Conhecemos o universo dos biblioblogs?

Kevin Wilson, de Blue Cord, escreve sobre a longevidade dos biblioblogs em Bibliblogger Longevity. Leia este post e o anterior, Metacatholic’s Biblical Studies Carnivalette.

Mas não temos uma estatística sobre o assunto, temos? A esta altura do campeonato, seria valiosa. Penso em coisas assim, aqui colocadas sem nenhum planejamento, só o que me vem à cabeça:

  • Quantos biblioblogs foram até hoje criados?
  • Quando foram criados?
  • Quantos desapareceram?
  • Quantos estão ativos?
  • Qual a frequência média de postagens (trends)?
  • Quais são os temas de maior frequência (labels)?
  • Em que línguas são escritos?
  • De que países são?
  • Quais plataformas usam (Blogger, WordPress etc)?
  • Quem são os biblioblogueiros?
  • Qual é a sua formação acadêmica?
  • Qual é a sua atividade principal?
  • Quantos homens e quantas mulheres?

Outras questões possíveis?

Só sei que seria um trabalho e tanto…

Fontes possíveis:

  • Biblioblogs.com
  • Ancient Hebrew Poetry
  • Best Blogs about Biblical Studies
  • Blogrolls do Google Reader
  • Biblical Studies Carnival/Carnival Archives
  • Estudos apresentados na SBL, como a SBL CARG (SBL CARG Biblioblog Session: Relevant Posts)
  • Vários blogrolls dos biblioblogs (alguns longos, como Thoughts on Antiquity)
  • Mecanismos de indexação de blogs, como Technorati, Google Blog Search (este em várias línguas), Google Co-op, como o do Deinde Biblioblogs Search

Outras fontes?

Se fosse criada uma força-tarefa (task force) e cada um contribuísse com um item, conseguiríamos.

Conferir aqui.

Martini recebe Menorah em Jerusalém

No domingo passado, dia 2 de dezembro, o cardeal Martini recebeu do CIU – Center for Interreligious Understanding -, no Pontifício Instituto Bíblico, em Jerusalém, a Menorah, como reconhecimento por sua contribuição para o diálogo judaico-cristão.

Leio no Bibbiablog:
Domenica 2 dicembre il cardinale Carlo Maria Martini ha ricevuto in dono a Gerusalemme la Menorah, simbolico candelabro ebraico, come riconoscimento del suo lavoro teso al rafforzamento del dialogo tra ebrei e cristiani…

Leonardo Boff: a moda Deus

Publicado em Notícias IHU o artigo de Leonardo Boff, A moda Deus.

Hoje o tema de Deus está em alta. Alguns em nome da ciência pretendem negar sua existência como o biólogo Richard Dawkins com seu livro Deus, um delirio (São Paulo 2007). Outros como o Diretor do Projeto Genoma, Francis Collins com o sugestivo título A linguagem de Deus (São Paulo 2007) apresentam as boas razões da fé em sua existência. E há outros no mercado como os de C.Hitchens e S.Harris.

No meu modo de ver, todas estes questionamentos laboram num equívoco epistemológico de base que é o de quererem plantar Deus e a religião no âmbito da razão.

O lugar natural da religião não está na razão, mas na emoção profunda, no sentimento oceânico, naquela esfera onde emergem os valores e as utopias. Bem dizia Blaise Pascal, no começo da modernidade:”é o coração que sente Deus, não a razão”(Pensées frag. 277). Crer em Deus não é pensar Deus mas sentir Deus a partir da totalidade do ser.

Rubem Alves em seu Enigma da Religião (1975) diz com acerto:”A intenção da religião não é explicar o mundo. Ela nasce, justamente, do protesto contra este mundo descrito e explicado pela ciência. A religião, ao contrário, é a voz de um consciência que não pode encontrar descanso no mundo tal qual ele é, e que tem como seu projeto transcendê-lo”.

O que transcende este mundo em direção a um maior e melhor é a utopia, a fantasia e o desejo. Estas realidades que foram postas de lado pelo saber científico voltaram a ganhar crédito e foram resgatadas pelo pensamento mais radical inclusive de cunho marxista como em Ernst Bloch e Lucien Goldman. O que subjaz a este processo é a consciência de que pertence também ao real o potencial, o virtual, aquilo que ainda não é mas pode ser. Por isso, a utopia não se opõem à realidade. É expressão de sua dimensão potencial latente. A religião e a fé em Deus vivem desse ideal e desta utopia. Por isso, onde há religião há sempre esperança, projeção de futuro, promessa de salvação e de vida eterna. Elas são inalcançáveis pela simples razão técnico-científica que é uma razão encurtada porque se limita aos dados sempre limitados. Quando se restringe apenas a essa modalidade, se transforma numa razão míope como se nota em Dawkins. Se o real inclui o potencial, então com mais razão o ser humano, cheio de ilimitadas potencialidades. Ele, na verdade, é um ser utópico. Nunca está pronto, mas sempre em gênese, construindo sua existência a partir de seus ideais, utopias e sonhos. Em nome deles mostrou o melhor de si mesmo.

É deste transfundo que podemos recolocar o problema de Deus de forma sensata. A palavra-chave é abertura. O ser humano mostra três aberturas fundamentais: ao mundo transformando-o, ao outro se comunicando, ao Todo, captando seu caráter infinito, quer dizer, sem limites.

Sua condition humaine o faz sentir-se portador de um desejo infinito e de utopias últimas. Seu drama reside no fato de que não encontra no mundo real nenhum objeto que lhe seja adequado. Quer o infinito e só encontra finitos. Surge então uma angústia que nenhum psicanalista pode curar. É daqui que emerge o tema Deus. Deus é o nome, entre tantos, que damos para o obscuro objeto de nosso desejo, aquele sempre maior que está para além de qualquer horizonte.

Este caminho pode, quem sabe, nos levar à experiência do cor inquietum de Santo Agostinho:”meu coração inquieto não descansará enquanto não repousar em ti”

A razão que acolhe Deus se faz inteligência que intui para além dos dados e se transforma em sabedoria que impregna a vida de sentido e de sabor.

Texto de April DeConick provoca muitos comentários

April DeConick, Professora de Estudos Bíblicos na Rice University, Houston, Texas, do blog The Forbidden Gospels, que publicou recentemente o livro Thirteenth Apostle: What the Gospel of Judas Really Says [O Décimo Terceiro Apóstolo: O que o Evangelho de Judas realmente diz] London: Continuum, 2007, 224 p. – ISBN 9780826499646, causou furor com seu texto de 1 de dezembro no The New York Times.

Excelente para a academia, para a pesquisadora, para o estudo dos textos não-canônicos e para os biblioblogs.

Veja as muitas reações ao seu Op-Ed: Gospel Truth.

Sobre o livro, leia aqui.

Sobre o Evangelho copta de Judas Iscariotes, que tanto barulho fez no ano passado, recomendo os posts do Observatório Bíblico, na seção de apócrifos e pseudepígrafos, a partir de 25 de fevereiro de 2006.

Obs.: um Op-Ed (= Opposite Editorial) é um texto escrito expressando uma opinião. O nome veio de uma tradição de posicionar tal material na página oposta à página de editorial. Definição do Random House Webster’s Unabridged Dictionary: “A newspaper page devoted to signed articles by commentators, essayists, humorists, etc., of varying viewpoints”.

Dica do T & T Clark Blog.

Observatorio Biblico comemora hoje dois anos

Observatório Bíblico está comemorando hoje dois anos de existência.

No dia 7 de dezembro de 2005, quando o biblioblog começou a funcionar, escrevi:

[Esta] é uma ferramenta jornalística associada ao meu site, do qual faz parte. Quer oferecer ao visitante comentários recentes sobre as interpretações arqueológicas, históricas e exegéticas relevantes para o estudo da Bíblia (…) Para ficar sabendo o que está acontecendo no mundo dos estudos bíblicos, venha visitar, com frequência, o Observatório Bíblico.