to colleagues around the world anywhere, anytime, at the speed of light. And so the stage was set for the blog”.

:: Em seguida ele explica que “the advent of the ‘biblioblog,’ a blog with a substantial amount of content on academic biblical studies, came either with PaleoJudaica [March 2003] or with New Testament scholar AKMA Adam’s more diary-style blog, AKMA’s Random Thoughts, in January of 2002″.

:: Falando sobre o crescente número de biblioblogs que apareceu nos anos seguintes, diz de uma de suas projeções: “One prediction was (in late November of 2005) that over the next couple of years the exponential increase in the number of biblioblogs would continue. At the time I was aware of thirty more biblioblogs, making the total close to fifty. Exponential growth would then produce about 100 at the beginning of 2007 and 200 at the beginning of 2008. Statistics have been hard to come by, but I have located one supposedly comprehensive list of biblioblogs in September of 2009 which named 362 blogs ‘which deal primarily with matters concerning scholarly or academic biblical studies’ and another 262 ‘which have a different primary focus (e.g. theology, ancient Near Eastern archaeology, devotional and homiletic approaches to the Bible) or are commercial rather than personal blogs – yet which contain some biblical studies material.’ PaleoJudaica is listed in the first category, although I don’t really think of it as dealing primarily with the Bible. This gives us a total of 585 blogs that have at least some academic Bible-related content [O meu biblioblog, Observatório Bíblico, foi criado no dia 7 de dezembro de 2005].

:: Após falar de outras projeções, Jim Davila começa a tratar da contribuição dos biblioblogs para a área dos estudos bíblicos. São seis itens, aqui citados de modo esquemático, mas ele sempre dá exemplos:

. “First, it has made possible the rapid dissemination of information on new discoveries and other matters of interest – as well as dissemination of accessible specialist commentary on such matters – to a vastly enlarged audience” (…)
. “Second, blogging helps to put a personal face on biblical scholarship by allowing scholars to speak with an informal public voice different from the voice of academic publication” (…)
. “Third, blogging encourages biblical scholars to interact publicly with popular culture” (…)
. “Fourth, blogging has also generated some interesting discussions and controversies within the field and its professional organizations” (…)
. “Fifth, a new development, and a sign of the times, is that blogging has helped scholars to mobilize in support of their colleagues in an era of job cuts and financially threatened departments” (…)
. “Sixth and finally, I think it is fair to say that biblioblogging has contributed at least a little to the accelerating erosion of the authority of the mainstream media” (…)

Assim Jim Davila conclui sua exposição:

:: “To conclude, blogging has found a solid niche in academic biblical studies in the first decade of the twenty-first century. It has enriched the field in numerous ways and its expansion over the decade has been exponential, at least until recently. Moreover, the contributions of blogging have been amplified rather than diluted by the advent in recent years of additional new media such as Facebook, Twitter, and podcasts. All three are routinely used in synergy with blogs and I believe, although I cannot prove statistically, that dissemination of blog posts through these other media routinely increases blog traffic rather than reducing it. We are nowhere near a zero-sum game within the new media. And all indicators are that biblioblogging will be with biblical studies for a long time to come”.

Roland Boer: considerações sobre o debate Lemche-Avalos

O debate entre Lemche e Avalos sobre a relevância ou não dos estudos bíblicos na atualidade, mencionado aqui no blog, continua.

Agora, com a contribuição de Roland Boer, na mesma The Bible and Interpretation, em novembro, com o ensaio:

Elitism, Colonialism, and the Independence of Biblical Studies: Reflections on the Lemche-Avalos Debate

Roland Boer é o organizador do livro Secularism and Biblical Studies. London: Equinox Publishing, 2010, 224 p. – ISBN 9781845533755, que reacendeu o debate.

Ele diz:

Lemche asserts, without evidence, that the Bible is increasingly important in our modern world. Avalos, by contrast, is caught: on the one hand, he argues that the Bible is increasingly irrelevant, but on the other, he argues that the Bible is a dangerous book, so much so that its influence should be eliminated from our world. Both are correct, but not in ways they would expect.

Sobre o Congresso Continental de Teologia em 2012

Leio no Blog do IHU em 17 de novembro de 2010: Adital e IHU discutindo o Congresso Continental de Teologia

Leia também em Notícias: IHU On-Line, de 27/08/2010: Congresso Latino-Americano de Teologia: uma análise da situação sociorreligiosa-eclesial atual. Entrevista especial com Agenor Brighenti

O ano de 2012 é significativo para a Igreja na América Latina. “São os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, pelo Papa João XXIII (11 de outubro de 1962) e os 40 anos da publicação da obra de Gustavo Gutiérrez [1], Teología de la liberación. Perspectivas (Lima: Centro de Estudios y Publicaciones, 1971) , que inaugura a rica trajetória da teologia em nosso Continente”, explica Agenor Brighenti durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line, por email. É por isso que acontece em 2012 o Congresso Continental de Teologia com o objetivo de analisar a situação sociorreligiosa-eclesial atual do continente.

“A definição do local foi fruto de um longo e difícil discernimento. Dado o momento eclesial que vivemos, sobretudo da Igreja Católica, não é em qualquer país que é possível realizar um evento com a agenda e a metodologia do Congresso”, justifica Brighenti. Foi por este motivo que o Brasil e, mais precisamente o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, sediará o evento. “A academia precisa de autonomia para pensar e de liberdade para criar, o que nem sempre, infelizmente, estão presentes em muitos espaços eclesiais nos diferentes países do Continente”, disse.

Agenor Brighenti é licenciado em Filosofia e graduado em Teologia pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É especialista em Pastoral Social e Planejamento Pastoral pelo Instituto Teológico-Pastoral do Celam e doutor em Ciências Teológicas e Religiosas pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica). Atualmente, é professor no Programa de Pós-graduação em Teologia da PUC-Paraná.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em que contexto eclesial se dará o Congresso Continental de Teologia?

Agenor Brighenti – A V Conferência dos Bispos da América Latina, realizada em Aparecida do Norte no ano de 2007, deu um novo impulso à tradição latino-americana, tecida em torno à “recepção criativa” do Concílio Vaticano II. Sem dúvida, o principal avanço de Aparecida foi muito mais do que ter evitado um retrocesso, na perspectiva do atual processo de “involução eclesial” no seio do catolicismo, que vem desde os anos 1980. Este momento resgatou o Vaticano II em suas intuições básicas e eixos fundamentais, assim como o “rosto latino-americano”, plasmado em torno às Conferências anteriores.

Diante deste momento novo na Igreja, pareceu bem à Ameríndia convidar outros segmentos e instâncias da Igreja no Continente e juntar esforços na convocação de um Congresso Continental de Teologia. É um momento oportuno para mobilizar a comunidade teológica ligada à teologia latino-americana da libertação, depois de anos particularmente difíceis, marcado por tensões, desencanto, falta de perspectivas, dispersão e inclusive por certa desmobilização dos teólogos e teólogas.

A decisão de realizar este Congresso Continental de Teologia no ano de 2012 deve-se ao fato de ser um ano muito significativo para a igreja na América Latina. São os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, pelo Papa João XXIII (11 de outubro de 1962) e os 40 anos da publicação da obra de Gustavo Gutiérrez, Teología de la liberación. Perspectivas (Lima: Centro de Estudios y Publicaciones, 1971), que inaugura a rica trajetória da teologia em nosso Continente.

Estes dois referenciais comemorativos dão a ótica do evento: reler, desde o novo contexto em que vivemos, a tradição latino-americana, tecida em torno da “recepção criativa” do Vaticano II, das práticas das comunidades eclesiais inseridas num contexto de injustiça social, da centralidade da Palavra e da leitura popular da Bíblia; também em torno da opção pelos pobres, do testemunho dos mártires das causas sociais e de nossa peculiar reflexão teológica, em perspectiva libertadora.

IHU On-Line – O senhor pode nos explicar o que é esse Congresso? Quais são os principais objetivos dele?

Agenor Brighenti – A finalidade primeira do Congresso não é fazer balanço da trajetória da teologia na América Latina. Em grande medida, esta difícil e importante tarefa já foi feita em diversos congressos nacionais e internacionais, nos últimos anos. O que mais urge na atualidade é voltar nosso olhar para o futuro, ousar olhar longe e, portanto, a oportunidade de um congresso prospectivo. É importante que se pergunte sobre os desafios e tarefas futuras da teologia na América Latina, desde nosso novo contexto cultural, social, político, econômico, ecológico, religioso e eclesial, globalizado e excludente.

Para isso, o Congresso Continental de 2012 quer propiciar uma análise da situação sociorreligiosa-eclesial no momento atual, para que, a partir da identificação dos novos desafios, a Inteligência da fé não perca de vista o “real da realidade” de nossos povos e continue sendo instância retroalimentadora das comunidades eclesiais, inseridas no mundo em perspectiva libertadora.

IHU On-Line – Quais são as respostas que o Vaticano tem dado às questões da América Latina?

Agenor Brighenti – A tradição latino-americana é herdeira do Vaticano II. Mais do que “ponto de chegada”, o Vaticano II para a Igreja na América Latina foi um “ponto de partida”. Em suas inovações, a Igreja da América Latina não rompe com o Concílio, apenas faz desdobramentos de suas intuições básicas e eixos fundamentais. O Vaticano II continua inspirando nossa Igreja e respondendo a nossos desafios. Como ilustração disso, podemos fazer menção às raízes de alguns dos traços do rosto próprio de nossa Igreja.

Por exemplo:

a) o Concílio concebe a Igreja como Povo de Deus, a comunidade dos batizados, na comunhão da radical igualdade em dignidade de todos os ministérios; para a Igreja na América Latina, só há Igreja-comunidade em pequenas comunidades e a forma mais adequada de se fazer uma real vivência da fraternidade cristã é no seio de comunidades eclesiais de base, inseridas profeticamente no mundo;

b) o Vaticano II, ao afirmar a base laical da Igreja, fundada no tríplice ministério da Palavra, da Liturgia e da Caridade, faz da comunidade dos fiéis o sujeito eclesial; Medellín verá a Igreja, toda ela e em cada um de seus membros, sem distinção, como os sujeitos da missão evangelizadora;

c) o Vaticano II, na perspectiva de João XXIII, propõe “uma Igreja dos pobres para ser a Igreja de todos”; para Medellín não basta uma Igreja “dos pobres”, é preciso uma “Igreja pobre”, solidária com sua situação e comprometida com sua causa, de um mundo onde caibam todos;

d) o Vaticano II, rompendo com uma fé metafísica e abstrata, fala de Deus e partir do ser humano e busca servir a Deus, servindo o ser humano; para a Igreja na América Latina, optar pelo ser humano, dado o contexto marcado por escandalosa exclusão da maioria, que são os preferidos de Deus, significa optar antes pelos pobres, pois se trata de promover a fraternidade de todo o gênero humano;

e) o Vaticano II, superando o eclesiocentrismo, afirma que a Igreja, ainda sem ser deste mundo, está no mundo, existe para ser mediação de salvação do mundo e, portanto, precisa inserir-se no mundo; a Igreja na América Latina se perguntará: a Igreja deve inserir-se no mundo, mas dentro de que mundo? Do mundo dos incluídos ou dos excluídos para promover um mundo inclusivo de todos? Por isso, além da opção pelo sujeito social – o pobre –, a missão evangelizadora em vista da salvação, já na história, e que passa pela construção de uma sociedade justa e solidária, implica igualmente a opção pelo lugar social dos pobres.

E, assim, poderíamos continuar fazendo a lista dos pontos de chegada do Concílio, que a Igreja na América Latina fez e precisa continuar fazendo ponto de partida.

IHU On-Line – A Teologia da Libertação ainda é atual na América Latina? Que teologia surge no atual contexto da América Latina?

Agenor Brighenti – A eclosão de uma nova consciência na Igreja da América Latina é o resultado de uma nova sensibilidade da fé em relação com a situação política e social. Era preciso dar resposta a uma pergunta crucial: como ser cristão nesse contexto de opressão e de injustiça.

A Teologia da Libertação (TdL) seria incompreensível fora destas circunstâncias. Antes de qualquer elaboração mais sofisticada, ela foi necessidade vital de pensar teologicamente a experiência viva e concreta da comunidade eclesial. De uma experiência que era, ao mesmo tempo, experiência de Deus e responsabilidade pela realidade humana e social. Mais ainda, de uma tomada de consciência da situação social inseparável de uma experiência espiritual, isto é, de uma exigência de conversão provocada por uma finalidade maior ao Deus cristão, ao Deus que, em Jesus Cristo, se tinha feito carne e história humana. Essa foi a matriz da Teologia da Libertação, “momento segundo”, sem dúvida, mas indispensável como esforço reflexivo para iluminar essa complexa experiência.

A evolução posterior e, sobretudo, os embates aos quais foi submetida a TdL deixaram na penumbra este dado simples e, à primeira vista, sem grande importância, sem o qual, porém, é impossível compreender a originalidade desta teologia e interpretar algumas de suas características que só depois viriam a ser completamente explicitadas.

Em primeiro lugar, a vida da comunidade eclesial como lugar natural da teologia. Com isso, se afirmava não só que a teologia é inseparável da consciência viva da Igreja, mas a convicção reflexa de que a vida e a experiência de uma Igreja situada precedem a teologia. A TdL é uma teologia contextualizada original, não necessariamente pelo seu método e muito menos pelo seu produto final, mas antes pela experiência eclesial que a sustenta. O essencial deste paradigma teológico não é a teologia, mas a libertação, a experiência encarnada da fé. É a partir dali que nasce a teologia como inteligência da fé, de maneira deliberada, intencional e reflexa em, desde e para o contexto desta experiência de fé. Em última instância, a TdL inova em relação a outras teologias por mudar de lugar e de função.

Aqui está uma das grandes motivações da convocação deste Congresso, pois temos, cada vez mais, também na América Latina, uma teologia órfã de sociedade e de Igreja. Ora, nossa teologia não pode perder de vista seu novo lugar e sua nova função, para poder continuar sendo instância retroalimentadora das comunidades eclesiais inseridas, em perspectiva libertadora, num mundo que apresenta hoje novos desafios, que exigem novas respostas.

IHU On-Line – Quais os principais desafios que a Igreja enfrenta e quais as principais frentes de luta dela na América Latina de hoje?

Agenor Brighenti – Em tempos de profundas transformações e de crise em todos os campos, sem dúvida, um grande desafio, diante do medo em arriscar criar novo, é não fazer do passado um refúgio. É preciso encarar este momento como um tempo de passagem, pascal, promessa de novas possibilidades. Para isso, é fundamental superar posturas tanto retrospectivas como também catastróficas e olhar para o futuro, com visão esperançada, prospectiva, buscando discernir os novos sinais dos tempos e as interpelações do Espírito, que se dão em meio à ambiguidade da história. Os desafios, hoje, num mundo globalizado, em grande medida são desafios globais, mas que precisamos assumir desde nosso contexto particular.

Um primeiro deles é a emergência de uma nova racionalidade, que nos obriga repensar paradigmas e pressupostos, a repensar a razão, sobretudo alargando seu horizonte. Ao lado da racionalidade moderna, tributária do logos grego, emergem outras formas de razão, que também a teologia precisa receber, tal como a razão cordial e comunicativa.

Um segundo grande desafio é a emergência de um novo rosto da pobreza, pobres não somente como explorados, mas massa que sobra, descartável, constituindo o mundo da insignificância. Trata-se de uma pobreza, subproduto de uma riqueza que se alimenta da escassez da maioria. Frente a isso, também a teologia precisa ser profecia, sobretudo diante do cinismo dos satisfeitos e contribuir para um mundo onde caibam todos, expressão do ideal do Reino de Deus de uma fraternidade universal.

Um terceiro desafio é o pluralismo cultural e religioso, numa sociedade onde as diferenças tendem cada vez mais a adquirir cidadania. Não só se apresenta o desafio de conviver com os diferentes, como de aprender a se enriquecer com as diferenças. Diante de um mundo plural, a alteridade, mais que uma mera abertura, precisa ser um pressuposto a partir do qual é preciso repensar as identidades, tanto individuais, como sociais e institucionais.

IHU On-Line – Como serão as jornadas teológicas que acontecerão em 2011?

Agenor Brighenti – Para mobilizar a comunidade teológica, em vista do Congresso Continental, a Comissão Organizadora pensou oportuno realizar quatro Jornadas Teológicas Regionais em 2011: uma no México, para os mexicanos e os hispanos dos Estados Unidos; outra na Guatemala, para a América Central e o Caribe; uma terceira em Bogotá, para os países andinos; e uma quarta em Santiago do Chile, para o Cone Sul e o Brasil. A proposta é que estas jornadas se realizem dentro dos mesmos objetivos e metodologia do Congresso Continental e se constituam num momento privilegiado de sua preparação.

IHU On-Line – Qual a importância de um congresso como esse acontecer no Brasil?

Agenor Brighenti – Não é por acaso que o Congresso Continental de 2012 vai acontecer no Brasil, mais precisamente na Unisinos, sob a responsabilidade local do Instituto Humanitas Unisinos – IHU. A definição do local foi fruto de um longo e difícil discernimento. Dado o momento eclesial que vivemos, sobretudo da Igreja Católica, não é em qualquer país que é possível realizar um evento com a agenda e a metodologia do Congresso. A academia precisa de autonomia para pensar e de liberdade para criar, o que nem sempre, infelizmente, estão presentes em muitos espaços eclesiais nos diferentes países do Continente. Olhando para a situação da Igreja nos países da América Latina, constatou-se que, dificilmente, se poderia realizar este Congresso a não ser no Brasil. E, em nosso país, também não importa onde. Optamos pela Unisinos, baseados em sua trajetória, assim como em sua experiência na promoção de eventos internacionais, em torno a temas de fronteira. Sem falar na competente equipe do IHU, que generosamente se colocou à disposição para assegurar, com o apoio da Comissão Organizadora, a realização e a logística do Congresso.

Notas:
[1] Gustavo Gutiérrez é um teólogo peruano e sacerdote dominicano, considerado por muitos como o fundador da Teologia da Libertação.

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Diz a SBL:
Welcome to the International Cooperation Initiative (ICI) Online Books page. This ICI project provides free online PDF files to scholars and students who would not otherwise have access to these resources. In addition to books published by SBL, resources from our partners Brown Judaic Studies, Catholic Biblical Association, and Sheffield Phoenix Press are also accessible. SBL invites other academic publishers to join this expanding list. Persons who are identified through our technology as being from a country with a GDP per capita substantially lower than the average GDP per capita of the USA and the European Union will be able to see links below to the publishers and the PDF publications.

Páginas mais visualizadas em outubro de 2010

Segundo o Google Analytics, as 10 páginas da Ayrton’s Biblical Page mais visualizadas durante o mês de outubro de 2010 foram as seguintes:

1. A História de Israel no debate atual
2. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento – Durkheim propõe uma teoria do fato social
3. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento – A sociologia compreensiva
4. História de Israel: Sumário
5. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento – O Positivismo de Comte e Durkheim e a Crítica Marxista
6. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Jeremias
7. Grego Bíblico
8. Ler a Bíblia no Brasil hoje
9. Perguntas mais frequentes sobre o profeta Isaías
10. Noções de Hebraico Bíblico

Compare com o mês de setembro de 2010.