O livro e o blog

Terminando o mês, esta serve para todos nós, biblioblogueiros, pensarmos:

Já faz tempo, é do começo do ano, mas foi em Blogs do Além, na CartaCapital, onde Vitor Knijnik “psicografa” os grandes falecidos, que encontrei no Blog do Platão:

Sócrates:
– O que é um livro?
Platão:
– O livro é um mestre que fala, mas que não responde.
Sócrates:
– E o blog?
Platão:
– Um mestre que responde, mas que em geral não sabe o que fala.

Livros que valem a pena: 2 + 2

Foram acrescentados à página + Novidades 4 novos livros: 2 obras que acabaram de sair, sobre Qumran e Êxodo, e 2 que serão lançadas em 2010, sobre Profetas e História de Israel.

Confiram:

COLLINS, J. J. Beyond the Qumran Community: The Sectarian Movement of the Dead Sea Scrolls. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2009, 278 p. – ISBN 9780802828873.

DOZEMAN, T. B. Exodus. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2009, 888 p. – ISBN 9780802826176.

DAY, J. (ed.) Prophecy and the Prophets in Ancient Israel. Proceedings of the Oxford Old Testament Seminar. London: T & T Clark, 2010, 384 p. – ISBN 9780567473646. Publicação prevista para junho de 2010.

GRABBE, L. L. (ed.) Israel in Transition 2: From Late Bronze II to Iron IIA (c. 1250-850 BCE): The Texts. London: T & T Clark, 2010, 224 p. – ISBN 9780567649485. Publicação prevista para abril de 2010. Obra do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica.

Seu biblioblog é liberal ou conservador? E você?

Pergunta que, naturalmente, gera grande controvérsia.

:: Conservative or Liberal? Why Biblioblogs Should Not be Labeled, em Outside the Building, por Jason A. Staples: 24/11/2009
:: “Liberal” and “Conservative” Labels, em The Busybody, por Loren Rosson III: 25/11/2009
:: Uh-oh: Redoing the Ill-Considered Attempt to Classify Biblioblogs as Liberal/Conservative, em Hypotyposeis, por Stephen C. Carlson: 25/11/2009

 

Minha opinião?

Quem tentar fazer uma classificação ideológica dos biblioblogs vai sempre se debater com o problema de ter em mãos uma classificação adequada. Epistemologicamente correta. Cientificamente sustentável.

E que considere os biblioblogs como práticas de produção de conhecimentos históricos e sociais, com todas as implicações que isso comporta.

Então, não se pode classificar? Acho até que pode. Acho que deveria. Até porque muitas máscaras que simulam neutralidade cairiam… Mas, como superar as dificuldades técnicas?

Cito só duas, para exemplificar:
. um modelo norte-americano, eventualmente usado neste tipo de classificação, teria validade para um biblioblog produzido em outro país?
. as classificações econômicas, políticas e sociais deveriam ser aplicadas à produção acadêmica e/ou bíblica publicada na Internet?

Aos incautos, lembro: no Brasil há partidos e/ou grupos que se autodenominam “liberais”, mas que são conservadores de doer!

Será que o assunto vai prosperar?

Calvino: 500 anos

Calvino – 1509-1564. Teólogo, reformador e humanista

Este é o tema da edição 316, de 23/11/2009 da Revista IHU On-Line.

Diz o Editorial:
Celebram-se, neste ano, os 500 anos de nascimento do reformador francês João Calvino (1509-1564). O Instituto Humanitas Unisinos – IHU, dedicou um amplo espaço nas Notícias do Dia, publicadas e atualizadas diariamente na sua página eletrônica, a este importante evento. Esta edição da IHU On-Line quer aprofundar a análise e o debate sobre o legado deste grande teólogo, reformador e humanista. Contribuem nesta edição o filósofo e o teólogo presbiteriano Leonildo Silveira Campos, da Umesp; Bernard Cottret, biógrafo francês de Calvino, da Universidade de Versailles – Saint-Quentin; Carlos Eduardo Oliveira, professor da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, um dos tradutores de A instituição da religião cristã, obra em dois volumes de João Calvino, para o português; Yves Krumenacker, da Universidade Lyon 3, historiador, autor do livro Calvin. Au-delà des legendes (Paris, Bayard, 2009); Volker Leppin, decano da Faculdade de Teologia da Universidade de Jena; Hermisten da Costa, pastor e professor do Seminário Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição; Ricardo Rieth, professor da Universidade Luterana do Brasil – Ulbra, e da Escola Superior de Teologia – EST; e Risto Saarinen, pastor da Igreja Evangélica Luterana e professor da Universidade de Helsinki.

As 8 entrevistas:
:: Bernard Cottret: A purificação calvinista do cristianismo
:: Ricardo Rieth: Uma teologia a caminho
:: Leonildo Silveira Campos: A Reforma 500 anos depois de Calvino
:: Carlos Eduardo de Oliveira: Para Calvino, a eleição divina independe até mesmo da fé
:: Yves Krumenacker: Calvino. Um revolucionário ou um conservador?
:: Volker Leppin: A teologia política de Calvino
:: Hermisten Maia Pereira da Costa: A fé reformada e os compromissos existenciais inevitáveis
:: Risto Saarinen: “A Reforma, sem dúvida, foi um movimento com forte tonalidade hermenêutica”

Calvino:
Nascimento: 10/07/1509, em Noyon, França
Falecimento: 27/05/1564, em Genebra, Suíça

A Comunicação e seus desafios

Acho que vale a pena prestar atenção à edição 315 da Revista IHU On-Line, publicada em 16/11/2009:

Conferência Nacional de Comunicação. Uma conquista e os seus desafios

de 14 a 17 de dezembro de 2009 acontece, em Brasília, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – Confecom. Pedrinho Guareschi, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Bruno Lima Rocha, professor da Unisinos, Gerson Almeida, secretário nacional de articulação social da Presidência da República, José Sóter, coordenador executivo da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – Abraço Nacional e secretário geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC, e Roseli Goffman, representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP) na Coordenação Executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC, discutem a importância e os desafios deste evento, cuja realização é uma dura conquista dos movimentos e organizações populares que lutam pela democratização da comunicação em nosso País (do Editorial).

Leio também no site do Ministério da Cultura:
“Com o tema central Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) se desenvolverá em três eixos temáticos – Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e Cidadania: Direitos e Deveres. O evento será realizado de 14 a 17 de dezembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A temática Produção de Conteúdo deverá focar as discussões na produção independente, incentivos, tributação, propriedade intelectual e outros. Quanto à abordagem sobre os Meios de Distribuição deverão ser explorados assuntos relacionados às diversas mídias e às telecomunicações, por exemplo. Já o eixo Cidadania: Direitos e Deveres pretende fomentar amplo debate sobre a democratização e a participação da sociedade na comunicação, a liberdade de expressão, o direito à comunicação e o acesso à cultura, dentre outros temas de interesse nacional. As orientações metodológicas e o texto-base podem ser acessados no documento de referência para a 1ª Confecom. A Confecom será presidida pelo Ministério das Comunicações, com a colaboração direta da Secretaria-Geral da Presidência da República e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A Comissão Organizadora Nacional também é composta por outros órgãos do poder público, dentre os quais o Ministério da Cultura, e instituições da sociedade civil. Para o representante do MinC na Comissão, Octavio Pieranti, “a comunicação faz parte da cultura e a cultura é o campo por excelência da comunicação. É preciso discutir uma infraestrutura de comunicação que possibilite maior distribuição de conteúdo”. Processo Preparatório – As etapas estaduais da Conferência estão sendo realizadas pelo país. O processo preparatório à 1ª Confecom incluiu conferências municipais, conferências intermunicipais, conferências livres e a conferência virtual, de âmbito nacional”.

Narrar Deus: livro digital

Livro digital do X Simpósio Internacional IHU: Narrar Deus numa Sociedade Pós-Metafísica. Possibilidades e impossibilidades com os textos das oficinas, minicursos e comunicações do evento está disponível no sítio do IHU.
Faça o download do livro digital do Simpósio Narrar Deus.

Leia Mais:
Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica – Observatório Bíblico: 16 de agosto de 2009
As linguagens possíveis sobre Deus hoje – Observatório Bíblico: 14 de setembro de 2009

West Bank and East Jerusalem Searchable Map

West Bank and East Jerusalem Searchable Map, diz o título do post de 21/11/2009 em Biblical Studies and Technological Tools, escrito por Mark Vitalis Hoffman (mgvh)

E no site da UCLA, com data de 20 de novembro de 2009, leio:

Archaeologists publish first map of contested sites in Middle East
A team of archaeologists from UCLA, USC, Israel and Palestinian territories has developed the first map detailing Israeli archaeological activity in the West Bank and Jerusalem – much of it never publicly disclosed. The fully searchable online map, which serves as a window into thousands of years worth of archaeological sites in the Holy Lands, has won the 2009 Open Archaeology Prize from American Schools of Oriental Research, the main organization for archaeologists working in the Middle East…

Leia o texto completo. É um recurso extraordinário!

O Brasil e o conflito no Oriente Médio

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira [11/11/2009], depois de uma reunião com o presidente de Israel, Shimon Peres, que para construir a paz no Oriente Médio é necessário dialogar com todas as forças envolvidas. Questionado sobre o fato de o Brasil se dizer amigo de Israel, mas, ao mesmo tempo, estar se preparando para a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, Lula disse que vai receber o líder iraniano por ‘uma razão muito simples’. ‘Você não constrói a paz necessária no Oriente Médio se não conversar com todas as forças políticas e religiosas, que querem paz e que se opõem à paz’, disse. ‘Ou você transforma o processo de negociação em um clube de amigos em que todos estão concordando com uma coisa e os que discordam ficam de fora, portanto a paz não será possível nunca’, afirmou o presidente. ‘Não temos veto a conversar com quem quer que seja desde que daquela conversa você extraia uma palavra, ou apenas uma vírgula que possa contribuir para que a gente possa definitivamente construir uma paz duradoura e para sempre no Oriente Médio.’ Ahmadinejad, que é considerado um inimigo por Israel, chega ao Brasil no dia 23, menos de duas semanas depois da visita de Peres” (Folha Online – BBC Brasil: 11/11/2009 – 18h04)

“O presidente palestino, Mahmoud Abbas, chegou ao Brasil para uma visita oficial de três dias em que deverá buscar o apoio do governo brasileiro ao plano de declaração unilateral de independência da Palestina”, em Abbas chega ao Brasil em busca de apoio à independência palestina – Folha Online – BBC Brasil: 20/11/2009 – 07h28

“Em encontro com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o presidente Lula foi econômico nas palavras e preciso na análise. Quanto mais tempo o governo de Israel persistir com as violações da lei humanitária internacional, mais distante fica a possibilidade de uma solução negociada para o conflito no Oriente Médio. Enquanto não for destruído o muro erguido na Cisjordânia para anexar ilegalmente terras, e não forem garantidos aos palestinos os direitos de propriedade, de ir e vir, e de buscar saúde, educação e emprego, qualquer enunciado sobre a paz será apenas uma ironia semântica. Um discurso que admite a realidade do que é virtual, mas que não pode ser colocado no plano lógico daquilo que já tenha adquirido existência concreta. É necessário, mais uma vez, reconhecer que, respaldado pelo imperialismo norte-americano na região, a construção incessante de assentamentos em território ocupado obedece a uma lógica clara. O governo israelense joga todo o seu peso em uma solução definitiva para o ‘problema palestino’: uma solução que vem contemplando o massacre e o apartheid”, diz Gilson Caroni em Israel: qual a arquitetura do muro? (Carta Maior: 20/11/2009)

“A posição da administração Obama sobre as colônias é clara e inequívoca. Não mudou: os Estados Unidos não aceitam como legítimo continuar com os assentamentos israelenses”, disse Hillary Clinton, segundo a Folha Online: 02/11/2009 – 19h29.

Dia da Consciência Negra

A grande mídia e a desigualdade racial
Pesquisa do Observatório Brasileiro de Mídia revela posicionamento contrário de grandes revistas e jornais brasileiros em relação aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente (ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas).

Por Venício LimaCarta Maior: 17/11/2009

“O ‘Dia da Consciência Negra’ é comemorado em todo o país na data em que Zumbi – o herói principal da resistência simbolizada pelo quilombo de Palmares – foi morto, 314 anos atrás: 20 de novembro de 1695. Muitas revoltas, fugas e quilombos aconteceram antes da Abolição em 1888.

O Brasil de 2009 é, certamente, outro país. Apesar disso, ‘os negros continuam em situação de desigualdade, ocupando as funções menos qualificadas no mercado de trabalho, sem acesso às terras ancestralmente ocupadas no campo, e na condição de maiores agentes e vítimas da violência nas periferias das grandes cidades’.

O estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgado em outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que, de 1998 a 2008, dobrou o número de negros e pardos com ensino superior. Mesmo assim, os números continuam muito abaixo da média da população branca: só 4,7% de negros e pardos tinham diploma de nível superior em 2008, contra 2,2% dez anos antes. Já na população branca, 14,3% tinham terminado a universidade em 2008. Dez anos antes, eram 9,7%. Entre o 1% com maior renda familiar per capita, apenas 15% eram pretos ou pardos no total da população brasileira.

Diante desse quadro de desigualdade e injustiça histórica, como tem se comportado a grande mídia na cobertura dos temas de interesse da população negra brasileira, vale dizer, de interesse público? [sublinhado meu]

Uma pesquisa encomendada pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), realizada pelo Observatório Brasileiro de Mídia (OBM), analisou 972 matérias publicadas nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, e 121 nas revistas semanais Veja, Época e Isto É – 1093 matérias, no total – ao longo de oito anos.

No período compreendido entre 1º de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2008, foi acompanhada a agenda da promoção da igualdade racial e das políticas de ações afirmativas em torno dos seguintes temas: cotas nas universidades, quilombolas, ação afirmativa, estatuto da igualdade racial, diversidade racial e religiões de matriz africana.

Não é possível reproduzir aqui todos os detalhes da pesquisa. Menciono apenas cinco achados de um Relatório de quase 100 páginas”.

Leia o texto completo.

Venício Lima é Pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília – NEMP – UNB.